São Paulo tem programa que paga mais pelo leite que média nacional

A produção de leite em São Paulo tem ganhado impulso com políticas públicas voltadas à comercialização, assistência técnica e crédito. Um dos principais efeitos aparece no bolso do produtor, por meio de programas estaduais, que pagam acima da média nacional pelo litro.
Segundo o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), o preço médio do leite no Brasil ficou em R$ 2,0216 por litro no fechamento de janeiro. Em São Paulo, dentro do Programa Paulista da Agricultura de Interesse Social (PPAIS), o valor médio chegou a R$ 4,26 por litro em 2025.
A diferença está ligada ao modelo de compras institucionais, que garante mercado para a produção da agricultura familiar.
Compras públicas puxam remuneração
O PPAIS conecta cooperativas e associações a órgãos públicos estaduais, como escolas e outras instituições, que passam a comprar alimentos diretamente dos produtores.
Dentro do programa, o leite tem ganhado espaço. Em 2025, movimentou R$ 29,7 milhões, dentro de um total de R$ 53,8 milhões. A cadeia leiteira responde por uma fatia relevante dessas aquisições.
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Para o secretário de Agricultura de São Paulo, Geraldo Melo Filho, o conjunto de ações ajuda a estruturar a atividade. “São iniciativas complementares que ajudam os produtores a melhorar a produção, agregar valor e ampliar as oportunidades de mercado”, diz.
Na prática, o programa amplia a previsibilidade de venda, o que reduz a exposição às oscilações de preço no mercado.
Cooperativas organizam a oferta
O modelo também passa pelas cooperativas. Em Andradina, o produtor Valdir de Souza fornece leite in natura para a Coapar, que processa o produto e destina ao programa na forma de leite em pó.
A organização coletiva facilita o acesso ao mercado institucional e melhora a escala de produção.
“É um programa que vem fortalecendo a renda das famílias e a vida no campo”, afirma o presidente da cooperativa, Valdecir Pereira de Aquino.

Assistência técnica eleva produtividade
Além da comercialização, o estado atua na assistência técnica. O projeto CATI Leite acompanha propriedades com foco em manejo, gestão e produtividade.
Hoje, cerca de 100 propriedades participam, com previsão de chegar a 300 até 2026.
Em Urupês, a família Duarte saiu de uma produção de 60 litros por dia, em 2017, para cerca de 250 litros atualmente. Parte do volume passou a ser destinada à fabricação de queijos.
“Poder contar com o apoio técnico foi determinante para que conseguíssemos nos estabelecer como produtores”, afirma Eliete Roman Duarte.
Crédito viabiliza investimento
O acesso ao crédito é outro ponto da política. Em 2025, a linha Leite Agro SP, do Fundo de Expansão do Agronegócio Paulista (FEAP), somou mais de 70 operações, totalizando R$ 6 milhões.
Os recursos são usados para estrutura, equipamentos e tecnologia.
Em Cerqueira César, a produtora Fernanda Torres da Silva investiu R$ 25 mil em um sistema de ordenha mecânica. A modernização reduziu o tempo de trabalho e melhorou o controle sanitário do rebanho.
A produção, que era de cerca de 80 litros por dia, pode chegar a 350 litros diários no segundo ano após o investimento.
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