Brasil ganha segunda certificação para carnes premium produzidas em rebanhos leiteiros

A raça canchim recebeu um selo Beef on Dairy (carne no leite). A linhagem bovina é a segunda no Brasil a receber esse tipo de selo, a primeiro foi a raça angus. A certificação que será denominada Canchim on Dairy, terá a identificação de touros da linhagem que estejam aptos para cruzamento com vacas leiteiras mestiças, da raça girolando, com o propósito de garantir a qualidade dos bezerros.
A certificação vai além da intenção de produzir carnes de alta qualidade, a iniciativa diversifica a renda dos produtores de leite, que podem ganhar com outras formas de comercialização dos animais.
A pesquisadora da Embrapa Pecuária explicou um pouco sobre a a importância do selo para esses produtores.
“O objetivo é atender ao produtor que deseja uma segunda fonte de faturamento, vendendo esses animais para corte. Canchim é uma raça terminal que, ao ser cruzada com vacas mestiças, traz melhor qualidade de carcaça, mais peso ao desmame e ao sobreano (novilho com mais de um ano). Além disso, é uma alternativa que agrega bem-estar animal, evitando o descarte de machos recém-nascidos, que passam a ser recriados e destinados ao abate por possuírem uma carne superior”, comentou Cintia Marcondes.

O chefe-geral da Embrapa Pecuária Sul (RS), Fernando Cardoso, ressaltou a relevância do selo na identificação de reprodutores mais adequados para cruzamento com as vacas leiteiras. Após a identificação através do selo, pode direcionar os produtores as centrais de inseminação e dar destaque a eles em leilões.
Além de Cardoso, a presidente da Associação Brasileira de Canchim (ABCCAN), inteirou que a certificação para a raça estabelece segurança para quem cruza esses animais, “Embora o cruzamento entre o Canchim e raças leiteiras já seja uma prática tradicional entre nós pecuaristas, a criação de um selo oficial traz reconhecimento, padronização e segurança ao mercado. Essa iniciativa fortalece a integração entre pecuária de leite e de corte.”
Cintia Marcondes ainda destaca as características da raça e sua similaridade com o necessário para a criação em regiões mais quentes, como o Centro e o Norte do país. Ela cita a pelagem clara e adaptação ao calor. Além disso, as carcaças de maior rendimento e gordura adequada para os trópicos em questão. A pesquisadora também comenta como bezerros canchim podem superar o nelore de 10% a 15% no peso à desmama.
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Como conseguir o selo?
O touro para receber o selo deve estar dentro de determinados critérios técnicos com base em avaliações genéticas que garantam o desempenho e a segurança do cruzamento.
“Utilizamos como base as avaliações genéticas do Programa de Melhoramento de Bovinos de Carne (Promebo). Estabelecemos critérios restritivos para a análise, cujo resultado indica se o touro pode ou não receber o selo.” comenta Cintia Marcondes.

Os critérios para determinar o touro como apto a receber o selo são os seguintes:
- Peso ao nascer (PN): animais com Decas* menores ou iguais a 4 (até 40% melhores da raça), visando bezerros com menor peso ao nascimento para evitar dificuldade no parto.
- Ganho de peso: Decas menores ou iguais a 5 para garantir potencial de crescimento do nascimento ao sobreano.
- Conformação ao sobreano: Decas menores ou iguais a 3, visando musculosidade superior.
- Tamanho ao Sobreano: Decas entre 3 e 5 para identificar machos de tamanho mediano, evitando carcaças excessivamente grandes ou pequenas.
- Área de Olho de Lombo: Decas menores ou iguais a 4 para assegurar rendimento de carcaça e qualidade de cortes nobres.
Simulações já realizadas na base de dados da Promebo identificaram que esses critérios já determinaram se diversos machos já estão qualificados para obter o certificado.
Benefícios da nova certificação
Após o animal atender os critérios e adquirir o selo no certificado de avaliação genética, ele será considerado apto para reprodução. O selo servirá como guia para o produtor dono do animal e para as centrais de coleta e processamento de sêmen.
A certificação do touro, além de aumentar os preços dos bezerros originários, vai diminuir os riscos dos partos para vacas leiteiras, criar um produto diferenciado para o mercado e melhora a sustentabilidade do sistema.
O novo selo é considerado uma revolução para a pecuária brasileira, unindo ciência e aplicação prática no campo. A raça canchim, além de posuir ótimo mercado para o semen, também é muito usada no campo. Cintia comenta que a certificação abre portas até para pequenos produtores, através de consórcios.
“Em nossa região tropical, o uso da raça Angus não é viável a campo, apenas via sêmen. Assim, o Canchim é uma alternativa especializada para substituir touros de raças zebuínas, como Tabapuã ou Guzerá, no cruzamentos com vacas mestiças para gerar bezerros melhores. Um ponto interessante é que tanto machos quanto fêmeas cruzados têm valor de mercado.”, completou a pesquisadora.
*Sob supervisão de Hildeberto Jr.
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