domingo, abril 12, 2026

Agro

News

o país onde o voto vale mais que a produção


O governo federal anunciou uma mudança estrutural no sistema de crédito imobiliário, permitindo que parte dos depósitos compulsórios da poupança, hoje direcionados em 65% ao financiamento habitacional, seja liberada para ampliar o crédito e reduzir os juros da casa própria.

A medida é tecnicamente interessante e politicamente inteligente: fala diretamente com milhões de brasileiros urbanos, de diferentes classes sociais, que sonham com o teto próprio.

Mas revela também o caráter eleitoral das decisões econômicas no Brasil. Enquanto o governo reforma o crédito habitacional para ganhar votos, o crédito rural segue travado, mesmo sendo o setor que sustenta o emprego, as exportações e o superávit da balança comercial.

O Brasil rural é composto por cerca de 77% de pequenos produtores familiares e 23% de produtores médios e grandes. Esses 23% respondem por aproximadamente 75% do valor total da produção agropecuária — ou seja, são eles que garantem o abastecimento, o saldo comercial e a geração de renda no interior.

Mas há um problema: esses produtores representam poucos votos. São numericamente minoritários, dispersos geograficamente e com baixo impacto eleitoral. Em termos políticos, não elegem governos. E, por isso, ficam fora das grandes reformas econômicas.

No outro extremo, o crédito habitacional fala com dezenas de milhões de famílias urbanas — um público que decide eleições. Liberar compulsórios da poupança e ampliar o crédito para moradia é mais que política econômica: é estratégia eleitoral.

Os 23% de produtores médios e grandes, que respondem pela maior parte da produção agropecuária, enfrentam hoje juros proibitivos, limites travados e ausência de crédito novo.
Negociam dívidas, mas não conseguem crédito adicional para operar, o que compromete o ciclo produtivo.

A diferença é brutal:

  • O crédito urbano é reformado por decreto;
  • O crédito rural é remendado por renegociação.

E o resultado é previsível: o Brasil financia o consumo, mas estrangula a produção. Se o governo realmente quisesse equilibrar o jogo, aplicaria ao campo a mesma lógica usada na habitação:

Liberar parte dos depósitos compulsórios à vista, que hoje ficam imobilizados no sistema financeiro, para irrigar crédito com juros menores e prazos mais longos aos produtores rurais.

Essa medida, tecnicamente viável e de impacto macroeconômico baixo, permitiria:

  • Aumentar a liquidez para o crédito rural sem depender de novos subsídios fiscais.
  • Reduzir os spreads bancários no financiamento agrícola, que hoje superam 20% ao ano.
  • Fortalecer os 23% de produtores médios e grandes que sustentam a produção e as exportações, mas estão sem acesso a capital competitivo.
  • Gerar efeito multiplicador sobre emprego, logística e renda nas regiões do interior.

Em resumo: o governo poderia transformar uma decisão política em política de Estado, usando os depósitos à vista como instrumento de desenvolvimento rural, da mesma forma que faz com a poupança urbana.

A diferença não está na economia — está nas urnas. No Brasil, o crédito é concedido conforme o peso do eleitor, não o peso da produção.

Nas cidades, a habitação é pauta eleitoral de massa: Cada contrato assinado é uma família satisfeita, um voto potencial. No campo, o crédito é tema técnico, sem glamour nem palco, um investimento silencioso que não rende manchete nem voto.

Enquanto isso, o país segue dependente de exportações do agro, mas incapaz de oferecer crédito barato a quem produz. É o paradoxo do Brasil moderno: o campo sustenta o PIB, mas a cidade decide o orçamento.

Crédito para votos ou crédito para produção?

A liberação de compulsórios da poupança para o crédito imobiliário é uma medida de impacto político imediato. Mas o verdadeiro desafio é reformar o crédito rural, permitindo que os depósitos à vista financiem com juros competitivos os 23% de produtores que respondem por 75% da produção nacional.

O Brasil precisa escolher se quer um crédito que ganha eleições ou um crédito que gera riqueza. Enquanto o governo financiar votos e esquecer a produção, continuará faltando coerência entre o discurso de crescimento e a prática da política.

Afinal, de nada adianta construir casas se faltar crédito para quem produz o alimento que vai dentro delas.

Miguel DaoudMiguel Daoud

*Miguel Daoud é comentarista de Economia e Política do Canal Rural


Canal Rural não se responsabiliza pelas opiniões e conceitos emitidos nos textos desta sessão, sendo os conteúdos de inteira responsabilidade de seus autores. A empresa se reserva o direito de fazer ajustes no texto para adequação às normas de publicação.



Source link

News

A crise do agronegócio é a alavancagem sem gestão de risco


O lado bom da crise é que ela obriga os agentes em prejuízo a voltarem à mesa de debates em busca de soluções. O lado ruim é que, mais uma vez, ignoram suas próprias responsabilidades acumuladas ao longo de três décadas e repetem os mesmos erros, sustentando discursos que mascaram a realidade e terceirizam responsabilidades. Agem como se não fossem eles mesmos — governo, agentes financeiros e produtores — os principais causadores do desequilíbrio atual. A pergunta é simples: não aprenderam nada com história?

No agronegócio, risco se administra, não se terceiriza. Quando se ignora esse princípio, o resultado é sempre o mesmo — crédito comprometido, renegociações recorrentes, inadimplência , recuperação judicial, perda de patrimônio do produtor, famílias desestruturadas, e um setor que continua girando no ciclo vicioso da imprevidência.

O recente discurso de significativa parte do sistema financeiro, tenta explicar o endividamento do agronegócio brasileiro sob a ótica da “alavancagem excessiva”. No entanto, essa leitura financista é míope: ignora que o verdadeiro motor da crise não é o preço, nem o mercado, mas o risco climático não gerido, que corrói margens, destrói capacidade produtiva e multiplica perdas.

Na teoria econômica, alavancagem significa o uso de capital de terceiros para potencializar retornos. É legítima quando associada à gestão de riscos. Mas, no campo, alavancar sem seguro rural e sem proteção de preço é roleta financeira. A alavancagem irresponsável nasce da omissão dos próprios agentes financeiros, que liberam crédito sem exigir garantias reais de resiliência — seguro rural e hedge de preços — e, depois, socializam prejuízos com programas de renegociação e perdão de dívidas.

A ausência de uma política robusta de gestão de riscos agropecuários, especialmente via seguro rural, é o verdadeiro nó estrutural. É incoerente que instituições financeiras que operam bilhões em crédito rural negligenciem o seguro como ferramenta essencial de estabilidade. Falar de rentabilidade e de mercado sem falar de risco climático é tratar o sintoma, não a causa.

Preço é cíclico — e pode ser protegido com hedge e derivativos. Clima é permanente — e previsível em sua imprevisibilidade. Nos países que servem de referência, como Espanha e Estados Unidos, o produtor que não contrata seguro rural ou não adota instrumentos de proteção simplesmente não recebe ajuda extraordinária. É a lógica da responsabilidade compartilhada e da prevenção.

Chegou a hora de o Brasil amadurecer. É preciso responsabilizar quem ignora o risco, exigir gestão de riscos como condição para o crédito, e estruturar políticas preventivas, não paliativas. Caso contrário, a próxima seca voltará a expor o mesmo enredo: dívidas impagáveis, renegociações disfarçadas e a perpetuação de um modelo que confunde crédito com socorro.

*Pedro Loyola é coordenador executivo do Observatório do Seguro Rural da FGV Agro.


Canal Rural e a FGV Agro não se responsabilizam pelas opiniões e conceitos emitidos nos textos desta sessão, sendo os conteúdos de inteira responsabilidade de seu autor. O Canal Rural se reserva o direito de fazer ajustes no texto para adequação às normas de publicação.



Source link

AgroNewsPolítica & Agro

Distribuidores de insumos: peça-chave do agro


No complexo tabuleiro do agronegócio, os distribuidores de insumos se consolidam como elo estratégico entre indústria e produtores. Segundo Renato Cesar Seraphim, estrategista de Agronegócio, a 10ª Pesquisa Nacional da Distribuição, realizada pela Andav em parceria com o Cepea/Esalq/USP, revela a força e os desafios desse segmento, projetando um faturamento de R$ 167 bilhões para 2024.

Com quase 40% dos insumos chegando ao campo por meio de distribuidores e cooperativas, o setor não se limita à comercialização: constrói relacionamentos duradouros com produtores. A pesquisa mostra que o WhatsApp é a principal ferramenta de contato (97%), mas visitas personalizadas e suporte técnico especializado continuam essenciais (69% e 65%). O setor é maduro, com 74% das empresas atuando há mais de 11 anos e equipes compostas majoritariamente por engenheiros agrônomos (56%). Além disso, 40% dos produtores recebem crédito diretamente dos distribuidores, evidenciando a profundidade da parceria.

Apesar da força, os desafios são grandes. O esmagamento das margens (70%), a inadimplência (62%), a concessão de crédito (61%), a busca por mão de obra qualificada (51%) e o aumento do custo operacional (43%) exigem gestão eficiente e profissionalizada. A governança interna ainda precisa evoluir: embora 88% tenham diretoria formal, apenas 34% possuem plano de sucessão estruturado.

O futuro do setor aponta para digitalização, sustentabilidade e gestão de excelência. A Inteligência Artificial já demonstra impacto positivo entre os que a adotaram (89%), enquanto práticas ESG são realidade para 80% das empresas. Para prosperar, os distribuidores devem investir em tecnologia e dados, profissionalização da gestão e foco em serviços e soluções completas para o produtor.

“A pesquisa da Andav nos oferece mais do que números; ela nos entrega um mapa. O caminho à frente é desafiador, mas as oportunidades são imensas. Cabe a cada um de nós, líderes da distribuição, usar essa visão para navegar pela encruzilhada atual e construir um futuro mais forte, rentável e sustentável para o nosso setor e para o agronegócio brasileiro”, conclui.

 





Source link

News

Tensão comercial entre EUA e China afeta mercados e faz dólar disparar


No morning call desta segunda-feira (13), a economista-chefe do PicPay, Ariane Benedito, comenta que o aumento das tensões entre EUA e China agravou a aversão ao risco global. O dólar subiu mais de 2% e fechou a R$ 5,50, maior valor em dois meses, enquanto o Ibovespa recuou 0,73% na sexta-feira e 2,44% na semana.

O mercado reage ao anúncio de pacote fiscal, derrota da MP 1.303 e nova política de crédito. Hoje, foco em indicadores de serviços, comércio e atividade no Brasil, além de CPI e PPI nos EUA.

Ouça o Diário Econômico, o podcast do PicPay que traz tudo que você precisa saber sobre economia para começar o seu dia, com base nas principais notícias que impactam o mercado financeiro.

Para mais conteúdos de mercado financeiro, acesse: Bom Dia Mercado!

Ariane Benedito, apresentadora do podcast Diário Econômico
Foto: divulgação



Source link

News

Frente fria avança pelo país e traz risco de temporais e ventos de até 90 km/h em várias regiões



A frente fria que se formou no domingo (12) continua avançando pela costa brasileira nesta segunda-feira (13) e deve provocar chuva e ventos fortes em várias regiões do país. De acordo com a Climatempo, o sistema mantém o tempo instável principalmente no Sul, Sudeste e Centro-Oeste, com risco de temporais, rajadas intensas e queda de granizo em algumas áreas.

Você quer entender como usar o clima a seu favor? Preparamos um e-book exclusivo para ajudar produtores rurais a se antecipar às mudanças do tempo e planejar melhor suas ações. Com base em previsões meteorológicas confiáveis, ele oferece orientações práticas para proteger sua lavoura e otimizar seus resultados.

No Sul, os núcleos de chuva ainda atuam entre Santa Catarina e Paraná, com pancadas de intensidade variável desde o início da manhã. Em regiões do interior do Paraná, como o oeste, centro, norte e leste, a chuva pode vir acompanhada de raios e trovoadas. No noroeste e norte do estado, há risco de temporais com granizo.

No Rio Grande do Sul, o tempo começa a firmar na maior parte do estado, mas cidades da Serra, Planalto e Litoral ainda podem registrar chuva isolada. Mesmo com a melhora, o ciclone que atua próximo à costa do Uruguai continua provocando ventos fortes, que podem superar 60 km/h em boa parte da metade leste gaúcha. Nas serras gaúcha e catarinense, as rajadas podem chegar a 90 km/h.

Com o deslocamento da frente fria, as instabilidades também se espalham pelo Sudeste. Em São Paulo, a chuva chega já pela manhã, com possibilidade de pancadas fortes e tempestades localizadas. Há risco de raios e ventania, principalmente na capital e no litoral, onde as rajadas podem passar dos 70 km/h — mesmo antes da chuva. Em áreas do Vale do Paraíba, sul de Minas Gerais e regiões serranas do Rio de Janeiro, o vento pode atingir até 90 km/h.

A partir da tarde, as pancadas se intensificam em Minas Gerais e Rio de Janeiro, com potencial para temporais e granizo. À noite, a chuva avança para o sul do Espírito Santo.

No Centro-Oeste, o avanço do sistema mantém o tempo instável em todos os estados e no Distrito Federal. O Mato Grosso do Sul deve ter chuva forte já pela manhã, com risco de raios e rajadas. Ao longo do dia, os temporais se espalham por Mato Grosso, Goiás e DF. Por causa da nebulosidade, as temperaturas ficam mais amenas em comparação aos últimos dias.

No Nordeste, os ventos que sopram do oceano mantêm pancadas irregulares na faixa litorânea, principalmente entre o Rio Grande do Norte e a Bahia, com chuva fraca a moderada. À noite, áreas de instabilidade podem alcançar o sul e oeste baiano. No MATOPIBA (região que inclui Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia), há risco de pancadas fortes. Já no interior nordestino, o tempo segue seco e quente, com baixa umidade do ar.

Na Região Norte, a chuva pesada segue concentrada no Amazonas, Acre, sul do Pará, Tocantins e Rondônia, com chance de temporais e ventos fortes. No norte do Pará e Amapá, o tempo continua mais firme, com sol predominando ao longo do dia. Em Belém (PA), a Climatempo prevê chuva moderada por causa da umidade vinda do oceano.



Source link

News

produtor mineiro mantém receita centenária e conquista prêmio nacional


Produtor de queijos em Minas Gerais, Nonato Santa Rita, como gosta de ser chamado, foi um dos finalistas no Prêmio Brasil Artesanal – edição queijos 2025, organizado pela CNA e que contou com o apoio do Sebrae.

Foi navegando pelas redes sociais que o produtor encontrou o concurso. Movido pela curiosidade, decidiu se inscrever. Para sua surpresa, ficou entre os 15 melhores produtores do país.

“Para mim, essa classificação e participação no concurso são extremamente motivadoras, para que a gente possa superar as intempéries do campo e seguir levando um queijo de qualidade à mesa do consumidor”, conta Nonato.

  • Participe do Porteira Aberta Empreender: envie perguntas, sugestões e conte a sua história de empreendedorismo pelo WhatsApp

A relação do Nonato Santa Rita com a produção de queijos começa ainda criança, quando ajudava o pai no dia a dia na fazenda e também na produção de queijos.

Contudo, o produtor precisou deixar o campo para estudar em Paulistas (MG), e tempos depois, mudou-se para São Paulo, onde se formou em contabilidade e direito: “fui empresário contábil por mais de 30 anos.” 

Ainda assim, a memória do campo nunca deixou de pulsar. Em 2017, Nonato Santa Rita decidiu retornar à fazenda Sobrado. Dessa forma, reiniciou a produção do queijo ‘Sô Toni’: “seguindo a mesma receita que existe há mais de 300 anos.”

Atualmente, com um rebanho de cerca de 40 vacas, ele produz cerca de 80 peças de queijos por dia. Além disso, busca eficiência diária, porque acredita que só com continuidade o campo prospera.

Portanto, a trajetória de Nonato Santa Rita mostra que tradição, dedicação e inovação podem andar juntas, valorizando a cultura rural e até, inspirando novas gerações.

Porteira Aberta Empreender

Quer saber mais sobre produção de queijos? Assista ao programa Porteira Aberta Empreender, às sextas-feiras, às 18h. O programa é uma parceria entre o Sebrae e o Canal Rural, trazendo dicas, orientações e mostrando histórias reais de micro e pequenos produtores de todo o país.

Às sextas-feiras, às 18h, no Canal Rural. | Foto: Arte Divulgação



Source link

AgroNewsPolítica & Agro

Manejo fitossanitário eficiente é essencial na soja



É fundamental adotar estratégias


É fundamental adotar estratégias
É fundamental adotar estratégias – Foto: USDA

Um manejo fitossanitário eficiente e bem planejado é essencial para alcançar altas produtividades na cultura da soja. Segundo informações da Mais soja, as doenças fúngicas estão entre os principais fatores que comprometem o rendimento das lavouras, com destaque para a ferrugem-asiática (Phakopsora pachyrhizi), a mancha-alvo (Corynespora cassiicola), o oídio (Erysiphe diffusa), o mofo-branco (Sclerotinia sclerotiorum), a podridão dos grãos (Diaporthe spp. e Fusarium spp.) e as doenças de final de ciclo (Cercospora spp. e Septoria glycines). Em casos extremos, essas enfermidades podem causar perdas de até 90%, inviabilizando a produção.

Além de reduzir o potencial produtivo, essas doenças afetam diretamente a qualidade das sementes, diminuindo sua viabilidade e valor de mercado. Diante desse cenário, é fundamental adotar estratégias de manejo integradas que reduzam os danos e garantam a sustentabilidade econômica da atividade.

Embora existam diversas práticas disponíveis, o controle químico com fungicidas ainda é o método mais utilizado em escala comercial. Contudo, o posicionamento correto dos produtos exige conhecimento técnico e atenção ao desempenho de cada ingrediente ativo frente às condições climáticas e fitossanitárias de cada região.

Para orientar o uso eficiente de fungicidas, a Rede Fitossanidade Tropical e a Embrapa conduzem ensaios cooperativos desde a safra 2003/2004, avaliando a eficácia dos principais produtos disponíveis no país. Os resultados indicam diferentes níveis de controle das doenças e reforçam a importância de rotacionar fungicidas com distintos modos de ação, reduzindo o risco de resistência dos fungos e assegurando o equilíbrio produtivo das lavouras.

 





Source link

AgroNewsPolítica & Agro

como prevenir as principais doenças



Enfermidades podem causar perdas significativas


Enfermidades podem causar perdas significativas
Enfermidades podem causar perdas significativas – Foto: Emater MG

As doenças fúngicas Cercosporiose e Mancha-de-Phoma estão entre os principais desafios fitossanitários enfrentados pelos cafeicultores. Segundo o consultor de campo Marcos Antônio Rosa, essas enfermidades podem causar perdas significativas de produtividade e qualidade dos grãos, sendo fundamental adotar estratégias de manejo preventivo e atenção constante às condições climáticas da lavoura.

A Cercosporiose, causada pelo fungo Cercospora coffeicola, provoca manchas marrons com halo amarelado em folhas e frutos. Seu desenvolvimento é favorecido por altas temperaturas, radiação solar intensa e deficiência nutricional, podendo levar à desfolha, queda na qualidade dos grãos e redução da produtividade. Já a Mancha-de-Phoma, causada por Phoma sp., caracteriza-se por lesões escuras e irregulares nas bordas das folhas, curvaturas foliares e secamento de ramos, ocorrendo com maior intensidade em condições de alta umidade, ventos constantes e temperaturas mais baixas, em torno de 20 °C, resultando em perdas produtivas importantes.

Para o manejo dessas doenças, Rosa destaca a importância de práticas culturais, como adubação equilibrada, poda adequada e espaçamento correto entre plantas, além do uso de fungicidas preventivos antes e depois da florada, sempre com rotação de ingredientes ativos para reduzir o risco de resistência. O monitoramento constante da lavoura permite identificar sintomas precocemente e ajustar as estratégias de controle conforme as condições climáticas.

O consultor reforça que o controle eficiente da Cercosporiose e da Mancha-de-Phoma depende da prevenção, do equilíbrio nutricional e do acompanhamento técnico contínuo, garantindo plantas mais saudáveis, grãos de qualidade e produtividade estável ao longo do ciclo.

 





Source link

AgroNewsPolítica & Agro

China amplia compras e consolida liderança nas importações globais de soja


As exportações brasileiras de soja seguem em ritmo acelerado, puxadas principalmente pela demanda chinesa. Em setembro, a China importou 6,5 milhões de toneladas da oleaginosa brasileira, representando 93% do total embarcado pelo Brasil no mês, segundo dados da Secex. Essa concentração reforça o protagonismo do país asiático no comércio global da commodity.

Com esse desempenho, o Brasil exportou 6,99 milhões de toneladas de soja em setembro, superando em 6,6% o volume de igual período de 2024. No acumulado do ano, o país já enviou ao exterior 93 milhões de toneladas, o maior volume registrado entre janeiro e setembro.

Para outubro, a expectativa é ainda mais otimista: a Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (Anec) projeta 7,12 milhões de toneladas exportadas, superando em quase 60% o volume do mesmo mês do ano anterior. “A ausência dos Estados Unidos no mercado, devido à guerra tarifária com a China, abriu ainda mais espaço para o Brasil”, analisa Argemiro Brum, da CEEMA.

O recuo das exportações de farelo de soja — estimadas em 1,92 milhão de toneladas para outubro — indica mudança no perfil da demanda global, com maior foco no grão in natura. Mesmo assim, os embarques acumulados de farelo em 2025 já ultrapassam 19 milhões de toneladas.

Com a participação chinesa nas importações brasileiras de soja saltando para 79,9% neste ano, contra média de 74% entre 2021 e 2024, especialistas apontam risco de excesso de dependência. “A concentração pode aumentar a vulnerabilidade comercial do Brasil frente a oscilações na política externa chinesa”, alerta Brum.

Apesar dos números expressivos, a atenção do mercado internacional se volta para a nova safra sul-americana, que enfrenta alta nos custos de produção e incertezas climáticas. Esse cenário poderá redefinir o equilíbrio global de oferta e preços nas próximas safras.





Source link

AgroNewsPolítica & Agro

Colheita de milho nos EUA avança, mas impasse fiscal paralisa dados e gera incerteza global


A colheita de milho nos Estados Unidos avança e já alcança cerca de 40% da área plantada, mas o mercado global opera em meio à incerteza. A crise fiscal que paralisou parte do governo norte-americano impediu a divulgação do relatório de oferta e demanda do USDA, ferramenta fundamental para o equilíbrio internacional da commodity.

Em Chicago, os contratos futuros recuaram levemente, fechando o dia 9 de outubro a US$ 4,18 por bushel. A ausência de informações oficiais gerou volatilidade e ampliou o espaço para especulações. “Sem as estatísticas do USDA, o mercado fica no escuro, e isso afeta decisões comerciais em todo o mundo”, observa Argemiro Brum, da CEEMA.

Apesar disso, a demanda interna dos EUA segue firme, especialmente puxada pela indústria de etanol, o que contribui para limitar quedas mais acentuadas nos preços. Contudo, com a entrada da safra recorde americana no mercado, os principais concorrentes, como Brasil e Ucrânia, devem enfrentar desafios para manter seus volumes exportados.

No Brasil, as exportações acumuladas entre fevereiro e setembro somam 18,8 milhões de toneladas — 4% abaixo do mesmo período de 2024. Especialistas apontam que o ritmo deve cair ainda mais, diante da concorrência agressiva dos Estados Unidos, que volta com força ao mercado internacional.

Outro fator relevante é a valorização do real frente ao dólar, que reduz a competitividade brasileira. Segundo analistas, a conjuntura atual favorece a hegemonia dos EUA nas vendas internacionais, ao menos no curto prazo.

Enquanto isso, a China se mantém atenta às oportunidades de compra, avaliando fornecedores com base em preço, volume e previsibilidade logística — aspectos que poderão ser redefinidos conforme se desenrola a crise fiscal norte-americana e avança a colheita nos demais países produtores.





Source link