terça-feira, abril 21, 2026
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Com o fim da La Niña, ‘super’ El Niño deve chegar em maio; entenda como fica o clima


El Niño
Imagem gerada por IA

O fenômeno La Niña chegou ao fim, e o Brasil entra agora em uma fase de neutralidade climática. No entanto, a tendência é de uma rápida transição para o El Niño já nos próximos meses, segundo análise do meteorologista Arthur Müller, do Canal Rural.

De acordo com o último boletim da NOAA (agência de оcеano e atmosfera dos Estados Unidos), há cerca de 61% de probabilidade de retorno do El Niño entre maio e julho deste ano.

Transição rápida e aquecimento em alta

Com o fim da La Niña, a expectativa é de elevação gradual das temperaturas e normalização das chuvas no país durante o outono. Segundo Müller, o Pacífico Equatorial já apresenta aquecimento, o que favorece o desenvolvimento do novo fenômeno climático.

“A tendência é de uma rápida transição para neutralidade e, já a partir do fim de maio ou junho, começarmos a sentir os efeitos do El Niño na América do Sul”, explicou.

Modelos climáticos indicam que o fenômeno pode ter intensidade de moderada a forte e se estender ao longo do inverno, primavera e até o verão, influenciando tanto a safra de inverno quanto o plantio da temporada 2026/27.

Mais chuva no Sul e calor intenso no país

Os primeiros impactos esperados incluem aumento das chuvas na região Sul a partir de junho, com possibilidade de volumes acima da média. Já no Matopiba e no chamado Arco Norte, a tendência é de redução das precipitações.

No Centro-Sul, o destaque segue sendo o calor. Ondas de temperatura elevada devem se intensificar, especialmente no Sudeste, com possíveis reflexos sobre culturas como café e citros, além de impacto sobre os reservatórios de água.

Segundo o meteorologista, esse cenário também está associado ao aquecimento global, que tem elevado as temperaturas dos oceanos e potencializado eventos extremos.

Risco de intensificação ao longo do ano

Apesar da previsão inicial de um El Niño moderado a forte, há expectativa de o fenômeno ganhar ainda mais intensidade ao longo do segundo semestre, podendo evoluir para um “super El Niño” até o fim do ano, pois poderá provocar eventos climáticos severos, segundo Müller.

Caso isso se confirme, os impactos tendem a ser mais extremos, com maior risco de excesso de chuva no Sul, períodos secos mais prolongados no Norte e ondas de calor mais intensas em várias regiões do país.

Ainda assim, Müller ressalta que previsões de eventos extremos, como enchentes, só podem ser feitas com maior precisão em janelas de curto prazo.

Impactos no campo

Para o setor agropecuário, o cenário exige atenção. O excesso de chuva no Sul pode dificultar os trabalhos em campo, enquanto a menor regularidade das precipitações no Matopiba pode afetar o desenvolvimento das lavouras.

Além disso, o calor persistente e a possível pressão sobre os recursos hídricos aumentam o risco de impactos negativos em culturas sensíveis, como café e frutas cítricas.

A confirmação do El Niño nos próximos meses deve, portanto, influenciar diretamente o planejamento da próxima safra e as estratégias de manejo no campo.

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