A Agrishow, principal feira de tecnologia para o agronegócio da América Latina, apresentou nesta sexta-feira (1º) o balanço final de sua 31ª edição. O evento registrou R$ 11,4 bilhões em intenção de negócios, 22% a menos em relação ao ano anterior. Os números refletem os setores de máquinas agrícolas, irrigação e armazenagem.
A feira registrou 197 mil visitantes durante os cinco dias, número semelhante ao verificado na última edição. Nesta sexta-feira (1º), último dia da feira, os portões foram abertos mais cedo, às 7h30, para atender a grande demanda de público.
Segundo a Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos, os números apresentados na Agrishow 2026 refletem o cenário do setor.
Nesta quarta-feira (29), o presidente da Câmara de Máquinas e Implementos Agrícolas da entidade, Pedro Estevão, informou queda de 19,9% nas vendas de máquinas e equipamentos agrícolas no mercado interno no primeiro trimestre deste ano, na comparação com o mesmo período de 2025. “Este cenário é decorrente da alta taxa de juros, variação cambial e preço desfavorável das commodities”, diz Estevão.
“Não importa o momento que estamos vivendo, pois sabemos que a agricultura vive de ciclos e este é desfavorável, mas temos convicção que este e os próximos anos serão favoráveis. Estaremos preparados para continuar atendendo à demanda do mercado brasileiro”, afirma o presidente da Agrishow João Marchesan.
Pasto adubado mantém o verde por mais tempo e assegura melhor desempenho do rebanho no período seco. Foto: Reprodução.
O Estado de São Paulo inicia, em caráter excepcional, a Campanha de Atualização dos Rebanhos do primeiro semestre no dia 11 de maio de 2026. A informação foi divulgada pela Secretaria de Agricultura e Abastecimento (SAA) durante a Agrishow, em Ribeirão Preto.
A atualização cadastral dos rebanhos passou a ser obrigatória após a retirada da vacinação contra a febre aftosa, em 2023. Desde então, os produtores precisam informar os dados ao sistema de Gestão de Defesa Animal e Vegetal (Gedave).
O prazo para a declaração vai até 12 de junho e inclui todas as espécies presentes nas propriedades rurais, como bovinos, bubalinos, equinos, suínos, ovinos, caprinos, aves, peixes, além de colmeias de abelhas e bicho-da-seda.
GTA será bloqueada sem atualização cadastral
A partir do início da campanha, a emissão da Guia de Trânsito Animal (GTA) para bovinos e bubalinos será bloqueada para produtores que não realizarem a atualização.
Para evitar restrições na movimentação dos animais, a declaração poderá ser antecipada a partir de 5 de maio, exclusivamente pelo sistema Gedave.
O procedimento também pode ser feito presencialmente nas unidades da Defesa Agropecuária.
Declaração permite monitoramento dos rebanhos
Segundo a Defesa Agropecuária, a atualização é fundamental para acompanhar a evolução dos rebanhos no estado, incluindo nascimentos, mortes e movimentações entre as campanhas.
As informações também são utilizadas para orientar ações de sanidade animal e controle de doenças.
Fundesa-PEC passa a ser cobrado em 2026
Uma das novidades deste ano é a criação do Fundo de Defesa da Sanidade Animal para a Pecuária (Fundesa-PEC), voltado a produtores de bovinos e bubalinos.
A partir de 2026, além da declaração obrigatória, os pecuaristas passam a contribuir com o fundo, que funcionará como um mecanismo de proteção em caso de focos de febre aftosa.
O valor previsto é de R$ 1,06 por animal declarado e a cobrança será feita durante as campanhas obrigatórias, realizadas duas vezes por ano, em maio e novembro.
Fundo garante indenização em caso de foco de aftosa
O Fundesa-PEC foi criado para viabilizar uma resposta rápida em situações de emergência sanitária.
Em caso de confirmação de febre aftosa, pode ser necessário o abate sanitário de animais para conter a disseminação da doença. Nesses casos, o fundo será utilizado para indenizar os produtores com base no valor dos animais.
De acordo com a Secretaria de Agricultura, os recursos arrecadados serão destinados exclusivamente a esse tipo de compensação.
Medida reforça sistema sanitário do estado
A criação do fundo e a atualização obrigatória dos rebanhos fazem parte da estratégia para manter o status sanitário de São Paulo como área livre de febre aftosa sem vacinação.
A expectativa do governo é que a medida fortaleça a capacidade de resposta a eventuais crises e aumente a segurança sanitária, fator considerado estratégico para a competitividade da carne paulista no mercado interno e externo.
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Outro ponto de atenção foi a divulgação mais recente das posições “on-call” – Foto: Canva
O mercado de algodão encerrou a semana com leve queda nos contratos futuros, em um ambiente marcado por ajustes de posições e maior volatilidade entre os vencimentos. Segundo a StoneX, o contrato de julho de 2026 registrou pequenas perdas no período e terminou a sexta-feira, 24, cotado a US¢79,36 por libra-peso.
A proximidade do First Notice Day, observado na última sexta-feira, foi um dos principais fatores de movimentação no mercado. A data intensificou a dinâmica de rolagem de posições, processo em que participantes ajustam seus contratos para vencimentos posteriores, o que costuma ampliar as oscilações entre diferentes meses de entrega. Esse movimento contribuiu para um comportamento mais instável das cotações ao longo da semana.
Outro ponto de atenção foi a divulgação mais recente das posições “on-call”. Os dados indicaram uma fixação elevada por parte das fiações, superando até mesmo a fixação dos produtores. O resultado surpreendeu o mercado e ajudou a limitar parte dos ganhos que poderiam ser sustentados pelos fundamentos ou por fatores técnicos. Com maior volume de fixações pelas indústrias consumidoras, o espaço para avanços mais consistentes ficou mais restrito no curto prazo.
Apesar da pressão observada na semana, as incertezas climáticas seguem atuando como fator de sustentação para os preços. A preocupação com as condições nas áreas produtoras ainda permanece no radar dos agentes, embora os últimos dias tenham sido marcados por chuvas mais intensas no Cinturão do Algodão. Esse cenário reduz parte das tensões imediatas, mas não elimina a cautela em relação ao desenvolvimento das lavouras.
Com isso, o algodão segue em um ambiente de equilíbrio entre fatores técnicos, ajustes de mercado e monitoramento climático. A combinação entre rolagem de posições, fixações acima do esperado e clima ainda incerto deve continuar influenciando o comportamento dos contratos futuros nos próximos dias.
O mais novo estudo da Fundação Amazônia de Amparo a Estudos e Pesquisas (Fapespa) destaca a cadeia produtiva do dendê com uma das fases mais dinâmicas do agronegócio brasileiro, com um crescimento vantajoso nas últimas décadas.
No centro desse avanço está o estado do Pará, que responde hoje por quase toda a produção nacional, consolidando-se como eixo estratégico do setor.
A Nota técnica “A Conjuntura Econômica e Ambiental do Dendê 2026”, com dados atualizados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostra que a produção brasileira saltou de 242,8 mil toneladas em 1988 para 3,2 milhões de toneladas em 2024.
Um crescimento superior a 13 vezes no período. O ritmo foi intensificado a partir dos anos 2000 e ganhou ainda mais força depois de 2018.
Desempenho
O estudo evidência a consolidação produtiva, a ampliação da escala de produção e a crescente concentração regional, especialmente na região Norte. Entre 2023 e 2024, a produção brasileira de dendê cresceu 11,2%, passando de 2,9 milhões para 3,2 milhões de toneladas.
O avanço foi fortemente influenciado pelo desempenho do Pará, que ampliou sua produção de 2,8 milhões para 3,1 milhões de toneladas (+10,4%), mantendo participação de, aproximadamente, 97,1% do total nacional e reafirmando a elevada concentração territorial da atividade.
Nesse contexto, o Pará consolida- se como eixo praticamente hegemônico: a dinâmica nacional, em termos de quantidade e de valor, passa a ser determinada majoritariamente pelo desempenho paraense, que responde por cerca de 97% da produção e, aproximadamente, 98% do valor nacional em 2024.
Demais estados
Outros estados, como Roraima e Bahia, apresentam crescimento, mas ainda com participação marginal, juntos, somam menos de 3% da produção brasileira. Essa concentração também se reflete no nível municipal.
Apenas dez municípios paraenses respondem por cerca de 90% do volume produzido no país. Tailândia lidera com quase um terço da produção nacional, seguida por Tomé-Açu e Moju.
Emprego e renda
A cadeia do dendê também possui forte impacto no emprego e no meio ambiente. No mercado de trabalho, o Pará concentra cerca de 92% dos empregos diretos e indiretos do setor no Brasil, evidenciando sua centralidade econômica.
“Se o Pará é campeão na produção de dendê, com quase 100% da produção nacional, a geração de empregos é também proporcional, com 92% das vagas diretas e indiretas dessa cadeia produtiva, sendo a locomotiva do país nesse segmento, com o Pará campeão na produção e na geração de empregos no cenário nacional da cultura do dendê”, afirma o professor Márcio Ponte, responsável pelo estudo.
Preservação ambiental
No campo ambiental, a dendeicultura no Pará tem sido associada à recuperação de áreas degradadas. No contexto agropecuário observa-se uma trajetória de crescimento expressivo na quantidade de CO₂ capturado por florestas de dendê cultivado no Pará entre 2000 e 2024.
A área reflorestada com dendê no estado ultrapassa 200 mil hectares, enquanto a capacidade de sequestro de carbono atingiu mais de 13 milhões de toneladas de CO₂ em 2024.
Foto: Edivaldo Sodré / Ag. Pará
De acordo com o estudo, a análise espacial confirma elevada concentração e especialização produtiva em poucos municípios, embora haja sinais recentes de redistribuição interna entre os principais polos.
“Os biocombustíveis, eles são fundamentais para a redução da pegada de carbono da indústria como um todo, e o óleo de palma se presta muito bem a essa condição, e é por isso que é tão importante ver o Pará crescendo de uma maneira significativa nesses últimos anos”, destaca o presidente da Fapespa, Marcel Botelho.
A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) integrou, de segunda-feira (27) a quinta-feira (30), uma missão oficial do governo brasileiro no México para conhecer políticas de combate à fome e de ampliação do acesso a alimentos.
A agenda analisou mecanismos de abastecimento, preços subsidiados e formação de estoques públicos usados no país vizinho, com foco em experiências voltadas à população mais vulnerável.
A missão foi organizada pelo Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS), em parceria com a Universidade de Brasília (UnB), com apoio da Universidade Nacional Autônoma do México (Unam) e do governo mexicano.
A iniciativa faz parte de um projeto de mapeamento de evidências em políticas públicas para identificar instrumentos com maior efetividade na redução da insegurança alimentar e no controle da inflação de alimentos.
Entre os principais pontos observados esteve o modelo das Tiendas Bienestar, rede de estabelecimentos que vende produtos da cesta básica com preços subsidiados.
Segundo a Conab, a delegação visitou unidades ligadas à empresa estatal Alimentación para el Bienestar, responsável por organizar essa rede. Atualmente, o México conta com mais de 600 pontos de venda destinados à população em situação de vulnerabilidade.
O presidente da Conab, Sílvio Porto, afirmou que a missão buscou conhecer medidas adotadas pelo México no combate à fome e à pobreza. Segundo ele, o modelo observado mostra atuação estatal direta no acesso da população a alimentos, articulando produção nacional, abastecimento e segurança alimentar.
Durante a agenda, Porto também palestrou na Universidade Autônoma da Cidade do México (UACM) sobre a experiência brasileira e se reuniu com representantes do Ministério da Fazenda mexicano.
Além da Conab, participaram representantes do MDS e da academia, em uma composição interinstitucional. A análise técnica da missão poderá subsidiar comparações entre instrumentos adotados no México e políticas públicas em discussão no Brasil.
Não foram divulgados, até o momento, detalhes sobre eventuais medidas concretas a serem implementadas a partir da visita.
O próximo passo, segundo o escopo da missão, é consolidar evidências sobre regulação de mercados, estoques públicos e políticas de preços para apoiar avaliações técnicas sobre abastecimento e segurança alimentar.
A alta do preço do diesel já está causando impactos significativos no agronegócio brasileiro, com um aumento estimado de R$ 7 bilhões nos custos operacionais para a safra 2026/27, conforme estudo da Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul (Farsul).
Impactos financeiros no setor
O estudo revela que, caso não haja alteração nos preços dos combustíveis, os produtores rurais terão que desembolsar mais de R$ 7 bilhões apenas em operações mecânicas. Os principais pontos destacados incluem:
A cana-de-açúcar é a cultura mais afetada devido ao alto custo de produção e transporte.
O arroz também apresenta custos elevados por hectare, influenciados pelo tipo de produção e ambiente.
Embora soja e milho tenham aumentos menores por hectare, a grande área plantada resulta em um desembolso significativo para os produtores.
Previsões de aumento de custos
Os especialistas alertam que a situação pode se agravar. Para cada aumento de R$ 0,25 no preço do diesel, os custos dos produtores aumentam em R$ 1,3 bilhão. Com a defasagem atual do preço do diesel da Petrobras em R$ 2,22, um aumento de R$ 2 poderia resultar em um impacto adicional de R$ 9,6 bilhões, totalizando quase R$ 11 bilhões em custos extras.
A preocupação não se limita apenas ao aumento já observado, mas também ao que pode ocorrer se a situação no Oriente Médio não se resolver, afetando ainda mais os preços dos combustíveis.
Nesta sexta-feira, o Rio Grande do Sul enfrenta um alerta de chuvas volumosas e temporais, com previsão de acumulados que podem ultrapassar 150 mm em cinco dias. A instabilidade na região se intensifica, aumentando a chance de chuvas fortes e temporais.
Previsão para os próximos dias
De acordo com o meteorologista Arthur Miller, as chuvas devem se concentrar principalmente nas áreas litorâneas e na grande Porto Alegre. Os dados indicam:
Acumulados de até 100 mm em cinco dias na faixa litorânea.
Possibilidade de 150 mm em cinco dias nas regiões de Uruguaiana, Dom Pedrito e Alegreto.
Transtornos esperados nas áreas urbanas devido ao volume de água.
Impactos nas lavouras e na temperatura
As chuvas volumosas podem prejudicar os trabalhos em campo, especialmente para os agricultores que já iniciaram a colheita do café. Além disso, a previsão de temperaturas indica:
Mínimas podendo chegar a 5ºC, com risco de geada em áreas de baixada.
Temperaturas elevadas durante o dia, com máximas superando os 25ºC.
Expectativas para o futuro
As chuvas devem persistir no Rio Grande do Sul e avançar para Santa Catarina e Paraná entre os dias 11 e 15 de maio. A previsão é de que, apesar da umidade, os volumes não sejam tão elevados quanto os esperados nos próximos dias.
A gestão eficiente das pastagens tem um impacto direto na produtividade e na rentabilidade da pecuária, influenciando desde o ganho de peso dos animais até os custos de produção. O consultor Rodrigo Genari explica como melhorar esses resultados no campo.
Importância do manejo de pastagens
Fazendas rentáveis possuem um excelente manejo de pasto, tratando-o como uma lavoura. O dinheiro da fazenda é representado pelo capim, e a forma como é manejado pode determinar a margem de lucro.
Pontos-chave para uma boa gestão
Controle de altura e saída do pasto
Controle de lotação
Adubação adequada
Conhecimento da cultura utilizada
Esses fatores são essenciais para garantir uma boa performance produtiva, seja na cria, recria ou engorda dos animais. O pasto, quando bem tratado, pode proporcionar uma margem maior para a fazenda de pecuária de corte.
Nesta sexta-feira, 1º de maio, o acordo entre o Mercosul e a União Europeia entra em vigor provisoriamente, após mais de duas décadas de negociações. O acordo é considerado um marco nas relações comerciais brasileiras, especialmente para o setor agropecuário, que deve ser um dos principais beneficiados.
Benefícios do acordo
O texto do acordo prevê a redução gradual de tarifas para:
91% dos produtos importados pelo Mercosul
95% dos produtos importados pela União Europeia
Essas reduções ocorrerão ao longo dos próximos anos, proporcionando novas oportunidades para o agronegócio brasileiro.
Setores impactados
De acordo com especialistas, os setores que devem ser positivamente impactados incluem:
Frutas
Café
Soja
Esses produtos têm uma demanda crescente na Europa, que busca suprir a necessidade de alimentos frescos, especialmente durante o inverno rigoroso do hemisfério norte.
Complementariedade entre os blocos
O acordo também destaca a complementariedade entre os produtos do Mercosul e da União Europeia. Enquanto a Europa oferece produtos que o Mercosul necessita, o Brasil pode suprir a demanda europeia por alimentos frescos.
Desafios e oportunidades
Apesar das barreiras comerciais existentes, o acordo é visto como uma oportunidade significativa para o Brasil, especialmente em um cenário geopolítico complexo. A capacidade de produção do agronegócio brasileiro, aliada à demanda europeia, pode resultar em um avanço significativo no mercado internacional.
O Brasil, segundo maior produtor mundial de pimenta-do-reino, enfrenta desafios na colheita, que ainda é predominantemente manual, elevando custos e limitando a eficiência. Uma nova tecnologia apresentada na Agriow promete transformar esse cenário, trazendo mais eficiência, redução de custos e melhor aproveitamento da produção.
Desafios da colheita manual
A colheita manual da pimenta-do-reino exige muita mão de obra e encarece a produção. Apesar de ser uma alternativa importante de diversificação no campo, a mecanização é essencial para aumentar a eficiência operacional e a rentabilidade dos produtores.
Inovações tecnológicas
As novas tecnologias visam modernizar o processo de colheita, focando em:
Produtividade
Redução de perdas
Melhor aproveitamento do grão
A mecanização permite integrar etapas que antes eram feitas separadamente, como a separação do grão e o descarte de resíduos, resultando em ganhos logísticos e aumento da qualidade final do produto.
Benefícios para os produtores
A tecnologia não apenas enfrenta a escassez de mão de obra, mas também pode:
Reduzir custos de produção
Tornar a atividade mais eficiente
Contribuir para a sustentabilidade
Esses avanços refletem diretamente na rentabilidade do produtor, atendendo às exigências do mercado e garantindo a qualidade do produto final.