quinta-feira, março 19, 2026
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Disparada do milho amplia aperto na suinocultura e reduz margem do produtor


suínos
Foto: Seara

O poder de compra do suinocultor paulista frente ao milho voltou a cair em março e já acumula seis meses consecutivos de retração, segundo dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea). A pressão vem da valorização mais intensa do cereal, enquanto o preço do suíno vivo segue praticamente estável.

Nesta parcial de março (até o dia 17), o suíno vivo posto na indústria em São Paulo (SP-5) foi negociado à média de R$ 6,94/kg, leve alta de 0,5% em relação a fevereiro.

Já o milho apresentou avanço mais expressivo. O preço médio no mercado de lotes de Campinas (SP) atingiu R$ 70,96 por saca de 60 kg, alta de 4,6% no mesmo comparativo, a maior variação mensal desde março de 2025.

Relação de troca piora no curto prazo

Com esse movimento, o suinocultor perdeu poder de compra. Atualmente, com a venda de 1 kg de suíno vivo, é possível adquirir 5,87 kg de milho, queda de 3,9% frente a fevereiro.

Apesar da piora no mês, na comparação com março do ano passado a relação de troca ainda apresenta leve melhora, de 2%.

Oferta restrita e incertezas globais sustentam preços

De acordo com pesquisadores do Cepea, a alta do milho está ligada à oferta limitada no mercado spot e à demanda aquecida para formação de estoques.

O cenário também reflete as incertezas no mercado internacional, especialmente relacionadas aos conflitos no Oriente Médio, que influenciam custos e decisões de compra.

A combinação entre insumos mais caros e preço do animal sem grandes avanços mantém a pressão sobre a rentabilidade da suinocultura.

O comportamento do milho nas próximas semanas será decisivo para o equilíbrio da atividade.

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