domingo, abril 12, 2026

Agro

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Pará envia primeira remessa de carne bovina rastreada para a China


O Pará iniciou as exportações de carne bovina com a primeira remessa de 108 toneladas, que partiu do município de Xinguara, conhecido como a capital do boi gordo, com destino à China.

O estado, detentor do segundo maior rebanho bovino do país, com 26 milhões de cabeças de gado, iniciou as exportações de carne produzida com o Sistema de Rastreabilidade Bovina Individual do Pará (SRBIPA).

O lote exportado incluía mais de 350 bovinos machos da raça Nelore, com idades entre 13 e 24 meses, transportados em 22 caminhões para um frigorífico com Serviço de Inspeção Federal (SIF) para o município de Água Azul do Norte, no Pará.

Após o nascimento, cada animal recebeu dois brincos de identificação: um amarelo, para leitura visual, e outro azul eletrônico, que permite monitoramento por radiofrequência.

Durante 90 dias, o rebanho foi alimentado com silagem, capim e ração, seguindo manejo sustentável em pasto rotacionado intensivo. Esse processo garante rastreabilidade completa e fortalece a qualidade e a sustentabilidade em toda a cadeia produtiva da carne.

Rastreabilidade como diferencial

A iniciativa garante o controle sanitário do rebanho desde o nascimento até o abate. O primeiro lote de carne produzido com o sistema registrou ganho médio de 592 kg por animal, totalizando 7.212,48 arrobas.

“O sistema de rastreabilidade é pioneiro no Brasil e qualifica a carne para mercados internacionais, oferecendo garantias sanitárias de produção e de origem do produto, permitindo o acompanhamento até chegar ao frigorífico e fortalecendo a confiança do consumidor”, destaca o diretor-geral da Adepará, Jamir Macedo.

Foto: Bruno Cruz/ Agência Pará

Para o zootecnista e gestor de propriedade rural Adriano Silva, a rastreabilidade agrega valor à produção.

“Com o número de identificação de cada animal, é possível acompanhar o ganho de peso individualmente, tornando a produção e a gestão da propriedade mais precisas. Isso impacta diretamente a qualidade do produto final, abre acesso a diferentes mercados e contribui para o desenvolvimento da pecuária no Pará”, afirma.

Rastreamento gratuito

A partir de janeiro de 2027, todo o rebanho estadual deverá estar identificado individualmente. Os brincos de identificação são fornecidos gratuitamente pelo governo do Pará a produtores com até 100 animais, que podem procurar a Adepará em seu município para adquirir os itens e realizar a identificação individual.



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Brasil e Costa Rica criam documento único para transporte de pets



O Brasil e a Costa Rica firmaram acordo que cria o Certificado Veterinário Internacional (CVI) para cães e gatos. O documento estabelece regras sanitárias padronizadas para o transporte de animais de estimação entre os dois países, trazendo previsibilidade e simplificação para tutores e empresas de transporte.

O CVI é resultado da cooperação entre o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), o Ministério das Relações Exteriores (MRE) e o Serviço Nacional de Sanidade Animal da Costa Rica (Senasa). Além disso, consolida em um único documento todas as exigências sanitárias, evitando divergências de interpretação, retrabalho e custos extras.

Benefícios para tutores e transporte de pets

Com o CVI, tutores têm mais segurança sobre as condições exigidas para a viagem. O certificado garante que cães e gatos cumpram os requisitos sanitários definidos tanto pelo Brasil quanto pela Costa Rica, desde a vacinação até a saúde geral do animal. Para empresas de transporte, o instrumento padroniza procedimentos e reduz burocracia.

Especialistas em sanidade animal destacam que a medida ajuda a prevenir a disseminação de doenças entre países e fortalece o controle sanitário. “O CVI é importante para manter a saúde dos animais durante o transporte internacional e facilitar o cumprimento das regras nos dois países”, afirma um técnico do Mapa.

Como solicitar o CVI

O modelo de certificado e as instruções para emissão estão disponíveis no portal do Mapa, na seção “Viajar com animais de estimação”, em assuntos de Defesa Agropecuária. O material detalha etapas, documentos necessários e os canais oficiais para a solicitação, permitindo que tutores e transportadoras planejem a viagem com antecedência e segurança.

A iniciativa integra esforços internacionais de harmonização sanitária e reforça a atenção do Brasil e da Costa Rica à saúde animal e à proteção de pets em trânsito.



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Tremor de terra é sentido por moradores do Oeste da Bahia


Um tremor de terra foi sentido por moradores de Luís Eduardo Magalhães na manhã desta terça-feira (14). A informação foi confirmada pelo Laboratório Sismológico da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), instituição responsável pela estação que monitora a região.

Segundo a UFRN, as estações sismográficas, registraram um tremor de terra no território do município de Barreiras (BA).

A atividade ocorreu às 13h14 UTC (10h04, no horário de Brasília) e teve magnitude preliminar de 3.9 Escala Richter (mR).

terremoto luís eduardo magalhães, oeste da Bahia, território de Barreirasterremoto luís eduardo magalhães, oeste da Bahia, território de Barreiras
Imagem: Divulgação/LabSis/UFRN

De acordo com relatos da população, o terremoto foi sentido por moradores da região, incluindo o município vizinho de Luís Eduardo Magalhães (LEM), por estar localizado mais próximo ao epicentro do sismo.

Além da região central de LEM, há relatos na zona rural como no distrito de Novo Paraná. Imagens divulgadas nas redes sociais mostram pisos rachados e câmeras de segurança balançando.

Por meio de nota, a Prefeitura de Luís Eduardo Magalhães informou que a Defesa Civil Municipal, ao tomar conhecimento do ocorrido, entrou em contato com os órgãos responsáveis pelo monitoramento geológico, buscando informações detalhadas e acompanhando as atualizações oficiais sobre o evento.

O órgão disse ainda que todas as informações oficiais serão divulgadas pelos canais institucionais da Defesa Civil e pelos órgãos competentes, garantindo transparência e segurança à população. Não houve notificações de feridos.

Recentemente, um evento sísmico foi registrado e divulgado pelo LabSis/UFRN no Norte estado da Bahia.

No dia 11 de outubro, um sismo natural, com magnitude estimada em 1.9 mR, atingiu o município de Jacobina, às 11h04 UTC (08h04, no horário de Brasília).

O Laboratório Sismológico da UFRN informou ainda que segue monitorando e divulgando toda atividade sísmica que ocorra no estado da Bahia e em toda região Nordeste do país.


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venda da pluma da safra 2024/25 em MT atinge 70%, aponta Imea



De acordo com os dados divulgados pelo Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea), a comercialização da pluma de algodão safra 24/25, em Mato Grosso, alcançou 69,97% da produção até o fim de setembro. Os números representam um avanço de 1,58 ponto percentual em relação a agosto, embora ainda estejam 6,72 pontos abaixo do mesmo período do ciclo 2023/24, quando o número era de 76,69%.

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Vendas antecipadas

As vendas antecipadas da safra 2025/26 atingiram 31,90% da produção projetada, incremento mensal de 4,64 pontos percentuais, mas ainda 0,68 ponto abaixo de setembro de 2024. O norte lidera as negociações da safra futura com 41,57% vendidos, seguido por nordeste (32,54%), médio-norte (30,97%), centro-sul (26,82%), oeste (24,59%), noroeste (20,41%) e sudeste (19,09%).

Caroço de algodão

No caroço de algodão, a safra 2024/25 registra 67,48% de comercialização, alta de 4,17 pontos no mês, mas ainda 6,61 pontos atrás do ritmo de setembro de 2023. O norte também lidera com 69,41% vendidos, seguido por médio-norte (69,51%), oeste (68,62%), nordeste (61,90%), centro-sul (60,78%), noroeste (56,76%) e sudeste (43,94%). Para a safra 2025/26, o caroço tem 21,11% já comercializados.



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Plantio de milho verão 2025/26 atinge 90% da área no Paraná



O plantio da safra de verão de milho 2025/26 avança em praticamente todas as regiões produtoras do Paraná, com 90% da área prevista semeada até essa segunda-feira (13), segundo o Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria de Agricultura do Estado.

O boletim aponta que 22% das lavouras estão em fase de germinação e 78% em desenvolvimento vegetativo. Em sua maioria, as condições são boas (99%), com apenas 1% em condição média.

Segundo o  Deral, as lavouras emergidas apresentam bom desenvolvimento inicial. No entanto, “há relatos de infestações pontuais de pragas, como cigarrinha e tripes, que exigem atenção”, disse o órgão, em relatório. Além disso, em áreas recém-plantadas, a adubação nitrogenada está sendo postergada em virtude do excesso de chuvas.

Colheita do trigo

Sobre a colheita da safra de trigo 2025, o Deral mostra que o cereal foi retirado de 64% da área semeada e que 85% das lavouras têm condição boa, 14% média e 1% ruim.

“A colheita está em fase final ou em andamento na maior parte das regiões”, relatou o Deral.

O órgão aponta que 66% das lavouras estão em fase de maturação, 31% em frutificação e 3% em floração. No entanto, o Deral destaca que as chuvas recorrentes na última semana têm atrasado as operações e comprometido a qualidade dos grãos.

Segundo a entidade, em parte das áreas ainda em campo, há risco de perdas adicionais se as condições climáticas adversas persistirem.



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AgroNewsPolítica & Agro

Média sobe pela 8ª semana consecutiva



Demanda permanece aquecida


Foto: Canva

Mesmo com as chuvas recentes – que foram isoladas e pouco volumosas –, a baixa umidade continua predominando na maioria das regiões produtoras de mandioca, indicam levantamentos do Cepea. Ao mesmo tempo, o interesse de produtores pela comercialização segue limitado, especialmente no caso das raízes mais novas, em razão da menor produtividade e do teor de amido reduzido. Assim, em muitas praças, a oferta permanece abaixo da demanda industrial, impulsionando os preços pela oitava semana consecutiva, conforme o Centro de Pesquisas.

O valor médio nominal a prazo da tonelada de mandioca posta fecularia foi de R$ 563,83 (R$ 0,9806/grama de amido), alta semanal de 2% e de 7,5% em quatro semanas. Já em termos reais – com base no IGP-DI –, a média está 10,7% abaixo da registrada em igual período do ano anterior. Com a oferta de mandioca abaixo das expectativas e o menor rendimento industrial, a produção de fécula segue limitada em todas as regiões acompanhadas pelo Cepea.

A demanda, por outro lado, permanece aquecida, e muitas empresas têm enfrentado dificuldades para recompor estoques, que caíram pela décima semana consecutiva, ao menor patamar desde maio. 





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Presidente do Banco Central dos EUA diz que tarifaço já impacta inflação americana



O presidente do Federal Reserve, o banco central norte-americano, Jerome Powell, afirmou que “as tarifas estão elevando as pressões sobre os preços” nos Estados Unidos, segundo dados recentes. A inflação medida pelo índice de gastos com consumo atingiu 2,9% em agosto, ligeiramente acima do início do ano, impulsionada pelo avanço dos preços de bens.

“Os dados disponíveis mostram que o aumento dos preços de bens reflete principalmente tarifas, e não pressões inflacionárias mais amplas”, afirmou Powell. Ele destacou também que as medidas protecionistas recentes estão contribuindo para o encarecimento de produtos importados.

A observação ocorreu durante discurso no encontro anual da National Association for Business Economics (Nabe), nesta terça-feira (19).

Economia firme, porém com ressalvas

Apesar do atraso na divulgação de parte dos indicadores oficiais em razão da paralisação do governo norte-americano, o chamado shutdown, o presidente do Fed disse que o banco central continua acompanhando informações públicas e privadas, além de relatos regionais que serão resumidos no Livro Bege divulgado na quarta-feira (15).

Ele acrescentou que o crescimento da economia “pode estar em trajetória um pouco mais firma do que o esperado”, mas alertou que não há “um caminho isento de riscos” ao equilibrar as metas de emprego e inflação.

Diante desse cenário, segundo Powell, o Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC, na sigla em inglês) avaliou como apropriado “dar mais um passo em direção a uma postura mais neutra” na reunião de setembro. Ele reiterou ainda que o Fed seguirá calibrando sua política, conforme a evolução das perspectivas econômicas e do balanço de riscos, sem seguir um caminho predeterminado.



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Safra de grãos deve atingir 341,9 milhões de toneladas em 2025, alta de 16,8% sobre 2024, diz IBGE



A safra nacional de cereais, leguminosas e oleaginosas deve alcançar 341,9 milhões de toneladas em 2025, um aumento de 16,8% em relação ao ano anterior, segundo dados do Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA) divulgados nesta terça-feira (14) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Na comparação com agosto, a estimativa registrou alta de 0,2%, um acréscimo de 660,9 mil toneladas. A próxima divulgação do LSPA será em 13 de novembro de 2025 e trará o primeiro prognóstico para a safra 2026. 

A área a ser colhida este ano deve ser de 81,4 milhões de hectares, um crescimento de 3,0% (2,4 milhões de hectares a mais) em relação à área colhida em 2024. Frente ao mês anterior, a área a ser colhida apresentou uma expansão de 102,7 mil hectares (0,1%).

“Com auxílio do clima benéfico durante a safra de verão e a segunda safra, chegou-se ao recorde na safra de grãos. Outro motivo é que os produtores ampliaram as áreas de plantio e investiram mais nas lavouras porque os preços de alguns produtos na época do plantio estavam atrativos e com boa rentabilidade”, explica o gerente do LSPA, Carlos Barradas. 

Cereais, leguminosas e oleaginosas

Para a soja, a estimativa de produção foi de 165,9 milhões de toneladas. Quanto ao milho, a estimativa foi de 138,4 milhões de toneladas (26,1 milhões de toneladas de milho na 1ª safra e 112,3 milhões de toneladas de milho na 2ª safra).

A produção do arroz (em casca) foi estimada em 12,4 milhões de toneladas; a do trigo em 7,8 milhões de toneladas; a do algodão herbáceo (em caroço) em 9,8 milhões de toneladas; e a do sorgo em 5,0 milhões de toneladas.

Em relação à safra de 2024, ocorrem acréscimos de 10,6% para o algodão herbáceo (em caroço); de 17,2% para o arroz em casca; de 14,4% para a soja; de 20,7% para o milho (crescimento de 14,0% para o milho 1ª safra e de 22,4% para o milho 2ª safra); de 24,8% para o sorgo; de 3,6% para o trigo; e para o feijão, ocorreu decréscimo de 0,5%.

O arroz, o milho e a soja são os três principais produtos deste grupo, que, somados, representam 92,6% da estimativa da produção e respondem por 88,0% da área a ser colhida.

Em relação ao ano anterior, houve acréscimos de 4,8% na área a ser colhida do algodão herbáceo (em caroço); de 11,3% na do arroz em casca; de 3,6% na da soja; de 3,8% na do milho (declínio de 5,3% no milho 1ª safra e crescimento de 6,4% no milho 2ª safra); e de 11,4% na do sorgo; ocorrendo declínios de 5,5% na do feijão e de 18,5% na do trigo.

Safra de grãos no Centro-Oeste cresce 21,6% em 2025

A produção de grãos cresceu em todas as regiões do país em 2025, com destaque para o Norte (22,5%) e o Centro-Oeste (21,6%). Mato Grosso manteve a liderança nacional, respondendo por 32,4% do total colhido, seguido por Paraná e Goiás.



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Governo não conseguirá vitórias sem demonstrar responsabilidade fiscal à bancada do agro


Após uma demonstração de força e articulação, o governo federal conseguiu aprovar de forma unânime na Câmara dos Deputados, no dia 1º de outubro, o projeto de lei que trata da Reforma do Imposto de Renda.

Considerada uma pauta prioritária para o governo, a matéria encontrou consenso entre “gregos” e “troianos” e seguiu para o Senado Federal. Em contrapartida, o governo Lula viu perder a vigência e eficácia da MP 1303/2025, que trazia em seu texto original a tributação de várias aplicações financeiras, incluindo a criação de uma alíquota de Imposto de Renda sobre as Letras de Crédito do Agronegócio (LCAs) e, também, sobre fundos como o Fundo de Investimento nas Cadeias Produtivas Agroindustriais (Fiagros).

O texto inicialmente proposto sofreu diversas modificações e, entre pareceres e complementações de voto, foi desidratado e aprovado em Comissão Mista com apenas um voto de diferença (13 a 12), na véspera de sua caducidade.

Com o tempo se esgotando e sem a garantia dos votos necessários para a sua aprovação, o governo adotou a estratégia do “tudo ou nada”, pautando o projeto no Plenário da Câmara dos Deputados. Utilizando o primeiro instrumento de obstrução, a oposição conseguiu retirar o projeto da pauta com 251 votos favoráveis e 193 contrários, encerrando suas chances de aprovação.

O cálculo do governo era de que, se aprovada, a MP 1303/2025 representaria a segunda vitória consecutiva, após a unanimidade na votação da reforma do Imposto de Renda, sem contar o amistoso telefonema de Trump no dia 6 de outubro. Ventos bons sopravam. Com a rejeição do projeto, o governo Lula poderia atribuir ao Congresso Nacional a falta de compromisso com as contas públicas.

O segundo cenário se concretizou e agora Lula já sinaliza que precisará buscar novas formas de arrecadação. O fato é que há um cenário constante de recursos insuficientes para financiar as atividades do agronegócio – o Plano Safra 2025/26 trouxe um montante de R$ 516,2 bilhões, enquanto as entidades representativas do setor pleiteavam R$ 599 bilhões.

Nesse contexto, instrumentos como LCA, CRA e Fiagro representam um acréscimo de fomento para uma atividade que responde por quase 25% do PIB brasileiro e por 28,34 milhões de empregos diretos e indiretos, de acordo com dados apresentados pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) em 2023.

Tributar tais investimentos diminuiria sua atratividade, gerando, por consequência, menos recursos para a atividade agropecuária. É sabido que a força do agronegócio também está representada no Congresso Nacional, onde a bancada do agro é composta por mais de 300 parlamentares. Mesmo com as concessões realizadas pelo relator da MP 1303/2025, a bancada não estava convencida da pertinência da aprovação da matéria, ao contrário do que ocorreu na votação da reforma do Imposto de Renda.

Assim como na discussão do IOF, que necessitou de uma decisão do Poder Judiciário para voltar a vigorar após o Congresso Nacional aprovar a suspensão dos efeitos do decreto do Poder Executivo que impunha o aumento do tributo, o governo Lula enfrenta outros temas sensíveis que precisarão de forte articulação entre os parlamentares para serem aprovados.

Aumentar tributos é uma alternativa ao corte de gastos, especialmente com a eleição presidencial se aproximando. Contudo, para conquistar o apoio da maior bancada do Congresso, tão necessário para a aprovação de pautas relevantes, o governo tem o desafio de conciliar sua necessidade de arrecadação com a demonstração de responsabilidade em relação a um setor forte e fundamental não apenas para o Brasil, mas para o mundo. Assim, tributar ou não tributar, eis a questão.

Karina Tiezzi - BMJ ConsultoresKarina Tiezzi - BMJ Consultores

*Karina Tiezzi é gerente de Relações Governamentais da BMJ Consultores Associados e consultora em Relações Governamentais. Atuou como assessora legislativa na Câmara dos Deputados, participou da tramitação de proposições de destaque para o setor do Agronegócio, como a chamada MP do Agro (Lei 13.986/2020) e a Lei Geral do Licenciamento Ambiental (PL 3729/2004).


Canal Rural não se responsabiliza pelas opiniões e conceitos emitidos nos textos desta sessão, sendo os conteúdos de inteira responsabilidade de seus autores. A empresa se reserva o direito de fazer ajustes no texto para adequação às normas de publicação.



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limitação imposta pela China abre espaço para protagonismo do Brasil



A China anunciou medidas de controle mais rígidas sobre a exportação de terras raras, que devem entrar em vigor a partir de 1º de dezembro. O movimento abre uma janela de oportunidade para o Brasil, que tem a segunda maior reserva deste tipo de material no mundo. Para Robson Costa, engenheiro ambiental e professor da Estácio, transformar o país em potencial geológico é um desafio complexo, mas plenamente viável.

“Esse processo depende de uma coordenação eficiente entre governo, setor produtivo e comunidade científica”, afirma. O especialista destaca que essa integração é essencial para superar desafios tecnológicos, estimular novos investimentos e garantir que o país mantenha internamente o maior valor agregado de seus recursos minerais.

O que são terras raras?

As terras raras são um grupo de 17 elementos químicos presentes na natureza, usados em pequenas quantidades, mas indispensáveis para fabricar alguns produtos modernos. Entre eles, estão smartphones, baterias de carros elétricos, turbinas de energia eólica, telas de TV e equipamentos de defesa.

Na avaliação de Costa, porém, o nome “terras raras” pode gerar confusão. “O termo surgiu porque, no passado, esses elementos eram difíceis de isolar e foram inicialmente identificados em minerais escandinavos. Mas eles não são realmente raros na crosta terrestre”, explica.

Recuo chinês, potencial brasileiro

Dados de 2025 do U.S. Mineral Commodities Summaries mostram que o Brasil tem 23% das áreas conhecidas para a exploração de terras raras, ficando atrás apenas da China, que detém 49% do total. Assumir esse protagonismo, entretanto, requer que o Brasil deixe de atuar somente como exportador de matéria-prima. Hoje, a maior parte da produção brasileira não conta com processamento ou transformação local, perdendo grande parte do potencial de valor agregado.

Segundo Costa, é justamente nas etapas intermediárias e finais da cadeia produtiva em que o retorno é maior. “A etapa de separação dos elementos, por exemplo, pode agregar até 20 vezes mais valor do que a fase de concentração. Além disso, é essencial investir em pesquisa e em centros de inovação”, defende.

Neste sentido, o professor aponta que o Brasil tem uma oportunidade única de levar as riquezas geológicas a um próximo nível, já que a demanda por esses minerais deve crescer. “A busca global por alternativas à China abre espaço para o Brasil transformar sua riqueza mineral em desenvolvimento industrial e soberania tecnológica, além de contribuir com a geração de empregos”, conclui.



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