quinta-feira, março 26, 2026

Agro

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Máquinas agrícolas ficam fora de nova isenção do tarifaço dos EUA



A retirada parcial das tarifas impostas pelos Estados Unidos contra parte dos produtos brasileiros foi comemorada por diversos setores. O alívio, porém, não se estende ao segmento de máquinas e equipamentos. A ordem executiva assinada por Donald Trump nesta quinta-feira (20) isentou mais de 60 itens, mas deixou as máquinas agrícolas de fora.

A Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) lamenta que o setor não foi contemplado, mas avalia o movimento do governo norte-americano com otimismo. “Infelizmente, o setor de máquinas e equipamentos não foi citado na ordem executiva. Mas a decisão representa um passo para melhorar as relações entre Estados Unidos e Brasil”, afirma José Velloso, presidente-executivo da entidade.

Preocupação do setor persiste

A decisão de Trump, apesar de positiva, ainda preocupa o setor. Velloso lembra que a expectativa era de que pelo menos a ordem executiva mencionasse uma trégua das tarifas durante as negociações.

“O pedido do Brasil era ue, a partir do início das tratativas, a tarifa adicional de 40% ficasse suspensa, permitindo que os produtos brasileiros entrassem no mercado americano sem esse custo extra enquanto o diálogo estivesse em andamento”, explica.

As negociações entre os dois países, no entanto, continuam. Com isso, o presidente-executivo da Abimaq espera que uma eventual suspensão temporária seja contemplada durante as discussões.



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AgroNewsPolítica & Agro

Derivados ampliam queda e pressionam soja na CBOT



A consultoria aponta que o movimento ocorre após as altas recentes


A consultoria aponta que o movimento ocorre após as altas recentes
A consultoria aponta que o movimento ocorre após as altas recentes – Foto: Divulgação

O mercado internacional de grãos registrou queda nesta quarta-feira, refletindo um movimento mais cauteloso após semanas de valorização. Segundo a TF Agroeconômica, os contratos de soja, farelo e óleo negociados em Chicago terminaram o dia no campo negativo, acompanhando uma nova rodada de realização de lucros e maior pressão vendedora no mercado físico.

O contrato de soja para janeiro recuou 1,50%, encerrando a 1136,25 cents por bushel. Março caiu 1,36%, para 1144,50 cents. No segmento de derivados, o farelo para dezembro cedeu 2,48%, fechando a 318,9 dólares por tonelada curta, enquanto o óleo para dezembro caiu 2,05%, para 51,10 cents por libra-peso.

A consultoria aponta que o movimento ocorre após as altas recentes e as compras chinesas que somaram 1.354.000 toneladas nos últimos dias, incluindo 330 mil toneladas confirmadas nesta quarta. Apesar do volume, o encarecimento da soja americana para exportação tem limitado o interesse de compradores privados da China, que encontram preços mais competitivos no Brasil. Com os estoques chineses abastecidos por produto sul-americano, cresce a dúvida sobre a efetiva demanda pelas 12 milhões de toneladas mencionadas pelo governo dos Estados Unidos.

Esse cenário estimulou os Fundos de Investimentos a capturar ganhos acumulados nas últimas cinco semanas, em um ajuste que também pressionou farelo e óleo, ambos com quedas superiores a 2%. A TF Agroeconômica destaca ainda que o aumento das vendas de produtores no mercado físico reforçou o viés baixista ao longo da sessão. Essas informações foram divulgadas nesta manhã de quinta-feira.

 





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Vaca nelore alcança R$ 54 milhões e estabelece novo recorde mundial da raça



A vaca nelore Donna FIV CIAV alcançou R$ 54 milhões no Leilão Cataratas Collection, em Foz do Iguaçu, e se tornou o novo recorde mundial de valorização da raça. O resultado dobra o valor da antiga líder, Parla FIV AJJ, vendida por R$ 27 milhões em maio.

A negociação ocorreu nesta quinta-feira (20) e envolveu criatórios tradicionais do nelore. A venda de 25% da matriz por R$ 13,5 milhões ampliou o grupo de proprietários do animal.

Novo patamar no mercado de genética

O valor atribuído a Donna evidencia a força do segmento de genética bovina no país. Especialistas em melhoramento avaliam que a procura por matrizes com histórico consistente de produção e avaliação genética detalhada tem impulsionado os preços dos principais leilões. No caso de Donna, a linhagem materna e a descendência direta de Parla, uma das referências da raça, contribuíram para o resultado.

O remate também reforça o interesse do mercado em animais comprovados em pista e em programas de seleção. Donna tem dez anos e acumula premiações, incluindo o título de Melhor Matriz do Ranking Nacional Nelore 2023/2024, o que amplia a demanda por sua genética em programas de reprodução.

Participação de novos investidores

Na venda mais recente, Nelore Huff e Nelore Traia Veia adquiriram a cota de 25%, juntando-se a Casa Branca Agropastoril, Agropecuária Mata Velha e Nelore LMC. A movimentação reforça a estratégia de compartilhamento de matrizes de alto valor entre diferentes criatórios, prática comum no mercado de elite.

Os recordes anteriores — Parla FIV AJJ (R$ 27 milhões), Carina FIV do Kado (R$ 24 milhões) e Viatina-19 FIV da Mara Móveis (R$ 21,5 milhões) — mostram que o segmento já vinha registrando sucessivas altas. Carina e Viatina-19, assim como Donna, também têm participação da Casa Branca.



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Abiec celebra decisão dos EUA de retirar tarifas sobre a carne brasileira



A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) celebrou a decisão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de zerar as tarifas adicionais de 40% sobre a carne produzida no Brasil.

“A reversão reforça a estabilidade do comércio internacional e mantém condições equilibradas para todos os países envolvidos, inclusive para a carne bovina brasileira”, afirma a Abiec.

A entidade diz ainda que a medida demonstra a efetividade do diálogo técnico e das negociações conduzidas pelo governo brasileiro, que contribuíram para um desfecho construtivo e positivo.

“A Abiec seguirá atuando de forma cooperativa para ampliar oportunidades e fortalecer a presença do Brasil nos principais mercados globais”, afirma a nota.



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Faesp vê suspensão de tarifas dos EUA como ‘avanço significativo’



A decisão do governo dos Estados Unidos de reduzir as tarifas de mais de 60 produtos brasileiros representa grande alívio financeiro para o agronegócio nacional. Essa é a avaliação da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo (Faesp). Segundo Tirso Meirelles, presidente da entidade, a suspensão também traz previsibilidade ao setor.

“Essa notícia reforça a importância do setor agropecuário brasileiro no contexto global. A tarifas extras penalizavam não apenas o produtor nacional, mas também os consumidores americanos, que viram sumir das prateleiras de supermercados alimentos que fazem parte da rotina diária das famílias e onde eles reconhecem qualidade. É uma vitória importante do agro”, disse Meirelles.

Apesar da boa notícia, o presidente da Faesp faz um alerta importante. De acordo com Meirelles, é preciso reforçar a diplomacia e continuar buscando novos mercados para garantir a rentabilidade dos produtores. Para a entidade, no entanto, o recuo do governo de Donald Trump representa o reconhecimento da qualidade e da importância estratégica dos produtos brasileiros no cenário global.

Repercussão nos setores mais afetados

Itens como carne, café e frutas figuraram entre os mais afetados pelo tarifaço dos Estados Unidos, que começou em agosto. Neste contexto, a Faesp reforça que diversificar mercados, ampliar acordos comerciais e investir em inovação e qualidade são caminhos essenciais para garantir que os produtos brasileiros continuem competitivos no cenário global.

Para Antonio Ginack Junior, da Comissão de Bovinocultura de Corte da Faesp, as sobretaxas fizeram com que os produtores saíssem da zona de conforto e procurassem novas oportunidades. “Os vendedores de carne bovina conseguiram abrir novos mercados. Além disso, o preço da arroba, ao invés de cair, aumentou aqui no Brasil”, afirma

A avaliação do setor cafeeiro paulista também é positiva. “A notícia é muito boa, já que os Estados Unidos são grandes importadores de café do Brasil. A preocupação era que eles procurassem outras origens devido as tarifas, fazendo com que trabalho de anos do setor fosse desfeito. Nesse sentido, a decisão traz a certeza de voltaremos a exportar forte para o mercado americano”, complementa Guilherme Vicentini, coordenador da Comissão de Cafeicultura da Faesp.



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AgroNewsPolítica & Agro

Mercado de soja avança com estabilidade


O plantio de soja do estado do Rio Grande do Sul segue avançando lentamente e mantém o mercado estável, segundo informações da TF Agroeconômica. “Para pagamento em novembro, com entrega em dezembro, os preços no porto foram reportados a R$ 142,00/sc (+0,71%)semanal, enquanto no interior as referências se foram em torno de R$ 133,00/sc (+1,8%)semanal em Cruz Alta, Passo Fundo, Santa Rosa e São Luiz, todos com liquidação prevista para 30/10”, comenta.

Santa Catarina mantém equilíbrio no mercado físico e fluxo interno estável. “A estabilidade demonstra que a produção remanescente segue sendo absorvida sem pressão adicional sobre o mercado, evitando movimentos bruscos nos volumes comercializados. No porto de São Francisco, a saca de soja é cotada a R$ 141,13 (+0,75%)”, completa.

Na comercialização no Paraná, as referências portuárias registraram alta, enquanto parte das praças internas apresentou estabilidade, sinalizando demanda firme pela movimentação do grão. “Em Paranaguá, o preço chegou R$ 141,00 (+1,08%). Em Cascavel, o preço foi R$ 129,75 (+0,36%). Em Maringá, o preço foi de R$ 130,65 (+0,20%). Em Ponta Grossa o preço foi a R$ 131,12 (+0,15%) por saca FOB, Pato Branco o preço foi R$ 141,13(+0,75%). No balcão, os preços em Ponta Grossa ficaram em R$ 120,00”, indica.

Enquanto isso, o Mato Grosso do Sul projeta expansão significativa na produção. “A antecipação das vendas segue em ritmo moderado, mas compatível com a confiança do produtor na condução da safra e na expectativa de incremento de produtividade. Em Dourados, o spot da soja ficou em R$ 126,73 (-0,21%), Campo Grande em R$ 126,73 (-0,21%), Maracaju em R$ 126,73 (-0,21%), Chapadão do Sul a R$ 122,31 (+0,07%), Sidrolândia a em R$ 126,73 (-0,21%)”, informa.

Mato Grosso entra na reta final da semeadura. “O cenário mantém o mercado atento ao ajuste entre armazenamento, demanda imediata e ritmo de plantio, que se aproxima do encerramento. Campo Verde: R$ 123,93 (+0,25%). Lucas do Rio Verde: R$ 120,33 (-0,96%), Nova Mutum: R$ R$ 120,33 (-0,96%). Primavera do Leste: R$ 123,93 (+0,25%). Rondonópolis: R$ 123,93 (+0,25%). Sorriso: R$ 120,33 (- 0,33%)”, conclui.

 





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‘Hoje eu estou feliz’, diz Lula após Trump revogar tarifaço contra exportações brasileiras



O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, disse, na noite desta quinta-feira (20), que ficou feliz com a retirada, pelo governo dos Estados Unidos, das taxas impostas sobre alguns produtos brasileiros. Segundo o presidente, o Brasil está sabendo lidar com a pressão das tarifas e obteve respeito dos EUA.

“Quando o presidente dos EUA tomou a decisão de fazer a supertaxação, todo mundo entrou em crise e ficou nervoso. E eu não costumo tomar decisão com 39 graus de febre. Eu espero a febre baixar. Se você tomar decisão com febre, você vai cometer um erro”, disse ao discursar na abertura do Salão Internacional do Automóvel, na capital paulista.

“E hoje estou feliz porque o presidente Trump começou a reduzir as taxações. E essas coisas vão acontecer na medida em que a gente consiga galgar respeito das pessoas, ninguém respeita quem não se respeita”, acrescentou.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou, nesta quinta-feira (20), a retirada da tarifa de importação de 40% sobre determinados produtos brasileiros. Constam na lista divulgada pela Casa Branca produtos como café, chá, frutas tropicais e sucos de frutas, cacau e especiarias, banana, laranja, tomate e carne bovina.

Na ordem executiva publicada pela Presidência dos EUA, Trump diz que a decisão foi tomada após conversa por telefone com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, “durante a qual concordamos em iniciar negociações para abordar as questões identificadas no Decreto Executivo 14.323”. De acordo com a publicação, essas negociações ainda estão em andamento.

Em pronunciamento nas redes sociais, ao lado do vice-presidente Geraldo Alckmin e do ministro Fernando Haddad, Lula afirmou que a derrubada da taxa de 40% imposta pelo governo norte-americano a vários produtos agrícolas brasileiros é uma vitória do diálogo, da diplomacia e do bom senso.

“O diálogo franco que mantive com o presidente Trump e a atuação de nossas equipes de negociação, formada pelo vice-presidente Geraldo Alckmin e os ministros Fernando Haddad e Mauro Vieira pelo lado brasileiro, possibilitaram avanços importantes”, destacou o presidente.

“Esse foi um passo na direção certa, mas precisamos avançar ainda mais. Seguiremos nesse diálogo com o presidente Trump tendo como norte nossa soberania e o interesse dos trabalhadores, da agricultura e da indústria brasileira.”



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‘Dia histórico’, diz presidente do Cecafé após EUA decretarem fim do tarifaço para o café



O presidente do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé), Márcio Ferreira, classificou como “um dia histórico” a decisão do governo dos Estados Unidos de revogar a tarifa extra de 40% aplicada ao café verde brasileiro. O anúncio, feito nesta quinta-feira (20), representa o fim de um período considerado “extremamente preocupante” para a cafeicultura, que registrou quedas drásticas nas vendas ao principal mercado do mundo.

Segundo Ferreira, o recuo americano devolve condições de igualdade ao Brasil em relação a outros exportadores, que já haviam obtido isenção total sobre o café em grão na semana anterior. “É uma alegria para todos os brasileiros. Essa tarifa vinha nos colocando em desvantagem enorme e colocava em risco o futuro das exportações”, afirmou.

Risco de perda de até US$ 3 bilhões em um ano

Durante reunião em Brasília, realizada na quarta-feira (19) com o vice-presidente Geraldo Alckmin e membros da equipe econômica do governo, o Cecafé detalhou os impactos do tarifaço. Os números apresentavam um cenário alarmante. Nos últimos três meses, as exportações de café para os Estados Unidos caíram pela metade:

  • –46% em agosto
  • –52,8% em setembro
  • –54% em outubro

Com os estoques de café brasileiro zerados nos EUA e com concorrentes como Vietnã, Indonésia e Nicarágua passando a ter tarifa zero, o Brasil estimava perder até 80% do mercado, o equivalente a US$ 2 bilhões ao ano apenas no comércio bilateral.

Além disso, a perda de competitividade internacional ampliava os descontos sobre o café brasileiro na bolsa, o que poderia gerar um prejuízo adicional de US$ 1 bilhão em outras exportações, totalizando US$ 3 bilhões em impactos negativos em 12 meses.

“Era uma situação insustentável. A ausência do Brasil nos blends americanos poderia se tornar irreversível”, alertou Ferreira.

Mobilização em Brasília e Washington acelerou o recuo

O presidente do Cecafé destacou que a reversão das tarifas resultou de uma atuação conjunta do governo brasileiro, do setor privado e dos importadores norte-americanos. Ferreira citou diretamente o vice-presidente Geraldo Alckmin, chanceler Mauro Vieira, ministro Fernando Haddad, o ministro Carlos Fávaro e outras autoridades.

“Foi um esforço incansável. Todos entenderam que era preciso separar questões políticas e tratar exclusivamente das questões comerciais. Isso fez a diferença”, disse.

Segundo ele, a pressão da cadeia de café nos Estados Unidos também foi decisiva, já que a continuidade das tarifas elevaria preços ao consumidor e prejudicaria grandes marcas diante da escassez do café brasileiro no mercado americano.

Isonomia recuperada e retomada dos blends

Com a modificação da Ordem Executiva 14323, as tarifas extras de 40% sobre o café verde brasileiro foram eliminadas. Também permanece válida a decisão de novembro que zerou tarifas recíprocas de 10% para todos os países.

“Agora voltamos à isonomia. O Brasil recupera condições reais de competir, com sustentabilidade, transparência e produtividade que já são reconhecidas no mundo todo”, afirmou.

Ferreira disse que a prioridade agora é recuperar imediatamente espaço nos blends das empresas americanas e reconstituir estoques. Ele também ressaltou que o país seguirá trabalhando para minimizar danos potenciais que, caso não houvesse recuo, seriam “incalculáveis e irreparáveis”.

Café solúvel ainda é desafio

Apesar da vitória, Márcio Ferreira alertou que o trabalho continua. O café solúvel,que representa 10% das exportações brasileiras para os EUA, segue sujeito a tarifas.

“Assim que soubemos da decisão, já iniciamos contato com a embaixada e com os importadores americanos para avançar também na isenção do solúvel. É um produto que gera de três a quatro vezes mais empregos do que o café verde”, destacou.

Segundo ele, há consenso entre entidades e governo para intensificar a pressão por uma solução rápida.

Setor quer mais marketing e presença internacional

O presidente do Cecafé afirmou ainda que a crise reforça a necessidade de o Brasil investir mais em marketing, imagem e propaganda direta aos consumidores americanos.

“Talvez o café brasileiro não seja tão conhecido na embalagem final quanto deveria. Esse episódio mostra a importância de fortalecer nossa marca e de permanecermos unidos. A cafeicultura brasileira é sustentável, gera progresso e tem uma relevância global que não pode ser ignorada”, afirmou Ferreira.



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vitória do agro e do consumidor


Em uma virada inesperada, o governo dos Estados Unidos anunciou na quinta-feira (20) a retirada completa das tarifas extras de 40% aplicadas a diversos produtos brasileiros . A medida, assinada por ordem executiva de Donald Trump, tem efeito retroativo a 13 de novembro, devolvendo milhões de dólares aos exportadores do Brasil.

A decisão atinge diretamente alguns dos produtos mais importantes da pauta exportadora brasileira, derrubando as sobretaxas que incidiam sobre o setor exportador do país, como o café, carne bovina, frutas, corte de madeiras e medicamentos. São itens essenciais tanto para o agronegócio brasileiro quanto para o abastecimento dos supermercados americanos, o que explica por que a Casa Branca acabou recuando.

É o fim, ao menos por ora, do pacote tarifário conhecido como Liberation Day, que havia elevado tarifas a até 50% em setores estratégicos, parte do esforço de Trump para endurecer a política comercial em 2025.

Embora a Casa Branca fale em “avanços diplomáticos” com o Brasil e cite o presidente Lula de forma amistosa, analistas americanos e brasileiros leem a mudança de forma mais pragmática: foi o mercado que falou mais alto.

O consumidor dos EUA está pressionado por preços elevados desde o pós-pandemia, e tarifas sobre alimentos essenciais só aumentariam o desconforto político para Trump às vésperas das festas de fim de ano. Alguns dados explicam:

  • Os EUA dependem do Brasil para quase 30% do café solúvel que consomem.
  • Metade do suco de laranja vendido nos supermercados americanos vem do Brasil.
  • A carne bovina brasileira é difícil de substituir rapidamente por preço e volume.

A soma disso com a atuação intensa de redes de supermercados, indústrias de alimentos e distribuidores criou um cenário claro: manter tarifas altas significaria inflação no carrinho de compras, e desgaste político.

Trump apresentou a medida como um gesto de boa vontade na relação bilateral, mas o recuo tem outro nome: pressão econômica.

A tarifa brasileira era pequena no contexto da guerra comercial que os EUA travam com China, México e Canadá. Mas, neste caso, o impacto direto no consumo americano era real e imediato.

Além disso, o Brasil sinalizou que poderia reagir em áreas sensíveis para os Estados Unidos, como etanol, aço e produtos industriais. A simples possibilidade de retaliação ajudou a acelerar o recuo.

A retirada das tarifas significa um alívio importante para o agronegócio, que enfrenta margens apertadas desde o início do ano. A estimativa inicial é que:

Alguns milhões de dólares voltam para o caixa de produtores e exportadores brasileiros apenas com café e suco de laranja.

Setores como proteína bovina e frutas tropicais também devem recuperar competitividade.

Mas há um alerta: a tarifa básica de 10% permanece em alguns itens, e Trump tem histórico de decisões inconsistentes. A relação bilateral segue sensível, especialmente se houver tensões políticas ou mudanças bruscas no dólar.

O recuo reduz a pressão inflacionária sobre produtos de consumo diário, café, sucos, proteínas e frutas,e diminui o custo político de tarifas amplas que, desde 2025, vêm sendo criticadas por economistas e consumidores.

Também alimenta o debate sobre as políticas comerciais de Trump. As tarifas funcionam para proteger indústrias estratégicas, mas, quando afetam o bolso do eleitor, o efeito se volta contra o próprio governo.

O episódio mostra que, mesmo em um cenário de protecionismo crescente, existem limites. Quando a cadeia global de alimentos está envolvida, barreiras comerciais podem gerar mais prejuízo doméstico do que vantagem estratégica.

No caso Brasil-EUA, quem controla a comida controla a negociação. E, neste setor, o Brasil continua sendo um ator que nenhum país, nem mesmo os Estados Unidos, pode ignorar.

A retirada das tarifas não simboliza amizade entre Lula e Trump, nem um grande acordo bilateral. É um movimento típico da nova geopolítica comercial: se o impacto econômico pesa demais, a ideologia cede espaço ao pragmatismo.

O agro brasileiro, pela importância global que conquistou, demonstrou novamente que não é apenas exportador, é um ativo de poder.

A guerra comercial de 2025 está longe de acabar. Mas, desta vez, ao menos por alguns produtos, o Brasil saiu da defensiva e fez o maior martelo tarifário do mundo recuar.

Miguel DaoudMiguel Daoud

*Miguel Daoud é comentarista de Economia e Política do Canal Rural


Canal Rural não se responsabiliza pelas opiniões e conceitos emitidos nos textos desta sessão, sendo os conteúdos de inteira responsabilidade de seus autores. A empresa se reserva o direito de fazer ajustes no texto para adequação às normas de publicação.



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AgroNewsPolítica & Agro

Milho recua na B3 com mercado travado e quedas em Chicago



Na B3, os contratos futuros tiveram comportamento misto


Na B3, os contratos futuros tiveram comportamento misto
Na B3, os contratos futuros tiveram comportamento misto – Foto: Pixabay

O mercado de milho registrou um dia de baixa na B3, influenciado pela queda em Chicago e por um ambiente doméstico de negociações travadas, segundo a TF Agroeconômica. Mesmo com os ajustes negativos, o mercado físico segue firme, com poucos negócios, já que boa parte dos produtores permanece focada no plantio. A Anec revisou para cima a projeção de exportações de novembro, ampliando em 5,30% a estimativa, beneficiada pela atratividade do milho brasileiro após a recente recuperação das cotações externas.

Na B3, os contratos futuros tiveram comportamento misto. Janeiro de 2026 encerrou o dia a R$ 70,89, queda de R$ 0,38, mas ainda com leve alta semanal de R$ 0,13. Março de 2026 fechou em R$ 72,28, com baixa de R$ 0,09 no dia e perda de R$ 0,23 na semana. Maio de 2026 terminou a R$ 71,59, recuando R$ 0,16 no dia e acumulando desvalorização semanal de R$ 0,32.

Em Chicago, o milho também registrou baixa por realização de lucros dos fundos. O contrato de dezembro recuou 1,60 por cento, caindo sete cents para 4,2975 dólares por bushel. O vencimento de março caiu oito cents, baixa de 1,78 por cento, fechando a 4,4150 dólares por bushel. Segundo a análise, as cotações permanecem em um canal lateralizado nas últimas semanas, comprimidas entre 4,40 e 4,20 dólares por bushel, sem sinais concretos de quebra dessa tendência. A combinação de colheita volumosa e demanda firme mantém o mercado norte-americano equilibrado, e os movimentos do meio de semana refletiram ajustes naturais após as recentes altas observadas também em outros grãos.

 





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