domingo, março 29, 2026
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Estudo aponta entraves e caminhos para ampliar uso da agricultura 4.0 no Brasil


Imagem: Jcomp/Freepik

Um estudo publicado na revista Agricultural Systems identificou os principais fatores que influenciam a adoção de tecnologias da chamada agricultura 4.0 no Brasil e propõe estratégias para ampliar seu uso de forma eficiente e sustentável no campo.

A pesquisa integra as ações do Centro de Ciência para o Desenvolvimento em Agricultura Digital (Semear Digital), sediado na Embrapa Agricultura Digital, em Campinas (SP), com apoio da Fapesp.

Lacuna entre tecnologia e campo ainda é desafio

O estudo parte de uma constatação recorrente no setor: muitas tecnologias desenvolvidas não chegam ao produtor ou não geram o impacto esperado.

“Ainda existe uma lacuna grande entre o que é desenvolvido na academia e o que chega de fato ao campo”, afirma o pesquisador Jayme Barbedo, coautor do estudo.

Para entender esse cenário, os pesquisadores analisaram 18 fatores determinantes da adoção tecnológica, divididos em dimensões sociais, políticas e tecnológicas.

Conectividade rural é fator central

Entre os principais fatores identificados, a conectividade rural aparece como elemento estruturante.

Apesar dos avanços no acesso à internet, ainda há falhas importantes nas áreas produtivas, o que limita o funcionamento de tecnologias como sensores e internet das coisas (IoT).

“Boa parte dos produtores tem internet em casa, mas não na área de produção, onde essas tecnologias precisam operar”, destaca Barbedo.

Jovens são ponte para inovação no campo

O estudo também aponta o papel estratégico dos jovens na transformação digital do agro.

Segundo os pesquisadores, essa geração atua como elo entre a realidade do campo e as novas tecnologias, ajudando a impulsionar a inovação dentro das propriedades.

No entanto, a permanência dos jovens no meio rural depende de infraestrutura e oportunidades.

Informação e políticas públicas fazem diferença

Outro ponto destacado é a circulação de informação. A falta de acesso a tecnologias em algumas regiões aumenta a resistência à adoção.

Para reduzir essa barreira, os pesquisadores sugerem iniciativas como fazendas-modelo e demonstrações práticas, que permitem ao produtor avaliar resultados antes de investir.

Na área de políticas públicas, o estudo indica que as estratégias devem ser adaptadas ao perfil do produtor.

Enquanto grandes produtores avançam mais rapidamente na adoção tecnológica, pequenos e médios enfrentam limitações financeiras e de capacitação.

Escala responsável

Um dos conceitos centrais do estudo é o de “escala responsável”. A proposta é que a expansão da agricultura 4.0 leve em conta impactos sociais, ambientais e econômicos, evitando ampliar desigualdades ou comprometer metas de sustentabilidade.

Isso inclui ações como:

  • ampliação da conectividade rural
  • capacitação contínua de produtores
  • acesso a crédito
  • regras claras sobre uso de dados
  • monitoramento de impactos ambientais
  • Tecnologia precisa gerar impacto real

Para os pesquisadores, estudos desse tipo ajudam a orientar decisões estratégicas no agro.

“É fundamental direcionar esforços para tecnologias que realmente tragam impacto para o produtor”, afirma Barbedo.

O cenário, no entanto, segue em rápida transformação, especialmente com os avanços da inteligência artificial, o que exige atualização constante das estratégias.

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