sexta-feira, abril 24, 2026

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Trigo recua em Chicago após trégua no conflito


A cotação do trigo recuou no mercado internacional ao longo da semana, influenciada pelo anúncio de uma trégua na guerra entre Estados Unidos/Israel e Irã. Segundo análise da Central Internacional de Análises Econômicas e de Estudos de Mercado Agropecuário (Ceema), divulgada nesta quinta-feira (09), o contrato para o primeiro mês em Chicago fechou o dia a US$ 5,74 por bushel, ante US$ 5,98 registrados na semana anterior.

De acordo com a Ceema, o relatório de oferta e demanda do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), publicado no mesmo dia, trouxe poucas alterações para o mercado. O órgão manteve praticamente inalteradas as estimativas de produção e estoques finais dos Estados Unidos, enquanto elevou a produção mundial para 844,2 milhões de toneladas. Os estoques globais foram ajustados para 283,1 milhões de toneladas, com aumento superior a 6 milhões de toneladas em relação ao mês anterior. A produção da Argentina foi estimada em 27,9 milhões de toneladas, enquanto a do Brasil foi reduzida para 7,87 milhões.

Os embarques de trigo dos Estados Unidos somaram 334.106 toneladas na semana encerrada em 2 de abril, levemente acima do piso esperado pelo mercado. Com isso, o total exportado no atual ano comercial alcança 20,7 milhões de toneladas, volume 17% superior ao registrado no mesmo período do ciclo anterior.

A Ceema avalia que houve pressão vendedora após o anúncio da trégua, ainda que considerada instável, em um contexto de oferta global elevada. O relatório aponta que o comportamento dos fundos de investimento também segue influenciando o mercado, com liquidações de posições especulativas contribuindo para a queda das cotações em momentos de redução das tensões geopolíticas.

No mercado brasileiro, a Safras & Mercado indica que o cenário ainda não apresenta sustentação para um movimento consistente de alta. “o mercado nacional ‘ainda não apresenta fundamentos suficientes para sustentar um movimento consistente de alta’”, aponta a consultoria. Segundo a análise, “o ritmo de negócios segue lento, com moinhos relativamente abastecidos no curto prazo e produtores mais retraídos, acompanhando a queda externa e o comportamento do câmbio antes de tomar decisões. Esse ambiente mantém a liquidez limitada e reforça a necessidade de atenção redobrada por parte do produtor”.

Apesar disso, os preços internos apresentaram recuperação. No Rio Grande do Sul, as principais praças registraram valores entre R$ 60,00 e R$ 61,00 por saca, enquanto no Paraná as cotações ficaram em torno de R$ 66,00. No mercado de pronta entrega paranaense, o preço médio superou R$ 1.280 por tonelada no fim de março, retornando a níveis observados em setembro de 2025.

Parte desse movimento é atribuída ao desempenho das exportações brasileiras e à elevação dos preços do trigo argentino, que subiram 7% em março, encarecendo as importações. As programações de embarque do Brasil somam 2 milhões de toneladas entre agosto de 2025 e março de 2026, com 97% desse volume originado no Rio Grande do Sul. Entre os destinos, Bangladesh lidera, seguido pelo Vietnã e pelo mercado do Nordeste via cabotagem. Já as importações previstas para o período entre agosto de 2025 e abril de 2026 totalizam 3,72 milhões de toneladas, com destaque para Ceará, São Paulo, Bahia e Pernambuco.





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Exportações aceleradas para China e oferta restrita fazem preço do boi gordo disparar


arroba do boi gordo
Foto: Henrique Bighetti/Canal Rural

O mercado físico do boi gordo apresentou preços sustentados e em alta ao longo da semana em grande parte do Brasil, reflexo direto da restrição de oferta. De acordo com o analista Fernando Iglesias, da Safras & Mercado, as escalas de abate permanecem encurtadas na maioria das regiões, mantendo o ambiente favorável para a valorização da arroba.

Diante da menor disponibilidade de animais para abate, frigoríficos já avaliam estratégias para ajustar suas operações, incluindo o aumento da ociosidade ao longo de abril e a possibilidade de concessão de férias coletivas. O movimento reflete a dificuldade de originar boiadas em volume suficiente.

No mercado internacional, o ritmo das exportações segue acelerado, com a China absorvendo grandes volumes de carne bovina brasileira neste primeiro quadrimestre. Segundo estimativas, a cota de embarques pode se esgotar entre maio e meados de junho. Esse cenário traz incertezas para o terceiro trimestre, quando há maior oferta de animais confinados, podendo impactar o fluxo exportador. Algumas entidades, inclusive, apontam para um esgotamento ainda mais precoce, já no início de maio.

Os preços da arroba do boi gordo, na modalidade a prazo, registraram avanços consistentes nas principais praças pecuárias até 9 de abril.

  • São Paulo (Capital) – R$ 370,00 a arroba, aumento de 2,78% frente aos R$ 360,00 praticados no final da semana passada
  • Goiás (Goiânia) – R$ 355,00 a arroba, avanço de 4,41% frente aos R$ 340,00 registrados no final da semana passada
  • Minas Gerais (Uberaba) – R$ 350,00 a arroba, avanço de 1,45% ante os R$ 345,00 registrados no fechamento da última semana
  • Mato Grosso do Sul (Dourados) – R$ 360,00 a arroba, acréscimo de 2,86% ante os R$ 350,00 praticados no final da semana anterior
  • Mato Grosso (Cuiabá) – R$ 360,00 a arroba, aumento de 1,41% frente aos R$ 355,00 praticados no fechamento da semana passada
  • Rondônia (Vilhena) – R$ 330,00 a arroba, alta de 3,13% perante os R$ 320,00 registrados no encerramento da última semana

Atacado

No mercado atacadista, os preços da carne bovina permaneceram firmes ao longo da semana, com expectativa de novos reajustes no curto prazo. A entrada dos salários na economia tende a impulsionar a reposição entre atacado e varejo, favorecendo a sustentação dos preços.

Por outro lado, um fator limitante para altas mais expressivas segue sendo o comportamento das proteínas concorrentes, especialmente a carne de frango, que continua com preços mais baixos, aumentando a competitividade frente à carne bovina.

Entre os cortes, o quarto dianteiro foi precificado a R$ 22,50 por quilo, representando alta de 2,27% em relação à semana anterior. Já os cortes do traseiro bovino foram cotados a R$ 27,50 por quilo, mantendo estabilidade no período.

Comércio exterior

No comércio exterior, o desempenho segue robusto. Em março, as exportações brasileiras de carne bovina fresca, congelada ou refrigerada geraram receita de US$ 1,360 bilhão, considerando 22 dias úteis, com média diária de US$ 61,835 milhões. O volume total exportado atingiu 233,951 mil toneladas, com média diária de 10,634 mil toneladas. O preço médio da tonelada foi de US$ 5.814,80.

Na comparação com março de 2025, houve crescimento expressivo, com alta de 29% no valor médio diário exportado, avanço de 8,7% no volume médio diário e ganho de 18,7% no preço médio. Os dados foram divulgados pela Secretaria de Comércio Exterior, reforçando o bom momento das exportações brasileiras de carne bovina.

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Com apoio da família, produtor de SC transforma pequeno aviário em império


A trajetória de Osvaldo Fávaro na avicultura no Sul do Brasil é um exemplo de como a visão de longo prazo pode transformar a realidade de quem vive no campo. Antes de se destacar nesse setor, Fávaro conheceu a lida pesada de culturas como o fumo e a banana. Na década de 90, ele percebeu a necessidade de um negócio que trouxesse mais previsibilidade e escala para sua família.

Em 1994, Osvaldo e seu irmão ergueram o primeiro aviário, projetado para apenas sete mil quinhentas aves. Esse início modesto não indicava o complexo que ele viria a liderar décadas depois. O ponto de virada em sua trajetória foi a percepção de que “sozinho se vai rápido, mas acompanhado se vai longe”. Ele entendeu que a sociedade na avicultura era fundamental para multiplicar seus resultados.

Expansão e investimento em parcerias

Ao longo de 30 anos, Fávaro buscou parceiros e familiares para investir em novos projetos, transitando da engorda comum para o desafiador segmento de matrizes. Atualmente, ele participa de 21 granjas, um número que só foi possível graças a uma base sólida de confiança e ao sistema de integração com a indústria, que proporcionou tecnologia e segurança em cada novo passo.

Operar no segmento de matrizes envolve um alto nível de exigência, já que são produzidos os ovos que darão origem a milhares de frangos de corte. Fávaro destaca que a gestão das unidades requer um olhar clínico: a coleta correta, a higiene rigorosa e o controle total do ambiente definem o lucro ou o prejuízo.

“O resultado depende da soma entre tecnologia e a dedicação da equipe que está lá dentro”, informa o produtor.

Modelo de gestão e sucessão familiar

No modelo societário que adotou, a engrenagem funciona com uma clara divisão de responsabilidades. Fávaro valoriza cada funcionário e sócio, considerando a sanidade do lote uma meta coletiva.

Ele tem investido constantemente em automação para manter a competitividade, sem abrir mão da presença humana para garantir o padrão de excelência das matrizes. Essa estrutura permitiu um crescimento sustentável, mantendo a essência do cuidado artesanal com a produção.

Um dos maiores orgulhos de Osvaldo Fávaro não está nos números de aves, mas na mesa de jantar. Ver seus filhos crescendo na atividade e assumindo a linha de frente da operação é prova de uma sucessão bem-sucedida.

A transição ocorreu de forma natural, com os filhos trazendo inovação e novas ferramentas de gestão, enquanto Osvaldo atua como mentor estratégico, compartilhando sua experiência.

Conselhos para novos investidores

Para a família Fávaro, o campo é um espaço de aprendizado contínuo. Mesmo após 30 anos, Osvaldo mantém a humildade de quem reconhece que a avicultura está em constante mudança.

Seu conselho para os interessados em investir é claro: exige planejamento, seriedade e, acima de tudo, vontade de aprender. O legado que ele deixa é evidente: com as parcerias certas e a família unida, o crescimento não tem limites.

*Sob supervisão de Hildeberto Jr.

Com informações de: interligados.canalrural.com.br.

Publicado com auxílio de inteligência artificial e revisão da Redação Canal Rural.

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Vamos abre vagas em áreas comercial e técnica; veja como se candidatar


Foto: Divulgação/Vamos.
Foto: Divulgação/Vamos.

A Vamos, empresa de locação de veículos e revendedora de caminhões seminovos, anunciou a abertura de vagas de emprego em diferentes regiões do país. As oportunidades contemplam áreas comerciais, técnicas e operacionais.

As inscrições devem ser feitas pela internet, por meio do portal de carreiras da empresa. Os prazos variam conforme a vaga.

Áreas com oportunidades

As vagas estão distribuídas em funções ligadas à área comercial, como vendedores e gerentes de vendas, e também em cargos técnicos e operacionais, como mecânicos, consultores e motoristas.

Entre os estados com oportunidades estão São Paulo, Minas Gerais, Mato Grosso, Pará, Tocantins, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Piauí e Rio de Janeiro.

A empresa informa que mantém programas de capacitação e desenvolvimento profissional. Também oferece benefícios aos colaboradores, como apoio nas áreas psicológica, social, jurídica e financeira, além de iniciativas voltadas à educação e ao bem-estar.

Confira as vagas:

Área Comercial 

• Vendedor – Caçapava (SP) 
• Vendedor – Araguaína (TO) 
• Vendedor – Caxias do Sul (RS) 
• Vendedor Interno (Segmento Automotivo/Pesado) – Guarulhos (SP) 
• Gerente de Vendas – Chapecó (SC) 
• Gerente de Vendas – Parauapebas (PA) 

Área Técnica e Operacional 

• Mecânico – Varginha (MG) 
• Mecânico – Teresina (PI) 
• Mecânico B – Extrema (MG) 
• Mecânico C – Lucas do Rio Verde (MT) 
• Mecânico B – Osasco (SP) 
• Consultor Técnico Automotivo | Linha Pesada – Mogi das Cruzes (SP) 
• Motorista Manobrista – Sinop (MT) 
• Agente de Serviços – Angra dos Reis (RJ) 

Como se candidatar?

Os interessados devem acessar o site oficial de carreiras da empresa para consultar os requisitos e realizar a inscrição (clique aqui).

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Ormuz sitiado: o bloqueio que ameaça o mundo


Ilustração gerada por IA para o Canal Rural

O cenário global mudou drasticamente. O presidente Donald Trump escalou o conflito com o Irã ao ordenar que a Marinha dos EUA estabeleça um bloqueio total no Estreito de Ormuz, transformando a rota energética do planeta em uma zona de exclusão militar sob supervisão americana.

A explosão do frete e do seguro

Além do preço do barril, o bloqueio dispara um gatilho inflacionário perverso: o custo logístico. Com a região declarada zona de guerra, as seguradoras elevaram os prêmios para patamares proibitivos.

Navegar por rotas instáveis agora exige “taxas de risco” altíssimas. Esse aumento no frete marítimo e no seguro das cargas encarece cada produto transportado via oceano, gerando uma inflação que o mundo inteiro será forçado a importar.

O colapso da dívida global

Este choque ocorre em um momento de fragilidade extrema: o mundo carrega um endividamento de 360 trilhões de dólares. A inflação forçará a manutenção de taxas de juros altas por mais tempo, tornando o custo do dinheiro insuportável.

Para empresas alavancadas, esse cenário é inadministrável. Sem condições de rolar dívidas ou pagar juros elevados, o mundo deve enfrentar uma onda de falências e recuperações judiciais, atingindo setores que já operam no limite financeiro.

Desespero Político e Risco de Impeachment

Nos bastidores, a medida é vista como um lance arriscado de um governo sob pressão. Com baixa aceitação popular, Trump enfrenta o temor de uma derrota esmagadora nas eleições de meio de mandato.

Uma vitória democrata na Câmara tornaria o impeachment uma ameaça real. Para muitos, o bloqueio é uma tentativa de desviar o foco da crise interna, embora a alta dos combustíveis possa acelerar justamente a rejeição que ele tenta evitar.

O dilema das Forças Armadas

Há um crescente desconforto no Pentágono sobre a legalidade das ordens. A promessa de Trump de ações extremas acendeu alertas sobre crimes de guerra.

Existe a possibilidade real de as Forças Armadas oferecerem resistência interna caso as ordens violem o direito internacional ou caracterizem ataques desproporcionais contra civis e infra estruturas históricas.

Alerta para o Brasil

Para o produtor brasileiro, o impacto atinge o coração da produção: os fertilizantes e o diesel. A disparada do petróleo encarece a fabricação desses insumos, elevando o custo por hectare a níveis que podem inviabilizar o lucro dos grãos e carnes.

Na ponta final, o brasileiro sentirá o golpe no supermercado caso isso aconteça. O diesel caro e o frete elevado encarecem do arroz e feijão às carnes. O bloqueio em Ormuz tornou-se, assim, uma ameaça direta ao poder de compra e à segurança alimentar no Brasil.

Finalizando, este cenário demonstra o perigo de quando a vaidade política e a visão de curto prazo se sobrepõem à estabilidade de toda uma engrenagem global.

Miguel Daoud

*Miguel Daoud é comentarista de Economia e Política do Canal Rural


Canal Rural não se responsabiliza pelas opiniões e conceitos emitidos nos textos desta sessão, sendo os conteúdos de inteira responsabilidade de seus autores. A empresa se reserva o direito de fazer ajustes no texto para adequação às normas de publicação.

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Prêmio Brasil Artesanal 2026: inscrições para categoria azeite vão até o fim do mês; saiba mais


Azeite
Foto: Pixabay,

As inscrições para o Prêmio Brasil Artesanal (PBA) 2026, na categoria azeite de oliva, seguem abertas até 30 de abril. A iniciativa é promovida pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA).

O concurso é voltado a produtores que desejam inscrever azeites nas categorias blend e monovarietal. Cada participante pode cadastrar um produto por categoria.

Após a inscrição, os produtores devem enviar as amostras até 15 de maio. O processo inclui avaliação por júri técnico, análise da história do produto, júri popular e etapa final de premiação.

Objetivo da premiação

Segundo a assessora técnica da CNA e organizadora do concurso, Fernanda Silva, a iniciativa visa ampliar o alcance dos produtos nacionais. “É um momento de reconhecer o trabalho desenvolvido no campo e ampliar as possibilidades de participação e venda em novos mercados”, afirmou.

O prêmio conta com a participação de instituições de pesquisa e apoio ao setor. Entre elas estão a Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig), a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), a Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA) e o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae Nacional).

As inscrições devem ser feitas pela internet, no site da CNA (clique aqui).

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Frente fria avança, derruba temperaturas e causa chuva forte nos próximos dias


O avanço da frente fria provoca o aumento das chuvas em várias regiões do Brasil a partir deste domingo (13). As instabilidades voltam a ganhar força no Sul, com previsão de chuva mais intensa, além de volumes elevados também no litoral da Bahia e em áreas do Centro-Oeste, especialmente em Mato Grosso.

Até a próxima quarta-feira (15), os maiores acumulados de chuva devem se concentrar na região Norte e em parte do Nordeste, com destaque para Maranhão, Piauí e Ceará. Na sequência, entre os dias 16 e 20 de abril, as instabilidades se intensificam e avançam para o Centro-Oeste, atingindo principalmente Mato Grosso, além de reforçarem os volumes entre o norte do Nordeste e o Pará.

Já entre 21 e 25 de abril, a chuva ganha força no Centro-Oeste, com destaque para Goiás, e volta a avançar também sobre áreas do Sudeste e do Sul. Nesse período, os acumulados tendem a ser mais expressivos nessas regiões, indicando um novo episódio de instabilidade mais ampla.

Temperaturas sobem , mas nova queda vem aí

Apesar do frio dos últimos dias, as temperaturas voltam a subir nos próximos dias no Sul. No entanto, uma nova queda é esperada no fim de abril e início de maio, com mínimas que podem ficar próximas dos 8 °C em áreas de maior altitude.

A combinação entre o avanço da frente fria e a atuação de sistemas tropicais mantém o padrão de chuva frequente no país, com períodos de maior intensidade intercalados ao longo das próximas semanas.

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Do campo à Lua: a nova fronteira da energia


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Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil

Recentemente, acompanhei com entusiasmo a estreia dos meus amigos jornalistas do Canal Rural, João Nogueira e Beatriz Gunther, no comando do podcast Radar Rural, no YouTube. Em um episódio instigante, eles abordaram justamente a relação entre a tecnologia do campo e as viagens espaciais, mostrando que a inovação necessária para alimentar o mundo é, em muitos aspectos, a mesma que nos permitirá explorar o universo.

Essa discussão não poderia ser mais atual após o retorno histórico da missão Artemis 2. No último dia 10 de abril, os quatro astronautas retornaram à Terra após uma jornada épica ao redor da Lua. O sucesso dessa missão valida os sistemas que permitirão, em breve, que o homem volte a pisar no solo lunar para estabelecer uma presença permanente, algo que depende diretamente da capacidade de “colher” recursos no espaço, assim como fazemos na agricultura.

O “Ouro Gelado” das Crateras Lunares

O plano para essa sobrevivência sustentável depende de um recurso vital: o gelo. Escondido em crateras nos polos lunares, esse gelo é a peça central da logística espacial. Em vez de carregar tudo da Terra, a estratégia da NASA é fabricar combustível e oxigênio lá mesmo, utilizando os princípios de eficiência que o João e a Beatriz tanto destacam para o nosso agronegócio.

A química do combustível espacial

O processo, conhecido como Utilização de Recursos In Situ (ISRU), transforma a Lua em uma plataforma autossustentável. Através de energia limpa, a água do gelo (H₂O) passa pela eletrólise.

  • A Separação: A eletricidade quebra a molécula em hidrogênio (H₂) e oxigênio (O₂).
  • Uso: Enquanto o oxigênio sustenta a vida, a combinação com o CO₂ pode gerar propelentes. É a “safra de energia” lunar garantindo a autonomia das naves.

Como bem pontuado no Radar Rural, a gestão inteligente de recursos é o que define o futuro. O sucesso da Artemis 2 prova que estamos prontos para o próximo passo: transformar o gelo lunar no motor da nossa expansão. Seja no solo fértil do Brasil ou na poeira da lua, a tecnologia e o espírito de inovação são o que nos levam mais longe.

Miguel Daoud

*Miguel Daoud é comentarista de Economia e Política do Canal Rural


Canal Rural não se responsabiliza pelas opiniões e conceitos emitidos nos textos desta sessão, sendo os conteúdos de inteira responsabilidade de seus autores. A empresa se reserva o direito de fazer ajustes no texto para adequação às normas de publicação.

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Trump faz novas ameaças após fracasso nas negociações entre EUA e Irã


Donald Trump
Foto: White House

Após o fracasso nas negociações entre Estados Unidos e Irã, o presidente Donald Trump voltou a adotar um tom mais agressivo e anunciou novas medidas de pressão contra Teerã. Em publicação na rede Truth Social neste domingo (12), o republicano afirmou que a Marinha americana iniciará um bloqueio total no Estreito de Ormuz.

A decisão ocorre após o impasse nas tratativas sobre o programa nuclear iraniano, realizadas em Islamabad, no Paquistão. Segundo Trump, apesar de avanços em outros pontos, a falta de acordo sobre a questão nuclear inviabilizou o pacto. “O único ponto que realmente importava, o nuclear, não foi acordado”, escreveu.

Em tom de ameaça direta, o presidente afirmou que a paciência dos Estados Unidos com o Irã “se esgotou” e disse que qualquer ataque contra forças americanas ou embarcações civis será respondido com força máxima.

Pedágio ilegal

Trump também autorizou a interceptação de navios, inclusive em águas internacionais, que tenham pago taxas ao governo iraniano para transitar pela região. De acordo com ele, embarcações que contribuam com o que classificou como “pedágios ilegais” não terão passagem segura.

O bloqueio, segundo o republicano, poderá contar com apoio de outros países. Ele ainda declarou que as forças militares iranianas estariam enfraquecidas, citando danos à Marinha, à Força Aérea e aos sistemas de defesa do país.

O vice-presidente JD Vance, que liderou a delegação americana nas negociações, afirmou que o Irã rejeitou os termos propostos por Washington, especialmente a exigência de garantias de que não desenvolverá armas nucleares no longo prazo.

Do lado iraniano, o presidente do parlamento, Mohammad Bagher Ghalibaf, criticou as condições impostas pelos Estados Unidos, classificando-as como “não razoáveis” e acusando Washington de violar acordos anteriores de cessar-fogo.

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Enzima produzida com resíduos agrícolas pode reduzir químicos na indústria de celulose


cana-de-açúcar
Foto: Pixabay

Um trio de pesquisadoras da Universidade de São Paulo (USP) e da Universidade Estadual Paulista (Unesp) desenvolveu um modo de obter uma enzima, a partir de um fungo cultivado em resíduos agrícolas, que promove o branqueamento da polpa da celulose, processo importante na produção de papel.

O branqueamento da polpa de celulose normalmente utiliza reagentes oxidantes à base de cloro, como o dióxido de cloro. Esses produtos químicos são altamente tóxicos e podem contaminar efluentes e até a atmosfera, liberando gases nocivos à saúde humana.

Entre as vantagens da nova tecnologia, além da produção a partir de resíduos agrícolas, está o fato de que a proteína obtida apresenta estabilidade térmica superior à de muitas enzimas fúngicas descritas na literatura científica, o que amplia suas possibilidades de aplicação na indústria.

“Esta é uma alternativa mais sustentável para a indústria papeleira, que reduz o uso de químicos tóxicos e cujos resultados têm bom potencial de aplicação. Como o Brasil ocupa posição de destaque na produção mundial de celulose de eucalipto, o desenvolvimento de tecnologias de branqueamento mais limpas é especialmente estratégico para o país”, conta Diandra de Andrades, primeira autora do estudo, realizado como parte de pós-doutorado na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto (FFCLRP) da USP, com bolsa da Fapesp.

O trabalho integra as atividades do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia do Bioetanol (INCT Bioetanol) e está relacionado a dois projetos apoiados pela Fapesp, ambos coordenados por Maria de Lourdes Teixeira de Moraes Polizeli, professora da FFCLRP-USP, que também assina o artigo.

A enzima obtida foi a xilanase, que degrada a xilana, uma hemicelulose presente na parede celular de plantas, como o eucalipto, e pode ser usada na produção de papel e celulose. A xilanase facilita a remoção de frações de xilana associadas à lignina residual na polpa após o cozimento da madeira na indústria, contribuindo para o aumento da alvura e para maior eficiência das etapas subsequentes de branqueamento da celulose.

A xilanase foi extraída do Aspergillus caespitosus, um fungo de solo descrito em 1944 nos Estados Unidos e isolado na USP, em 2001, a partir de amostras coletadas no campus de Ribeirão Preto.

As pesquisadoras cultivaram o fungo em dois resíduos agrícolas, bagaço de cana-de-açúcar e farelo de trigo, por meio do método de fermentação em estado sólido. Ambos os substratos se mostraram bastante vantajosos por causa do baixo custo, da facilidade de crescimento fúngico e da alta produção de xilanase.

O aproveitamento de bagaço de cana e farelo de trigo insere o processo no conceito de bioeconomia circular, agregando valor a resíduos agroindustriais abundantes no Brasil.

“O bagaço de cana se tornou mais eficiente quando fizemos um pré-tratamento com hidróxido de sódio [soda cáustica], que separa a celulose da hemicelulose e da lignina, facilitando a penetração do fungo nas fibras. O farelo de trigo, por sua vez, não demandou pré-tratamento por ter boa disponibilidade de carbono, a principal fonte de energia do fungo”, explica Polizeli.

A pesquisadora ressalta, no entanto, que um fator importante a ser levado em conta na escolha do substrato é a disponibilidade local, uma vez que esta pode implicar aumento de custo. Em regiões com alta produção de açúcar e etanol, como o interior do Estado de São Paulo, o bagaço da cana seria o substrato mais indicado, mesmo considerando a necessidade de pré-tratamento. Em regiões produtoras de trigo, como o Estado do Rio Grande do Sul, o farelo de trigo seria mais indicado.

Processo

O branqueamento da polpa não pode ser realizado por completo com enzimas fúngicas porque requer altas temperaturas, que as enzimas não suportam. No entanto, ao longo dos anos, o grupo liderado por Polizeli demonstrou que a enzima do Aspergillus caespitosus tolera temperaturas em torno de 60 °C, quando muitos fungos não vão muito além de 40 °C.

“À medida que avança o processo de branqueamento na fábrica, as temperaturas vão sendo reduzidas. Com isso, nossa enzima pode ser utilizada nas últimas etapas do processo, em que a temperatura é próxima de 60 °C, atuando como um passo complementar ao branqueamento químico convencional e reduzindo a necessidade de dióxido de cloro e, consequentemente, a carga química do processo”, conta Polizeli.

Agora, o grupo busca formas de imobilizar a enzima em algum suporte químico, para que ela possa ser reutilizada mais vezes e até mesmo suportar temperaturas mais altas.

Uma aposta promissora são as nanopartículas magnéticas combinadas à nanocelulose, que poderiam servir, inclusive, para enzimas utilizadas em outras indústrias, como na produção de bioetanol. Os resultados reforçam o potencial da biodiversidade brasileira como fonte de biotecnologias sustentáveis com aplicação industrial.

 

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