sábado, março 28, 2026

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pesquisa inédita revela pistas de espécies que viveram na região



A presença dos dinossauros em diversas regiões do Brasil já é conhecida por pesquisadores há muito tempo. Fósseis importantes já foram descobertos, mas não havia nenhuma evidência de que eles teriam habitado a Amazônia.

Agora, pesquisadores da Universidade Federal de Roraima (UFRR) conseguiram identificar, pela primeira vez, indícios de que os animais viveram na região amazônica há mais de 103 milhões de anos.

Os principais indícios foram mais de dez pegadas da era jurássico-cretácea identificadas na região conhecida como Bacia do Tacutu. Os registros foram localizados na cidade de Bonfim, no norte de Roraima.

Não é possível identificar com certeza a quais tipos de dinossauros pertenciam essas pegadas, mas dá para saber, a partir delas, quais grupos viviam na região. Entre eles estão os raptores, ornitópodes (bípedes e herbívoros), além dos xireóforos, que têm uma espécie de armadura óssea na parte superior do corpo.

Dificuldade na Amazônia

A região da Amazônia sempre apresentou poucas descobertas arqueológicas porque as rochas do local foram expostas e passaram pelo processo de intemperização. Esse fenômeno causa o desgaste e a decomposição da rocha, o que dificulta a preservação dos fósseis.

Segundo o pesquisador Lucas Barros, que encontrou a pegada, a preservação do material ósseo acontece apenas quando as rochas estão soterradas.

“O Tacutu seria um vale com diversos canais de rios que fluíam juntos. Era um local com muita água e muita vegetação”, afirma o pesquisador, que concluiu recentemente um mestrado sobre o tema na Unipampa.

“Se você tem um vale com muita umidade, as barras do rio também ficarão úmidas. Após o animal fazer essa pegada, ela perde, com o tempo, a umidade e fica dura. Isso permite que ela resista ao processo de soterramento”.

Com o passar de milhares de anos, a pegada soterrada solidifica-se e vira uma rocha que consegue, mesmo quando exposta, resistir à ação erosiva e intempérica do solo.

Uma pequena vegetação de cerrado na Bacia do Tacutu também permitiu a preservação das pegadas.

“Essa mancha de savana permite que a gente encontre afloramentos nas rochas e verifique se existe alguma coisa ali de conteúdo fossilífero. [Isso possibilita] que a gente também descubra fósseis de invertebrados e vegetais, troncos fossilizados e impressões de folhas”, conta Barros.

Onze anos de pesquisa

As pegadas de dinossauro foram identificadas em 2014, em uma atividade de campo dos alunos de geologia da UFRR, comandada pelo professor Vladimir Souza. Na época, a universidade não tinha nenhum especialista em paleoecologia (que estuda a relação de organismos fósseis e seus ambientes passados), nem o equipamento necessário para realizar a análise das pegadas.

Assim, o projeto acabou sendo engavetado e a descoberta acabou não sendo divulgada.

“Se na época a gente divulgasse isso, viriam outras pessoas e tomariam a pesquisa para eles”, diz Souza.

Em 2021, o estudo foi reativado por Barros, que a transformou, com o professor Felipe Pinheiro, da Unipampa, em tese de mestrado. Barros começou a mapear os locais que possuíam icnofósseis, que são vestígios da presença de organismos que viveram no passado.

A identificação das pegadas começa com a técnica de fotogrametria, em que um modelo 3D de alta fidelidade é criado.

“Isso permite digitalizar o modelo em uma escala muito fiel. É através disso que nós descrevemos essas pegadas. Foi o que eu realizei durante o meu mestrado, descrevi essas pegadas e descobri novos afloramentos”, afirma.

Próximos passos

Barros estima que existam centenas de pegadas de dinossauros na Bacia do Tacutu. Neste momento, o pesquisador investiga pegadas localizadas na terra indígena Jabuti, em que já foram encontradas quatro áreas com valor científico.

Muitas pegadas são encontradas em áreas privadas, o que impede que sejam estudadas plenamente. Alguns fazendeiros temem que novas pesquisas levem à demarcação de suas terras, à tomada de suas propriedades pelo governo ou à falta de indenização adequada.



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Safra 2025/26 será de 354,8 milhões t, confirma Marisete Belloli da Conab-SP


Conversei com a Marisete Belloli, gerente de Safras e Informações Agropecuárias da Conab do estado de São Paulo com relação aos números da safra 2025/26 e a informação que ela me deu é que nós teremos uma safra que continuará grande.

O primeiro levantamento da Conab divulgado mês passado apontava 357,7 milhões de toneladas de grãos e o novo levantamento divulgado semana passada aponta um número de 354,8 milhões de toneladas de grãos, praticamente batendo com a mesma previsão anterior, ou seja, continua estável em uma safra dentro do histórico brasileiro.

Uma safra grande, mas que novamente nós continuamos sempre pedindo muito um planejamento estratégico porque poderíamos ter uma maior tranquilidade no abastecimento e também nas ações internacionais. Então o número é esse e continua uma previsão de uma safra dentro do padrão histórico brasileiro, uma safra grande.

Chegou a ter alguns números nesses meses com a previsão de que diminuiria a safra e essa informação que a Marisete Belloli da Conab me passou confirma que continuamos em um patamar, como ela mesma disse, de até o presente momento vem se mantendo estável.

Em relação à soja, a previsão é de 177 milhões de toneladas. O setor ainda vem impactado positivamente com os altos preços obtidos até dois anos atrás e também com uma demanda internacional e, principalmente, do nosso cliente chinês. Então soja segue crescendo.

O milho vai para 138 milhões de toneladas, com a expectativa muito grande na safrinha, que nem pode mais chamar safrinha.

Importante também quando falamos de previsão de safra é olharmos sempre o ano agrícola, de agosto a julho, então é 2025/2026. Quando olhamos no calendário padrão não conseguimos ter as expectativas porque a safra brasileira começa em agosto e vai até julho, envolvendo inclusive a safrinha, que é plantada a partir de janeiro/fevereiro, e também a safras de inverno, com trigo e outras culturas. Então essa previsão que a Marisete me passa é 2025/2026.

E aí quem está sofrendo nesse instante é o pessoal do arroz porque os preços caíram muito e tem um assunto que é complicado para o produtor rural que são os custos que cresceram: preço de fertilizantes, insumos, máquinas agrícolas, e o crédito, juro. Então o produtor rural tem neste instante uma pressão de custos, porém está aí, cresceu a área agrícola porque têm as iniciativas voltadas à utilização de áreas de pastagens degradadas, 40 milhões de hectares à disposição, então tem crescido a área.

Porém esse é o cenário: uma safra de 354,8 milhões de toneladas, é uma safra no histórico brasileiro grande, porém com pressão de custos para os produtores rurais.

José TejonJosé Tejon

*José Luiz Tejon é jornalista e publicitário, doutor em Educação pela Universidad de La Empresa/Uruguai e mestre em Educação Arte e História da Cultura pela Universidade Mackenzie.


Canal Rural não se responsabiliza pelas opiniões e conceitos emitidos nos textos desta sessão, sendo os conteúdos de inteira responsabilidade de seus autores. A empresa se reserva o direito de fazer ajustes no texto para adequação às normas de publicação.



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como os Schommer construíram uma suinocultura premiada



Há quase três décadas, a Família Schommer escreve sua história na suinocultura em Salvador do Sul (RS) — e cresce junto com a comunidade. O trabalho começou pequeno, com 200 matrizes, e hoje soma 5.000 entre as unidades do grupo. A casa fica ao lado da lida, a rotina é de família unida e o resultado aparece em desempenho, qualidade e prêmios.

Nascido e criado na região, Marco Schommer passou a infância na pequena propriedade dos pais, entre leite, hortaliças e poucos suínos. A virada veio após um estágio na Alemanha, que mostrou processos, foco e escala. De volta ao Brasil, uma intempérie nas estufas abriu espaço para uma proposta de integração na suinocultura.

Em 1998, Marco iniciou uma unidade de produção de leitões (UPL) com 260 matrizes; a boa resposta levou à expansão contínua.

Hoje o grupo opera três núcleos: uma UPL em São José do Sul (1.200 matrizes), outra em Pouso Novo (2.400) e a base em Salvador do Sul. A família também mantém avicultura de corte. O crescimento veio com gestão e divisão de responsabilidades: “Trabalho perto de casa, escala bem planejada e gente certa no lugar certo”.

Entre 37 e 38 colaboradores integram o time. Em cada granja há um responsável: em Salvador do Sul, a Magali lidera 11 funcionários; em Pouso Novo, a gestão fica com Rosa e Sérgio; nos frangos, dois casais integrados tocam a operação. A rotina começa cedo, com checagem de lotes, treinamento e metas simples, porém constantes: cuidar bem do animal, padronizar processos e não perder o detalhe.
A união familiar é o ponto mais visível — e decisivo — para atravessar crises de preço, mão de obra e ciclos de mercado. “Gostar do que faz, insistir no certo e aprender com cada desafio” virou método. O resultado é tempo otimizado, mais presença com as filhas e constância produtiva.

A granja atravessou a linha do tempo da suinocultura: da monta natural à inseminação intrauterina, de galpões rústicos à climatização completa, com ambiência, automação, alarmes e sensores. O salto técnico elevou bem-estar e desempenho: se antes 10 leitões/fêmea era excepcional, hoje a meta é ≈15 por parto e ≈35 leitões/fêmea/ano.
Os indicadores acompanham a modernização, e a família coleciona premiações: Granja Schommer 1, Schomer 2 e o núcleo de Pouso Novo já foram reconhecidos mais de uma vez — reflexo de processo, manejo e disciplina.

A integração viabiliza escala e suporte técnico diário (técnicos e veterinários à disposição), reduzem riscos e sustentam a expansão. Para os Schomer, a parceria ofereceu previsibilidade para investir, alojar e escoar — e a contrapartida é sanidade, bem-estar e performance.
O plano agora é seguir modernizando estruturas, adequar bem-estar e manter o foco em gente e gestão. Na sucessão, o desejo é que as filhas tenham liberdade para escolher — com a certeza de que há um negócio sólido, profissional e sustentável esperando por elas.

Mensagem aos jovens do campo
“Tem espaço para quem se profissionaliza”, diz Marco. A receita é direta: conhecer a lida de perto, estudar, padronizar rotinas, respeitar o checklist e cuidar do animal todos os dias. O campo devolve em qualidade de vida, renda e propósito — especialmente para quem encara a suinocultura com simplicidade, técnica e coração.

*Sob supervisão de Luis Roberto Toledo


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Frente fria traz dia crítico, com chuva de 100 mm, ventania e risco de danos



O avanço de uma frente fria pelo litoral do Rio Grande do Sul, combinado ao centro de um ciclone extratropical em alto-mar e ao fluxo de ar quente e úmido vindo da Amazônia, deve trazer um domingo (16) de instabilidade intensa para parte do país. Segundo a Climatempo, esses sistemas interagem com um cavado atmosférico no oeste da Região Sul e favorecem a formação de nuvens carregadas, tempestades e rajadas fortes de vento.

Você quer entender como usar o clima a seu favor? Preparamos um e-book exclusivo para ajudar produtores rurais a se antecipar às mudanças do tempo e planejar melhor suas ações. Com base em previsões meteorológicas confiáveis, ele oferece orientações práticas para proteger sua lavoura e otimizar seus resultados.

A meteorologia aponta que há risco de chuva forte ao longo do dia, com acumulados que podem chegar a 100 milímetros, especialmente no Sul. As rajadas de vento também chamam atenção: podem variar entre 70 e 90 km/h, com picos acima desse limite no oeste do Paraná e no sul de Mato Grosso do Sul.

O cenário ainda inclui descargas elétricas frequentes e possibilidade de granizo isolado.

Regiões mais afetadas

De acordo com a Climatempo, os maiores riscos se concentram nos três estados do Sul — Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná —, principalmente em áreas do interior e zonas de transição entre o ar quente e o ar mais frio. No Centro-Oeste, o alerta se estende ao sul de Mato Grosso do Sul.

A Climatempo enfatiza que as condições podem mudar rapidamente, com períodos curtos de tempo firme intercalados por pancadas intensas.

Evento diferente do registrado no dia 7/11

Apesar do alerta para chuva forte e ventania, a Climatempo destaca que o cenário meteorológico não é o mesmo do dia 7 de novembro, quando tornados intensos atingiram o Paraná. O ciclone atual permanece distante da costa, reduzindo a organização de bandas convectivas muito severas sobre o continente.

Assim, o potencial para tornados é menor, embora se mantenha o risco de danos estruturais, enxurradas e quedas de árvores.

Riscos e impactos esperados

Os principais transtornos previstos incluem:

  • Destelhamentos e danos a estruturas frágeis
  • Quedas de árvores e postes
  • Alagamentos, enxurradas e transbordamentos de rios
  • Interrupções no fornecimento de energia

Recomendações de segurança

A Climatempo reforça orientações práticas para minimizar riscos:

  • Antes da chuva: fixe ou guarde objetos soltos e confira calhas e ralos.
  • Durante as tempestades: procure abrigo seguro, evite árvores e estruturas metálicas e desligue aparelhos eletrônicos.
  • No trânsito: não atravesse áreas alagadas.
  • Após o evento: fique atento a rachaduras em muros e encostas e acione a Defesa Civil em caso de risco.

Mesmo com diferenças em relação ao evento severo de 7/11, os impactos podem se prolongar até segunda-feira (17), com potencial para novos alagamentos e transtornos diversos.



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AgroNewsPolítica & Agro

La Niña deve mexer com oferta agrícola, aponta análise


A previsão de um ciclo de La Niña entre outubro de 2025 e fevereiro de 2026 deve alterar padrões climáticos em várias regiões produtoras, com impactos diretos sobre oferta, produtividade e fluxo de exportação de diversas commodities agrícolas. Consultorias avaliam que o fenômeno tende a se manter ativo ao longo do verão no Hemisfério Sul, elevando a atenção do mercado.

Segundo análises da Hedgepoint, o efeito pode ser amplo e variar conforme a intensidade. Para soja e milho, há risco de chuvas abaixo da média no sul da América do Sul, enquanto o centro-norte brasileiro deve registrar condições mais favoráveis. Há relatos de perdas expressivas em ciclos anteriores, apontadas em contexto de declarações técnicas.

“Nossas análises mostram que há riscos e oportunidades importantes para produtores e exportadores. Especialmente para commodities como soja, milho, trigo, óleo de palma, cacau, açúcar e café, há pontos que precisam ser monitorados com mais atenção ao longo dos meses”, alerta Thais Italiani, Gerente de Inteligência de Mercado da Hedgepoint.

No açúcar, a projeção indica possíveis desafios ao desenvolvimento da safra 26/27 no Brasil e interrupções de moagem no Sudeste Asiático, caso o fenômeno ganhe força. No café, o cenário é misto: o Brasil pode ser beneficiado, enquanto Vietnã, Colômbia e países da América Central enfrentam risco de excesso de chuvas.

O cacau tende a responder de forma desigual, com melhora das condições na África Ocidental e possibilidade de perdas no Equador por redução das chuvas. Para o trigo, o alerta recai sobre a combinação de menor umidade e temperaturas mais altas no Hemisfério Norte, que pode afetar o início das lavouras de inverno. Já no óleo de palma, o principal entrave previsto é logístico, com inundações dificultando o transporte em países do Sudeste Asiático.

 





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primeira quinzena de novembro é marcada por forte turbulência no mercado


Os fundamentos presentes no mercado do boi gordo sinalizavam para um último bimestre pautado por elevação dos preços. A oferta apresenta sinais de encolhimento, da mesma maneira que a demanda doméstica entra em seu período de maior aquecimento. Exportações em ritmo acelerado são uma constante em 2025, principalmente no segundo semestre, com a China absorvendo quantidades históricas de carne bovina.

No decorrer do mês, começaram os rumores presença de fluazuron acima do permitido em lotes de carne bovina exportadas para a China, felizmente este boato foi rapidamente descartado pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), em uma brilhante entrevista conduzida pelo Canal Rural. No entanto, esse simples rumor foi o bastante para desequilibrar a B3, que passou a operar abaixo do nível de preço do mercado físico em São Paulo.

Outro ponto de atenção está no resultado das investigações conduzidas pela China em torno do impacto das importações de carne bovina na produção local, com anúncio previsto para o mês de novembro, com data limite no próximo dia 26. Essa decisão será impactante para o mercado do boi gordo, dada a importância da China, que no momento absorve 47% de todo o volume embarcado pelo país.

O apetite de compra da China, que em julho, agosto, setembro e outubro importou volumes muito acima da normalidade é interpretado por algumas empresas chinesas como uma antecipação das compras já visando uma eventual salvaguarda.

Esse ambiente deixou o mercado do boi gordo apreensivo. A simples possibilidade de uma eventual restrição às compras de carne bovina do Brasil por parte da China foi o suficiente para que os contratos futuros do boi gordo na B3 derretessem na primeira semana do mês, ainda operando no território negativo durante a segunda semana do mês. Enquanto não houver um posicionamento oficial por parte do governo chinês o quadro geral será de apreensão.

O mercado futuro do boi gordo no decorrer desta década possui essa característica: os rumores são precificados com grande agressividade, tanto para a alta, quanto para a baixa. O atual ambiente indica claramente a necessidade de adotar no dia a dia ferramentas que sejam condizentes com as boas práticas de gestão de risco. Estabelecer a cultura do hedge (proteção) é essencial para conseguir resultados sólidos e garantir longevidade dentro de uma atividade que é cada vez mais desafiadora.

No último dia 7, o mercado conviveu com mais notícias em relação a China; no entanto, essa é uma informação positiva. Após um longo período, a China reestabeleceu a compra de produtos avícolas brasileiros, a suspensão era consequência do foco de influenza aviária de alta patogenicidade ocorrido no município de Montenegro em meados de maio.

Para finalizar, nos Estados Unidos, o presidente norte- americano Donald Trump anunciou em suas redes sociais que vai iniciar uma investigação sobre as empresas frigoríficas, apontando para a formação de conluio e que os preços da carne bovina têm subido de maneira artificial. Vale destacar que o ambiente delimitado para a bovinocultura de corte nos Estados Unidos é altamente complexo, com o rebanho de bovinos na menor posição desde os anos 1970.

Diante dessas dificuldades, a arroba do boi gordo nos Estados Unidos apresenta altas contundentes ao longo deste ano, com um preço de US$ 120. A título de comparação a arroba do boi gordo no Brasil custa em média US$ 60. Após o tarifaço, o quadro se tornou ainda mais complicado, o Brasil segue como alternativa mais interessante para o fornecimento dessa proteína.

Após acenos entre Brasil e Estados Unidos é possível que um acordo entre os países seja costurado, reestabelecendo a exportação brasileiro com destino ao mercado norte- americano.

O cenário para o mercado da carne bovina é bastante conturbado neste último bimestre. Os pontos principais a serem analisados passam exatamente pela exportação de carne bovina. O fato é que o Brasil ocupa uma posição privilegiada. Mesmo com tamanha instabilidade, o avanço da exportação alterou completamente a estrutura da pecuária de corte nacional, oferecendo um dinamismo inédito para este mercado que historicamente conviveu com menor volatilidade.

Reciclagem animal: preços do sebo bovino encerram semana em leve queda

Os preços do sebo bovino apresentam algum recuo no decorrer da primeira semana de novembro. É importante mencionar que os preços do óleo de soja são uma variável importante para justificar esse comportamento, com maior disponibilidade de produto do que o previsto inicialmente pelo mercado.

A grande variável no final deste ano também está nas exportações, considerando o grande volume de sebo bovino que foi embarcado de janeiro a agosto, com o tarifaço fechando a janela de exportação. Os números evidenciados em setembro são menos representativos.

Caso um acordo entre Brasil e Estados Unidos seja alcançado a expectativa é de um ritmo mais intenso de embarques, o que pode alterar a dinâmica de mercado no restante de 2025. Oferecendo uma mudança de viés para os preços do sebo bovino, desencaixando esse produto de sua tradicional correlação com o óleo de soja.

*Fernando Henrique Iglesias é coordenador do departamento de Análise de Safras & Mercado, com especialidade no setor de carnes (boi, frango e suíno)


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Conheça a ayam cemani, galinha toda preta que pode valer até R$ 30 mil


Imagine uma galinha inteiramente preta: plumagem, pele, crista, bico, órgãos internos e até os ossos! Essa é a particularidade da ayam cemani, raça originária da Indonésia, que conquista atenção e altos valores no Brasil.

Provenientes das ilhas de Java e Sumatra, os galos adultos dessa raça pesam de 2 a 2,5 kg, enquanto as fêmeas variam de 1,5 a 2 kg.

A ayam cenami apresenta essa coloração única graças a uma mutação genética chamada de fibromelanose. Essa condição causa uma hiperpigmentação, ou seja, produção de melanina em excesso, em praticamente todos os tecidos da ave.

Valor de mercado no Brasil

Os preços dos exemplares dessa raça variam muito conforme linhagem, pureza e genética da ave. Mas há registros de comercialização de uma ayam cenami adulta por até R$ 30 mil.

Dando uma busca em sites da internet que vendem ovos férteis da raça no Brasil, é possível encontrar preços que variam de cerca de R$ 30 a mais de R$ 100 a unidade.

Foto: Pixabay

Além da aparência singular, a ayam cemani carrega uma aura de exclusividade e exotismo que a torna mais que uma simples ave. O valor elevado a transforma em objeto de desejo para colecionadores ou pessoas que buscam algo fora do convencional.

*Com informações do site Interligados.

Foto: Pixabay



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Trump corta tarifas, mas continua prejudicando o Brasil


Quando um país reduz tarifas de importação em meio a uma inflação teimosa, o gesto costuma ser interpretado como pragmatismo econômico. Nos Estados Unidos, porém, a decisão recente do governo Trump de cortar em 10 pontos percentuais as tarifas de uma série de produtos alimentícios e commodities agropecuárias virou um ato político, ainda que disfarçado de alívio ao consumidor.

O objetivo declarado é reduzir a pressão de preços sobre a cesta americana, que ameaça ainda mais a baixa  popularidade do presidente. Só que, na lista de beneficiados, um detalhe salta aos olhos: o Brasil ficou prejudicado. Seguimos com tarifas de 40% mais as adicionais já existentes, exceto em um único produto, suco de laranja, que teve a alíquota zerada. É pouco. E é seletivo.

A mensagem implícita dessa escolha é ruidosa demais para passar despercebida. Se o corte busca diversificar fornecedores, estimular concorrência e baratear alimentos no mercado americano, excluir justamente um dos maiores exportadores agrícolas do mundo não faz nenhum sentido econômico. Faz, sim, sentido ideológico.

O Brasil segue pagando um preço que não está relacionado à qualidade ou à competitividade dos seus produtos. A punição é política, consequência de divergências acumuladas e de uma visão distorcida, em Washington, sobre o papel geopolítico brasileiro. Para nossos concorrentes diretos, a redução das tarifas é um presente imediato: ganham acesso mais barato ao maior mercado consumidor do mundo. Para nós, fica o recado de que afinidade diplomática pesa mais que eficiência comercial.

É preciso nomear o que está acontecendo: trata-se de uma medida que distorce o jogo. Em vez de neutralidade tarifária, vemos favoritismo. Em vez de pragmatismo, ressentimento estratégico. Os EUA continuam usando sua política comercial como extensão de sua política externa, algo que o Brasil conhece bem, mas que não deveria aceitar sem resposta.

Num momento em que cadeias globais buscam segurança e previsibilidade, ver a maior potência do mundo usar tarifas como instrumento ideológico enfraquece todo o sistema. Ao final, o consumidor americano não ganha eficiência real, só troca um fornecedor competitivo por outro menos competitivo, mas politicamente conveniente.

O Brasil precisa reagir, mas de forma inteligente. Não se trata de inflamar discursos, e sim de deixar claro aos americanos e ao mundo que decisões como essa têm custo reputacional e econômico. Nossa competitividade no agro não depende do humor da Casa Branca, mas o acesso ao mercado deles, sim, e essa relação precisa ser tratada com transparência e respeito.

Se a intenção de Washington é conter a inflação, ótimo. Mas se a estratégia é punir o Brasil enquanto beneficia nossos concorrentes, aí estamos diante de algo maior: um jogo de poder mal disfarçado. E cabe a nós expor isso, com clareza, para que o debate internacional deixe de ser guiado por conveniências políticas e volte a ser orientado por fatos, mérito e equidade.

Miguel Daoud

*Miguel Daoud é comentarista de Economia e Política do Canal Rural


Canal Rural não se responsabiliza pelas opiniões e conceitos emitidos nos textos desta sessão, sendo os conteúdos de inteira responsabilidade de seus autores. A empresa se reserva o direito de fazer ajustes no texto para adequação às normas de publicação.



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BSCA critica decisão dos EUA e cobra avanço rápido para salvar exportações de café



A Associação Brasileira de Cafés Especiais (BSCA) manifestou preocupação após a nova ordem executiva assinada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na última sexta-feira (14). A medida, que ajusta o “âmbito de aplicação da tarifa recíproca” sobre produtos agrícolas, não eliminou integralmente o tarifaço de 50% aplicado aos cafés brasileiros, especialmente aos cafés especiais exportados para o mercado norte-americano.

A decisão da Casa Branca retirou apenas a taxa recíproca de 10% sobre a importação do café nacional, mas manteve os 40% adicionais incluídos em agosto, que continuam pressionando o comércio entre os dois países. Para a BSCA, a permanência dessa tarifa elevada aumenta distorções, reduz competitividade e aprofunda os prejuízos aos produtores brasileiros.

Os impactos já aparecem nos números. De agosto a outubro, período em que o tarifaço esteve em vigor, as exportações de cafés especiais para os EUA caíram cerca de 55%. Os embarques passaram de 412 mil sacas de 60 kg no ano passado para apenas 190 mil sacas neste ano. Os Estados Unidos são o principal destino desse tipo de café produzido no Brasil, o que acende um alerta para todo o setor.

Diante desse cenário, a BSCA reforça a necessidade de acelerar as negociações bilaterais entre Brasil e EUA para corrigir as distorções comerciais e restabelecer o fluxo normal das exportações “o mais rápido possível”. A entidade ressalta que o tema exige urgência, já que o prolongamento das tarifas tende a comprometer ainda mais a participação do café brasileiro — especialmente o de alta qualidade — no mercado norte-americano.



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retirada de tarifa de 10% amplia urgência para eliminar sobretaxa de 40% ao Brasil



A Confederação Nacional da Indústria (CNI) avalia que a retirada pelos Estados Unidos da tarifa recíproca de 10% para uma ampla lista de produtos agrícolas a todos os países expõe a urgência de o Brasil avançar nas negociações para eliminar a sobretaxa de 40% aplicada exclusivamente aos exportadores brasileiros.

O presidente da CNI, Ricardo Alban, calcula que o ajuste na política de tarifas norte-americanas oficializada em decreto nesta sexta-feira (14) melhora a posição de competidores internacionais, enquanto setores tradicionais do Brasil seguem enfrentando barreiras elevadas.

“Países que não enfrentam essa sobretaxa terão mais vantagens que o Brasil para vender aos americanos. É muito importante negociar o quanto antes um acordo para que o produto brasileiro volte a competir em condições melhores no principal destino das exportações industriais brasileiras”, diz Alban.

Segundo análise preliminar divulgada pela entidade, a decisão do governo dos EUA de zerar a tarifa global de 10% atinge 238 produtos agrícolas e beneficia diretamente 80 itens efetivamente exportados pelo Brasil. Em 2024, esses produtos somaram US$ 4,6 bilhões em vendas aos americanos, cerca de 11% do total exportado. No entanto, apenas três tipos de suco de laranja e a castanha-do-pará ficam completamente isentos de taxação. Os demais continuam sujeitos à cobrança dos 40%.

A CNI destaca que produtos de forte peso na pauta comercial, como café não torrado, carne bovina e cera de carnaúba, tiveram redução parcial da carga total, mas seguem submetidos à alíquota extra. “Os outros 76 produtos permanecem com os 40% específicos ao Brasil”, aponta o levantamento. Isso significa que, apesar do alívio na tarifa recíproca global, a competitividade brasileira em segmentos estratégicos continua limitada.

A decisão americana ocorre em um contexto de forte pressão doméstica sobre o governo Trump para reduzir o custo de vida nos EUA. O decreto publicado pela Casa Branca, com efeito retroativo a 13 de novembro, zera tarifas sobre carne bovina, banana, café, tomate, frutas tropicais e outros itens agrícolas, devido ao caráter global da medida.

O governo brasileiro tem buscado reverter a sobretaxa de 40% por meio de negociações diplomáticas bilaterais. Na quinta-feira, 13, o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, reuniu-se em Washington com o secretário de Estado americano, Marco Rubio, para tratar do tema.

Vieira afirmou que “Marco Rubio e os EUA demonstraram interesse em boa relação com o Brasil”, e que aguarda uma resposta oficial a uma proposta brasileira que prevê uma pausa temporária nas tarifas enquanto se inicia uma discussão setorial.

No entendimento da CNI, a dificuldade de acesso competitivo ao mercado americano cresce na medida em que concorrentes passam a operar sob tarifas reduzidas ou zeradas. O Brasil é o principal fornecedor de café arábica aos Estados Unidos, por exemplo, mas vê seu produto enfrentar restrições maiores que as aplicadas a concorrentes como Vietnã e Colômbia.

Nos cortes de carne bovina, cenário semelhante se repete. “As condições podem melhorar para competidores internacionais enquanto o Brasil continua penalizado”, afirma a entidade em sua nota.



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