domingo, março 29, 2026

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Embarques de carne suína sobem 10,1% em outubro e alcançam 2º maior resultado histórico



As exportações brasileiras de carne suína, somando produtos in natura e processados, totalizaram 144 mil toneladas em outubro, segundo informações divulgadas pela Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) nesta segunda-feira (10).

O volume é o segundo maior resultado mensal da série histórica e representa um aumento de 10,1% em relação a outubro de 2024, quando foram embarcadas 130,9 mil toneladas.

A receita obtida com as vendas externas somou US$ 343,6 milhões, crescimento de 9,7% frente ao mesmo mês do ano anterior, quando foram registrados US$ 313,3 milhões.

Acumulado de 2025 já supera receita de todo 2024

De janeiro a outubro, o Brasil exportou 1,266 milhão de toneladas de carne suína, aumento de 12,9% em relação ao mesmo período do ano passado.

A receita acumulada chegou a US$ 3,046 bilhões, avanço de 22,7% sobre os US$ 2,482 bilhões obtidos entre janeiro e outubro de 2024.

O valor já ultrapassa o total de exportações de 2024, que somou US$ 3,033 bilhões, configurando novo recorde histórico para o setor.

Filipinas lideram as importações

As Filipinas se mantêm como principal destino das exportações de carne suína brasileira, com 46,3 mil toneladas embarcadas em outubro, alta de 21% sobre o mesmo mês de 2024.

Na sequência aparecem:

  • Japão (10,7 mil toneladas, +5,9%);
  • México (10,05 mil toneladas, +27,1%);
  • China (10,03 mil toneladas, -47,6%);
  • Hong Kong (8,4 mil toneladas, -1,3%);
  • Chile (7,8 mil toneladas, -17,8%);
  • Vietnã (7 mil toneladas, +21,4%);
  • Singapura (5,4 mil toneladas, +19,6%);
  • Costa do Marfim (4,1 mil toneladas, +266,7%);
  • Uruguai (4 mil toneladas, +10,8%).

“Temos visto um forte incremento da capilaridade das exportações de carne suína, com importantes mercados mundiais ganhando mais representatividade dentre os destinos dos embarques brasileiros, como é o caso do Japão e do México”, disse Ricardo Santin, presidente da ABPA, em comunicado à imprensa.

“Os resultados alcançados até aqui consolidam a projeção de crescimento traçada pelo setor para o ano de 2025, com perspectivas positivas que deverão se seguir até o próximo ano”, acrescentou.

Santa Catarina lidera exportações estaduais

Entre os estados exportadores, Santa Catarina lidera os embarques, com 69 mil toneladas exportadas em outubro, alta de 0,6% na comparação anual.

Em seguida aparecem o Rio Grande do Sul, com 36,5 mil toneladas (+32%), Paraná, com 22,2 mil toneladas (+7,6%), Minas Gerais, com 3,7 mil toneladas (+13,9%), e Mato Grosso, com 3,5 mil toneladas (+14,2%).



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Morre Eliana de Rezende, primeira mulher a integrar corpo técnico da ABCZ



A Associação Brasileira dos Criadores de Zebu (ABCZ) anunciou com pesar o falecimento da técnica de registro e jurada efetiva da entidade, Eliana de Rezende Ferreira, ocorrido nesta segunda-feira (10). Natural de Juiz de Fora, Minas Gerais, Eliana marcou a história da pecuária nacional ao ser a primeira mulher a integrar o corpo técnico da ABCZ, abrindo caminho para outras profissionais e se tornando um exemplo de dedicação e excelência.

Formada em Medicina Veterinária pela Universidade Federal Fluminense (UFF) e pós-graduada em Microbiologia e Virologia, Eliana construiu uma trajetória sólida e inspiradora. Atuou no Rio de Janeiro, Espírito Santo e Rio Grande do Sul e, há 13 anos, fazia parte da equipe do Escritório Técnico Regional da ABCZ em Belo Horizonte, Minas Gerais.

Com quase quatro décadas de contribuição à entidade, a técnica era reconhecida pelo trabalho comprometido e pela relação próxima com os criadores. Sua atuação foi decisiva para o avanço do Programa de Melhoramento Genético de Zebuínos (PMGZ), levando orientação técnica, confiança e entusiasmo aos pecuaristas.

Além do trabalho em campo, ela foi uma das primeiras mulheres a atuar como jurada na ExpoZebu, participando de avaliações de destaque e reforçando a presença feminina em um espaço tradicionalmente masculino.

Em reconhecimento à sua trajetória, recebeu o Mérito ABCZ Mulher durante a 11ª ExpoGenética, em 2018, e foi novamente homenageada em 2024, na 17ª edição do evento, pelo Museu do Zebu, por sua contribuição essencial ao desenvolvimento da pecuária zebuína.

“Nossos sentimentos a toda a família. Eliana era muito querida”, lamentou o Presidente da ABCZ, Gabriel Garcia Cid.



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COP30: Sistema CNA/Senar inaugura Pavilhão AgroBrasil em Belém



O Sistema CNA/Senar inaugurou, nesta segunda-feira (10), o Pavilhão AgroBrasil, abrindo oficialmente sua participação na COP30, que ocorre até 21 de novembro, em Belém (PA). O espaço está localizado na AgriZone, instalada na sede da Embrapa Amazônia Oriental, e reúne iniciativas voltadas à sustentabilidade da agropecuária brasileira.

O pavilhão apresentará projetos, exemplos e ações do agro nacional que demonstram o papel do setor na mitigação das mudanças climáticas e na promoção da segurança alimentar e energética.

Na cerimônia de abertura participaram o presidente da Comissão Nacional de Meio Ambiente da CNA, Muni Lourenço; o diretor-geral do Senar, Daniel Carrara; a presidente da Embrapa, Sílvia Massruhá; o presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Pará (Faepa), Carlos Xavier; o diretor-geral do IICA, Manuel Otero; o diretor técnico do Sebrae Nacional, Bruno Quick; e o presidente do Sistema OCB Pará, Ernandes Raiol.

O público presente incluiu presidentes de federações de agricultura e pecuária, superintendentes do Senar, produtores rurais e representantes de entidades parceiras.

A programação do Pavilhão AgroBrasil contará com dias temáticos, voltados às cadeias produtivas de grãos, café, frutas, cacau, pecuária de corte, aves, suínos e pescados, além de painéis sobre práticas sustentáveis, agroenergia, segurança alimentar e comunicação. Também serão exibidas tecnologias aplicadas no campo, vídeos e debates técnicos.

Durante o evento, Muni Lourenço destacou o compromisso do setor com a sustentabilidade e a segurança alimentar. “O agro tem uma presença à altura de sua importância, alimenta mais de um bilhão de pessoas e cumpre uma das legislações ambientais mais rigorosas do mundo”, afirmou.

Lourenço ressaltou ainda o papel da AgriZone, considerada uma iniciativa inédita nas conferências climáticas da ONU. “É o momento de mostrar que a produção de alimentos e a preservação ambiental caminham juntas, com base na ciência e em tecnologias transferidas por instituições como a Embrapa e o Senar”, disse.

O diretor-geral do Senar, Daniel Carrara, apresentou a programação do Sistema CNA/Senar na AgriZone e na Blue Zone, destacando a parceria com a Embrapa para evidenciar a realidade da produção sustentável no país.

A presidente da Embrapa, Sílvia Massruhá, reforçou que o trabalho conjunto entre os setores público e privado é fundamental para mostrar os avanços da agricultura sustentável nos seis biomas brasileiros. Segundo ela, a ciência e a tecnologia têm papel central na adaptação da produção aos diferentes tipos de solo e clima. “Precisamos incentivar tecnologias de baixo carbono e ampliar parcerias público-privadas para tornar a agricultura ainda mais sustentável e resiliente”, afirmou.

O presidente da Faepa, Carlos Xavier, deu as boas-vindas aos participantes e destacou a atuação do presidente da CNA, João Martins, na defesa do produtor rural, especialmente dos pequenos.

O diretor-geral do IICA, Manuel Otero, enfatizou o papel dos agricultores do continente americano na segurança alimentar e energética global. “Os produtores cuidam do solo e garantem a paz por meio da produção de alimentos”, declarou.

O diretor técnico do Sebrae, Bruno Quick, defendeu a valorização da bioeconomia amazônica e a remuneração dos produtores por ações de preservação ambiental. Ele destacou o projeto Juntos pelo Agro, desenvolvido em parceria com o Sistema CNA/Senar, que atua no fortalecimento das cadeias produtivas na região.

Encerrando os discursos, o presidente do Sistema OCB Pará, Ernandes Raiol, ressaltou o papel das cooperativas na recuperação ambiental. “Quando todos cooperam, todos crescem”, afirmou.



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Chegada de frente fria traz risco de chuvas acima de 100 mm em algumas regiões do país



A passagem de uma frente fria volta a trazer chuva para o norte de Minas Gerais e o sul da Bahia nos próximos dias. Segundo o meteorologista do Canal Rural, Arthur Müller, as imagens de satélite mostram um corredor de umidade que se estende do Espírito Santo até o Maranhão, beneficiando também áreas do norte do Tocantins e do sul do Pará.

“Essa é uma chuva muito bem-vinda para produtores da região, que enfrentavam semanas de tempo firme e baixa umidade”, explica Müller.

No entanto, há alerta para temporais isolados nesta tarde em Rondônia, Mato Grosso e norte de Goiás. Nessas áreas, o risco maior é de rajadas de vento entre 50 e 70 km/h e forte atividade elétrica, sem expectativa significativa de granizo.

Nas demais regiões do país, o tempo segue firme. As temperaturas permanecem elevadas em Cuiabá, no norte do Piauí e do Ceará, com máximas próximas de 36°C. Já no Sul, os termômetros variam entre 25°C e 29°C, mas com noites mais frias e amplitude térmica elevada, condição que pode impactar granjas de aves e suínos.

Sobre as cidades do Paraná atingidas por tornados na último fim de semana, Müller afirma que uma nova frente fria deve avançar entre quarta e quinta-feira, mas sem risco de chuvas volumosas. “É uma chuva fraca, passageira, que não deve atrapalhar os trabalhos de reconstrução”, diz.

No Centro-Oeste, os maiores acumulados se concentram no sul de Mato Grosso, sul de Goiás e Mato Grosso do Sul, com volumes que podem chegar a 80 mm em cinco dias. No recôncavo baiano, os acumulados podem ultrapassar 100 mm.

No Norte, o período chuvoso começa a ganhar ritmo, avançando para Rondônia, Acre e sul do Pará, tendência que deve se consolidar entre o fim de novembro e o início de dezembro.

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AgroNewsPolítica & Agro

Pecuária de baixo carbono ganha espaço na COP30


Protocolo de Carne de Baixo Carbono (CBC), Boas Práticas Agropecuárias (BPA) – bovinos e bubalinos de corte e estoque de carbono no bioma Pantanal são as tecnologias que a Embrapa Gado de Corte levará a Belém, durante a COP30, na vitrine viva da Embrapa preparada para a Conferência.

O Protocolo CBC, desenvolvido pela Embrapa, é o primeiro do Brasil a estabelecer um conjunto de critérios e procedimentos auditáveis e certificáveis, que garantem a redução das emissões de Gases de Efeito Estufa pelo sistema produtivo da bovinocultura de corte e a obtenção de um selo para a carne, que possibilita ao consumidor optar por um produto com atributos de descarbonização nas gôndolas dos supermercados.

A iniciativa está associada a sistemas pecuários sem a presença de árvores, que a partir das boas práticas agropecuárias, envolvendo a recuperação e manejo correto da pastagem, e integração lavoura-pecuária, promovem aumento do estoque de carbono no solo, mitigando as emissões de GEE do sistema.

Para validar as orientações técnicas do protocolo CBC, a Embrapa realizou experimentos durante dois ciclos de produção (2019 a 2021) em um ambiente de produção comercial no Oeste baiano. Essa validação serve como modelo de certificação da marca-conceito CBC nas fazendas de pecuária de corte que desejarem adotar esse modelo, que estará disponível para os produtores, após o lançamento, na plataforma Agri Trace Rastreabilidade Animal, da Confederação Nacional da Agricultura (CNA).

Boas Práticas

Eficiência, sustentabilidade e competitividade formam o tripé do Programa de Boas Práticas Agropecuárias (BPA) – bovinos de corte, que com mais de 20 anos de existência, passou por profunda transformação. O novo Programa BPA busca agora uma abordagem integrada, envolvendo técnicos, pesquisadores e produtores rurais, para saltar das 200 propriedades, atualmente credenciadas para mil, nos próximos três anos.

Entre as mudanças, está a inclusão dos bubalinos de corte no Manual de BPA, já que antes era restrito aos bovinos. O tema da função social do imóvel incorporou os quesitos de legislações trabalhistas e ambiental, que antes apareciam dispersos. Abriu-se espaços para gestão ambiental e de pessoas para quesitos que, de fato, são gerenciáveis, que exigem a tomada de decisão, como por exemplo, separação e destinação correta de resíduos sólidos, e bonificação por desempenho.

A adesão ao Programa BPA é gratuita e voluntária e os produtores podem participar com três níveis de engajamento. No primeiro, o material disponibilizado pela Embrapa no site do BPA serve como guia de implantação na propriedade, sem vínculo formal com o Programa. Já no segundo, apesar de a implantação ser independente, a verificação de conformidade e emissão de atestado de adequação se dá por técnico credenciado BPA. Por fim, no nível três, há acompanhamento técnico desde a verificação inicial até a implantação total.

Pantanal e carbono

Outro tema presente na COP30 é um estudo inédito que revela o potencial estratégico de estoque de carbono na Bacia do Alto Paraguai. A pesquisa, desenvolvida por equipes da Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (UEMS), Associação dos Criadores de Mato Grosso (Acrimat) e Embrapa Gado de Corte (MS) mapeou os estoques de carbono na Bacia do Alto Paraguai e aponta oportunidades para conservação e desenvolvimento sustentável.

O estudo foi conduzido utilizando imagens do satélite Landsat e ferramentas avançadas de sensoriamento remoto e geoprocessamento, com base no Protocolo UEMS. Foram analisadas 59 localidades da Bacia do Alto Paraguai (BAP), com atenção especial às áreas do bioma Pantanal (MS e MT).

Os cálculos envolveram índices de vegetação (NDVI), classificação espectral e validação em campo, permitindo mapear os estoques de carbono em vegetações nativas e alteradas, e o resultado é um panorama científico inédito sobre a capacidade de fixação de carbono da região e seu papel no enfrentamento das mudanças climáticas.





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‘A tecnologia pode tornar a descarbonização viável e acessível’, diz líder global da UPL



O CEO global do Grupo UPL, Jai Shroff, afirmou que a tecnologia tem papel decisivo na transição climática e pode tornar o processo de descarbonização “não apenas viável, mas também economicamente acessível”. A declaração foi feita durante a Cúpula do Clima realizada em Belém (PA), nos dias 6 e 7 de novembro, evento que reuniu líderes de 143 países e antecede a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP30), que começou nesta segunda-feira (10).

O executivo foi convidado pelo governo brasileiro, por meio do embaixador André Corrêa do Lago, secretário de Clima, Energia e Meio Ambiente do Ministério das Relações Exteriores e presidente da COP30. A cúpula, organizada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, teve como foco o papel da Amazônia e das florestas tropicais no enfrentamento das mudanças climáticas.

Para Shroff, o encontro em Belém mostrou avanços concretos na mobilização global. “Foi ótimo ver tantos líderes comprometidos com a iniciativa da floresta tropical. Acho muito empolgante ver esses compromissos sendo assumidos”, afirmou.

Ele também ressaltou que as discussões sobre preservação ambiental e financiamento para as florestas são essenciais para alcançar resultados duradouros. “Havia um sentimento geral de otimismo, a sensação de que bons avanços estavam sendo alcançados. As pessoas realmente confiam que a tecnologia pode tornar o processo de descarbonização não apenas viável, mas acessível”, disse.

Segundo o CEO, a COP é um catalisador para essa transição. “Estou muito mais otimista hoje do que quando cheguei ao Brasil. Eu não tinha certeza, diante de todos os desafios que o mundo enfrenta, se haveria um compromisso real. Mas pude ver que muitos países e líderes estão totalmente comprometidos com essa causa.”

Shroff defendeu que o sucesso da agenda climática depende da cooperação entre diferentes setores. “Todos fazemos parte do mesmo planeta e precisamos salvá-lo. Quando o mundo inteiro se une, podemos causar um enorme impacto. É exatamente isso que a COP faz: reúne todas as partes interessadas, promove o diálogo e busca soluções.”

A UPL, uma das cinco maiores empresas de soluções agrícolas do mundo e líder global em biossoluções, participará da COP30 em dois espaços. Na AgriZone, área organizada pela Embrapa, a companhia apresentará a Agrosfera, ambiente dedicado à sustentabilidade na produção de alimentos. A iniciativa integra a campanha “Heróis da Agrosfera”, que destaca agricultores de diferentes países que adotam práticas sustentáveis, contribuindo para reduzir emissões de gases de efeito estufa, regenerar o solo e preservar a biodiversidade.

A empresa também marcará presença na Blue Zone, área oficial das negociações da ONU, com um estande que servirá café carbono negativo da marca Mió, produzido em Minas Gerais com insumos do portfólio da UPL. O produto captura mais CO₂ do que emite e será o café oficial do espaço, simbolizando o papel do agro brasileiro na agenda de descarbonização.

Durante a conferência, Jai Shroff atuará como copresidente do Grupo de Trabalho de Sistemas Alimentares da Sustainable Business COP (SBCOP), iniciativa coordenada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) para ampliar a participação do setor privado nas negociações climáticas globais.

Com presença em 140 países, a UPL pretende usar a COP30 para reforçar seu compromisso com a inovação e a sustentabilidade na agricultura, destacando o papel dos produtores como agentes da transição climática e da segurança alimentar global.



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Entenda o que causou o tornado com ventos acima de 300 km/h que destruiu cidade no Paraná



O tornado que devastou Rio Bonito do Iguaçu, no Paraná, no último fim de semana, foi preliminarmente classificado como F4, com ventos que podem ter superado os 300 km/h. A avaliação é do meteorologista do Canal Rural, Arthur Müller

“É comum termos ciclones extratropicais e até formação de tornados no Sul do Brasil. O que é raro é um tornado dessa magnitude atingir diretamente uma área urbana. Quando isso acontece, o estrago é praticamente inevitável”, afirmou.

Segundo Müller, a formação do tornado está relacionada à presença de tempestades supercélulas inseridas dentro do sistema associado ao ciclone extratropical que atuava na região.

“Essas supercélulas são tempestades muito organizadas e com rotação interna. Elas têm capacidade de produzir ventos extremos e gerar tornados”, explicou. “Nossas estimativas apontam para um F4, o que significa rajadas passando dos 300 km/h. Com essa intensidade, quase nada permanece de pé.”

Diferença entre os fenômenos

Para reduzir confusões comuns, Müller reforçou a diferença entre tornado, ciclone extratropical e furacão:

“O tornado é aquele funil que toca o solo e causa destruição numa faixa estreita. A gente consegue ver a estrutura dele. Já o ciclone extratropical é um sistema muito maior, que aparece nas imagens de satélite com aquele formato de vírgula. E o furacão depende de águas quentes para se formar e é outro tipo de sistema.”

Alertas

O meteorologista também destacou que alertas para tempestades severas estavam ativos antes do fenômeno tocar o solo.

“Havia uma área de risco indicada. Quando falamos em área de risco, não significa que o tornado vai acontecer exatamente ali, mas que há potencial. A população tem que estar atenta quando esse tipo de alerta é emitido”, afirmou.

Segundo Müller, a comunicação do risco ainda é um desafio no Brasil. “A informação precisa chegar às pessoas antes, não depois da tragédia. Grande parte do trabalho é educativo. Muita gente só lembra da meteorologia quando a desgraça acontece, e prevenção salva vidas”.



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Empresa oferece dados agrícolas de 74 milhões de hectares coletados em mais de 30 países



Uma plataforma com inteligência artificial para agricultores que já acumula dados agrícolas em mais de 30 países, somando 74 milhões de hectares. Foi o que a Syngenta anunciou nesta segunda-feira (10), durante a Agritechinca 2025, em Hannover, na Alemanha.

Assim, aos produtores rurais e desenvolvedores terceirizados de todo o globo, a companhia “abriu” o Cropwise, ferramenta que opera há 25 anos e tem como objetivo acelerar a transformação digital da agricultura.

O diretor global de Informação e Digital da empresa, Feroz Sheikh, conta que a decisão permitirá que modelos agronômicos avançados possam ser incorporados em novas ferramentas e aplicativos, algo que ajudará agricultores a ter acesso a tecnologias mais inteligentes e conectadas. “Temos como meta chegar a 100 milhões de hectares digitalizados até 2030”, destaca.

Ainda que nenhum talhão seja igual ao outro, ter no bolso uma ferramenta em que é possível consultar os melhores fungicidas para doenças na lavoura ou recomendações de sementes adequadas ao clima com base em milhões de respostas ao longo de décadas de experimentação pode oferecer mais segurança aos homens e mulheres do campo.

Entre os focos estão as pequenas propriedades que, nos cálculos da empresa, somam 510 milhões em todo o mundo. Porém, no Brasil, o velho problema da conectividade continua como um entrave. Uma nova pesquisa da Ipsos, realizada em parceria com a Syngenta, constatou que a lacuna digital na agricultura global está aumentando, com as grandes fazendas avançando rapidamente na adoção de IA e ferramentas digitais, enquanto os pequenos correm o risco de ficar para trás.

Como parte dessa solução, o líder de Digital AgTech da empresa, o brasileiro André Piza, conta que a companhia enxerga em uma futura parceria com a Starlink, do bilionário Elon Musk, a solução economicamente mais viável para o país, ao menos por enquanto.

“Os pequenos e os médios produtores devem ter as mesmas ferramentas que os grandes dispõem sem que seja preciso investir pesado na infraestrutura”, ressaltou.

*O jornalista viajou para a Alemanha a convite da DLG, organizadora da Agritechinica 2025



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Brasil e Argentina acertam regionalização para exportação de aves



Brasil e Argentina assinaram, na última sexta-feira (7), um protocolo de reconhecimento mútuo dos sistemas oficiais de zoonificação e compartimentação para Influenza Aviária de Alta Patogenicidade e Doença de Newcastle. A informação foi confirmada pelo ministro da Agricultura, Carlos Fávaro.

“Com base em avaliações técnicas realizadas, concluiu-se que o sistema brasileiro oferece garantias sanitárias equivalentes ao da Argentina”, afirmou o ministro, em vídeo nas redes sociais. Ele participou de agendas bilaterais na Argentina.

Regionalização será aplicada

O novo protocolo vai permitir a regionalização em caso de doenças sanitárias. “Em caso de foco, será aplicada uma zona de restrição de 10 km ao redor do evento sanitário. Fora da zona, as áreas permanecem abertas ao comércio bilateral”, explicou Fávaro.

O pleito brasileiro foi levado à Argentina em setembro deste ano, quando Fávaro pediu ao secretário de Agricultura, Pecuária e Pesca da Argentina, Sergio Iraeta, a adoção de um protocolo de regionalização entre os países para o comércio de carne de frango.

A regionalização permite, em eventuais casos da Doença de Newcastle ou da Influenza Aviária de Alta Patogenicidade, restringir os embargos comerciais apenas à área afetada, município ou estado.

Neste ano, as exportações de frango brasileiro à Argentina ficaram suspensas de 16 de maio a 4 de julho, em virtude da ocorrência de um caso de gripe aviária em uma granja comercial em Montenegro, no Rio Grande do Sul, conforme previa o protocolo sanitário acordado entre os países.



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Brasil bate recorde e registra maior exportação de carne bovina da história em outubro



O Brasil exportou mais de 357 mil toneladas de carne bovina em outubro de 2025, o maior volume mensal já registrado desde o início da série histórica, em 1997. Os dados são do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC/Secex) e foram compilados pela Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec). O resultado supera em 1,5% o recorde anterior, registrado em setembro, e representa alta de 18,7% em relação ao mesmo mês de 2024.

A receita também avançou e atingiu US$ 1,90 bilhão em outubro, uma expansão de 39,1% na comparação anual. No acumulado de janeiro a outubro, o país embarcou 2,79 milhões de toneladas e US$ 14,31 bilhões, crescimento de 16,6% em volume e 35,9% em valor frente ao mesmo período de 2024. Ao todo, a carne bovina brasileira foi enviada para 162 mercados neste ano. Mantido o ritmo atual, o país deve superar em novembro o recorde anual de 2024 (2,89 milhões de toneladas).

Carne in natura domina os embarques

A carne bovina in natura correspondeu à maior parte dos embarques em outubro, com 320,5 mil toneladas (89,7% do total) e receita de US$ 1,77 bilhão (93,5% do total). Também foram exportados miúdos, produtos industrializados, gorduras, tripas e carnes salgadas. O preço médio da carne in natura exportada no mês foi de US$ 5.539 por tonelada.

China segue como principal destino

A China permaneceu como principal destino da carne bovina brasileira em outubro, com 190,8 mil toneladas (53% do total exportado no mês) e US$ 1,04 bilhão em receita. Em seguida, apareceram União Europeia, Estados Unidos, Chile, Filipinas, México, Egito, Rússia, Arábia Saudita e Hong Kong.

No acumulado do ano, a China responde por 48,1% do volume exportado pelo Brasil e 49,7% da receita, seguida pelos Estados Unidos e México.

Mercados que mais ampliaram suas compras em 2025 incluem México (+213%), União Europeia (+109%), China (+75,5%), Rússia (+50,4%) e Estados Unidos (+45%).

Exportações aos EUA se mantêm apesar de tarifas

Mesmo após a adoção de tarifas adicionais pelos Estados Unidos, o Brasil manteve o ritmo de embarques para o país. Entre janeiro e outubro, foram enviadas 232 mil toneladas, alta de 45% na comparação anual, superando todo o volume de 2024.

Para o presidente da Abiec, Roberto Perosa, o desempenho confirma a competitividade da carne bovina brasileira e o avanço na abertura de novos mercados.

“O Brasil segue ampliando sua presença internacional com qualidade e regularidade de fornecimento. É importante lembrar que apenas cerca de 30% da carne produzida no país é exportada; a maior parte abastece o mercado interno, o que demonstra o equilíbrio entre atender a demanda brasileira e consolidar nossa posição como um dos principais fornecedores globais”, afirmou.

A Abiec reúne 47 empresas responsáveis por 98% das exportações de carne bovina do país e trabalha na promoção internacional do produto brasileiro.



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