O Capim Mombaça, também conhecido como Colonião, é um verdadeiro “tanque” para produzir carne, mas exige precisão cirúrgica no manejo. Segundo o engenheiro agrônomo Marcius Gracco, a altura é o que separa o pecuarista que lucra daquele que produz apenas “vassoura” e talo no pasto, perdendo o valor nutricional que essa forrageira pode oferecer.
O segredo para dominar o Capim Mombaça está em respeitar sua fisiologia. O objetivo é colher o máximo de folhas antes que a planta gaste energia alongando o colmo (talo).
Estamos em meados de abril, um período crítico onde o Capim Mombaça tende a penduar (florescer) e endurecer para enfrentar a seca. Para que o Capim Mombaça entregue sua alta performance, ele exige um pacote tecnológico mínimo.
O boi ganha peso comendo folha, não talo. Manejar o Capim Mombaça com a régua na mão garante uma taxa de lotação superior e um acabamento muito mais rápido dos animais. É a forrageira perfeita para quem faz Recria Intensiva a Pasto (RIP) e busca giro rápido no estoque.
A Agência Estadual de Defesa Agropecuária da Bahia (Adab) interceptou durante fiscalização uma carga de quase 40 toneladas delaranja, transportada com documentação adulterada e sem comprovação de origem, na BR-116, em Jequié, após identificação de fraude.
A abordagem ocorreu no posto fixo da Agência, uma das barreiras sanitárias mantidas em rodovias e áreas de divisa, que integram a atuação permanente da Adab em diferentes regiões do estado no controle do trânsito agropecuário.
Nesse sentido, as autoridades verificaram que o condutor apresentou uma Permissão de Trânsito de Vegetais (PTV), mas o documento não correspondia à carga. Após consulta aos sistemas oficiais, a Adab considerou o documento inválido, o que permitiu identificar inconsistências.
Além disso, também constataram que a PTV havia sido adulterada a partir de um documento legítimo, emitido anteriormente para outra carga, com frutos transportados e volume diferentes.
Cargas sem procedência
Foto: Divulgação/Seagri
Na conferência, a documentação indicava o transporte de 20 toneladas de limão, enquanto o caminhão transportava laranja, em volume superior ao declarado, quase 40 toneladas. A divergência envolvia tanto os frutos transportados quanto a quantidade informada.
De acordo com a investigação, como a documentação apresentada não era válida, não foi possível confirmar a origem dos frutos nem o trajeto da carga, o que compromete a rastreabilidade e o controle do trânsito de vegetais.
Nessas condições, cargas sem procedência podem circular entre diferentes regiões produtoras do estado, como o Recôncavo, Litoral Norte e Chapada Diamantina, com risco para essas áreas.
Dessa forma, a Adab reteve o carregamento, a empresa responsável foi autuada por irregularidades na documentação e o caso encaminhado às autoridades policiais.
O transportador foi conduzido para os procedimentos legais e, após audiência de custódia, foi liberado e seguiu viagem com destino ao estado de São Paulo.
A JBS Terminais iniciou atividades no Porto de Itajaí, em Santa Catarina, em outubro de 2024 e, desde então, expandiu sua capacidade operacional em cerca de 330%, anuncia a companhia nesta quarta-feira (15).
Neste intervalo, a empresa movimentou mais de 560 mil TEUs, com crescimento médio mensal de 12%.
“Para alcançar esse patamar, a JBS Terminais investiu no ativo. Hoje, mais de três mil clientes confiam na companhia e na estrutura ofertada no Porto de Itajaí como uma das principais portas de entrada e saída do comércio internacional”, afirma o presidente da JBS Terminais, Aristides Russi Junior.
Segundo ele, no primeiro trimestre de 2026 ante o mesmo período do ano passado, foi registrado um avanço de mais de 60% na movimentação de TEUs. O executivo destaca que a estratégia para o ramp-up da operação passa por investimentos para potencializar o terminal e foco comercial em nichos específicos, como carnes, madeira, maquinário e o setor automotivo.
Russi destaca que a companhia enxerga a infraestrutura logística como vetor de desenvolvimento econômico regional e nacional. “Nosso compromisso é conectar Itajaí e Santa Catarina aos grandes mercados globais.”
Investimentos realizados
Desde o início da operação, a companhia investiu aproximadamente R$ 220 milhões em modernização tecnológica e infraestrutura. O aporte viabilizou a aquisição de dois guindastes móveis com capacidade para 125 toneladas e alcance de até 20 fileiras de contêineres, o que garantiu a ampliação da produtividade nas operações de embarque e desembarque.
A estratégia também fortaleceu a vocação do terminal para o setor de proteína e cargas refrigeradas, com a instalação de 1.708 tomadas para reefers. A expansão da capacidade elétrica posicionou Itajaí como um dos principais hubs para produtos perecíveis no Sul do país, atendendo às demandas de exportadores e importadores com alto padrão de controle.
A JBS Terminais ainda implementou oito gates reversíveis – acessos de entrada e saída que podem ter o sentido ajustado conforme a necessidade operacional. A iniciativa teve como objetivo trazer agilidade e redução de filas, aumentando a eficiência na integração entre porto e rodovias.
“Para a retomada do Porto de Itajaí foi fundamental o investimento, para oferecer uma estrutura moderna e segura, para equiparar com outros terminais relevantes. A combinação de equipamentos de alta performance, infraestrutura consistente e gestão focada em eficiência é o que sustenta esse novo ciclo de crescimento”, destaca o executivo.
Infraestrutura do terminal
Atualmente, o terminal conta com área operacional de 180 mil metros quadrados, 1.030 metros de cais e quatro berços com 14 metros de profundidade.
A estrutura permite operar com 10 linhas de navegação regulares e sete escalas semanais, conectando o estado de Santa Catarina a destinos estratégicos na Ásia, na Europa, em toda a América, Oriente Médio e África.
O volume de embarcações atendidas no Porto de Itajaí em 2025 foi 50% superior ao registrado em 2022, período pré-paralisação. Essa tendência de alta se consolida no primeiro bimestre de 2026, que já apresenta um fluxo de navios 26% acima do patamar anterior à interrupção das atividades.
Ao todo, a JBS Terminais soma cerca de 400 escalas em um ano e meio de operação.
O governo federal divulgou nesta quarta-feira (15) a lista dos municípios cujos agricultores receberão, neste mês de abril, parcela do programa Garantia-Safra 2024-2025. A norma entra em vigor nesta quinta-feira (16).
Portaria publicada no Diário Oficial da União inclui agricultores familiares dos estados de Alagoas, Bahia, Ceará, Maranhão, Minhas Gerais, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte e Sergipe. Veja aqui a lista completa.
O benefício, de R$ 1,2 mil, ocorrerá em parcela única. O pagamento começa ainda em abril e ocorre na mesma data do calendário do Bolsa Família.
O que é o Garantia-Safra
O Garantia-Safra é um programa de seguro destinado a pequenos agricultores com renda de até 1,5 salário-mínimo, que cultivam feijão, milho ou mandioca em áreas de 0,6 a 5 hectares e com o Cadastro da Agricultura Familiar (CAF) ativo e atualizado.
O pagamento é feito aos agricultores com perda comprovada de pelo menos 40% a 50% da produção, em razão do fenômeno da estiagem ou do excesso hídrico e que aderiram ao programa.
O benefício pode ser solicitado via aplicativo Caixa Tem, lotéricas ou agências da Caixa.
O Garantia-Safra é vinculado ao Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), com a finalidade de assegurar condições mínimas de sobrevivência aos agricultores familiares cujas produções sejam sistematicamente afetadas por perdas decorrentes de estiagem ou excesso hídrico.
A escalada das tensões geopolíticas no Oriente Médio já impacta o agronegócio do Rio Grande do Sul, segundo estudo técnico da Assessoria Econômica da Farsul. Em menos de dois meses, o barril de petróleo Brent subiu de US$ 70,99 para próximo de US$ 100, refletindo no aumento do diesel S10, que avançou 21,1% entre o fim de fevereiro e o início de abril de 2026, atingindo R$ 7,23 por litro. O movimento ocorre durante a colheita da safra de verão e o planejamento do plantio de inverno, com impacto estimado em R$ 612,2 milhões nos custos operacionais das principais culturas do estado.
De acordo com a entidade, o cenário representa uma mudança estrutural no mercado energético. O estudo aponta que a instabilidade envolvendo o Irã e as rotas no Estreito de Ormuz elevou custos logísticos e prêmios de risco. “O movimento reflete uma “reprecificação estrutural do risco energético global””, informa a análise.
O impacto varia entre as culturas, com o arroz sendo o mais afetado. O aumento do diesel representa um acréscimo de R$ 185,72 por hectare, equivalente à perda de 2,95 sacos por hectare. “O valor atual do arroz ainda mal remunera o custo operacional. Uma perda de três sacos por hectare pode frustrar expectativas e comprometer o resultado da safra”, aponta o relatório.
Na soja, o impacto individual é menor, estimado em R$ 48,74 por hectare ou 0,41 saco por hectare, mas o efeito agregado é maior devido à extensão da área cultivada, com prejuízo de R$ 331,2 milhões. Segundo a análise, em um cenário de margens reduzidas e endividamento elevado, pequenas variações podem comprometer o resultado financeiro dos produtores.
O levantamento também mostra diferenças regionais nos preços do combustível dentro do estado. Em Porto Alegre, o diesel é cotado a R$ 7,05 por litro, enquanto em Bagé chega a R$ 7,95, o que amplia a pressão de custos conforme a localização das propriedades.
As projeções indicam que o impacto pode se intensificar. Caso o diesel atinja R$ 8,00 por litro, o custo adicional ao agronegócio gaúcho pode chegar a R$ 986,3 milhões. Em um cenário de R$ 9,00 por litro, o prejuízo estimado sobe para R$ 1,47 bilhão.
O estudo também avalia medidas de política econômica e aponta limitações na adoção de desonerações fiscais amplas. Segundo a entidade, esse tipo de medida tende a ter baixa efetividade para o setor produtivo e pode comprometer as contas públicas, além de dificultar o controle da inflação e retardar a redução da taxa de juros.
A análise conclui que o diesel passou a ocupar papel central na estrutura de custos do agronegócio em 2026. Enquanto persistirem as tensões geopolíticas, a margem dos produtores deve seguir pressionada.
Ponte sobre o Rio São Francisco que liga as cidades de Juazeiro (BA) e Petrolina (PE) é marco simbólico que representa o desenvolvimento regional do Vale | Foto: Felipe Pires/Marca Comunicação
Com o propósito de integrar as forças produtivas que margeiam o Rio São Francisco, foi lançada oficialmente, em Juazeiro (BA), a Barra AgroShow 2026. O evento, ocorrido no Centro de Excelência em Fruticultura nesta quarta-feira (15), deu a largada para a segunda edição da feira, que se posiciona como um elo estratégico para o crescimento tecnológico e econômico do setor produtivo regional.
A Barra AgroShow — que surgiu em 2024 e teve sua estreia oficial em 2025 — foi apresentada a lideranças, investidores e produtores rurais do Vale do São Francisco após um primeiro ano de sucesso absoluto, quando movimentou R$ 32 milhões em negócios e atraiu 12 mil visitantes. Para a edição de 2026, a “Fronteira Agrícola do Brasil” projeta uma estrutura ainda mais robusta entre os dias 19 e 22 de agosto:
Novos espaços dedicados à inovação, crédito rural e tecnologia aplicada;
Crescimento de 18% na área total;
Expansão para 125 expositores;
Novos espaços dedicados à inovação, crédito rural e tecnologia aplicada.
O salto do Médio São Francisco
Sediada em Barra, no coração do Polo Agroindustrial e Bioenergético, a feira destaca o potencial de uma região que possui mais de 1,4 milhão de hectares agricultáveis.
Com condições naturais privilegiadas, o Médio São Francisco já apresenta índices de produtividade que chegam a ser o dobro da média nacional, impulsionando a fruticultura premium voltada à exportação, a produção sustentável de grãos e a agropecuária.
Destaques da edição 2026
Durante o lançamento no Centro de Excelência, foram detalhadas as novidades para 2026. Além da fruticultura de alta qualidade, a feira terá uma programação técnica com palestras e visitas de campo, além de espaços para as Mulheres do Agro e Agricultura Familiar.
No setor de tecnologia, o destaque será a pecuária de corte com genética de alta performance, energia solar, irrigação de precisão e novas linhas de crédito rural.
Marco Caviola, presidente do Sindicato dos Produtores Rurais de Barra e da Barra AgroShow falou sobre a região e as novidades da feira em 2026. | Foto: Guilherme Soares/Marca Comunicação
“A Barra AgroShow nasceu para ser catalisadora de crescimento. O evento em Juazeiro hoje foi o primeiro passo para unirmos o capital e a tecnologia do Vale ao potencial expansivo do Médio São Francisco, criando uma conexão sem precedentes através desta segunda edição”, destacou Marco Caviola, presidente do Sindicato dos Produtores Rurais de Barra (SPRBarra) e da Barra AgroShow.
Além de Caviola, participaram da mesa de honra lideranças fundamentais para o setor: Josival Barbosa, presidente do Sindicato dos Produtores Rurais de Juazeiro; Jailson Lira, presidente do Sindicato dos Produtores Rurais de Petrolina; Guilherme Coelho, presidente do Conselho de Administração da Embrapa e ex-presidente da Abrafrutas; e Télio Nobre, reitor da Universidade Federal do Vale do São Francisco (Univasf).
Os convidados também destacaram o alinhamento entre a representação sindical, o setor produtivo e o meio acadêmico em prol do desenvolvimento regional.
“Nossa expectativa é poder contribuir com a feira, que compreendemos ser um importante espaço para integração entre nossos pesquisadores, estudantes e tudo o que é desenvolvido na universidade com os produtores”, disse o reitor da Univasf, Télio Nobre.
Anfitrião do evento, Murilo Alencar, diretor do Centro de Excelência de Fruticultura de Juazeiro, destacou o apoio da Faeb em eventos que promovem o desenvolvimento e capacitação do setor:
“O Senar com sua natureza educacional estimula e incentiva a formação e qualificação profissional, a assistência técnica e gerencial e nesse sentido estamos à disposição para potencializar esse grande evento que movimenta as diferentes cadeias produtivas do agro na Bahia”, destacou.
Também estiveram presentes, Tércio Tolentino, secretário da Agência de Desenvolvimento Econômico Emprego e Renda de Juazeiro, João Tosta, engenheiro agrônomo da 6ª Superintendência da Codevasf; Fran Terto, produtora rural e representante do Faeb Mulher no Vale; além de representantes do SineBahia e de empresas como Green Light e Grand Valle.
O aumento de 21,1% no preço do diesel S10 no Rio Grande do Sul desde o início do conflito no Oriente Médio deve implicar custo adicional direto de R$ 612,2 milhões nas operações mecânicas das principais lavouras do estado.
A análise consta em estudo técnico divulgado pela Assessoria Econômica da Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul (Farsul).
O diesel S10 passou de R$ 5,97 por litro em 27 de fevereiro para R$ 7,23 por litro em 10 de abril, período em que o barril de petróleo Brent subiu de US$ 70,99 para cerca de US$ 97,30, alta de 37%.
O estudo avalia que o movimento vai além de uma oscilação pontual. “O diesel deixou de ser apenas um insumo operacional e passou a configurar um dos principais vetores de risco econômico para o agronegócio gaúcho em 2026”, afirma a Farsul no relatório.
O choque coincide com a colheita da safra de verão 2025/26 e com a definição do plantio de inverno, período de elevada demanda por operações mecanizadas, o que amplifica seus efeitos sobre as decisões produtivas.
Impacto que varia entre as culturas
O impacto varia de forma significativa entre as culturas. O arroz apresenta o maior custo adicional por hectare, de R$ 185,72, o equivalente a 2,95 sacos por hectare. O relatório alerta que “o valor atual do arroz ainda mal remunera o custo operacional. Uma perda de três sacos por hectare pode frustrar expectativas e comprometer o resultado da safra.”
A soja registra o menor impacto individual, de R$ 48,74 por hectare, ou 0,41 saco por hectare, mas concentra o maior prejuízo agregado ao estado, de R$ 331,2 milhões, em razão da ampla área cultivada. O milho apresenta acréscimo de R$ 69,01 por hectare, equivalente a 1,21 saco por hectare, e o trigo, de R$ 43,68 por hectare, ou 0,73 saco por hectare.
Para a soja, o estudo chama atenção para o contexto de margens operacionais estreitas e endividamento elevado no campo gaúcho. “A perda de meio saco por hectare pode ser a diferença entre honrar compromissos financeiros ou não”, aponta o relatório.
O milho e o trigo combinam aumento de custos com margens já pressionadas, reduzindo a capacidade de absorção do choque.
A dispersão dos preços dentro do estado adiciona outra camada de complexidade. Na amostra de 35 municípios levantada pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), o diesel S10 variava de R$ 7,05 por litro em Porto Alegre a R$ 7,95 por litro em Bagé, amplitude de R$ 0,90 por litro.
Vinte e oito municípios já registravam valores acima de R$ 7,20 por litro e 24 acima de R$ 7,30 por litro, indicando que a faixa superior de preços não é pontual.
Possíveis cenários
Os cenários de estresse mostram a sensibilidade do setor a novos aumentos. Se o diesel se estabilizar em R$ 8,00 por litro, o impacto no agronegócio gaúcho subiria para R$ 986,3 milhões. No cenário mais adverso, com o combustível a R$ 9,00 por litro, o prejuízo alcançaria R$ 1,47 bilhão.
O estudo é crítico em relação à eficácia de desonerações fiscais amplas como resposta ao choque.
Na avaliação da Farsul, o benefício tende a se diluir por toda a economia, com baixa efetividade para o setor produtivo que já incorporou a alta nos custos. Além disso, a renúncia fiscal poderia comprometer as contas públicas, dificultar o controle da inflação pelo Banco Central e postergar a queda da taxa Selic, agravando o custo financeiro para o produtor.
A economia do Pará fechou 2025 com desempenho de destaque no cenário nacional, registrando crescimento recebido de 4,51%, quase o dobro da média brasileira, que ficou em 2,29%, de acordo com dados da Fundação Amazônia de Amparo a Estudos e Pesquisas (Fapespa), e com base no Sistema de Contas Nacionais Trimestrais do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
No 4º trimestre, o Produto Interno Bruto (PIB) do Pará somou R$ 69,2 bilhões, representando 2,1% da economia brasileira. Embora tenha havido uma variação negativa de 1,95% em relação ao trimestre anterior, o movimento é interpretado como um ajuste após períodos de forte expansão, especialmente em setores mais sensíveis a fatores sazonais, como a agropecuária e a indústria.
O resultado reflete a força e a consistência da economia paraense ao longo do ano, com avanço em todos os principais setores produtivos, consolidando o estado como um dos principais vetores de crescimento econômico do país.
Segundo o pesquisador da CEECR, da Fapespa, Rickson Oliveira, após um terceiro trimestre de expansão expressiva (7,85%), impulsionado pelos investimentos em infraestrutura e mobilidade para a COP30, o quarto trimestre apresentou uma acomodação natural, com recuo de 1,95% em relação ao trimestre anterior.
“Essa diferença entre o terceiro para o quarto trimestre foi influenciada por dois fatores principais: Agropecuária e Indústria. Os setores enfrentaram retrações de 10,53% e 7,41%, respectivamente, devido à irregularidade das chuvas e a baixa produção mineral. O setor de serviços atuou como amortecedor, no qual cresceu 3,22%, funcionando como um pilar de estabilidade”, destaca.
O pesquisador informa ainda que dentro deste segmento, a Administração Pública se destacou com alta de 6,64%, refletindo a continuidade dos investimentos públicos, enquanto atividades imobiliárias e outros serviços mantiveram o dinamismo de crescimento.
Destaques
A agropecuária foi um dos principais motores do crescimento, com alta de 11,13%, impulsionada por safras expressivas de milho e soja, favorecidas por condições climáticas positivas, além da valorização da pecuária.
A indústria também apresentou desempenho relevante, com crescimento de 3,26%, superando a média nacional. O resultado foi sustentado pela atividade extrativa mineral, além da contribuição da construção civil e da indústria de transformação.
Já o setor de serviços cresceu 3,78%, com expansão disseminada em diversas atividades. O comércio (5,90%) e outros serviços (5,78%) foram os principais destaques, reforçando o dinamismo do setor.
“Embora o quarto trimestre tenha trazido desafios sazonais e produtivos, o balanço final de 2025 é extremamente positivo. O Pará demonstra uma economia sólida e resiliente, reforçando a importância de políticas públicas que aproveitem esse momento de grandes investimentos para garantir o desenvolvimento de longo prazo”, destaca a técnica em Gestão de Desenvolvimento, Ciência e Tecnologia e Inovação da Fapespa, Thays Santos.
Economia diversificada e em expansão
O bom desempenho dos três grandes setores econômicos contribuiu para uma expansão de 4,79% no Valor Adicionado Bruto (VAB) do estado, índice que também superou com folga a média nacional.
Além disso, o Pará manteve relevância no cenário brasileiro, respondendo por 2,1% do PIB nacional no quarto trimestre e com forte participação em atividades estratégicas, como a agropecuária e a indústria extrativa.
O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) anunciou novas aberturas de mercado para três países: Vietnã, na Ásia; Angola, na África; e El Salvador, na América Central.
Para o mercado vietnamita, o Brasil começará a exportar pé e miúdos suínos. Em 2025, o país de aproximadamente 102 milhões de habitantes importou US$ 3,5 bilhões de produtos brasileiros, com destaque para milho, complexo soja, fibras e têxteis.
Já em Angola, a autorização sanitária é para a compra de oócitos ovinos e caprinos. De acordo com o Mapa, o acordo abre novas possibilidades no segmento da genética animal e deve contribuir para o melhoramento genético da pecuária angolana.
Em 2025, o país africano com população de aproximadamente 40 milhões importou mais de US$ 380 milhões em produtos agropecuários brasileiros.
El Salvador, por fim, autorizou a entrada de carne de frango termoprocessada brasileira. No ano passado, o país de cerca de 6,5 milhões de habitantes importou mais de US$ 103 milhões em produtos agropecuários nacionais.
Uma legislação que não acompanha os avanços da tecnologia. No caso da produção de fertilizantes e outros insumos, esse gargalo pode custar caro — para o produtor rural, durante as safras, e também para a população em geral, com o aumento da inflação.
Embora seja um dos maiores produtores de alimentos do mundo, o Brasil é extremamente dependente da importação de adubos. Cerca de 85% dos fertilizantes utilizados nas lavouras brasileiras vêm de fora e, em meio a conflitos geopolíticos, como a guerra entre Estados Unidos e Irã, essa deficiência fica mais clara.
De um lado, está a chegada de uma nova geração de produtos; de outro, a regulação de insumos no país, que data de 1980. Na avaliação de Leonardo Munhoz, advogado especializado em direito ambiental, a lei não evoluiu conforme as tecnologias avançaram ao longo do tempo.
“É uma lei boa, mas foi criada quando a característica dos fertilizantes era basicamente o componente mineral”, afirma. Já as novas tecnologias desenvolvidas são mais complexas e podem combinar nutrientes minerais com microrganismos e substâncias bioativas, criando um “limbo regulatório”.
Leonardo Munhoz é doutor em Direito Agroambiental e advogado no VBSO Advogados. Foto: Arquivo pessoal
Avanços que não saem do papel
Munhoz lembra que o Brasil conta com duas vertentes importantes: a Lei de Bioinsumos, sancionada em dezembro de 2024, e o Plano Nacional de Fertilizantes, aprovado em 2022 após o início da guerra entre Rússia e Ucrânia, dois importantes fornecedores de fertilizantes ao Brasil.
“Foi uma reação do Executivo, mas ficou muito no papel”, observa. Segundo ele, o novo conflito no Oriente Médio faz a questão voltar à tona. “Não houve avanço. Na prática, o país perdeu tempo”, afirma. Além dos conflitos geopolíticos, há o risco de restrições de exportação por parte de países fornecedores, como a China, que podem priorizar o mercado interno.
Apesar de reconhecer o avanço da legislação de bioinsumos — que regulamenta a produção, uso e comercialização de produtos de origem biológica —, o especialista faz ressalvas. “É positivo por ter uma lei específica de bioinsumos, única no mundo. Mas, ao separar em duas caixas, cria limitações”, diz.
Nesse sentido, Munhoz cita o exemplo da Europa, onde a classificação de fertilizantes considera tanto a composição quanto a finalidade, o que permite enquadrar produtos híbridos com mais flexibilidade. No Brasil, essa classificação é baseada na composição. “Quando ela se torna híbrida, o sistema não consegue responder bem”, observa.
Outros entraves ganham destaque
De acordo com Munhoz, são vários gargalos que impedem o Brasil de reduzir a dependência externa. “O país precisa enfrentar questões como licenciamento ambiental, abertura de minas, produção interna e um ambiente tributário mais favorável”, aponta.
Essa incerteza também afeta a segurança jurídica das empresas. Nesse contexto, o especialista cita patentes e registros. “Até que ponto uma nova tecnologia pode ser patenteada e registrada? O governo reconhece isso como um novo produto?”, questiona.
Sobre a questão tributária, ele diz que muitas vezes é mais vantajoso importar fertilizantes do que produzir internamente.
Recentemente, a senadora Tereza Cristina (PP-MS) declarou ser “impossível” que o país se torne 100% independente das importações. Munhoz reforça que os bioinsumos e os híbridos surgem como alternativas ao fertilizante mineral, mas sem capacidade para substituição total. Nesse cenário, segundo ele, o gargalo da importação permanece.
“Portanto, é um cenário multifatorial, com vários gargalos que impedem o país de reduzir a dependência externa”, conclui.