domingo, abril 12, 2026

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Silos e Armazéns de grãos podem se modernizar com a nova linha de R$ 12 Bi do BNDES.


O governo federal anunciou, em Brasília, uma nova linha de crédito de R$ 12 bilhões voltada à modernização industrial e à difusão de tecnologias 4.0. A iniciativa, articulada pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e pela Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), pretende impulsionar o uso de máquinas e equipamentos que integrem robótica, inteligência artificial, computação em nuvem, sensoriamento e comunicação máquina a máquina (IoT).

O objetivo central é elevar a produtividade e atualizar o parque fabril brasileiro, ainda fortemente dependente de maquinário antigo — com idade média de 14 anos, segundo estudos do setor. A linha Crédito Indústria 4.0, do BNDES, responde por R$ 10 bilhões do total. Com taxas que combinam TR e juros de mercado, o financiamento permitirá acesso a crédito com custo máximo de 8,5% ao ano, redução média de 6% em relação às linhas tradicionais.

Impacto no agronegócio e nas cooperativas

No setor agroindustrial, a nova linha abre espaço para modernizar estruturas de armazenagem e processamento de grãos, incorporando tecnologias digitais e sistemas de automação que aumentam a eficiência e reduzem perdas.

Empresas como a PCE Engenharia, que desenvolve soluções de automação para silos e armazéns, já oferecem equipamentos que atendem aos requisitos técnicos exigidos pelo programa BNDES Finame Máquinas 4.0. Entre as inovações disponíveis estão sistemas de conectividade em tempo real, sensoriamento e monitoramento automático e integração com plataformas digitais — recursos que permitem retrofit de unidades existentes e transformam estruturas tradicionais em ambientes inteligentes.

Segundo o diretor comercial da PCE Engenharia, Everton Rorato, a nova linha chega em um momento estratégico: “O campo e a indústria precisa de ferramentas tecnológicas para ganhar eficiência. As cooperativas, armazenadores e fabricantes poderão financiar a automação de seus silos e armazéns e, com isso, reduzir custos e elevar a qualidade do grão armazenado”, afirma.

Com o início das aprovações previsto para 15 de setembro, a expectativa é de que a medida estimule uma nova onda de modernização, conectando o setor produtivo às práticas da Indústria 4.0 e ampliando a competitividade da economia brasileira.





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Setor da maçã pede que frutas importadas sofram mesmo rigor fitossanitário das nacionais



Popularmente conhecida como traça da maçã, a Cydia pomonella, uma mariposa com menos de 2 cm, foi identificada em pomares de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul pela primeira vez em 1991, mas está erradicada no país desde 2013.

Para assegurar que o país continue livre da praga, um plano nacional de prevenção e vigilância, instituído pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), está em vigor desde setembro.

A iniciativa é fundamental para proteger a fruta, visto que as lagartas atacam diretamente a maçã, perfurando a polpa e retirando qualidade e valor comercial. Outro impacto direto é que os acordos comerciais firmados pelo Brasil com os compradores preveem que a identificação da Cydia pomonella no produto suspende completamente as vendas.

Por conta dos cuidados fitossanitários para manter a fruta longe da praga, a Associação Brasileira de Produtores de Maçã (ABPM), que representa os mais de 3.500 agricultores envolvidos no cultivo da fruta, busca sanar fragilidades do sistema, como a importação de maçãs, visto que países como Argentina, Uruguai e Chile ainda sofrem com o problema.

A entidade considera que uma fiscalização mais rígida para a fruta que vem dos países vizinhos e também de outros destinos é fundamental.

“A gente está prevendo, por exemplo, ações de monitoramento no setor produtivo aonde a praga não está – não que eu não ache isso importante – mas a gente precisa ter uma contraparte no setor produtivo de origem da fruta importada”, diz o diretor-executivo da ABPM, Moisés de Albuquerque.

Como contraponto, ele cita a dificuldade do Brasil em abrir novos mercados para exportar maçã devido ao rigor fitossanitário de alguns países, como o malaio e o peruano. “O rigor exigido para a abertura desses mercados, inclusive com controles impostos aqui no setor produtivo do Brasil, é muito grande. Então, o que nós esperamos é que o Ministério da Agricultura também faça exigências semelhantes para esses países [que exportam ao Brasil]”, destaca.

Controle nacional

Santa Catarina é o maior produtor de maçã do país com mais de 600 mil toneladas por safra. A Companhia Integrada de Desenvolvimento Agrícola do estado (Cidasc) realiza o monitoramento do inseto com armadilhas, assim como é feito no Rio Grande do Sul. Feromônios são usados em mais de 100 pontos em áreas produtoras, de fronteira e em packing houses catarinenses.

O gestor do Departamento Estadual de Defesa Vegetal da Cidasc (Dedev/Cidasc), Alexandre Mess, lembra que não há obrigatoriedade normativa para os produtores monitorarem por conta própria a incidência da mariposa.

“Mas nada impede que um produtor de maçã compre armadilhas e feromônios e ajude a aumentar essa rede de monitoramento. Esse é o típico caso de quanto mais, melhor.”

Estima-se que se a praga entrasse no país, apenas o custo de controle geraria custos superiores a R$ 400 milhões por safra.

“Além da questão fitossanitária, muitos países têm restrições quanto a à aplicação de defensivos químicos. Então isso também é uma preocupação do produtor. Quanto menos aplicações ele puder fazer, ou se puder não fazer, mais mercados ele consegue atingir com o seu produto”, ressalta a chefe do Departamento de Defesa Vegetal da Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (DDV/Seapi), Deise Feltes Riffel.



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Brasil exportou 7,56 milhões de toneladas de milho



Mato Grosso responde por mais da metade dos embarques



Foto: Pixabay

Segundo análise semanal divulgada nesta segunda-feira (13) pelo Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea), com base em dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), o Brasil exportou 7,56 milhões de toneladas de milho em setembro de 2025. O volume representa alta de 17,80% em relação a agosto. Com esse resultado, o total embarcado no acumulado do ano chegou a 23,31 milhões de toneladas, 4,33% abaixo do mesmo período de 2024.

Em Mato Grosso, principal produtor nacional, as exportações responderam por 52,07% do total nacional embarcado no mês, alcançando 3,94 milhões de toneladas. Na comparação com agosto, houve aumento de 1,06%. No entanto, em relação a setembro de 2024, o volume exportado registrou queda de 10,12%. No acumulado de 2025, o estado embarcou 11,66 milhões de toneladas, volume 32,52% inferior ao do mesmo período do ano anterior.

De acordo com o Imea, o prolongamento do escoamento da soja nos portos tem reduzido a disponibilidade de espaço para os embarques de milho, o que impacta o ritmo das exportações do cereal. Além disso, a maior demanda interna no país tem contribuído para volumes menores enviados ao exterior até o momento.





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como o agro brasileiro pode se beneficiar e atrair investimentos



O conceito de taxonomia sustentável pode parecer complexo, mas é um instrumento essencial para orientar investimentos em atividades econômicas com impacto ambiental positivo.

O Comitê Interinstitucional da Taxonomia Sustentável Brasileira (CITSB) apresentou critérios que classificam essas atividades, considerando os desafios socioambientais específicos do Brasil.

Segundo o gerente de sustentabilidade da Fundação Eco+, Thiago Egídio Barreto, explica que a taxonomia funciona como um sistema de classificação para atividades econômicas, adaptado à realidade regional. “É importante equacionar os critérios de sustentabilidade que vão nortear as atividades econômicas dentro do contexto brasileiro”, afirma.

Para o produtor rural, a aplicação da taxonomia traz oportunidades práticas. Barreto destaca que, ao atender aos critérios socioambientais, o agricultor pode ter acesso a recursos financeiros mais estratégicos e com custos menores.

“Estamos conectando um direcionamento de estado para direcionar recursos, seja governamental ou privado, para atividades que conservam solo, água e florestas, e adotam boas práticas de manejo”, explica.

O instrumento vem sendo construído desde 2023, com consultas públicas e participação de especialistas de diferentes setores. “Essa base técnica e científica traz clareza para bancos e fundos de investimento, uniformizando critérios e oferecendo segurança para aportes em carteiras verdes ou sociais”, acrescenta Barreto.

Vantagens da taxonomia sustentável

Entre os principais pilares da taxonomia sustentável estão a conservação do solo e da água, o manejo responsável de pastagens, atualmente com 40 milhões de hectares degradados no país e a preservação de áreas de proteção ambiental e reservas legais.

“Uma agricultura bem manejada pode melhorar a qualidade física, química e biológica do solo, ao mesmo tempo em que conserva florestas e biodiversidade”, completa o especialista.

COP30

Com a COP30 se aproximando, a taxonomia sustentável ganha ainda mais relevância. Ela pode pautar discussões sobre regulação de emissões e mercados de carbono, conectando políticas de estado e práticas do setor produtivo. Barreto conta que a iniciativa mostra o compromisso do Brasil com metas socioambientais e oferece um caminho claro para que atividades econômicas contribuam para redução de impactos climáticos.



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Preços da soja no Brasil e em Chicago hoje: confira as cotações



O mercado brasileiro de soja manteve-se praticamente parado. De acordo com o analista de Safras & Mercado Rafael Silveira, houve relato de alguns negócios no Paraná, mas, no geral, o dia foi de pouco movimento.

Segundo ele, o produtor segue mais focado nos trabalhos de campo, aproveitando o retorno recente das chuvas no Centro-Oeste.

“Na Bolsa, poucas novidades, leve oscilação entre pequenas altas e quedas, tanto em Chicago quanto no dólar”, acrescentou. Os prêmios mudaram muito pouco, o que fez com que os preços no físico permanecessem praticamente estáveis.

“Foi um dia sem grandes novidades, com foco total no plantio e poucas fixações da safra nova”, resumiu o analista.

Preços médios da saca de soja

  • Passo Fundo (RS): manteve-se em R$ 133
  • Santa Rosa (RS): seguiu em R$ 134
  • Cascavel (PR): continuou em R$ 134
  • Rondonópolis (MT), Dourados (MS) e Rio Verde (GO): permaneceu em R$ 126
  • Porto de Paranaguá (PR): passou de R$ 138 para R$ 138,50
  • Porto de Rio Grande (RS): alta de R$ 139 para R$ 139,50

Soja em Chicago

Os contratos futuros da soja fecharam entre estáveis e levemente mais altos nesta quarta-feira (15) na Bolsa de Mercadorias de Chicago (CBOT).

Silveira lembra que, após uma manhã de perdas, o mercado esboçou uma reação na parte da tarde. A fraqueza do dólar frente a outras moedas e os bons esmagamentos nos Estados Unidos ajudam na recuperação. As preocupações em torno da relação comercial entre China e Estados Unidos limitaram a recuperação.

A Associação Norte-Americana dos Processadores de Óleos Vegetais (Nopa) informou que o esmagamento de soja atingiu 197,863 milhões de bushels em setembro, ante 189,810 milhões no mês anterior. A expectativa do mercado era de 186,340 milhões. Em setembro de 2024, foram 177,320 milhões de bushels.

Na terça-feira (14), o presidente dos EUA, Donald Trump, classificou o boicote da China às importações do grão como ato economicamente hostil, afirmando que pode encerrar parte das relações comerciais com o país.

Ele também citou as importações chinesas de óleo de cozinha, embora analistas avaliem que o impacto seja limitado, já que os embarques deste produto despencaram no último ano.

Contratos futuros da soja

Os contratos da soja em grão com entrega em novembro fecharam estáveis a US$ 10,07 3/4 por bushel. A posição janeiro teve cotação de US$ 10,24 1/4 por bushel, também sem alteração.

Nos subprodutos, a posição dezembro do farelo fechou com alta de US$ 1,60 ou 0,58%, a US$ 275,90 por tonelada. No óleo, os contratos com vencimento em dezembro fecharam a 50,80 centavos de dólar, com ganho de 0,23 centavo ou 0,45%.

Câmbio

O dólar comercial encerrou a sessão em queda de 0,14%, sendo negociado a R$ 5,4624 para venda e a R$ 5,4604 para compra. Durante o dia, a moeda norte-americana oscilou entre a mínima de R$ 5,4333 e a máxima de R$ 5,4713.



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Pré-COP destaca agricultura sustentável como prioridade para combate às mudanças climáticas



Nos dois primeiros dias do Pré-COP, em Brasília, especialistas, ministros e representantes de mais de 70 delegações internacionais discutiram a integração entre políticas climáticas, preservação ambiental e produção agrícola. O evento prepara o caminho para a COP30, que será realizada em novembro, em Belém, no Pará.

No primeiro dia, a pauta foi a construção de um documento de consenso internacional, avaliando os avanços do Acordo de Paris e definindo metas de redução de gases de efeito estufa. O Brasil reforçou três prioridades: fortalecimento do multilateralismo, aproximação entre pessoas e clima e implementação prática de ações ambientais.

No segundo dia, o foco foi o agronegócio e a sustentabilidade, com destaque para a preservação das florestas. Segundo o diretor do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam), André Guimarães, as florestas são instrumento de proteção dos ciclos de chuva que sustentam 90% da agricultura brasileira.

Ele ressaltou a importância de combinar tecnologia moderna e soluções baseadas na natureza para produzir mais alimentos em menos área e de forma sustentável.

O evento também reforçou que estados, municípios, setor privado e sociedade civil terão papel central na implementação das decisões climáticas, garantindo que os compromissos internacionais se traduzam em ações concretas no Brasil.



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Dia das Mulheres Rurais: A liderança feminina como trunfo do agro


Neste 15 de outubro, Dia Internacional das Mulheres Rurais, a celebração vai além do reconhecimento e entra no campo da estratégia para o agronegócio brasileiro. A crescente presença de lideranças femininas em debates globais tem se mostrado um ativo fundamental para defender o setor, desmistificar críticas e construir uma imagem mais justa da produção nacional.

Essa é a visão de Juliana Farah, presidente da Comissão Semeadoras do Agro da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo (FAESP). Para ela, a participação de uma delegação brasileira no recente Global Summit Women in Agritech, na Bélgica, representa um ponto de virada.

“Eu considero essa participação um marco histórico. É a prova de que as mulheres do agronegócio brasileiro não estão apenas na base da produção, mas também no topo, participando e influenciando as discussões globais”, afirma Farah. Ela ressalta que levar as ações da comissão ao hemisfério Norte é uma oportunidade de romper barreiras e inspirar futuras gerações.

Uma comunicação que constrói pontes

Um dos pontos mais sensíveis que essa nova abordagem ajuda a combater são as críticas internacionais à pecuária. Farah acredita que a perspectiva feminina é crucial para humanizar o setor e apresentar uma comunicação mais transparente e empática.

“A mulher do agro tem uma visão de longo prazo. Ela se preocupa com a família, a comunidade e a sustentabilidade, não só por exigências, mas para as próximas gerações”, explica. “Podemos ser a ponte para destacar as práticas sustentáveis, a tecnologia e o bem-estar animal que já são realidades nas nossas fazendas, desmistificando as críticas e construindo uma imagem mais justa do agro”.

Essa capacidade de diálogo, segundo ela, vem de características que favorecem a colaboração em vez do confronto. “A presença feminina em debates globais traz uma nova perspectiva. A mulher, em geral, tem uma forma de comunicação mais colaborativa. Essa abordagem geralmente causa mais empatia e é capaz de construir novos caminhos, em vez de muros”, pontua.

Juliana Farah (FAESP) Juliana Farah (FAESP)
FOTO: Arquivo pessoal

Liderança na prática: do campo aos fóruns globais

Conciliar a gestão da atividade rural com a missão de representar o Brasil no exterior é, segundo Juliana, um “desafio motivador”. A base de seu trabalho, ela reforça, é a realidade do campo, e o equilíbrio é uma busca constante.

“Equilibrar a vida em família com os afazeres do campo se assemelha a uma gangorra. Há momentos em que a atividade rural exige mais e, em contrapartida, há momentos em que a vida pessoal clama por mais atenção”, reflete.

Olhando para o futuro, Farah deixa uma mensagem clara para as próximas gerações de mulheres que desejam ocupar espaços de liderança: a capacitação é o caminho. “É primordial que estejamos sempre integradas com novas informações, tecnologias e profissionalizando a gestão. Temos entidades importantes de suporte, como o SENAR, a FAESP e os Sindicatos Rurais”, aconselha.

Com a COP30 no horizonte, ela defende que o papel das mulheres será fundamental. “Precisamos atuar como emissárias e defensoras da nossa atividade, mostrando que a produção de alimentos e a preservação do meio ambiente, no Brasil, andam lado a lado. Nosso papel é humanizar a discussão e apresentar as soluções que já aplicamos no dia a dia”, finaliza.



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Deputados da FPA denunciam práticas abusivas relacionadas ao crédito rural



A Comissão de Agricultura da Câmara dos Deputados (Capadr) realizou, nesta terça-feira (14), uma audiência pública para discutir as exigências impostas por instituições financeiras no acesso ao crédito rural. O debate reuniu representantes do governo, do setor produtivo e do sistema financeiro.

Segundo os deputados, produtores têm enfrentado práticas abusivas, como a “venda casada” de seguros e títulos de capitalização vinculados à liberação de financiamentos, além da cobrança de garantias superiores aos padrões de mercado. As informações foram apresentadas por parlamentares e ainda não possuem confirmação oficial de órgãos reguladores ou de defesa do consumidor.

“Produtores de diferentes regiões do país têm relatado pressões para contratar produtos adicionais, sem saber que isso é ilegal”, disse a deputada Coronel Fernanda (PL-MT), coordenadora de Política de Abastecimento da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA). Para ela, o crédito rural é “uma política pública voltada ao desenvolvimento, não um instrumento de lucro para os bancos”.

O deputado Pedro Westphalen (PP-RS), que também integra a bancada, destacou a importância do debate e elogiou a iniciativa da deputada Coronel Fernanda. Segundo ele, o Parlamento cumpre seu papel ao trazer à tona temas que afetam diretamente o setor produtivo.

Venda casada e alongamento de dívidas

O advogado Diogo Fernando Goulart, especialista em direito agrário e do agronegócio, destacou que obrigar produtores a contratar seguros ou títulos para liberar financiamentos configura prática abusiva, prejudicando especialmente agricultores familiares. Ele também criticou a falta de cumprimento do alongamento de dívidas rurais, previsto em lei, o que força produtores a buscar novos empréstimos e aumenta o endividamento.

Moratória da Soja

Outro ponto debatido foi a Moratória da Soja. A deputada Coronel Fernanda criticou o pacto comercial firmado entre empresas e ONGs, que, segundo ela, transformou-se em restrição permanente e dificulta o acesso ao crédito até de produtores que cumprem o Código Florestal. “Não podemos permitir que acordos privados se sobreponham à legislação brasileira”, afirmou.

Fiscalização e transparência

Os representantes do setor produtivo reforçaram a necessidade de maior fiscalização sobre as instituições financeiras e pediram simplificação nas garantias exigidas para pequenos e médios produtores. Já a Febraban, representante das instituições de crédito, defendeu que os bancos seguem as normas legais e que casos de irregularidades são exceções, comprometendo-se a apurar as denúncias.

Além disso, a audiência também abordou a importância de assegurar liberdade de escolha e informação adequada aos produtores rurais, em conformidade com os artigos 6º e 39 do Código de Defesa do Consumidor.

Por fim, a comissão sinalizou a possibilidade de encaminhar recomendações ao Ministério da Agricultura e ao Banco Central para aprimorar os mecanismos de fiscalização e garantir que o crédito rural cumpra seu papel social e econômico.

“O produtor rural é o elo mais frágil dessa cadeia. Cabe a nós garantir que ele tenha acesso justo ao crédito e às informações necessárias para seguir produzindo com dignidade”, concluiu Coronel Fernanda.



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FPA defende derrubada de vetos à Lei Geral do Licenciamento Ambiental



A Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) defendeu a derrubada dos vetos presidenciais à Lei Geral do Licenciamento Ambiental (Lei nº 15.190/2025), durante reunião na terça-feira (14), em Brasília. O encontro, que reuniu lideranças do Congresso e representantes da Coalizão das Frentes Produtivas, discutiu os impactos das mudanças feitas pelo governo no texto aprovado após mais de 20 anos de tramitação.

Os setores produtivos afirmam que a manutenção dos vetos pode travar investimentos, afetar a geração de empregos e aumentar a insegurança jurídica. Segundo o consultor de infraestrutura José Américo, o atual sistema de licenciamento é excessivamente demorado e precisa ser modernizado.

“Nós temos empreendimentos fundamentais para o desenvolvimento do país que esperam 15, 20, 25 anos para serem liberados. É possível um processo bem menos moroso e mais ágil, permitindo ações desenvolvimentistas sem comprometer o aspecto ambiental”, afirmou.

A nova lei estabelece diretrizes para simplificar e agilizar o licenciamento de obras e atividades econômicas, abrangendo setores como agropecuária, energia, mineração, infraestrutura e logística. Dos cerca de 400 dispositivos aprovados pelo Congresso, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva vetou 63, sob o argumento de que alguns trechos poderiam fragilizar a proteção ambiental e a competência dos órgãos licenciadores.

A senadora Tereza Cristina (PP-MS) será a responsável por negociar com o governo e a liderança do Congresso para buscar um consenso antes da votação, marcada para quinta-feira (16), às 10h.

“Nós aqui desencadeamos uma ação que passa pela sessão do Congresso agora com derrubada de parte significativa dos vetos ou de todas. Eu só não digo integralmente todos, porque parte deles será contemplada na análise do projeto de lei e da medida provisória. O importante é manter um clima de unidade e construir regras para o desenvolvimento sustentável”, disse o deputado Arnaldo Jardim (Cidadania-SP), vice-presidente da FPA.

Já o representante da Frente Parlamentar do Empreendedorismo ( FPE) afirma que a mobilização não é contra o governo, mas em defesa do setor produtivo e do equilíbrio entre economia e meio ambiente.

“Nós vamos continuar dialogando com o governo. Isso não é contra o governo, é a favor do Brasil, a favor do setor produtivo. O que for possível negociar até amanhã à noite, nós vamos continuar nesse diálogo. Mas o que não for, vamos ao voto. A ideia é construir o que for melhor para o país”, disse Joaquim Passarinho, deputado federal (PL-PA) e presidente da FPE.

Entre os vetos mais polêmicos está o licenciamento especial em fase única, que permitiria a análise simplificada de empreendimentos considerados de baixo impacto ambiental. O governo defende que a licença única seja restrita a projetos prioritários do Executivo, com equipes técnicas específicas para garantir maior segurança.

A relatora da lei, senadora Tereza Cristina (PP – MS), alertou para a urgência em pautar os vetos, uma vez que a norma entra em vigor em fevereiro de 2026. Segundo ela, o texto vetado retira parte da autonomia de estados e municípios sobre responsabilidades ambientais em obras e empreendimentos locais.

Do lado do governo, o líder no Congresso, senador Randolfe Rodrigues (PT-AP), afirmou, em entrevistas à jornalistas, que há um esforço para buscar um acordo e preservar parte dos vetos presidenciais.

“Técnicos do governo e da Casa Civil estão realizando reuniões para discutir um meio-termo. Há um combinado com os congressistas para manter ao menos 15 dos 63 vetos. Se não houver acordo, iremos ao voto. Vamos nos esforçar ao máximo para construir consenso em torno do licenciamento. Se não for possível, paciência, o Congresso irá decidir”, disse Randolfe.

A votação que decidirá o destino dos vetos está prevista para esta quinta-feira (16), em sessão conjunta do Congresso Nacional.



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