Irrigação pode aumentar produtividade do agronegócio, diz especialista; entenda o motivo

O Giro do Boi destacou nesta quarta-feira (22) o grande potencial da irrigação para transformar a produtividade do agronegócio brasileiro. Segundo Fernando Mendonça, professor da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz da Universidade de São Paulo (ESALQ-USP), a adoção de sistemas de irrigação não é apenas uma alternativa para enfrentar a seca, mas o caminho definitivo para verticalizar a produção.
De acordo com o especialista, a tecnologia permite que a produtividade por área seja de duas a quatro vezes superior ao sistema de sequeiro, consolidando a irrigação como uma ferramenta estratégica para a modernização das pastagens tropicais.
O dado mais impactante apresentado por Mendonça revela a ineficiência do uso atual das terras no Brasil devido à baixa adoção tecnológica. Se todo o rebanho brasileiro fosse criado em sistemas irrigados, ele ocuparia menos de 20 milhões de hectares, enquanto a pecuária atualmente utiliza mais de 150 milhões de hectares.
Confira:
Potencial de crescimento da irrigação
O Brasil possui cerca de 8 milhões de hectares irrigados, mas o potencial de crescimento é de 55 milhões de hectares, sendo que 26 milhões destes estão em áreas de pastagens. Atualmente, apenas cerca de 100 a 120 mil hectares de pastagens são irrigados no país, um número considerado “infinitamente insignificante” diante das oportunidades de ganho de produtividade.
Diferente do que muitos pensam, a irrigação atua como um seguro produtivo durante todo o ano, e não apenas nos meses sem chuva. A tecnologia protege a produção contra faltas de chuva repentinas durante o período das águas, mantendo o crescimento do capim constante. Além disso, o pecuarista que irriga elimina a dependência da chuva para aplicar fertilizantes nitrogenados, como a ureia, maximizando o aproveitamento dos nutrientes.
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Capacidade de suporte e eficiência na irrigação
Em sistemas intensivos irrigados, a capacidade de suporte pode saltar de 1 ou 2 Unidades Animal por hectare (UA/ha) para até 12 a 15 UA/ha. O Brasil é referência no uso de sistemas de alta eficiência, que garantem que a água chegue ao destino com o menor desperdício possível. O uso de pivô central para grandes áreas e o gotejamento subterrâneo, que leva água direto à raiz, são tendências fortes para 2026.
Fernando ressalta que a irrigação é uma tecnologia de “meio para frente”. Primeiro, o produtor deve corrigir o solo e garantir genética de ponta, tanto de forragem quanto de rebanho, para que a planta e o animal consigam responder ao investimento. O investimento costuma se pagar entre 2 e 6 anos. Em pequenas propriedades de leite, irrigar apenas 10% da área já é suficiente para transformar o resultado financeiro.
Com o cenário climático de 2026 exigindo cada vez mais resiliência, a irrigação oferece a estabilidade necessária para a produtividade de alta performance. Como resumiu o professor Mendonça, o Brasil possui terra e água em abundância, mas precisa converter esse potencial em infraestrutura e manejo para elevar o patamar da pecuária nacional.
Com informações de: girodoboi.canalrural.com.br.
Publicado com auxílio de inteligência artificial e revisão da Redação Canal Rural.
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