
A Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) e a Associação Gaúcha de Avicultura (Asgav) confirmaram nesta sexta-feira (data) a reabertura total das exportações de carne de frango brasileira para a China no que diz respeito às suspensões adotadas após o registro de um foco de gripe aviária de alta patogenicidade em uma granja comercial no Rio Grande do Sul, em maio deste ano.
Segundo as entidades, a medida é resultado do trabalho diplomático conduzido pelo governo brasileiro junto às autoridades sanitárias chinesas e reforça a confiabilidade do país no controle de doenças e na segurança da produção avícola.
Apesar do avanço, frigoríficos do Rio Grande do Sul ainda não estão autorizados a retomar os embarques para a China. O motivo é a ocorrência de Doença de Newcastle, registrada em agosto de 2024 e já considerada superada pelo setor.
A ABPA e a Asgav afirmam que todas as informações técnicas e sanitárias necessárias já foram apresentadas ao governo chinês e defendem que o estado está apto a retomar os embarques.
“As condições sanitárias foram restabelecidas e o Rio Grande do Sul segue como parceiro estratégico para a oferta de proteína de alta qualidade ao mercado chinês”, destacam as entidades, que esperam o restabelecimento do fluxo comercial após a conclusão das tratativas técnicas.
A China é o principal destino da carne de frango brasileira, respondendo por cerca de 14% das exportações do setor.

A China importou 9,48 milhões de toneladas de soja em outubro deste ano, alta de 17,2% em relação ao mesmo mês de 2024, quando adquiriu 8,09 milhões de toneladas, segundo dados preliminares da Administração Geral de Alfândegas da China (Gacc). Em valores, as compras da oleaginosa somaram US$ 4,36 bilhões, crescimento de 11,2% na comparação anual.
De janeiro a outubro, as importações chinesas de soja totalizaram cerca de 95,68 milhões de toneladas, avanço de 6,4% frente ao mesmo período do ano anterior. No acumulado de dez meses, o valor importado foi de US$ 42,68 bilhões, uma queda de 6,2% em relação a 2024.
Segundo a GACC, as importações de óleos vegetais somaram 540 mil toneladas em outubro, recuo de 5,6% ante o mesmo mês do ano passado. O valor gasto com essas compras foi de US$ 701,8 milhões, aumento de 16,4% na mesma comparação. No acumulado do ano, as importações de óleos vegetais chegaram a 5,55 milhões de toneladas, queda de 6,9%, mas com valor total de US$ 6,87 bilhões, alta de 13,5%.
Já as compras de fertilizantes somaram 1,36 milhão de toneladas em outubro, alta de 23,8% em relação ao mesmo mês de 2024. O valor gasto foi de US$ 509,2 milhões, um aumento de 49,5% na comparação anual.
No acumulado dos dez meses, as importações chinesas de fertilizantes atingiram 11 milhões de toneladas, queda de 3,7% frente ao mesmo período do ano anterior, com valor total de US$ 3,72 bilhões, recuo de 1,5%.
As importações chinesas de carnes e miúdos totalizaram 492 mil toneladas em outubro, 8% menos que no mesmo mês de 2024. Apesar disso, o valor desembolsado aumentou 8,95%, para US$ 2,07 bilhões. De janeiro a outubro, o volume importado foi de 5,28 milhões de toneladas, recuo de 3,6% em relação ao ano anterior, enquanto o valor total subiu 4,8%, para US$ 19,99 bilhões.
Roberto Rodrigues é o enviado especial do agro na COP30 e ele foi ex-ministro da Agricultura, presidente internacional do cooperativismo, embaixador do cooperativismo na FAO, é professor emérito da FGV e é um homem que tem uma visão planetária espetacular do que envolve o aspecto do agronegócio. E ele organizou com todas as entidades um documento singular muito importante para levar nessa COP30.
Observamos que tem como grande objetivo a COP 30 a busca de investimentos e muitas coisas que são prometidas que iremos fazer, porém no documento que Roberto Rodrigues organizou nós estamos levando ao mundo não apenas expectativas esperançosas, estamos levando coisas concretas, levando a experiência brasileira dos últimos 50 anos com relação à produção de alimentos, energia agrossustentável e de 1970 até hoje o agro brasileiro cresceu sete vezes, 229% de produtividade e fundamentada na ciência em uma experiência tropical que nenhum país desenvolveu e nós somos hoje a quarta maior agricultura do mundo, só perdendo, por enquanto, para duas milenares, de milênios, a China, a Índia e os Estados Unidos que tem um capital intensivo gigantesco e brevemente o Brasil se transforma também na primeira agricultura do planeta e é esse documento, essa visão, que Roberto Rodrigues está levando. Não é uma visão de estamos prometendo, é fazemos e o que nós fazemos é fundamental para o planeta terra.
Conversei com o Roberto Rodrigues e pedi a ele que falasse sobre suas considerações em relação à COP30. Ele me disse: “A agropecuária brasileira vai se pronunciar nesse evento tentando mostrar ao mundo que a agricultura tropical sustentável feita no Brasil pode ser copiada em outros países tropicais da América Latina, da África Subsaariana e da Ásia de maneira que haja um resultado muito positivo na produção de alimentos, cuidando, portanto, da segurança alimentar, da transição energética justa a partir da agroenergia, gerando riqueza, emprego e renda nos países tropicais e tudo isso com preocupação com a mudança de clima.
Esse documento tem duas partes. A primeira parte conta a história do Brasil sob a ótica da tecnologia, inovação criada no país que permite a agricultura crescer e trazendo uma agricultura sustentável e competitiva. E a segunda parte com propostas para que o mundo tropical, considerada as diferenças todas, de clima, de solo, de questões institucionais e legais de cada país, possa usar o nosso modelo para um crescimento semelhante ao que foi observado aqui no Brasil.
Então esse documento tem duas partes, primeira parte história mostrando o sucesso do agro brasileiro sustentável com base em tecnologia e a segunda parte como os países tropicais podem fazer a mesma coisa mesmo considerando as diferenças que existem de caráter climático, institucional, etc. Tudo isso é uma contribuição do Brasil para que o mundo todo tenha mais alimentos, mais energia renovável, mais riqueza para os mais pobres e, sobretudo, o clima bem tratado. Agropecuária tropical é uma solução, não é um problema”.
Essa é a visão que Roberto Rodrigues estará levando em um documento sensacional porque ele conseguiu reunir todas as vozes das entidades nessa proposta agrotropical. Então essa é a meta brasileira na COP30 com o Roberto Rodrigues.

*José Luiz Tejon é jornalista e publicitário, doutor em Educação pela Universidad de La Empresa/Uruguai e mestre em Educação Arte e História da Cultura pela Universidade Mackenzie.
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De 10 a 17 de novembro, estudantes interessados em cursar ensino médio integrado ao curso técnico em Agropecuária podem se inscrever para o processo seletivo de ingresso nos Centros de Educação Profissional Agrotécnicos (Cedups), para o ano letivo de 2026. As inscrições são gratuitas e devem ser feitas online na página da Epagri, preenchendo o formulário eletrônico e anexando a documentação exigida no edital.
Candidatos que não possuem acesso à internet poderão buscar apoio nos Cedups ou nos escritórios municipais da Epagri, respeitando o período de inscrição. Podem se inscrever estudantes que tenham concluído ou estarem concluindo o Ensino Fundamental. O processo seletivo será classificatório, com base na análise de documentos e aplicação da pontuação definida no edital.
Ao todos estão sendo ofertadas 485 vagas. Veja os municípios onde se localizam as unidades de ensino e as respectivas vagas:
– Água Doce – Cedup Professor Jaldyr Bhering Faustino da Silva (90)
– Campo Erê – Cedup Campo Erê (90)
– Canoinhas – Cedup Vidal Ramos (90)
– São José do Cerrito – Cedup Caetano Costa (90)
– São Miguel do Oeste – Cedup Getúlio Vargas (125)
Confira o cronograma do processo seletivo:
– 10 a 17/11/2025 – inscrições on-line
– 18 e 19/11/2025 – análise das inscrições e classificação
– 19/11/2025 – publicação da classificação prévia
– 20 e 21/11/2025 – período de recursos
– 24/11/2025 – publicação da classificação final
– 25 a 28/11/2025 – entrega de documentos pelos classificados
– 1º a 10/12/2025 – matrícula para vagas remanescentes
Os Cedups Agrotécnicos são instituições públicas de ensino médio e profissionalizante que estão em gestão compartilhada entre a Epagri e a Secretaria de Estado da Educação. A formação oferecida é de Técnico em Agropecuária. São instituições com características de escola-fazenda, que adotam a educação em tempo integral em regime de semi-internato, com possibilidade de internato, conforme a disponibilidade de infraestrutura de cada unidade escolar. Nos regimes de internato e semi-internato o estudante permanece na unidade escolar em tempo integral, com oferta de alimentação, alojamento, aulas práticas e atividades pedagógicas complementares, sem qualquer custo ao estudante ou sua família.
Com uma proposta pedagógica voltada à prática e à inovação, essas unidades de ensino contam com laboratórios, áreas produtivas e unidades experimentais que proporcionam aprendizado direto com a realidade do campo. O técnico em Agropecuária formado pelos Cedups é capacitado para atuar em diversas áreas, como manejo e produção vegetal e animal, administração rural, conservação ambiental e desenvolvimento de projetos agropecuários.
Na manhã desta sexta-feira (7), a Polícia Civil da Bahia (PCBA) prendeu em flagrante dois homens suspeitos pelo transporte e comercialização ilegal de carne oriunda de abate clandestino em um açougue localizado no bairro Brasília, em São Sebastião do Passé (BA).
A diligência, decorrente da Operação Agro, teve início após denúncia que indicava o abate irregular de gado em uma fazenda da região.
De acordo com a Polícia Civil, ao chegar ao local indicado, a equipe constatou que o abate já havia ocorrido e, com base em novas informações, seguiu até outra propriedade rural, onde identificou um caminhão transportando carnes cobertas por uma lona.
O veículo foi acompanhado até o estabelecimento comercial, onde ocorreu a abordagem. A ação foi realizada por meio da 37ª Delegacia Territorial (DT) de São Sebastião do Passé, com apoio da Agência de Defesa Agropecuária da Bahia (Adab).
No local, os dois homens, de 56 e 63 anos, foram presos em flagrante: o primeiro, responsável pelo abate e transporte da carne, e o segundo, proprietário do açougue, identificado como receptador do material.

Um terceiro homem, de 65 anos, também foi conduzido, mas responderá ao inquérito em liberdade, por ter sido contratado para conduzir o veículo.
Ainda de acordo com a PCBA, os envolvidos confessaram que o animal havia sido abatido sem autorização e que a carne seria comercializada no estabelecimento.
A Adab apreendeu aproximadamente 400 quilos de carne, que foram encaminhados para destruição, enquanto a Vigilância Sanitária Municipal interditou o açougue por falta de alvará e por condições sanitárias inadequadas para funcionamento.
Por fim, a ação resultou na formalização do flagrante pelos crimes de receptação qualificada e comercialização de produto impróprio para o consumo humano.
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Nos últimos dez dias, as chuvas foram expressivas em grande parte da região Sul e em áreas do Sudeste e Centro-Oeste, com volumes acima da média histórica no período. Segundo a empresa de monitoramento climático, EarthDaily, em contraste, o cenário permanece desfavorável no Matopiba, com seca persistente e chuvas entre 30% e mais de 80% abaixo da média, reforçando o déficit hídrico e atrasos no plantio de soja em algumas áreas.
Em 5 de outubro, os níveis de umidade do solo estavam reduzidos desde o norte do Paraná até o Matopiba, reflexo da estiagem do início da primavera. Trinta dias depois, em 5 de novembro, observa-se melhora significativa no Sul, Mato Grosso do Sul, São Paulo, Mato Grosso e em algumas regiões do Sudeste e Centro-Oeste, impulsionada pelo retorno das chuvas.
Apesar da recuperação parcial, a umidade do solo permanece crítica em amplas áreas do Matopiba e em regiões de Minas Gerais e do Centro-Oeste, onde a ausência de precipitações mantém o solo em condição de estresse hídrico, podendo atrasar o plantio da soja e postergar a semeadura do milho segunda safra, com impactos sobre a produtividade.
No Matopiba, a precipitação acumulada em outubro foi 62% inferior à média histórica. Mesmo com previsão de chuvas no curto prazo, os volumes seguem abaixo da normalidade, limitando a recuperação das condições ideais para o desenvolvimento das lavouras.
Minas Gerais apresenta situação semelhante, com umidade do solo entre os menores dos últimos dez anos. A expectativa é de melhora gradual, mas a umidade deve permanecer abaixo da média, mantendo alerta sobre atrasos no plantio e no estabelecimento inicial das lavouras.
No Centro-Oeste, o norte do Mato Grosso do Sul mantém baixa umidade, explicando os baixos valores de NDVI e o atraso no plantio. No Centro-Sul, as condições já são mais favoráveis. Em Mato Grosso, o NDVI indica início de safra mais lento que 2023, mas ligeiramente adiantado em relação a 2024, com um padrão de umidade alinhado a 2024, reforçando a expectativa otimista para a nova safra.
Em Goiás, a umidade do solo, antes abaixo da média, melhorou significativamente nos últimos dias. A previsão indica continuidade do aumento da umidade nas próximas semanas, favorecendo o plantio e o estabelecimento inicial da soja, atualmente atrasado em relação ao calendário ideal.
Entre 5 e 12 de novembro, a projeção indica aumento da umidade em boa parte da zona da soja, com exceção do Matopiba, onde o estresse hídrico deve permanecer severo, especialmente no oeste da Bahia.

Durante a Sessão Temática sobre Transição Energética, realizada nesta sexta-feira (7), na Cúpula de Líderes da COP30, em Belém (PA), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que as decisões tomadas pelos países nos próximos anos serão determinantes para o sucesso global na contenção das mudanças climáticas. Segundo ele, o modelo de desenvolvimento baseado em combustíveis fósseis “chegou ao limite” e precisa ser substituído de forma planejada e inclusiva.
Lula destacou que 75% das emissões globais de gases de efeito estufa vêm da produção e do consumo de energia, reforçando que o desafio exige coordenação entre governos, empresas e instituições internacionais. “Não podemos nos omitir ou intimidar diante da magnitude desse dado”, afirmou.
O presidente posicionou o Brasil como referência histórica no uso de energia renovável. Ele lembrou que 90% da matriz elétrica brasileira é limpa e citou o pioneirismo no etanol e na adição de biodiesel ao diesel tradicional.
Também defendeu o papel dos biocombustíveis na descarbonização de setores difíceis de eletrificar, como transporte pesado e indústria. Segundo ele, o etanol é uma solução “imediatamente disponível”. Lula criticou ainda pressões internacionais que atrasaram discussões sobre a adoção de combustíveis renováveis no transporte marítimo.
Lula afirmou que a transição energética pode gerar emprego, renda e reindustrialização. Ele citou que, em 2023, o setor representou 10% do crescimento do PIB global e empregou 35 milhões de pessoas.
O presidente também chamou atenção para a importância dos minerais críticos,como lítio, níquel e cobre, usados em baterias e sistemas de energia limpa. Para ele, países em desenvolvimento precisam participar de todas as etapas da cadeia de valor, e não apenas da exportação de matéria-prima.
Apesar dos avanços recentes na expansão de renováveis, Lula alertou que 2024 registrou o maior nível de emissões de carbono do setor energético desde 1957. Ele criticou bancos internacionais e governos que continuam incentivando a produção de petróleo, gás e carvão.
Segundo o presidente, gastos globais com armamentos superam o dobro do que é destinado à ação climática, o que, segundo ele, “pavimenta o caminho para o apocalipse climático”.
Lula ressaltou que a transição energética precisa considerar desigualdades socioeconômicas. Ele destacou que:
“Sem energia, não há agricultura moderna, hospitais funcionando ou inclusão digital”, afirmou.
O presidente anunciou que o Brasil criará um fundo financiado pela receita do petróleo para apoiar iniciativas de enfrentamento à mudança do clima e promover justiça climática.
Ele defendeu também trocas de dívida por investimentos ambientais e maior acesso dos países do Sul Global a tecnologias limpas e crédito climático.
Ao final do discurso, Lula listou três objetivos que propõe que os países assumam conjuntamente:
“Cabe aos líderes decidir se o século XXI será lembrado como o século da reconstrução inteligente ou da catástrofe climática”, afirmou Lula.

A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) anunciou nesta sexta-feira (7) a liberação de R$ 67 milhões para incentivar o escoamento de até 250 mil toneladas de trigo da safra 2024/25 nos estados do Rio Grande do Sul e Paraná. O objetivo é reduzir a pressão sobre os preços e garantir renda aos produtores, diante da cotação atual do cereal abaixo do valor mínimo estabelecido pelo governo federal.
O presidente da Conab, Edegar Pretto, fez o anúncio em Porto Alegre. Segundo ele, o suporte será aplicado por meio da Política de Garantia de Preços Mínimos (PGPM). O plano prevê o escoamento de até 148 mil toneladas no Rio Grande do Sul e 102 mil toneladas no Paraná – principais estados produtores do cereal no país.
“Diante da queda nos preços de mercado, a medida assegura renda ao agricultor e contribui para manter a produção nacional. Queremos que o produtor siga plantando trigo, e essa ação ajuda a sustentar o abastecimento interno”, afirmou Pretto.
A subvenção será operacionalizada por meio de leilões públicos, preferencialmente utilizando o Prêmio Equalizador Pago ao Produtor Rural (Pepro), que cobre a diferença entre o preço mínimo e o valor de mercado. O Prêmio de Escoamento do Produto (PEP) também poderá ser utilizado, caso necessário. Em ambos os casos, o trigo deverá ser destinado para fora dos estados produtores, com o objetivo de aliviar a oferta regional.
Hoje, no Rio Grande do Sul, a saca de 60 kg do trigo fechou a R$ 58,11, abaixo do preço mínimo de R$ 78,51, diferença que projeta prêmio de aproximadamente R$ 20,40 por saca. No Paraná, o preço ficou em R$ 64,00, ante mínimo de R$ 78,51, indicando prêmio de cerca de R$ 14,51. Os valores podem variar conforme a data dos leilões e o comportamento do mercado.
Os leilões ocorrerão via Sistema de Comercialização Eletrônica da Conab (Siscoe). Para participar, produtores, cooperativas e empresas precisam estar cadastrados nas Bolsas de Mercadorias credenciadas e regularizados nos cadastros federais exigidos.
A Conab estima que o Brasil colha 7,7 milhões de toneladas de trigo em 2025, queda de 2,4% em relação ao ano anterior. A retração ocorre, principalmente, pela redução de 19,9% na área plantada.
O Rio Grande do Sul segue como maior produtor do país, com área estimada em 1,16 milhão de hectares e produção projetada em 3,7 milhões de toneladas. A colheita chegou a 40% da área.
No Paraná, a área cultivada caiu 28,1%, para 824 mil hectares. A produção esperada é de 2,5 milhões de toneladas, crescimento de 5,9%, com cerca de 90% da área já colhida.
O projeto de lei que concede crédito emergencial a produtores rurais que tiveram negada a indenização do seguro rural por eventos climáticos adversos foi debatido na Comissão de Agricultura e Reforma Agrária (CRA) nesta quarta-feira (5). A audiência pública foi marcada pelas críticas dos produtores rurais aos critérios das seguradoras. Eles também apontaram apoio insuficiente do governo e apoiaram o crédito emergencial proposto.
Autora do pedido da audiência (REQ 41/2025 – CRA), a senadora Tereza Cristina (PP-MS) defendeu a aprovação do PL 1.217/2025 e classificou o seguro rural como imprescindível para a estabilidade da cadeia produtiva agrícola.
— No seguro rural, ainda estamos engatinhando no Brasil. Na verdade, nós temos um seguro de crédito, não um seguro de renda, que é o próximo passo que o produtor precisa.
No mesmo sentido, o senador Hamilton Mourão (Republicanos-RS) cobrou a modernização do seguro rural, enquanto o senador Jaime Bagattoli (PL-RO) lamentou que os produtores atingidos estejam “de joelhos”. Mourão avaliou que o aumento dos eventos climáticos extremos tem deixado muitos agricultores desassistidos.
— Muitos produtores, mesmo cumprindo todas as exigências técnicas e contratuais, foram surpreendidos pela negativa da cobertura do seguro rural, ficando à margem da política de proteção ao setor.
Autor do PL 1.217/2025, o senador Mecias de Jesus (Republicanos-RR) definiu que o Congresso tem obrigação de apoiar os produtores rurais em dificuldade.
O presidente da Sociedade Rural Brasileira (SRB), Sérgio Luís Bortolozzo, afirmou que o projeto trata o setor agrícola como merecidamente prioritário. Ele criticou a escassez de crédito e o alto custo do financiamento para o setor, situações que considera agravadas pela falta de seguro.
— Para este ano, a safra de verão está praticamente descoberta de seguro agrícola. Estamos plantando a maior safra da história brasileira sem seguro agrícola, e isso é inadmissível.
Assessor técnico da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Guilherme Augusto Costa Rios também manifestou preocupação com a escassez de gestão de risco da safra e o aumento da restrição de crédito. Rios citou ainda o risco climático.
— Se o La Niña (…) de fato se confirmar, com certeza, em 2026, aqueles índices de inadimplência que vimos vão aumentar consideravelmente, pois o produtor está desprotegido.
O diretor executivo da Associação Brasileira dos Produtores de Soja (Aprosoja Brasil), Fabrício Morais Rosa, afirmou que há abusos por parte das seguradoras e disse que o PL 1.217/2025 evita um colapso financeiro dos produtores.
O secretário-adjunto de Política Agrícola do Ministério da Agricultura, Wilson Vaz de Araújo, destacou a limitação de recursos para renegociação de dívidas rurais e pediu uma análise dos motivos pelos quais os produtores atingidos por eventos climáticos não foram indenizados.
— Teríamos que ter uma caracterização melhor da motivação e por que esse seguro não aconteceu, e continuar discutindo se é preciso algo adicional para atender essas categorias de produtores.
Assessor da Secretaria de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Sérgio Ferrão também entende que negativas das seguradoras precisam ser analisadas caso a caso, pois há situações de produtores rurais que não adotaram as melhores práticas para evitar danos decorrentes de eventos climáticos.
O presidente da Comissão de Seguro Rural da Federação Nacional de Seguros Gerais (FenSeg), Glaucio Nogueira Toyama, afirmou que os produtores que se considerem prejudicados por indenizações negadas podem recorrer à Justiça e à Superintendência de Seguros Privados (Susep). Ele defendeu, porém, os requisitos técnicos envolvidos na contratação de seguros.
— [Os requisitos] foram estabelecidos para que a gente caminhasse com produtos melhores e que gerasse, para o produtor, uma cobertura adequada.