Produtores de vinho comemoram safra recorde e uvas com mais de 15% de graduação alcoólica

A safra 2025/26 de uva no Rio Grande do Sul já dava sinais, em janeiro deste ano, que seria histórica, com produção estimada em 905 mil toneladas, conforme a Emater-RS. O número representa um crescimento de 10% sobre o ciclo anterior.
Além do volume, o clima também contribuiu para a qualidade da fruta, fato reconhecido e comemorado pela indústria. A vinícola Casa Marques Pereira, de Monte Belo do Sul, na Serra Gaúcha, por exemplo, destaca que a vindima de 2026 (período de colheita das uvas destinadas à produção de vinho) deve entrar para a história do município.
A empresa registrou um crescimento de 30% em relação ao ano anterior e alcançou um patamar elevado de maturação das uvas. “Tivemos seis variedades que atingiram graduação de vinho nobre”, afirma o sócio-proprietário da vinícola, Felipe Marques Pereira, o que significa que as uvas apresentaram maturação polifenólica completa, com níveis de açúcar suficientes para originar vinhos com mais de 14,1% de álcool, conforme estipulado pela legislação brasileira.
Segundo ele, neste quesito, a uva Merlot chamou atenção ao atingir 15,7% de graduação alcoólica. “Nós fomos deixando na videira e virou, praticamente, um ‘amarone’. Nunca tínhamos visto algo parecido”, ressalta.
O sócio-proprietário também comenta outro ponto considerado raro: o desempenho da Pinot Noir. “É muito raro uma Pinot Noir atingir o nível de 14,3% de graduação alcoólica no Brasil.”
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Já a Cooperativa Vinícola Garibaldi colheu mais de 30 milhões de quilos, quantidade que representa aumento superior a 10% em comparação à temporada passada.
“As condições favoreceram o desenvolvimento adequado dos vinhedos, garantindo bons índices de maturação, sanidade e potencial enológico das uvas”, observa o enólogo da empresa, Ricardo Morari.
Ao longo da safra, a cooperativa recebeu aproximadamente 60 variedades de uvas. Entre os grupos, cerca de 45% do volume destas variedades são de viníferas destinadas para vinhos e espumantes, enquanto os outros 55% são de variedades de uvas comuns, destinadas a vinhos de mesa e suco de uva.
O resultado da safra 2025/26 de uva no Rio Grande do Sul está diretamente ligado às condições climáticas ao longo do ciclo. O inverno com maior número de dias frios favoreceu a dormência das videiras, enquanto o regime de chuvas antes da frutificação contribuiu para o desenvolvimento uniforme.
O período de amadurecimento, por sua vez, foi marcado por baixa incidência de chuvas, fator essencial para garantir concentração, sanidade e qualidade das uvas.
O Rio Grande do Sul conta, atualmente, com 42.407 hectares de parreiras destinadas à indústria, de acordo com levantamento da Emater-RS.
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