O governo do Irã anunciou a reabertura total do trânsito de navios comerciais pelo Estreito de Ormuz durante o período de cessar-fogo entre Israel e Líbano.
Segundo o ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araghchi, a medida vale por toda a duração da trégua e seguirá rotas previamente acordadas.
“Em conformidade com o cessar-fogo alcançado no Líbano, a passagem de todos os navios comerciais pelo Estreito de Ormuz está completamente aberta durante o restante do período da trégua”, afirmou o chanceler em publicação na rede social X.
A decisão ocorre em meio a esforços diplomáticos para reduzir as tensões no Oriente Médio e pode contribuir para aliviar preocupações com a oferta global de energia, já que o estreito é uma das principais rotas de escoamento de petróleo do mundo.
Foto: divulgação/Ministério da Agricultura e Pecuária
Os preços da carne de frango registram forte alta neste mês na Grande São Paulo. Segundo dados do Cepea, a cotação do frango resfriado avançou 6,6% na primeira quinzena de abril, na comparação com março, atingindo média de R$ 7,18 por quilo.
O movimento marca uma valorização significativa da proteína no período e reforça mudanças no comportamento do mercado de carnes no país.
Alta do frete e demanda aquecida sustentam preços
De acordo com pesquisadores do Cepea, o aumento dos preços está diretamente ligado à elevação dos custos de transporte.
O cenário internacional, especialmente o conflito no Oriente Médio, pressionou as cotações dos combustíveis no Brasil, impactando o valor do frete e, consequentemente, o preço final do produto.
Além disso, a demanda interna também contribuiu para a valorização. O pagamento de salários ao longo do período elevou o consumo, impulsionando as negociações no mercado.
Mesmo com a alta, a carne de frango se tornou mais competitiva em relação à carne bovina.
Segundo o Cepea, essa é a melhor relação de preços entre as duas proteínas em quatro anos, o que tende a favorecer o consumo de frango como alternativa mais acessível ao consumidor.
Cenário é diferente na comparação com a carne suína
Na comparação com a carne suína, o cenário é oposto. Enquanto o frango registra valorização, a carcaça suína apresenta forte queda de preços, o que reduz a competitividade da proteína avícola frente ao suíno.
Esse movimento evidencia um mercado de proteínas com dinâmicas distintas entre os diferentes segmentos.
Futuro
O comportamento dos preços da carne de frango nos próximos meses deve seguir atrelado aos custos logísticos e ao ritmo da demanda interna.
A evolução dos combustíveis e do consumo das famílias será determinante para a manutenção ou não desse movimento de alta.
O Brasil vive hoje uma dualidade curiosa. De um lado, o governo celebra indicadores positivos: o desemprego está em patamares baixos e o PIB tem surpreendido positivamente.
Do outro, a popularidade da gestão Lula enfrenta resistência. O motivo? Existe um abismo entre a estatística oficial e a percepção real de bem-estar da população.
A raiz dessa insatisfação não é um mistério, mas sim um conjunto de fatores que “asfixiam” a economia real:
A barreira dos juros: Mesmo com quedas graduais, a taxa de juros permanece em níveis que encarecem o crédito. Para a dona de casa que compra a prazo ou para o empresário que precisa investir, o dinheiro continua proibitivo.
O peso do endividamento: o Brasil é hoje um país devedor em todas as esferas. O governo gasta fortunas com o serviço da dívida pública; as empresas lutam para honrar empréstimos antigos; e as famílias estão sufocadas pelo cartão de crédito e pelo cheque especial.
Medidas de popularidade vs. necessidade: para tentar reverter a queda nas pesquisas, o governo foca em medidas de curto prazo, como subsídios pontuais. No entanto, o país carece de reformas que ataquem o custo estrutural de se viver e produzir no Brasil.
A solução: o pacto necessário (e difícil)
A saída para destravar esse ciclo passaria por um Pacto Nacional de Responsabilidade e Crescimento. Esse acordo, embora complexo devido à polarização, teria que envolver o Executivo, o Legislativo e o Judiciário em torno de três pilares:
Corte de gastos estruturais: É preciso mostrar que o governo não gastará mais do que arrecada. Só a responsabilidade fiscal permite uma queda sustentável e definitiva dos juros.
Alívio de crédito: programas agressivos de renegociação para empresas e famílias, com foco real na redução do “spread” bancário, devolvendo fôlego a quem produz.
Segurança jurídica: um ambiente onde as regras sejam claras e respeitadas (papel crucial do judiciário) para atrair investimento privado de longo prazo, reduzindo a dependência dos gastos públicos.
Enquanto a política em Brasília foca apenas em narrativas e correções paliativas de popularidade, o “Brasil real” continuará sentindo o peso do endividamento. O país não precisa apenas de indicadores frios; precisa de uma economia que respire sem o balão de oxigênio do Estado. O pacto não é para salvar governos, é para salvar o futuro da nação.
*Miguel Daoud é comentarista de Economia e Política do Canal Rural
O Canal Rural não se responsabiliza pelas opiniões e conceitos emitidos nos textos desta sessão, sendo os conteúdos de inteira responsabilidade de seus autores. A empresa se reserva o direito de fazer ajustes no texto para adequação às normas de publicação.
Após dois anos de menor disponibilidade, a produção de amêndoas de cacau voltou a crescer no Brasil no início de 2026. Dados divulgados pela Associação Nacional das Indústrias Processadoras de Cacau (AIPC) mostram que o recebimento somou 28,6 mil toneladas no primeiro trimestre, alta de 61,1% em relação ao mesmo período de 2025.
O resultado marca uma retomada da oferta no país, após períodos de restrição, mas ainda não se traduz em maior atividade industrial.
Oferta cresce, mas ainda abaixo do pico da safra
Apesar do avanço expressivo na comparação anual, o volume registrado no primeiro trimestre segue abaixo dos níveis típicos da safra principal.
Na comparação com o quarto trimestre de 2025, houve queda de 52,1%, movimento considerado esperado devido à sazonalidade da produção.
Segundo a AIPC, o crescimento atual indica recomposição da oferta, mas ainda dentro de um cenário de recuperação gradual.
A estrutura produtiva do cacau no Brasil segue altamente concentrada. Bahia e Pará responderam por 96,5% do total recebido no primeiro trimestre de 2026.
A Bahia lidera com 16,2 mil toneladas, crescimento de 38,9% na comparação anual. Já o Pará registrou o maior avanço, com alta de 169,7%, somando 11,3 mil toneladas.
Outros estados têm participação reduzida. O Espírito Santo registrou queda de 53,6%, enquanto Rondônia apresentou crescimento de 48,7%, mas com volumes ainda baixos.
Moagem não acompanha aumento da oferta
Mesmo com mais matéria-prima disponível, a indústria não ampliou o processamento. A moagem somou 51,7 mil toneladas no primeiro trimestre de 2026, praticamente estável em relação ao ano anterior (-0,8%).
O dado evidencia um descompasso entre oferta e demanda no setor.
Segundo a AIPC, o principal entrave não está na disponibilidade de cacau, mas na dificuldade de competir e ampliar a demanda, tanto no mercado interno quanto no externo.
Importações caem com maior produção nacional
Com o aumento da oferta doméstica, o Brasil reduziu a necessidade de importação de amêndoas.
As compras externas somaram 18 mil toneladas no primeiro trimestre, queda de 37,5% em relação ao mesmo período de 2025.
O movimento reflete um ajuste natural do mercado diante da maior disponibilidade interna.
Já as exportações de derivados de cacau totalizaram 12,5 mil toneladas no período, recuo de 15,4% na comparação anual.
A Argentina permanece como principal destino, seguida por Estados Unidos e México.
O desempenho reforça o cenário de demanda mais fraca e aumento da competitividade internacional, fatores que têm limitado a expansão da indústria brasileira.
Preços internacionais recuam com melhora na oferta global
No mercado internacional, os preços do cacau registram forte queda em 2026, após máximas históricas recentes.
As cotações recuaram cerca de 50% nos mercados de Nova York e Londres, voltando para níveis próximos de US$ 3.000 por tonelada.
A queda é explicada pela recomposição da oferta global, após anos de déficit, e pela desaceleração da demanda, que levou a indústria a reduzir o uso da matéria-prima.
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“A geopolítica deixou de ser um fator periférico” – Foto: Canva
O mercado global de algodão inicia o segundo trimestre de 2026 sob influência crescente de fatores externos que aumentam a volatilidade e reduzem a previsibilidade dos negócios. Questões geopolíticas, incertezas climáticas, movimentação de fundos e gargalos logísticos estão entre os principais elementos que vêm alterando a dinâmica tradicional de oferta e demanda.
De acordo com a Artigas do Brasil, os conflitos no Oriente Médio seguem pressionando rotas marítimas estratégicas, elevando custos de frete, seguros e prazos de entrega. Esse cenário tem impacto direto no fluxo do comércio internacional e reforça a instabilidade do mercado.
“A geopolítica deixou de ser um fator periférico. Tornou-se o principal motor do mercado. Interrupções em corredores marítimos críticos estão impactando custos, prazos e a confiabilidade das entregas”, afirma Danny Van Namen, sócio da Artigas do Brasil, com sede em São Paulo.
Além disso, problemas logísticos continuam limitando a disponibilidade efetiva da pluma, mesmo diante de uma oferta global considerada robusta. No Brasil, a dificuldade de escoamento amplia a diferença entre o volume produzido e o que realmente chega ao mercado externo.
No campo, a seca persistente nos Estados Unidos eleva o risco de perdas na produção, enquanto o aumento dos custos favorece a migração para culturas concorrentes, como milho e soja. Esse conjunto de fatores pode afetar a oferta global no próximo ciclo.
A avaliação da consultoria indica que a tendência é de maior concentração da oferta exportável em poucos países, com destaque para Brasil e Estados Unidos. Esse movimento aumenta a sensibilidade do mercado a eventos regionais.
O governo federal anunciou nesta quinta-feira (16) os setores econômicos que terão prioridade no acesso ao crédito de R$ 15 bilhões criado para atenuar os impactos da guerra no Oriente Médio e das tarifas comerciais impostas pelos Estados Unidos (EUA).
A medida também apoia segmentos considerados estratégicos, que têm déficit na balança comercial, como indústria farmacêutica e tecnologia da informação. Os detalhes foram apresentados pelo presidente em exercício, Geraldo Alckmin, em coletiva de imprensa no Palácio do Planalto.
O novo plano de socorro, anunciado no mês passado será operacionalizado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), é uma segunda etapa do Programa Brasil Soberano, lançado em meados de 2025, destinado, à época, para as empresas exportadoras impactadas pelo tarifaço dos EUA.
As tarifas de 50% impostas pelo presidente dos EUA, Donald Trump, acabaram sendo derrubadas por uma decisão da Suprema Corte do país, em outubro do ano passado. Elas acabaram sendo fixadas em 15% para todos os países que vendem aos EUA.
“São R$ 15 bilhões para apoiar quem foi afetado pelo tarifaço americano, quem está tendo dificuldade para exportar para o Golfo Pérsico e aqueles setores estratégicos, especialmente aqueles que têm um déficit na balança comercial. Saúde, TI, químico, são os setores que têm um déficit maior na balança comercial”, ressaltou Alckmin.
A abertura das linhas será possível após o Conselho Monetário Nacional (CMN) ter aprovado, também nesta quinta-feira, resolução que definiu as condições para a oferta do crédito.
Quem tem direito
Três grupos de empresas têm direito ao crédito, conforme a Portaria Interministerial publicada pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).
No primeiro segmento, estão as empresas exportadoras de bem industriais e seus fornecedores afetados pelas medidas tarifárias impostas dos Estados Unidos, cujo faturamento bruto com exportações representou 5% ou mais do valor apurado no período de doze meses entre 1º de agosto de 2024 a 31 de julho de 2025.
As empresas mais atingidas são as da indústria do aço, cobre e alumínio, que pagam 50% de tarifas extras, e os setores de peças automotivas e de alguns tipos de móveis, que pagam taxa de 25% para vender aos norte-americanos.
No segundo grupo, foram incluídas as empresas de setores considerados estratégicos, pela relevância de uso de tecnologia e impacto da modernização produtiva do país, como os ramo têxtil, químico, farmacêutico, automotivo, máquinas e equipamentos eletrônicos e de informática, além de borracha e minerais críticos.
No terceiro grupo, o governo incluiu as empresas exportadoras e seus fornecedores para os países da região do Golfo Pérsico, no Oriente Médio. O grupo inclui empresas brasileiras que vendem para Arábia Saudita, Bahrein, Catar, Emirados Árabes Unidos, Irã, Iraque, Kuwait e Omã, cujo faturamento bruto com exportações represente 5% ou mais do valor apurado no período de doze meses entre 1º de janeiro de 2025 e 31 de dezembro de 2025.
Taxas e prazos
As linhas de crédito são para financiar capital de giro; capital de giro destinado à produção para exportação; aquisição de bem de capital; e investimentos para ampliação da capacidade produtiva ou o adensamento da cadeia de produção, adaptação de atividade produtiva, e em inovação tecnológica ou adaptação de produtos, serviços e processos.
As taxas variam de 0,94% ao mês, para investimentos, até 1,28%, para capital de giro, no caso das contratações diretas com o BNDES.
Nas contratações indiretas, com outras instituições financeiras, essas taxas variam de 1,06% a 1,41%. As carências variam de 1 ano a 4 anos (investimentos), com prazos de 5 a 20 anos para quitação.
A atuação de um ciclone extratropical no Sul e o avanço de uma frente fria pelo oceano devem influenciar o clima em várias regiões do Brasil neste fim de semana. Enquanto algumas áreas terão alívio com tempo firme, outras seguem com chuva frequente e risco de temporais.
Sul
A sexta-feira (17) ainda é marcada pela influência do ciclone extratropical, que já se afasta, mas mantém instabilidades. Chove de forma fraca a moderada no Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná, com pontos de maior intensidade no Paraná.
O vento ganha destaque, com rajadas entre 40 e 70 km/h no litoral gaúcho, além de mar agitado.
No sábado (18) e domingo (19), o tempo se estabiliza na maior parte da região. A chuva perde força e fica mais restrita ao litoral do Paraná. Nas demais áreas, o sol aparece entre nuvens e as temperaturas sobem durante o dia.
Sudeste
A sexta-feira ainda será de tempo mais aberto na maior parte do Sudeste. Há apenas chuva fraca no litoral do Espírito Santo e no extremo sul de São Paulo.
No sábado, o avanço de uma frente fria pelo oceano muda o cenário. A chuva retorna, principalmente em São Paulo, sul de Minas Gerais e áreas do Rio de Janeiro. Na capital paulista, há previsão de pancadas moderadas a fortes, com trovoadas.
No domingo, a instabilidade continua, especialmente no Rio de Janeiro, Espírito Santo e leste de Minas. Já em São Paulo, o tempo volta a ficar mais estável, com possibilidade de chuva fraca e passageira.
A umidade do ar segue em atenção no interior paulista e em Minas Gerais, com índices abaixo de 30% em alguns pontos.
Centro-Oeste
Na sexta-feira, o tempo segue firme em boa parte da região, mas há pancadas de chuva no Mato Grosso e em áreas de Goiás, com risco de temporais isolados.
No sábado e domingo, o padrão se mantém. A chuva continua mais frequente no Mato Grosso, enquanto Goiás e Mato Grosso do Sul registram pancadas mais isoladas.
As temperaturas permanecem elevadas ao longo de todo o período, com sensação de abafamento.
Nordeste
A sexta-feira já começa com chuva em áreas do litoral e no norte da região, por influência da Zona de Convergência Intertropical (ZCIT).
No sábado e domingo, as instabilidades aumentam. Há previsão de chuva moderada a forte no Maranhão, Piauí, Ceará e Bahia, com risco de temporais, principalmente no centro-norte da região.
Nas demais áreas, a chuva ocorre de forma mais irregular, enquanto o calor segue predominando.
Norte
A presença de muita umidade mantém o tempo instável na Região Norte desde a sexta-feira. Estados como Amazonas, Pará, Acre e Rondônia registram chuva moderada a forte, com risco de temporais.
A atuação da ZCIT reforça ainda mais a instabilidade no Amapá e no norte do Pará.
No sábado e domingo, o cenário pouco muda. As pancadas continuam frequentes e podem ocorrer com intensidade elevada, acompanhadas de trovoadas.
O calor e a sensação de abafamento seguem predominando em toda a região.
No morning call desta sexta-feira (17), a economista-chefe do PicPay, Ariane Benedito, comenta que a ausência de avanços entre EUA e Irã esfriou o rali recente e aumentou a cautela nos mercados globais.
Bolsas em NY ficaram divididas, o petróleo estabilizou e, no Brasil, o Ibovespa interrompeu a sequência de altas enquanto o dólar se manteve abaixo de R$ 5, com dados de atividade mais fracos.
Ouça o Diário Econômico, o podcast do PicPay que traz tudo que você precisa saber sobre economia para começar o seu dia, com base nas principais notícias que impactam o mercado financeiro.
A evolução tecnológica da cadeia de proteína animal estará no centro do Salão Internacional de Proteína Animal (SIAVS 2026), maior evento dos setores do país, que acontecerá entre os dias 04 e 06 de agosto no Distrito Anhembi, em São Paulo (SP).
Reunindo um número ampliado de empresas fornecedoras de equipamentos, soluções industriais e tecnologias aplicadas à produção e ao processamento de alimentos o SIAVS 2026 reforçará sua posição como principal vitrine de inovação do setor ao concentrar, em um único ambiente, soluções que abrangem todas as etapas da cadeia produtiva, da produção primária à indústria.
Com a participação de dezenas de empresas especializadas em equipamentos do campo à agroindústria, o SIAVS apresentará ao público tecnologias voltadas ao aumento de eficiência, controle de processos, segurança sanitária e sustentabilidade. O perfil dos expositores inclui fabricantes nacionais e multinacionais, desenvolvedores de tecnologias digitais e integradores de soluções industriais, refletindo o avanço consistente da automação e da digitalização no setor.
Entre os destaques estão sistemas de automação industrial, equipamentos com maior eficiência energética, equipamentos para granjas e processamentos em frigoríficos, soluções baseadas em inteligência artificial e visão computacional, tecnologias voltadas à biosseguridade, além de ferramentas de rastreabilidade e gestão de dados em tempo real. O conjunto de soluções evidencia uma cadeia produtiva cada vez mais orientada por dados, precisão operacional e padrões elevados de qualidade.
A presença dessas empresas reforça o SIAVS como ponto de convergência entre indústria, tecnologia e produção, conectando fornecedores a agroindústrias, cooperativas e produtores em busca de maior competitividade no mercado global.
“O avanço tecnológico tem sido determinante para o desempenho da proteína animal brasileira. O SIAVS reúne essas soluções em um ambiente único, permitindo acesso direto às inovações que já estão transformando a produção de alimentos”, destaca o presidente da ABPA, Ricardo Santin.
Além da feira, o evento contará com programação técnica alinhada a essa agenda de transformação, com palestras e painéis dedicados à digitalização da produção, inteligência artificial, eficiência operacional, sustentabilidade e tendências de consumo. A proposta é integrar conhecimento técnico e soluções práticas, ampliando a capacidade de adaptação do setor aos novos desafios.
Maior edição da história do evento, o SIAVS 2026 ocupará uma área de 45 mil metros quadrados — crescimento de 50% em relação à edição anterior. A expectativa é reunir centenas de empresas expositoras e visitantes de mais de 60 países, consolidando o evento entre os principais encontros globais da proteína animal.
A lagarta-do-cartucho segue como a principal praga do milho no Brasil e tem elevado os custos de produção, especialmente entre fevereiro e maio, período de maior pressão nas lavouras. O manejo inadequado, baseado apenas em Inseticidas, tem resultado em controle ineficiente e aumento do risco de resistência, impactando diretamente a rentabilidade do produtor.
A presença constante da praga em praticamente todas as regiões produtoras, favorecida pela sucessão de culturas e disponibilidade de hospedeiros, mantém o desafio ativo dentro das propriedades. Na prática, o produtor que não monitora corretamente acaba tomando decisões tardias — e mais caras. A lagarta-do-cartucho ataca o milho desde os estádios iniciais até fases mais avançadas, comprometendo o estande, a área foliar e até a formação de espigas. Esse conjunto de danos reduz o potencial produtivo e pode gerar perdas econômicas expressivas.
Uso excessivo de inseticidas aumenta custo e pode piorar o problema
Um dos principais erros no campo ainda é o uso sequencial de inseticidas sem monitoramento técnico. Além de elevar o custo direto da lavoura, essa prática pode resultar em baixa eficiência de controle. Isso ocorre porque aplicações fora do momento ideal — principalmente com lagartas maiores e protegidas no cartucho — têm menor eficácia. Outro ponto crítico é o impacto sobre inimigos naturais, que ajudam a controlar a praga de forma biológica.
O manejo isolado não resolve o problema. A recomendação é integrar diferentes estratégias para manter a população abaixo do nível de dano econômico.
Monitoramento define o momento certo de agir
O monitoramento da lavoura é apontado como o ponto-chave para reduzir custos e aumentar a eficiência do controle. A inspeção frequente permite identificar:
– Presença de ovos e lagartas pequenas
— Nível de dano nas folhas
– Percentual de plantas atacadas
A tomada de decisão deve considerar esses fatores, além do estágio da cultura. O controle é mais eficiente quando realizado ainda nas fases iniciais da infestação, antes que a lagarta se instale no cartucho.
Manejo integrado reduz custos ao longo das safras
O caminho mais eficiente, segundo dados técnicos, é o manejo integrado de pragas (MIP), que combina diferentes ferramentas:
– Uso de milho Bt com refúgio estruturado
– Controle biológico com inimigos naturais e bioinseticidas
– Aplicação racional de inseticidas
– Rotação de culturas
Manejo de plantas daninhas hospedeiras
O milho Bt continua sendo uma tecnologia central, mas depende diretamente do uso correto do refúgio para evitar a resistência da praga. Sem essa prática, o produtor pode perder eficiência da tecnologia e aumentar os custos no médio prazo.
Rotação e controle cultural ajudam a quebrar o ciclo da praga
Outro ponto estratégico é reduzir a sobrevivência da lagarta entre safras. A presença de gramíneas e culturas sucessivas como milho–milho favorece a manutenção da praga no sistema.
A rotação com culturas menos favoráveis e o controle de plantas daninhas diminuem a pressão populacional e contribuem para um sistema mais equilibrado — com impacto direto na redução de aplicações químicas.
Resistência preocupa e exige mudança de estratégia
A capacidade da lagarta-do-cartucho de desenvolver resistência é um alerta crescente no campo. O uso repetitivo das mesmas ferramentas acelera esse processo e compromete o controle.