quarta-feira, março 11, 2026

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Chuvas podem ultrapassar 200 mm em duas regiões do país até o fim da semana, alerta Inmet


Imagem gerada por IA para o Canal Rural

Até a próxima segunda-feira (16), chuvas intensas devem atingir áreas do Sudeste, Centro-Oeste e da Amazônia Legal, segundo previsão do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet).
Os maiores acumulados de precipitação estão previstos para o norte do estado de São Paulo, Triângulo Mineiro, sul de Goiás e norte de Mato Grosso do Sul, além de áreas da Amazônia.
Em algumas localidades do Sudeste, os volumes podem ultrapassar 200 milímetros ao longo da semana.

Enquanto isso, o centro-norte do Brasil deve registrar temperaturas elevadas, especialmente no interior da região Nordeste. Em contraste, a passagem de uma frente fria pela costa do Sul e do Sudeste deve provocar queda nas temperaturas, principalmente nas máximas.

Norte terá chuva persistente

Na região Norte, os maiores volumes de chuva devem ocorrer no centro-leste do Amapá, leste e nordeste do Pará e centro-oeste do Amazonas.

Nessas áreas, os acumulados podem superar 80 mm e chegar a mais de 150 mm em pontos isolados.

As precipitações tendem a ser mais persistentes no Amapá e no oeste do Amazonas. Já no leste de Roraima e no extremo noroeste do Pará, a tendência é de chuvas mais fracas e isoladas.

Nordeste tem chuva no norte da região

No Nordeste, os maiores acumulados são esperados no centro-norte do Maranhão e no noroeste do Piauí, com volumes próximos de 80 mm, podendo chegar a 150 mm em áreas isoladas do Maranhão.

No litoral e sul do Ceará, os acumulados devem variar entre 50 e 80 mm.

Já no oeste e sudeste da Bahia, os volumes previstos ficam entre 20 e 50 mm, enquanto nas demais áreas da região as chuvas devem ser fracas ou pouco significativas.

Centro-Oeste terá pancadas mais concentradas

No Centro-Oeste, as precipitações devem se concentrar no centro-norte de Mato Grosso e de Mato Grosso do Sul, além do centro-sul de Goiás.

Nessas áreas, os acumulados podem chegar a 80 mm, com possibilidade de mais de 150 mm em pontos isolados.

Por outro lado, no leste de Goiás, Pantanal mato-grossense e sul de Mato Grosso do Sul, a previsão indica chuvas fracas e baixos acumulados.

Sudeste terá maiores volumes da semana

O Sudeste deve registrar os maiores acumulados de chuva do país ao longo da semana.

Segundo o Inmet, os volumes podem ultrapassar 200 mm no norte de São Paulo e no Triângulo Mineiro. No leste de São Paulo e no sul e leste de Minas Gerais, os acumulados podem chegar a 100 mm.

Já no norte de Minas Gerais, as chuvas devem ser fracas, com volumes que não devem ultrapassar 10 mm.

Sul terá chuva mais fraca

Na Região Sul, a tendência é de chuvas fracas e baixos acumulados na maior parte da região.

Volumes um pouco mais elevados podem ocorrer no nordeste e no litoral do Paraná, além do sudeste e noroeste do Rio Grande do Sul e do leste de Santa Catarina.

Nessas áreas, os acumulados devem superar 30 mm, podendo chegar a 60 mm no nordeste do Paraná.

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CNA pede redução temporária de impostos sobre diesel para aliviar custos do agro


ipca-15 de agosto - combustíveis - licia rubinstein - agência ibge notícias
Foto: Licia Rubinstein/Agência IBGE Notícias

A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) solicitou ao Ministério da Fazenda e ao Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz) a redução imediata e temporária das alíquotas de tributos federais e estaduais que incidem sobre o óleo diesel.

O pedido foi formalizado na terça-feira (10) e ocorre em meio à elevação dos preços do petróleo e de seus derivados no mercado internacional, cenário que tem pressionado os custos de produção no Brasil.

Segundo a entidade, o momento é especialmente sensível para o setor agropecuário, já que coincide com o período de plantio e colheita da segunda safra, quando o consumo de combustível tende a aumentar nas operações de campo e no transporte da produção.

“O momento é particularmente sensível para o setor agropecuário, marcado pelo plantio e pela colheita da segunda safra, período em que o custo do combustível tem efeito direto sobre as despesas de produção e sobre a atividade econômica”, afirmou o presidente da CNA, João Martins.

Tributos federais representam cerca de 10,5% do preço do diesel

Em ofício encaminhado ao ministro da Fazenda, Fernando Haddad, a CNA cita os tributos federais que incidem sobre o combustível: PIS, Pasep e Cofins.

De acordo com a entidade, esses impostos representam cerca de 10,5% do valor do diesel comercializado no país.

A CNA argumenta que uma redução temporária dessas alíquotas poderia ajudar a amenizar os impactos da alta internacional do petróleo sobre a economia brasileira.

Impostos estaduais elevam carga tributária

Em outro documento, enviado ao presidente da Comissão Técnica Permanente do ICMS (Cotepe/ICMS), Carlos Henrique de Azevedo Oliveira, a confederação destacou o peso dos tributos estaduais sobre o combustível.

Segundo a entidade, os impostos estaduais acrescentam, em média, 38,4% ao preço final do diesel, sendo o ICMS um dos principais componentes dessa carga tributária.

A Cotepe/ICMS é vinculada ao Confaz, órgão que reúne as secretarias de Fazenda dos 26 estados e do Distrito Federal.

Impacto pode chegar aos preços dos alimentos

Na avaliação da CNA, a redução temporária da carga tributária sobre o diesel pode gerar efeitos positivos para toda a economia.

A entidade argumenta que a medida ajudaria a reduzir custos de produção agropecuária, aliviar pressões inflacionárias e contribuir para moderar os preços dos alimentos ao consumidor.

Além disso, segundo o presidente da CNA, a iniciativa poderia favorecer um ambiente macroeconômico mais estável, com reflexos positivos para a trajetória de queda da taxa básica de juros (Selic).

Ao final do documento, João Martins afirmou que a confederação está à disposição do governo para colaborar com propostas que ajudem a reduzir custos logísticos e produtivos associados aos recentes conflitos geopolíticos que impactam a economia brasileira.

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Exportações de carne de frango do Brasil devem subir quase 4% em 2026, aponta USDA


Paraná, frango
Foto: Agência Brasil

A produção brasileira de carne de frango deve alcançar 15,7 milhões de toneladas em 2026, segundo estimativa de adidos do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA). O volume representa crescimento em relação a 2025, quando a produção foi estimada em 15,45 milhões de toneladas.

De acordo com o relatório, o avanço da produção acompanha a expansão da demanda internacional pela proteína brasileira.

As exportações de carne de frango do Brasil também devem crescer. A expectativa é de que os embarques atinjam 5,15 milhões de toneladas em 2026, acima das 4,97 milhões de toneladas registradas no ano passado.

No mercado interno, o consumo também deve apresentar leve aumento. A previsão é que o consumo total de carne de frango no país alcance 10,555 milhões de toneladas em 2026, frente às 10,485 milhões de toneladas demandadas em 2025.

As projeções fazem parte de levantamento elaborado por adidos agrícolas do USDA, que acompanham o desempenho da produção e do comércio internacional de proteínas.

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Fungo silencioso pode destruir a produção de alface



Algumas práticas de manejo são consideradas fundamentais


Algumas práticas de manejo são consideradas fundamentais
Algumas práticas de manejo são consideradas fundamentais – Foto: Divulgação

O Fusarium é uma das doenças de solo que mais preocupam produtores de alface. O fungo pode comprometer o desenvolvimento das plantas ao afetar diretamente o sistema de transporte interno de água e nutrientes, provocando sintomas que reduzem o vigor da lavoura e, em situações mais severos, levam à perda total da produção.

O agente causador é o Fusarium oxysporum f. sp. lactucae. Ele atua obstruindo o xilema da planta, estrutura responsável por conduzir água e sais minerais das raízes para as demais partes. Com essa obstrução, o fluxo de nutrientes é prejudicado e a planta passa a apresentar sintomas como murcha, amarelecimento das folhas e redução do crescimento, o que afeta diretamente a produtividade das lavouras.

Para reduzir os prejuízos causados pela doença, algumas práticas de manejo são consideradas fundamentais no sistema de produção. Entre elas estão o manejo adequado do solo, a utilização de mudas certificadas e a escolha de variedades com alta tolerância ao patógeno.

Segundo Luciano Faria, gerente de desenvolvimento de produtos da East-West Seed, o uso de materiais genéticos tolerantes é uma das estratégias mais eficazes para mitigar o problema no campo. Ele destaca a variedade Renata, que recebeu por meio do melhoramento genético um gene associado à alta tolerância ao Fusarium.

Testes realizados em regiões com elevada incidência do fungo, como a região serrana do Rio de Janeiro, confirmaram o desempenho da cultivar diante da doença. Além da tolerância, a variedade apresenta uniformidade, plantas grandes e folhas firmes, características importantes para o segmento de alface crespa e para o desempenho no pós-colheita.

De acordo com a empresa, o material também apresenta tolerância ao pendoamento precoce e à queima de bordas. A cultivar mantém bom desempenho em condições típicas do verão, com altas temperaturas e elevada umidade, período considerado mais crítico para a produção. O cultivo pode ser realizado durante todo o ano tanto em solo quanto em sistemas hidropônicos.

 





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Conflito no Oriente Médio leva governo a reforçar vigilância sobre mercado de combustíveis


Foto: Pixabay.
Foto: Pixabay.

O Ministério de Minas e Energia (MME) criou uma Sala de Monitoramento do Abastecimento, que vai acompanhar, diariamente, as condições do mercado nacional e internacional de combustíveis em articulação com órgãos reguladores e com os principais agentes do setor nos elos de fornecimento primário e distribuição.

Segundo o governo, a iniciativa intensifica o monitoramento das cadeias de suprimento globais de derivados de petróleo, da logística nacional do abastecimento de combustíveis e dos preços dos principais produtos, em razão do Conflito no Oriente Médio, maior região exportadora de petróleo do mundo, com cerca de 60% das reservas globais.

“A pasta também ampliou, nos últimos dias, as interlocuções junto à Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) e a agentes de preços e de mercado que atuam na produção, na importação e na distribuição de combustíveis no país”, diz nota do ministério.

O objetivo é identificar rapidamente eventuais riscos ao abastecimento e coordenar as medidas necessárias para preservar a segurança energética e a normalidade do fornecimento de combustíveis no país, em linha com medidas já adotadas pelo MME em situações geopolíticas semelhantes.

Até o momento, apesar do cenário de instabilidade, a exposição direta do Brasil ao conflito é considerada limitada. O país é exportador de petróleo bruto e importa parte dos derivados consumidos internamente, sobretudo diesel, mas a participação de países do Golfo Pérsico como fornecedores de derivados de petróleo é relativamente pequena.

Aumento nas distribuidoras

A Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon), do Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), enviou um ofício ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) solicitando a análise de recentes aumentos nos preços dos combustíveis registrados em quatro estados e no Distrito Federal.

O pedido foi encaminhado após declarações públicas de representantes de sindicatos (Sindicombustíveis-DF, Sindicombustíveis Bahia, Sindipostos-RN, Minaspetro-MG e Sulpetro-RS) informarem que distribuidoras elevaram os preços de venda para os postos sob a justificativa de alta no preço internacional do petróleo, associada ao conflito no Oriente Médio.

Até o momento, porém, a Petrobras não anunciou aumento nos preços praticados em suas refinarias.

“Diante desse cenário, a Senacon solicitou que o Cade avalie a existência de possíveis indícios de práticas que possam prejudicar a livre concorrência no mercado, e que podem indicar tentativa de influência à adoção de conduta comercial uniforme ou combinada entre concorrentes”, completa o MME.

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Quarta-feira com chuva forte e risco de temporais em boa parte do país; veja a previsão do tempo


Foto: Governo de São Paulo

A atuação de sistemas atmosféricos mantém o tempo instável em várias regiões do Brasil nesta quarta-feira. A combinação de cavados em médios níveis da atmosfera, áreas de baixa pressão, circulação marítima e grande disponibilidade de umidade favorece a formação de nuvens carregadas e pancadas de chuva em diferentes estados.

Sul

Na região Sul, a instabilidade é provocada principalmente por um cavado em médios níveis da atmosfera associado a uma área de baixa pressão sobre o Paraguai.

Desde o início do dia, áreas de instabilidade provocam chuva moderada a forte no norte e nordeste do Paraná. Ao mesmo tempo, a circulação marítima mantém precipitação mais fraca ao longo do litoral da região.

Durante a manhã, há possibilidade de chuva também no sudeste do Rio Grande do Sul e na Região Metropolitana de Porto Alegre, com momentos de intensidade moderada a forte.

Ao longo do dia, as instabilidades ganham força no norte e centro-leste do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, além da metade norte gaúcha.

Há risco de temporais isolados, principalmente em:

  • litoral e leste do Paraná
  • litoral norte de Santa Catarina
  • litoral médio e sul do Rio Grande do Sul

Em áreas da Campanha Gaúcha, oeste catarinense e regiões centrais do Paraná, a chuva ocorre de forma mais fraca e irregular.

As temperaturas sobem mais durante a tarde em grande parte do Rio Grande do Sul e no oeste de Santa Catarina e do Paraná. Já nas áreas litorâneas e de serra, o tempo permanece mais ameno.

Rajadas de vento entre 40 e 50 km/h podem ocorrer no sul e na serra gaúcha, além do litoral e interior de Santa Catarina e do sul do Paraná. O mar permanece agitado ao longo da costa.

Sudeste

No Sudeste, a circulação marítima influencia as condições de tempo desde o começo do dia, principalmente no litoral de São Paulo.

Durante a manhã, há previsão de chuva em grande parte do estado paulista, com destaque para:

  • norte e noroeste de São Paulo
  • sul e interior paulista
  • Triângulo Mineiro
  • áreas do Rio de Janeiro e do litoral do Espírito Santo

A atuação de cavados de onda curta, combinada com a confluência de ventos e elevada umidade, intensifica as instabilidades ao longo do dia.

As pancadas se tornam moderadas a fortes em São Paulo e em grande parte de Minas Gerais, com risco de temporais na metade leste e no centro-norte paulista.

Também há previsão de chuva forte no sul e litoral de São Paulo e no centro-sul de Minas Gerais, incluindo o Triângulo Mineiro.

No litoral norte de São Paulo, próximo à divisa com o Rio de Janeiro, há alerta para acumulados elevados de chuva, o que aumenta o risco de transtornos.

No Rio de Janeiro e no Espírito Santo, as pancadas também podem ocorrer com intensidade moderada a forte, especialmente na metade sul e no noroeste fluminense.

Devido à influência de uma massa de ar frio, as temperaturas permanecem mais amenas em São Paulo, centro-sul do Rio de Janeiro e parte de Minas Gerais.

Centro-Oeste

No Centro-Oeste, o tempo segue instável devido à combinação de calor, umidade e à área de baixa pressão posicionada sobre o Paraguai.

As instabilidades atuam principalmente em:

  • norte e interior de Mato Grosso
  • leste e interior de Mato Grosso do Sul
  • leste e interior de Goiás

Ao longo do dia, o calor favorece a formação de pancadas moderadas a fortes, com risco de temporais no extremo norte de Mato Grosso e no sul de Goiás.

Em Mato Grosso do Sul, as instabilidades permanecem mais organizadas, especialmente no leste do estado, onde podem ocorrer temporais isolados.

Nordeste

No Nordeste, a Zona de Convergência Intertropical (ZCIT) mantém o tempo instável principalmente no litoral norte da região.

Desde cedo, há chuva moderada a forte no litoral do Maranhão, Piauí e Ceará.

Entre o fim da manhã e o início da tarde, as instabilidades se intensificam e podem provocar temporais em:

metade norte do Maranhão

norte do Piauí

norte do Ceará

A aproximação de uma frente fria pelo sul da Bahia também contribui para o aumento das instabilidades no estado, onde há previsão de pancadas moderadas a fortes no oeste, sul e litoral baiano, além da faixa litorânea de Sergipe.

Norte segue com pancadas fortes e sensação de abafamento

Na Região Norte, a Zona de Convergência Intertropical influencia o tempo no litoral do Pará e no Amapá. Além disso, a atuação de um Vórtice Ciclônico em Altos Níveis (VCAN) reforça as instabilidades.

A elevada umidade favorece pancadas de chuva no:

sul e oeste do Pará

Amazonas

Roraima

Acre

Rondônia

Ao longo do dia, as instabilidades ganham força e podem provocar temporais no Acre, oeste de Rondônia, grande parte do Amazonas e Roraima, além do leste e sudoeste do Pará e do norte do Tocantins.

Apesar da chuva, a sensação de calor e abafamento predomina em grande parte da região.

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Após disparada no preço, petróleo recua e bolsas se recuperam


PODCAST Diário Econômico

No morning call de hoje, a economista-chefe do PicPay, Ariane Benedito, comenta que a leitura mais construtiva sobre o conflito no Oriente Médio derrubou o petróleo, com o Brent caindo 11,2% a US$ 87,80 e o WTI recuando 11,9% a US$ 83,45. Em NY, bolsas fecharam mistas, com Nasdaq estável, Dow Jones em queda de 0,07% e S&P 500 recuando 0,21%.

No Brasil, o Ibovespa subiu 1,40% a 183 mil pontos, juros fecharam e o dólar caiu 0,13% a R$ 5,15. Hoje, atenção às vendas no varejo no Brasil e ao CPI dos EUA.

Ouça o Diário Econômico, o podcast do PicPay que traz tudo que você precisa saber sobre economia para começar o seu dia, com base nas principais notícias que impactam o mercado financeiro.

Para mais conteúdos de mercado financeiro, acesse: Bom Dia Mercado!

Ariane Benedito, apresentadora do podcast Diário Econômico
Foto: divulgação

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AgroNewsPolítica & Agro

Embrapa amplia portfólio de baixo carbono e lança programas para milho e sorgo


O lançamento dos programas Milho Baixo Carbono (MBC) e Sorgo Baixo Carbono (SgBC) pela Embrapa representa um marco para o fortalecimento da produção agropecuária sustentável no Brasil. As iniciativas oferecem alternativas concretas frente aos impactos das mudanças climáticas e ampliam as oportunidades de inserção competitiva do milho e do sorgo brasileiros em mercados cada vez mais exigentes em termos de sustentabilidade.

O propósito é desenvolver e validar protocolos de certificação para as marcas-conceito Milho Baixo Carbono e Sorgo Baixo Carbono, com base científica e alinhamento a padrões internacionais. Esses projetos são compostos por parâmetros que diferenciam e podem agregar valor ao milho e ao sorgo produzidos com uso de práticas e tecnologias sustentáveis.

O lançamento dos programas Milho Baixo Carbono e Sorgo Baixo Carbono acontecerá no dia 11 de março, data de comemoração do aniversário de 50 anos da Embrapa Milho e Sorgo (MG).

A abertura do edital público para seleção das instituições apoiadoras ocorrerá em agosto de 2026. Nesse intervalo, os pesquisadores da Embrapa Milho e Sorgo estarão à disposição para conversar e esclarecer pontos específicos das atividades.

Os trabalhos serão, essencialmente, construídos com base em critérios técnico-científicos para mensurar a intensidade das emissões de gases de efeito estufa (GEEs) por tonelada de grão produzida. “O cálculo será possível por meio da validação de diretrizes técnicas para o protocolo de certificação. Após a validação do protocolo, feita pela Embrapa com parcerias, poderá ocorrer a certificação, que será voluntária, privada e por terceiros, seguindo o sistema MRV (Medição, Relato e Verificação)” diz o pesquisador Arystides Resende Silva, da Embrapa Milho e Sorgo.

“Os editais dos programas Milho Baixo Carbono e Sorgo Baixo Carbono estimulam a adoção de sistemas produtivos mais resilientes e incentivam a transição para uma economia sustentável”, acrescenta o pesquisador Alexandre Ferreira da Silva.

“Nós sabemos que temos um grande desafio global pela frente, que são as mudanças climáticas. Nesse cenário, a Embrapa compreende que a descarbonização da produção agropecuária é um dos maiores desafios da agricultura brasileira”, diz Ferreira.

Atenta a essa necessidade, a Embrapa vem liderando o desenvolvimento de soluções  como a criação das marcas-conceitos Carne Baixo Carbono (CBC), Soja Baixo Carbono (SBC) e Trigo Baixo Carbono (TBC). Outros avanços compreendem a criação de ferramentas, calculadoras, para estimar a pegada de carbono por avaliação de ciclo de vida (ACV) de produtos agrícolas em sistemas de produção. As equipes responsáveis por essas iniciativas integram o desenvolvimento das marcas Milho Baixo Carbono (MBC) e Sorgo Baixo Carbono (SgBC), garantindo celeridade, padronização e assertividade às ações. Junto com a Embrapa Milho e Sorgo estão pesquisadores da Embrapa Meio Ambiente (SP) e da Embrapa Soja (PR).

As ações abrangerão duas fases. Na fase 1, que é a de desenvolvimento e inovação, o objetivo é desenvolver os protocolos Milho Baixo Carbono e Sorgo Baixo Carbono, e registrá-los no órgão competente, o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa).

Para esse fim, serão elaboradas diretrizes. “O objetivo é distinguir o milho e o sorgo que apresentam a maior eficiência produtiva por unidade de carbono emitida. Esse fator serve como incentivo à redução das emissões de gases de efeito estufa e não implica em prejuízo à produtividade da lavoura”, conta Resende.

A validação dessas diretrizes ocorrerá durante o ciclo produtivo de três anos em  unidades de observação, localidades a serem indicadas pelas instituições apoiadoras. “Cada área gerará as informações referentes a aporte de insumos e operações mecanizadas, além do balanço de carbono no solo, de forma a permitir o cálculo das emissões de gases de efeito estufa de todo o processo produtivo”, relata o pesquisador Ciro Augusto de Souza Magalhães.

Na segunda fase ocorrerá a implementação do selo de certificação no mercado por meio de certificadoras habilitadas, conforme modelo de exploração comercial a ser definido pela Embrapa.

Os programas Milho Baixo Carbono e Sorgo Baixo Carbono posicionam-se como marcas-conceito inovadoras por terem foco no produto e não na propriedade. Eles enfatizam o balanço das emissões e remoções de GEEs e a garantiar da redução das emissões, quantificada à luz do conhecimento científico.

Magalhães explica que os selos MBC e SgBC trarão um diferencial competitivo para os produtores e para os produtos derivados, atraindo consumidores cada vez mais exigentes em relação à origem e à sustentabilidade dos alimentos.

“A implementação bem-sucedida dessas iniciativas dependerá da definição de critérios claros e objetivos. Portanto, é imprescindível trabalhar com um sistema de certificação eficiente e acessível, viabilizar o engajamento de todos os atores da cadeia produtiva e fomentar o investimento em pesquisa e desenvolvimento e em comunicação”, acrescenta o pesquisador.

A chefe de Pesquisa e Desenvolvimento da Embrapa Milho e Sorgo, Cynthia Damasceno, observa que a adesão de instituições apoiadoras aos programas MBC e SgBC, por meio de parcerias público-privadas, é fundamental, pois permite a construção coletiva das diretrizes técnicas, garantindo que os protocolos sejam robustos e, ao mesmo tempo, aplicáveis à realidade do mercado.

“Essas parcerias são essenciais para a validação dos indicadores de sustentabilidade em condições reais de campo, seguindo o rigoroso sistema MRV. O engajamento do setor privado, por meio do edital de chamamento, viabilizará a execução das atividades e a entrega do protocolo validado. Juntos, ciência e mercado constroem um futuro mais sustentável e resiliente para a agricultura brasileira”, conclui Damasceno.





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AgroNewsPolítica & Agro

Pesquisa avalia algas brasileiras como bioestimulante em grãos sob estresse hídrico


Pesquisadores da Embrapa Agroenergia (DF) estudam o uso de algas marinhas da costa brasileira para desenvolver um bioestimulante capaz de aumentar a tolerância de culturas agrícolas ao déficit hídrico. Testes conduzidos em casa de vegetação com canola e trigo cultivados no Cerrado registraram incrementos de até 160% na formação de síliquas (vagens que abrigam as sementes da canola) e de até 12% no crescimento das raízes do trigo, características associadas à proteção da produtividade em condições de seca.

O projeto, batizado de Algoj (termo inspirado na palavra “alga” em esperanto), conta com a parceria da empresa CBKK e recursos da Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial (Embrapii).

Enquanto na canola o impacto aparece na formação das síliquas, estruturas que definem o potencial produtivo, no trigo o efeito está associado ao crescimento radicular, estratégia que pode proteger o desempenho da cultura sob estresse hídrico.

Esses experimentos ainda precisam ser realizados em condições de campo, uma vez que em casa de vegetação, a temperatura e a umidade relativa do ar são controladas. Mas os resultados já são promissores, na opinião das pesquisadoras Simone Mendonça e Patrícia Abrão, que lideram o projeto desde 2023.

O objetivo é desenvolver uma solução tecnológica eficiente e de qualidade com base em matéria-prima renovável, no caso as algas marinhas do Brasil. Além de poderem ser cultivadas em abundância em toda a costa do País, elas geram emprego e renda para pescadores brasileiros, configurando-se como alternativa de trabalho e renda financeira a partir de produtos da biodiversidade nacional. “É uma oportunidade para o produtor trabalhar com materiais da nossa biodiversidade e investir em ações que também contribuam para a adaptação às mudanças climáticas”, ressalta Mendonça.

Ao longo de dois anos de pesquisa, foram estudados quatro tipos de algas marinhas, das quais três foram selecionadas para a continuidade da pesquisa. O foco inicial foi na extração de metabólitos secundários, substâncias que potencializam comportamentos importantes no desenvolvimento e crescimento das culturas. “Os metabólitos secundários não são os componentes principais da planta, como os relacionados com proteína, lipídio e carboidrato. Eles existem em pequeníssimas quantidades, mas têm ação de sinalizadores químicos em outros organismos (plantas)”, explica a pesquisadora.

Chegar a esses metabólitos, chamados de fitormônios, não foi fácil. O primeiro desafio da pesquisa foi identificar métodos de extração que conseguissem retirar o máximo possível desses compostos das algas. De acordo com Mendonça, os primeiros estudos avaliaram o modo de secagem, pois, como as algas secam ao sol, era importante verificar se esse método destruía ou não os componentes. “Estudamos o perfil metabólico dessas algas e testamos de quatro a cinco formas diferentes de extração para cada alga. Fizemos várias tentativas para ver qual método melhor extrairia os metabólitos”, complementa.

“Foram selecionados quatro extratos a partir de testes com mudas de tomate”, conta a pesquisadora. Os primeiros experimentos aconteceram em casa de vegetação com a variedade de tomate grape (uva) BRS Zamir, uma cultivar da Embrapa, com todas as condições de nutrição e de água que a cultura exige. 

A pesquisa partiu então para experimentos com grãos de trigo e de canola, que são culturas em expansão no Cerrado para cultivo de inverno. O Cerrado é o segundo maior bioma brasileiro, cujo período de estiagem, de maio a setembro, tem se tornado cada vez mais seco nos últimos 30 anos. O trigo e a canola foram selecionados porque passam por grande período de estresse hídrico durante a longa estiagem típica do inverno. Esses ensaios identificaram dois extratos de algas com potencial para aplicação nessas culturas.

Na canola, o uso de uma das formulações desenvolvidas não apenas antecipou o florescimento, como garantiu bom desempenho sob restrição de água, enquanto plantas tratadas com um produto comercial de referência não mostraram ganhos significativos.

O pesquisador Agnaldo Chaves alerta que, apesar da alta porcentagem de incremento na produção de síliquas por planta no cultivo da canola, é preciso discernir que esse número foi atingido em condições controladas de temperatura e umidade relativa do ar em casa de vegetação.

Segundo ele, não haverá a mesma proporção em testes de campo com 400 mil plantas por hectare, mas sinaliza que existe grande potencial de replicar uma boa produtividade nas lavouras. “Se conseguirmos replicar de 5 a 10% dessa produtividade em campo, já seria um ótimo incremento”, destaca.

O pesquisador conta que, entre as formulações testadas, duas tiveram bom desempenho com a canola e uma com o trigo de sequeiro (sem irrigação). No caso do cereal, foram registrados crescimento de volume e comprimento da raiz entre 10 e 12%. “Nos dois casos, são efeitos benéficos que acreditamos serem replicáveis em condições de campo, fazendo com que as plantas suportem maiores períodos sem precipitação”, diz.

Com a canola, os testes foram de aproximadamente 100 dias, e a planta chegou até a fase reprodutiva. Já o ensaio do trigo alcançou a fase vegetativa.

Chaves enfatiza que os resultados obtidos em casa de vegetação estimularam a continuidade do projeto, seguindo para validação em condições experimentais no campo e, posteriormente, em áreas de produtores de diferentes regiões.

Além da eficácia biológica, a pesquisa superou outros gargalos, como o transporte e a conservação do bioinsumo. Como o transporte de extratos líquidos é caro e pode propiciar a degradação, os cientistas investiram no desenvolvimento de um extrato seco (pó molhável) através do processo de spray dryer.

“O desafio era evitar que o calor destruísse os fitormônios sensíveis das algas. Com o uso de adjuvantes específicos, conseguimos proteger os componentes de interesse durante a secagem do extrato e aumentar o rendimento do processo para até 80%, resultando em um produto final com apenas 1,5% de umidade, o que garante maior estabilidade e facilidade de transporte”, observa Mendonça.

Com o ciclo de laboratório e de casa de vegetação concluído em janeiro de 2026, o projeto busca agora a renovação da parceria para a realização de experimentos no campo, com o objetivo de estabelecer recomendações de dosagem e períodos de aplicação.

A pesquisadora explica que ainda há muitas questões a serem respondidas pela pesquisa. Ainda não há definição, por exemplo, se o melhor método é fazer a mistura de algas ou recomendar usos diferentes para cada uma delas. Outra questão é avaliar o comportamento do extrato em regiões que apresentam boa distribuição de chuvas e em locais onde a chuva é irregular ao longo do ciclo de produção. “Somente os testes em campo é que nos possibilitarão ter essas respostas”, explica.

Ela acredita no potencial das algas para oferecer uma recomendação pronta para o mercado, seja para regiões com pouca chuva ou como uma alternativa em caso de veranicos.





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AgroNewsPolítica & Agro

Zoneamento orienta crédito rural e políticas públicas


Do vinho gaúcho ao café amazônico e ao zoneamento do dendê, mapeamentos da Embrapa mostram como a ciência aplicada orienta decisões no campo e fundamenta políticas públicas. Em diferentes regiões do Brasil, dados sobre clima, solo e uso da terra antecipam riscos, fortalecem a produção e balizam crédito, seguro e investimentos, com impacto direto na expansão sustentável da agricultura.

A base técnica construída a partir desses levantamentos alimenta bancos de dados públicos, fundamenta zoneamentos e programas de regularização ambiental e orienta decisões que vão do crédito rural ao manejo de cultivos. Para além da geração de mapas, consolida-se como ferramenta de gestão territorial que ajuda o País a prever riscos climáticos, a definir o uso do solo e a conciliar produção e conservação.

Para a chefe de Pesquisa e Desenvolvimento da Embrapa Territorial (SP), Lucíola Magalhães, os mapeamentos e os zoneamentos são ferramentas cruciais para o desenvolvimento agropecuário. “Eles expressam, de forma mais simples e direta, a complexidade de diferentes fenômenos que ocorrem em um território, onde as políticas e ações acontecem. A capacidade de retratar um fenômeno ou de sintetizar dados de múltiplas dimensões (ambientais, sociais, agrícolas, econômicas, fundiárias e de infraestrutura) é vital para apoiar o desenvolvimento sustentável da agropecuária nacional. Traduz-se em melhor governança e em aprimoramento do planejamento e gestão do uso das terras, e fornece a base essencial para a formulação, execução e monitoramento de políticas públicas”, afirma.

À medida que essas informações se consolidam como instrumentos estratégicos de planejamento, cresce a demanda por dados territoriais. Governos, bancos, cooperativas e empresas têm recorrido a esse conhecimento para planejar políticas públicas, avaliar riscos e orientar investimentos. Nesse cenário, os mapeamentos da Embrapa ganham cada vez mais importância como referências técnicas para influenciar decisões econômicas e de gestão.

Esse movimento aparece com clareza no crédito e no seguro rural. Boa parte dos financiamentos do campo só é aprovada quando o plantio segue as indicações do Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc), ferramenta desenvolvida pela Embrapa. Em 2023, o custeio agrícola movimentou cerca de R$ 143,9 bilhões, segundo levantamento da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), e grande parte desse valor depende, direta ou indiretamente, do zoneamento.

Nesse contexto, o Zarc se tornou um elo entre produção, crédito e política agrícola. Lançada em 1996, inicialmente para o trigo, a ferramenta abrange atualmente mais de 40 culturas e orienta políticas de crédito e de seguro rural, influenciando milhares de produtores e dando suporte às principais decisões financeiras no campo.

Além disso, o Zarc tem impacto direto na pesquisa e na inovação. Ao identificar regiões sujeitas a excesso ou déficit hídrico, geadas ou temperaturas elevadas, direciona estudos para desenvolver cultivares adaptadas e práticas de manejo específicas. A ferramenta também subsidia modelos de simulação de culturas, indica janelas de semeadura e colheita de menor risco e valida novas tecnologias – de cultivares a insumos – em diferentes cenários agroclimáticos.

O funcionamento do Zarc depende de uma engenharia científica robusta, que combina dados de clima, solo e fenologia das plantas, séries históricas, capacidade de armazenamento de água no solo e exigências hídricas das culturas. A análise é probabilística e apoiada em décadas de registros, integrando dados meteorológicos e de solos harmonizados, além da calibração de milhares de cultivares.

Todo o processo envolve uma rede nacional de pesquisadores da Embrapa, instituições estaduais e universidades, com infraestrutura computacional sediada na Embrapa Agricultura Digital (SP) capaz de rodar milhões de simulações para culturas, tipos de solo e períodos de semeadura em mais de 5.500 municípios.

Nos próximos anos, a ferramenta deve passar por aprimoramentos significativos, segundo o pesquisador da Embrapa Agricultura Digital Eduardo Monteiro, coordenador da Rede Zarc Embrapa. Ele acredita que o avanço da modelagem dinâmica – integrando cenários climáticos, modelos de crescimento de culturas e inteligência artificial – permitirá análises mais detalhadas. Além disso, a expansão de sensores de campo, imagens de satélite de alta resolução e drones ampliará o volume de informações disponíveis e permitirá uma diferenciação das recomendações para microrregiões e até talhões específicos, além do monitoramento quase em tempo real do estresse hídrico e do desenvolvimento das culturas.

Essas melhorias mostram como o Zarc pode transformar decisões no campo, oferecendo dados precisos que orientam produtores e políticas agrícolas.

No Vale dos Vinhedos (RS), os mapeamentos também exercem papel decisivo. Informações que antes eram apenas percepções — como declividade, altitude e exposição solar — ganharam precisão com as geotecnologias. “Do contrário, seriam apenas suposições”, afirma a pesquisadora da Embrapa Uva e Vinho (RS) Rosemary Hoff.

A região ocupa cerca de 81 km² e concentra aproximadamente 1.760 hectares de vinhedos georreferenciados — 26% do território. Com variação de altitude entre 450 e 700 metros e encostas íngremes que influenciam drenagem e insolação, o relevo contribui para diferenciações de terroir — combinação de solo, clima e paisagem que confere identidade aos vinhos. Segundo Hoff, essas características só puderam ser reconhecidas e comparadas com o apoio dos levantamentos espaciais.

Esses levantamentos permitem comparar relevo, uso da terra e geodiversidade entre diferentes Indicações Geográficas (IGs) da Serra Gaúcha, revelando a diversidade real dos territórios. Mapas de relevo e uso da terra, por exemplo, foram fundamentais para definir limites tanto de Indicações Geográficas quanto de Denominações de Origem (DOs). “Altitude, declividade e Áreas de Preservação Permanente (APPs) contribuem muito para delimitar uma IG”, explica a pesquisadora, que participou dos processos.

Os efeitos aparecem também no cotidiano dos produtores. Com a conquista dos selos de Indicação de Procedência (IP), em 2022, e de DO, em 2012, eles passaram a seguir normas mais rígidas de manejo, controle de doenças e identificação de cultivares. Também surgiram outros impactos menos visíveis, como maior fixação de pessoas no território, busca por qualificação e interesse crescente em pesquisa. O avanço do enoturismo, que hoje movimenta milhares de visitantes por ano no Vale, contribui para impulsionar a criação de novas escolas técnicas e superiores nas regiões de IG.

Essa transformação se distribui por todo o conjunto das cerca de 30 vinícolas registradas na DO e pelos diversos viticultores da região.

Para Hoff, o Vale dos Vinhedos é um exemplo de como ciência, tradição e gestão territorial podem caminhar juntas. “Os mapas nos permitiram entender melhor o que sempre esteve ali”, diz. Ela acredita que, à medida que novas tecnologias surgem, o território tende a se aperfeiçoar, não por mudar seus limites, mas por aprofundar o conhecimento sobre eles e fortalecer a identidade que sustenta a região.

O Zoneamento Agroecológico do Dendê (ZAE Dendê) é outro exemplo de mapeamento que originou uma política pública. Desenvolvido pela Embrapa Solos (RJ), Embrapa Amazônia Oriental (PA) e Embrapa Amazônia Ocidental (AM), o estudo identificou regiões aptas ao cultivo do dendê (palma-de-óleo) sem avançar sobre a vegetação nativa.

O zoneamento foi elaborado no contexto de expansão do biodiesel e da busca por alternativas energéticas sustentáveis.  De alta produtividade e adaptado ao clima equatorial, o dendezeiro foi escolhido por unir rendimento, aptidão climática e geração de empregos.

Publicado em 2010, o estudo apontou cerca de 32 milhões de hectares aptos ao cultivo, sendo 29 milhões na Amazônia Legal. As áreas indicadas para expansão estavam restritas a regiões desmatadas até 2007, conforme o Projeto de Monitoramento do Desmatamento da Floresta Amazônica Brasileira por Satélite (Prodes) do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). A partir desse diagnóstico, o Governo Federal estruturou o Programa de Produção Sustentável de Palma-de-Óleo.

O ZAE Dendê também orientou crédito agrícola e planejamento fundiário no Pará, principal estado produtor, e guiou a criação de protocolos socioambientais para empresas. Essas regras reduziram impactos sobre povos tradicionais, evitaram blocos contínuos de monocultura e consideraram infraestrutura e proximidade de usinas.

Para o pesquisador Wenceslau Teixeira, da Embrapa Solos, o zoneamento deixou um legado duradouro. “O estudo ajudou não somente a consolidar os plantios em monocultivos, mas também a abrir caminhos para sistemas agroflorestais com pequenos produtores. Isso fomentou a cadeia produtiva no nordeste do Pará, direcionando investimentos e políticas de incentivo sem estimular o desmatamento”, afirma.

Exemplo mais recente vem das Matas de Rondônia, região formada por 15 municípios e berço do Robusta Amazônico, uma variedade de café canéfora que vem ganhando espaço no mercado nacional e internacional ano a ano. O mapeamento de uso e cobertura da terra, elaborado a partir de imagens de satélite e análises comparativas entre os anos de 2020 e 2023, demonstrou que a produção de café não avançou sobre as áreas de florestas e que ainda pode se expandir para regiões de pastagem.

A comprovação de que a produção não está associada ao desmatamento tornou-se uma exigência de mercados internacionais, como o da União Europeia, que restringiu a compra de produtos associados à derrubada de florestas desde 2020. Nesse contexto, o estudo da Embrapa indicou que as áreas florestais convertidas para o cultivo de café nas Matas de Rondônia não ultrapassou 1%, o que reforça a imagem de uma produção alinhada à conservação ambiental.

O trabalho também revelou que as reservas indígenas contribuem para a preservação e conservação ambiental de grandes “blocos” de florestas nativas primárias, alcançando uma área de 1,2 milhão de hectares.

Para os produtores, o impacto vai além da imagem. As informações fortalecem a segurança comercial, facilitam o acesso a mercados mais exigentes e ajudam a rebater narrativas que associam a produção amazônica ao desmatamento.

O pesquisador da Embrapa Rondônia (RO) Enrique Alves acredita que, além de se beneficiarem das vantagens de manter a floresta, os produtores também usam esse resultado como valor adicional à marca Robustas Amazônicos. Para governos e compradores, por sua vez, os mapas oferecem uma referência confiável em decisões de compra, investimentos e políticas públicas.

O trabalho ganhou ainda mais relevância porque a região abriga a primeira Denominação de Origem do mundo para cafés canéforas sustentáveis, um selo que agrega valor ao produto e que depende de informações confiáveis sobre a origem da produção.

O estudo, fruto de parceria entre a Embrapa Territorial, Embrapa Rondônia e Cafeicultores Associados da Região das Matas de Rondônia (Caferon), demonstra ainda balanço positivo da produção de café da região.





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