terça-feira, março 10, 2026
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Após fortes altas, preços dos fertilizantes recuam e melhoram cenário para 2026


O ano de 2025 foi marcado por forte pressão sobre os custos de produção, especialmente diante dos preços altos dos fertilizantes, que ocorreram justamente em períodos-chave de compra para a safra 25/26.

Geopolítica instável, com o conflito no Oriente Médio, tarifas impostas pelos Estados Unidos, restrições das exportações chinesas, e a demanda aquecida da Índia foram alguns dos fatores que impulsionaram os preços ao longo do segundo semestre. Nesse contexto, produtores que anteciparam as aquisições tiveram condições mais competitivas do que aqueles que postergaram a tomada de decisão.

Nas últimas semanas, no entanto, o setor passou a sinalizar mudança de direção, com quedas consistentes nas cotações. A melhora do ambiente geopolítico diante do cessar-fogo entre Israel e Irã e possibilidade de avanço nas negociações entre Rússia e Ucrânia, somou-se à retirada das tarifas norte-americanas, aliviando pressões de oferta e restituindo a competitividade global. Pela demanda, a Índia elevou seus estoques de fosfatados e vem recebendo grandes volumes de ureia das últimas licitações, reduzindo o ritmo de novas compras.

Nesse contexto, o MAP registrou, recentemente, a menor cotação do ano, retornando aos níveis observados em 2024 e contribuindo para a melhora das relações de troca. A queda do dólar também reforçou a atratividade dos preços em reais.

Preço do MAP CFR Brasil US$/t. Fonte: Plataforma Safras

O mercado brasileiro tem optado por fontes menos concentradas, como o Super Simples, que está com o custo por ponto de fósforo mais competitivo que o MAP. O mesmo ocorre nos nitrogenados, com redução da demanda por ureia e recorde de consumo de sulfato de amônio. Essa substituição por fontes menos concentradas eleva a necessidade de quantidade de produto para obter o mesmo teor de nutriente, de forma que o Brasil atingirá um volume histórico de importação neste ano.

Comparativo anual da importação de fertilizantes pelo Brasil de janeiro a outubro. Fonte: Comex Stat | elaborado por Safras & Mercado

Internamente, o foco agora se volta para o avanço do plantio da safra 25/26 e para a definição da janela da segunda safra. O cenário mais favorável de preços também abre espaço para planejamento antecipado da safra 26/27, à medida que avança a comercialização de grãos e melhora o poder de compra do agricultor. As últimas semanas do ano e o primeiro bimestre de 2026 tendem a trazer oportunidades relevantes. O ponto de atenção fica para um possível represamento de demanda final da segunda safra em janeiro, podendo ocorrer alta nos preços no mercado interno e problemas logísticos.

No segmento de fosfatados, outro fator que acende o alerta é a escalada do enxofre, que atingiu o maior preço da série histórica. A alta da matéria-prima comprime as margens da indústria de fosfatados e pode levar à redução das taxas de operação. O Super Simples já absorve parte desse impacto diante da sua maior liquidez no momento, apresentando altas recentes.

Depois de um ano desafiador, marcado por preços elevados e margens estreitas, 2026 deve começar com perspectivas mais favoráveis. Contudo, alguns pontos de atenção estão no radar, como o custo com matéria-prima na indústria, a volatilidade cambial em um ano eleitoral e o comportamento do mercado das commodities agrícolas.

Nesse ambiente, acompanhar de perto o mercado, diversificar estratégias de aquisição, parcelar volumes e aproveitar momentos oportunos de preço, câmbio e relação de troca, serão determinantes para mitigar riscos e ampliar margens.

*Maísa Romanello é engenheira agrônoma, especialista em fertilizantes da consultoria Safras & Mercado


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