Máquinas agrícolas: setor enfrenta queda nas vendas e avanço de produtos da China e Índia

O mercado de máquinas agrícolas começou 2026 em queda. As vendas no varejo somaram 9,8 mil unidades no primeiro trimestre, recuo de 13,1% em relação ao mesmo período de 2025.
Os dados fazem parte do balanço da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), divulgado nesta quarta-feira (15).
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Importações avançam e ampliam pressão sobre o setor
Enquanto o mercado interno recua, as importações seguem em alta. No primeiro trimestre, foram adquiridas 3,35 mil máquinas agrícolas, crescimento de 48,4% na comparação anual.
Já as exportações apresentaram leve avanço. Os embarques totalizaram 1,33 mil unidades, alta de 5,7% em relação ao mesmo período de 2025.
O cenário reforça a tendência de aumento da participação de máquinas estrangeiras no mercado brasileiro.
Setor acumula quatro anos de retração
A queda no início de 2026 mantém uma trajetória negativa. As vendas internas de máquinas agrícolas recuam há quatro anos consecutivos.
Em 2025, o setor comercializou 49,8 mil unidades, queda de 3,6% sobre 2024.
Na comparação com 2021, a redução chega a 10 mil unidades. O destaque negativo foi o desempenho das colheitadeiras, com volume reduzido a quase um terço no período.
Segundo a Anfavea, o cenário está ligado à volatilidade da renda no campo e ao custo elevado do crédito.
Juros altos limitam investimentos no campo
De acordo com o presidente da entidade, Igor Calvet, o nível de juros segue como um dos principais fatores de pressão.
O custo do financiamento impacta diretamente a decisão de compra de máquinas agrícolas.
Por isso, a entidade defende o fortalecimento de instrumentos como o Plano Safra e linhas do BNDES.
Por outro lado, há crescimento na venda de tratores de baixa potência. O avanço está associado à agricultura familiar e a programas como o Pronaf Mais Alimentos.
Projeção indica nova queda em 2026
Para o restante do ano, a Anfavea projeta retração de 6,2% nas vendas de máquinas agrícolas. As exportações também devem cair 12,8%.
O principal ponto de atenção segue sendo o avanço das importações. Em 2025, o volume já havia atingido 11 mil unidades, alta de 17% sobre o ano anterior. No ano anterior, foram 9,4 mil máquinas.
A Índia lidera o ranking de importações, com 6 mil unidades. A China aparece na sequência, com crescimento de 85,7% e 3,9 mil máquinas.
Segundo a entidade, produtos estrangeiros têm vantagem competitiva e podem custar até 27% menos. O resultado é o aumento da pressão sobre a indústria nacional.
Máquinas rodoviárias também enfrentam cenário desafiador
O segmento de máquinas rodoviárias apresentou estabilidade em 2025, com 37 mil unidades vendidas. O desempenho foi sustentado pela demanda da mineração, que compensou a fraqueza da construção civil.
Para 2026, a projeção é de queda de 4,7%, para 35,3 mil unidades. As exportações cresceram 17,8% no ano passado, mas devem recuar 10,7% neste ano.
A expectativa está ligada à instabilidade tarifária, principalmente nos Estados Unidos.
As importações também avançaram e superaram 20 mil unidades, com forte presença de máquinas chinesas.
“Mais de 16 mil dessas máquinas rodoviárias vieram da China, muitas delas em concorrências públicas que deveriam considerar não apenas a localização da produção e os empregos gerados no país, mas também a qualidade dos produtos e dos serviços de assistência técnica — aspecto que precisa ser revisto com urgência”, afirma Igor Calvet.
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