domingo, março 15, 2026

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Brasil pode exportar material genético avícola para Moçambique


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Foto: Ligados & Integrados

O Brasil concluiu uma negociação sanitária com Moçambique e obteve autorização para exportar material genético avícola ao país africano. A liberação inclui ovos férteis e pintos de um dia, usados na formação de plantéis comerciais.

A abertura amplia a presença do agronegócio brasileiro no mercado internacional e reforça a atuação do país no continente africano. O acordo foi conduzido pelo governo federal e envolve exigências sanitárias acordadas entre as autoridades dos dois países.

Autorização sanitária e impactos no setor

A liberação do mercado moçambicano permite o envio de material genético avícola brasileiro, considerado estratégico para a melhoria dos plantéis locais. Esse tipo de produto é fundamental para elevar padrões produtivos e sanitários na avicultura.

Para o Brasil, a autorização cria novas possibilidades de negócios para empresas do setor, especialmente aquelas especializadas em genética e reprodução avícola. O país é um dos principais exportadores mundiais de proteína animal e também de tecnologia ligada à produção.

A negociação sanitária é etapa obrigatória nesse tipo de comércio, pois define critérios técnicos, controles e garantias sanitárias exigidas pelo país importador. Sem esse acordo, as exportações não podem ocorrer.

Moçambique no radar do agronegócio brasileiro

Com população estimada em cerca de 33 milhões de habitantes, Moçambique tem ampliado suas compras externas de produtos agropecuários. Entre janeiro e novembro de 2025, o país importou mais de US$ 24 milhões em itens do agro brasileiro.

As compras tiveram destaque para proteínas animais, segmento no qual o Brasil mantém posição relevante no comércio internacional. A autorização para material genético avícola reforça esse relacionamento comercial e pode abrir caminho para novos fluxos de exportação no futuro.

O continente africano é visto como uma região com potencial de crescimento econômico e demográfico, o que amplia o interesse brasileiro por novos acordos sanitários e comerciais.

Balanço das aberturas de mercado

Com a autorização concedida por Moçambique, o agronegócio brasileiro chega a 521 aberturas de mercado desde o início de 2023. Esses acessos envolvem 81 destinos diferentes, considerando produtos e categorias diversas.

O resultado reflete a atuação conjunta do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) e do Ministério das Relações Exteriores (MRE). O trabalho envolve negociações técnicas, diplomáticas e sanitárias, voltadas à ampliação do acesso de produtos brasileiros ao mercado internacional.

Para o setor produtivo, as aberturas representam novas oportunidades de diversificação de destinos e redução da dependência de mercados tradicionais.

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Com demanda enfraquecida, preços do milho caem


mais milho inpasa etanol de milho foto leandro balbino canal rural mato grosso3
Foto: Leandro Balbino/Canal Rural Mato Grosso

Os preços do milho seguem em queda em algumas regiões acompanhadas pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea).

Segundo pesquisadores do instituto, a pressão vem da redução na demanda pelo cereal, como típico neste período de final de ano. Boa parte dos consumidores indica que deve voltar ao spot apenas em janeiro. No campo, as atenções se voltam às atividades envolvendo a safra verão de milho.

Pesquisadores do Cepea indicam que, após um período de estiagem, o retorno das chuvas trouxe certo alívio aos agricultores, tendo em vista que favoreceu o desenvolvimento das lavouras da safra verão.

Além de auxiliarem a atual safra, as precipitações e a melhora do clima elevam as expectativas de semeadura da segunda safra no período considerado ideal para a cultura.

*Sob supervisão de Luis Roberto Toledo

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Preços do farelo de soja apresentam boa recuperação


Novas cultivares de soja lançadas pela Embrapa
Foto: Embrapa

Os preços do farelo de soja encerram 2025 registrando recuperação parcial das perdas acumuladas ao longo do ano. Isso é o que indicam os levantamentos do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea).

Segundo pesquisadores do instituto, a valorização do derivado está relacionada sobretudo à necessidade de recomposição de estoques por parte de avicultores e suinocultores regionais.

O avanço no preço também teve reforço na atual baixa oferta de farelo no spot nacional, tendo em vista que grande parte das indústrias processadoras já encerrou o esmagamento em 2025.

Diante disso, dados do Cepea mostram que os preços domésticos do farelo de soja operaram nos patamares mais elevados desde abril na maior parte das regiões acompanhadas.

*Sob supervisão de Luis Roberto Toledo

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AgroNewsPolítica & Agro

Movimento de correção pressiona cotações da soja


O mercado internacional da soja encerrou a semana com movimento negativo, refletindo ajustes de preços e maior cautela dos investidores diante do comportamento da demanda global. Segundo a TF Agroeconômica, os contratos negociados na bolsa de Chicago fecharam o dia e a semana em baixa, com o mercado concentrado em dados oficiais e na evolução do consumo asiático.

O contrato da soja com vencimento em janeiro recuou 0,24%, ou 3,00 centavos de dólar por bushel, encerrando a 1.049,75 dólares. A posição março caiu 0,19%, com perda de 2,50 centavos, a 1.060,00 dólares por bushel. No segmento de derivados, o farelo de soja para janeiro fechou em queda de 0,20%, a 297,8 dólares por tonelada curta, enquanto o óleo de soja do mesmo vencimento recuou 0,52%, a 47,86 centavos de dólar por libra-peso.

De acordo com a análise, a oleaginosa passa por um movimento de correção desde meados de novembro, sem sinais de reação no curto prazo. Mesmo com a divulgação de novas vendas e a atualização dos relatórios semanais, o mercado deixou de operar com base em rumores e passou a considerar apenas números oficiais, que vêm sendo divulgados abaixo das expectativas. Esse cenário reforça a pressão sobre as cotações e limita tentativas de recuperação.

Outro fator de atenção é o ambiente externo, marcado por ruídos comerciais que podem se intensificar com o bloqueio de navios carregados com petróleo venezuelano destinados a portos asiáticos. Internamente, a demanda no principal país importador também mostra desaceleração, com os leilões de soja realizados pela estatal Sinogran registrando redução gradual no volume negociado ao longo das rodadas. Esse enfraquecimento se reflete nas quedas observadas tanto no mercado asiático quanto em Chicago ao longo de dezembro.

No acumulado da semana, a soja em Chicago apresentou baixa de 2,51%, com perda de 27,00 centavos de dólar por bushel. O farelo recuou 1,55%, equivalente a 4,70 dólares por tonelada curta, enquanto o óleo de soja registrou queda mais acentuada, de 4,41%, ou 2,21 dólares por libra-peso no período.

 





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Focus reduz inflação prevista para 2025 e mantém projeções mais altas em 2026


juros câmbio
Foto: Agência Senado

O mercado financeiro voltou a ajustar as projeções para a economia brasileira, com redução da inflação esperada em 2025 e manutenção de um cenário ainda pressionado para 2026. Os dados constam no Boletim Focus, divulgado pelo Banco Central nesta segunda-feira (22).

Inflação e PIB

A mediana das expectativas para o IPCA de 2025 caiu pela sexta semana consecutiva, passando de 4,36% para 4,33%. Para 2026, a projeção também recuou levemente, de 4,10% para 4,06%, permanecendo acima do centro da meta.

O movimento indica melhora gradual na percepção do mercado, embora as estimativas ainda sinalizem inflação resistente no médio prazo.

Para o Produto Interno Bruto (PIB), o mercado elevou marginalmente a projeção de crescimento em 2025, de 2,25% para 2,26%. Em 2026, a expectativa foi mantida em 1,80%, apontando desaceleração da atividade no próximo ano.

Câmbio e juros

No câmbio, a projeção para o dólar no fim de 2025 subiu para R$ 5,43. Para 2026, a estimativa segue em R$ 5,50, indicando percepção de taxa de câmbio mais pressionada ao longo do horizonte.

A expectativa para a taxa Selic permanece em 15% ao ano em 2025. Para 2026, o mercado projeta juros em 12,25%, sinalizando um processo de queda lento e condicionado ao comportamento da inflação.

Cenário fiscal e externo

O Focus manteve a projeção de resultado primário negativo em -0,5% do PIB em 2025 e em -0,6% do PIB em 2026. A dívida líquida do setor público segue estimada em 65,97% do PIB em 2025 e 70,25% do PIB em 2026, mantendo o tema fiscal no centro das atenções.

A expectativa para a balança comercial subiu para US$ 63 bilhões em 2025. Para 2026, a projeção foi mantida em US$ 66,1 bilhões.

Já o déficit em conta corrente é estimado em US$ 74,1 bilhões em 2025 e US$ 67,05 bilhões em 2026, reforçando a dependência da entrada de investimento direto no país.

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Agropecuária Maragogipe se destaca em eficiência e genética em 2025; confira


Foto: Reprodução/Giro do Boi.
Foto: Reprodução/Giro do Boi.

A Agropecuária Maragogipe, localizada em Mato Grosso do Sul, registrou resultados extraordinários em 2025, consolidando-se como uma referência mundial em eficiência e genética.

Com abates de animais hiperprecoces que atingem 23,5 arrobas aos treze meses de idade e rendimento de carcaça próximo a sessenta por cento, a fazenda tem se destacado no setor.

A combinação rigorosa de seleção de fêmeas, tecnologia de ponta e um sistema de produção circular sustentável são apontados como os principais fatores do sucesso. No ano passado, a Maragogipe foi a grande campeã de abates da raça Angus e alcançou o primeiro lugar no Circuito Nelore de Qualidade, que abrange o Brasil e o Mercosul, reafirmando a força de seus cinquenta e quatro anos de evolução.

Confira:

A importância da genética na produção

Diferente de muitos projetos que focam apenas nos reprodutores, a Agropecuária Maragogipe entende que o sucesso do animal hiperprecoce começa na barriga da vaca. A fazenda combina a tradição da inseminação artificial, prática realizada há quarenta e sete anos, com inovações na gestão de dados e recursos naturais.

Com o intuito de antecipar tendências, a Maragogipe iniciou um projeto com a raça Boran, um Zebuíno de origem africana. O objetivo é utilizar essa genética para realizar um tricross sobre as fêmeas F1 (Angus x Nelore), buscando aumentar a rusticidade e a eficiência em sistemas tropicais, mantendo o padrão de carcaça exigido pelos mercados globais.

Em um cenário onde o Brasil ultrapassou os estados Unidos na produção total de carne em 2025, o desafio da Agropecuária Maragogipe para 2026 é buscar a paridade internacional de preços, elevando ainda mais o marmoreio e o acabamento de seus produtos premium. A fazenda se posiciona para atender às crescentes demandas do mercado global.

Com informações de: girodoboi.canalrural.com.br.

Publicado com auxílio de inteligência artificial e revisão da Redação Canal Rural.

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Confusão à vista: petróleo venezuelano apreendido pelos EUA  pode pertencer à China


Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

A crise venezuelana há muito deixou de ser um assunto interno. O bloqueio recente de petroleiros que saem da Venezuela não é apenas mais um capítulo das sanções. Isso expõe uma realidade incômoda: o petróleo que sai do país hoje, em grande medida, já tem dono econômico.

Desde meados dos anos 2000, a Venezuela passou a financiar sua sobrevivência com um modelo conhecido como loans-for-oil. A China abriu linhas robustas de crédito para infraestrutura, energia e projetos estratégicos. Em troca, recebeu petróleo.

Entre 2007 e 2017, esses empréstimos somaram cerca de US$ 50 bilhões. Mesmo após renegociações, estima-se que ainda restam US$ 10 a 20 bilhões a serem quitados. Em alguns períodos, mais de 300 mil barris por dia eram enviados exclusivamente para amortizar essa dívida. Não se trata de exportação para gerar caixa novo: é pagamento.

Esse arranjo criou uma dependência severa. Grande parte da produção da PDVSA sai do país sem passar pelo caixa do governo. O petróleo já nasce comprometido com credores, sobretudo chineses.

Com o endurecimento das sanções dos Estados Unidos, a logística virou um jogo de sobrevivência. Carregamentos passaram a ser transferidos entre navios em alto-mar, rebatizados e, em alguns casos, rotulados como petróleo de outras origens para driblar restrições. O rótulo muda; a essência, não. O barril continua sendo a moeda de pagamento da dívida com Pequim.

É por isso que os bloqueios recentes não atingem apenas o governo de Nicolás Maduro. Ao interceptar petroleiros, Washington encosta diretamente nos interesses chineses. Não por discurso ideológico, mas por contrato.

A China, aliás, não saiu da Venezuela, dobrou a aposta. Em 2025, a estatal CNPC firmou acordos de longo prazo para desenvolver campos petrolíferos no país, reforçando pesquisas e exploração. Para Pequim, a Venezuela é um ativo energético estratégico, localizado justamente no entorno geopolítico mais sensível para os EUA.

Esse movimento ajuda a entender por que a pressão americana ganhou novo fôlego. Ao firmar contratos de exploração e pesquisa em 2025, a China não apenas garantiu o recebimento de dívidas passadas, mas avançou sobre o acesso direto às maiores reservas de petróleo do planeta. Para Washington, isso soa como uma invasão estratégica do capital chinês em uma área historicamente sensível à influência americana, e ajuda a explicar por que a derrubada de Nicolás Maduro passou a ter, também, um claro componente energético e geopolítico.

Nesse contexto, o risco político para Donald Trump é evidente. Se a estratégia de pressão não resultar na saída de Maduro, o custo é alto. Mobilizar força, endurecer bloqueios e não entregar resultado fragiliza a imagem internacional e também a doméstica. Mais do que isso, abre espaço para um confronto indireto com a China, algo que Washington sempre tentou evitar no Caribe.

Dessa forma o ponto central é : o petróleo venezuelano apreendido no mar não é apenas um ativo de um regime isolado. Em muitos casos, ele representa o pagamento de uma dívida chinesa, firmada em contratos que mantiveram a Venezuela de pé quando ninguém mais estava disposto a emprestar.

Ao confiscar esses barris, os Estados Unidos não pressionam só Caracas. Encostam em Pequim. E quando petróleo, dívida e geopolítica se misturam, a história mostra que os efeitos raramente ficam restritos a um único país.

Miguel Daoud

*Miguel Daoud é comentarista de Economia e Política do Canal Rural


Canal Rural não se responsabiliza pelas opiniões e conceitos emitidos nos textos desta sessão, sendo os conteúdos de inteira responsabilidade de seus autores. A empresa se reserva o direito de fazer ajustes no texto para adequação às normas de publicação.

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El Niño influencia na disponibilidade de peixes e crustáceos no Oceano Atlântico


Oceano Atlântico
Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

Um estudo publicado na revista Nature Reviews Earth & Environment amplia a compreensão científica sobre os impactos do El Niño–Oscilação Sul (ENOS) sobre o Oceano Atlântico. Segundo os pesquisadores, o fenômeno climático pode determinar se a pesca aumenta ou diminui em regiões da África e da América do Sul.

Você quer entender como usar o clima a seu favor? Preparamos um e-book exclusivo para ajudar produtores rurais a se antecipar às mudanças do tempo e planejar melhor suas ações. Com base em previsões meteorológicas confiáveis, ele oferece orientações práticas para proteger sua lavoura e otimizar seus resultados.

ENOS é o nome dado para a alternância entre o esfriamento (El Niño) e o aquecimento (La Niña) do Oceano Pacífico. O fenômeno acoplado nasce de variações da pressão e das circulações oceânicas e atmosféricas.

O estudo reúne evidências científicas de como o ENOS muda padrões de chuva, ventos, temperatura, salinidade do oceano e a descarga de grandes rios, afetando a disponibilidade de nutrientes e oxigênio nas águas. Essas mudanças influenciam o fitoplâncton, base da cadeia alimentar marinha, e têm reflexos na abundância de peixes e crustáceos de importância comercial.

Impactos do El Niño

Segundo o artigo, os impactos do fenômeno não são homogêneos e variam conforme a região, a espécie explorada e o período analisado. No Norte do Brasil, o El Niño atua pela via tropical e está associado à redução das chuvas na Amazônia, como observado em 2023 e 2024. A diminuição das chuvas reduz a pluma do rio Amazonas, que transporta nutrientes essenciais para a costa do Norte e Nordeste.

“Essa pluma, que chega à costa do Norte e Nordeste do Brasil, contém nutrientes que são a base da cadeia alimentar”, explica a professora Regina Rodrigues, da Universidade Federal de Santa Catarina, uma das autoras do artigo.

A redução desse aporte pode prejudicar a produtividade da pesca em algumas áreas, mas, por outro lado, pode favorecer a captura do camarão marrom, beneficiado pela menor turbidez da água e maior penetração da radiação solar.

No Sul do país, o El Niño atua pela via extratropical e está associado ao aumento das chuvas, como ocorreu no Rio Grande do Sul em 2024. O maior aporte de água doce e nutrientes tende a favorecer a pesca de determinadas espécies. Já na região central do Atlântico Sul, o fenômeno está relacionado ao aumento da captura da albacora, um tipo de atum amplamente explorado comercialmente.

A revisão ressalta, no entanto, que essas respostas variam de acordo com a espécie, a estação do ano e até a década analisada.

Objetivos da pesquisa

Segundo Ronaldo Angelini, professor da Universidade Federal do Rio Grande do Norte e coautor do estudo, a proposta da pesquisa é integrar processos físicos, biogeoquímicos e ecológicos para compreender essas variações.

“Essa abordagem ajuda a explicar por que respostas observadas na pesca nem sempre são lineares ou consistentes ao longo do tempo”, afirma Angelini, especialmente diante de um cenário de mudanças climáticas que afetam a frequência e a intensidade do ENOS.

O artigo também identifica lacunas importantes no conhecimento, como a escassez de séries históricas de dados pesqueiros e limitações das observações por satélite, e propõe caminhos para aprimorar a capacidade de previsão.

“Esse roteiro viabiliza a construção de modelos quantitativos comparáveis com estimativas de incerteza, essenciais para separar sinais de ENOS de outras variabilidades”, explica o pesquisador.

Resultado de um projeto internacional financiado pela União Europeia, com participação de instituições da Europa, África e Brasil, o estudo destaca que não existe uma resposta única do Atlântico ao ENOS. Para os autores, isso reforça a necessidade de estratégias de manejo localizadas, adaptadas à realidade de cada estoque pesqueiro e de cada comunidade.

Diante da escala global do fenômeno, que dificulta o monitoramento por países isoladamente, os pesquisadores defendem a adoção de um monitoramento oceânico coordenado, com a ampliação de redes já existentes e a integração de observatórios costeiros, utilizando protocolos comuns, dados interoperáveis e séries temporais comparáveis.

*Sob supervisão de Luis Roberto Toledo

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BNDES aprova R$ 5,2 bilhões para liquidação de dívidas rurais após eventos climáticos


Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil.
Foto:
Fernando Frazão/Agência Brasil.

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) aprovou, em dois meses, R$ 5,2 bilhões por meio do programa BNDES Liquidação de Dívidas Rurais.

A iniciativa é voltada a produtores que registraram perdas de safra em decorrência de eventos climáticos e passaram a enfrentar dificuldades para cumprir obrigações financeiras. O protocolo do programa foi aberto em 16 de outubro.

Até o momento, foram atendidos agricultores de 642 municípios, em 21 estados. O volume aprovado corresponde a cerca de 19,1 mil operações, com tíquete médio de R$ 273 mil.

Alcance do programa

Além da quitação de dívidas em atraso, o programa permite a reorganização financeira de produtores que renegociaram compromissos anteriores. A medida busca viabilizar a continuidade da atividade produtiva e a manutenção da oferta de alimentos.

“O BNDES é hoje um dos principais financiadores do agro brasileiro. Com esse programa, o governo do presidente Lula está oferecendo aos produtores rurais afetados por eventos climáticos extremos as condições para dar continuidade à sua atividade produtiva”, disse o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante.

“Cerca de 62% dos recursos aprovados até agora foram destinados a agricultores familiares e produtores de médio porte, que têm papel central na segurança alimentar e no desenvolvimento regional”, completa.

Orçamento e prazos

O programa conta com orçamento de R$ 12 bilhões do governo federal. O prazo de pagamento pode chegar a nove anos, com até um ano de carência. A distribuição dos recursos entre as instituições financeiras credenciadas seguiu a proporcionalidade da carteira de crédito rural informada ao Banco Central, conforme a Resolução do Conselho Monetário Nacional nº 5.247/2025.

A norma também definiu uma reserva inicial de recursos para cada agente financeiro, válida por 60 dias após a abertura do protocolo.

Desde o último dia 16 de dezembro, os bancos passaram a ter acesso a recursos adicionais além das reservas iniciais. Atualmente, cerca de R$ 6,8 bilhões ainda não foram comprometidos. As operações podem ser protocoladas no BNDES até 6 de fevereiro de 2026.

Quem pode acessar

O programa pode ser utilizado para liquidação ou amortização de operações de crédito rural de custeio e investimento, além de Cédulas de Produto Rural (CPR), inclusive contratos recentes. Os recursos estão disponíveis para produtores rurais, associações, condomínios rurais e cooperativas agrícolas, por meio de instituições financeiras credenciadas.

Os beneficiários devem estar localizados em municípios que tiveram reconhecimento federal de estado de calamidade pública ou situação de emergência entre 2020 e 2024, com perdas superiores a 20% em duas atividades agrícolas no período. Também é exigido registro de perdas acima de 30% em duas ou mais safras entre 2020 e 2025.

Pelo menos 40% dos recursos são reservados a produtores enquadrados no Programa Nacional de Agricultura Familiar (Pronaf) e no Programa Nacional de Apoio ao Médio Produtor Rural (Pronamp). O restante atende produtores de outras linhas de crédito rural, conforme os critérios do programa.

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AgroNewsPolítica & Agro

Mercado da soja encontra-se paralisado


O mercado gaúcho de soja encontra-se virtualmente paralisado, com produtores evitando firmar contratos de venda futura, de acordo com a TF Agroeconômica. “Para pagamento em dezembro, com entrega em dezembro, os preços no porto foram reportados a R$ 142,00/sc (+0,71%) semanal, enquanto no interior as referências se foram em torno de R$ 133,02/sc (+0,51%) semanal em Cruz Alta, salvo por Santa Rosa a R$ 136,00. Já em Panambi, o mercado físico apresentou manutenção, com o preço de pedra recuando para R$ 122,00/sc, sinalizando maior resistência local ao ritmo comprador”, comenta.

Santa Catarina consolida-se como estado importador líquido de soja. “A infraestrutura portuária compartilha espaço entre operações de exportação e recebimento de grãos destinados ao consumo estadual. No porto de São Francisco, a saca de soja é cotada a R$ 142,51 (+0,49%)”, completa.

O Paraná apresenta a situação mais equilibrada e robusta da região Sul. “Em Paranaguá, o preço chegou R$ 143,02 (+0,85%). Em Cascavel, o preço foi R$ 131,22 (-0,45%). Em Maringá, o preço foi de R$ 129,77 (-0,43%). Em Ponta Grossa o preço foi a R$ 132,71 (-0,31%) por saca FOB, Pato Branco o preço foi R$ 142,51 (+0,49%). Os preços em Ponta Grossa ficaram em R$ 122,00”, indica.

O Mato Grosso do Sul beneficia-se de política agressiva de atração de indústrias de esmagamento e biodiesel. “Em Dourados, o spot da soja ficou em R$ 126,02 (-0,78%), Campo Grande em R$ 126,02 (-0,51%), Maracaju em R$ 126,02 (-0,51%), Chapadão do Sul a R$ 122,96 (+0,04%), Sidrolândia a em R$ 126,02 (-0,78%)”, informa a consultoria agroeconômica.

O Mato Grosso vive cenário mais desafiador do país com equação econômica da safra perigosamente desequilibrada. “Campo Verde: R$ 121,62 (-0,27%). Lucas do Rio Verde: R$ 117,52 (+0,22%), Nova Mutum: R$ 117,52 (+0,22%). Primavera do Leste R$ 121,62 (-0,27%). Rondonópolis: R$ 121,62 (-0,27%). Sorriso: R$ 117,26 (+0,00%)”, conclui.

 





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