Ibovespa recua com cautela externa e aceleração do IPCA-15 de abril

O Ibovespa operava em queda nesta terça-feira (28), pressionado pela piora do ambiente externo e pela leitura mais alta da inflação no Brasil. O movimento ocorre na véspera das decisões do Comitê de Política Monetária (Copom) e do Federal Reserve (Fed), em um pregão também influenciado pela alta do petróleo, pelo avanço dos juros futuros e pela temporada de balanços corporativos.
Às 11h20, o principal índice da Bolsa brasileira recuava 0,65%, aos 188.274,82 pontos. Na mínima do dia, chegou a 187.236,79 pontos, após abrir estável, na faixa de 189.578,50 pontos. Na segunda-feira (27), o Ibovespa havia encerrado em baixa de 0,61%, aos 189.578,79 pontos.
No cenário externo, a cautela refletia as incertezas em torno das negociações relacionadas ao conflito no Oriente Médio. Segundo Bruna Sene, analista de renda variável da Rico, os mercados operavam sob um ambiente de aversão ao risco, diante da falta de definição sobre uma possível redução das tensões na região.
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As commodities tiveram comportamento misto. O petróleo subia perto de 3% no Brent e de 4% no WTI, enquanto o minério de ferro fechou em queda de 0,89% na Dalian Commodity Exchange. Esse quadro ajudava a sustentar ações ligadas ao petróleo e pressionava papéis expostos ao minério. No mesmo horário, as ações da Petrobras avançavam mais de 1%, após a conclusão da compra de 100% de uma porção do ring-fence do Campo de Argonauta, na Bacia de Campos, por R$ 700 milhões, mais US$ 150 milhões em três parcelas.
No mercado doméstico, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo-15 (IPCA-15) subiu 0,89% em abril, após alta de 0,44% em março. Em 12 meses, o indicador passou de 3,90% para 4,37%.
Para Mariana Rodrigues, economista da SulAmérica Investimentos, o dado reforça um cenário ainda desafiador para a inflação, com pressão em bens industriais. Bruna Sene acrescenta que houve aceleração dos núcleos e da difusão, sinalizando pressão mais espalhada sobre os preços.
Com inflação mais resistente, juros futuros em alta e incerteza geopolítica, o mercado local deve seguir sensível aos comunicados do Copom e do Fed. No curto prazo, a reação dos ativos tende a depender da sinalização sobre a trajetória dos juros e da evolução do cenário externo.
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