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A planta resistente, por sua vez, sobrevive à aplicação – Foto: Julio Bogiani
Compreender o comportamento das plantas daninhas frente aos herbicidas é um dos pilares para o manejo eficiente e sustentável das lavouras. Segundo o Comitê de Ação à Resistência aos Herbicidas (HRAC-BR), entender a diferença entre suscetibilidade, tolerância e resistência é essencial para manter a eficácia dos produtos e preservar a produtividade agrícola a longo prazo.
A planta suscetível é aquela que morre após a aplicação do herbicida em doses normais e sob condições favoráveis. Nesses casos, o produto atua conforme o esperado, eliminando a planta daninha de forma eficaz. Já a planta tolerante, também chamada de não-suscetível, possui uma capacidade natural de sobreviver e se reproduzir mesmo após o uso do herbicida na dose recomendada. Essa característica é inata à espécie e não resulta de exposição prévia ao produto, ou seja, não representa resistência adquirida.
A planta resistente, por sua vez, sobrevive à aplicação de um herbicida que antes era eficaz no controle da espécie. Essa condição surge por meio da seleção natural: indivíduos que, por características genéticas, suportam a aplicação do produto acabam se multiplicando e dominando a área. Esse processo torna o controle químico mais difícil e aumenta a necessidade de estratégias de manejo integradas.
Distinguir suscetibilidade, tolerância e resistência é fundamental para orientar práticas agrícolas que evitem o uso excessivo ou inadequado de herbicidas, promovendo a sustentabilidade e a eficiência do controle de plantas daninhas. As informações foram divulgadas recentemente.
A colheita dos primeiros lotes de feijão-carioca nota 9 e 10 começou nas regiões de Itaí e Paranapanema, no estado de São Paulo. Segundo o Instituto Brasileiro do feijão e Pulses (Ibrafe), ainda há algumas ressalvas quanto à qualidade, devido às chuvas registradas no último final de semana. A expectativa, porém, é de que o clima firme nas próximas semanas permita a manutenção da boa qualidade dos grãos e um mercado mais disputado entre compradores.
A safra paulista está estimada em cerca de 15 mil hectares e, conforme dados da Conab, poderá alcançar até 38 mil toneladas — o equivalente a aproximadamente 630 mil sacas até meados de dezembro. Se as condições climáticas permanecerem favoráveis, os preços tendem a se manter firmes ou até subir, impulsionados pela demanda. Nesta semana, negócios pontuais chegaram a R$ 270 por saca, mas compradores ainda testam valores menores para medir a reação dos produtores.
De acordo com o relatório CEPEA Feijão, as cotações seguem com comportamento misto entre as praças. No Noroeste de Minas, o Feijão-carioca nota 9 teve leve alta diária de 0,31%, enquanto Sorriso (MT) recuou 4,73% na semana. O Leste Goiano apresentou avanço semanal de 1,71%. No acumulado do mês, prevalecem quedas de 6% a 10%. Para o Feijão-carioca 8–8,5, Itapeva (SP) caiu 1,58% no dia, mas outras regiões mineiras registraram leves altas.
Já o Feijão-preto T-1 enfrenta pressão vendedora no Sul. Curitiba teve queda de 2,72% no dia e 3,66% na semana; o Oeste Catarinense também registrou retração. No Paraná, a metade sul manteve estabilidade diária (+0,18%), mas acumula baixa semanal de 3,40%.
O Ibrafe avalia que a atual oferta mantém os compradores cautelosos, testando preços mais baixos, especialmente nos padrões médios. Os lotes extras, de maior qualidade, seguem mais disputados e com menor flexibilidade. Para o produtor, a recomendação é manter disciplina comercial, aproveitando oportunidades de venda e evitando concentrar negociações em uma única janela.
O mercado físico do boi gordo apresentou reajustes positivos em diversas regiões do país ao longo desta semana, impulsionado pela redução nas escalas de abate dos frigoríficos. Segundo o analista da Safras & Mercado, Fernando Iglesias, unidades do Pará, Tocantins, Goiás e Mato Grosso do Sul registraram elevação nas cotações diante da menor disponibilidade de animais prontos para o abate.
Em São Paulo, os preços permaneceram estáveis, já que os frigoríficos de maior porte seguem com escalas mais confortáveis e boa oferta proveniente de parcerias.
No dia 22 de outubro (quarta-feira), os valores da arroba do boi gordo na modalidade a prazo foram os seguintes:
São Paulo (Capital) – R$ 315,00 a arroba, alta de 1,61% frente aos R$ 310,00 da semana anterior
Goiânia (GO) – R$ 305,00 a arroba, avanço de 1,67% frente aos R$ 300,00
Uberaba (MG) – R$ 305,00 a arroba, aumento de 1,67%
Mato Grosso do Sul (Dourados) – R$ 330,00 a arroba, elevação de 1,54%
Mato Grosso (Cuiabá) – R$ 300,00 a arroba, estável
Rondônia (Vilhena) – R$ 290,00 a arroba, valorização de 3,57% frente aos R$ 280,00 da semana passada
Mercado atacadista
O mercado atacadista também mostrou firmeza, com melhor equilíbrio entre atacado e varejo. Segundo Iglesias, o pagamento do 13º salário, a abertura de vagas temporárias e as confraternizações de fim de ano devem estimular o consumo interno de carne bovina nas próximas semanas.
O traseiro bovino foi cotado a R$ 25,00/kg, estável, enquanto o dianteiro subiu 1,10%, chegando a R$ 18,20/kg.
Exportações
As exportações brasileiras de carne bovina fresca, congelada ou refrigerada somaram US$ 1,108 bilhão em outubro até o momento (13 dias úteis), com média diária de US$ 85,28 milhões. O volume exportado atingiu 201,3 mil toneladas, com preço médio de US$ 5.506,30 por tonelada.
Na comparação com outubro de 2024, houve alta de 48,9% no valor médio diário exportado, 26,1% no volume médio diário e 18,1% no preço médio. Os dados são da Secretaria de Comércio Exterior (Secex).
Já imaginou uma horta em círculo? Essa técnica está sendo repassada para agricultores familiares de diferentes regiões de Minas Gerais, por meio da Empresa de Pesquisa Agropecuária do estado (Epamig).
O funcionamento com curvas de nível faz com que toda água que cai na horta permaneça dentro dela. Desse modo, é possível reduzir a erosão, em locais com mais declives, e aproveitar melhor a água da irrigação, em locais planos.
A ideia é fomentar uma nova fonte de renda e incrementar a oferta de alimentos.
A ação integra o projeto “Expansão e fortalecimento da cadeia produtiva de arroz em Minas Gerais, com foco em sustentabilidade e segurança alimentar”, financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (Fapemig).
A coordenadora dos trabalhos e pesquisadora da Epamig, Janine Guedes, explica que o projeto do arroz inclui uma linha de ação para fortalecer a agricultura familiar como um todo.
Assim, o trabalho com hortas, que já era desenvolvido pela pesquisadora Polyanna Oliveira, passou a fazer parte do projeto como uma de suas ações.
O processo envolve a implementação de hortas, a realização de treinamentos e, posteriormente, a introdução de unidades de arroz sequeiro em períodos chuvosos.
“Trabalhamos junto à Emater e às prefeituras municipais para que os produtores possam fornecer a produção das hortas e o arroz para o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE)”, acrescenta a pesquisadora.
Um novo modelo de horta
As hortas agroecológicas circulares consistem em uma estratégia para melhorar a qualidade de vida de pequenos agricultores, bem como proporcionar novas fontes de renda.
O sistema, não só é sustentável e agro ecológico, mas também é facilmente replicável em diferentes espaços e condições de solo.
Além disso, o modelo pode receber diversos tipos de hortaliças, leguminosas e frutíferas. “A escolha do que colocar na horta depende da disponibilidade de área, de água e do interesse do produtor”, enfatiza a pesquisadora Polyanna Oliveira.
Em Perdões, no Sul de Minas, serão sete unidades demonstrativas de arroz e seis hortas circulares.
“Fiquei sabendo desse projeto e fiz contato com a equipe da Epamig. A partir da parceria, conseguimos implantar três hortas e outras três já estão acertadas”, conta a secretária de Agricultura do município, Luciana Arriel.
Foto: Epamig/Erasmo Reis
Impacto social
Uma das hortas, por exemplo, já em fase de produção, pertence ao Projeto Vida Nova, que atende 85 meninos de 8 a 18 anos em situação de vulnerabilidade social e oferece atividades como música, esportes, noções de preservação ambiental e de plantio das hortas.
“Essa horta ajuda muito. Já estamos usando beterraba, alface, tudo. Enriqueceu muito nossa alimentação”, avalia a diretora da instituição, Cleuza Maria Augusto Oliveira.
Produtores de hortaliças há sete anos, Dulcineia Carvalho Ribeiro da Silva e Wilson Antônio Ferreira da Silva iniciaram o cultivo circular há dois meses e já notaram algumas diferenças.
“As plantas ficaram mais bonitas e é mais fácil de irrigar”, comenta Dulcineia. “Nossa ideia é ampliar o plantio circular”, completa Wilson.
Além de fornecerem alimentos para a merenda escolar, por meio do PNAE, os agricultores também vendem a produção na feirinha municipal, na associação e de forma individual.
“Temos acompanhado de perto e visto que o pessoal está gostando do modelo. O sentido circular ajuda na questão da umidade e na prevenção dos insetos predadores de pragas”, destaca Luciana Arriel.
O plantio das Unidades Demonstrativas de Arroz em Perdões terá início no mês de novembro. “Das sete unidades previstas, teremos cultivo solteiro (apenas arroz) e outras consorciadas ao café”, detalha Janine Guedes.
Ela lembra que a palha do arroz pode auxiliar na adubação do solo: “Recomendamos ao produtor usar essa palha nas hortas, visto que ela é rica em nutrientes, em especial, nitrogênio”.
O senhor sabe o que significa ver o leite virar prejuízo? Significa assistir a milhares de famílias empobrecendo em silêncio, enquanto o governo comemora indicadores macroeconômicos que não chegam ao interior.
O litro de leite pago ao produtor familiar vale hoje menos do que custa produzir. São mais de 5 milhões de brasileiros, entre produtores e familiares, que sobrevivem dessa atividade. E, no entanto, essa crise crônica vem há um bom tempo empurrando esses produtores para o bolsa família ou para fora do campo.
Não se trata de mercado, Presidente. Trata-se de gente.
A produção de leite familiar precisa ser tratada como questão social e de segurança alimentar, não como um número de planilha.
Em outubro de 2025, o preço médio nacional pago ao produtor foi de R$ 2,22 por litro, contra R$ 2,66 há um ano.
Em estados como o Paraná, há produtores recebendo menos de R$ 2,00, quando o custo de produção ultrapassa R$ 2,20.
Resultado: famílias endividadas, tanques vazios e propriedades sendo vendidas, é o êxodo rural silencioso.
Por que o leite brasileiro ficou sem valor
Custos em alta: ração, energia e logística dispararam.
Consumo interno estagnado: a inflação apertou o bolso do consumidor urbano.
Importações predatórias: leite em pó argentino e uruguaio entram no país muito acima da capacidade produtiva declarada desses países, derrubando os preços locais.
Essa triangulação dentro do Mercosul virou porta aberta para dumping disfarçado — e o Brasil continua fingindo que é livre comércio.
A omissão do governo é parte do problema
O Ministério do Desenvolvimento (MDIC) abriu investigação sobre dumping em dezembro de 2024, mas decidiu não aplicar medida provisória em agosto de 2025.
A justificativa técnica, de que leite em pó e leite in natura não concorrem diretamente, é um equívoco cruel.
Quem vive da ordenha sabe: é o leite em pó que baliza o preço do leite fresco. Quando ele entra barato, o produtor nacional afunda.
O que o governo poderia fazer agora
Acelerar o antidumping e aplicar tarifas de defesa comercial.
Fiscalizar a origem e o volume real das importações.
Ativar compras públicas emergenciais (via Conab e MDS) para retirar excedentes do mercado.
Usar o PNAE e o PAA para garantir demanda pelo leite da agricultura familiar.
Ajustar o ICMS dos importados e proteger o produtor local.
Nada disso exige novos impostos, apenas vontade política.
A queda no preço do leite não barateia a vida de ninguém.
Ela destrói pequenos produtores, enfraquece municípios e rompe o elo entre o campo e a cidade.
Cada fazenda que fecha representa menos emprego, menos arrecadação e mais miséria.
Presidente, o senhor precisa usar sua prerrogativa de chefe da nação para solucionar esse problema gravíssimo.
O país precisa decidir se quer importar leite barato ou preservar sua dignidade rural.
*Miguel Daoud é comentarista de Economia e Política do Canal Rural
O Canal Rural não se responsabiliza pelas opiniões e conceitos emitidos nos textos desta sessão, sendo os conteúdos de inteira responsabilidade de seus autores. A empresa se reserva o direito de fazer ajustes no texto para adequação às normas de publicação.
Em paralelo à repressão ao seu comércio como uma droga ilegal, a cannabis é, cada vez mais, percebida internacionalmente como uma fonte de riqueza, cobiçada por setores produtivos que vão da agricultura ao setor farmacêutico.
Só no Brasil estima-se que 670 mil pessoas utilizem fármacos à base de cannabis para tratar problemas como esclerose múltipla, epilepsia refratária e dor crônica. Porém, a falta de regulamentação atravanca a atuação de universidades, empresas e outros interessados na pesquisa científica sobre aplanta.
Nesse sentido, algumas iniciativas estão em andamento para reverter este quadro. Uma delas foi a divulgação, em setembro, de uma nota técnica elaborada por um grupo de trabalho listando 481 empecilhos burocráticos e regulatórios enfrentados por quem conduz, ou deseja conduzir, estudos com a cannabis.
A proposta de regulamentação
O chamado Grupo de Trabalho (GT) de Regulamentação Científica da Cannabis criado pela Embrapa compreende 31 instituições de ensino e pesquisa.
O relatório agrupa esses tópicos em sete eixos:
as autorizações para pesquisa;
o acesso a insumos padronizados;
as restrições ao cultivo para fins científicos;
o fluxo de materiais entre instituições;
as incertezas quanto ao uso de coprodutos e derivados;
a falta de protocolos claros para pesquisas com animais de produção.
O documento foi encaminhado ao Ministério da Saúde e à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), órgãos responsáveis por regulamentar a investigação e o comércio de substâncias consideradas de controle especial.
André Gonzaga dos Santos, docente da Faculdade de Ciências Farmacêuticas (FCF) da Unesp em Araraquara e integrante do GT que elaborou a nota, diz que o documento evidencia o interesse de diversas instituições em desenvolver estudos sobre o tema e expressa os entraves que têm impedido esses avanços.
Gonzaga ainda ressalta o enorme potencial do Brasil para lucrar com a planta. O Anuário da Cannabis Medicinal estima que o mercado brasileiro para fins farmacêuticos possa movimentar R$ 9,4 bilhões por ano.
“Precisamos de uma regulamentação que garanta a autonomia das universidades para realizar pesquisa. Isso não significa que não deve ter controle, ele deve existir. Mas precisamos garantir a autonomia”, afirma o pesquisador.
Os principais obstáculos
Ainda que, em tese, existam caminhos legais que permitam as pesquisas, o grupo de trabalho da Embrapa identificou diversos entraves que, na prática, impedem avanços sólidos na área.
O principal deles é a burocracia para obtenção das autorizações, que, de acordo com a nota técnica, envolve prazos indefinidos, falta de transparência nas etapas de análise e ausência de critérios padronizados de avaliação.
“Eu tentei importar do Uruguai e Paraguai. Pedi seis amostras de canabinoides, com um miligrama cada. Elas demoraram mais de um ano para chegar e custaram mais de R$ 20 mil”, conta André Santos, da FCF em Araraquara.
A importação também não garante a padronização dos insumos, já que eles vêm de países com diferentes padrões de qualidade e de plantas com diferentes genomas, o que compromete a consistência e reprodutibilidade dos resultados.
Além disso, o pesquisador afirma que um interesse importante da comunidade científica é entender como a cannabis cresce especificamente nos solos e condições climáticas do Brasil.
“Estudar produtos importados não vão contribuir em nada para desenvolver a cadeia produtiva nacional, porque a planta se comporta completamente diferente aqui”, diz.
O cenário atual
Assim, o grupo de trabalho defende a criação de normas específicas para as pesquisas com cannabis no país, que tornem os processos mais ágeis e transparentes.
“Precisamos de uma regulamentação que garanta autonomia, ainda que com controle e registro de todas as atividades. Isso traria segurança para os pesquisadores”, ressalta o pesquisador.
Essa regulamentação ajudaria a padronizar os procedimentos científicos e beneficiaria os setores farmacêutico e agrícola — além de reduzir os custos das pesquisas e, consequentemente, o preço final dos medicamentos quando eles chegam às gôndolas.
Medicamentos à base de canabinoides que custam até R$ 2 mil nas versões importadas têm equivalentes nacionais fabricados por associações canábicas que alcançam só 40% desse valor.
Além disso, o cânhamo industrial — nome que se dá a variedades de cannabis com baixo teor de THC cultivadas para obtenção de fibra — tem grande potencial econômico para a indústria têxtil e a produção de papel.
*Com informações do Jornal da Unesp/Nathan Sampaio
A Associação Brasileira de Cafés Especiais (BSCA) destacou a importância da reunião entre os presidentes dos Estados Unidos, Donald Trump, e do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, realizada neste domingo (26), na Malásia.
Em nota, a entidade afirmou que o encontro representa uma possibilidade concreta de solução para as tarifas aplicadas ao setor cafeeiro. A expectativa é que a medida crie condições para que os dois países superem barreiras ao comércio e avancem em pautas voltadas ao fortalecimento da parceria no segmento de cafés especiais.
Os Estados Unidos são o principal destino das exportações brasileiras de cafés especiais, com cerca de 2 milhões de sacas ao ano e receita superior a US$ 550 milhões.
Segundo a BSCA, a eventual retirada da tarifa de 50% sobre os cafés importados pelos EUA tende a restabelecer a normalidade do comércio mundial do produto, especialmente na relação entre o Brasil, principal fornecedor global, e os Estados Unidos, maior mercado importador e consumidor.
A associação afirmou ainda que a manutenção do diálogo é essencial para reverter a taxação e preservar empregos, renda e a parceria comercial construída entre os dois países.
O Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé) informou que acompanhou o encontro realizado neste domingo (26) na Malásia entre os presidentes do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, e dos Estados Unidos, Donald Trump.
O diálogo tratou do fortalecimento das relações comerciais entre os dois países, com destaque para o tema das tarifas aplicadas ao café brasileiro.
O presidente do Cecafé, Márcio Ferreira, integra a missão nacional na Indonésia e na Malásia. Segundo a entidade, ele participou de reuniões com representantes do governo federal, apresentando informações estratégicas e destacando pontos considerados relevantes para a possível isenção das tarifas sobre o café do Brasil.
Impacto das tarifas na competitividade
De acordo com o Cecafé, os dois governos demonstraram disposição em avançar nas discussões sobre as tarifas em vigor.
A entidade destacou que essas cobranças reduzem a competitividade do café brasileiro nos Estados Unidos, gerando impacto nos preços para os consumidores norte-americanos e colocando em risco a participação do Brasil no principal mercado importador e consumidor do produto.
Atuação institucional e expectativa por avanços
O Cecafé afirmou que tem atuado no Brasil e em Washington para fortalecer a relação comercial entre os dois países e preservar a competitividade das exportações brasileiras.
A entidade disse aguardar resultados concretos que possam levar à isenção das tarifas aplicadas ao café, medida que, segundo o conselho, pode contribuir para reduzir a pressão inflacionária nos Estados Unidos e fortalecer a sustentabilidade da cadeia produtiva do setor no Brasil.
Para que o pasto na seca continue sendo a base da alimentação do rebanho, o planejamento antecipado e a suplementação estratégica são essenciais.
Em entrevista recente ao programa Giro do Boi, o zootecnista Iorrano Cidrini afirmou que, mesmo quando o produtor utiliza o diferimento (vedação) para ter massa disponível, a qualidade da forragem cai com o avanço da estiagem, exigindo um aporte de nutrientes.
Segundo ele, o principal objetivo da suplementação na seca é fornecer proteína para dar combustível às bactérias do rúmen. Esse “combustível” é o que permite ao animal processar a fibra de baixa qualidade do pasto diferido. Ao suplementar, o produtor garante que o gado utilize o pasto com mais eficiência e, principalmente, tenha um maior consumo.
Confira:
Benefícios da suplementação
O pasto na seca sem suplemento é subutilizado. Quando o animal recebe o proteinado, as bactérias do rúmen se multiplicam mais rapidamente, degradando o material fibroso e acelerando a passagem do alimento pelo trato gastrointestinal. Na prática, a suplementação gera um efeito aditivo.
Por exemplo: o fornecimento de apenas 300 gramas de proteinado para um bezerro de trezentos quilos faz com que o consumo total de matéria seca do animal aumente muito mais do que os 300 gramas do suplemento, resultando em um maior ganho de peso.
A máxima da nutrição é que, na seca, pasto + suplemento é maior que 3, pois a combinação potencializa a utilização da forragem. A escolha da tecnologia de suplementação deve ser direcionada para a categoria animal e a meta de ganho de peso.
O planejamento antecipado da compra dos suplementos é crucial para evitar as altas de preço durante a seca e o temido “efeito sanfona” do gado. O produtor deve ter um plano definido para o seu rebanho, sabendo que animais de maior exigência precisam de maior desembolso em tecnologia.
A atuação de um médico-veterinário pode ir além do cuidado com animais, bem-estar, vacinação ou tratamento de doenças. Um profissional da área pode estar também à frente de temas que impulsionam o agronegócio, como o desenvolvimento da genética de raças e toda a esfera que envolve o assunto, desde a colaboração no aprimoramento de animais de linhagens superiores até a promoção desses animais em feiras, eventos e para diversos mercados e segmentos da pecuária.
No Rio Grande do Sul, estado referência em pecuária de corte, leite e ovinocultura, a atuação de médicos veterinários tem feito a diferença. Conforme o Conselho Regional de Medicina Veterinária (CRMV-RS), os profissionais têm campo amplo e papel fundamental em alguns segmentos do agronegócio.
Mais mulheres na profissão
Na última década, o número de profissionais do sexo feminino formadas em Medicina Veterinária no estado foi o dobro do sexo masculino: 7.490 mulheres contra 3.381 homens. Conforme a conselheira do Conselho Federal de Medicina Veterinária (CFMV), Lilian Müller, a presença da mulher no agronegócio está cada vez maior. A própria sucessão rural tem levado à necessidade da mulher se inserir no trabalho pecuário, tanto na gestão quanto na rotina com os animais.
“A mulher recebeu essa abertura dentro da família. O mercado acolheu por precisar muito da atuação e ela provou que é muito capaz. Mesmo mulheres sem vínculo familiar com o meio rural estão trabalhando nas atividades agropecuárias. E no campo de genética e desenvolvimento de raças não é diferente. A atuação do profissional de veterinária vem fazendo a diferença desde nutrição, reprodução, sanidade, bem-estar, uso de tecnologias para buscar eficiência e mais produtividade. Não é só quantidade, mas também qualidade que é zelada pelos profissionais para entregar isso ao consumidor”, destaca.
Ana Doralina Menezes
Profissão: pecuária brasileira
Ana Doralina Menezes é médica-veterinária formada pelo Centro Universitário da Região da Campanha (Urcamp) e atualmente preside a Mesa Brasileira de Pecuária Sustentável. Atuou por mais de duas décadas junto à Associação Brasileira de Angus e também como criadora, representando a quinta geração de uma família de pecuaristas na região da Campanha gaúcha.
Magali Moura é formada em Medicina Veterinária pela Universidade Federal de Pelotas (Ufpel) e hoje é superintendente de Registro Genealógico da Associação Brasileira de Criadores de Ovinos (Arco), em Bagé (RS). Vinda de família urbana, atua de forma estratégica na ovinocultura brasileira, coordenando eventos, registros genealógicos e ações de incentivo ao crescimento do setor.
Desiree Hastenpflug Möller se formou pela Universidade Luterana do Brasil (Ulbra) e atualmente é presidente da Associação Sulina de Criadores de Búfalos (Ascribu), vice-presidente da Associação Brasileira de Criadores de Búfalos (ABCB) e vice-presidente da Federação Brasileira das Associações de Criadores de Animais de Raça (Febrac). Também vinda de família urbana, tornou-se referência na criação de búfalos em Viamão (RS).
Débora Dienstmann vai se formar em Medicina Veterinária no fim do ano pela Universidade de Caxias do Sul. Filha de produtores de leite, cresceu acompanhando a rotina da família, que enfrentou três enchentes em Estrela, no Vale do Taquari, mantendo desde cedo contato com a pecuária leiteira.
A história dessas quatro profissionais pode não ter se cruzado, mas elas têm em comum o amor pela Medicina Veterinária e pela pecuária, que guiam suas vidas e carreiras. A prática da atividade, que inclui inseminação, partos e manejo, também se estende para diálogo, negociação e debate, com o objetivo de mostrar o que a pecuária faz de melhor — desde animais campeões em genética até alimento de qualidade para os consumidores.
Débora Dienstmann
Da infância à referência
A vocação pela Medicina Veterinária veio da infância das quatro profissionais. Ana destaca que sempre teve certeza da profissão. Interessada na área de produção e manejo mais do que na clínica, fez estágios na universidade que abriram horizontes, como na unidade da Embrapa Pecuária Sul, em Bagé (RS), conhecendo tecnologias que deram suporte à profissão.
“Acredito que consegui desenhar minha jornada profissional em cima do que para mim faz sentido. Falar de produção e estar ligada ao campo faz parte do meu íntimo. Hoje atuo muito na representatividade, falando da pecuária brasileira para o mundo”, relata.
Para Ana, a Medicina Veterinária vem alinhada com a atividade porque ajuda a entender desafios e demandas, fornecendo suporte para difundir a carne brasileira pelo mundo.
“A profissão está diretamente ligada a tudo que já fazemos e faremos para impulsionar as raças. O veterinário traz visão ampla sobre desempenho, adaptação, características, dados, números, indústria, padronização de produtor, qualidade, diferenciais e posicionamento disso para o mercado. Ajuda a comunicar esse trabalho e o que diferencia o produto brasileiro, que alia alta produtividade e sustentabilidade. A profissão transita nesses elos”, completa.
Desiree Hastenpflug Möller
Histórias de paixão e dedicação
Na trajetória de Magali, a paixão por animais surgiu ainda na infância. Depois de formada, morou fora do país e retornou com duas filhas pequenas, decidida a voltar ao mercado de trabalho.
“Comecei trabalhando com registro genealógico de bovinos de corte e em 2014 vim para a Arco”, conta.
Ela enfrentou desafios e aprendeu sobre a ovinocultura brasileira, conhecendo raças, potencialidades, lã, carne e leite. Hoje coordena o registro genealógico de 32 raças em todo o Brasil, trabalhando com mais de 100 técnicos e estudando linhagens familiares e comprovação da pureza racial.
Desiree, nascida na capital gaúcha, desde pequena queria ser veterinária. Após se formar, foi morar em um sítio na região metropolitana de Porto Alegre, atuando como única veterinária da região com clínica e cirurgia. Em 2014, herdou um rebanho bovino, depois substituído por búfalos, onde descobriu sua verdadeira vocação: a produção de alimentos com genética e bem-estar animal.
Magali Moura
Já Débora segue os primeiros passos da profissão. Filha de produtores de leite, acompanhou de perto as dificuldades das enchentes e da perda da propriedade familiar, mas manteve firme a escolha pela Medicina Veterinária. Durante os estágios, descobriu interesse por reprodução de bovinos e qualidade de leite, mantendo contato direto com os animais.
“Acredito que, independentemente da área em que atuarei, serei uma ótima profissional, porque tenho orgulho dessa profissão”, conclui emocionada.