sexta-feira, abril 24, 2026

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Guerra no Oriente Médio deve gerar efeitos prolongados para agro mesmo com cessar-fogo


guerra no Oriente Médio
Imagem gerada por IA para o Canal Rural

As tensões entre Estados Unidos e Irã seguem trazendo impactos diretos para a economia global e para o agronegócio brasileiro, principalmente por meio do mercado de petróleo e da volatilidade cambial.

Para o presidente da Faesp/Senar-SP, Tirso Meireles, o principal efeito imediato está no custo da energia e da logística. Segundo ele, a elevação do petróleo encarece o diesel, o frete e o transporte de mercadorias, além de pressionar outros insumos ligados à cadeia produtiva.

“O problema estrutural do petróleo vai trazer impactos relevantes, não só no combustível, mas também em lubrificantes e no custo logístico. Isso aumenta fretes, seguros e o custo final das exportações”, afirmou.

Meireles também destacou que a instabilidade no Oriente Médio tende a gerar efeitos prolongados. Mesmo com um eventual arrefecimento do conflito, os reflexos podem se estender por até dois anos na economia global.

Diante desse cenário, ele defende o avanço de políticas energéticas no Brasil, como o aumento da mistura de biodiesel. Segundo o executivo, ampliar a participação de biocombustíveis pode reduzir a dependência externa e mitigar impactos de crises internacionais.

Já Miguel Daoud, comentarista do Canal Rural, aponta que o cenário também tem influenciado o mercado financeiro. A desvalorização global do dólar e a valorização do real ajudam a explicar o atual comportamento da moeda brasileira, com reflexos diretos sobre o agronegócio.

Com o real mais forte, há tendência de pressão sobre as cotações de commodities como a soja, o que pode reduzir a competitividade das exportações brasileiras.

Por outro lado, Daoud destaca que o Brasil tem sido beneficiado pelas exportações de petróleo, que contribuíram para o superávit recente da balança comercial. Ainda assim, ele avalia que os preços do petróleo devem permanecer elevados, especialmente se houver agravamento do conflito no Oriente Médio.

“O petróleo deve continuar em patamares elevados. Se a guerra se intensificar, os preços podem subir ainda mais, devido à redução da oferta global”, afirmou.

Daoud também chama atenção para mudanças estruturais no mercado internacional, como a possível redução da demanda chinesa por soja nos próximos anos. Nesse contexto, ele defende o aumento do processamento interno da oleaginosa e a ampliação da produção de biodiesel como alternativa para agregar valor à produção brasileira.

A combinação entre custos mais altos, mudanças no câmbio e transformações na demanda global reforça um cenário de incerteza para o agro. Daoud e Meireles avaliam que o momento exige estratégias voltadas à redução de dependências externas e ao fortalecimento da produção interna de energia e insumos.

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Carne suína ganha competitividade frente à bovina e atinge maior nível em 4 anos, segundo Cepea


carne suína
Foto: Ari Dias/AEN

A competitividade da carne suína frente à bovina atingiu o maior nível em quatro anos no Brasil. Levantamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) mostra que o movimento foi impulsionado pela queda nos preços do suíno e pela valorização da carne bovina ao longo de março.

Na Grande São Paulo, a carcaça especial suína foi negociada, em média, a R$ 10,06 por quilo no último mês, recuo de 2,8% em relação a fevereiro. Segundo o Cepea, a desvalorização está ligada à baixa liquidez tanto no mercado do animal vivo quanto no da carne, influenciada pelo período da Quaresma, que reduz o consumo da proteína.

Já a carne bovina seguiu em trajetória oposta. A carcaça casada registrou alta de 2,6% no comparativo mensal, com preço médio de R$ 24,32 por quilo em março. O avanço é explicado pela oferta restrita de animais prontos para abate e pela demanda internacional aquecida pela proteína brasileira.

Com esse cenário, o diferencial de preços entre as duas proteínas aumentou. A diferença entre as carcaças bovina e suína chegou a R$ 14,26 por quilo em março, alta de 6,8% frente a fevereiro.

De acordo com o Cepea, esse é o maior patamar desde abril de 2022, quando o spread havia alcançado R$ 14,66 por quilo. O resultado reforça o ganho de competitividade da carne suína no mercado interno diante da valorização da carne bovina.

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Ministério da Agricultura anuncia novo secretário-executivo


Cleber Oliveira Soares assume o cargo de secretário-executivo do Ministério da Agricultura
Foto: Assessoria de Imprensa do Ministério da Agricultura e Pecuária

Cleber Oliveira Soares é o novo secretário-executivo do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). Ele passa a integrar a equipe do ministro André de Paula na coordenação e execução das políticas públicas voltadas ao setor agropecuário.

Soares já atuava no ministério como secretário-executivo adjunto desde 2023. Com formação em Medicina Veterinária pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), possui mestrado em Parasitologia Veterinária e doutorado em Ciências Veterinárias, com atuação voltada à pesquisa e ao desenvolvimento científico.

Entre 2021 e 2023, ocupou o cargo de secretário de Inovação, Desenvolvimento Sustentável e Irrigação do Mapa, participando da formulação de políticas voltadas à modernização e à sustentabilidade da produção agropecuária.

Antes disso, construiu carreira na Embrapa, onde exerceu funções de gestão na área de pesquisa e inovação. Foi diretor executivo de Inovação e Tecnologia entre 2017 e 2020, chefe de Pesquisa e Desenvolvimento de 2011 a 2017 e vice-chefe da mesma área entre 2005 e 2010.

No próprio Mapa, também atuou como diretor de Inovação Agropecuária entre 2020 e 2021. Além da trajetória no setor público, participa de conselhos e fóruns estratégicos nacionais e internacionais ligados à pesquisa e inovação no agro.

A nomeação reforça a continuidade da gestão técnica dentro do ministério. Como secretário-executivo, Soares terá papel central na articulação das ações da pasta e no acompanhamento das políticas voltadas ao desenvolvimento do agronegócio.

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Exportações de carne bovina batem recorde no 1º trimestre e preços disparam


carne bovina, carnes, abate
Foto: Agência Brasil/arquivo

O Brasil iniciou 2026 com recordes nas exportações de carne bovina in natura. Dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), analisados pelo Centro de estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), mostram que o volume embarcado no primeiro trimestre foi o maior já registrado para o período.

Entre janeiro e março, o país exportou 701,662 mil toneladas, alta de 19,7% em relação ao mesmo intervalo de 2025 e avanço de 36,6% frente a 2024. O desempenho mantém o ritmo forte observado ao longo do ano passado.

Além do aumento nos embarques, o preço da carne bovina brasileira no mercado internacional também atingiu patamar elevado. Em março, a média foi de US$ 5.814,80 por tonelada, com alta de 3,1% sobre fevereiro e de 18,7% na comparação com março de 2025.

Segundo pesquisadores do Cepea, a combinação de volumes recordes e valorização do produto reforça a competitividade da carne brasileira no exterior e sustenta o cenário positivo para o setor.

Esse movimento tem impacto direto no mercado interno. Ao longo de março, a demanda externa aquecida contribuiu para manter firmes os preços do boi gordo.

No início de abril, a tendência de alta continua. As cotações do boi gordo, do bezerro e da carne seguem em valorização, sustentadas pela oferta restrita de animais prontos para abate e pelo apetite internacional pela proteína brasileira.

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Mosaic paralisa operações em Minas Gerais e reduz produção de fertilizantes


Unidade da Mosaic em Minas Gerais
Foto: Divulgação Mosaic

A Mosaic anunciou a paralisação das operações do Complexo Mineroquímico de Araxá e a suspensão das atividades de mineração relacionadas em Patrocínio, em Minas Gerais. A medida deve reduzir em aproximadamente 1 milhão de toneladas por ano a produção de fosfato da Mosaic Fertilizantes no Brasil.

A decisão faz parte de uma estratégia da companhia para reduzir custos e reorganizar a alocação de capital. Com isso, a empresa também avalia a venda dos ativos de Araxá e pretende manter o desenvolvimento do projeto de nióbio em Patrocínio, que está em fase final de avaliação técnica.

Apesar da queda na produção, a Mosaic estima que o impacto no EBITDA ajustado será limitado, em função dos preços elevados do enxofre. Ainda assim, a companhia reconhece que haverá custos pontuais relacionados ao processo de desmobilização das unidades.

A empresa também projeta um impacto contábil bruto entre US$ 350 milhões e US$ 400 milhões no primeiro trimestre de 2026. Parte relevante desse valor está ligada à desvalorização de ativos destinados à venda, além de despesas com rescisões e contratos.

Caso a venda dos ativos de Araxá seja concluída, a expectativa é de redução anual entre US$ 20 milhões e US$ 30 milhões em investimentos e entre US$ 70 milhões e US$ 80 milhões em despesas operacionais.

A paralisação das unidades também deve resultar em redução no quadro de funcionários nas duas operações. Segundo a empresa, todo o processo será conduzido em conformidade com as normas de segurança, meio ambiente e gestão de barragens.

Segundo o CEO da Mosaic, Bruce Bodine, a decisão busca adequar a estrutura da companhia ao cenário atual do setor e reforçar a disciplina na alocação de capital.

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Frente fria avança e espalha chuva forte pelo país


A atuação de uma frente fria mantém o tempo instável em boa parte do Brasil nesta quinta-feira. No Sudeste, o sistema avança e reforça as condições para chuva, enquanto no Sul o tempo começa a apresentar melhora com a entrada de uma massa de ar mais frio.

Sul

O ciclone extratropical se afasta do país, reduzindo as instabilidades. Ainda assim, o litoral segue com ventos moderados a fortes, com rajadas entre 40 e 50 km/h, podendo chegar a 70 km/h no sul de Santa Catarina.

Há previsão de chuva fraca no norte e litoral do Rio Grande do Sul e também no interior catarinense. No restante da região, o tempo fica mais estável, com predomínio de sol entre nuvens.

As temperaturas caem em toda a região devido à entrada de ar frio, com sensação mais amena ao longo do dia.

Sudeste

No Sudeste, a frente fria avança e intensifica as instabilidades. Desde a manhã, há chuva em áreas do interior, norte e litoral de São Paulo, além do Rio de Janeiro e sul de Minas Gerais.

Ao longo do dia, as pancadas se espalham e ganham força, com risco de chuva moderada a forte, acumulados elevados e possibilidade de temporais, principalmente no estado do Rio de Janeiro, centro-sul do Espírito Santo e na Zona da Mata mineira.

As temperaturas ficam mais amenas em áreas do litoral e do interior, enquanto regiões mais afastadas do sistema ainda registram calor.

Centro-Oeste

A combinação de calor e umidade favorece pancadas de chuva em Mato Grosso, Goiás e no Distrito Federal.

As precipitações ocorrem com intensidade moderada a forte, principalmente na metade norte de Mato Grosso e em áreas do leste de Goiás. Já no Mato Grosso do Sul, o tempo melhora, mas ainda há chuva no norte do estado.

As temperaturas seguem elevadas na maior parte da região.

Nordeste

A Zona de Convergência Intertropical (ZCIT) e os distúrbios ondulatórios de leste favorecem chuva principalmente na faixa norte.

Há previsão de pancadas moderadas a fortes no Maranhão, Piauí, Ceará e Rio Grande do Norte, com risco de temporais em áreas do interior.

No litoral entre Pernambuco e Paraíba, a chuva ocorre de forma moderada, enquanto o interior tende a ter períodos de tempo mais firme. À tarde, as temperaturas sobem e o calor aumenta na região.

Norte

A alta umidade segue favorecendo pancadas de chuva em praticamente toda a região.

Os volumes podem ser elevados em estados como Amazonas, Pará e Tocantins, com risco de temporais em áreas específicas. A sensação de abafamento permanece alta ao longo do dia.

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Mercado do boi gordo fica estável São Paulo


De acordo com a análise divulgada nesta terça-feira (7) no informativo “Tem Boi na Linha”, da Scot Consultoria, o mercado do boi gordo iniciou o dia estável em São Paulo após as altas registradas na segunda-feira (6). Segundo o relatório, a oferta enxuta de animais e as escalas curtas de abate sustentaram as cotações ao longo do período.

Ainda conforme a Scot Consultoria, “a oferta enxuta e as escalas de abates curtas fundamentavam o mercado e sustentavam as cotações”, cenário que manteve o ritmo de negociações sem alterações relevantes nos preços.

O levantamento aponta que “a escala de abate estava, em média, para seis dias”, refletindo a disponibilidade limitada de animais prontos para o abate.

De acordo com o informativo, compradores com maior necessidade de recompor escalas chegaram a ofertar valores mais altos pela arroba dos bovinos, principalmente em negociações envolvendo grandes lotes. Ainda assim, o relatório destaca que esses negócios ocorreram de forma pontual e “não ocorreram em volume suficiente para se tornarem referência”.

No Rio de Janeiro, o mercado permaneceu firme, sem mudanças na cotação de referência.

Já no Pará, a análise indica que a oferta de gado permaneceu reduzida e as escalas de abate não ultrapassaram seis dias. Segundo o relatório, essa dinâmica, aliada à firmeza da ponta vendedora e às condições de pastagem, contribuiu para sustentar o mercado, resultando em alta em duas das três praças monitoradas.

Na região de Marabá, o boi gordo e a novilha registraram aumento de R$ 2,00 por arroba, enquanto a vaca teve alta de R$ 3,00 por arroba.

Na região de Redenção, todas as categorias apresentaram valorização. O boi gordo teve acréscimo de R$ 6,00 por arroba, enquanto vaca e novilha registraram aumento de R$ 2,00 por arroba.

Para as regiões de Marabá e Redenção, o chamado “boi China” também registrou alta de R$ 2,00 por arroba, conforme apontado no informativo. Já na região de Paragominas, a cotação de todas as categorias permaneceu estável.





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Cessar-fogo entre EUA e Irã reduz pressão sobre as bolsas globais


PODCAST Diário Econômico

No morning call desta quinta-feira (9) a economista-chefe do PicPay, Ariane Benedito, comenta o alívio no risco global após sinalização de cessar-fogo temporário entre EUA e Irã. O petróleo devolveu prêmio geopolítico e voltou abaixo de US$ 100, reduzindo pressões inflacionárias. Bolsas globais subiram e o dólar enfraqueceu.

No Brasil, o Ibovespa renovou máximas a 192 mil pontos e o dólar caiu a R$ 5,10, com juros fechando.

Ouça o Diário Econômico, o podcast do PicPay que traz tudo que você precisa saber sobre economia para começar o seu dia, com base nas principais notícias que impactam o mercado financeiro.

Para mais conteúdos de mercado financeiro, acesse: Bom Dia Mercado!

Ariane Benedito, apresentadora do podcast Diário Econômico
Foto: divulgação

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AgroNewsPolítica & Agro

Minas registra 1ª importação de tilápia desde 1997


Minas Gerais registrou, pela primeira vez desde 1997, a importação de tilápia, mesmo em um cenário de expansão da piscicultura estadual. Em fevereiro de 2026, o estado importou 122 toneladas do Vietnã, segundo dados do ComexStat. É o primeiro registro desse tipo desde o início da série histórica.

O movimento acompanha uma tendência nacional. No mesmo período, o Brasil importou mais de 1,3 mil toneladas de filé de tilápia do Vietnã, volume equivalente a cerca de 4,1 mil toneladas de peixe vivo, de acordo com o Ministério da Agricultura e Pecuária. Pela primeira vez, as importações superaram as exportações brasileiras e passaram a representar 6,5% da produção mensal do país.

Segundo a analista de agronegócios do Sistema Faemg Senar, Nathália Rabelo, o dado chama atenção porque Minas Gerais vem ampliando sua participação na piscicultura nacional, com crescimento acima da média do país e expansão em regiões como Morada Nova de Minas, atualmente o maior município produtor de tilápia do Brasil.

“A importação não está relacionada à falta de oferta interna, mas a fatores econômicos e comerciais. O filé importado, principalmente do Vietnã, chega ao mercado com preços mais competitivos, resultado da produção em larga escala e dos custos menores no país asiático. O momento exige atenção, já que Minas vem ampliando sua participação na produção nacional de forma consistente, e a entrada de produto importado pode comprometer a competitividade da cadeia produtiva estadual”, explica a analista.

Apesar do avanço das importações, a produção de tilápia segue em crescimento. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, o Brasil produziu 442 mil toneladas em 2023 e avançou para 499 mil toneladas em 2024, alta de 12,8%. Em Minas Gerais, o crescimento foi mais acelerado: a produção passou de 45,5 mil toneladas em 2023 para 58,4 mil toneladas em 2024, aumento de 28%.

Com isso, o estado passou a responder por cerca de 11,7% da produção nacional e ocupa a terceira posição no ranking brasileiro, atrás de Paraná e São Paulo.

Além do aumento do volume produzido, Minas Gerais tem ampliado a estrutura da cadeia produtiva com investimentos em tecnologia, genética, nutrição e processamento, o que amplia o potencial de expansão da atividade.

“A importação de filé de tilápia do Vietnã não é uma preocupação futura, ela já está impactando o setor. Outros estados com forte produção, como Paraná, Santa Catarina e, mais recentemente, São Paulo, já adotaram medidas de proteção à cadeia produtiva local. Minas Gerais, que é um dos principais polos produtores do país e tem em Morada Nova de Minas a capital nacional da tilápia, precisa agir com a mesma urgência”, afirma o produtor Carlos Junior de Faria Ribeiro.

Ele aponta a questão tributária como um dos pontos críticos. “O produtor e a indústria mineira pagam ICMS, enquanto o filé importado do Vietnã entra no estado sem essa mesma carga. Na prática, Minas Gerais acaba subsidiando o produtor estrangeiro, quando deveria fortalecer e proteger quem produz aqui, gera emprego e movimenta a economia local”, diz.

A sanidade da produção nacional também é apontada como preocupação. A importação pode ampliar o risco de introdução de doenças exóticas, como o vírus da tilápia do lago, conhecido como Tilapia Lake Virus. O Brasil é considerado livre da enfermidade, e a eventual entrada do patógeno poderia causar prejuízos para a piscicultura.

Outro tema acompanhado pelo setor é a possibilidade de a tilápia ser classificada como espécie exótica invasora no país. Em 2025, a Comissão Nacional de Biodiversidade avançou na discussão sobre uma nova lista de espécies, mas a elaboração do documento foi suspensa para reavaliação dos critérios.





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AgroNewsPolítica & Agro

Conab doa 23,7 toneladas de alimentos ao Acampamento Terra Livre, em Brasília


Em apoio à maior mobilização indígena do país, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) doou 23,7 toneladas de alimentos ao 22º Acampamento Terra Livre, em Brasília (DF). Do total, 19,3 toneladas correspondem a 900 cestas da Ação de Distribuição de Alimentos a Grupos Populacionais Específicos (ADA). Outras 4,4 toneladas, incluindo hortifrútis orgânicos, farinhas e polpa de frutas, foram entregues por meio do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA). A ação da Conab, realizada pelo quarto ano consecutivo, reforça as cozinhas que preparam as refeições diárias para cerca de 6 mil participantes.

Nesta terça-feira (7), o diretor de Política Agrícola e Informações (Dipai) da Conab, Silvio Porto, e a secretária nacional de Segurança Alimentar e Nutricional do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS), Lilian Rahal, estiveram na cozinha central do acampamento. Na ocasião, Porto destacou a atuação da Companhia junto aos povos indígenas e comunidades tradicionais, especialmente por meio do PAA. Segundo ele, cerca de 20% do programa é destinado a esse público, com maior concentração na região amazônica, mas também com alcance em outros estados. 

“O PAA fortalece a segurança alimentar e nutricional desses povos e, ao mesmo tempo, gera renda para as famílias, a partir da própria produção nas aldeias. É uma política que valoriza o modo de vida, a cultura alimentar e a sustentabilidade nos territórios indígenas, com os próprios indígenas colocando seus alimentos em circulação, inclusive para a alimentação escolar”, afirmou o diretor.

A operação logística das cestas teve início no sábado (3) e foi concluída nesta terça, no Eixo Cultural Ibero-Americano, local que sedia o evento. Elas estavam armazenadas na Unidade Armazenadora da Conab, em Goiânia (GO), e foram entregues pela Companhia após demanda do Ministério dos Povos Indígenas (MPI). Já os alimentos do PAA foram produzidos por associações de mulheres e cooperativas do Distrito Federal. 

As cestas, com 21,5 quilos cada, contêm arroz beneficiado, feijão carioca, leite em pó integral, óleo de soja, farinha de mandioca, macarrão espaguete, açúcar cristal, flocos de milho, sardinha em óleo e sal. Os alimentos foram adquiridos com recursos do MDS, num investimento de R$ 153 mil. Em complemento às cestas, a ação da Conab incluiu a entrega de alimentos frescos e orgânicos do PAA, como abacate, banana, batata-doce, beterraba, quiabo, milho verde, mandioca e abóbora seca, além de colorau, açafrão e polpa de frutas, ampliando a diversidade nutricional e a qualidade da alimentação.

Para Kleber Karipuna, coordenador-executivo da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB), o apoio da Conab é muito importante para a realização do Acampamento Terra Livre, ao garantir a alimentação dos indígenas com produtos da agricultura familiar. Ele ressaltou que a iniciativa reforça a soberania alimentar dos povos e evidencia o papel dos próprios indígenas na produção de alimentos e na preservação dos territórios, centrais no enfrentamento à crise climática.

“A doação de alimentos da agricultura familiar é fundamental para manter milhares de indígenas aqui em Brasília com dignidade, sem abrir mão da nossa cultura alimentar. Nós somos os povos que produzem, que protegem e que mantêm os territórios preservados. Fortalecer os povos indígenas é também garantir a proteção da biodiversidade e o enfrentamento à crise climática”, disse Karipuna.

Já Lilian frisou a importância de oferecer verduras, frutas e hortaliças que combinam com o hábito alimentar das diversas etnias presentes, ajudando-as a se sentirem mais à vontade no acampamento. “Temos sempre de lembrar que os povos indígenas são prioritários em nossas ações por meio do PAA e da entrega de cestas. Assim a gente pode garantir a segurança alimentar destas comunidades tanto pela geração de renda quanto pela destinação dos alimentos adequados aos hábitos alimentares delas. Para a gente é muito importante poder trazer estes alimentos”, explicou a secretária do MDS. 

O Acampamento

Realizado desde 2004, o Acampamento Terra Livre é a principal assembleia dos povos e organizações indígenas do país e ocorre, tradicionalmente, em abril, em Brasília. A mobilização marca o início do Abril Indígena, é organizada pela APIB e reúne lideranças de todas as regiões. Neste ano, a 22ª edição traz como tema “Nosso futuro não está à venda: a resposta somos nós”. A programação aborda ameaças aos territórios indígenas e aos povos originários e apresenta propostas de enfrentamento à crise climática e de fortalecimento da democracia.





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