domingo, julho 26, 2026

Agro

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Espumante de umbu é desenvolvido por pesquisadores


Um estudo realizado pela Embrapa em colaboração com pesquisadores da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) mostrou que o umbu, fruto típico da Caatinga, é uma promissora matéria-prima para a elaboração de bebida alcoólica fermentada e naturalmente gaseificada, tipo “vinho espumante”.

Os pesquisadores registraram uma aceitação positiva do novo produto, por meio de um teste com potenciais consumidores.

Eles avaliaram as características físico-químicas da bebida, que se encontram em conformidade com os parâmetros regulatórios do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) para fermentados de frutas.

“O teste de consumidor mostrou que o fermentado de umbu gaseificado foi bem aceito pelos consumidores brasileiros”, conta a pesquisadora Aline Biasoto, da Embrapa Meio Ambiente (SP).

Ajuste do teor de açúcar

A pesquisadora relata que o teste de intenção de compra reforçou o potencial de sucesso da bebida no mercado.

Em contrapartida, Aline também detectou a necessidade de ajuste do teor de açúcar antes do fechamento da garrafa com rolha de cortiça, a fim de aumentar a intensidade do aroma de umbu e do gosto doce, que correspondem a potenciais direcionadores de preferência para melhorar a aceitação da bebida desenvolvida.

O umbu, fruto nativo do bioma Caatinga, é perecível, o que provoca volume elevado de perdas após a colheita. Por isso, a sua utilização para a produção de bebida similar ao vinho espumante é uma estratégia de agregação de valor e diminuição das perdas, e é capaz de atrair consumidores interessados em bebidas inovadoras com matérias-primas alternativas e exóticas.

A inovação poderá contribuir para a melhoria da economia circular em uma das regiões mais afetadas pela escassez de água, fortalecendo a agricultura familiar e extrativista no bioma Caatinga.

Processamento do umbu

UmbuUmbu
Foto: Luís Henrique Pereira de Sá Torres/Embrapa

O fermentado de umbu gaseificado foi obtido utilizando o método denominado tradicional ou clássico para a elaboração de vinhos espumantes. Esse método é utilizado na produção de vinhos espumantes de alta qualidade, como o Champagne, e envolve duas etapas de fermentação alcóolica.

Na primeira, a polpa de umbu diluída com água é fermentada após a adição de cultura de levedura S. cerevisiae e açúcar (chaptalização), obtendo-se o fermentado de umbu base.

O produto deve passar por processamentos para então ser acondicionado em garrafas e iniciar a segunda etapa de fermentação, com uma mistura de açúcar e leveduras, chamada de licor de tiragem.

A garrafa é então fechada com uma tampa provisória de metal, semelhante a uma tampa de garrafa de cerveja. Como a garrafa está fechada, o dióxido de carbono (CO2) fica preso no líquido, criando as bolhas características do vinho espumante.

Por ser uma espécie nativa extremamente resistente às condições naturais do clima da região, predominantemente quente e seco, o umbuzeiro é capaz de produzir quantidades substânciais de frutos anualmente, porém de forma concentrada nos primeiros três meses do ano.

Assim, alternativas de processamento são vantajosas para estender a vida de prateleira de produtos à base de seus frutos.

Os pesquisadores acreditam que a produção de fermentados de fruta também é uma estratégia que pode estabelecer uma cadeia produtiva sólida, baseada em produtos com alto valor agregado e crescente interesse do consumidor.

*Sob supervisão de Victor Faverin


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‘Vitória para todos os agricultores do estado’, diz presidente da Aprosoja Mato Grosso


Na última quinta-feira (24), o governador Mauro Mendes sancionou a lei que revoga a Moratória da soja em Mato Grosso, retirando os incentivos fiscais para empresas signatárias do acordo a partir de janeiro de 2025. A mudança é vista como uma grande vitória pelos produtores rurais, que questionam os efeitos negativos do acordo.

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Agradecimento e mobilização

Foto: Lucas Beber/MT

O presidente da Aprosoja MT, Lucas Costa Beber, expressou sua gratidão a todos que contribuíram para essa conquista. Ele destacou o apoio de deputados estaduais que votaram pela aprovação da lei, assim como dos prefeitos de mais de 120 municípios e dos vereadores que se mobilizaram contra a Moratória. Beber também fez uma menção ao Tribunal de Contas de Mato Grosso e às diretorias anteriores da Aprosoja, que iniciaram a luta pela derrubada do acordo.

“Nosso agradecimento é direcionado a todos que participaram dessa jornada. O presidente da Associação dos Municípios de Mato Grosso e o conselheiro Antônio Joaquim também foram essenciais nesse processo. Sem essa união, não teríamos chegado até aqui”, declarou Beber.

Impacto

A nova legislação proíbe a concessão de benefícios fiscais a empresas que adotam compromissos que limitam a expansão agropecuária em áreas não protegidas por leis ambientais. Segundo Beber, o intuito é eliminar os incentivos fiscais para aqueles que não cumprem as diretrizes, ao mesmo tempo em que abre espaço para que empresas que não estão vinculadas à Moratória possam aproveitar esses benefícios.

”Estamos focados em proteger os interesses dos nossos produtores. Essa mudança é um novo passo para garantir um mercado mais justo e competitivo. Vamos melhorar a economia do nosso estado e reduzir as desigualdades”, afirma o presidente.

Assunto em pauta

No último trimestre do ano, o assunto referente à Moratória da soja se intensificou no setor, com agricultores questionando a legalidade do acordo. Eles argumentam o impedimento à comercialização de grãos de áreas desmatadas legalmente, o que, segundo eles, contraria o Código Florestal brasileiro e provoca tensões no setor agrícola.

Além das questões legais, preocupações com os impactos socioambientais da moratória também foram colocadas em pauta. A falta de clareza nas diretrizes levantou dúvidas sobre a sustentabilidade das práticas agrícolas e os efeitos sobre a economia local.



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Bahia projeta crescimento para safra 2024/25


O Conselho Técnico da Associação de Agricultores e Irrigantes da Bahia (Aiba) apresentou, em reunião na sede da Aiba/Abapa em Barreiras, um panorama da safra 2023/24, destacando os desafios enfrentados e as expectativas para a próxima safra. O relatório, elaborado pelo Núcleo de Agronegócio da Aiba, utilizou tecnologias de monitoramento remoto e amostragens de campo para avaliar a evolução das áreas produtivas e o desempenho das principais culturas, conforme o informado pela Secretaria da Agricultura, Pecuária, Irrigação, Pesca e Aquicultura (Seagri BA).

De acordo com as informações da Seagri, a safra 2023/24 foi marcada por condições climáticas adversas devido aos efeitos do El Niño, que afetaram os produtores do oeste baiano. Como resultado, a produtividade média da soja foi de 63 sacas por hectare, totalizando 7,4 milhões de toneladas colhidas em mais de 1,9 milhão de hectares cultivados, correspondendo a 67% da área plantada na região.

O algodão, segunda maior cultura em área, também teve bons resultados. Foram cultivados 345 mil hectares, com uma produção de cerca de 1,6 milhão de toneladas e uma média de 326 arrobas por hectare. Já o milho, apesar de enfrentar desafios fitossanitários e climáticos, apresentou uma produtividade de 150 sacas por hectare em áreas de sequeiro e 160 sacas por hectare em áreas irrigadas, resultando em um total de mais de um milhão de toneladas colhidas.

Para a safra 2024/25, as perspectivas iniciais são positivas, com a semeadura da soja já em andamento nas áreas irrigadas, cobrindo uma previsão inicial de 113 mil hectares. O Conselho Técnico projeta um aumento na área plantada de soja, que deve alcançar 2,129 milhões de hectares, enquanto o algodão deve cobrir 380 mil hectares e o milho, 105 mil hectares.

As previsões climáticas indicam a possibilidade de um fenômeno La Niña, o que tende a ser mais favorável para a produtividade agrícola. A expectativa é de que a produtividade da soja suba para 67 sacas por hectare, e o milho atinja 170 sacas por hectare em áreas de sequeiro e 180 sacas em áreas irrigadas. Com isso, a produção total estimada de soja é de 8,558 milhões de toneladas, e a de milho é projetada em 1,071 milhão de toneladas, conforme dados da Seagri BA.





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placa na Secretaria da Fazenda marca maior enchente já registrada no prédio


Ainda em processo de reconstrução após as enchentes, a Secretaria da Fazenda (Sefaz) do Rio Grande do Sul instalou uma placa na fachada externa do prédio para marcar os efeitos da inundação que atingiu o Casarão, nome dado à edificação do governo do estado, situada no coração do Centro Histórico de Porto Alegre.

A placa indica a altura alcançada pela água durante a catástrofe, em maio deste ano. Na torre que dá para a avenida Mauá, o nível subiu 1,58 metro, enquanto na entrada pela avenida Siqueira Campos, a água atingiu 1,76 metro. O marco visual foi instalado acima da placa que remete à enchente de 1941, quando a água invadiu o prédio da Sefaz, chegando a 1,33 metro.

“A placa não simboliza apenas os impactos concretos das inundações que vivemos, mas também cumpre um papel de conscientização. Ela ajuda a alertar a população e as futuras gerações sobre a urgência de ações ambientais. Ao destacar eventos extremos, como as enchentes em Porto Alegre, a placa se torna um lembrete tangível das graves consequências da mudança climática”, disse a secretária da Fazenda, Pricilla Santana.

Mesmo com o plano de contingência em execução desde abril, quando o volume de chuvas começou a aumentar, o prédio da Sefaz teve que ser isolado no dia 4 de maio, após o nível do Guaíba ultrapassar a cota de alerta. Apesar das ações preventivas, a inundação foi inevitável, deixando o edifício submerso por cerca de 20 dias e gerando prejuízos ao patrimônio da secretaria.  

De acordo com o levantamento do Departamento de Administração da Sefaz, cerca de 20 toneladas de resíduos foram descartadas, o que exigiu a contratação de oito contêineres. Os prejuízos foram estimados em R$ 15 milhões, incluindo a perda de mobiliário, equipamentos de informática e danos severos à rede elétrica.

A subestação de energia, localizada no térreo, ficou submersa, o que danificou dois transformadores e os disjuntores. Além disso, as centrais telefônicas dos prédios também sofreram com os estragos.

Foto: Secretaria de Comunicação do Rio Grande do Sul (Secom-RS)

O acesso ao prédio só foi possível em 27 de maio, quando as águas recuaram e permitiram a entrada das equipes para o início dos trabalhos de reconstrução. Uma força-tarefa, composta por mais de 70 pessoas, garantiu a reabertura no início de julho, pouco mais de um mês após o início da recuperação – um tempo considerado recorde diante da magnitude dos estragos.

“Assim que o nível das águas começou a baixar e o acesso ao prédio foi permitido, iniciamos o esforço de higienização. Empresas especializadas foram contratadas de forma emergencial para execução de serviços como a limpeza dos reservatórios de água, remoção de mofo e restauração das bombas hidráulicas”, lembrou a diretora de Administração e Patrimônio, Adriana Oliveira.

Quase cinco meses após o retorno ao prédio, o térreo da Sefaz ainda passa por processo de limpeza e recuperação. Os próximos passos dependem da secagem natural das superfícies, que será seguida pela raspagem das paredes, preparação para o reboco e, por fim, a pintura.

As obras de restauração do Casarão, que já estavam em andamento antes da enchente, também foram afetadas. O canteiro de obras, atingido pelas águas, sofreu danos nas redes elétricas, em estruturas dos ateliês e escritórios, o que exigiu a compra de novas ferramentas e equipamentos.


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Perspectivas positivas para safra de citros no Rio Grande do Sul



A frutificação para a próxima safra já está bem definida




Foto: Pixabay

De acordo com o Informativo Conjuntural divulgado nesta quinta-feira (24) pela Emater/RS, a região de Erechim alcançou 95% da colheita de citros referente à safra 2023/2024. Os preços das frutas para a indústria e o mercado de mesa permanecem estáveis, variando entre R$ 2,30 e R$ 2,40 por quilo. A frutificação para a próxima safra já está bem definida, com destaque para a qualidade do pagamento aos produtores. Nesse período, foram realizados os tratamentos nas floradas e os cuidados iniciais de proteção dos frutos, além das adubações necessárias para garantir a saúde das plantações.

Segundo os dado do informativo, na região de Passo Fundo, as laranjas das variedades Valência e Monte Parnaso estão em fase de comercialização. Os pomares estão no início da frutificação, e os tratamentos fitossanitários seguem para garantir a saúde das plantas e dos frutos. A previsão é de que a colheita se estenda até o início de novembro. Em Maximiliano de Almeida, o preço da Valência está fixado em R$ 2,60 por quilo para o mercado e R$ 2,10 por quilo para a indústria, enquanto a laranja Monte Parnaso é negociada a R$ 2,50 por quilo.

Na região de Soledade, os pomares apresentam um bom potencial produtivo, com um número elevado de frutos em fase de pegamento. A umidade do solo, aliada a um clima favorável, com boa insolação e temperaturas dentro da normalidade, contribui para o desenvolvimento saudável dos citros e a sanidade dos pomares. A colheita na região está focada na variedade Valência, conforme os dados da Emater.





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Ibrafe: Ainda tímidos compradores voltam as compras


Mercado ontem com mais compradores ativos. Após ocorrerem alguns negócios por R$ 230 de Feijão-carioca com cor 9 acima e boa umidade com cerca de 90% de grãos peneira 12 a grande maioria dos produtores que tem mercadoria nesta condição preferiu novamente sair de mercado e esperar. No caso do Feijão-preto também ocorreu mais negócios durante o dia de ontem. Analisar o fluxo mensal de estoque e demanda tem permitido melhor análise por parte de compradores e vendedores. Do total levantado pela CONAB ainda continuam somando no item Feijão-cores o carioca, rajado e vermelhos.

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IDSC-BR: Avaliação sustentável das cidades



Esta nova edição proporciona uma visão integrada das cidades



Esta nova edição proporciona uma visão integrada das cidades
Esta nova edição proporciona uma visão integrada das cidades – Foto: Pixabay

No dia 1º de novembro, o Instituto Cidades Sustentáveis lançará a quarta edição do Índice de Desenvolvimento Sustentável das Cidades – Brasil (IDSC-BR). O evento ocorrerá às 9h no Ministério do Meio Ambiente, em Brasília, com a presença da ministra Marina Silva e do presidente da Caixa, Carlos Antônio Vieira Fernandes. O IDSC-BR avalia a qualidade de vida nas 5.570 cidades brasileiras por meio de 100 indicadores temáticos que abrangem saúde, educação, renda, moradia, transportes, infraestrutura urbana e mudanças climáticas.

Esta nova edição proporciona uma visão integrada das cidades, permitindo análises regionais e dados desagregados por gênero e raça, o que possibilita identificar desigualdades sociais. As informações utilizadas são de fontes oficiais, como IBGE, DataSUS e Inep, garantindo a credibilidade dos dados.

O IDSC-BR também permite que os municípios acompanhem sua evolução em relação à Agenda 2030, compromisso global da ONU assumido por mais de 190 países, incluindo o Brasil. Os indicadores estão alinhados aos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), facilitando o monitoramento dos avanços e desafios enfrentados por cada município. Cada cidade recebe uma pontuação de 0 a 100, uma classificação geral e um desempenho específico para cada ODS.

A metodologia do IDSC-BR foi desenvolvida pela Sustainable Development Solutions Network (SDSN) da ONU e adaptada ao contexto brasileiro. A iniciativa é realizada em parceria com a Caixa e o Ministério do Meio Ambiente, com co-financiamento da União Europeia e coleta de dados pelo Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap). Com isso, o Brasil se destaca como o primeiro país a avaliar todas as suas cidades conforme a Agenda 2030.

 





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produtores gaúchos enfrentam dificuldade com insumos



Semeadura de soja atinge apenas 3% no estado




Foto: Canva

De acordo com o Informativo Conjuntural divulgado pela Emater/RS nesta quinta-feira (24), o clima ensolarado e as temperaturas amenas favoreceram o avanço da semeadura de soja no Rio Grande do Sul, embora o crescimento tenha sido discreto. Até o momento, apenas 3% da área projetada para a safra foi semeada, reflexo de atividades paralelas prioritárias, como a colheita de cereais de inverno e a semeadura de arroz, que concentraram esforços dos produtores.

Na Metade Sul, muitos agricultores enfrentam dificuldades na obtenção de insumos, sendo que grande parte conseguiu acesso a apenas 50% do valor normalmente necessário para o plantio. Esse cenário gera incertezas e eleva o risco de estabelecimento de lavouras com baixo nível tecnológico, impactando a produtividade futura.

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A Emater/RS-Ascar estima que a área total de cultivo de soja no Estado deve alcançar 6.811.344 hectares, com uma produtividade média de 3.179 kg/ha. Na comercialização, o valor médio da saca de 60 kg registrou um aumento de 1,39% em relação à semana anterior, passando de R$ 124,09 para R$ 125,82.





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Especialista alerta para conferência detalhada de dados para adquirir propriedade rural


Ao decidir pela aquisição de uma propriedade rural, previamente ao fechamento do negócio, o interessado ou investidor deve adotar a cautela necessária para evitar surpresas e prejuízos futuros. O alerta é do advogado da HBS Advogados, Frederico Buss. Segundo o especialista, a providência inicia com a análise criteriosa da documentação relativa não só ao imóvel objeto da negociação como também ao proprietário/vendedor.

O advogado reforça que, em algumas situações, embora na matrícula do imóvel não conste registro de restrições ou dívidas, a existência de execuções fiscais ou patrimoniais contra o vendedor pode colocar em risco a segurança jurídica da negociação. Buss, no entanto, explica que isso, por si só, não impede a aquisição do imóvel, inclusive porque há situações que podem gerar oportunidade de negócio, inclusive com a aquisição por um valor menor que o valor de mercado (deságio). “Porém, a real situação do imóvel e os riscos do negócio devem ser avaliados, uma vez que podem resultar em prejuízos significativos, passíveis de impactar negativamente o investimento realizado”, alerta.

Ao iniciar as tratativas, o especialista recomenda a realização de uma due diligence imobiliária, que representa uma espécie de auditoria para investigação da real situação jurídica do imóvel em negociação, permitindo não só a mensuração e adequação do preço como também a identificação dos riscos e a definição de mecanismos que possam garantir o retorno do investimento em caso de eventuais transtornos futuros. “Além dos documentos necessários à identificação da situação tributária, fiscal, ambiental, bem como eventuais ativos e passivos judiciais ou extrajudiciais, é importante a comprovação de que a propriedade que se pretende adquirir é efetivamente aquela que consta na(s) matrículas(s) apresentada(s), razão pela qual é fundamental que se tenha em mãos a medição da área a partir da respectiva descrição constante do(s) título(s) imobiliário(s), assim como o Cadastro Ambiental Rural – CAR do imóvel”, detalha Buss.

Essa providência, segundo o advogado da HBS Advogados, se torna imprescindível para áreas rurais pendentes de georreferenciamento. “Caso a aquisição seja voltada à exploração econômica de lavoura se recomenda a prévia verificação da adequação da área para esta finalidade, inclusive para evitar problemas ambientais, assim como a comprovação do potencial produtivo do solo, o que pode ser feito mediante laudo técnico elaborado por engenheiro agrônomo ou outro profissional competente”, orienta.

   

Com relação às questões ambientais é importante ter ciência que a responsabilidade por eventual reparação do dano ou penalidade pecuniária imposta pelo órgão ambiental competente é transferida a quem assume a propriedade, ressalvado o direito de buscar o ressarcimento dos prejuízos junto ao vendedor, caso assim tenha sido ajustado no contrato que formaliza a aquisição. “Outra questão de extrema importância é a averiguação de eventuais contratos de arrendamento em vigor, pois nesses casos é necessário obter-se a renúncia do arrendatário ao direito de preferência na aquisição da área. A verificação da existência de comodatários utilizando o imóvel ou parte dele também se faz necessária para evitar transtornos futuros que possam comprometer a utilização plena da propriedade para o fim ao qual foi adquirida”, alerta.

Portanto, de acordo com Buss, a chamada due diligence imobiliária realizada por profissionais capacitados funciona como uma ferramenta que permite ao adquirente da propriedade rural fechar o negócio com maior probabilidade de que no futuro não será surpreendido por demandas ou problemas dos quais não tinha conhecimento. “É uma cautela que pode ser adotada como forma de garantir a segurança jurídica do negócio”, conclui.





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Preço do milho subiu 18,5% em 3 meses no Brasil. O que esperar daqui para frente? Cepea responde


Os preços do milho continuam subindo no Brasil. O indicador Esalq/B3 se aproxima de R$ 70 reais a saca, viés de alta que não era observado desde janeiro deste ano.

No começo do ano, o cereal era cotado a R$ 65,83. Já em julho, atingiu o menor valor, comercializado a R$ 57,22. Agora, em outubro, está em R$ 67,79, uma alta de 18,5% em apenas três meses:

preços da saca de milhopreços da saca de milho
Arte: Canal Rural

De acordo com o pesquisador do Cepea, Lucílio Alves, a disponibilidade interna esperada para o milho na atual safra é 12% menor do que em mesmo período do ano passado, o que, parcialmente, explica a alta dos preços.

“Mesmo tendo exportações em níveis menores do que do ano passado, os embarques vão enxugando os estoques domésticos e, consequentemente, dando uma sustentação para as cotações domésticas do milho”, contextualiza.

Segundo o pesquisador, outubro também está sendo marcado por alta dos preços externos, elevação dos prêmios e do câmbio, além de atrasos na semeadura da soja nos principais estados produtores, fatores que ajudam a explicar a valorização do cereal no Brasil.

Com análise que leva em conta os contextos internos e externos, Alves traça um panorama dos preços do grão no Brasil e fala sobre o principal concorrente do Brasil, os Estados Unidos. Tais elementos podem levar à redução dos patamares do milho e ao aumento da soja no ano que vem graças ao possível maior interesse dos produtores norte-americanos pelo plantio do cereal. Entenda no vídeo acima.



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