quarta-feira, março 11, 2026

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Pesquisa avalia algas brasileiras como bioestimulante em grãos sob estresse hídrico


Pesquisadores da Embrapa Agroenergia (DF) estudam o uso de algas marinhas da costa brasileira para desenvolver um bioestimulante capaz de aumentar a tolerância de culturas agrícolas ao déficit hídrico. Testes conduzidos em casa de vegetação com canola e trigo cultivados no Cerrado registraram incrementos de até 160% na formação de síliquas (vagens que abrigam as sementes da canola) e de até 12% no crescimento das raízes do trigo, características associadas à proteção da produtividade em condições de seca.

O projeto, batizado de Algoj (termo inspirado na palavra “alga” em esperanto), conta com a parceria da empresa CBKK e recursos da Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial (Embrapii).

Enquanto na canola o impacto aparece na formação das síliquas, estruturas que definem o potencial produtivo, no trigo o efeito está associado ao crescimento radicular, estratégia que pode proteger o desempenho da cultura sob estresse hídrico.

Esses experimentos ainda precisam ser realizados em condições de campo, uma vez que em casa de vegetação, a temperatura e a umidade relativa do ar são controladas. Mas os resultados já são promissores, na opinião das pesquisadoras Simone Mendonça e Patrícia Abrão, que lideram o projeto desde 2023.

O objetivo é desenvolver uma solução tecnológica eficiente e de qualidade com base em matéria-prima renovável, no caso as algas marinhas do Brasil. Além de poderem ser cultivadas em abundância em toda a costa do País, elas geram emprego e renda para pescadores brasileiros, configurando-se como alternativa de trabalho e renda financeira a partir de produtos da biodiversidade nacional. “É uma oportunidade para o produtor trabalhar com materiais da nossa biodiversidade e investir em ações que também contribuam para a adaptação às mudanças climáticas”, ressalta Mendonça.

Ao longo de dois anos de pesquisa, foram estudados quatro tipos de algas marinhas, das quais três foram selecionadas para a continuidade da pesquisa. O foco inicial foi na extração de metabólitos secundários, substâncias que potencializam comportamentos importantes no desenvolvimento e crescimento das culturas. “Os metabólitos secundários não são os componentes principais da planta, como os relacionados com proteína, lipídio e carboidrato. Eles existem em pequeníssimas quantidades, mas têm ação de sinalizadores químicos em outros organismos (plantas)”, explica a pesquisadora.

Chegar a esses metabólitos, chamados de fitormônios, não foi fácil. O primeiro desafio da pesquisa foi identificar métodos de extração que conseguissem retirar o máximo possível desses compostos das algas. De acordo com Mendonça, os primeiros estudos avaliaram o modo de secagem, pois, como as algas secam ao sol, era importante verificar se esse método destruía ou não os componentes. “Estudamos o perfil metabólico dessas algas e testamos de quatro a cinco formas diferentes de extração para cada alga. Fizemos várias tentativas para ver qual método melhor extrairia os metabólitos”, complementa.

“Foram selecionados quatro extratos a partir de testes com mudas de tomate”, conta a pesquisadora. Os primeiros experimentos aconteceram em casa de vegetação com a variedade de tomate grape (uva) BRS Zamir, uma cultivar da Embrapa, com todas as condições de nutrição e de água que a cultura exige. 

A pesquisa partiu então para experimentos com grãos de trigo e de canola, que são culturas em expansão no Cerrado para cultivo de inverno. O Cerrado é o segundo maior bioma brasileiro, cujo período de estiagem, de maio a setembro, tem se tornado cada vez mais seco nos últimos 30 anos. O trigo e a canola foram selecionados porque passam por grande período de estresse hídrico durante a longa estiagem típica do inverno. Esses ensaios identificaram dois extratos de algas com potencial para aplicação nessas culturas.

Na canola, o uso de uma das formulações desenvolvidas não apenas antecipou o florescimento, como garantiu bom desempenho sob restrição de água, enquanto plantas tratadas com um produto comercial de referência não mostraram ganhos significativos.

O pesquisador Agnaldo Chaves alerta que, apesar da alta porcentagem de incremento na produção de síliquas por planta no cultivo da canola, é preciso discernir que esse número foi atingido em condições controladas de temperatura e umidade relativa do ar em casa de vegetação.

Segundo ele, não haverá a mesma proporção em testes de campo com 400 mil plantas por hectare, mas sinaliza que existe grande potencial de replicar uma boa produtividade nas lavouras. “Se conseguirmos replicar de 5 a 10% dessa produtividade em campo, já seria um ótimo incremento”, destaca.

O pesquisador conta que, entre as formulações testadas, duas tiveram bom desempenho com a canola e uma com o trigo de sequeiro (sem irrigação). No caso do cereal, foram registrados crescimento de volume e comprimento da raiz entre 10 e 12%. “Nos dois casos, são efeitos benéficos que acreditamos serem replicáveis em condições de campo, fazendo com que as plantas suportem maiores períodos sem precipitação”, diz.

Com a canola, os testes foram de aproximadamente 100 dias, e a planta chegou até a fase reprodutiva. Já o ensaio do trigo alcançou a fase vegetativa.

Chaves enfatiza que os resultados obtidos em casa de vegetação estimularam a continuidade do projeto, seguindo para validação em condições experimentais no campo e, posteriormente, em áreas de produtores de diferentes regiões.

Além da eficácia biológica, a pesquisa superou outros gargalos, como o transporte e a conservação do bioinsumo. Como o transporte de extratos líquidos é caro e pode propiciar a degradação, os cientistas investiram no desenvolvimento de um extrato seco (pó molhável) através do processo de spray dryer.

“O desafio era evitar que o calor destruísse os fitormônios sensíveis das algas. Com o uso de adjuvantes específicos, conseguimos proteger os componentes de interesse durante a secagem do extrato e aumentar o rendimento do processo para até 80%, resultando em um produto final com apenas 1,5% de umidade, o que garante maior estabilidade e facilidade de transporte”, observa Mendonça.

Com o ciclo de laboratório e de casa de vegetação concluído em janeiro de 2026, o projeto busca agora a renovação da parceria para a realização de experimentos no campo, com o objetivo de estabelecer recomendações de dosagem e períodos de aplicação.

A pesquisadora explica que ainda há muitas questões a serem respondidas pela pesquisa. Ainda não há definição, por exemplo, se o melhor método é fazer a mistura de algas ou recomendar usos diferentes para cada uma delas. Outra questão é avaliar o comportamento do extrato em regiões que apresentam boa distribuição de chuvas e em locais onde a chuva é irregular ao longo do ciclo de produção. “Somente os testes em campo é que nos possibilitarão ter essas respostas”, explica.

Ela acredita no potencial das algas para oferecer uma recomendação pronta para o mercado, seja para regiões com pouca chuva ou como uma alternativa em caso de veranicos.





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Zoneamento orienta crédito rural e políticas públicas


Do vinho gaúcho ao café amazônico e ao zoneamento do dendê, mapeamentos da Embrapa mostram como a ciência aplicada orienta decisões no campo e fundamenta políticas públicas. Em diferentes regiões do Brasil, dados sobre clima, solo e uso da terra antecipam riscos, fortalecem a produção e balizam crédito, seguro e investimentos, com impacto direto na expansão sustentável da agricultura.

A base técnica construída a partir desses levantamentos alimenta bancos de dados públicos, fundamenta zoneamentos e programas de regularização ambiental e orienta decisões que vão do crédito rural ao manejo de cultivos. Para além da geração de mapas, consolida-se como ferramenta de gestão territorial que ajuda o País a prever riscos climáticos, a definir o uso do solo e a conciliar produção e conservação.

Para a chefe de Pesquisa e Desenvolvimento da Embrapa Territorial (SP), Lucíola Magalhães, os mapeamentos e os zoneamentos são ferramentas cruciais para o desenvolvimento agropecuário. “Eles expressam, de forma mais simples e direta, a complexidade de diferentes fenômenos que ocorrem em um território, onde as políticas e ações acontecem. A capacidade de retratar um fenômeno ou de sintetizar dados de múltiplas dimensões (ambientais, sociais, agrícolas, econômicas, fundiárias e de infraestrutura) é vital para apoiar o desenvolvimento sustentável da agropecuária nacional. Traduz-se em melhor governança e em aprimoramento do planejamento e gestão do uso das terras, e fornece a base essencial para a formulação, execução e monitoramento de políticas públicas”, afirma.

À medida que essas informações se consolidam como instrumentos estratégicos de planejamento, cresce a demanda por dados territoriais. Governos, bancos, cooperativas e empresas têm recorrido a esse conhecimento para planejar políticas públicas, avaliar riscos e orientar investimentos. Nesse cenário, os mapeamentos da Embrapa ganham cada vez mais importância como referências técnicas para influenciar decisões econômicas e de gestão.

Esse movimento aparece com clareza no crédito e no seguro rural. Boa parte dos financiamentos do campo só é aprovada quando o plantio segue as indicações do Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc), ferramenta desenvolvida pela Embrapa. Em 2023, o custeio agrícola movimentou cerca de R$ 143,9 bilhões, segundo levantamento da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), e grande parte desse valor depende, direta ou indiretamente, do zoneamento.

Nesse contexto, o Zarc se tornou um elo entre produção, crédito e política agrícola. Lançada em 1996, inicialmente para o trigo, a ferramenta abrange atualmente mais de 40 culturas e orienta políticas de crédito e de seguro rural, influenciando milhares de produtores e dando suporte às principais decisões financeiras no campo.

Além disso, o Zarc tem impacto direto na pesquisa e na inovação. Ao identificar regiões sujeitas a excesso ou déficit hídrico, geadas ou temperaturas elevadas, direciona estudos para desenvolver cultivares adaptadas e práticas de manejo específicas. A ferramenta também subsidia modelos de simulação de culturas, indica janelas de semeadura e colheita de menor risco e valida novas tecnologias – de cultivares a insumos – em diferentes cenários agroclimáticos.

O funcionamento do Zarc depende de uma engenharia científica robusta, que combina dados de clima, solo e fenologia das plantas, séries históricas, capacidade de armazenamento de água no solo e exigências hídricas das culturas. A análise é probabilística e apoiada em décadas de registros, integrando dados meteorológicos e de solos harmonizados, além da calibração de milhares de cultivares.

Todo o processo envolve uma rede nacional de pesquisadores da Embrapa, instituições estaduais e universidades, com infraestrutura computacional sediada na Embrapa Agricultura Digital (SP) capaz de rodar milhões de simulações para culturas, tipos de solo e períodos de semeadura em mais de 5.500 municípios.

Nos próximos anos, a ferramenta deve passar por aprimoramentos significativos, segundo o pesquisador da Embrapa Agricultura Digital Eduardo Monteiro, coordenador da Rede Zarc Embrapa. Ele acredita que o avanço da modelagem dinâmica – integrando cenários climáticos, modelos de crescimento de culturas e inteligência artificial – permitirá análises mais detalhadas. Além disso, a expansão de sensores de campo, imagens de satélite de alta resolução e drones ampliará o volume de informações disponíveis e permitirá uma diferenciação das recomendações para microrregiões e até talhões específicos, além do monitoramento quase em tempo real do estresse hídrico e do desenvolvimento das culturas.

Essas melhorias mostram como o Zarc pode transformar decisões no campo, oferecendo dados precisos que orientam produtores e políticas agrícolas.

No Vale dos Vinhedos (RS), os mapeamentos também exercem papel decisivo. Informações que antes eram apenas percepções — como declividade, altitude e exposição solar — ganharam precisão com as geotecnologias. “Do contrário, seriam apenas suposições”, afirma a pesquisadora da Embrapa Uva e Vinho (RS) Rosemary Hoff.

A região ocupa cerca de 81 km² e concentra aproximadamente 1.760 hectares de vinhedos georreferenciados — 26% do território. Com variação de altitude entre 450 e 700 metros e encostas íngremes que influenciam drenagem e insolação, o relevo contribui para diferenciações de terroir — combinação de solo, clima e paisagem que confere identidade aos vinhos. Segundo Hoff, essas características só puderam ser reconhecidas e comparadas com o apoio dos levantamentos espaciais.

Esses levantamentos permitem comparar relevo, uso da terra e geodiversidade entre diferentes Indicações Geográficas (IGs) da Serra Gaúcha, revelando a diversidade real dos territórios. Mapas de relevo e uso da terra, por exemplo, foram fundamentais para definir limites tanto de Indicações Geográficas quanto de Denominações de Origem (DOs). “Altitude, declividade e Áreas de Preservação Permanente (APPs) contribuem muito para delimitar uma IG”, explica a pesquisadora, que participou dos processos.

Os efeitos aparecem também no cotidiano dos produtores. Com a conquista dos selos de Indicação de Procedência (IP), em 2022, e de DO, em 2012, eles passaram a seguir normas mais rígidas de manejo, controle de doenças e identificação de cultivares. Também surgiram outros impactos menos visíveis, como maior fixação de pessoas no território, busca por qualificação e interesse crescente em pesquisa. O avanço do enoturismo, que hoje movimenta milhares de visitantes por ano no Vale, contribui para impulsionar a criação de novas escolas técnicas e superiores nas regiões de IG.

Essa transformação se distribui por todo o conjunto das cerca de 30 vinícolas registradas na DO e pelos diversos viticultores da região.

Para Hoff, o Vale dos Vinhedos é um exemplo de como ciência, tradição e gestão territorial podem caminhar juntas. “Os mapas nos permitiram entender melhor o que sempre esteve ali”, diz. Ela acredita que, à medida que novas tecnologias surgem, o território tende a se aperfeiçoar, não por mudar seus limites, mas por aprofundar o conhecimento sobre eles e fortalecer a identidade que sustenta a região.

O Zoneamento Agroecológico do Dendê (ZAE Dendê) é outro exemplo de mapeamento que originou uma política pública. Desenvolvido pela Embrapa Solos (RJ), Embrapa Amazônia Oriental (PA) e Embrapa Amazônia Ocidental (AM), o estudo identificou regiões aptas ao cultivo do dendê (palma-de-óleo) sem avançar sobre a vegetação nativa.

O zoneamento foi elaborado no contexto de expansão do biodiesel e da busca por alternativas energéticas sustentáveis.  De alta produtividade e adaptado ao clima equatorial, o dendezeiro foi escolhido por unir rendimento, aptidão climática e geração de empregos.

Publicado em 2010, o estudo apontou cerca de 32 milhões de hectares aptos ao cultivo, sendo 29 milhões na Amazônia Legal. As áreas indicadas para expansão estavam restritas a regiões desmatadas até 2007, conforme o Projeto de Monitoramento do Desmatamento da Floresta Amazônica Brasileira por Satélite (Prodes) do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). A partir desse diagnóstico, o Governo Federal estruturou o Programa de Produção Sustentável de Palma-de-Óleo.

O ZAE Dendê também orientou crédito agrícola e planejamento fundiário no Pará, principal estado produtor, e guiou a criação de protocolos socioambientais para empresas. Essas regras reduziram impactos sobre povos tradicionais, evitaram blocos contínuos de monocultura e consideraram infraestrutura e proximidade de usinas.

Para o pesquisador Wenceslau Teixeira, da Embrapa Solos, o zoneamento deixou um legado duradouro. “O estudo ajudou não somente a consolidar os plantios em monocultivos, mas também a abrir caminhos para sistemas agroflorestais com pequenos produtores. Isso fomentou a cadeia produtiva no nordeste do Pará, direcionando investimentos e políticas de incentivo sem estimular o desmatamento”, afirma.

Exemplo mais recente vem das Matas de Rondônia, região formada por 15 municípios e berço do Robusta Amazônico, uma variedade de café canéfora que vem ganhando espaço no mercado nacional e internacional ano a ano. O mapeamento de uso e cobertura da terra, elaborado a partir de imagens de satélite e análises comparativas entre os anos de 2020 e 2023, demonstrou que a produção de café não avançou sobre as áreas de florestas e que ainda pode se expandir para regiões de pastagem.

A comprovação de que a produção não está associada ao desmatamento tornou-se uma exigência de mercados internacionais, como o da União Europeia, que restringiu a compra de produtos associados à derrubada de florestas desde 2020. Nesse contexto, o estudo da Embrapa indicou que as áreas florestais convertidas para o cultivo de café nas Matas de Rondônia não ultrapassou 1%, o que reforça a imagem de uma produção alinhada à conservação ambiental.

O trabalho também revelou que as reservas indígenas contribuem para a preservação e conservação ambiental de grandes “blocos” de florestas nativas primárias, alcançando uma área de 1,2 milhão de hectares.

Para os produtores, o impacto vai além da imagem. As informações fortalecem a segurança comercial, facilitam o acesso a mercados mais exigentes e ajudam a rebater narrativas que associam a produção amazônica ao desmatamento.

O pesquisador da Embrapa Rondônia (RO) Enrique Alves acredita que, além de se beneficiarem das vantagens de manter a floresta, os produtores também usam esse resultado como valor adicional à marca Robustas Amazônicos. Para governos e compradores, por sua vez, os mapas oferecem uma referência confiável em decisões de compra, investimentos e políticas públicas.

O trabalho ganhou ainda mais relevância porque a região abriga a primeira Denominação de Origem do mundo para cafés canéforas sustentáveis, um selo que agrega valor ao produto e que depende de informações confiáveis sobre a origem da produção.

O estudo, fruto de parceria entre a Embrapa Territorial, Embrapa Rondônia e Cafeicultores Associados da Região das Matas de Rondônia (Caferon), demonstra ainda balanço positivo da produção de café da região.





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Reforma tributária pode ameaçar cooperativas?



Um dos pontos centrais é a criação de um regime tributário para cooperativas


Um dos pontos centrais é a criação de um regime tributário específico para cooperativas
Um dos pontos centrais é a criação de um regime tributário específico para cooperativas – Foto: Canva

As mudanças trazidas pela reforma tributária começam a redesenhar a organização financeira e operacional das cooperativas agrícolas no país. As novas regras exigem atenção à gestão tributária, ao fluxo de caixa e também à adaptação tecnológica dos produtores vinculados às cooperativas. Segundo análise da advogada e especialista em agronegócio Patrícia Arantes de Paiva Medeiros, as alterações criam um ambiente que demanda planejamento e avaliação constante das operações.

Um dos pontos centrais é a criação de um regime tributário específico para cooperativas, que passa a existir de forma opcional. A escolha entre permanecer no regime geral ou aderir ao modelo específico pode impactar diretamente o fluxo de caixa e a competitividade das operações. No regime geral, a base de cálculo considera a receita bruta da cooperativa. Já no regime específico, a tributação incide apenas sobre o valor agregado pela cooperativa, com previsão de crédito presumido e estrutura mais simplificada. Ainda assim, a adesão exige análise anual, já que os resultados podem variar conforme o perfil dos cooperados. Cooperativas com grande número de produtores com faturamento inferior a R$ 3,6 milhões tendem a se beneficiar mais desse modelo.

Outra mudança relevante envolve o sistema de split payment. Atualmente, a cooperativa recebe do comprador e recolhe o imposto apenas no mês seguinte, utilizando esse intervalo como capital de giro fiscal. Com o novo mecanismo, o imposto será descontado automaticamente no momento do pagamento, antes mesmo de o valor entrar na conta da cooperativa. A alteração elimina esse espaço de capital de giro e exige maior reserva de liquidez, além de possíveis revisões em contratos e prazos com cooperados, especialmente em operações com commodities de alta rotatividade.

A digitalização das operações também avança. A partir de 2026, produtores que ainda utilizam nota fiscal em papel deverão migrar para a Nota Fiscal de Produtor Eletrônica. Nesse processo, as cooperativas passam a ter papel importante no apoio aos associados, principalmente pequenos produtores, para garantir regularidade fiscal e evitar riscos nas operações.

 





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Um detalhe no cadastro pode travar seu crédito rural



O cenário mudou com o endurecimento das normas ligadas a critérios ambientais


O cenário mudou com o endurecimento das normas ligadas a critérios ambientais
O cenário mudou com o endurecimento das normas ligadas a critérios ambientais – Foto: Canva

A regularidade ambiental passou a ocupar papel central no acesso ao crédito rural no país. Segundo Rafael Guazelli, sócio-fundador da Guazelli Advocacia, a análise do Cadastro Ambiental Rural ganhou peso decisivo nas avaliações feitas por instituições financeiras.

O cenário mudou com o endurecimento das normas ligadas a critérios ambientais, sociais e de governança e também com novas diretrizes do Banco Central. Nesse contexto, o CAR passou a ser analisado de forma mais rigorosa e automatizada. Situações como sobreposição de áreas ou déficit de reserva legal sem compensação podem bloquear imediatamente a liberação de financiamento.

Além disso, instituições financeiras passaram a utilizar sistemas de inteligência artificial capazes de cruzar informações declaradas no cadastro com imagens de satélite atualizadas. Quando há divergência entre os dados registrados e o que é identificado nas imagens, como indícios de desmatamento recente ou uso irregular da área, o impacto pode ser direto na classificação de risco do produtor, reduzindo a possibilidade de obtenção de crédito.

Outro ponto que tem preocupado produtores é a situação de cadastros que estão ativos, mas ainda não homologados pelos órgãos responsáveis. Com o aumento da demanda por custeio para a próxima safra em 2026, essa pendência administrativa pode se transformar em um obstáculo relevante no relacionamento com bancos.

Nesse ambiente mais rigoroso, a regularização ambiental deixa de ser apenas uma obrigação legal e passa a integrar a estratégia financeira das propriedades. A avaliação jurídica do CAR antes da busca por financiamento, a defesa administrativa em autos de infração que possam bloquear operações e o ajuste de termos de compromisso para evitar restrições são medidas que ajudam a preservar o fluxo de crédito. A orientação é não deixar a regularização para o momento em que o recurso já é necessário, já que o planejamento jurídico agrário pode ser determinante para garantir a continuidade da produção.

 





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Falta de chuva reduz potencial da cana-de-açúcar



Falta de chuva reduz potencial da cana-de-açúcar



Foto: Canva

O desenvolvimento da cana-de-açúcar na região administrativa de Emater/RS-Ascar em Santa Rosa apresenta resultados distintos conforme as condições climáticas registradas nas últimas semanas. As informações constam no Informativo Conjuntural da Emater/RS-Ascar divulgado na quinta-feira (5).

De acordo com o relatório da Emater/RS-Ascar, nas áreas onde houve maior estabilidade climática o desenvolvimento vegetativo da cultura é considerado satisfatório. Já nas localidades com registro de chuvas insuficientes e temperaturas elevadas, o crescimento dos colmos e a absorção de nutrientes foram prejudicados, o que compromete o potencial produtivo das lavouras.

O documento também aponta atraso no desenvolvimento das áreas que passaram por corte e dos plantios mais recentes. Em função do menor porte das plantas, produtores já estimam uma leve redução na produção da cultura na região.

Segundo o Informativo Conjuntural da Emater/RS-Ascar, a cana-de-açúcar possui participação econômica limitada nos municípios atendidos pela regional de Santa Rosa. A produção ocorre, em sua maioria, em pequenas áreas destinadas à alimentação animal e ao processamento artesanal, principalmente para a fabricação de melado, rapadura e cachaça.

O levantamento indica ainda que o preço da cana-de-açúcar permanece em torno de R$ 136,60 por tonelada.





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Produtor que sofreu com granizo no plantio da soja agora encontra diesel R$ 2 mais caro


soja, colheita
Soja. Foto: Embrapa

O produtor Eduardo Martins, de Alvorada do Sul, no Paraná, sofreu com chuva de granizo no início da semeadura de soja e, agora, relata escassez e aumento de preço do diesel em alguns postos e distribuidoras da região.

Segundo ele, que também é presidente do sindicato rural do município, o combustível foi encontrado entre R$ 1,50 e R$ 2,00 mais caro do que o habitual nos postos da cidade.

“Nas distribuidoras que a gente está acostumado a comprar diesel está faltando, tanto na particular quanto em outra através de uma cooperativa. Tivemos que ir atrás de uma outra distribuidora que a gente não era cliente ainda e conseguimos fazer a compra do diesel mediante pagamento antecipado. Agora eles já entregaram o diesel para a gente, mas nos postos do município ainda está faltando”, conta.

De acordo com Martins, a escassez do insumo em um momento crítico da colheita tem grande impacto nas finanças do produtor do município, que já está tendo que conviver com margens apertadas.

O relato do agricultor ganha eco nas manifestações de entidades do agro, como a Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Sistema Faep), que divulgou nota nesta terça-feira (10) alertando sobre a possível interrupção de atividades mecanizadas no estado, além de impactos na logística do setor e elevação do custo do frete rodoviário.

O motivo da preocupação envolve a situação no Estreito de Hormuz, rota estratégica por onde passa cerca de 20% do petróleo e do gás natural comercializados no mundo. A instabilidade na região, gerada pelos ataques coordenados de Israel e Estados Unidos ao Irã, já começou a provocar turbulências no mercado internacional.

Falta nas transportadoras

O presidente da Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul (Farsul), Domingos Velho Lopes, destaca que desde terça-feira passada (3), há registros de redução de oferta de diesel, com falta de disponibilidade das transportadoras para carregar o combustível aos produtores.

“Após quinta-feira (5) até ontem (9), não tínhamos nem carregamento nos TRRs, que são os transportadores retalistas, para as propriedades rurais. E como nós estamos em plena colheita do arroz, perto de 900 mil hectares em andamento, vários produtores começaram a me chamar e avisar nesse sentido, que nós estávamos com problema de suprimento”, comenta.

Segundo ele, os agricultores relatam que contam apenas com o diesel estocado na propriedade, o suficiente para, no máximo, quatro dias.

A mesma situação é registrada em outras regiões do Paraná, como Ubiratã, Piraí do Sul, Lapa, Prudentópolis e Nova Esperança. Além da falta de combustível, há queixas sobre o aumento no preço do litro.

Resposta da ANP

A Agência Nacional do Petróleo (ANP) nega irregularidades na importação do combustível e, tampouco, na distribuição interna. Sobre os preços, a autarquia lembra que o mercado é livre no Brasil desde 2002, ou seja, não há tabelamento. “O valor nas bombas depende exclusivamente das refinarias distribuidoras e da cotação internacional”, destaca.

Segundo a ANP, o consumidor que se sentir lesado deve procurar o Programa de Proteção e Defesa do Consumidor (Procom) e, se perceber a formação de cartéis, a responsabilidade é do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).

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Cepea/Abiove: Avanço da agroindústria gera nova revisão positiva no PIB da…


Com um novo avanço da agroindústria no terceiro trimestre, o já expressivo crescimento do PIB da cadeia da soja e do biodiesel para 2025 passou por mais uma revisão positiva. No segmento de esmagamento, o resultado esteve em linha com a melhora das perspectivas para o ano indicada pela Abiove (Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais). No caso do biodiesel, o movimento foi impulsionado pela aceleração da produção observada no terceiro trimestre, associada à entrada do B15 em 1º de agosto.

Diante disso, os estudos realizados pelo Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), da Esalq/USP, em parceria com a Abiove, apontam que o PIB da cadeia da soja e do biodiesel pode crescer expressivos 11,66% em 2025. A estimativa atual supera em 0,37 ponto percentual a do relatório anterior, refletindo o avanço da agroindústria e seu impacto positivo sobre os agrosserviços da cadeia.

De modo geral, a colheita de uma safra 2024/25 de soja recorde no Brasil e a intensificação do processamento do grão por parte da indústria vêm sustentando a previsão de forte alta do PIB da cadeia da soja e do biodiesel em 2025. Com isso, o PIB da cadeia produtiva representaria 23% do PIB do agronegócio neste ano e 5,7% do PIB nacional.

Apesar desse desempenho, segundo pesquisadores do Cepea/Abiove, com novas quedas de preços no terceiro trimestre, a variação dos preços relativos tornou-se negativa para a cadeia produtiva. Entre janeiro a setembro de 2024 e de 2025, os preços da cadeia produtiva recuaram 7,27% – uma piora frente à estimativa anterior, que apontava estabilidade. Essa deterioração no terceiro trimestre decorreu exclusivamente das fortes elevações de preços observadas no mesmo período de 2024, uma vez que, em geral, houve alta de preços ao longo do terceiro trimestre de 2025 – caracterizando, portanto, um efeito de base de comparação. Esse movimento também levou à redução da estimativa de avanço da renda da cadeia da soja e do biodiesel, embora a expansão dos volumes produzidos ainda assegure crescimento. A estimativa atual indica alta de 3,54% na renda da cadeia em 2025, revertendo uma sequência de três anos consecutivos de queda. Ainda assim, essa projeção foi revisada para baixo pela segunda vez no terceiro trimestre (era de +11,19% no relatório anterior).

Com base nas informações levantadas até o encerramento do terceiro trimestre de 2025, estima-se que o PIB gerado por tonelada de soja produzida e processada poderá representar 4,2 vezes o PIB gerado pela soja produzida e exportada diretamente.

MERCADO DE TRABALHO – Houve aumento de 7,15% no número de pessoas ocupadas na cadeia produtiva da soja e do biodiesel no terceiro trimestre de 2025 em relação ao mesmo período do ano anterior, totalizando 2,39 milhões de trabalhadores. Com isso, a participação da cadeia produtiva na economia brasileira foi de 2,34% e, no agronegócio, de 10,35%.

De acordo com pesquisadores do Cepea/Abiove, o avanço das ocupações no trimestre – refletindo o desempenho ao longo de 2025 – decorreu principalmente dos aumentos registrados antes da porteira e nos agrosserviços.

A maior área destinada à soja e o crescente uso de tecnologia levaram o segmento de insumos a registrar aumento de 7,09% no número de pessoas ocupadas, o que representa cerca de 10 mil trabalhadores adicionais. Nos agrosserviços, o crescimento foi de 12,08%, associado ao aumento da produção física e do processamento da soja, que amplia a demanda por serviços e aquece o mercado de trabalho nesse segmento.

Por outro lado, dentro da porteira e nas agroindústrias, o cenário foi de redução das ocupações. Na soja, houve queda de 30.291 pessoas ocupadas (-6,98%), com recuo observado na maioria dos estados produtores, indicando ganhos de produtividade do trabalho. Destaca-se, ainda, a perda expressiva de ocupações no Rio Grande do Sul (-26.655 pessoas), que teve uma quebra de safra por questões climáticas. Na agroindústria, as indústrias de rações e de esmagamento e refino reduziram suas ocupações, e o pequeno aumento observado na indústria de biodiesel não foi suficiente para reverter o resultado agregado do segmento.

COMÉRCIO EXTERIOR – As exportações brasileiras da cadeia da soja e do biodiesel totalizaram 35,54 milhões de toneladas no terceiro trimestre de 2025, avanço de 11,78% em relação ao mesmo trimestre de 2024. Com o crescimento dos volumes embarcados, a variação da receita passou a ser positiva na comparação trimestral: +4,47%, alcançando US$ 14,5 bilhões no período. O avanço mais moderado da receita frente ao crescimento dos volumes reflete os menores preços de exportação da soja e do farelo de soja.

A pressão sobre os preços de exportação do grão e do farelo decorreu da ampla oferta desses produtos no mercado internacional, apesar da demanda firme. Para 2025/26, as projeções indicam mudança na tendência de disponibilidade global, com expectativa de queda na produção.

No caso da soja em grão, o aumento dos embarques foi impulsionado principalmente pela China e pelo Sudeste Asiático. Para o farelo, destacaram-se como destinos com crescimento a União Europeia e o Leste Asiático. Já no caso do óleo de soja, diante da firme demanda doméstica, houve redução dos volumes exportados, com quedas sobretudo para a China e para o grupo de “outros destinos”.





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Parceria entre Cecafé e Emater leva práticas sustentáveis ao campo


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Foto: Emater-MG/Divulgação

A parceria entre o Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé) e a Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado de Minas Gerais (Emater-MG) tem levado práticas sustentáveis diretamente aos produtores de café em Minas Gerais.

A iniciativa integra o programa Construindo Solos Saudáveis, que busca melhorar a qualidade do solo, reduzir custos de produção e fortalecer a sustentabilidade.

Criado por técnicos da Emater-MG, o programa surgiu da necessidade de recuperar a saúde do solo em lavouras de café, muitas vezes afetadas por práticas que deixam o terreno exposto à chuva, ao vento e à erosão.

Segundo o coordenador técnico da Emater, Bernardino Cangussu, nos últimos cinco anos, mais de 2 mil unidades demonstrativas foram implantadas em propriedades rurais.

A estratégia é apresentar aos produtores técnicas de manejo durante dias de campo, nos quais produtores visitam áreas experimentais e acompanham, na prática, o funcionamento das técnicas.

Nas unidades demonstrativas são cultivadas diferentes espécies de plantas de cobertura entre as linhas de café, permitindo que os produtores observem os resultados diretamente no solo e na lavoura. “Há uma troca de experiências no local, vendo em loco essas plantas e como elas agem no solo”, destaca Cangussu.

Benefícios

Entre os principais benefícios do uso dessas plantas está a redução da temperatura do solo, que pode chegar a uma diferença de até 12 °C a 15 °C em comparação com áreas descobertas. De acordo com Cangussu, o manejo também contribui para a reciclagem de nutrientes.

“As plantas também tiram nutrientes que estavam perdidos em profundidade do solo e trazem esses nutrientes para cima, fazendo uma reciclagem. Quer dizer, o produtor vai usar menos recurso para adubar e vai ter nutrientes disponíveis quase o ano todo”, explica.

Além disso, as raízes dessas espécies ajudam a formar canais naturais de infiltração de água, aumentam a matéria orgânica e favorecem a atividade de organismos como minhocas, que melhoram a estrutura e a porosidade do solo.

Outro benefício destacado pelo técnico é o aumento da presença de inimigos naturais de pragas, o que contribui para o equilíbrio biológico da lavoura.

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News

Boi gordo hoje: cotações seguem impactadas pela guerra; veja os preços da arroba


boi gordo preços no Brasil
Foto gerada por IA

O mercado físico do boi gordo apresenta pressão baixista no decorrer desta semana, com as indústrias sinalizando para maior conforto das suas escalas de abate.

O analista da consultoria Safras & Mercado Fernando Henrique Iglesias lembra que as declarações do presidente Donald Trump ofereceram uma perspectiva de normalização do fluxo de embarques no Oriente Médio.

“No entanto, a logística global segue desnorteada, com relatos de problemas no escoamento da exportação de carne bovina e da carne ovina da Austrália. A expectativa é que no curtíssimo prazo os frigoríficos tentem realizar compras em patamares mais baixos”, disse.

Preços médios do boi gordo

  • São Paulo: R$ 345,33 — ontem: R$ 349,83
  • Goiás: R$ 330,18 — ontem: estável
  • Minas Gerais: R$ 344,41 — ontem: inalterado
  • Mato Grosso do Sul: R$ 335,80 — ontem: R$ 339,89
  • Mato Grosso: R$ 338,31 — ontem: R$ 338,04

Mercado atacadista

O mercado atacadista se depara com acomodação em seus preços ao longo da semana. Segundo Iglesias, mesmo a entrada dos salários na economia tem sido insuficiente para justificar novos reajustes dos preços da carne bovina.

“O fato é que a carne bovina já assumiu um patamar de preços que afasta boa parte dos consumidores brasileiros, em especial aquelas famílias que têm como renda entre um e dois salários-mínimos. Nessa faixa, a prioridade está no consumo de proteínas mais acessíveis, a exemplo da carne de frango, embutidos e ovos”, pontuou.

  • Quarto dianteiro: ainda é precificado a R$ 20,50 por quilo;
  • Quarto traseiro: segue cotado a R$ 27,00 por quilo;
  • Ponta de agulha: se mantém a R$ 20,50, por quilo.

Câmbio

O dólar comercial encerrou a sessão em queda de 0,15%, sendo negociado a R$ 5,1572 para venda e a R$ 5,1552 para compra. Durante o dia, a moeda norte-americana oscilou entre a mínima de R$ 5,1328 e a máxima de R$ 5,1848.

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AgroNewsPolítica & Agro

5 estados em risco de alagamentos e transtornos nesta semana


A previsão do tempo indica o retorno de chuvas intensas e volumosas em áreas do Centro-Sul do país ao longo desta semana. As informações são do serviço meteorológico Meteored, que aponta risco de acumulados próximos de 200 milímetros até o fim da segunda semana de março.

Segundo a análise do Meteored, dois sistemas meteorológicos devem favorecer o aumento das precipitações: a atuação de uma frente fria e a presença de uma área de alta pressão atmosférica sobre o oceano. Esses sistemas devem manter condições para chuvas frequentes e, em alguns pontos, intensas, com potencial para provocar transtornos como alagamentos, inundações e deslizamentos de terra, especialmente em áreas urbanas.

A previsão para os próximos dias indica aumento das instabilidades em diversas regiões do país, com pancadas de chuva recorrentes que podem ocorrer acompanhadas de rajadas de vento e temporais. Essas condições ampliam o risco de alagamentos e movimentos de massa em estados do Centro-Oeste e do Sudeste.

Nesta terça-feira (10), a previsão aponta chuvas fracas a moderadas e possibilidade de pancadas isoladas entre o norte e o leste do Paraná e em grande parte do São Paulo. Durante a tarde, as instabilidades devem se intensificar, com precipitações localmente fortes no norte paranaense, em São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais — com exceção do norte do estado — e em Mato Grosso do Sul. Pancadas pontualmente intensas também são previstas no Espírito Santo e em áreas do sul de Goiás e do Mato Grosso. À noite, ainda há possibilidade de instabilidades entre Mato Grosso do Sul, norte do Paraná e São Paulo.

Na quarta-feira (11) e na quinta-feira (12), o período da manhã deve começar com chuvas de intensidade fraca a moderada e possibilidade de pancadas isoladas mais fortes entre São Paulo, o sul de Minas Gerais e o sul do Rio de Janeiro. Ao longo da tarde, as precipitações tendem a se intensificar e se espalhar por praticamente todo o Sudeste, com exceção do norte mineiro, além de áreas de Mato Grosso do Sul, sul de Goiás, sul de Mato Grosso e regiões do norte e leste do Paraná. Também podem ocorrer trovoadas isoladas.

De acordo com o Meteored, essas chuvas devem ocorrer de forma localizada e irregular, com pancadas mais intensas em alguns pontos. Mesmo assim, há previsão de continuidade das instabilidades no período da noite em todos esses estados.

Na sexta-feira (13), as precipitações devem se formar principalmente durante a tarde, com intensidade moderada e trovoadas isoladas, concentrando-se sobretudo na Região Sudeste e em áreas do Centro-Oeste. No Paraná, a chuva deve ocorrer principalmente na faixa leste devido à circulação atmosférica.

Os acumulados previstos até a noite de sexta-feira podem superar 110 milímetros em áreas centrais do Mato Grosso do Sul, no norte do Paraná, no Triângulo e no sul de Minas Gerais, além de regiões de São Paulo e do sul do Rio de Janeiro. Em algumas áreas, os volumes podem variar entre 170 e 190 milímetros.

O alerta é para que a população acompanhe os avisos meteorológicos ao longo da semana, já que as chuvas podem ocorrer de forma persistente e concentrar volumes elevados em curto período, aumentando o risco de transtornos, principalmente em áreas mais vulneráveis.





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