domingo, março 15, 2026

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Nova enzima capaz de quebrar celulose pode revolucionar produção de biocombustíveis


novas enzimas biocombustíveis
Figura: Mario Murakami/CNPEM

A celulose é o polímero renovável mais abundante do planeta e sua desconstrução é fundamental para a conversão de biomassa em combustíveis e produtos químicos. Contudo, ela é extremamente recalcitrante à despolimerização biológica, ou seja, é muito difícil de ser quebrada pelos organismos vivos, como bactérias e fungos.

Como resultado, sua quebra na natureza é lenta e demanda sistemas enzimáticos complexos. A desconstrução da celulose, que, entre outros resultados, pode possibilitar um aumento significativo na produção de etanol a partir da cana-de-açúcar, tem sido há décadas um enorme desafio tecnológico.

Agora, pesquisadores do Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), em parceria com colegas de outras instituições do país e do exterior, obtiveram uma enzima que pode literalmente revolucionar o processo de desconstrução da celulose, viabilizando, entre outras aplicações tecnológicas, a produção em larga escala do chamado etanol de segunda geração, derivado de resíduos agroindustriais, como o bagaço da cana e a palha do milho.

“Identificamos uma metaloenzima que melhora a conversão da celulose por meio de um mecanismo até então desconhecido de ligação ao substrato e clivagem oxidativa. Essa descoberta estabelece uma nova fronteira na bioquímica redox para a despolimerização de biomassa vegetal, com implicações amplas em biotecnologia”, contou à Agência Fapesp Mário Murakami, líder do grupo de pesquisa em biocatálise e biologia sintética do CNPEM e coordenador do estudo.

A enzima recém-descoberta foi nomeada CelOCE, a partir da expressão em inglês Cellulose Oxidative Cleaving Enzyme. Ela cliva a celulose por meio de um mecanismo inédito, possibilitando que outras enzimas presentes no coquetel enzimático prossigam o trabalho, convertendo os fragmentos em açúcar.

“Para usar uma comparação, a recalcitrância da estrutura cristalina da celulose decorre como que de um conjunto de cadeados, que as enzimas clássicas não conseguem abrir. A CelOCE abre esses cadeados, permitindo que outras enzimas façam a conversão. Seu papel não é gerar o produto final, mas tornar a celulose acessível. Ocorre uma sinergia, a potencialização da atuação de outras enzimas pela ação da CelOCE”, comenta Murakami.

Quebra de paradigma

O pesquisador informa que, cerca de duas décadas atrás, a adição das mono-oxigenases ao coquetel enzimático constituiu uma primeira revolução. Essas enzimas oxidam diretamente as ligações glicosídicas da celulose, facilitando a ação de outras enzimas.

Foi a primeira vez que se utilizou a bioquímica redox como estratégia microbiana para superar a recalcitrância da biomassa da celulose. E isso definiu um paradigma. Tudo que se descobriu no período foi baseado nas mono-oxigenases. Agora, pela primeira vez, esse paradigma foi quebrado, com a descoberta da CelOCE, que não é uma mono-oxigenase, e propicia um resultado muito mais expressivo.

“Se acrescentamos uma mono-oxigenase ao coquetel enzimático, o incremento é de X. Se acrescentamos a CelOCE, obtemos 2X: duas vezes mais. Modificamos o paradigma de desconstrução da celulose pela via microbiana. Achávamos que as mono-oxigenases eram a única solução redox da natureza para lidar com a recalcitrância da celulose. Mas descobrimos que a natureza havia encontrado também outra estratégia, ainda melhor, baseada em um arcabouço estrutural minimalista que permite seu redesenho para outras aplicações, como a biorremediação ambiental”, afirma Murakami.

O pesquisador explica que a CelOCE reconhece a extremidade da fibra de celulose, instala-se nela e a cliva de forma oxidativa. Ao fazê-lo, ela perturba a estabilidade da estrutura cristalina, tornando-a mais acessível para a ação das enzimas clássicas, as hidrolases glicosídicas.

Um dado muito relevante é que a CelOCE é um dímero, composto por duas subunidades idênticas. Enquanto uma subunidade se encontra “sentada” sobre a celulose, a outra fica livre, podendo desempenhar uma atividade secundária de oxidase, gerando o cossubstrato necessário para a reação biocatalítica.

“Isso é realmente muito inovador, porque as mono-oxigenases dependem de uma fonte de peróxidos externa, enquanto a CelOCE produz seu próprio peróxido. Ela é autossuficiente, uma máquina catalítica completa. Sua organização estrutural quaternária possibilita que o sítio que não está engajado sobre a celulose atue como seu gerador de peróxido. Trata-se de uma enorme vantagem, porque o peróxido é um radical altamente reativo. Ele reage com muitas coisas. É muito difícil de ser controlado. Por isso, em escala industrial, adicionar peróxidos ao processo configura um grande desafio tecnológico. Com a CelOCE, o problema é eliminado. Ela produz in situ o peróxido de que necessita”, sublinha Murakami.

Descoberta na natureza

A CelOCE é uma metaloenzima: esta é sua classificação exata, porque possui um átomo de cobre embutido em sua estrutura molecular que atua como o centro catalítico propriamente dito. Ela não foi criada em laboratório, mas descoberta na natureza. Porém, para chegar a ela, os pesquisadores tiveram de mobilizar uma quantidade formidável de ciência e equipamentos.

“Partimos de amostras de solo coberto com bagaço de cana, mantido por décadas em uma área adjacente a uma biorrefinaria no estado de São Paulo. Nessas amostras, identificamos uma comunidade microbiana altamente especializada na degradação de biomassa vegetal usando uma abordagem multidisciplinar […]”, conta.

Segundo ele, os experimentos foram realizados em biorreatores de planta-piloto de 65 litros e 300 litros. “Fomos da prospecção da biodiversidade à elucidação do mecanismo e chegamos à escala industrialmente relevante em planta-piloto com possibilidade de aplicação imediata no mundo real”, completa.

O pesquisador enfatiza que este não foi um resultado de bancada de laboratório, que ainda precisa passar por muitas validações antes de chegar à utilização industrial. A prova de conceito em escala-piloto já foi demonstrada e a enzima recém-descoberta pode ser incorporada imediatamente ao processo produtivo – o que é extremamente relevante para o Brasil, como grande produtor de biocombustíveis, e para o mundo, em um contexto de transição energética urgente em função da crise climática.

Único país com biorrefinarias de celulose

O Brasil possui as duas únicas biorrefinarias existentes no mundo capazes de produzir, em escala comercial, biocombustíveis a partir da celulose. A tendência é que essas biorrefinarias se multipliquem aqui e sejam replicadas em outros países.

Um dos maiores desafios, até agora, era a desconstrução da biomassa de celulose: como quebrar esse material e convertê-lo em açúcar. A CelOCE deverá aumentar expressivamente a eficiência do processo.

“Atualmente, a eficiência está na faixa de 60%, 70%, podendo chegar, em alguns casos, a 80%. Isso significa que muita coisa ainda não é aproveitada. Qualquer aumento de rendimento significa muito, porque estamos falando em centenas de milhões de toneladas de resíduos sendo convertidas”, argumenta Murakami.

Ele acrescenta que não se trata apenas de aumentar a produção de etanol veicular, mas de outros produtos também, como, por exemplo, biocombustível para aviação.

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Chuvas e tempestades não dão trégua nesta sexta, 19


Pancadas de chuva devem atingir grande parte do Brasil nesta sexta-feira (19), com maior intensidade durante a tarde e a noite, segundo informações do Meteored. A previsão indica a atuação de instabilidades em áreas do Centro-Oeste e Norte, além de trechos do Sudeste e do Nordeste, elevando o risco de transtornos associados ao mau tempo.

Diante do cenário previsto, o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) emitiu alertas de chuvas intensas que abrangem integralmente 12 estados e partes de outros cinco. Conforme o órgão, as áreas sob aviso podem registrar volumes elevados de chuva em curto intervalo de tempo, acompanhados por rajadas de vento e descargas elétricas.

Os alertas incluem todo o território do Rio de Janeiro, Goiás, Distrito Federal, Mato Grosso, Rondônia, Amazonas e Tocantins. Também estão sob aviso quase a totalidade do Espírito Santo e de Minas Gerais, além de áreas específicas de São Paulo, Mato Grosso do Sul, Pará, Roraima, Amapá, Maranhão, Piauí e do oeste da Bahia. Nessas regiões, há risco de interrupções no fornecimento de energia elétrica, quedas de galhos, alagamentos urbanos e elevação rápida do nível de rios.

De acordo com o Meteored, no Norte e no Centro-Oeste as pancadas de chuva podem ocorrer ao longo de todo o dia, enquanto no Sudeste a tendência é de intensificação dos temporais entre a tarde e a noite. “As tempestades se formam de maneira mais expressiva nesses períodos, quando há maior aquecimento da atmosfera”, informa a plataforma meteorológica.

A instabilidade atmosférica é favorecida pelos resquícios de uma frente fria sobre o Sudeste, que contribuem para a organização dos ventos e para a convergência de umidade em grande parte do país. Esse padrão, segundo a análise meteorológica, impulsiona a formação de pancadas localizadas, algumas acompanhadas de trovoadas.

Diante da possibilidade de eventos mais severos, a recomendação é evitar deslocamentos durante o mau tempo e seguir as orientações das autoridades locais. Em caso de ventos fortes, o Inmet orienta que a população evite permanecer sob árvores ou próximo a estruturas metálicas. Durante tempestades com raios, o órgão alerta para o risco de permanecer em áreas abertas ou em construções pequenas, que podem atrair descargas elétricas.

O instituto também reforça que, durante temporais, o uso de aparelhos conectados à rede elétrica deve ser evitado e que áreas de encosta merecem atenção redobrada, devido ao risco de deslizamentos. Segundo o Meteored, acompanhar as previsões atualizadas para cada município é fundamental para reduzir impactos e evitar situações de risco.





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Aprosoja critica PLP que reduz incentivos fiscais e pode elevar custos de produção no campo


Reprodução Aprosoja Brasil

O Congresso Nacional aprovou o Projeto de Lei Complementar (PLP) 128/2025, que reduz em 10% todos os incentivos fiscais federais. A medida foi articulada pelo Poder Executivo como alternativa para ampliar a arrecadação diante das dificuldades fiscais, mas é duramente criticada por entidades do setor agropecuário, que veem na proposta a transferência do ajuste fiscal para a sociedade.

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Segundo a Aprosoja Brasil e Aprosoja Mato Grosso, o impacto sobre a agropecuária é cumulativo. O texto reduz o crédito presumido na venda do produto rural à indústria, mecanismo criado para evitar a bitributação na cadeia de alimentos. Para as entidades, o corte encarece a produção, reduz a competitividade do agro brasileiro e pressiona o preço dos alimentos.

As associações destacam que produtores de commodities, como soja e milho, não definem seus preços, que são formados no mercado internacional. Assim, o aumento de custos decorrente de mudanças tributárias não pode ser repassado, sendo absorvido diretamente pelo produtor, especialmente pequenos e médios agricultores, que operam com margens estreitas, alto endividamento e riscos climáticos elevados.

Além do campo, os efeitos se espalham por toda a cadeia produtiva, atingindo indústria, logística e varejo. Parte desses custos acaba chegando ao consumidor final, com impacto direto sobre o custo de vida e a cesta básica. Para a Aprosoja, a medida contradiz o discurso de estabilidade defendido pela recente reforma tributária e reforça a insegurança jurídica no país.

A Aprosoja Brasil e suas 16 Aprosojas estaduais afirmam que responsabilidade fiscal é necessária, mas defendem que ela passe pela revisão de gastos públicos e pela eficiência do Estado, e não pelo aumento indireto da carga tributária. As entidades cobram a atuação da Frente Parlamentar da Agropecuária para corrigir as distorções do PLP 128/2025 e reforçam que continuarão defendendo o produtor rural e a segurança alimentar do país.

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Empregos no agro: empresa abre 1.500 vagas para auditoria de colheita


vagas Bureau Veritas
Foto: Bureau Veritas/divulgação

O Bureau Veritas – empresa da área de testes, inspeção e certificação – anunciou a abertura de 1.500 vagas para o Projeto Harvest. A iniciativa é voltada à realização de auditorias na entrada e entrega de grãos em armazéns e à verificação de sementes cultivadas com a tecnologia Cultive Biotec.

As oportunidades são para o cargo de auditor agrícola. As inscrições estão abertas para candidatos de qualquer região do país, com atuação prevista nos estados do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.

Para profissionais que residem fora dessas localidades, a empresa informa que custeia o deslocamento e a alimentação durante todo o período do contrato.

Segundo o Bureau Veritas, o projeto tem papel estratégico em uma das cadeias mais relevantes do agronegócio brasileiro.

“Todos os anos, participamos da verificação de uma parte expressiva da produção nacional de soja, cultura que vem batendo recordes consecutivos. O Harvest é essencial para garantir rastreabilidade, confiabilidade e segurança, além de gerar oportunidades profissionais em larga escala”, afirma Paulo Freire, diretor de Agronegócios, Food e Commodities do Bureau Veritas no Brasil.

Atuação no Sul e treinamento

As atividades do Projeto Harvest abrangem polos agrícolas estratégicos da região Sul. No Paraná, há vagas em cidades como Londrina, Ponta Grossa, Cascavel, Pato Branco e Lapa. Em Santa Catarina, as oportunidades incluem Chapecó e Lages. Já no Rio Grande do Sul, destacam-se Pelotas e Cruz Alta.

Não é exigida experiência prévia. Os candidatos selecionados passam por treinamento completo, com foco nas atividades do projeto e nos sistemas de inspeção utilizados. Além do salário, o pacote de benefícios inclui vale-alimentação e opção de transporte.

Processo seletivo e calendário

O processo seletivo ocorre de forma 100% online. Após a aprovação, os profissionais participam de uma imersão presencial nos escritórios-base ou nos locais de atuação. As primeiras contratações estão previstas para dezembro, com admissões que se estendem até maio, período de pico da colheita no Sul do país.

De acordo com a empresa, profissionais que apresentarem bom desempenho poderão ser convidados para outros projetos da divisão de Agronegócios do Bureau Veritas, ampliando as possibilidades de continuidade na companhia.

As inscrições devem ser feitas exclusivamente pelo site oficial do Bureau Veritas, na página do Projeto Harvest.

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Tradicional no Natal, exportações de panetone chegam a US$ 20,6 milhões em novembro


Panetone
Foto: Pixabay

As exportações brasileiras de panetone mantiveram trajetória de crescimento em 2025 e alcançaram US$ 20,6 milhões até novembro. Os dados são da Associação Brasileira das Indústrias de Biscoitos, Massas Alimentícias e Pães Industrializados (Abimapi). Em relação ao ano anterior, houve alta de 2,8% em valor e de 4,4% em volume, com embarques de 5,1 mil toneladas.

O resultado supera o faturamento total registrado em 2020, mesmo considerando apenas os onze primeiros meses do ano. Segundo a Abimapi, o desempenho reflete uma estratégia mais estruturada das empresas brasileiras no mercado internacional.

Estados Unidos lideram destinos

Os Estados Unidos permaneceram como o principal mercado para o panetone brasileiro. Até novembro, o país respondeu por US$ 11,2 milhões em compras. O avanço foi de 1,2% em valor e de 4,9% em volume, somando cerca de 3 mil toneladas.

Outros mercados também apresentaram crescimento relevante. O Paraguai ficou na segunda posição, com faturamento de US$ 1,7 milhão e aumento de 14,9%. O Peru registrou uma das maiores altas percentuais, com crescimento de 50,1% em valor e embarques de 300 toneladas. Japão e Canadá alcançaram US$ 800 mil cada, ambos com avanço em valor e volume. O México, que abriu mercado em 2025, respondeu por US$ 500 mil em exportações até novembro.

De acordo com Rodrigo Iglesias, diretor internacional da Abimapi, os resultados refletem um processo de aprendizado das empresas após a pandemia. Ele destaca a importância da participação em feiras e ações internacionais, com apoio da ApexBrasil, para definição de portfólio e estratégias de entrada em cada país.

Estratégias e perfil de consumo

Segundo a Abimapi, o panetone tradicional de frutas costuma ser a porta de entrada em mercados onde o consumo já é conhecido, como o Peru. Em países com forte presença de brasileiros, como Estados Unidos e Japão, há maior demanda por versões com chocolate e produtos recheados.

As empresas adotam diferentes modelos, combinando marcas próprias e produção para marcas estrangeiras.

Mercado interno também cresce

No Brasil, o consumo de panetones acompanhou o bom desempenho externo. O mercado movimentou R$ 1,2 bilhão, com crescimento de 29,6% em valor e de 7,3% em volume, segundo a NielsenIQ. Dados da Worldpanel by Numerator mostram que a penetração nos lares chegou a 62,9%.

O estudo aponta mudança no padrão de consumo, menos concentrado em dezembro. Houve avanço em meses como novembro e janeiro. O café da manhã passou a liderar as ocasiões de consumo, enquanto embalagens menores ganharam espaço entre consumidores mais jovens.

O canal atacarejo se destacou na atração de novos compradores, especialmente entre as classes de menor renda e o público com até 29 anos.

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Chuvas reduzem déficit hídrico na safra de arroz


A semeadura do arroz no Rio Grande do Sul está na fase final, com menos de 5% da área projetada ainda por implantar, conforme o Informativo Conjuntural divulgado pela Emater/RS-Ascar nesta quinta-feira (18). Segundo o órgão, “o retorno das chuvas na primeira quinzena de dezembro foi fundamental para a regularização da germinação”, reduzindo a necessidade de banhos iniciais e favorecendo o início e a consolidação da irrigação contínua.

Apesar de desuniformes, as precipitações também contribuíram para a recomposição de mananciais, reservatórios e cursos hídricos, ampliando a disponibilidade de água para a condução da safra. A Emater/RS-Ascar avalia que, de modo geral, “o estabelecimento das lavouras é satisfatório”, com bom estande e crescimento inicial uniforme.

Em áreas pontuais, no entanto, o excesso de chuva provocou alagamentos e danos em taipas, o que exigiu reparos para manter a lâmina de água. Ainda assim, o desenvolvimento das lavouras já implantadas não foi comprometido.

O informativo aponta ajustes na área efetivamente cultivada em algumas regiões, associados a restrições financeiras e ao cenário da cadeia orizícola. “Esses ajustes não têm comprometido o desempenho das lavouras estabelecidas”, destaca a Emater/RS-Ascar.

Os tratos culturais seguem em andamento, com foco no controle de plantas invasoras e na adubação nitrogenada em cobertura, conforme o escalonamento da semeadura dentro do Zoneamento Agrícola de Risco Climático (ZARC).

A área cultivada com arroz no Estado está estimada em 920.081 hectares, segundo o Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga), enquanto a produtividade projetada é de 8.752 kg por hectare, de acordo com a Emater/RS-Ascar.

Na região administrativa de Bagé, as chuvas beneficiaram principalmente as áreas recém-semeadas que enfrentavam déficit hídrico. Em Aceguá, houve registros de inundações pontuais e danos em taipas. Na Fronteira Oeste, em São Gabriel, o plantio foi concluído após atraso, enquanto em São Borja parte reduzida da área foi implantada dentro da janela preferencial. Em Itaqui, consolidou-se a maior redução regional, com queda de 12,5% da área inicialmente estimada.

Na região de Pelotas, a semeadura foi finalizada e as lavouras estão em fase vegetativa, com evolução considerada normal. As chuvas registradas entre 7 e 13 de dezembro promoveram a recuperação dos mananciais, garantindo condições hídricas adequadas ao ciclo.

Em Santa Maria, o plantio supera 90% da área prevista, embora haja indicativos de redução em função de limitações de financiamento. Em Cachoeira do Sul, 98% da área estimada já foi implantada, com lavouras em estádio inicial e início das aplicações de herbicidas e adubação em cobertura.

Na região de Soledade, a semeadura está concluída e as lavouras seguem em fase vegetativa, com avanço gradual do manejo da água e continuidade dos tratos culturais, especialmente a adubação nitrogenada em cobertura.

No mercado, o preço médio da saca de 60 quilos de arroz no Estado apresentou leve alta semanal. Segundo levantamento da Emater/RS-Ascar, o valor passou de R$ 53,31 para R$ 53,42, uma elevação de 0,21%.





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Produtores colhem milho-verde e mantêm plantio escalonado



Colheita de milho-verde segue ativa em Lajeado



Foto: Pixabay

De acordo com o Informativo Conjuntural divulgado pela Emater/RS-Ascar nesta quinta-feira (18), a cultura do milho-verde está em fase de colheita e comercialização na região administrativa de Lajeado, com destaque para o município de Cruzeiro do Sul.

Segundo o relatório, “os produtores seguem realizando o plantio de forma escalonada, em intervalos quinzenais, com o objetivo de garantir oferta contínua do produto durante o período de colheita”, iniciado na segunda quinzena de novembro. Nas áreas implantadas mais precocemente, as espigas já foram colhidas e as plantas derrubadas para a implantação de novos cultivos, geralmente com milho para a mesma finalidade ou, em alguns casos, com rotação para soja, milho grão ou silagem. Ainda conforme a Emater/RS-Ascar, “o preço recebido pelo agricultor na propriedade está em R$ 0,35 por unidade”.





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Biodiversidade redefine desafios da agricultura


A biodiversidade é um elemento central para a produção agrícola, ao sustentar processos naturais que garantem a produtividade e a resiliência das lavouras. A interação entre plantas, animais, insetos, fungos e microrganismos forma ecossistemas complexos que fornecem serviços essenciais, como polinização, controle de pragas, armazenamento de água e regulação do clima, fundamentais para o funcionamento da agricultura.

Apesar de seu papel estratégico, a agricultura também é apontada como o principal fator de perda de biodiversidade no mundo. A conversão de áreas naturais em lavouras e pastagens, a extração intensiva de água doce para irrigação e a poluição provocada pelo uso de fertilizantes e pesticidas permitiram ganhos expressivos de produção, mas ampliaram a pressão sobre os ecossistemas. A degradação desses sistemas naturais compromete serviços essenciais ao próprio setor produtivo, elevando riscos à produtividade e à estabilidade das atividades no campo.

A importância do tema foi reforçada com o Marco Global da Biodiversidade de Kunming-Montreal, lançado em 2022, que estabelece metas para conter e reverter a perda de biodiversidade. O acordo prevê que os governos signatários desenvolvam e implementem políticas nacionais alinhadas a esses objetivos, o que tende a provocar mudanças relevantes na forma como a agricultura é conduzida. Em paralelo, empresas do setor de alimentos e do agronegócio passaram a incorporar riscos e impactos relacionados à natureza em suas estratégias de sustentabilidade, ampliando ações voltadas ao apoio aos produtores rurais.

A intensificação das exigências regulatórias e a redução dos serviços ecossistêmicos representam riscos crescentes, enquanto iniciativas públicas e privadas podem abrir novas fontes de renda. Entre elas estão subsídios, programas corporativos e mercados emergentes de créditos de biodiversidade e pagamentos por serviços ecossistêmicos, que estimulam práticas produtivas mais resilientes e alinhadas à conservação ambiental.

“A biodiversidade não é apenas uma questão ambiental, está se tornando também uma questão de negócios, ao oferecer potenciais novas fontes de receita, melhor acesso ou posicionamento de mercado, além de maior resiliência, garantindo os recursos naturais dos quais dependem as lavouras e a pecuária”, conclui.

 





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Boi gordo fecha semana sem mudanças em SP



Mercado pecuário encerra semana estável



Foto: Pixabay

O mercado do boi gordo apresentou estabilidade em São Paulo nesta sexta-feira (19), conforme a análise do informativo “Tem Boi na Linha”, da Scot Consultoria. Segundo a consultoria, o ritmo de negócios foi mais lento, comportamento comum para o encerramento da semana, intensificado pela saída temporária de parte dos negociantes devido às festividades previstas para os próximos dias. “Os compradores que ainda ajustavam suas escalas para o fim do ano seguiram negociando nos mesmos patamares de preços do dia anterior”, informou a Scot.

De acordo com o levantamento, as escalas de abate atendiam, em média, nove dias, indicando equilíbrio entre oferta e demanda nas praças paulistas.

No Pará, as cotações permaneceram inalteradas nas três regiões pecuárias do estado. A Scot Consultoria destacou que a operação dos frigoríficos ocorreu de forma parcial durante os feriados, o que contribuiu para a manutenção de um ritmo de compras mais ajustado.

Na Bahia, o mercado apresentou recuos pontuais. Na região Sul, o boi gordo registrou queda de R$ 3,00 por arroba, enquanto a vaca teve desvalorização de R$ 2,00 por arroba, sem alteração nos preços da novilha. Já na região Oeste, a cotação do boi gordo caiu R$ 1,00 por arroba e a da vaca recuou R$ 2,00 por arroba, com estabilidade para a novilha, segundo a Scot.





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Cotrijal repassa recursos e incentiva renovação do CAF


A Cotrijal reuniu, nesta terça-feira, 16, dirigentes dos Sindicatos de Trabalhadores Rurais (STR’s) para o repasse anual de recursos às instituições. O encontro, realizado no Parque da Expodireto Cotrijal, também reforçou a parceria e apoio mútuo das entidades em prol dos produtores rurais.

Ao todo, a Cotrijal repassou mais de R$274,6 mil para 45 STR’s que integram a área de atuação da cooperativa. Os valores são referentes à doação anual realizada pela Cotrijal, além da contribuição por saca de soja comercializada por associados que possuem o Cadastro Nacional da Agricultura Familiar – CAF.

“A Cotrijal firmou, ao longo dos anos, uma parceria sólida e de confiança com os sindicatos dos municípios de sua área de atuação. Esse repasse anual de recursos representa o reconhecimento ao trabalho sério e comprometido que essas entidades desenvolvem em defesa dos produtores rurais. Por isso, esse apoio reforça nosso compromisso com o desenvolvimento das comunidades rurais”, ressaltou o vice-presidente da Cotrijal, Enio Schroeder.

Os dirigentes reforçaram a importância dos valores recebidos para o desenvolvimento das atividades sindicais. “Assim como a Cotrijal é parceira do agricultor nos 365 dias do ano, não é diferente para o conjunto do movimento sindical. O ano de 2025 foi muito desafiador em diversos sentidos, e, no decorrer do ano, sempre pudemos contar com o apoio da Cotrijal”, afirmou o presidente do STR de Não-Me-Toque/RS, Maiquel Junges.

Além disso, os líderes ressaltaram a parceria histórica em defesa dos produtores rurais. “Esse repasse, além de ajudar financeiramente a entidade, é um reconhecimento de um trabalho conjunto de várias décadas. Sempre estamos juntos pois representamos uma categoria única, que são os trabalhadores e trabalhadoras rurais. Nós defendemos o mesmo público, os mesmos interesses e discutimos juntos para avançar e dar qualidade de vida à nossa sociedade”, reforçou Hélio Bernardi, presidente do STR de Carazinho/RS.

A reunião também reforçou a importância da busca ativa por produtores para renovação e enquadramento no Cadastro Nacional da Agricultura Familiar – CAF, antiga Declaração de Aptidão ao Pronaf (DAP). O registro é requisito para o acesso de agricultores familiares às políticas públicas de apoio e incentivo à produção agrícola familiar. Além disso, parte do valor repassado aos Sindicatos é calculado com base no número de sacas de soja comercializadas por associados que possuem o Cadastro Nacional da Agricultura Familiar – CAF.

“Nós conversamos com os presidentes dos sindicatos para realizar um trabalho conjunto para buscar aqueles que eventualmente perderam a o registro para que, futuramente, nós possamos distribuir ainda mais recursos para os sindicatos”, destacou Schroeder.

Os superintendentes Administrativo-Financeiro, Marcelo Ivan Schwalbert, e Comercial, Jairo Marcos Kohlrausch, também participaram do encontro, ressaltando as pautas em comum com os sindicatos e o trabalho em prol dos associados.





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