quinta-feira, março 26, 2026

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Uso de biochar na agricultura é tema de capítulo de livro recém lançado


O livro “Saúde do Solo em Ecossistemas Tropicais: a base para mitigação e adaptação às mudanças climáticas”, iniciativa da Brazilian Soil Health Partnership (BSHP), do CCARBON/USP (Centro de Estudos de Carbono em Agricultura Tropical da Universidade de São Paulo – USP) e da Fundação de Estudos Agrários “Luiz de Queiroz” (Fealq), – editado por Maurício Roberto Cherubin, Carlos Roberto Pinheiro Júnior, Lucas Pecci Canisares e Carlos Eduardo Pelegrino Cerri – tem mais de 150 autores de 58 instituições de todas regiões do Brasil e acaba de ser lançado com o apoio da Fundação de Apoio à Pesquisa do estado de São Paulo (Fapesp) e da Nestlé.

O pesquisador da Embrapa Meio Ambiente (SP) Cristiano Alberto de Andrade é um dos autores do Capítulo 13 – Biochar na agricultura: impactos na saúde do solo, sequestro de carbono e produtividade das culturas (página 343) – juntamente com Amanda Ronix (CCARBON/USP), João Luis Nunes Carvalho ((LNBR/CNPEM), Fernanda Palmeira Gabetto (Esalq/USP), e os bolsistas Ruan Carnier e Matheus Antônio da Silva da Embrapa Meio Ambiente .

“Fomos convidados há cerca de um ano para participar da primeira publicação da Brazilian Soil Health Partnership (BSHP), iniciativa vinculada ao CCARBON/USP com previsão de lançamento próximo à COP30, em Belém, PA. Enviamos proposta de capítulo com o tema biochar (ou biocarvão) e saúde do solo, que coincidiu com o tema sugerido por colega do Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM). Unimos as equipes da Embrapa Meio Ambiente e do CNPEM para o trabalho conjunto e a definição de apresentação do conteúdo seguiu a lógica de avaliação da saúde do solo, empregando indicadores biológicos, químicos e físico-hídricos”, conta Andrade.

O pesquisador enfatiza que um ponto diferencial foi abordar, adicionalmente, respostas de produtividade das culturas no Brasil à aplicação do biochar, chegando a um número médio de 24% para ganho de produtividade quando o biochar é aplicado em conjunto com a adubação mineral e de 40% quando a referência é o solo não adubado.

Segundo ele, de forma geral, o trabalho para viabilização do livro exigiu comprometimento e entrosamento das equipes, numa agenda relativamente curta até o seu lançamento. “Todo o esforço foi recompensado pela publicação da obra, que representa um marco para a consolidação de aliança científica colaborativa no tema, para o treinamento e formação profissional de estudantes de graduação e pós-graduação e também para a aplicação de tecnologias no campo, visando à saúde do solo e à sustentabilidade da agricultura”, finaliza.

A Brazilian Soil Health Partnership é uma iniciativa vinculada ao Centro de Estudos de Carbono em Agricultura Tropical (CCARBON), dentro do macro programa de pesquisa “Solo” e coordenada pelo grupo de trabalho em Saúde do Solo. Como grupo de apoio à execução, está o Soil Health & Management Research Group – SOHMA (Esalq/USP) que conta com pesquisadores associados de todas as regiões do Brasil. Mais informações: https://brsoilhealthpartnership.com/

A CCARBON/USP tem como missão desenvolver soluções e estratégias inovadoras em agricultura tropical sustentável e de base carbônica.





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Lula edita decreto para validar acordo econômico entre Mercosul e Panamá



O presidente Luiz Inácio Lula da Silva editou decreto para dar validade ao Acordo de Complementação Econômica (ACE) assinado entre os países do Mercosul e o Panamá em dezembro de 2024. O texto foi publicado no Diário Oficial da União (DOU). O Panamá se tornou Estado Associado do bloco no fim do ano passado, durante a 65ª Cúpula do Mercosul realizada em Montevidéu, no Uruguai.

Entre os objetivos do acordo estão “estabelecer um marco jurídico que permita oferecer segurança e transparência aos agentes econômicos das Partes; estabelecer um marco normativo para promover e impulsionar os investimentos recíprocos; criar uma Área de Livre Comércio, mediante a eliminação de gravames, restrições e demais obstáculos que afetem o comércio recíproco, a fim de facilitar, expandir, diversificar e promover o intercâmbio comercial de bens, serviços e investimentos entre as Partes; promover a complementação e a cooperação econômica entre as Partes; fortalecer as relações entre os setores de logística e infraestrutura, entre outros; fomentar o uso eficiente das tecnologias da informação e a promoção do comércio eletrônico internacional; e alcançar o desenvolvimento harmônico na região, levando em consideração as assimetrias derivadas dos diferentes níveis de desenvolvimento econômico das partes”.



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Posição firme de produtores sustenta cotação do algodão



A posição firme dos vendedores e o interesse comprador por produtos de melhor qualidade deram certa sustentação aos preços do algodão em pluma no Brasil. Isso é o que indicam os levantamentos do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea).

Segundo pesquisadores do instituto, vendedores estão atentos ao bom avanço das exportações e focados no cumprimento de contratos no mercado doméstico. Já compradores buscam ajustar os estoques para as últimas semanas de atividades de 2025 e para o início de 2026. 

No front externo, na primeira quinzena de novembro, os embarques brasileiros de pluma somaram 244 mil toneladas, 18,5% inferior ao volume verificado em todo o mês de novembro de 2024 (299,5 mil toneladas), de acordo com dados da Secex.

Caso esse ritmo se mantenha até o encerramento do mês, o Brasil pode escoar mais de 460 mil toneladas em novembro.

*Sob supervisão de Luis Roberto Toledo



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Variações do indicador do arroz são menos intensas



Os preços do arroz em casca pagos aos produtores seguem em queda no Rio Grande do Sul. Isso é o que indicam os levantamentos do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea).

Pesquisadores do instituto destacam, contudo, que as variações têm sido menos intensas nesta semana. Muitos vendedores consultados pelo Cepea estão afastados do mercado spot, aguardando alguma ação oficial por parte do governo (por meio de leilões).

Além disso, esses agentes estão focados no avanço do cultivo da nova safra de arroz. Do lado comprador, enquanto alguns estavam ativos apenas para reposição de estoques, outros sinalizaram valores maiores, no intuito de formar estoques. Enquanto isso, as estimativas de oferta nacional seguem sendo ajustadas negativamente, mas não devem alterar a disponibilidade interna.

No cenário mundial, a oferta da temporada 2025/26 também deve ser semelhante à da temporada 2024/25. No campo, dados do dia 13 do Irga mostram que a semeadura da safra 2025/26 entrou na reta final no Rio Grande do Sul, com 86,31% já cultivados.

*Sob supervisão de Luis Roberto Toledo



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Caso Yanomami desmonta política de novas demarcações anunciada na COP30


Durante a COP30, em Belém, o governo anunciou o reconhecimento de quatro novas Terras Indígenas e a declaração de outras dez, apresentando o pacote como símbolo de compromisso ambiental e respeito aos povos originários. No discurso, parece um avanço. Na prática, ignora o ponto fundamental: não é falta de terra que ameaça a vida indígena, é falta de Estado. E nenhum caso revela isso com tanta clareza quanto os Yanomami.

A Terra Indígena Yanomami é a maior do Brasil, localizada no extremo norte da Amazônia, entre Roraima e Amazonas, estendendo-se também para território venezuelano. A área brasileira possui aproximadamente 9,6 milhões de hectares, foi homologada em 1992 e abrange toda a fronteira noroeste do país com a Venezuela. É um dos territórios mais importantes para a biodiversidade amazônica e para a sobrevivência cultural de centenas de aldeias.

Ou seja: se território fosse sinônimo de proteção, os Yanomami viveriam em segurança e dignidade. Mas a realidade é o oposto.

Mesmo dentro desse território colossal, os Yanomami enfrentam crianças morrendo de fome e desnutrição, epidemias de malária, pneumonia e doenças evitáveis, aldeias sem médicos ou equipes fixas de saúde, avanço contínuo do garimpo ilegal, circulação ativa de facções e narcotráfico, casos de exploração sexual, violência e desaparecimentos, além de destruição acelerada da floresta contaminada por mercúrio. É a maior prova de que terra sem Estado vira terra do crime, não terra de proteção.

O governo celebra novas demarcações como solução, mas a experiência Yanomami mostra o fracasso dessa lógica. Territórios enormes e isolados, sem saúde, educação, fiscalização e segurança, tornam-se mais vulneráveis ao garimpo e ao crime organizado. Demarcação sem presença estatal não protege a cultura, não salva vidas e não garante cidadania. Apenas cria novas áreas no mapa enquanto vidas reais continuam sendo destruídas.

A pergunta permanece: de que adianta aumentar território se o Estado não aparece dentro dele? A resposta é simples: não são hectares que salvam indígenas, são direitos, como saúde contínua, educação bilíngue, proteção policial, fiscalização firme, infraestrutura mínima, respeito às tradições e liberdade para viver sem medo. Nada disso nasce automaticamente com um decreto de demarcação.

A COP30 anuncia novas terras indígenas, mas enquanto o governo oferecer mapas no lugar de políticas públicas, continuará produzindo Terras Indígenas no papel e tragédias indígenas na vida real. Os Yanomami são o alerta mais doloroso: a terra não salva ninguém, o Estado salva.

Miguel DaoudMiguel Daoud

*Miguel Daoud é comentarista de Economia e Política do Canal Rural


Canal Rural não se responsabiliza pelas opiniões e conceitos emitidos nos textos desta sessão, sendo os conteúdos de inteira responsabilidade de seus autores. A empresa se reserva o direito de fazer ajustes no texto para adequação às normas de publicação.



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Retirada da tarifa de 10% dos EUA mantém risco competitivo ao café brasileiro



O governo dos Estados Unidos anunciou no final da semana passada a retirada da tarifa de 10%, aplicada em abril deste ano de forma generalizada às importações americanas. No entanto, o país manteve as sobretaxas de 40% que incidem especificamente sobre o café brasileiro, o que ainda gera preocupações no setor exportador.

Segundo pesquisadores do Cepea, a manutenção da tarifa de 40% tende a reduzir a competitividade do café nacional nos Estados Unidos, uma vez que concorrentes relevantes do Brasil tiveram barreiras totalmente eliminadas ou substancialmente reduzidas.

O risco central apontado por agentes do setor consultados pelo Cepea é a possível substituição estrutural do produto brasileiro no padrão de consumo norte-americano. Por um lado, a retirada da tarifa de 10% sinaliza uma disposição dos EUA em distensionar as relações comerciais. Porém, de outro, evidencia que o Brasil ainda ocupa uma posição vulnerável e está dependente da retirada integral da sobretaxa para recuperar a atratividade no mercado.

Pesquisadores do Cepea destacam que, caso esse quadro perdure, os volumes embarcados e os preços de exportação podem continuar pressionados. Dados do Cecafé mostram que, na parcial da safra 2025/26 (de julho/26 a outubro/26), os Estados Unidos deixaram de ocupar a liderança no destino do café brasileiro, sendo superados pela Alemanha. Na terceira posição está a Itália, que tem se aproximado dos Estados Unidos.

*Sob supervisão de Luis Roberto Toledo



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Feriado prolongado terá frente fria e temporais; veja a previsão do tempo



A quinta (20) e a sexta-feira (21) serão marcadas por mudanças importantes no tempo em várias regiões do país, com avanço de frentes frias, aumento das instabilidades e risco de temporais no Norte e Nordeste. Já o Centro-Sul terá períodos de sol e calor, mas com chuva localizada em alguns estados.

Sul

Quinta-feira (21):
O tempo segue firme em praticamente toda a região. O sol predomina e as temperaturas ficam elevadas, especialmente no interior. No litoral de Santa Catarina e do Paraná, o calor diminui à tarde e a variação de nuvens é maior.

Sexta-feira (22):
Uma nova frente fria avança pelo sul do Rio Grande do Sul ainda pela manhã, provocando pancadas de chuva fracas a moderadas — e localmente fortes — acompanhadas de trovoadas na metade sul gaúcha. Nas demais áreas do Sul, o dia será ensolarado e quente.

Sudeste

Quinta-feira (21):
A frente fria continua influenciando o extremo norte de Minas e o Espírito Santo, onde há previsão de pancadas moderadas, que perdem intensidade ao longo do dia no ES. No restante da região, o tempo fica firme e ensolarado, com nuvens passageiras no RJ, no ES e no leste mineiro.

Sexta-feira (22):
Ainda pode chover de forma fraca e isolada em áreas do Espírito Santo. No norte e noroeste de Minas, há risco de pancadas de chuva moderadas com trovoadas. Em São Paulo, Rio de Janeiro e demais áreas de Minas, o tempo segue firme. As temperaturas se elevam em toda a região.

Centro-Oeste

Quinta-feira (21):
Instabilidades continuam no norte de Goiás, norte e oeste de Mato Grosso, com pancadas fracas a moderadas e risco de chuva forte em pontos isolados. Nas demais áreas, o tempo permanece seco e quente. A umidade do ar segue baixa no noroeste de MS, no sudeste de MT e no sul de Goiás.

Sexta-feira (22):
As pancadas seguem no nordeste de Mato Grosso e em Goiás, ocorrendo de forma isolada durante a manhã e ganhando força à tarde no norte e oeste mato-grossense e norte goiano. Em Mato Grosso do Sul, o tempo é firme até o meio da tarde, quando uma baixa pressão vinda do Paraguai traz novas instabilidades para o oeste e o sudeste do estado. O calor continua predominando.

Nordeste

Quinta-feira (21):
A frente fria mantém a chuva em grande parte da Bahia, com intensidade moderada a forte e risco de temporais. Meio-sul do Piauí, Maranhão e oeste de Pernambuco também têm pancadas. Sergipe e outras áreas do NE registram chuva isolada.

Sexta-feira (22):
A instabilidade segue forte na Bahia, com temporais em pontos isolados. No sul do Maranhão e do Piauí, as pancadas continuam. Entre Alagoas e Paraíba, pode chover fraco. As temperaturas permanecem elevadas e o calor predomina no interior da região.

Norte

Quinta-feira (21):
Instabilidades ganham força no Pará e no Tocantins, com pancadas moderadas a fortes e risco de temporais. Amazonas, Acre, Rondônia e Roraima têm chuva fraca a moderada, com possibilidade de pancadas intensas em pontos isolados. No Amapá, a chuva é fraca e isolada.

Sexta-feira (22):
A chuva perde intensidade no Amazonas, mas ainda ocorre de forma fraca a moderada. Acre e Rondônia mantêm instabilidades. No Pará e no Tocantins, as pancadas seguem fortes. Em Roraima, a chuva diminui. No Amapá, o tempo volta a ficar mais firme.

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Mais de 80 países apoiam fim dos combustíveis fósseis



Representantes ministeriais de mais de 80 países declararam apoio oficial a um mapa do caminho para longe dos combustíveis fósseis proposto pelo Brasil, segundo o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima. O anúncio ocorreu na terça-feira (18) durante o evento Mutirão Call for a Fossil Fuel Roadmap, que reuniu uma coalizão de países do Norte e do Sul Global.

Mapa do caminho ou roadmap (em inglês) é o conceito usado para falar de planos de ação que estabelecem etapas e metas para um determinado objetivo.

A proposta ganhou força no início da Cúpula de Líderes da 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30), quando o presidente Lula convocou os países para construir um calendário global de abandono do petróleo, gás natural e carvão mineral.

Os nomes de todos os países ainda não foram divulgados, mas, no anúncio do apoio, falaram representantes da Alemanha, Dinamarca, Reino Unido, Quênia, Serra Leoa e Ilhas Marshall.

O secretário de Estado do Reino Unido, Ed Miliband, reforçou que se trata de uma mobilização inédita.

“Essa é uma grande coalizão do Sul Global e do Norte Global, todos dizendo em uma só voz que esse é um problema que não pode ser ignorado, não pode ser jogado para baixo do tapete. Nós temos uma oportunidade ao longo dos próximos dias para fazer da COP30 o momento de seguir em frente na transição para longe dos combustíveis fósseis”, disse Miliband.

Para países altamente vulneráveis, como Serra Leoa, o debate é uma questão de sobrevivência, alertou o ministro Jiwoh Abdulai.

“Para países como Serra leoa, que é um dos mais vulneráveis no mundo, o aumento de 1,5ºC na temperatura global é uma questão de sobrevivência. Não é só uma questão climática. É sobre nossa existência. Também é um problema econômico. Nós estamos chegando ao ponto de que o custo da adaptação está crescendo muito mais rápido do que podemos alcançar”, disse Abdulai.

A ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, celebrou o apoio e disse que é preciso colocar em prática efetivamente as promessas.

“Esses países mostram disposição de fortalecimento do multilateralismo climático, disposição de fazer o que se espera há mais de 30 anos, que é dar o devido encaminhamento para a principal causa do aquecimento do planeta. que é a emissão de CO₂. Sobretudo, a queima de petróleo, gás e carvão. Mas isso não se resolve como mágica. É preciso financiamento, diversificação econômica, que se multipliquem as bases tecnológicas, para a gente fazer esse percurso. Estamos há 30 anos atrasados, mas temos pressa”, disse Marina.

Marcelle Oliveira, jovem campeã do clima da COP30, destacou o protagonismo das novas gerações.

“Essa é uma prioridade absoluta como vocês podem ver ao redor com os exemplos a partir da intervenção nas Blue e Green Zone. E também na marcha liderada pela Cúpula dos Povos, que levou milhares de pessoas para as ruas em Belém. Para proteger nosso futuro e proteger o presente, nós precisamos do espírito de ação. Precisamos de um mundo novo, de uma economia nova, uma nova cultura”, disse Marcelle.

Marcio Astrini, do Observatório do Clima, avaliou que a proposta brasileira consolidou amplo apoio internacional.

“O que vimos hoje é que boa parte de quem estava na plateia ouvindo esse discurso subiu no palco junto com o presidente, apoia a mesma ideia e faz coro ao mesmo pedido. São mais de 80 países que querem ver como resolução desse encontro justamente esse mapa do caminho para longe dos fósseis”, disse Astrini.

Mas, enquanto autoridades celebravam o avanço diplomático, organizações territoriais e movimentos sociais denunciaram que a construção do roteiro global ignora justamente quem vive as consequências diretas da infraestrutura fóssil. Em nota, o Instituto Internacional Arayara disse que há uma contradição central entre o discurso do mapa do caminho e a realidade das comunidades afetadas, como indígenas, quilombolas e povos tradicionais.

“Um mutirão que é feito apenas por líderes de Estado, sem a presença das lideranças comunitárias, não é capaz de refletir a sabedoria de quem está no território, não consegue sanar suas dores e promover justiça climática. Fica, portanto, incompleto”, diz nota do instituto.



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Brasil lidera criação de aliança global para acelerar planos de adaptação na COP30



A COP30 anunciou nesta quarta-feira (18/11) a criação da Aliança de Implementação dos Planos Nacionais de Adaptação (NAPs), iniciativa que busca destravar recursos e ampliar a articulação global para ações de adaptação climática em larga escala. A plataforma é liderada pela Presidência da COP30, em parceria com Alemanha, Itália e Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD).

A nova aliança pretende facilitar o acesso a financiamentos públicos e privados para projetos ligados à adaptação, além de aproximar governos, bancos multilaterais, fundos de investimento e organizações do terceiro setor. O anúncio ocorreu em evento de Alto Nível na Zona Azul e reuniu representantes de diversos países e instituições internacionais.

Segundo Alice Amorim, diretora de Programas da Presidência da COP30, o encontro mostrou que há uma mobilização crescente para transformar os NAPs em ações concretas. “É um mutirão pela adaptação”, avaliou.

Um relatório recente do PNUD aponta que a demanda global por financiamento para adaptação é de 8 a 14 vezes maior do que o volume atualmente disponível. Entre os desafios, estão a necessidade de ampliar a capacitação técnica e fortalecer a transferência de tecnologia entre países.

Youssef Nassef, diretor de Adaptação da UNFCCC, reforçou que investimentos nessa área são urgentes. “Se adaptação não for paga em dinheiro, poderá custar vidas humanas”, alertou.

O Campeão de Alto Nível da COP30, Dan Ioschpe, afirmou que Belém deve marcar um ponto de virada. “Demos um enorme passo à frente com a criação dessa Aliança”, disse.

O Brasil também avançou na elaboração do seu Plano Nacional de Adaptação, embora o documento ainda não tenha sido oficialmente submetido à UNFCCC. Segundo Aloísio Melo, secretário Nacional de Mudança do Clima, o processo identificou 560 municípios mais vulneráveis.

O debate contou com representantes da Alemanha, Itália, Vanuatu e Quênia, além de bancos multilaterais como BID e Banco Asiático de Desenvolvimento, o Fundo Verde para o Clima (GCF), Fundo de Adaptação e organizações como NAP Global Network e NDC Partnership. Filantropias como Itaúsa e ClimateWorks também participaram.

O que são os NAPs

Os Planos Nacionais de Adaptação orientam como os países pretendem se preparar para os impactos da mudança do clima no médio e longo prazo. Eles ajudam a reduzir vulnerabilidades e alinham ações para proteger populações, infraestrutura, economia e meio ambiente. Embora não sejam obrigatórios — ao contrário das NDCs — os NAPs permitem acessar financiamento climático e fortalecer a cooperação internacional.

Esses planos são especialmente importantes para regiões mais expostas a eventos extremos, como tempestades, inundações, ondas de calor e secas. Países menos desenvolvidos e pequenos estados insulares estão entre os mais vulneráveis.

Em 2025, 11 países apresentaram seus NAPs atualizados. No total, 71 nações já enviaram o documento à UNFCCC.

Fundo de Adaptação recebe quase US$ 135 milhões

O Fundo de Adaptação, mecanismo criado pela UNFCCC em 2001 para apoiar países em desenvolvimento, recebeu quase US$ 135 milhões durante o ciclo da Presidência brasileira na COP30. As doações anunciadas e já efetivadas são:

  • Bélgica (Região da Valônia): US$ 3,31 milhões
  • Alemanha: € 60 milhões (US$ 69,36 milhões)
  • Islândia: US$ 0,62 milhão
  • Irlanda: US$ 11,56 milhões
  • Luxemburgo: US$ 5,78 milhões
  • Portugal: US$ 1,16 milhão
  • Coreia do Sul: US$ 0,84 milhão
  • Espanha: US$ 23,12 milhões
  • Suécia: US$ 13,28 milhões
  • Suíça: US$ 5,16 milhões



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AgroNewsPolítica & Agro

Mercado do boi gordo abre semana estável



Frango estável e suíno em alta no atacado



Foto: Canva

A análise divulgada nesta segunda-feira (17) pelo informativo “Tem Boi na Linha”, da Scot Consultoria, aponta estabilidade nas cotações do boi gordo em São Paulo. Segundo o boletim, “o mercado abriu a semana com poucos negócios” e “a cotação permaneceu firme, com o preço de referência sendo o mesmo da última semana”. As escalas de abate seguem atendendo, em média, a sete dias.

No Mato Grosso do Sul, o relatório indica pressão no mercado. De acordo com a análise, “a ponta compradora ofereceu menos pela arroba”, mas esses valores não se consolidaram como referência. A consultoria reforça que “será preciso acompanhar como os compradores se posicionarão nos próximos dias” e confirma que as cotações “permaneceram estáveis no estado”.

O informativo também registrou mudanças no atacado de carne com osso. Após semanas de preços firmes, algumas categorias apresentaram recuo, reflexo de “uma semana de vendas em ritmo mais moroso”. A carcaça casada do boi capão caiu 1,8% e passou a ser negociada a R$ 22,00 por quilo, enquanto a do boi inteiro manteve o valor de R$ 21,40 por quilo.

Entre as fêmeas, a cotação permaneceu estável para a vaca, comercializada a R$ 20,65 por quilo. Já a novilha registrou queda de 0,7% e passou a ser negociada a R$ 21,15 por quilo.

No mercado de carnes alternativas, o frango médio manteve-se em R$ 7,40 por quilo. O suíno especial apresentou alta de 1,6% e foi comercializado a R$ 13,00 por quilo.





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