Chegou ao fim o período do vazio sanitário em Mato Grosso do Sul. Após 90 dias de suspensão do plantio da soja, os produtores do estado finalmente podem dar início à semeadura, no entanto, há um fator que impacta diretamente no início da semeadura: a falta de chuva.
De acordo com Jorge Michelc, presidente da Aprosoja-MS, os produtores enfrentarão vários desafios a partir de agora. “Os principais obstáculos incluem as condições climáticas adversas e a organização financeira dos produtores, que sofreram perdas significativas nas safras anteriores”, explica o presidente.
Michelc comenta que as últimas duas safras foram desafiadoras para os produtores rurais devido às condições climáticas que impactaram no potencial produtivo. “Para a safra 2024/2025, a previsão é de uma produção de 13,9 milhões de toneladas de soja, representando um aumento de 13,2% em relação à safra anterior, que foi de 12,3 milhões de toneladas”, acrescenta Michelc.
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À espera da chuva
Foto: Freepik
As chuvas em Mato Grosso estão abaixo da média. No entanto, o Instituto Nacional de Meteorologia (INMET) prevê uma melhora no cenário para setembro, aliviando a situação para o produtor. Apesar disso, na principal região produtora da soja no estado, a região sul, a média de chuvas deve ficar abaixo dos 50%. Em outubro, as expectativas são mais otimistas, com chances de chuvas até 60% acima do esperado.
O movimento de alta nos preços da soja foi interrompido nos últimos dias, devido às expectativas de maior oferta mundial. Dados divulgados pelo USDA na quinta-feira (12), apontam que a temporada 2024/25 é estimada em volume recorde, de 429,2 milhões de toneladas, 8,73% superior à safra anterior.
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A produção brasileira, por sua vez, deve passar de 153 milhões de toneladas em 2023/24 para 169 milhões de toneladas na 2024/25.
Segundo pesquisadores do Cepea, a entrada da safra 2024/25 no Hemisfério Norte se aproxima, mas ainda há de se esperar o cultivo, desenvolvimento e colheita da soja especialmente na América do Sul.
Há também preocupações com o clima seco no Brasil, mas a previsão de chuvas em partes do país para as próximas semanas já está levando produtores a iniciarem o cultivo da nova temporada.
A sessão eletrônica da Bolsa de Mercadorias de Chicago (CBOT) para o complexo da soja chega ao intervalo com preços mais baixos para o grão e óleo e cotações mais altas para o farelo. O mercado se estende às perdas da sexta-feira, pressionado pela expectativa de uma safra cheia nos Estados Unidos.
Nem mesmo a forte desvalorização do dólar frente às outras moedas é capaz de garantir uma reação. No final do dia desta segunda-feira (16), será divulgado o relatório de condições das lavouras do país. Antes, saem as inspeções de exportação norte-americanas.
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Números
Foto: R.R. Rufino/Embrapa
Os contratos com vencimento em novembro de 2024 tinham preço de US$ 10,04, 1/2 por bushel, recuo de 1,75 centavo de dólar por bushel ou 0,17%. A posição janeiro de 2025 era cotada a US$ 10,23 3/4 por bushel, perda de 1,00 centavos de dólar por bushel ou 0,09%.
No farelo, dezembro de 2024 tinha preço de US$ 324,30 por tonelada, elevação de US$ 1,40 por tonelada ou 0,43%. Já a posição dezembro de 2024 do óleo era cotada a 38,69 centavos de dólar por libra-peso, baixa de 0,24 centavo de dólar por libra-peso ou 0,61%.
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Foto: USDA
Os preços do milho seguem em alta há quatro semanas consecutivas, de acordo com dados do Cepea. O principal fator de impulsão tem sido a retração dos vendedores, tanto nas negociações à vista quanto nas entregas futuras. A preocupação com o clima quente e seco, além da forte demanda interna e externa, tem mantido os produtores cautelosos.
Em Campinas (SP), onde o Indicador ESALQ/BM&FBovespa é calculado, a saca de 60 kg de milho fechou em R$ 63,50 na última quinta-feira (12), o maior valor nominal registrado desde janeiro deste ano. Apesar das estimativas otimistas de safra do Brasil e do mundo divulgadas pela Conab e pelo USDA, que apontam produções elevadas, os preços internos continuam subindo.
No acumulado de setembro, até o dia 12, o milho já acumula alta de 4,8%. Segundo especialistas do Cepea, os produtores ainda esperam novas valorizações devido aos efeitos climáticos nas lavouras da safra de verão e possíveis atrasos na semeadura da segunda safra 2024/25.
O custo de produção de frango caiu em agosto ante julho e o do suíno subiu nos principais estados produtores e exportadores, segundo levantamento da Embrapa Suínos e Aves divulgado por sua Central de Inteligência de Aves e Suínos (Cias).
No Paraná, o custo do frango caiu 1,73%, enquanto em Santa Catarina o do suíno aumentou 0,94%.
Frangos
No Paraná, o custo de produção do quilo do frango de corte caiu para R$ 4,53. Apesar da queda mensal, o Índice de Custo de Produção do Frango (ICPFrango) acumula aumento de 2,62% no ano e de 6,20% nos últimos 12 meses, atingindo 350,33 pontos em agosto.
A ração foi o principal fator de redução nos custos, com diminuição de 2,59% e participação de 66,60% no custo total. Outros componentes que ajudaram na queda foram energia elétrica/cama/calefação (-5,17%) e genética (-0,10%).
Suínos
Em Santa Catarina, o custo de produção do quilo de suíno vivo subiu para R$ 5,90. O Índice de Custo de Produção do Suíno (ICPSuíno) caiu 4,85% no acumulado do ano, mas aumentou 1,51% nos últimos 12 meses, alcançando 337,71 pontos. A alta foi impulsionada principalmente pelos custos com juros sobre o capital investido (+2,52%) e rações (+0,22%).
Os estados de Santa Catarina e Paraná são referências para os cálculos dos Índices de Custo de Produção devido à importância como principais produtores nacionais de suínos e frangos de corte, respectivamente.
O governo federal vai destinar cerca de US$ 1,3 bilhão dos recursos do Fundo Clima para o programa nacional de recuperação de pastagens degradadas e conversão em áreas agricultáveis.
A captação dos recursos internacionais será feita por meio do Eco Invest Brasil, programa de hedge cambial da Secretaria do Tesouro Nacional para atrair investimentos externos voltados à transformação ecológica, conta o assessor especial do Ministério da Agricultura, Carlos Ernesto Augustin.
“Os recursos serão disponibilizados aos produtores com juros de até 6,5% ao ano, dez anos de pagamento e carência. Esse valor já está reservado, com o Tesouro destinando US$ 1 bilhão, o que pode chegar a US$ 1,3 bilhão com participação dos bancos”, detalhou Augustin, nos bastidores dos encontros do grupo de trabalho da Agricultura do G20 Brasil. O programa é tido como uma das prioridades da pasta para dobrar a produção brasileira de alimentos sem abertura de novas áreas.
A captação via Eco Invest foi a saída encontrada pelo governo para a internalização dos recursos externos, minimizando as variações cambiais. A expectativa, segundo Augustin, é que os recursos possam ser disponibilizados aos produtores até o fim do ano.
“Os recursos do Eco Invest vão permitir a recuperação e conversão de aproximadamente 1 milhão de hectares e efetivamente inaugurar essa nova agricultura. Não será financiamento apenas para aumentar a produção, mas sim terá de haver uma forte contrapartida de sustentabilidade com agricultura de baixo carbono “, apontou Augustin.
Edital para recuperação de pastagens
A equipe econômica e do Ministério da Agricultura, segundo Augustin, estão preparando um regramento específico para anunciar o edital para a recuperação de pastagens dentro da linha de “blended finance” do Eco Invest. Após a definição do modelo, o leilão será ofertado aos bancos que farão lances aos projetos de financiamentos. A linha blendend finance combina recursos públicos, provenientes do Fundo Clima gerido pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), e privados.
Em paralelo, o Ministério da Agricultura juntamente com a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) está elaborando uma normativa técnica com os critérios de produção a serem cumpridos pelos produtores para os financiamentos serem elegíveis aos recursos. Entre as práticas ambientais a serem exigidas estão o uso do plantio direto, o uso de bioinsumos e práticas para redução das emissões de gases ligados ao efeito estufa. “Os juros mais baixos serão determinantes para os produtores fazerem a conversão das áreas e adotarem essas práticas. Hoje, o País já converte 1 milhão de hectares por ano e pode converter o dobro”, avaliou o assessor especial do Ministério da Agricultura.
O projeto do governo federal prevê converter 40 milhões de hectares de áreas degradadas em áreas agricultáveis em até dez anos por meio do Programa Nacional de Conversão de Pastagens Degradadas em Sistemas de Produção Agropecuários e Florestais Sustentáveis (PNCPD), criado no ano passado. A ideia é fomentar a prática com a concessão de financiamentos a juros acessíveis aos produtores rurais.
O custo médio estimado pelo ministério para conversão de pastagens é em torno de US$ 3 mil por hectare, o que geraria um investimento total de, no máximo, US$ 120 bilhões (equivalente a R$ 600 bilhões), considerando a meta de recuperação de 40 milhões de hectares em dez anos. O cálculo inclui gastos com correção de solo, adequação ambiental e custeio.
Em paralelo, segundo Augustin, o governo busca mecanismos para diminuir a variação cambial para receber aportes de fundos soberanos e demais países no programa de recuperação de pastagens. A Agência de Cooperação Internacional do Japão (Jika) se comprometeu em aportar de US$ 300 milhões a US$ 500 milhões no programa brasileiro.
O clima seco e as queimadas em boa parte do país devem prejudicar a produção de itens como carne bovina, cana-de-açúcar e algumas frutas e levar a inflação da alimentação no domicílio, medida pelo IPCA, para o terreno positivo já no mês de setembro. Isso deve acontecer após as quedas em julho e agosto.
O cenário contrasta com os últimos dois anos, quando a inflação de alimentos consumidos em casa fechou setembro com deflação (de 1,02% em 2023 e de 0,86% em 2022). A última alta registrada para a abertura do nono mês do ano foi em 2021 (1,19%), mas em um contexto de disparada dos preços como reflexo da pandemia.
A pressão na oferta de alguns alimentos devido ao clima seco se soma aos impactos da mudança de bandeira tarifária na energia elétrica, que já levou o mercado a revisar para cima as projeções para a inflação do mês.
Reflexo do clima seco
O economista da LCA Consultores e especialista em inflação, Fabio Romão, projeta alta de 0,17% para a alimentação no domicílio no IPCA de setembro. Ainda que modesta, Romão destaca que essa variação contrasta com o recuo de 1,10% esperado para a abertura no IPCA de agosto, que será divulgado nesta terça-feira (17), e também com o padrão sazonal da alimentação no domicílio para os meses de setembro.
“A mediana da variação da alimentação no domicílio nos meses de setembro dos últimos dez anos [de 2014 a 2023] é de queda de 0,33%. A taxa esperada para setembro agora não é alta, mas é muito diferente da mediana”, acrescenta Romão, que atrela o cenário aos impactos do clima seco e a falta de chuvas das últimas semanas.
Alimentos que devem subir
Entre os principais vetores de pressão para esta leitura, o economista enumera as frutas, derivados do leite, café, bebidas não alcoólicas e feijão.
A produção da cana-de-açúcar, acrescenta Romão, também tende a ser prejudicada com o clima seco e as queimadas, especialmente no estado de São Paulo, mas o impacto no IPCA deve ficar mais para frente. “Pensando no timing da safra, deve ter impacto no começo de 2025”, estima.
Romão espera que a alimentação no domicílio encerre o ano de 2024 com alta de 5,6%, após um recuo de 0,52% no acumulado de 2023. A projeção chegou a rodar na casa de 4,5% e foi sendo ajustada, à medida que os impactos do clima seco deste ano eram incorporados ao cenário, observa o economista.
A pressão nos alimentos, acrescenta, também contribuiu para a revisão altista na projeção da LCA para o IPCA como um todo deste ano, que era de 4,2% há dois meses e hoje está em 4,4%.
Carne bovina em alta
Foto: Freepik
A Warren Investimentos também tem em seu cenário-base o retorno da alimentação no domicílio para o nível positivo na passagem do IPCA de agosto para o de setembro (-0,95% para 0,05%).
A estrategista de inflação da casa, Andréa Ângelo, cita que o clima seco tende a prejudicar a oferta de alguns itens in natura, mas, para ela, o principal problema causado pela falta de chuvas deve aparecer no preço da carne bovina.
“Tivemos um primeiro semestre com um ‘super abate’ de bovinos e, agora, por causa da seca, as pastagens estão muito ruins. O boi demora mais para engordar, então a oferta de animais para abate diminui”, detalha a economista.
Em relação aos problemas com a cana-de-açúcar, Ângelo aponta que as queimadas em algumas regiões produtoras fizeram com que a produção tivesse de ser direcionada mais para o etanol do que para o açúcar, interferindo na quantidade ofertada de cada item.
“Então deve haver um repique [no preço] do açúcar, mas queda no preço do etanol. No curto prazo, para o IPCA como um todo, isso não é ruim”, salienta Ângelo.
Assim, dada a pressão adicional sobre o preço da carne bovina e a manutenção da variação de alguns itens in natura ainda em nível elevado por conta da estiagem, a Warren adicionou, por ora, uma impacto altista de 0,07 ponto porcentual à estimativa da casa para o IPCA de 2024, que hoje é de 4,5%, no teto da meta para este ano. Para a alimentação no domicílio, a projeção é de alta de 5,94% em 2024.
Já o economista da Quantitas João Fernandes avalia que o efeito das queimadas e da atual estiagem sobre a inflação de alimentos ainda é incerto. Por ora, pontua, itens como café e açúcar já sentem impactos mais expressivos nos preços, mas, assim como Ângelo, Fernandes chama a atenção para os efeitos sobre a cotação do boi gordo com vencimento em outubro de 2024, que já subiu cerca de 6% desde o início de agosto.
“A cotação [do boi gordo] tem andado também, mas é um pouco difícil isolar o quanto é efeito das queimadas e o quanto é efeito do ciclo de abate de fêmeas”, analisa Fernandes. “Ali reside um risco importante a se monitorar”, diz.
Para ele, caso o risco se concretize, a maior parte do impacto no IPCA de setembro deve ser absorvida pela carne bovina. “Tem um peso muito grande”, afirma. O economista prevê que a alimentação no domicílio deverá avançar a 0,44% em setembro, após queda de 1,51% em julho e perspectiva de recuo também para agosto. A projeção da Quantitas é de alta de 5% para a inflação da alimentação no domicílio neste ano.
Para o IPCA como um todo, Fernandes estima alta de 4,2% em 2024. Apesar da recente pressão nos alimentos já incorporada ao cenário, ele cita que há perspectiva de um impacto baixista vindo do etanol, justamente pelo aumento da moagem da cana, devido às secas. Há, porém, um risco de alta para esse item a partir do primeiro trimestre de 2025, ressalta.
Uma nova frente fria deve trazer pancadas de chuva e até queda de granizo em algumas regiões brasileiras ao longo desta semana.
Confira a previsão do tempo entre os dias 16 e 21 de setembro preparada pelo meteorologista do Canal Rural, Arthur Müller:
Sul
Nesta segunda-feira, a chuva continua concentrada no leste, litoral e norte do Paraná com risco de pancadas fortes e alguns temporais localizados. Não chove no sudoeste do estado. O tempo continua firme na maior parte de Santa Catarina, com exceção do litoral e parte do norte do estado, onde a chuva pode chegar de moderada a forte.
No Rio Grande do Sul, tempo mais aberto, sol, poucas nuvens e temperaturas amenas. Nos próximos cinco dias a chuva se concentra no centro-norte gaúcho e catarinense e no centro-sul paranaense com volumes entre 60 mm e 100mm.
Isso ocorre devido ao avanço de uma nova frente fria a partir de quinta-feira (19), o que deixa estas áreas em atenção para tempo severo com possibilidade de queda de granizo e rajadas de vento mais intensas que podem danificar lavouras, estruturas agrícolas, ocasionar queda de árvores, além de potencial risco para corte de abastecimento de energia.
Sudeste
A segunda-feira começa com a chuva se espalhando mais, podendo vir com força durante a madrugada e manhã de segunda na cidade de São Paulo e litoral paulista (risco de volumes altos). O tempo também muda no Rio de Janeiro, com sol entre nuvens e chuva a qualquer momento, com redução do calor.
Chove fraco no extremo sul de Minas Gerais, enquanto as demais áreas do estado e do Espírito Santo ainda continuam com tempo firme. Nos próximos cinco dias, o acumulado de chuva varia de 10 mm a 15 mm no Rio de Janeiro, Espírito Santo, extremo sudeste de Minas Gerais e oeste e sul de São Paulo.
Alerta para temporais na porção oeste do estado paulista, onde não se descarta a possibilidade de queda de granizo e vendavais nesta segunda-feira. Na faixa litorânea paulista, atenção para chuva volumosa, com acumulado que deve ultrapassar 100 mm e causar alagamentos.
Predomínio de tempo firme favorece a moagem da cana-de-açúcar e a colheita do café. O risco para focos de incêndio continua aumentando nos próximos dias, principalmente em Minas Gerais.
Centro-Oeste
A temperatura fica mais amena em Mato Grosso do Sul nesta segunda-feira devido à entrada do ar frio, especialmente no extremo sul do estado. Dia de sol com aumento de nuvens e chance de chuva irregular no centro-leste do estado.
Pode chover isolado no sul e noroeste de Mato Grosso. Contudo, em Goiás, tempo firme e seco, com bastante calor e umidade baixa, inclusive no Distrito Federal. Nos próximos cinco dias a chuva deve se espalhar no sul-matogrossense, extremo sul de Goiás, sul e oeste de Mato Grosso, com volumes de até 20 mm, o que deve elevar a umidade relativa do ar e ajudar a diminuir o risco para focos de incêndio. Porém, não é suficiente para reposição hídrica do solo para início da semeadura da safra 2024/25.
Lavouras e pastagens seguem prejudicadas no leste de Mato Grosso e Goiás pela falta de umidade. O risco para focos de incêndio continua aumentando nestes pontos. Como a umidade relativa do ar deve ficar abaixo dos 20%, não recomenda-se o tratamento fitossanitário esta semana. O tempo firme deve favorecer a finalização da colheita do algodão e do milho segunda-safra em Mato Grosso do Sul.
Nordeste
A semana começa com chuva muito irregular e mal distribuída no litoral da Bahia e nas capitais Aracaju (SE), Recife (PE), Maceió (AL) e João Pessoa (PB). O interior da Região continua com tempo firme e com baixa umidade do ar. Em cinco dias o acumulado de chuva fica na casa de 10 mm no litoral do Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco, Alagoas e Sergipe.
Na faixa leste da Bahia o volume de chuva deve ficar em cerca de 15 mm, o que ainda ajuda a manter a boa umidade do solo. O tempo quente e seco favorece as operações em campo, como na colheita do algodão na Bahia.
Nas áreas de interior, segue a restrição hídrica e o risco potencial para focos de incêndio. Como a umidade relativa do ar deve ficar abaixo dos 20%, não recomenda-se o tratamento fitossanitário esta semana.
Norte
Segunda-feira com pancadas de chuva com risco de raios e algumas trovoadas no noroeste do Amazonas, centro-norte de Rondônia e no oeste do Acre. Tocantins, centro-sul do Pará e o Amapá continuam sem chuva neste começo de semana. Nestas áreas, as máximas podem atingir os 42º C nesta semana.
O acumulado de chuva nos próximos dias varia entre 5 mm e 15 mm no Acre, Rondônia, Amazonas e Roraima. Essa condição ajuda a elevar a umidade relativa do ar, diminuindo o risco potencial para focos de incêndio. No Pará, Tocantins e Amapá, a semana será de tempo firme e ensolarado, cenário que ainda deixa o estado do Pará e Tocantins sob alerta para focos de incêndio.
Ainda não há previsão para o retorno da chuva volumosa para recuperar os níveis do rios da bacia Amazônica. A projeção é que a precipitação só retorne de forma frequente a partir de novembro na região.
A partir de 30 de dezembro de 2024, a União Europeia vai implementar o Regulamento Europeu sobre Desmatamento (EUDR), que estabelece exigências rigorosas para a entrada de commodities e seus derivados no mercado europeu. A lei que proíbe a importação de produtos provenientes de áreas com qualquer nível de desmatamento identificado até dezembro de 2020, seja ele legal ou ilegal. A medida, parte do Regulamento da União Europeia para Produtos Livres de Desmatamento (EUDR), tem impacto direto sobre diversas commodities brasileiras, exceto o óleo de palma, que não é exportado pelo Brasil. A exportação de como madeira, soja, carne bovina, cacau, café, borracha e seus derivados serão afetados. Pequenas e médias empresas terão até 30 de junho de 2025 para se adequar.
Segundo Daniela Stump, sócia do DCLC Advogados e professora do MBA ESG e Impact da Trevisan Escola de Negócios, EUDR não se limita apenas ao rastreamento do desmatamento, mas também requer a conformidade com uma gama abrangente de normas relevantes para a área de produção. “O EUDR também exige o cumprimento de uma ampla gama de normas que sejam consideradas relevantes e aplicáveis à área de produção, relativas aos direitos sobre uso da terra; normas trabalhistas; direitos humanos; proteção ambiental; normas anticorrupção e fiscais; consentimento livre, prévio e informado, incluindo expressamente o dos povos indígenas; dentre outras” explica a professora.
Na quarta-feira (11), o ministro da Agricultura e Pecuária do Brasil, Carlos Fávaro, e o comissário europeu para Agricultura e Desenvolvimento Rural, Janusz Wojciechowski, realizaram uma reunião bilateral em que formalizaram a entrega de uma carta solicitando à União Europeia a suspensão da Lei Antidesmatamento e a revisão da abordagem punitiva em relação aos produtores que cumprem a legislação vigente. O principal tema da reunião foi a valorização dos agricultores e o futuro da produção agrícola, estreitamente ligado ao pedido brasileiro de revisão das medidas europeias. A complexidade das ações exigidas pelo bloco europeu poderia inviabilizar o processo de exportação, prejudicando principalmente pequenos e médios produtores em fase de desenvolvimento, conforme o informado pelo segundo o Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA).
Entre as punições previstas para o descumprimento da nova legislação estão a suspensão do comércio, apreensão ou destruição de mercadorias, além de multas. “O operador europeu, responsável por colocar o produto à venda na UE, será o responsável por garantir o cumprimento do regulamento por cada carga que adentra o território europeu. Em um pior cenário, as multas podem chegar até 4% do faturamento de quem descumpre a norma, com base no ano anterior à autuação na UE, além da apreensão da carga e proibição temporária de comercialização de produtos na Europa. Embora as sanções sejam impostas à empresa europeia, as consequências recaem sobre o exportador, que deverá pagar a conta perante o importador, caso não tenha agido em conformidade com o declarado. Portanto, as empresas brasileiras precisam se preparar para prestarem informações consistentes com base em sistema de rastreamento eficaz” continua, Stump.
O EUDR exige rastreamento completo da cadeia produtiva, desde a origem até a disponibilização do produto ao consumidor europeu. “A empresa europeia (aquela que importa para comercializar, manufaturar ou exportar) submeter uma declaração de Due Diligence que assegure o cumprimento da EUDR no sistema eletrônico a ser implementado pela UE. No entanto, a declaração de Due Diligence deverá estar baseada em informações/documentos fornecidos pelos produtores/exportadores. Com a submissão da declaração de Due Diligence, a carga passa a ter um número de referência e um token, que a acompanhará no território europeu”, esclarece a sócia do DCLC Advogados e professora do MBA ESG e Impact da Trevisan Escola de Negócios.
Cada país da UE terá a responsabilidade de fiscalizar a conformidade com o regulamento, realizando verificações com base no risco associado à região de origem da commodity. A fiscalização será realizada carga por carga, exigindo que os produtores mantenham a segregação das commodities desde a origem até o destino.
Stump destaca que “as empresas brasileiras precisam se preparar para prestarem informações consistentes com base em sistema de rastreamento eficaz.” Ela enfatiza a importância do diálogo dentro da cadeia produtiva, envolvendo produtores, exportadores e importadores europeus, para garantir a conformidade com o EUDR. Os produtores devem preparar e fornecer documentos que comprovem a regularidade com a legislação aplicável, como geolocalização e outros documentos pertinentes. Como o EUDR não especifica quais normas locais e documentos são exigidos, é necessário estabelecer um diálogo com clientes e importadores para alinhar os requisitos.
“No final do dia, quem será o responsável por garantir que o produto que entra no mercado europeu está de acordo com a EUDR é a empresa europeia. Portanto, as tratativas e as relações jurídicas entre privados terão um peso relevante para a adequação à norma europeia. As obrigações e alocação de responsabilidade entre os agentes refletidas nos contratos celebrados entre os diversos elos da cadeia. A preocupação maior, no entanto, é com o pequeno e médio produtor, para quem o ônus da adaptação é maior e que, portanto, deverá ser apoiado por associações setoriais e pelo governo brasileiro para que possa continuar exportando para a Europa”, finaliza a especialista.
No morning call de hoje, o economista do PicPay, Igor Cadilhac, destaca que, na semana passada, o mercado ajustou a previsão dos juros do Fed para cerca de 3% no próximo ano.
O BCE cortou a taxa para 3,5%, e no Brasil, as taxas subiram devido à inflação e aos desafios fiscais. Esta semana, a Super Quarta trás decisões de juros dos bancos centrais dos EUA e Brasil.