segunda-feira, março 16, 2026

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Tambaqui e curimba juntos: estudo da Embrapa revela sistema mais sustentável e eficiente


Curimba (em cima) e tambaqui
Fotos: Embrapa

A criação integrada de tambaqui com curimba, também chamado de curimbatá, é uma alternativa mais sustentável e eficiente para a produção de proteína no bioma amazônico. A conclusão é de um levantamento conduzido pela Embrapa Pesca e Aquicultura (TO), que apontou aumento de 25% na produtividade quando as duas espécies são cultivadas juntas.

Os resultados foram publicados na revista Aquaculture e reforçam o potencial desse sistema, chamado de aquicultura multitrófica integrada (AMTI) para reduzir impactos ambientais e melhorar o desempenho econômico dos sistemas produtivos.

O estudo avaliou o modelo AMTI, que combina espécies com funções ecológicas complementares no mesmo viveiro. Na prática, o sistema imita o funcionamento dos ecossistemas naturais e recicla nutrientes que seriam desperdiçados em cultivos convencionais. Assim, reduz a geração de resíduos, melhora o aproveitamento alimentar e entrega mais proteína por hectare.

A comparação com outras cadeias produtivas também chamou atenção. Para produzir 1 quilo de proteína, a pecuária bovina exige 434% mais terra que a piscicultura do tambaqui. Na avicultura, o uso de área é 48% maior e, na suinocultura, 72% superior. “A aquicultura surge como alternativa real para diminuir a pressão por abertura de novas áreas no bioma amazônico”, afirma a pesquisadora Adriana Ferreira Lima, líder do estudo.

A pesquisa confirma achados recentes publicados na Nature Sustainability, que destacaram vantagens do cultivo de peixes amazônicos em relação ao gado na região. Os impactos ambientais da piscicultura, segundo Lima, permanecem menores mesmo quando todos os insumos necessários à produção — como grãos usados na ração — são considerados na análise do ciclo de vida. Além disso, a liberação de gases de efeito estufa é reduzida quando comparada a outras atividades agropecuárias.

Por que o curimba

A escolha do curimba para integrar o sistema não foi aleatória. O peixe, menor e de hábitos alimentares diferentes do tambaqui, consome plâncton, sobras de ração e sedimentos do fundo dos viveiros. Essa característica o torna um “reciclador natural” dentro do ambiente de cultivo. Apesar disso, não interfere no crescimento do tambaqui, que segue atingindo o peso comercial de 1,8 quilo nas condições avaliadas. O curimba, nessa proporção utilizada, alcançou 200 gramas, mas pode permanecer no viveiro até chegar ao tamanho ideal de mercado.

O estudo também desmonta dúvidas frequentes entre produtores. A inserção do curimba não exige aumento de ração, não reduz o desempenho do tambaqui e não altera o manejo cotidiano. Para pequenos produtores, a diferença no ritmo de crescimento entre espécies não compromete a viabilidade da produção integrada, já que ambas têm tamanhos de comercialização distintos e podem ser despescadas em momentos diferentes.

Do ponto de vista ambiental, os ganhos são expressivos. Com a integração, a emissão de dióxido de carbono por quilo de peixe caiu de 4,2 quilos para 3,9 quilos. Houve ainda redução de 17% no uso da terra, 12% na acidificação, 38,5% na dependência de água, 13,3% na demanda energética, 21% na eutrofização de água doce e 9% nas mudanças climáticas em relação ao monocultivo de tambaqui.

O experimento foi realizado em viveiros de 600 metros quadrados, com insumos e densidades semelhantes aos utilizados comercialmente. Os alevinos das duas espécies foram inseridos simultaneamente, em proporções equivalentes. A partir dos dados de campo, os pesquisadores avançaram com análises detalhadas do ciclo de vida, incluindo todos os custos envolvidos na produção.

Para Lima, os resultados mostram que os cultivos integrados representam o futuro da aquicultura brasileira. Outras combinações, como tilápia com camarão-gigante-da-malásia, já são testadas no Paraná e no Sudeste. Em algumas regiões, a água de piscicultura também vem sendo aproveitada para irrigação, unindo cadeias em modelos circulares de produção.

A pesquisadora lembra que o tambaqui, segunda espécie nativa mais produzida no Brasil, aproveita apenas de 30% a 40% do nitrogênio e fósforo inseridos na alimentação. O restante se perde. A inclusão do curimba transforma parte desse resíduo em proteína comercializável. “Avançamos um passo importante no estudo do cultivo integrado. Quanto maior a diversidade de espécies, desde que compatível com o tambaqui, maior a eficiência do sistema”, afirma.

Mesmo com os avanços, Lima destaca que ainda há desafios científicos e técnicos a serem explorados. Estudos futuros devem avaliar impactos de sistemas com mais espécies, potencial de irrigação com água de piscicultura e novos arranjos produtivos. “Há um longo caminho pela frente”, conclui.

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Trigo deve manter preços pressionados no curto prazo



Apesar do viés negativo, alguns fatores podem limitar quedas


Apesar do viés negativo, alguns fatores podem limitar quedas
Apesar do viés negativo, alguns fatores podem limitar quedas – Foto: Seane Lennon

O mercado internacional de trigo apresenta um cenário de preços pressionados no curto prazo, refletindo principalmente a ampla disponibilidade do cereal no cenário global. Para os próximos 30 dias, a expectativa aponta para um movimento de preços lateral a levemente baixista, com eventuais repiques técnicos, em um ambiente marcado pela predominância dos fatores de oferta sobre a demanda.

Segundo a TF Agroeconômica, a análise do contrato de trigo com vencimento em março de 2026 na CBOT indica que as cotações seguem próximas das mínimas recentes, girando entre 529 e 534 centavos de dólar por bushel. O comportamento recente mostra pressão vendedora e dificuldade de recuperação mais consistente, reforçada pelo fechamento fraco observado nas últimas sessões e pela ausência de força direcional clara no mercado.

Entre os principais fatores de baixa estão as revisões positivas das estimativas de produção em grandes países exportadores. A safra argentina foi elevada para cerca de 27,7 milhões de toneladas, nível considerado recorde ou muito acima da média, somando-se aos volumes elevados registrados na Austrália e na Rússia. Relatórios internacionais também apontam estoques globais elevados, conforme indicado pelo USDA, enquanto a maior competitividade do trigo argentino pressiona as exportações de outros fornecedores. No Brasil, a Conab revisou a produção para 7,96 milhões de toneladas, reduzindo a necessidade de importações e contribuindo para aliviar os preços internos, com reflexos no mercado internacional.

Apesar do viés negativo, alguns fatores podem limitar quedas mais acentuadas. As exportações americanas seguem positivas, indicando demanda consistente nos Estados Unidos, enquanto questões geopolíticas, especialmente na região do Mar Negro, podem gerar volatilidade pontual. O dólar mais fraco frente ao euro atua como suporte técnico moderado, mas insuficiente para reverter o quadro de oferta abundante. Nesse contexto, a expectativa é de negociação entre 520 e 550 centavos por bushel, com movimentos mais fortes dependendo de revisões adicionais de oferta, surpresas na demanda ou eventos climáticos e geopolíticos inesperados.

 





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Preços do milho caem após compras antecipadas e oferta elevada



Cenário para o milho no curto prazo tende a ser de preços mais baixos



Foto: Divulgação

Os preços do milho passaram por uma queda ao longo da última semana, após iniciarem o período em patamares mais elevados, conforme aponta levantamento do Cepea. Segundo dados divulgados pelo Centro de Pesquisas, o enfraquecimento da demanda interna foi o principal fator responsável pelos recuos nos preços, já que parte dos consumidores optou por compras antecipadas. Com isso, muitos se afastaram das negociações no mercado spot, o que gerou um alívio temporário nos valores.

Além disso, as estimativas para a safra brasileira de milho 2025/26 seguem indicando uma oferta nacional elevada, o que também colaborou para reforçar a pressão sobre os preços domésticos. A expectativa de uma safra grande para o próximo ciclo deixou os vendedores em uma posição mais retraída nas negociações, aguardando uma possível recuperação nos preços em 2026. A perspectiva é de que, após o recesso de fim de ano, o retorno dos compradores traga novos estímulos para o mercado.

No campo, o cenário se mostra mais favorável para os agricultores. A volta das chuvas em importantes regiões produtoras foi recebida com alívio pelos produtores, que estavam apreensivos quanto aos impactos das condições climáticas sobre o desenvolvimento das lavouras de verão e sobre a semeadura da segunda safra. Com a chegada das precipitações, as expectativas de uma boa colheita aumentaram, o que pode refletir positivamente no fornecimento de milho nos próximos meses.

Em relação à safra 2025/26, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) divulgou recentemente um relatório no qual estima uma produção de 138,87 milhões de toneladas de milho no Brasil. Embora essa projeção represente uma leve queda de 1,5% em comparação à temporada anterior, ela ainda representa a segunda maior produção de milho da história da Companhia, que iniciou suas medições em 1976.

Com o aumento da oferta esperada e a retração dos consumidores no mercado interno, o cenário para o milho no curto prazo tende a ser de preços mais baixos. O movimento de espera por uma reação nos preços no começo de 2026, conforme especulado por muitos vendedores, está diretamente ligado à expectativa de recuperação na demanda. A volta do consumo de milho, principalmente no setor industrial e para a ração animal, pode ser um ponto de virada para o mercado.

 





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Confira como está o mercado do milho



O mercado catarinense de milho segue sem reação


O mercado catarinense de milho segue sem reação
O mercado catarinense de milho segue sem reação – Foto: Divulgação

O mercado de milho no Rio Grande do Sul segue pouco dinâmico, segundo informações da TF Agroeconômica. “A demanda doméstica segue moderada e muito seletiva, e as exportações avançam de forma tímida, o custo logístico e os gargalos de armazenagem continuam limitando o escoamento.As referências variam entre R$ 58,00 e R$ 75,00/saca, enquanto a média estadual recuou para R$ 62,17 (-0,81%). A falta de estímulos mantém o spot com liquidez reduzida”, comenta.

O mercado catarinense de milho segue sem reação, ainda marcado pelo forte descompasso entre pedidas e ofertas. “Produtores mantêm indicações próximas de R$ 80,00/saca, enquanto as indústrias seguem ofertando em torno de R$ 70,00/saca, o que impede avanços nas negociações. No Planalto Norte, os poucos negócios registrados variam entre R$ 71,00 e R$ 75,00/saca, mas a falta de consenso continua bloqueando a liquidez”, completa.

O mercado de milho no Paraná segue com poucas negociações. “Produtores continuam buscando cerca de R$ 75,00/saca, enquanto as indústrias indicam interesse próximo de R$ 70,00/saca CIF, o que sustenta o impasse e impede avanços mais consistentes nas negociações”, indica a consultoria.

Cotações desiguais no estado do Mato Grosso do Sul e bioenergia como foco. “O mercado de milho no Mato Grosso do Sul continua com liquidez limitada, mas várias regiões registraram novas altas, com cotações agora entre R$ 52,00 e R$ 57,00/saca. O setor de bioenergia segue dando sustentação às cotações, com usinas absorvendo boa parte da oferta disponível e reforço adicional do biogás e biometano na demanda estadual”, conclui.

 





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Após 17 anos, Plano Clima é aprovado e fixa caminho para cumprir Acordo de Paris


Plano Clima; floresta
Foto: Pixabay

O Plano Clima foi aprovado nesta segunda-feira (15) pelo Comitê Interministerial sobre Mudança do Clima (CIM), principal instância de governança climática do país.

O documento funciona como o guia de implementação da meta climática brasileira no âmbito do Acordo de Paris, conhecida como Contribuição Nacionalmente Determinada (NDC). Pelo compromisso assumido, o Brasil pretende reduzir entre 59% e 67% das emissões líquidas de gases de efeito estufa até 2035, em comparação com os níveis registrados em 2005.

A nova versão do Plano Clima preenche uma lacuna de dez anos desde a adoção do Acordo de Paris e de 17 anos em relação à primeira edição, lançada em 2008.

Resultado de mais de dois anos de intensa articulação intersetorial, o plano evidencia a transversalidade da agenda climática. Nesta segunda-feira, foram validadas as Estratégias Nacionais de Mitigação (ENM) e Adaptação (ENA), além dos planos setoriais e temáticos vinculados a cada eixo. Ao todo, são oito planos de mitigação, voltados à redução de emissões, e 16 planos de adaptação.

A resolução com a decisão do CIM será publicada nos próximos dias no Diário Oficial da União. Pela primeira vez, o Brasil também encaminhará o Plano Nacional de Adaptação à Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC), na forma do Sumário Executivo do Plano Clima Adaptação e da Estratégia Nacional de Adaptação (ENA).

A ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, destacou que o documento “é um plano com a cara do Brasil”. Segundo ela, o país passa a contar com um roteiro orientador que permitirá a atuação conjunta do governo federal, estados, municípios, setor privado, sociedade civil e academia em prol de um desenvolvimento sustentável, inclusivo e resiliente, capaz de inserir o Brasil de forma competitiva na nova economia, gerando oportunidades para toda a população.

Como instrumento de implementação, o plano consolida os objetivos da NDC brasileira e estabelece metas de redução de emissões para oito setores:

  • Agricultura e pecuária;
  • Mudanças do uso da terra em áreas públicas e territórios coletivos (unidades de conservação, terras indígenas, assentamentos, áreas quilombolas e vazios fundiários);
  • Mudanças do uso da terra em áreas rurais privadas;
  • Energia;
  • Indústria;
  • Transportes;
  • Cidades;
  • Resíduos sólidos e efluentes domésticos.

Meta de redução de emissões

Plano Clima
Foto: divulgação/Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima

A meta do país é reduzir as emissões de 2,04 bilhões de toneladas de CO₂ equivalente, registradas em 2022, para 1,2 bilhão de toneladas em 2030. Para 2035, o objetivo é alcançar uma faixa entre 850 milhões de toneladas, o que representa redução de 58% em relação a 2022, e 1,05 bilhão de toneladas, equivalente a queda de 49% no mesmo período.

Elaborado com contribuições de diversos setores dentro e fora do governo e apoiado por amplos mecanismos de participação social, o Plano Clima tem como objetivo colocar o Brasil na trajetória de se tornar um país resiliente, sustentável, seguro, justo e desenvolvido, com governos, sociedade civil e comunidade científica engajados frente à emergência climática.

Assim, o objetivo geral do plano é orientar, promover e catalisar ações coordenadas para a transição a uma economia de emissões líquidas zero até 2050, além de promover a adaptação dos sistemas humanos e naturais, à luz do desenvolvimento sustentável e da justiça climática.

Segundo o governo federal, entre os principais resultados do Plano Clima está seu caráter democrático. “Ao propor soluções eficazes para a emergência climática, o documento distribui responsabilidades ambientais de forma equilibrada, rumo à neutralidade climática em 2050, ao mesmo tempo em que projeta um cenário de crescimento sustentável para todos os setores econômicos”, diz, em nota.

Soluções equitativas

O plano também reconhece que os impactos da mudança do clima atingem de forma desigual a população, penalizando especialmente os grupos socialmente mais vulnerabilizados. Por isso, busca assegurar que as soluções propostas sejam justas e equitativas, com proteção aos direitos humanos e promoção da inclusão social.

Esse compromisso coletivo com a transição para uma economia de baixo carbono no curto prazo e de emissões líquidas zero em pouco mais de duas décadas orienta toda a estrutura do Plano Clima, conduzida pelo princípio da justiça climática e pela contribuição de toda a sociedade.

Dividido em dois eixos principais — mitigação e adaptação —, e apoiado por estratégias transversais, o Plano Clima começou a ser elaborado em setembro de 2023.

As metas dos oito planos setoriais da Estratégia Nacional de Mitigação foram definidas em articulação com os ministérios responsáveis, com o objetivo de viabilizar a redução das emissões sem comprometer o ritmo de desenvolvimento econômico necessário ao bem-estar da população brasileira.

No eixo da adaptação, o plano estabelece parâmetros e ações para tornar a sociedade mais resiliente aos efeitos das mudanças climáticas. São 16 planos setoriais e temáticos, que abrangem áreas como saúde pública, turismo, agricultura familiar, gestão de riscos e desastres, combate ao racismo e valorização das culturas tradicionais:

  • Agricultura e pecuária
  • Biodiversidade
  • Cidades
  • Redução e gestão de riscos e desastres
  • Indústria e mineração
  • Energia
  • Transportes
  • Igualdade racial e combate ao racismo
  • Povos e comunidades tradicionais
  • Povos indígenas
  • Recursos hídricos
  • Saúde
  • Segurança alimentar e nutricional
  • Oceano e zona costeira
  • Turismo
  • Agricultura familiar

As medidas de adaptação seguem os princípios da justiça climática e buscam minimizar os impactos de eventos extremos sobre as populações mais vulneráveis. Ao todo, foram definidas 312 metas setoriais, que serão implementadas por meio de mais de 800 ações voltadas à redução dos impactos climáticos.

As Estratégias Transversais para Ação Climática formam o terceiro e último eixo do Plano Clima. Ainda em consulta pública, elas incorporam temas que atravessam mitigação e adaptação, como transição justa e justiça climática; meios de implementação; educação, capacitação, pesquisa, desenvolvimento e inovação; monitoramento, gestão, avaliação e transparência; e a agenda de mulheres e clima.

O objetivo é que o governo continue aprimorando o Plano Clima por meio de avaliações bianuais e revisões sistemáticas a cada quatro anos, inclusive nos critérios de alocação de emissões e remoções de carbono e em seus mecanismos de monitoramento.

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Brasil passará a exportar novos produtos do agro para 7 países


frutas desidratadas abertura de mercado
Foto: Divulgação

A União Econômica Euroasiática, o Japão e a Nicarágua são os novos alvos das exportações de produtos agropecuários brasileiros, anunciou o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) nesta segunda-feira (15).

Para o bloco, composto de Armênia, Belarus, Cazaquistão, Quirguistão e Rússia, as autoridades fitossanitárias aprovaram o embarque de castanha de baru. A oleaginosa é nativa do Cerrado, utilizado pela população regional como fonte de renda e tem amplo potencial de uso alimentar, com polpa e amêndoa comestíveis.

As nações da União Econômica Euroasiática reunem mais de 183 milhões de habitantes. Em 2024, importaram mais de US$ 1,4 bilhão em produtos agropecuários brasileiros, com destaque para soja, carnes e café.

Frutas para o Japão

Para o Japão, o Brasil recebeu a permissão de exportar frutas congeladas e também desidratadas. “A abertura em especial, amplia oportunidades para itens processados de maior valor agregado, em um mercado onde a demanda por frutas processadas, incluindo congeladas, vem crescendo e atende tanto ao varejo quanto à indústria de alimentos”, diz o Mapa, em nota.

O país asiático, com cerca de 124 milhões de habitantes, importou mais de US$ 3 bilhões em produtos agropecuários brasileiros em 2024.

A Nicarágua, por fim, autorizou a exportação de arroz beneficiado do Brasil. Com cerca de 6,9 milhões de habitantes, o país importou entre janeiro e novembro deste ano cerca de US$ 55 milhões em produtos agropecuários do Brasil, 8,5% a mais do que em 2024.

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Piai deixa Secretaria de Agricultura de SP com legado de 5 mil propriedades regularizadas


Guilherme Piai, Plano Safra
Foto: Reprodução/Redes Sociais

O governador Tarcísio de Freitas nomeou Geraldo Melo Filho como novo secretário de Agricultura e Abastecimento de São Paulo. Ele substitui Guilherme Piai, que deixa o cargo após dois anos para se candidatar a deputado federal em 2026.

Em evento de despedida no Palácio do Planalto, Piai fez um balanço das conquistas da pasta, como a entrega de títulos de regularização fundiária a 5 mil propriedades desde 2023 de um total de 7 mil assentados no estado, o que equivale a cerca de 200 mil hectares.

O novo secretário é ex-presidente do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra). Economista, Mello Filho possui extensa trajetória no serviço público, com atuação nas esferas estadual e federal.

Além do comando do Incra, presidiu o Conselho Fiscal da Administração dos Portos de Paranaguá e Antonina (Appa), foi superintendente do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar) e ocupou funções consideradas estratégicas na Confederação Nacional da Indústria e na Confederação Nacional da Agricultura (CNA).

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Preços registram movimentos distintos dentre as regiões



As cotações do feijão seguem registrando oscilações


Foto: Canva

As cotações do feijão seguem registrando oscilações distintas dentre regiões acompanhadas pelo Cepea. Enquanto o valor do carioca de melhor qualidade vem sendo mais pressionado, os de notas 8,0 e 8,5 encontram sustentação vinda da maior demanda por lotes sem defeitos.

No campo, os baixos preços do feijão e as condições climáticas desfavoráveis em algumas regiões desestimularam os produtores a cultivar o grão de primeira safra, levando a Conab a revisar para baixo suas estimativas de área e de oferta. Agora, a oferta agregada da temporada 2025/26 (considerando primeira, segunda e terceira safras), a ser colhida em 2026, é apontada em 3 milhões de toneladas, sendo 2,3% abaixo da estimada no relatório anterior e 1,8% inferior à da temporada 2024/25. 





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STF tem dois votos contra marco temporal de terras indígenas


STF
Foto: Marcello Casal Jr./ Agência Brasil

O Supremo Tribunal Federal (STF) registrou nesta segunda-feira (15) dois votos pela inconstitucionalidade do marco temporal para demarcação de terras indígenas.

Os votos foram proferidos pelos ministros Gilmar Mendes, relator, e Flavio Dino, durante sessão do plenário virtual da Corte que julga quatro processos sobre a questão.

Em sua manifestação, Mendes considerou o marco temporal inconstitucional. No entendimento do ministro, o Legislativo não pode reduzir direitos assegurados aos povos indígenas.

“A imposição do marco temporal implicaria restrição indevida ao princípio da vedação ao retrocesso e à proteção insuficiente dos direitos fundamentais”, afirmou.

O ministro também determinou que todas as demarcações de terras indígenas devem ser concluídas no prazo de dez anos.

Flávio Dino acompanhou o relator e disse que a proteção constitucional aos indígenas independe da existência de um marco temporal.

“Qualquer tentativa de condicionar a demarcação de terras indígenas à data da promulgação da Constituição de 1988 afronta o texto constitucional e a jurisprudência consolidada pelo Supremo Tribunal Federal”, completou.

A votação ficará aberta até quinta-feira (18), às 23h59. Faltam oito votos.

Julgamento do tema

Dois anos após a Corte declarar o marco inconstitucional, os ministros voltaram a analisar o tema. Em 2023, o STF considerou que o marco temporal é inconstitucional.

Além disso, o marco também foi barrado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que vetou parte da Lei 14.701/2023 , na qual o Congresso validou a regra. Contudo, os parlamentares derrubaram o veto de Lula.

Dessa forma, voltou a prevalecer o entendimento de que os indígenas somente têm direito às terras que estavam em sua posse no dia 5 de outubro de 1988, data da promulgação da Constituição Federal, ou que estavam em disputa judicial na época.

Após a votação do veto presidencial, o PL, o PP e o Republicanos protocolaram no STF ações para manter a validade do projeto de lei que reconheceu a tese do marco temporal.

Por outro lado, entidades que representam os indígenas e partidos governistas também recorreram ao Supremo para contestar novamente a constitucionalidade da tese.

Em paralelo ao julgamento do Supremo, o Senado aprovou na semana passada a proposta de Emenda à Constituição (PEC) 48/23 que insere a tese do marco temporal na Carta Magna.

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