sexta-feira, março 27, 2026

Agro

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Preço do boi gordo encerra mais um dia em queda; veja cotações



O mercado físico do boi gordo volta a se deparar com tentativas de compra em patamares mais baixos no decorrer desta terça-feira (18).

“Os frigoríficos ainda estão temerosos em relação à China e qual será o posicionamento do principal importador de carne bovina brasileira em relação às investigações que vem sendo conduzidas desde o final do ano passado”, diz o analista da consultoria Safras & Mercado Fernando Henrique Iglesias a respeito das medidas de salvaguarda que a nação asiática estuda implementar para se proteger do impacto da importação na produção local.

Segundo ele, a demanda doméstica permanece aquecida, considerando a incidência do 13º salário, criação dos postos temporários de emprego e confraternizações inerentes ao período do final de cada ano.

Preços médios do boi gordo

  • São Paulo: R$ 324,83 — ontem: R$ 326,33
  • Goiás: R$ 320,43 — R$ 320,32
  • Minas Gerais: R$ 318,24 — R$ 318,82
  • Mato Grosso do Sul: R$ 318,75 — R$ 319,20
  • Mato Grosso: R$ 303,43 — R$ 307,00

Mercado atacadista

O mercado atacadista ainda se depara com preços firmes no decorrer da semana, e o ambiente de negócios sugere pela continuidade do movimento de alta no curtíssimo prazo.

  • Quarto traseiro: ainda é precificado a R$ 26,00 por quilo
  • Quarto dianteiro: segue cotado a R$ 19,50 por quilo
  • Ponta de agulha: se mantém a R$ 19,00 por quilo.

Câmbio

O dólar comercial encerrou a sessão em queda de 0,25%, sendo negociado a R$ 5,3180 para venda e a R$ 5,3160 para compra. Durante o dia, a moeda norte-americana oscilou entre a mínima de R$ 5,3152 e a máxima de R$ 5,3457.



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Embrapa aponta pecuária brasileira como parte da solução para o clima



Um documento de posicionamento lançado pela Embrapa durante a COP30 coloca a pecuária brasileira no centro das estratégias de mitigação climática. O material, elaborado por 18 pesquisadores da instituição, reforça que tecnologias já disponíveis no país, como recuperação de pastagens, manejo eficiente e sistemas integrados, reduzem emissões e elevam a produtividade no campo.

Segundo a Embrapa, práticas como integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF), adubação balanceada e uso de genética mais eficiente têm mostrado resultados consistentes. Produtores que adotam essas tecnologias observam retorno rápido, com maior margem, menos custos operacionais e mais segurança no negócio.

“A pecuária no Brasil, ela é um sistema baseado a pasto. Nós temos a maior parte da nossa produção em sistemas de produção a pasto. As pastagens gramíneas, elas têm uma alta capacidade de fixação do carbono, de fotossíntese e fixação do carbono, tanto nas pastagens quanto no solo”, pesquisador Embrapa, Luis Orcirio.

Além de aumentar a capacidade de lotação e evitar a abertura de novas áreas, o manejo eficiente torna a atividade alinhada aos critérios ESG (ambiental, social e de governança). A pecuária está presente em todos os municípios brasileiros e oferece oportunidades para pequenos, médios e grandes produtores, gerando renda e fortalecendo a economia rural.

Outro destaque do documento é que a pecuária tropical oferece vantagens competitivas em relação a países de clima temperado. O custo de produção é menor e o bem-estar animal é maior devido às condições naturais do ambiente tropical, o que abre portas para mercados internacionais mais exigentes.

Segundo Orcirio, é possível produzir com baixa emissão e, simultaneamente, aumentar renda e eficiência. “É possível adotar técnicas de manejo que nos permitam colocar carbono no solo, por meio das tecnologias que apresentamos nesses dois dias. Ou seja, a pecuária também pode ciclar nutrientes por meio dos coprodutos e subprodutos da agroindústria” explica.



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Ultra-atleta brasileiro defende carne bovina como alimento poderoso; entenda



A carne bovina é apresentada como o alimento mais poderoso do planeta, capaz de garantir longevidade e alta performance, segundo o ultra-atleta brasileiro Alessandro Medeiros, de 55 anos.

Ele, que adota uma dieta 100% carnívora, é um exemplo dessa teoria, competindo em maratonas extremas que somam mais de 500 quilômetros, muitas vezes em jejum total. Sua história é tema do livro “O Poder da Carne”, lançado em parceria com a nutricionista Letícia Moreira.

Em entrevista ao Giro do Boi, Medeiros afirma que a carne bovina é o único alimento capaz de fornecer energia em jejum. Letícia Moreira, também adepta da dieta carnívora, confirma que o corpo do atleta reaprendeu a utilizar a gordura animal armazenada, gerando o equivalente a mais de oitenta mil calorias durante suas competições.

Confira a entrevista completa:

Quebra de mitos sobre alimentação

O livro, que já se tornou um bestseller, visa desmistificar a ideia de que a proteína e a gordura animal são prejudiciais à saúde. Com explicações técnicas e dados científicos, a obra é considerada um documento para futuros profissionais da área de saúde.

O estilo de vida de Medeiros, que se alimenta exclusivamente de carne e gordura animal, é um manifesto contra verdades absolutas sobre nutrição.

A mensagem que Medeiros deseja transmitir aos produtores rurais é de orgulho: a carne bovina é o melhor alimento do mundo, e a pecuária brasileira é a fornecedora desse “superpoder” que garante a longevidade e a performance humana. O trabalho do atleta reforça a defesa da “comida de verdade”, que não exclui a proteína animal da dieta.

Com informações de: girodoboi.canalrural.com.br.

Publicado com auxílio de inteligência artificial e revisão da Redação Canal Rural.



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Oceanos podem cortar 35% das emissões de CO2 até 2050



A enviada especial da 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30) para Oceanos, Marinez Scherer, anunciou nesta terça-feira (18) a criação do chamado blue package (pacote azul), um roteiro de ação para acelerar soluções baseadas no oceano. O plano foi criado por atores não estatais, especialistas climáticos brasileiros e a presidência da COP30.

Segundo ela, o blue package pode ajudar a reduzir as emissões globais de gases de efeito estufa em até 35% até 2050 – mais de um terço do necessário para manter o aquecimento em 1,5°C.

“Estamos confiantes de que a COP e todas as partes entendem o papel central do oceano e estão prontas para implementar soluções baseadas no oceano para a crise climática no relatório final dos documentos”, disse a enviada.

“Queremos implementar o que precisamos para restaurar e proteger zonas costeiras e ecossistemas marinhos, e garantir que o oceano continue atuando como o principal regulador climático do planeta”, complementou.

Atração de investimentos

O objetivo do pacote também é criar uma estrutura para destravar financiamento, atrair investimentos privados e construir carteiras confiáveis para detecção de riscos oceânicos.

O blue package inclui cerca de 70 soluções sobre energia renovável oceânica, descarbonização da navegação, aquicultura sustentável, conservação marinha, turismo costeiro, empreendedorismo e inovação. Entre elas, estão melhorar a relação das pessoas com o oceano e opções potenciais de transição para petróleo e gás offshore.

Essas soluções apoiam diretamente a mitigação, adaptação, proteção da biodiversidade, segurança alimentar e resiliência costeira. A estimativa é que seja necessário investir de US$ 130 bilhões a US$ 170 bilhões.

Segundo os organizadores, o valor oferece aos ministérios das finanças, bancos de desenvolvimento e investidores privados uma noção da escala necessária e de oportunidades.

“Destravar esse capital depende de condições adequadas: regulamentações certas, instrumentos de redução de risco e abordagens de financiamento misto [blended finance]. A implementação também exige responsabilização”, disse Marinez Scherer.

Plataforma de monitoramento

A enviada especial também anunciou a criação do Ocean Breakthroughs Dashboard, uma ferramenta para monitorar o progresso do cuidado com os oceanos. A ferramenta entrou no ar ontem (17) e, segundo os responsáveis, representa “um novo contrato social para a proteção dos oceanos”.

Segundo a liderança responsável pela apresentação, o oceano precisa estar no centro da agenda, ao lado das florestas e da biodiversidade, porque “vivemos em um único planeta” e esses sistemas “nos mantêm estáveis e em equilíbrio”. O blue package permitirá conectar compromissos nacionais com esforços globais já em curso.

Também foi anunciado que 17 países já se comprometeram a incorporar o oceano em seus planos climáticos atualizados. Além do Brasil e da França, Austrália, Fiji, Quênia, México, Palau, República das Seychelles, Chile, Madagascar e Reino Unido já haviam aderido à iniciativa. Os novos países são Bélgica, Camboja, Canadá, Indonésia, Portugal e Singapura.



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Lula rebate críticas e sai em defesa do Pará após declaração do chanceler alemão


O presidente Luiz Inácio Lula da Silva rebateu nesta terça-feira (18) uma declaração dada pelo primeiro-ministro alemão, Friedrich Merz, no último dia 13 de novembro, que fazia uma comparação depreciativa de Belém, no Pará, com Berlim, capital da Alemanha.

“Berlim não oferece para ele 10% da qualidade que oferece o estado do Pará e a cidade de Belém”, afirmou o presidente brasileiro durante a cerimônia de inauguração da Ponte que liga Xambioá, em Tocantins a São Geraldo do Araguaia, no Pará.

A afirmação ocorreu depois que o chanceler alemão Merz, declarou publicamente que ninguém de sua equipe quis permanecer em Belém para a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30), porque Berlim é uma cidade muito bonita.

O presidente Lula lembrou em discurso que quando decidiu fazer a COP no Pará muitos reclamaram e disseram que deveria ser no Rio de Janeiro ou em São Paulo. Reclamaram de muitas coisas como o preço do refrigerante, mas nunca reclamaram do preço de uma água em um aeroporto internacional.

Ao citar a declaração de Friedrich Merz, o presidente brasileiro reforçou que faltou conhecimento por parte dos visitantes.

“Ele, na verdade, devia ter ido em um boteco no Pará. Ele, na verdade, deveria ter dançado no Pará. Ele deveria ter provado a culinária do Pará. Porque ele ia perceber que Berlim não oferece para ele 10% da qualidade que oferece o estado do Pará, a cidade de Belém”, concluiu.



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Movimentos pontuais marcam o mercado de soja; saiba os preços no Brasil



O mercado brasileiro de soja registrou um dia de baixa movimentação. De acordo com o analista da consultoria Safras & Mercado, Rafael Silveira, o dia foi pontual, com o produtor focado no plantio e poucas ofertas reais no mercado.

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Silveira destacou que, apesar da volatilidade, a Bolsa recuou, mas não muito, e os prêmios seguem negativos para a safra nova. No geral, as cotações apresentaram pouca variação e o mercado operou de forma bastante calma.

Preços de soja no Brasil

  • Passo Fundo (RS): caiu de 137,00 para 136,00
  • Santa Rosa (RS): caiu de 138,00 para 137,00
  • Cascavel (PR): manteve-se em 135,00
  • Rondonópolis (MT): caiu de 127,00 para 126,00
  • Dourados (MS): caiu de 127,00 para 126,50
  • Rio Verde (GO): manteve-se em 128,00
  • Paranaguá (PR): manteve-se em 142,00
  • Rio Grande (RS): manteve-se em 142,00

Soja em Chicago

A Bolsa de Mercadorias de Chicago (CBOT) teve baixa nesta terça-feira. Após atingir o maior patamar desde junho de 2024, o mercado realizou lucros. O cenário segue positivo em meio à retomada das compras chinesas de soja americana e aos bons números de esmagamento nos Estados Unidos em outubro.

Exportadores privados norte-americanos reportaram ao USDA a venda de 792.000 toneladas de soja à China para a temporada 2025/26. A estatal chinesa COFCO comprou pelo menos 14 carregamentos de soja dos EUA, cerca de 840 mil toneladas, para embarque entre dezembro e janeiro. A China também recebeu o primeiro carregamento de farelo de soja argentino desde 2019, com 30 mil toneladas.

Contratos futuros de soja

Os contratos em janeiro fecharam com baixa de 3,75 centavos, a US$ 11,53 1/2 por bushel, enquanto março encerrou em US$ 11,60 1/4 por bushel, queda de 3,00 centavos. No farelo, janeiro caiu US$ 4,10, a US$ 328,50 por tonelada. No óleo, janeiro subiu 1,02 centavo, a 52,50 centavos de dólar.

Câmbio

O dólar comercial caiu 0,25%, encerrando em R$ 5,3180 para venda e R$ 5,3160 para compra, após oscilar entre R$ 5,3152 e R$ 5,3457.



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AgroNewsPolítica & Agro

Pastagens de verão avançam após período frio


O Informativo Conjuntural divulgado pela Emater/RS-Ascar na quinta-feira (13) aponta que o campo nativo do Rio Grande do Sul segue em pleno desenvolvimento vegetativo, com oferta de forragem favorecida pelo aumento das temperaturas, pela maior luminosidade e pela umidade adequada do solo. Segundo o documento, essa condição tem permitido a recuperação ou a manutenção do escore corporal dos rebanhos após o período de restrição alimentar do inverno.

As pastagens perenes de verão, como Tifton, Jiggs, Hermarthria, Aruana, panicuns, braquiárias e capim-elefante, registraram atraso no crescimento em alguns municípios em razão das chuvas e das baixas temperaturas do mês anterior. No entanto, a Emater/RS-Ascar informa que essas áreas apresentam rebrota vigorosa na maior parte das regiões, sustentando pastejos de boa qualidade, especialmente nos locais de clima mais ameno. Em diversas propriedades, produtores realizaram roçadas para reduzir a palhada remanescente e controlar invasoras. As áreas de azevém estão, em sua maioria, em fase de formação de sementes.

Na região de Bagé, a rebrota do campo nativo ocorreu com forte presença de capim-annoni, principalmente em áreas afetadas pela estiagem. Na Fronteira Oeste e na Campanha, lavouras de milheto, sorgo forrageiro e capim-sudão seguem em desenvolvimento, embora apenas parte esteja apta ao início do pastejo. Em Hulha Negra e Aceguá, continua a fenação em áreas com trevo. Já em Itaqui, pastagens perenes receberam os primeiros lotes de animais, e em Manoel Viana e Bagé houve retomada da semeadura de pastagens de verão, com adubações de cobertura e manejo de herbicidas.

Na região de Caxias do Sul, o período foi marcado por tempo estável, com temperaturas amenas e insolação abundante, favorecendo as forrageiras. Chuvas volumosas nos dias 7 e 8 dificultaram o manejo. As pastagens hibernais de ciclo longo mantiveram o pastejo, enquanto áreas de integração lavoura-pecuária tiveram pastagens de aveia dessecadas para o início do plantio de cereais de verão. A maior parte das silagens de trigo já foi concluída.

Em Frederico Westphalen, lavouras de trigo e outros cereais destinados à silagem apresentaram desenvolvimento adequado e estão próximas da colheita. Seguiu a semeadura de milheto, aveia de verão e sorgo. Em Ijuí, as pastagens de capim-sudão registraram bom desenvolvimento e, em algumas áreas, já foi possível realizar o terceiro pastejo. Pastagens semeadas no final de outubro receberam adubação nitrogenada, preparando-se para a entrada dos animais na próxima semana. Áreas de sorgo e milheto avançaram no desenvolvimento vegetativo, permitindo o início do pastejo, enquanto espécies perenes de verão tiveram crescimento ligeiramente abaixo do ideal, mas com volume satisfatório de massa verde.

Na região de Passo Fundo, a insolação, a amplitude térmica e a umidade do solo contribuíram para o crescimento das forrageiras. As espécies anuais de verão estão em semeadura e desenvolvimento, com algumas já utilizadas para pastejo. Em Pelotas, as pastagens de inverno encerraram o ciclo, e lavouras de verão apresentam bom crescimento. Chuvas volumosas em Pinheiro Machado no dia 7 estimularam o desenvolvimento das pastagens nativas e permitiram a retomada da semeadura de pastagens de verão.

Na região metropolitana de Porto Alegre, as pastagens estivais implantadas ainda não oferecem condições de pastejo. A forte presença de floração da maria-mole (Senecio spp.) chamou a atenção de produtores e pode estar relacionada à redução do rebanho ovino. Na região de Santa Maria, pastagens de panicuns e braquiárias apresentam desenvolvimento atrasado devido às baixas temperaturas registradas em outubro, enquanto a colheita dos cereais de inverno para silagem foi intensificada. Em Santa Rosa, áreas de BRS Capiaçu receberam aplicação de dejetos de suínos e têm ensilagem prevista para janeiro, além de aumento observado nas áreas destinadas a pastagens perenes, especialmente de Tifton.





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‘Mudança do clima é assunto do presente, não do futuro’, diz ex-ministra do Meio Ambiente



A COP30, em Belém, tem ampliado o espaço para discutir agricultura, clima e segurança alimentar. Diante disso, a COPTV do Agro, transmitida pelo Canal Rural, se tornou um dos principais pontos de encontro dessas agendas. Nesta terça-feira (18), um dos assuntos em destaque foi o papel estratégico da agricultura tropical no enfrentamento das mudanças climáticas.

Sobre este assunto, o secretário-executivo do Consórcio Amazônia Legal, Marcello Brito, conversou com a ex-ministra do Meio Ambiente e co-presidente do painel internacional de recursos naturais da Organização das Nações Unidas (ONU), Izabella Teixeira, que destacou a conferência como uma virada no debate climático.

Para ela, as mudanças do clima deixaram de ser um tema de futuro e passaram a exigir soluções imediatas — e muitas delas já vêm da agropecuária brasileira. “A agricultura tropical chega a esta COP com soluções concretas, capazes de transformar o debate sobre segurança alimentar e clima”, afirmou.

Agricultura na centralidade do debate

A ex-ministra avaliou que esta é uma das edições da COP com maior presença de discussões sobre agricultura, pecuária regenerativa e restauração florestal. Segundo ela, o Brasil “chegou chegando”, apresentando tecnologias e práticas que unem produtividade, conservação e redução de emissões.

Teixeira citou avanços ligados à remoção de carbono — tanto pela restauração florestal quanto por tecnologias como pó de rocha — e destacou que produtores, indústrias e países parceiros têm participado de forma mais ativa. “Nunca vi tantos debates envolvendo agricultura, tecnologia, pequenos produtores, indústria e a comunidade internacional”, disse.

Ela também destacou o papel da agricultura tropical como diferencial competitivo. Para a ex-ministra, o reconhecimento global dessa categoria, distinta da agricultura de clima temperado, representa uma conquista importante para o Brasil.

Negociações, financiamento e regulação

A diplomacia brasileira, segundo a representante da ONU, atua em um ambiente de alta complexidade, marcado por temas estruturantes para o futuro das políticas climáticas. Entre os assuntos em negociação, ela citou financiamento climático, indicadores de adaptação e mitigação, transparência e a discussão sobre a eliminação progressiva de combustíveis fósseis.

Teixeira reforçou que a regulação será determinante para acelerar ou atrasar a transição. Como exemplo, mencionou a discussão global sobre o binômio clima–comércio, vista por ela como oportunidade para enfrentar barreiras protecionistas e alinhar critérios ambientais ao comércio internacional.

Tecnologia, competitividade e renda no campo

Além disso, a ex-ministra destacou a combinação entre tecnologia, conhecimento do produtor e inteligência da natureza como base para um novo padrão de segurança alimentar. Para ela, temas como bioenergia, biofertilizantes, uso de pó de rocha e sistemas integrados devem ganhar espaço na estratégia de descarbonização da produção.

Teixeira ressaltou ainda que a transição climática precisa ser acompanhada por ganhos econômicos para o produtor. “O agricultor tem que conseguir descarbonizar, aumentar produtividade, renda e garantir mercado. As novas tecnologias precisam ser viáveis no campo”, afirmou.

Ela mencionou também o lançamento da carne neutra (Net Zero), desenvolvido pela Embrapa em parceria com o setor privado, como exemplo de como empresas começam a pautar novas soluções baseadas em tecnologia e rastreabilidade.

Desmatamento, futuro da agricultura e pós-Belém

Ao final, Izabella Teixeira defendeu que a agricultura brasileira deve continuar avançando com responsabilidade ambiental, reforçando o compromisso histórico do setor de não pactuar com desmatamento ilegal. Para ela, o pós-Belém será decisivo para consolidar a agricultura tropical como referência global em segurança alimentar, mitigação de emissões e inovação tecnológica.

“O Brasil tem condições de pautar uma nova agenda global. A agricultura tropical existe, é competitiva e pode conduzir soluções para segurança tecnológica, climática e energética”, afirmou.



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Presidência da COP30 apresenta documento para destravar negociações



A presidência da COP30 montou uma força-tarefa que virou noite para avançar nas negociações e conseguiu entregar, nas primeiras horas da manhã, um documento aguardado pelas delegações. O rascunho funciona como uma bússola para destravar os pontos mais críticos das conversas climáticas e orientar a construção do texto final da conferência.

O material, entregue por volta das 7h, atende a um pedido formal dos negociadores e foi estruturado pela equipe liderada pelo presidente da COP30, o embaixador André Corrêa do Lago, e pela CEO do evento, Ana Toni.

Dois pacotes para avançar

A estratégia da presidência foi dividir os temas em dois blocos. O primeiro reúne quatro temas considerados mais espinhosos:

  • Verbas climáticas estatais: financiamento público destinado ao enfrentamento das mudanças climáticas;
  • Metas de corte de emissões (NDCs): contribuição individual dos países para reduzir emissões, revisitado periodicamente;
  • Tributação de mercadorias poluentes: cobrança sobre produtos considerados não sustentáveis em seus processos produtivos;
  • Prestação de contas dos países da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC): relatórios bienais obrigatórios apresentados pelas nações-membro

A intenção é que esse primeiro pacote seja votado e aprovado já nesta quarta-feira (19). O segundo agrupamento, com temas considerados acessórios, mas igualmente relevantes, deve ser concluído até sexta-feira (21).

Oceanos e florestas nas discussões da COP30

Além das negociações, o oitavo dia da COP30 tem foco temático em oceanos e florestas, ecossistemas vitais para o equilíbrio climático. Entre os debates previstos estão justiça socioambiental, participação da juventude, proteção dos mares e restauração de sistemas florestais, com destaque para o protagonismo de comunidades locais e povos indígenas.

Tanto na Blue Zone, onde ocorrem decisões oficiais, quanto na Green Zone, espaço destinado à sociedade civil e instituições, o tema central é a Amazônia. O bioma é tratado como vetor essencial para a estratégia global de mitigação e adaptação climática a longo prazo.

Presidência da COP30 apresenta documento para destravar negociações e acelerar avanço dos acordos climáticos



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Brasil exporta tecnologias agrícolas sustentáveis à América Latina e Caribe



A Plataforma da América Latina e do Caribe para Ação Climática na Agricultura (Placa), iniciativa criada durante a COP25, em Madrid, em 2019, conta atualmente com 18 países-membros, representados pelos seus respectivos Ministérios da Agricultura e Meio Ambiente.

De acordo com a diretora de Programas da Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO) para América Latina e Caribe, Maya Takagi, que está apresentando a iniciativa na COP30, em Belém, a plataforma tem sido útil para as nações que a integram compartilharem suas iniciativas, dúvidas e necessidades. Assim, a ideia é que aprendam uns com os outros em um espaço de cooperação regional.

Como exemplo de tecnologia que o Brasil exportou para os demais países da região, a diretora conta o caso das cisternas de placa para consumo de água e produção agrícola, usadas no semiárido. “Temos vários países avançando na construção de cisternas porque é uma tecnologia social e sustentável que capta a água da chuva, que poderia não ser usada […], para ser usada ao longo do ano, quando se necessita, quando não há chuva.”

De acordo com ela, a recuperação de terras degradadas é outro exemplo que o Brasil está dando aos países da região, mas também aos demais.

Maya destaca, ainda, que as economias da América Latina e do Caribe dependem, majoritariamente, da agricultura e, assim, tem o potencial de levar boas práticas agrícolas a outras partes do globo.

“É uma região que tem muito a mostrar para o resto do mundo como a agricultura, como o setor de alimentos, pode ter um impacto positivo para a adaptação, para a construção de uma sociedade resiliente, que se renova e pode se recuperar de crises climáticas […]”.

Maya conta que a FAO tem recebido pedidos de ajuda de países da região que sofrem com secas cada vez mais intensas e regulares. “Perguntam como podemos produzir com menos água, como produzir de maneira sustentável com um recurso tão escasso […]. E ao mesmo tempo ambiente que convivem com inundações”, ressalta.

Agendas da Placa

A presidência da Placa é rotativa e, atualmente, é presidida pelo Peru e copresidida pelo Brasil, sendo coordenada pela FAO. “Organizamos eventos, chamados seminários virtuais, em que convidamos os ministros de Agricultura e Meio Ambiente, áreas técnicas, para compartilhar soluções, por exemplo, na área de resiliência, como transformar a agricultura para que seja mais resiliente, mais adaptada no campo climático”, conta Maya.

Segundo ela, outra agenda da plataforma é a biodiversidade, voltada a debater como a agricultura contribui para mantê-la. “A agricultura tem a possibilidade de atuar de maneira integrada com a preservação florestal, com a preservação de cursos de água, mananciais, bacias hidrográficas e da população que vive nesse entorno.”

A Placa ainda conta com agenda de mitigação e adaptação. “A intenção dessa plataforma é mostrar como a agricultura, construída de forma sustentável, pode reduzir as emissões de gases de efeito estufa, como no caso da pecuária sustentável, na integração da agricultura-floresta, pecuária-floresta, e também no caso de manejo integrado de solos, água e biodiversidade”, detalha a diretora da FAO.

Maya destaca que as tecnologias de sustentabilidade agrícola devem ser adaptadas à realidade de pequenos a grande produtores, visto que ambos sentem os efeitos das mudanças climáticas.



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