O plantio da soja para a safra 2024/25 começou em Goiatuba, Goiás, na última segunda-feira (14), após a região registrar 80 milímetros de chuvas acumuladas desde a última quarta-feira (8), segundo informações da Emater local.
A sequência de três chuvas em uma semana melhorou as condições do solo, permitindo o início das atividades. Em municípios vizinhos, a precipitação chegou a 100 milímetros. Até o momento, cerca de 2% da área prevista de 75 mil hectares já foi plantada.
As previsões meteorológicas indicam a continuidade das chuvas nas próximas duas semanas, o que deve favorecer o andamento da semeadura até o final de outubro. Caso as condições climáticas permaneçam favoráveis, a expectativa é de um rendimento médio de 3.600 quilos por hectare.
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De acordo com levantamento da Safras & Mercado, a área destinada ao plantio de soja em Goiás para a safra 2024/25 deverá alcançar 4,85 milhões de hectares, um aumento de 2,1% em relação aos 4,75 milhões de hectares da safra anterior. Até 11 de outubro, o estado havia alcançado 3% da área plantada, comparado a 1% na semana anterior e 7% no mesmo período do ano passado. A média dos últimos cinco anos é de 6,9%.
A produção esperada para esta safra é de 18,531 milhões de toneladas, um aumento de 7,1% em relação às 17,298 milhões de toneladas obtidas na safra anterior. O rendimento médio das lavouras deve chegar a 3.840 quilos por hectare, em comparação aos 3.660 quilos por hectare colhidos em 2023.
De acordo com o Boletim Agropecuário de outubro, divulgado pela Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina (Epagri) e pelo Observatório Agro Catarinense, o mercado de maçãs em Santa Catarina e no Brasil enfrenta estoques reduzidos nas classificadoras e a expectativa de recuperação na produção para a safra 2024/25. Entre agosto e setembro de 2024, houve uma valorização nos preços das maçãs no atacado catarinense, embora a expectativa seja de queda em outubro, devido à concorrência com frutas importadas e à qualidade do produto nacional.
Na Ceasa/SC, o preço médio das maçãs subiu 4,4% entre agosto e setembro deste ano, registrando um aumento de 30,8% em comparação com setembro de 2023. A variedade Gala teve alta de 1,2% nas cotações no período, e um crescimento de 34,9% em relação ao ano anterior. Já a maçã Fuji apresentou uma valorização de 8,1% entre agosto e setembro, além de um aumento de 26,7% em comparação a setembro de 2023. No terceiro trimestre de 2024, as cotações médias aumentaram 29,4% em comparação ao mesmo período de 2023 e 50,9% em relação a 2022. A Gala valorizou 37,8%, e a Fuji, 20,9% no mesmo período.
Em setembro de 2024, as cotações da categoria 1 subiram 2,1% em relação ao mês anterior, enquanto as categorias 2 e 3 apresentaram altas de 5,4% e 6,2%, respectivamente. No entanto, os estoques continuam baixos nas classificadoras, especialmente em Fraiburgo/SC, onde as frutas com menor resistência ao armazenamento estão sendo comercializadas. O escoamento das maçãs remanescentes da safra atual gera expectativa de redução nos preços, sobretudo em outubro.
Na Ceagesp, a valorização das maçãs catarinenses foi de 1,8% entre agosto e setembro deste ano. Embora a demanda tenha sido menor, as cotações ficaram 24,8% acima dos valores registrados em setembro de 2023. Na Ceasaminas, os preços da maçã subiram 20% em relação ao mês anterior e ficaram 17,7% mais elevados em comparação com setembro do ano passado. A fruta catarinense representou 17,2% do volume comercializado e 15,4% do valor total na central mineira.
Nas regiões produtoras de Santa Catarina, como Fraiburgo e São Joaquim, as variedades Gala e Fuji já estão em floração, com percentual variando entre 25% e 75%, dependendo da fase de cultivo. A recuperação da produção é aguardada para a safra 2024/25, com aumento previsto de 55,5% em relação ao ciclo anterior no estado. Entre os municípios com maior participação na área plantada estão São Joaquim, Fraiburgo e Bom Jardim da Serra. A produção da maçã Fuji, que representa 53,9% do total, deve crescer 59,6% em relação à safra anterior, enquanto a variedade Gala, com 46,2%, tem expectativa de aumento de 54,0%.
Foi aprovado nesta quarta-feira (16), na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, o projeto de lei que cria a Política Nacional de Combate à Perda e ao Desperdício de Alimentos.
O texto prevê o aumento de 2% para 5% na dedução da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) dos supermercados ou estabelecimentos similares que doarem alimentos, o que precisará ser comprovado.
O texto foi aprovado em segundo turno na CCJ e, caso não haja recurso para levar a votação ao Plenário do Senado, o Projeto de Lei 2.874 de 2019 segue direto para análise da Câmara dos Deputados. A matéria foi aprovada no Dia Mundial da Alimentação, celebrado todo 16 de outubro.
Doação por pequenos agricultores
Além de empresas e instituições sem fins lucrativos, públicas ou privadas, a proposta também prevê a doação por pessoa física e por agricultores familiares.
O relator da matéria, senador Alan Rick (União-AC), justificou que a medida busca reduzir o desperdício e incentivar a doação de alimentos no Brasil.
“Os estabelecimentos preferiam jogar fora alimentos dentro do prazo de validade. Alimentos em absoluta conformidade com a nutrição, aptos para o consumo eram jogados fora, porque o incentivo para a doação de alimentos e a própria criminalização do doador impediam ou não incentivavam essa doação”, argumentou o parlamentar.
O relator citou que o Brasil está entre os dez países que mais desperdiçam alimentos no mundo. “Números mostram que mais de R$ 1,3 bilhão em frutas, legumes e verduras vão para o lixo anualmente nos supermercados brasileiros”, escreveu o senador Alan Rick em seu parecer.
Tipos de alimentos
O texto substitutivo apresentado pelo relator retirou a obrigatoriedade da doação prevista na proposta original. Além disso, ele excluiu a previsão de multa nos casos de descarte, sem justo motivo, de alimentos dentro do prazo de validade e próprios para o consumo.
O projeto estabelece que podem ser doados alimentos in natura ou preparados, sejam mercadorias perecíveis ou não perecíveis embaladas e dentro do prazo de validade, “desde que mantidas as propriedades nutricionais e a segurança para consumo humano, respeitadas as normas sanitárias vigentes”.
Os produtos podem ser oferecidos a instituições, bancos de alimentos e beneficiários finais. Aqueles que realizam doações diretas à pessoas físicas deverão contar com profissional habilitado que ateste a qualidade nutricional e sanitária dos alimentos.
Além disso, o projeto prevê que o doador só responde civilmente por danos ocasionados pelos alimentos quando houver dolo, ou seja, somente quando for comprovada a intenção de provocar dano.
O Produto Interno Bruto (PIB) do agronegócio brasileiro recuou 1,28% no segundo trimestre de 2024, acumulando queda de 3,5% no ano (conforme Tabelas 1 e 2).
O cálculo foi feito pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq/USP, em parceria com a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA).
Entre os segmentos do setor, quando se compara os dois primeiros trimestres de 2024, o PIB registrou queda nos seguintes fatores:
Segmento primário (-1,77%)
Impactos no PIB do agro
A análise do Cepea e da CNA mostrou que os desempenhos dos segmentos foram impactados pela redução do valor bruto da produção, pressionado, sobretudo, pelas quedas nos preços e, em alguns casos, pela menor produção esperada para o ano, como ocorreu com os insumos agrícolas e com o primário agrícola.
Por fim, os resultados negativos dos agrosserviços (-2,74%) no primeiro semestre de 2024 decorreu da redução para os agrosserviços de base agrícola (-5,39%), visto o crescimento para os de base pecuária (3,78%).
De acordo com a publicação, no ramo agrícola, a queda acumulada no semestre reflete os comportamentos dos demais segmentos, especialmente dos insumos e do primário. No ramo pecuário, o crescimento no acumulado no semestre (3,78%) decorreu da maior produção esperada para o ano dos segmentos a montante, dentro e fora da porteira.
Valores monetários anuais
Ao se considerar os desempenhos do agronegócio, seus ramos e seus segmentos nos dois primeiros trimestres, o PIB do agronegócio brasileiro pode alcançar R$ 2,50 trilhões em 2024 (Tabela 3), sendo 1,74 trilhão no ramo agrícola e 759,82 bilhões no ramo pecuário (a preços do segundo trimestre de 2024).
Assim, tendo em vista essa projeção e o comportamento do produto interno bruto brasileiro no período, estima-se que a participação do setor na economia fique próxima de 21,8% em 2024, abaixo dos 24% registrados em 2023.
Segmento de insumos
No segundo trimestre de 2024, o PIB do segmento de insumos do agronegócio caiu 2,68% (Tabela 2). No acumulado do ano, a queda foi de 8,13% (Tabela 1).
A análise mostra que o resultado reflete o desempenho das atividades de fertilizantes e corretivos de solo, defensivos, máquinas agrícolas e rações, cujas dinâmicas estão dispostas na Figura 1.
De acordo com o balanço do Cepea e da CNA, a projeção para a indústria de fertilizantes e corretivos do solo aponta uma redução de 16,87% no valor bruto da produção anual, resultado de uma queda de 16,99% nos preços reais dos produtos, ao comparar os valores médios do primeiro semestre de 2024 com os de 2023.
Em contraste, a produção anual deve registrar leve aumento de 0,14%, sugerindo estabilidade. Em 2022, os preços dos fertilizantes atingiram patamares recordes, devido à suspensão das exportações de importantes insumos para a produção de fertilizantes – como potássio, nitrogênio e fósforo –, face às sanções às quais foi submetida a Rússia, um dos principais fornecedores mundiais desses produtos.
No entanto, a retomada das exportações russas contribuiu, ao menos em parte, para a refreada dos preços, haja vista a ampliação da oferta global.
“É importante destacar que, embora ainda não refletido nos resultados apresentados neste relatório, que utiliza dados até o primeiro semestre do ano, o aumento das tensões geopolíticas no Oriente Médio já está impulsionando as cotações dos fertilizantes, pois eleva o risco de interrupção na oferta de produtos essenciais, como ureia e cloreto de potássio”, diz trecho da análise.
Ritmo de compra pelos agricultores
Esse movimento deverá se refletir nos próximos relatórios do PIB do Agronegócio. No cenário interno, outros fatores também pressionam os preços, como o ritmo mais lento de compras pelos agricultores.
“Por exemplo, levantamento da equipe de Custos Agrícolas/Cepea mostra que, até o encerramento do primeiro semestre, pouco mais de 70% dos fertilizantes utilizados nas principais regiões produtoras do Brasil haviam sido adquiridos, contra cerca de 80% em 2021 e 2022”, destaca o documento.
Ademais, as desvalorizações dos grãos e do real em relação ao dólar contribuem para esse desempenho.
A presença feminina no campo se fortalece e transforma o agronegócio a cada dia. Apesar dos desafios, as mulheres estão saindo do papel de coadjuvantes e assumindo posições de protagonismo. Essas são palavras de Caroline Barcellos, produtora de soja e a única mulher a presidir uma Aprosoja, na região do Tocantins . “Sou da sétima geração no agronegócio brasileiro e trago a força da mulher para o agro, uma herança de muitos anos de dedicação e trabalho no campo”, diz.
O Soja Brasil teve a oportunidade de conversar com a presidente e outras mulheres durante o evento Caras Country Talks, realizado em São Paulo na última terça-feira (15), em celebração ao Dia Internacional da Mulher Rural, data que destaca o papel das mulheres no setor.
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História escrita ao longo de gerações
Foto: Aprosoja-TO
Natural de Porto Nacional, Caroline Barcellos destaca: “Minha avó e minha mãe já participavam do agro, mas essa não é a realidade de muitas mulheres no setor. Por muito tempo, elas não tiveram a força necessária para uma participação ativa. Hoje, estamos trazendo um novo olhar e uma nova força feminina para o nosso agronegócio. Estamos abrindo fronteiras para que o caminho das futuras gerações seja mais acessível e repleto de oportunidades.”
Celebrando a trajetória feminina
De acordo com o site do evento, 19% das proprietárias de estabelecimentos agrícolas são mulheres, e cerca de 947 mil delas gerenciam seus próprios patrimônios. Além disso, 34% dos cargos de liderança no agronegócio são ocupados por mulheres, e aproximadamente 30 milhões de hectares estão sob administração feminina, o que corresponde a cerca de 8,5% da área agrícola total. Esses números ressaltam a crescente presença e influência feminina no setor agropecuário.
O olhar feminino no agro
Foto: Emília Raucci/Canal Rural
Emília Raucci, diretora de qualidade da JBS, foi palestrante no evento e representa a nova geração de líderes no campo. Sua participação destaca a importância de celebrar as conquistas femininas, fundamental para inspirar e promover a igualdade de gênero no setor agro, evidenciando o papel das mulheres na transformação e no fortalecimento da agricultura.
Durante sua apresentação, Emília abordou a visão da mulher no agro, destacando temas como inovação, colaboração e empreendedorismo. Ela mencionou diversos projetos que têm impulsionado mudanças tecnológicas no agronegócio, como a migração dos monitoramentos de processos para um sistema eletrônico, que transformou o dia a dia dos colaboradores. Essa mudança permitiu que a equipe aproveitasse melhor a visão crítica dos funcionários, em vez de se concentrar em tarefas manuais.
Emília também falou sobre o conceito de “escritórios verdes”, que exemplificam o empreendedorismo e a inovação no setor. Esses escritórios oferecem suporte aos fornecedores, ajudando a resolver dúvidas e problemas relacionados à visão socioambiental, integrando-os novamente à cadeia produtiva e à pecuária.
Para ela, o uso da tecnologia e da inovação é importante para a inclusão e evolução de todos na cadeia do agro, promovendo um futuro mais sustentável e colaborativo.
Referência no segmento
Foto: Sônia Bonati/Canal Rural Reprodução
Sônia Bonato, produtora rural de Goiás, compartilha sua trajetória inspiradora no mundo da soja e do agronegócio. Proprietária da Fazenda Palmeiras, localizada em Ipameri, na região da Chapada, ela viveu no campo durante a infância, mas se afastou do setor após a mudança da família para a cidade, permanecendo longe do agronegócio por 30 anos. Somente após se unir ao marido em uma propriedade adquirida por ele, Sônia teve a oportunidade de retornar às suas raízes e retomar sua conexão com a agricultura.
“Comecei a aprender sobre plantio, colheita e a gestão da propriedade. Enquanto meu marido cuida da parte técnica, eu me dedico à administração”, conta Sônia. Juntos, eles começaram a cultivar soja e a criar bezerros, crescendo ano a ano, mesmo em um ambiente onde havia poucas mulheres no setor.
Sobre o plantio deste ano, Sônia comenta que a soja em Goiás está em um estágio normal para o início de outubro. “Para a safrinha, precisamos plantar até o dia 20 ou 30 de outubro. Já tivemos quatro boas chuvas, e acredito que até o final do mês nossa área estará completamente plantada”, afirma.
Ela revela que, embora sua propriedade não seja muito grande, é bastante produtiva, com uma média de 70 a 75 sacas por hectare em uma área de 65 hectares. “Minha soja é certificada e exportada para a Holanda, o que valoriza nosso trabalho e garante qualidade”, explica.
Sônia destaca que a certificação é uma exigência crescente no mercado, essencial para a sobrevivência dos produtores. “Quem não tiver certificação pode enfrentar dificuldades para vender sua produção. É uma prática que deve ser encarada como normal no dia a dia da fazenda e que pode até melhorar a renda”, aconselha.
Em meio aos grãos, a paixão pelo conhecimento
Foto: Malu Anchieta/Canal Rural
Malu Anchieta é uma agricultora de Astorga, no Paraná, dedicada à produção de grãos como soja, milho e trigo. Sua trajetória é marcada por desafios, especialmente diante da complexidade de se manter no campo em meio à incerteza climática que impacta as safras. Para a próxima safra, 2024/2025, Malu mantém um otimismo cauteloso, reconhecendo a importância da chuva e das condições climáticas, que muitas vezes estão além de seu controle, mesmo com os investimentos em tecnologia.
Apaixonada pela troca de conhecimento, ela contou ao Soja Brasil que acredita que a prática é essencial para o desenvolvimento do agronegócio. Malu lidera núcleos de inclusão feminina, promovendo a participação ativa das mulheres no setor agrícola. Sua história reflete um espírito de apoio mútuo e superação, e ela também se destaca como defensora da saúde mental no campo, conscientizando sobre a prevenção e o tratamento da depressão entre trabalhadores rurais.
Coração no campo
Foto: Kislei Tavares da Silveira/Canal Rural
Kislei Tavares da Silveira, de Guadalajara, Minas Gerais, é um exemplo inspirador de como a tradição familiar e a paixão pela agricultura se entrelaçam. Desde pequena, cresceu em meio à cultura do campo, com avós e bisavós dedicados à atividade agrícola. Após 20 anos em Belo Horizonte, ela decidiu voltar para sua fazenda. “Não aguentei ficar longe do que amo. A vida no campo é onde eu realmente pertenço”, compartilha.
Nos últimos três anos, tem se dedicado ao cultivo de soja, uma atividade que trouxe satisfação pessoal e momentos valiosos com seu marido e filhos. “É muito gratificante trabalhar com a terra e ver os frutos do nosso esforço”, diz.
A produtora valoriza o papel da mulher no agronegócio. Ela acredita que o empoderamento feminino é essencial para o futuro da agricultura. “As mulheres devem se sentir encorajadas a assumir papéis ativos no campo. Temos muito a contribuir”, ressalta.
Força, inclusão e otimismo
Foto: Ani Sanders/Canal Rural
Ani Sanders é uma representante da força feminina no agronegócio, na Fazenda Progresso, no Piauí. Sua trajetória começou ao se casar e acompanhar o marido na vida rural, onde desenvolveu um espírito de colaboração essencial para o crescimento da propriedade.
Com o tempo, Ani se tornou mãe e assumiu responsabilidades cada vez maiores. Cuidar dos filhos, da propriedade e do marido faz parte da sua rotina, e seu amor pela família e pela terra só cresceu. “A dedicação e os compromissos se tornaram maiores, assim como as responsabilidades”, afirma.
Agora, aos 61 anos, Ani mantém um espírito e uma visão inclusiva para o agro. “Quero transformar o setor, incluindo aqueles que se sentem excluídos”, diz. Para ela, capacitar as pessoas e garantir espaço para todos no agronegócio é fundamental. “O agro é vasto e temos muito a aprender”, ressalta.
Com otimismo, Ani compartilha suas esperanças para a safra: “Que ela nos proteja e não nos castigue. Espero que consigamos atingir nossos objetivos.” Enquanto chove em Minas, o Piauí também apresenta sinais promissores, deixando-a animada com o futuro. “Vejo muita sinergia onde as coisas estão acontecendo e estou otimista sobre o agro”, conclui.
No centro da Bahia, a Chapada Diamantina agora tem um novo título, importante para os produtores de café. Reconhecida mundialmente por suas belezas naturais, o café produzido nessa região montanhosa da Bahia recebeu Indicação Geográfica (IG), na modalidade Denominação de Origem (DO), a primeira do estado.
O pedido de registro foi realizado pela Aliança dos Cafeicultores da Chapada Diamantina em 14 dezembro de 2022 e o reconhecimento publicado pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (Inpi), na Revista da Propriedade Industrial (RPI), nesta terça-feira (15).
Com esse registro, o instituto chega a 130 IGs reconhecidas no Brasil, sendo 91 IPs (todas nacionais) e 39 DOs (29 nacionais e 10 estrangeiras).
De acordo com o Inpi, segundo o estudo “Café da Chapada Diamantina, Bahia: qualidade da bebida e relações com o meio ambiente”, da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB), o manejo pós-colheita e o saber-fazer local são as variáveis humanas relacionadas com a qualidade do café.
Piatã, município mais alto da Bahia e do Nordeste, é também conhecido pela produção de café | Imagem: Reprodução/YouTube/Luiz Silva Drone
Observa-se que, na Chapada Diamantina, quase toda a colheita é realizada de forma manual. Ainda de acordo com o estudo da UESB, as variáveis ambientais que apresentaram influência sobre a bebida foram a altitude, a temperatura e a orientação da encosta em que o cafezal se desenvolve.
Além disso, em estudo conduzido pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), a análise química demonstrou maiores teores de ácidos orgânicos e clorogênicos e, principalmente, de lipídeos, nos cafés da Chapada Diamantina, demonstrando um perfil químico característico, que os distingue de amostras provenientes de outras regiões da Bahia e do Brasil.
Características
O Inpi informou ainda que quanto aos aspectos humanos da produção, foi demonstrada a adaptação de técnicas tradicionais de secagem do café, por meio da cobertura dos terreiros, protegendo-o das intempéries, mas mantendo a circulação do ar pelas laterais.
Essa técnica local influencia na qualidade final do produto. O cenário apresentado, fruto da conjunção de fatores naturais e humanos, é essencial para que o café da Chapada Diamantina seja caracterizado como uma bebida encorpada, adocicada, com acidez cítrica, notas de nozes e chocolate, além de final prolongado.
De acordo com a Secretaria da Agricultura, Pecuária, Irrigação, Pesca e Aquicultura da Bahia (Seagri), os grãos de cafés dessa região, são da espécie Coffea arábica L., processados por via seca (natural) que frequentemente atingem resultados superiores a 85 pontos na metodologia da Specialty Coffee Association (SCA), competindo de igual para igual com os melhores cafés colombianos e etíopes.
Abrangência
A DO “Chapada Diamantina” abrange 24 municípios da Mesorregião Centro-Sul Baiano: Abaíra, Andaraí, Barra da Estiva, Boninal, Bonito, Ibicoara, Ibitiara, Iramaia, Iraquara, Itaeté, Jussiape, Lençóis, Marcionílio Souza, Morro do Chapéu, Mucugê, Nova Redenção, Novo Horizonte, Palmeiras, Piatã, Rio de Contas, Seabra, Souto Soares, Utinga e Wagner.
“Essa conquista é um orgulho para a Bahia e um reconhecimento ao trabalho incansável dos cafeicultores da Chapada Diamantina”, comemorou o secretário da Agricultura da Bahia, Wallison Tum.
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O ministro do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, Paulo Teixeira, disse que o Programa Nacional de Redução de Agrotóxicos (Pronara) está em fase de elaboração.
A implementação da medida está prevista no Plano Nacional de Agroecologia e Produção Orgânica (Planapo), lançado nesta quarta-feira (16), no Palácio do Planalto.
“O objetivo é substituir aqueles agrotóxicos altamente tóxicos, altamente periculosos, mapeá-los e fazer um programa que envolva a Embrapa, envolve as universidades, envolva as empresas, de substituição desses agrotóxicos por bioinsumos”, explicou Teixeira a jornalistas após a cerimônia no Palácio do Planalto.
Discordâncias entre setores
A estratégia do governo federal, segundo Teixeira, é reduzir o uso de agroquímicos de alta periculosidade e alta toxicidade – classificação que é feita pela Anvisa.
O Pronara foi elaborado em 2014, mas não foi implementado até hoje com discordância do setor produtivo e da indústria de defensivos. A decisão de incluir o Pronara no Planapo foi do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
A inclusão da estratégia de redução do uso dos agroquímicos causou divergência entre o Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA) e o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). A Agricultura havia apresentado veto ao Pronara por “questões técnicas”.
O tema chegou ao Palácio do Planalto e foi consenso entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e os ministros no último mês. Nesta quarta, o Planapo foi assinado pelo ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, ministro do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, e do Desenvolvimento Social, Wellington Dias, além de Teixeira.
“Tudo está consensuado no governo. O Pronara está esperando o fechamento para sair a portaria”, disse Teixeira.
Programa contempla apoio financeiro
Teixeira afirmou que os agrotóxicos que serão alvo do programa serão definidos a partir da portaria que institui o programa, assim como os estímulos e apoio financeiro que serão dados para a substituição dos agroquímicos por bioinsumos pelos produtores rurais.
“O presidente bateu o martelo e agora iremos fechar a portaria que institui o programa. Cada um que tiver um similar disponível, será proibido. Essa é a proposta”, acrescentou o ministro do MDA. Ele não detalhou metas ou prazos de redução do Pronara.
Também na coletiva, o ministro da Secretaria Geral da Presidência, Márcio Macêdo, que coordenou o Planapo, afirmou que os defensivos a serem reduzidos pelo Pronara são os químicos já proibidos na Europa e com comercialização liberada no Brasil.
“Isso atenta contra a saúde do nosso povo. Vamos nos debruçar nisso, sem nenhum tipo de caça às bruxas nem nenhuma perseguição. Apenas fazendo um estudo, um debate na sociedade, para ser um processo de substituição na direção de uma alimentação saudável”, afirmou Macêdo.
Para o presidente do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), Rodrigo Agostinho, a inclusão do Pronara no Planapo foi o primeiro passo dado pelo governo.
“Agora haverá a regulamentação do Pronara, mas é um gesto do governo de caminhar para produção mais sustentável e apoiar o produtor na substituição de produtos altamente tóxicos para sua saúde, para o meio ambiente e para a produção por agrotóxicos menos perigosos”, afirmou Agostinho.
Essa regulamentação tende a passar pelo sistema tripartite de registro, controle e fiscalização de defensivos agrícolas, que engloba Ibama, Anvisa e Ministério da Agricultura.
Segundo o Boletim Agropecuário de outubro, divulgado pela Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina (Epagri) e pelo Observatório Agro Catarinense, os preços do arroz em casca em Santa Catarina mantiveram uma tendência de estabilidade durante setembro e no início de outubro, após um longo período de alta iniciado em abril. O mercado tem sido influenciado pela entressafra, o que reduziu a oferta interna do grão e sustentou os preços em patamares elevados. No entanto, fatores como o desaquecimento da demanda e a queda do dólar, que desestimula exportações, estão pressionando os preços para baixo, estabilizando o mercado nos últimos meses.
A comercialização do arroz catarinense se concentra no primeiro semestre do ano, com cerca de 95% da produção já vendida até o momento, o que reflete a necessidade dos produtores de honrar compromissos financeiros e preparar a safra seguinte. Entre as regiões do estado, houve variações nos preços. Na Grande Florianópolis e no Litoral Norte, os preços subiram entre agosto e setembro, enquanto no Alto Vale do Itajaí os valores se mantiveram estáveis, e no Litoral Sul houve uma leve retração, influenciada pelo comportamento do mercado no Rio Grande do Sul.
No comércio internacional, as exportações de arroz catarinense entre janeiro e setembro de 2024 totalizaram US$ 2,67 milhões, com destinos principais como Trinidad e Tobago, Gâmbia e Senegal. Este valor é 71% menor em comparação com o mesmo período de 2023, resultado da menor competitividade do produto brasileiro devido à desvalorização do dólar. Em contrapartida, as importações cresceram 51,18% no mesmo período, devido à menor oferta interna e preços internacionais competitivos, sendo o Uruguai, Tailândia e Paraguai os principais fornecedores.
Com 76% da área de arroz já semeada para a safra 2024/25, estima-se uma produção estável em 145 mil hectares, mas com aumento de 9,9% na produtividade média, chegando a 8,74 toneladas por hectare. O clima favorável e o investimento em tecnologia devem garantir uma produção de 1,269 milhão de toneladas. As condições atuais das lavouras são predominantemente boas, com expectativa de resultados positivos para o ciclo.
A região de Nova Mutum, no médio-norte do Mato Grosso, recebeu volumes maiores de chuva, permitindo o avanço do plantio da soja. Segundo a Safras & Mercado, as precipitações, que antes eram localizadas, agora se espalharam, facilitando o trabalho no campo. A mudança no tempo começou por volta das 19h30 da última terça-feira (15) e se estendeu até a madrugada de quarta-feira.
Na semana anterior, as chuvas foram irregulares e acompanhadas de vendaval, dificultando o plantio. Essa nova fase traz alívio aos agricultores, permitindo um avanço mais eficiente e uma expectativa positiva para a safra.
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Prevenção no plantio
O aumento das queimadas e o tempo seco na região Centro-Oeste tornaram a prevenção e o manejo essenciais para a sustentabilidade agrícola. Lucas Costa Bêber, presidente da Aprosoja-MT, destaca que o atraso nas chuvas forçou os agricultores a buscarem alternativas após o fim do vazio sanitário em 7 de setembro, recorrendo às áreas irrigadas por pivô central.
A fumaça reduz a luminosidade, levando muitos a adiar o plantio até que as chuvas limpem o ar, garantindo melhores condições para a fotossíntese. Com o calendário de plantio comprometido, a preocupação cresce. O atraso nas chuvas afeta tanto a soja quanto a janela de plantio do milho em Mato Grosso, o que pode impactar a produção de ambas as culturas.
A Polícia Rodoviária Federal (PRF) apreendeu uma carga de 11,8 toneladas de pasta de caju sem nota fiscal. O caso ocorreu durante uma fiscalização na tarde desta terça-feira (15) na BR-101, em Mamanguape (PB).
De acordo com o motorista de 52 anos que transportava a carga, os produtos vinham de Aracati (CE), e tinham como destino Salvador, na Bahia. As quase 12 toneladas da mercadoria estavam armazenadas em 118 tonéis. Segundo ele, as notas fiscais viriam após a entrega do carregamento.
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Em nota, a PRF contou que Fisco Estadual da Paraíba registrou o auto de infração e encaminhará o caso para o Conselho de Contribuintes, enquanto a Vigilância Sanitária apurará possíveis irregularidades sanitárias na carga de pasta de caju.
O condutor foi autuado por diversas infrações, incluindo o transporte de carga sem a devida documentação e o descumprimento da lei do descanso. Os agentes também informaram que o caminhão onde as mercadorias eram transportadas estava com licenciamento vencido.