domingo, março 29, 2026

Agro

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Após tornado destruir Rio Bonito do Iguaçu, governo do Paraná anuncia construção de 320 casas



O governo do Paraná anunciou nesta segunda-feira (10) a construção emergencial de 320 casas em Rio Bonito do Iguaçu, no Centro-Sul do estado, após o município ser devastado por um tornado de categoria F3 na escala Fujita. O fenômeno destruiu cerca de 90% da infraestrutura da cidade. Além das novas moradias, as famílias afetadas devem receber até R$ 50 mil para obras de recuperação, dependendo do grau de dano.

De acordo com o governador Carlos Massa Ratinho Junior, as obras devem começar ainda nesta semana, assim que forem concluídos os laudos técnicos dos terrenos. A expectativa é de que parte das casas seja entregue em até 90 dias.

“A Cohapar tem mantido contato com as empresas que atuam no programa Casa Fácil Paraná para viabilizar a reconstrução. As cerca de 300 moradias serão entregues gratuitamente às famílias que perderam completamente suas casas, sem possibilidade de reforma”, afirmou o governador.

As construções devem priorizar empresas que utilizam o sistema off-site, modelo que substitui o método tradicional de alvenaria por estruturas pré-fabricadas. As paredes chegam prontas para instalação, incluindo esquadrias, elétrica e hidráulica, o que acelera o processo de montagem. O investimento estimado para as obras é de R$ 60 milhões.

Segundo o presidente da Companhia de Habitação do Paraná (Cohapar), Jorge Lange, cada unidade terá aproximadamente 45 m². Um chamamento público para contratação das empresas deve ser aberto ainda nesta semana, com prioridade às propostas de menor prazo de execução.

Outras medidas

No domingo (9), o governador sancionou a lei que altera o Fundo Estadual de Calamidade Pública (Fecap), permitindo o repasse direto de recursos para famílias que tiveram as casas destruídas. A estimativa inicial é de investimento de R$ 50 milhões, com benefício de até R$ 50 mil para cada família, conforme critérios que serão definidos por decreto.

Equipes da Cohapar e do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Paraná (CREA-PR) já iniciaram o cadastro das vítimas. Ratinho Junior afirmou que o governo também avalia a liberação de materiais de construção disponíveis na própria região, como madeira e tijolos, dependendo de laudo técnico.



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Jovem de 21 anos morre no Rio Grande do Sul devido a tempestades



A Defesa Civil do Rio Grande do Sul encontrou nesta segunda-feira (10) o corpo de um homem de 21 anos às margens do Rio Capivaras. É a sétima vítima da tempestade que atingiu fortemente a região Sul na tarde da última sexta-feira (7).

Todos os outros óbitos foram registrados no interior do Paraná, estado que sofreu os maiores danos.

O rapaz saiu de Jaquirana, cidade onde vivia, na sexta, e ia para Criciúma (SC). Ele foi visto com vida pela última vez em São José dos Ausentes. As buscas começaram no sábado (8) e os bombeiros encontraram o carro dele parcialmente submerso no Rio Capivaras, próximo da ponte que liga o Rio Grande do Sul a Santa Catarina. O corpo do homem estava na margem do rio.

Com a morte desse jovem, são sete os mortos por consequência da tempestade do fim da semana passada. Além desta no Rio Grande do Sul, há cinco óbitos nas cidade paranaenses de Rio Bonito do Iguaçu e uma em Guarapuava.



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avanço ambiental e desafios da governança


Às vésperas da Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas (COP30), o plenário da Câmara dos Deputados aprovou a criação da Política Nacional de Economia Circular (PNEC). O gesto representa um marco importante para a posição do Brasil no tema. Contudo, os bastidores que levaram à votação revelam que o tópico está longe de ser um consenso geral, especialmente quanto ao impacto para o setor produtivo.

O texto aprovado consolida 13 anos de debate legislativo, reunindo mais de 20 projetos apensados entre 2012 e 2024, e busca promover a transição do modelo linear de consumo para um sistema econômico baseado na eficiência dos recursos, na valorização de produtos ao longo de seu ciclo de vida e na redução de resíduos e emissões.

Ao longo dos últimos meses, o relator da proposta, deputado Luciano Vieira (Republicanos-RJ) apresentou 13 pareceres com propostas de mudanças para a política, mas precisou recuar da posição mais incisiva para garantir a aprovação de um texto possível. A versão aprovada pelos deputados consiste no texto de autoria do Senado, veiculado no PL 1874/2022, mas acrescido de dispositivos que tratam da proteção de acionistas minoritários, oriundos de texto do Poder Executivo.

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) comemorou a aprovação como um avanço importante, destacando que a versão aprovada é resultado de um intenso diálogo. O setor produtivo buscava (e conseguiu) suprimir pontos sensíveis que estavam nas primeiras versões do substitutivo, como imposição de mudanças compulsórias nos modelos de produção, metas não pactuadas e sanções desproporcionais. O texto aprovado foca em princípios e objetivos gerais, com caráter mais diretivo e brando nas obrigações do setor produtivo.

O projeto cria instrumentos relevantes para consolidar a Política Nacional, como o Fórum Nacional de Economia Circular, planos de ação nacionais e estaduais, e alterações na Lei de Licitações para priorizar critérios de circularidade em compras públicas. Os incentivos à inovação, pesquisa e desenvolvimento em tecnologias circulares podem abrir oportunidades de negócio e competitividade. Os planos de ação deverão estabelecer metas de redução, reaproveitamento e reciclagem de resíduos, além de medidas técnicas para eliminação de rejeitos.

Um outro ponto importante foi conquistado na articulação: a obrigatoriedade de análise de impacto regulatório para ações que gerem aumento de custos ou imposição de obrigações aos agentes econômicos, visando garantir previsibilidade e servir de barreira contra medidas excessivamente onerosas.

Por outro lado, um dos pontos mais polêmicos na aprovação foi a inclusão de dispositivos sobre proteção de acionistas minoritários, oriundos do PL 2925/2023, do Ministério da Fazenda. O tema gera preocupação e pode ampliar os poderes da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e a responsabilização civil de administradores de companhias abertas. Para o relator, contudo, a experiência dos desastres de Mariana e Brumadinho demonstra a insuficiência dos instrumentos tradicionais de responsabilização e esse passo servirá para evitar atitudes mais arriscadas dos administradores e controladores.

A CNI já anunciou em nota que defenderá junto aos senadores a supressão dos artigos sobre governança corporativa, “de forma a preservar a coerência do projeto e garantir a segurança jurídica necessária para atrair investimentos”.

A economia circular é, sem dúvida, uma agenda estratégica para o Brasil. O desafio é equilibrar os avanços da pauta ambiental com viabilidade econômica, evitando que a regulação se torne obstáculo ao investimento produtivo.

Vale ressaltar que a tramitação gerou dúvidas, pois, embora a base do texto seja de autoria do Senado (PL 1874/2022), os deputados elegeram como matéria principal o PL 3899/2012, da deputada Jandira Feghali (PCdoB-RJ). Essa manobra regimental troca a autoria do tema, o que significa que texto precisará retornar à Câmara, caso seja alterado após análise do Senado. Agora, os próximos passos dependem de acordo com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP).

*Fernanda César é gerente de Análise Política Federal e de Bens de Consumo. Atua desde 2017 na BMJ Consultores Associados, com ampla experiência em relações governamentais. É bacharel em Ciência Política pela Universidade de Brasília (UnB) e pós-graduada em Direito e Relações Governamentais pelo Centro Universitário de Brasília (UniCEUB).


Canal Rural não se responsabiliza pelas opiniões e conceitos emitidos nos textos desta sessão, sendo os conteúdos de inteira responsabilidade de seus autores. A empresa se reserva o direito de fazer ajustes no texto para adequação às normas de publicação.



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‘Mudança do clima é uma tragédia do presente, não uma ameaça do futuro’, afirma Lula



Durante a abertura da COP30, realizada em Belém (PA), nesta segunda-feira (10), o presidente Lula afirmou que levar a conferência para o coração da Amazônia foi um trabalho árduo, mas necessário. ”Quem vê só a floresta de cima desconhece o que se passa à sua sombra. O bioma mais diverso da Terra, lar de 50 milhões de pessoas, incluindo 400 povos indígenas, enfrenta desafios sociais e econômicos”, disse Lula.

Ele ressaltou que a mudança climática já não é uma ameaça do futuro, mas uma tragédia do presente. “O desastre do furacão Melissa, no Caribe, e o tornado no sul do Paraná, no Brasil, deixaram vítimas fatais. O aumento da temperatura global espalha dor e sofrimento, principalmente entre os mais vulneráveis.”

Sobre o Acordo de Paris, o presidente reforçou sua importância para conter o aquecimento global. “Sem o acordo, o mundo estaria fadado a aquecimento catastrófico de 5
graus até o final do século”, apontou.

Ele lembrou que há mais de 30 anos, na Cúpula da Terra no Rio de Janeiro, o mundo discutiu desenvolvimento e proteção ambiental. “Hoje, a Convenção retorna à sua terra natal para recuperar o entusiasmo e o engajamento que embalaram seu nascimento”, disse o presidente.

O presidente destacou que é essencial colocar as pessoas no centro da emergência climática. “Avançar nesse debate exige uma governança global mais robusta. A emergência climática é uma crise de desigualdade.”

Lula afirmou que a COP30 deve ser “a COP da verdade”, convocando uma reação mundial contra a desinformação climática. “Estamos andando na direção certa, mas na velocidade errada.” Apresentou o Chamado à Ação, dividido em três eixos: cumprimento de compromissos climáticos, fortalecimento da governança global, incluindo a proposta de criação de um Conselho do Clima na ONU , e centralidade das pessoas nas políticas ambientais.



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AgriZone é vitrine para ativos digitais da Embrapa na COP30



A Embrapa Meio Ambiente anunciará três ativos digitais nas solenidades que ocorrem na AgriZone, espaço de tecnologias e iniciativas da Embrapa, localizado dentro da Unidade Amazônia Oriental em Belém, no Pará.

O espaço atua uma grande vitrine de tecnologias, ciência e cooperação internacional voltada à agricultura sustentável e ao combate à fome em um contexto de mudança do clima, e faz parte das iniciativas de participação da Embrapa na COP30. Aberto ao público o espaço funcionará entre os dias 10 e 21 de novembro, das 10h às 18h, com entrada gratuita mediante inscrição on-line ou no local.

Assim a AgriZone contará com mais de 350 eventos técnicos para divulgação de tecnologias de 20 Unidades de Pesquisa, dedicadas a minimizar os efeitos das mudanças climáticas.

Os ativos da Embrapa Meio Ambiente

AgroTag MFE – módulo temático do sistema AgroTag, desenvolvido para apoiar a identificação, qualificação e o compartilhamento de informações técnicas sobre as experiências de manejo e extrativismo no Bioma Amazônia

Criado a partir do sistema AgroTag, o módulo MFE (Manejo Florestal e Extrativismo) atende projetos estratégicos, como o MFE Amazon e o NewCast, novas Soluções Tecnológicas para a Cadeia da Castanha-da-Amazônia.

Pelo aplicativo, produtores e pesquisadores podem registrar informações detalhadas de cada etapa do processo, da pré-coleta ao pós-coleta, incluindo fotos, desenhos, coordenadas geográficas e descrições. Os dados são sincronizados com uma plataforma online que disponibiliza mapas interativos, relatórios e cruzamentos com imagens de satélite, permitindo análises sobre sustentabilidade, histórico de uso da terra e boas práticas adotadas.

O aplicativo gratuito e permite registrar e acompanhar práticas de manejo em tempo real, ampliando transparência e acesso a mercados internacionais. Desenvolvida pela Embrapa Meio Ambiente, a ferramenta promete mudar a forma como se acompanha a castanha-da-amazônia e outros produtos da sociobiodiversidade no país.

O AgroTag MFE é um módulo digital que possibilita rastrear todo o processo de manejo florestal em tempo real, por meio de um aplicativo gratuito de coleta de dados em campo. Assim a iniciativa busca agregar valor à cadeia produtiva da castanha e garantir mais transparência, fator decisivo para ampliar o acesso a mercados internacionais.

BRLUC 2.1 – (Brazilian Land Use Change) – Ferramenta para estimar mudanças de uso da terra

Uma nova versão da ferramenta BRLUC (Brazilian Land Use Change), lançada pela Embrapa, já está disponível para acesso gratuito no site, que passou por um processo de remodelagem. A ferramenta disponibiliza dados de estoques de carbono e emissões de dióxido de carbono (CO2) associadas à mudança de uso da terra na agropecuária. Essas informações são usadas em calculadoras e modelos de cálculos de emissões, assim como em políticas públicas de baixo carbono.

A versão 2.1. traz, como principal inovação, a disponibilização de dados de estoque de carbono médios e suas respectivas incertezas para 44 usos da terra, em cada município do Brasil.

Dessa forma o método também disponibiliza o balanço de CO2 e suas incertezas para 64 culturas agrícolas, pastagens e florestas plantadas, considerando as mudanças de uso da terra no período de 2000 a 2019, para os 5.569 municípios brasileiros.

ICVCalcWeb Embrapa – sistema web que organiza e processa dados para construir inventários de processos agrícolas, essenciais para a realização de estudos de Avaliação do Ciclo de Vida (ACV)

A ICVCalcWeb Embrapa facilita a construção do inventário, a fase mais complexa de um estudo de ACV de produtos agrícolas, pois traz modelos ambientais adequados para a agricultura brasileira. Ela pode servir como ferramenta para gestão ambiental de empreendimentos agrícolas, assim concorrendo para o aumento da sustentabilidade da agricultura brasileira pois o inventário do processo agrícola traz a contabilidade das emissões de Gases de Efeito Estufa, informação crítica para o acesso a mercados de carbono.

O desenvolvimento da ferramenta resulta do trabalho da equipe temática de ACV da Embrapa Meio Ambiente, que buscou criar uma solução prática e adaptada à realidade da agricultura brasileira. Dessa forma, a expectativa é que a ICVCalc Embrapa contribua para ampliar o uso da ACV no campo, oferecendo informações detalhadas que podem embasar desde estudos acadêmicos até decisões de políticas públicas e estratégias empresariais mais sustentáveis.

*Sob supervisão de Luis Roberto Toledo



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AgroNewsPolítica & Agro

Incêndios em silos reacendem debate sobre automação


Em 2025, uma sequência de incêndios em silos graneleiros acendeu um alerta no agronegócio brasileiro. Só no Rio Grande do Sul, ao menos três ocorrências de grande porte foram registradas neste ano. A mais recente, no início de outubro, em Arroio Grande, destruiu um dos silos da Cotribá, com prejuízo estimado em mais de um milhão de reais, entre grãos perdidos e estrutura danificada.

Segundo o Corpo de Bombeiros, o sinistro pode ter sido provocado por combustão espontânea — um fenômeno invisível, mas devastador, que começa dentro da própria massa de grãos.

“A maioria desses incêndios não começa com uma fagulha externa. É o resultado de um processo lento de autoaquecimento, causado por manejo inadequado, falhas na aeração ou ausência de monitoramento preciso”, explica Everton Rorato, diretor comercial da PCE Engenharia, especializada em automação de armazenagem de grãos.

Rorato detalha que a combustão espontânea resulta de uma sequência previsível de eventos biológicos e químicos. Grãos com umidade acima do ideal ou mal limpos tornam-se alimento para microrganismos. Isso em conjunto com a própria atividade metabólica dos grãos gera calor, e a massa compacta atua como isolante térmico.

Sem aeração adequada, o calor não é removido, a temperatura interna sobe e ao ultrapassar 60 °C começam reações de oxidação, produzindo gases inflamáveis e risco de autocombustão. “Quando o operador percebe fumaça, o dano já está feito”, resume.

Para o professor e pesquisador Volnei Meneghetti, especialista em pós-colheita do Instituto Federal Farroupilha, a raiz do problema é conhecida: “Falha humana, sem dúvidas. Pessoal desqualificado e sistemas de termometria convencionais que dependem demais do operador”, afirma.

Segundo ele, o manejo correto em uma condição extrema exigiria transilagem ou expedir o material. “Um sistema automatizado de checagem das condições internas de temperatura e controle automático dos ventiladores de aeração poderia ter evitado o desastre, com certeza. Ele detecta o problema antes que se torne irreversível”, completa Meneghetti.

Rorato encerra com um alerta: “A tecnologia que evita o fogo também protege o lucro. Ignorar isso, hoje, é o verdadeiro risco.”

 





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Paraná registrou três tornados com ventos de até 330 km/h



O Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná (Simepar) confirmou nesta segunda-feira (10) que pelo menos três tornados atingiram o interior do estado durante as tempestades registradas na última sexta-feira (7).

“As análises começaram logo após a ocorrência, com estudo dos dados de radar e das primeiras fotos e vídeos feitas pelas equipes de resgate no município e enviadas pela defesa civil”, informou o Simepar.

Além de Rio Bonito do Iguaçu, que registrou um tornado de categoria F3 na escala Fujita, os municípios de Turvo e de Guarapuava também registraram o fenômeno, ambos na categoria F2.

De acordo com o Simepar, em Rio Bonito do Iguaçu, os ventos chegaram a 330 quilômetros por hora (km/h), o topo da categoria F3. Em Turvo, os ventos foram estimados entre 180 km/h e 200 km/h e, em Turvo, superiores a 200 km/h.

“Além dos três tornados já confirmados, a equipe segue realizando estudos e análises de outras ocorrências suspeitas”, completou o órgão.



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Cânhamo e cannabis: conhece a diferença? Já está tudo liberado? Saiba aqui


Cannabis maconha
A Cannabis já vem sendo utilizada como medicamento em várias partes do mundo. Foto: Pixabay

O mercado de cannabis medicinal no Brasil ainda enfrenta barreiras regulatórias, apesar dos avanços recentes. Com a produção nacional dependendo de regulamentação oficial, o setor tem recebido atenção crescente de órgãos de pesquisa, agências reguladoras e do governo. Nesse cenário, o 3º Cannabis Connection 2025, realizado em São Paulo, reuniu especialistas, pesquisadores, médicos e representantes do setor para debater o desenvolvimento, os desafios e as oportunidades da cannabis medicinal e do cânhamo industrial no país.

Com o tema “O Novo Cenário da Cannabis e do Cânhamo no Brasil: Avanços, Desafios e Oportunidades”, o evento consolidou-se como o principal ponto de encontro da indústria na região, promovendo networking, debates e a apresentação de dados estratégicos sobre o mercado.

Cannabis e cânhamo: qual a diferença?

Durante o Cannabis Connection, foi explicado que a cannabis pertence à espécie Cannabis sativa, que inclui diferentes variedades com composições químicas distintas. A cannabis medicinal possui níveis altos de THC, o composto psicoativo responsável pelos efeitos terapêuticos da planta, como alívio da dor, controle de náuseas, estímulo do apetite e redução de crises convulsivas, sendo utilizada exclusivamente para tratamento clínico.

Já o cânhamo, outra variedade da Cannabis sativa, contém menos de 0,3% de THC, não produz efeito psicoativo e tem aplicações industriais, como fibras, alimentos, cosméticos, biocombustíveis e materiais de construção.

Apesar do potencial econômico e ambiental do cânhamo, no Brasil a lei trata a planta da mesma forma que a maconha recreativa, impedindo o plantio comercial, enquanto países como Canadá, Estados Unidos, China, Argentina e Uruguai já avançam em pesquisa, produção e exportação.

Avanço

Segundo o Mapa, em novembro de 2024, o STJ definiu que não pode ser considerado proibido o cânhamo industrial, variedade da Cannabis com teor de THC inferior a 0,3%, e que, portanto, é lícita a concessão de autorização sanitária para o plantio, o cultivo, a industrialização e a comercialização do cânhamo industrial por pessoas jurídicas.

Essa autorização é limitada a fins exclusivamente medicinais e/ou farmacêuticos, atrelados à proteção do direito à saúde, observada a regulamentação a ser editada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

Embrapa e o potencial do país

A Embrapa destaca o papel estratégico da ciência e da tecnologia para impulsionar o setor. Segundo Beatriz Emygdio, o país já possui estrutura científica e agrícola robusta, com 43 unidades de pesquisa, 600 laboratórios e centros internacionais com tecnologia compatível com as exigências da bioeconomia.

Ela reforçou ainda que a cannabis pode gerar benefícios ambientais, ajudar na captura de carbono e fornecer matéria-prima para indústrias de medicamentos, alimentos e biocombustíveis. A instituição aponta que já existe demanda e capacidade produtiva instalada, mas o cultivo comercial ainda depende de regulamentação oficial, prevista para 2026.

Avanços regulatórios da Anvisa

A regulamentação é um dos pilares para o crescimento do setor. A Anvisa vem avançando com a revisão da RDC 327, que já autorizou mais de 50 produtos à base de canabidiol e extratos vegetais, recebendo 1.476 contribuições em consulta pública.

Atualmente, a agência registra 35 produtos à base de cannabis e acompanha mais de 60 mil médicos prescritores, atuando no controle sanitário, registro de medicamentos e importação de produtos. A expectativa é que a nova regulamentação seja aprovada ainda em 2025, consolidando um marco para a segurança e rastreabilidade do setor.

Papel do Mapa e parcerias estratégicas

O Mapa tem reforçado sua posição favorável à regulamentação da cannabis medicinal e industrial. Ana Paula Porfírio destacou que o órgão já realizou manifestações sobre sementes e mudas, cumprindo sua função de regulação. Ela também ressaltou a parceria com a Embrapa, garantindo apoio às associações do setor. A pesquisadora Beatriz Emygdio acrescentou que é fundamental alinhar produção, controle de qualidade e pesquisa científica para consolidar uma cadeia produtiva sustentável no país.

Mercado em expansão

O mercado de cannabis medicinal no Brasil mostra sinais claros de crescimento. Filipe Campos, da Close-Up International, destacou que o número médio de prescrições por médico aumentou 9,2%, com neurologistas e psiquiatras liderando os casos, embora clínicos gerais representem a maior quantidade de prescrições.

Até setembro de 2025, cerca de 180 a 185 mil pacientes utilizam produtos via importação, e o total de autorizações válidas nos últimos dois anos supera 320 mil, evidenciando o fortalecimento do setor e o crescente reconhecimento da cannabis medicinal como alternativa terapêutica viável no país.

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diferença, aplicação e cenário regulatório do setor no Brasil



O mercado de cannabis medicinal no Brasil ainda enfrenta barreiras regulatórias, apesar dos avanços recentes. Com a produção nacional dependendo de regulamentação oficial, o setor tem recebido atenção crescente de órgãos de pesquisa, agências reguladoras e do governo. Nesse cenário, o 3º Cannabis Connection 2025, realizado em São Paulo, reuniu especialistas, pesquisadores, médicos e representantes do setor para debater o desenvolvimento, os desafios e as oportunidades da cannabis medicinal e do cânhamo industrial no país.

Com o tema “O Novo Cenário da Cannabis e do Cânhamo no Brasil: Avanços, Desafios e Oportunidades”, o evento consolidou-se como o principal ponto de encontro da indústria na região, promovendo networking, debates e a apresentação de dados estratégicos sobre o mercado.

Cannabis e cânhamo: qual a diferença?

Durante o Cannabis Connection, foi explicado que a cannabis pertence à espécie Cannabis sativa, que inclui diferentes variedades com composições químicas distintas. A cannabis medicinal possui níveis altos de THC, o composto psicoativo responsável pelos efeitos terapêuticos da planta, como alívio da dor, controle de náuseas, estímulo do apetite e redução de crises convulsivas, sendo utilizada exclusivamente para tratamento clínico.

Já o cânhamo, outra variedade da Cannabis sativa, contém menos de 0,3% de THC, não produz efeito psicoativo e tem aplicações industriais, como fibras, alimentos, cosméticos, biocombustíveis e materiais de construção.

Apesar do potencial econômico e ambiental do cânhamo, no Brasil a lei trata a planta da mesma forma que a maconha recreativa, impedindo o plantio comercial, enquanto países como Canadá, Estados Unidos, China, Argentina e Uruguai já avançam em pesquisa, produção e exportação.

Avanço

Segundo o Mapa, em novembro de 2024, o STJ definiu que não pode ser considerado proibido o cânhamo industrial, variedade da Cannabis com teor de THC inferior a 0,3%, e que, portanto, é lícita a concessão de autorização sanitária para o plantio, o cultivo, a industrialização e a comercialização do cânhamo industrial por pessoas jurídicas.

Essa autorização é limitada a fins exclusivamente medicinais e/ou farmacêuticos, atrelados à proteção do direito à saúde, observada a regulamentação a ser editada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

Embrapa e o potencial do país

A Embrapa destaca o papel estratégico da ciência e da tecnologia para impulsionar o setor. Segundo Beatriz Emygdio, o país já possui estrutura científica e agrícola robusta, com 43 unidades de pesquisa, 600 laboratórios e centros internacionais com tecnologia compatível com as exigências da bioeconomia.

Ela reforçou ainda que a cannabis pode gerar benefícios ambientais, ajudar na captura de carbono e fornecer matéria-prima para indústrias de medicamentos, alimentos e biocombustíveis. A instituição aponta que já existe demanda e capacidade produtiva instalada, mas o cultivo comercial ainda depende de regulamentação oficial, prevista para 2026.

Avanços regulatórios da Anvisa

A regulamentação é um dos pilares para o crescimento do setor. A Anvisa vem avançando com a revisão da RDC 327, que já autorizou mais de 50 produtos à base de canabidiol e extratos vegetais, recebendo 1.476 contribuições em consulta pública.

Atualmente, a agência registra 35 produtos à base de cannabis e acompanha mais de 60 mil médicos prescritores, atuando no controle sanitário, registro de medicamentos e importação de produtos. A expectativa é que a nova regulamentação seja aprovada ainda em 2025, consolidando um marco para a segurança e rastreabilidade do setor.

Papel do Mapa e parcerias estratégicas

O Mapa tem reforçado sua posição favorável à regulamentação da cannabis medicinal e industrial. Ana Paula Porfírio destacou que o órgão já realizou manifestações sobre sementes e mudas, cumprindo sua função de regulação. Ela também ressaltou a parceria com a Embrapa, garantindo apoio às associações do setor. A pesquisadora Beatriz Emygdio acrescentou que é fundamental alinhar produção, controle de qualidade e pesquisa científica para consolidar uma cadeia produtiva sustentável no país.

Mercado em expansão

O mercado de cannabis medicinal no Brasil mostra sinais claros de crescimento. Filipe Campos, da Close-Up International, destacou que o número médio de prescrições por médico aumentou 9,2%, com neurologistas e psiquiatras liderando os casos, embora clínicos gerais representem a maior quantidade de prescrições.

Até setembro de 2025, cerca de 180 a 185 mil pacientes utilizam produtos via importação, e o total de autorizações válidas nos últimos dois anos supera 320 mil, evidenciando o fortalecimento do setor e o crescente reconhecimento da cannabis medicinal como alternativa terapêutica viável no país.



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O paradoxo da economia e a força do prato feito


A economia brasileira vive um momento curioso e desafiador. De um lado, o país carrega problemas estruturais sérios, com dívida pública ultrapassando 75% do PIB, juros altos e gastos governamentais que continuam crescendo acima da arrecadação. De outro, o Brasil apresenta crescimento econômico superior ao esperado, desemprego no menor nível histórico e consumo firme de alimentos.

O economista Ricardo Amorim definiu isso como um verdadeiro paradoxo. “O Brasil vive um paradoxo: problemas fiscais sérios e, ainda assim, crescimento econômico acima das previsões.”

Esse contraste ajuda a explicar por que a cesta básica e os alimentos essenciais seguem com volume de vendas em alta, mesmo num contexto de desequilíbrio fiscal e crédito caro.

De acordo com a Associação Brasileira de Supermercados (Abras), o consumo nos lares subiu 2,67% em 2025 (até setembro), em valores reais deflacionados, e ficou 2,79% acima do mesmo período de 2024. O IBGE mostra que o varejo total cresceu 1,6% no acumulado do ano e atingiu, em fevereiro, o maior patamar da série histórica. Dentro desse grupo, o segmento de “hiper e supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo” foi um dos que mais contribuíram, com avanço de 1,1% em agosto.

Outro indicador importante, da NIQ (antiga NielsenIQ), confirma a resiliência: em 2023, a cesta de alimentos e bebidas cresceu 7,4% em volume, superando a média de todas as categorias, que foi de 1,9%.

Mesmo em meses de oscilação, como agosto de 2025, quando os dados de PDV mostraram uma queda de 4,4% em volume, mas aumento de 2,5% em receita, o comportamento do consumidor reforça uma tendência estrutural: a prioridade continua sendo o alimento.

A razão é simples e poderosa: emprego e renda real. Hoje, há 23 milhões de brasileiros a mais empregados do que há quatro anos, e a massa salarial, ajustada pela inflação, aumentou cerca de R$ 80 bilhões. Esse dinheiro adicional, distribuído mensalmente, sustenta o consumo de itens essenciais como feijão, arroz, óleo, farinha, açúcar, pães e biscoitos, garantindo movimento ao comércio, à indústria e ao campo.

Mesmo com a taxa Selic ainda alta e o crédito para bens duráveis em retração, a renda corrente permite que o consumidor mantenha o básico no carrinho e, em muitos casos, até melhore a qualidade dos produtos adquiridos. É o fenômeno da “substituição positiva”: trocam-se supérfluos e lazer por comida de verdade, mais nutritiva e com origem conhecida.

O agronegócio brasileiro, mesmo enfrentando desafios de custo e logística, vive um dos seus ciclos mais produtivos da história, com safra recorde de grãos estimada em +17%. Essa abundância ajuda a manter os preços dos alimentos relativamente estáveis, mesmo com o aumento da demanda, e fortalece a economia rural. O agro é, mais uma vez, a âncora que sustenta o consumo interno e evita desequilíbrios mais severos.

Além disso, o Brasil se beneficia de um ambiente externo peculiar. As tensões geopolíticas, como a guerra na Ucrânia, conflitos comerciais entre Estados Unidos e China e instabilidade em países emergentes, fazem com que fluxos de capital busquem refúgio em economias mais previsíveis, como a brasileira. Isso ajuda a atrair investimento direto, ampliar a geração de empregos e reforçar o círculo virtuoso do consumo.

Por outro lado, há um alerta importante: esse ciclo não é infinito. Se o cenário global se deteriorar, ou se o país continuar postergando os ajustes nas contas públicas, o capital pode migrar e o consumo perder fôlego. O desafio está em transformar essa fase de bonança aparente em crescimento sustentável, com produtividade, eficiência fiscal e valorização dos setores que realmente alimentam e empregam o país.

Enquanto isso, o prato feito brasileiro, composto por arroz, feijão, proteína e salada, segue sendo torpedeado pelo marketing dos ultraprocessados. O crescimento dos problemas de saúde mostra que é preciso reagir.

A comida de verdade é mais que uma questão nutricional: é uma força econômica e cultural que conecta campo e cidade, produtor e consumidor. É ela que dá condições físicas e até mesmo psíquicas à nossa população para suportar o estresse de um mundo polarizado que busca nos manipular política e economicamente.

Por isso, movimentos como o Viva Feijão, liderado pelo Ibrafe, ganham importância. Eles mostram que o futuro da alimentação e da economia pode e deve passar por uma agricultura mais consciente, regenerativa e valorizada. O feijão, alimento acessível, saudável e de forte identidade nacional, está no centro dessa transformação. Em tempos de incerteza fiscal e política, é o alimento de verdade que dá estabilidade ao país.

O Brasil pode ter uma economia desequilibrada, mas tem algo que o mantém em movimento: a confiança do povo no prato cheio e o trabalho incansável de quem produz cada grão que o compõe. O desafio agora é transformar esse consumo em desenvolvimento com propósito, onde produzir e comer bem continuem caminhando juntos.

Afinal, como mostra a história recente, a força do Brasil começa no campo e termina no prato, de preferência, com muito feijão.

*Marcelo Lüders é presidente do Instituto Brasileiro do Feijão e Pulses (Ibrafe), e atua na promoção do feijão brasileiro no mercado interno e internacional


Canal Rural não se responsabiliza pelas opiniões e conceitos emitidos nos textos desta sessão, sendo os conteúdos de inteira responsabilidade de seus autores. A empresa se reserva o direito de fazer ajustes no texto para adequação às normas de publicação.



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