domingo, julho 26, 2026

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Família de servidores públicos celebra 70 anos de dedicação na Secretaria de Agricultura de SP


No Dia do Servidor Público, celebrado hoje (28), a história de Renata Martinho Manograsso e sua família se destaca como exemplo de dedicação ao serviço público. Aos 36 anos, Renata dá continuidade a um legado que começou na década de 1950, quando seu avô, Guerino Manograsso, ingressou na Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo. A tradição seguiu com seu pai, Ruy Galloti Manograsso, e sua mãe, Regina Bernadete Martinho, ambos também servidores da Secretaria.

Renata lembra que cresceu rodeada pelo ambiente da Secretaria, frequentando a creche para filhos de funcionários desde os quatro meses até os sete anos. Seu avô atuou no funcionalismo público a partir de 1956, conforme registros do Diário Oficial. Seu pai e sua mãe seguiram caminhos semelhantes, ingressando na mesma pasta e contribuindo por décadas com o desenvolvimento da agricultura paulista.

Foto: Renata Martinho na sede da Secretaria de AgriculturaFoto: Renata Martinho na sede da Secretaria de Agricultura
Foto: Renata Martinho na sede da Secretaria de Agricultura

Regina, mãe de Renata, trabalhou por 41 anos na Secretaria e viveu a experiência de compartilhar a rotina de trabalho com a filha nos últimos anos antes de sua aposentadoria. “Trabalhar ao lado da minha filha foi muito prazeroso”, relembra Regina.

Continuidade e colaboração no trabalho

Hoje, Renata divide sua rotina com colegas de longa data, como Rose Fernandes Almeida Pires e Claudia Cambruzzi. Juntas, elas atuam na coordenação de tarefas no gabinete da Secretaria, enfrentando os desafios do dia a dia e apoiando as atividades dos secretários da pasta.

Reconhecimento ao trabalho dos servidores públicos

O Dia do Servidor Público é uma data que reconhece a importância daqueles que dedicam suas carreiras ao serviço público, atuando em prol da população e do desenvolvimento. Em São Paulo, os servidores da Secretaria de Agricultura e Abastecimento desempenham um papel fundamental no apoio ao setor agropecuário, promovendo ações que garantem a qualidade dos alimentos e a sustentabilidade na produção agrícola.



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AgroNewsPolítica & Agro

Uso excessivo de água no Matopiba pode comprometer até 40% da capacidade futura de expansão da irrigação


Considerada uma das fronteiras agrícolas que mais crescem no Brasil e a área com maior taxa de emissão de gases de efeito estufa no Cerrado, a região conhecida como Matopiba corre o risco de enfrentar falta de água já nos próximos anos. Entre 30% e 40% da demanda por irrigação de terras agricultáveis pode não ser atendida no período de 2025 a 2040 devido à superexploração dos recursos hídricos.

Esse problema, somado às mudanças climáticas, está reduzindo as vazões subterrâneas – provenientes do aquífero Urucuia – e dos corpos d’água superficiais da bacia do rio Grande, afluente do São Francisco. A redução desse fluxo pode comprometer o atendimento a demandas como o abastecimento urbano, de populações ribeirinhas e o próprio agronegócio, sem contar a diminuição de disponibilidade para toda a bacia.

A conclusão é de um estudo liderado por cientistas do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) que analisou a sustentabilidade de longo prazo da expansão agrícola em meio à crescente escassez de água na região. O trabalho, idealizado pela cientista do Inpe Ana Paula Aguiar e realizado em parceria com o Centro de Resiliência de Estocolmo (Suécia), aponta que deve haver um aumento de até 40% de energia para irrigação, pressionando ainda mais o sistema.

Acrônimo formado pelas siglas de quatro Estados – Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia –, o Matopiba está inserido predominantemente no Cerrado (91% da área ou 665 mil km2), tendo apenas 7,3% na Amazônia e 1,7% na Caatinga. Em sua parte sudeste, é abastecido pela bacia do rio Grande, que cobre cerca de 76 mil km2.

Para fazer a análise, os pesquisadores usaram um modelo de dinâmica de sistemas – uma ferramenta que permite representar as complexas interações e feedbacks entre uso da terra, energia e água, além de simular diferentes cenários, vendo como é a reação ao longo do tempo. Com isso, ajuda na tomada de decisões e na implementação de políticas públicas mais eficazes.

“A dinâmica de sistemas considera uma visão holística, simulando as relações e as várias demandas – irrigação, energia elétrica, consumo – que existem simultaneamente na região. Isso nem sempre é considerado em análises realizadas por órgãos públicos”, diz o pesquisador do Inpe Celso von Randow, um dos autores do trabalho.

O artigo foi publicado na Ambio – Journal of Environment and Society e é parte do projeto Nexus – Caminhos para a Sustentabilidade, coordenado por Jean Ometto, pesquisador do Inpe e membro da coordenação do Programa FAPESP de Pesquisa sobre Mudanças Climáticas Globais (PFPMCG). O projeto buscou propor estratégias para viabilizar a transição para um futuro sustentável nos biomas Cerrado e Caatinga por meio de uma abordagem participativa, integrando métodos qualitativos e quantitativos.

O relatório técnico do Nexus, que traz informações da pesquisa do grupo e de outras desenvolvidas na região, foi lançado agora em outubro e apresentado no seminário “Contribuições da comunidade científica brasileira para a temática de combate à desertificação”, realizado na Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene). Pesquisadores do grupo estarão juntamente com a delegação brasileira na Conferência das Partes da Convenção das Nações Unidas para o Combate à Desertificação (UNCCD), na Arábia Saudita, em dezembro.

“A ideia do estudo nasceu de uma das oficinas do projeto Nexus, realizada no município de Barreiras. Havia uma preocupação com a sustentabilidade do sistema de irrigação. Desenvolvemos um modelo de dinâmica de sistemas para a região, mas ele pode ser aplicado a outras áreas adaptando algumas variáveis de acordo com a necessidade”, explica a engenheira agrícola Minella Alves Martins, primeira autora do artigo e orientanda de von Randow no Inpe com o apoio da FAPESP.

Durante a oficina, os principais desafios relatados na bacia do rio Grande estavam relacionados à disponibilidade de água – tanto do ponto de vista quantitativo como qualitativo – e aos conflitos socioambientais motivados por seu uso e pela posse irregular da terra. Mais de 90% das retiradas de água na bacia são destinadas à irrigação, de acordo com dados da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA).


Uma das oficinas realizadas em Barreiras para montar o escopo da pesquisa (foto: Projeto Nexus) 

Nos últimos dez anos, o Matopiba – com 337 municípios – registrou um salto na produção de grãos – 92%, passando de 18 milhões de toneladas (safra 2013/14) para cerca de 35 milhões de toneladas. Na Bahia, as culturas de soja, milho e algodão são destaque, tendo o município de Barreiras como um dos principais produtores no Estado.

Estima-se que na próxima década o crescimento agrícola do Matopiba ainda seja de 37%, com a produção atingindo 48 milhões de toneladas em uma área plantada de 110 mil km2. Os números fazem parte do estudo Projeções do Agronegócio, elaborado pelo Ministério da Agricultura e Pecuária em parceria com a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa).

Por outro lado, a seca severa que vem atingindo o país reduziu a previsão de produção de grãos na safra 2023/2024, especialmente no Matopiba. Para agravar a situação, o Cerrado bateu recorde de focos de incêndio neste ano. Foram 68.868 entre janeiro e 25 de setembro, superando todo o ano de 2023. É o maior desde 2015.

Com esse cenário, além de registrar aumento da temperatura, o Matopiba emitiu 80% dos 135 milhões de toneladas de CO2 liberadas para a atmosfera por causa do desmatamento no Cerrado entre janeiro de 2023 e julho de 2024, segundo levantamento do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam).

A destruição da vegetação nativa pelo fogo e o desmatamento para outros usos levam a uma redução da evapotranspiração das plantas, diminuindo a quantidade de chuva. Há ainda o fato de a água, sem a cobertura vegetal, chegar com mais força ao solo, escorrendo superficialmente e deixando de formar os canais subterrâneos.

Projeções

O modelo de dinâmica de sistemas usado pelos pesquisadores para a região mostrou que as vazões superficiais e subterrâneas tendem a diminuir até 2040. Eles levaram em consideração os usos de água atuais, as mudanças climáticas e feedbacks econômicos. Em contrapartida, haverá um aumento na demanda de água, principalmente impulsionada pela expansão da irrigação. Deve passar de 1,53 m³/s (2011-2020) para 2,18 m³/s (2031-2040).

Por isso, os pesquisadores apontam a possibilidade de estagnação da expansão da agricultura irrigada na região, levantando preocupações sobre a sustentabilidade de longo prazo do setor na bacia do rio Grande.

“Ouvimos muito na região que as retiradas de água são acima dos níveis de outorga. Então, o primeiro ponto de recomendação seria a revisão dessas permissões, justamente para que estejam de acordo com o novo normal climatológico que estamos vivendo. A série histórica pode estar defasada, levando a uma permissão acima do que é possível ofertar. Observamos por meio de dados de monitoramento de poços da CPRM que os níveis de águas subterrâneas estão caindo, mas esse sistema ainda é muito utilizado. Por isso, outra necessidade seria a fiscalização para proibir poços clandestinos e o monitoramento da exploração de novos locais de perfuração, visando um uso racional dos recursos hídricos”, afirma Martins à Agência FAPESP.

O grupo recomenda também que seja aprimorada a fiscalização das mudanças de uso e cobertura do solo para que áreas de recarga do aquífero não sejam comprometidas, além de incentivar estratégias mais eficientes e racionais da utilização de água na agricultura. Para estudos futuros, os cientistas sugerem a exploração de outros caminhos para adaptação às condições atuais, como a possibilidade de conectar o subsistema elétrico local à rede nacional e a criação de canais adicionais para garantir o abastecimento.

O artigo Long-term sustainability of the water-agriculture-energy nexus in Brazil’s MATOPIBA region: A case study using system dynamics pode ser lido em: https://link.springer.com/article/10.1007/s13280-024-02058-9#Ack1.

 





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Aprosoja MT fortalece relações comerciais e sustentáveis com a China


Nesta segunda-feira (28), a Aprosoja Mato Grosso deu início à missão para fortalecer laços comerciais e discutir a sustentabilidade do agronegócio na China. A comitiva, liderada pelo presidente da associação, Lucas Costa Beber, contou com outros diretores que participaram de encontros com autoridades e representantes de instituições chinesas.

A primeira reunião ocorreu na Embaixada do Brasil em Beijing, onde a delegação foi recebida pelo embaixador Marcos Galvão e três adidos. Durante o encontro, o presidente da Aprosoja MT destacou a importância de promover a sustentabilidade do agro brasileiro, com informações referentes às pesquisas sobre sequestro de carbono e acordos que beneficiaram a cadeia de suprimentos de soja e milho entre Brasil e China.

Lucas ressaltou: “Conversamos com o nosso embaixador e com nossos adidos agrícolas para entender o que a China espera de nós e como vemos o futuro do mercado da soja e do milho.”

O embaixador Marcos Galvão enfatizou a continuidade das políticas de importação e exportação, mesmo com a alternância de poder, e destacou a relevância do diálogo sobre sustentabilidade. “É um bom momento para abrir um diálogo, com dados e análise da segurança do Brasil como supridor”, afirmou Galvão.

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Diálogo e cooperação

Foto: Aprosoja Mato Grosso

Em seguida, a comitiva visitou a Longping CITIC, onde o presidente Liu Zhiyong mencionou os números da China: cerca de 90 milhões de toneladas de soja e 20 milhões de toneladas de milho importadas anualmente, reconhecendo o Brasil como parceiro estratégico. A discussão também abordou oportunidades de cooperação em pesquisa e logística.

A delegação se reuniu com o presidente da CFNA, Sr. Cao Derong, que elogiou os resultados do projeto Guardião das Águas e expressou interesse em colaborar com a Aprosoja MT na certificação da soja sustentável. Lucas destacou o programa Soja Legal, já reconhecido pelo MAPA, e apresentou os principais projetos da entidade, com reforço às práticas sustentáveis e os números de produtividade em soja e milho.

“Os produtores mato-grossenses estavam preparados e mostramos isso para que, cada vez mais, Mato Grosso conseguisse alcançar novos mercados e tivesse espaço diante das exigências do comércio internacional, promovendo a valorização dos nossos grãos”, acrescentou Lucas.

A comitiva foi composta também pelo diretor administrativo Diego Bertuol, o diretor financeiro Nathan Belusso, os vice-presidentes Fernando Ferri (sul) e Luiz Otávio Tatim (oeste), o diretor executivo Wellington Andrade, e o presidente da Cooprosoja, Fernando Cadore.



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Lei de MT sobre a Moratória da Soja pode comprometer a reputação do Brasil, diz Abiove


A Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) alertou que a Lei nº 12.709/2024, sancionada pelo governador de Mato Grosso, Mauro Mendes (União Brasil), que corta incentivos fiscais para empresas signatárias da Moratória da Soja, “pode representar um risco à reputação do país como um produtor sustentável”.

Em nota, a entidade destacou que a medida pode ter consequências negativas para a competitividade da soja brasileira no mercado internacional.

Segundo a entidade, a Moratória da Soja foi criada em 2006 em resposta às demandas de clientes europeus e de entidades da sociedade civil, que exigiam ações concretas contra o desmatamento na Amazônia.

“A soja era apontada como o principal vetor de desmatamento da Amazônia”, afirmou a associação, acrescentando que o pacto foi desenvolvido em parceria com o governo brasileiro para garantir que “a soja cultivada, processada e exportada fosse livre de desmatamento”, com base na data de julho de 2008, quando o Código Florestal foi publicado.

O mercado europeu continua sendo estratégico, absorvendo cerca de 50% das exportações de farelo de soja do Brasil.

Crescimento do setor

A Abiove apresentou dados que indicam o crescimento significativo do setor, mesmo sob as regras da Moratória. “Entre as safras 2006/07 e 2022/23, a área ocupada com soja no bioma Amazônia passou de 1,41 milhão para 7,43 milhões de hectares, com um aumento de 420%, e uma parcela residual de apenas 250 mil hectares associada a desmatamentos ocorridos após 2008″, relatou a associação.

No mesmo período, as exportações de soja do bioma Amazônia cresceram de 3 milhões para 18,5 milhões de toneladas, um aumento de 516%, enquanto as exportações totais de soja do Brasil cresceram 224%.

“A Moratória, sendo uma iniciativa multissetorial, não promove desequilíbrio, mas, ao contrário, viabiliza a competitividade do produto nacional estimulando o crescimento da produção”, reforçou a Abiove.

No entanto, a associação alertou que a nova legislação pode comprometer a competitividade da soja brasileira no mercado internacional, com possíveis reflexos negativos para toda a cadeia produtiva, especialmente para os produtores, além de prejudicar a economia do estado de Mato Grosso.

Anec também é contra

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Foto: Ivan Bueno/AnP

O diretor-executivo da Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (Anec), Sérgio Mendes, alertou que a sanção da lei que corta incentivos fiscais para empresas signatárias da Moratória da Soja em Mato Grosso pode resultar em queda nos preços do grão.

“Se não vendermos a soja para mercados que exigem essa garantia, teremos que aceitar preços mais baixos”, afirmou sobre a lei nº 12.709/2024, sancionada quinta-feira passada (24).

A Moratória da Soja, pacto que proíbe a compra de soja cultivada em áreas desmatadas após julho de 2008, foi firmada há 18 anos em resposta a pressões do mercado internacional, especialmente da Europa.

Mendes lembra que, em 2004, uma situação semelhante causou prejuízos bilionários ao setor. “O prejuízo foi de 1,680 bilhão de dólares. Na época, exportávamos 19 milhões de toneladas, agora exportamos 100 milhões de toneladas. Imagine o tamanho da encrenca que acontece agora”, destacou.

Segundo ele, os mercados internacionais, especialmente o europeu, mantêm posição firme contra o desmatamento, independentemente do Código Florestal. “O mercado internacional não está nem aí para isso da legislação brasileira. O problema deles é o desmatamento”, disse Mendes, acrescentando que a moratória é “o único recurso que o Brasil tem” para garantir a credibilidade ambiental do setor. “Depois de 18 anos, jogar fora essa conquista, que é muito mais do produtor do que de qualquer um, seria um erro”, acrescentou.

Valorização da soja brasileira

O executivo ressaltou que, apesar das críticas dos produtores rurais, a moratória contribuiu para valorizar a soja brasileira no exterior. Ele lembrou que a adesão ao acordo não foi uma escolha fácil, mas necessária. “A União Europeia, que era um mercado tão exuberante quanto a China na época, veio com a exigência. A gente não pensou duas vezes”, relatou.

Com a proximidade da COP30, que será realizada em Belém, Pará, em 2025, Mendes acredita que as empresas signatárias devem manter seu compromisso com a moratória, mesmo sem os incentivos fiscais.

“Com tudo que tem acontecido na parte climática, eu acho que o pessoal vai manter”, projetou. Em sua avaliação, o setor produtivo precisa considerar os impactos das mudanças climáticas e as exigências do mercado internacional.

“Eu convidaria o pessoal a pensar um pouco mais nessa questão do planeta e das ações climáticas”, sugeriu Mendes, que revelou que mudou sua própria visão sobre o tema ao longo dos anos.

A lei que corta os incentivos fiscais para empresas signatárias da moratória entrará em vigor em 1º de janeiro de 2025. Em 2023, as empresas afetadas receberam R$ 2,9 bilhões em benefícios fiscais, segundo a Secretaria da Fazenda de Mato Grosso.



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AgroNewsPolítica & Agro

Por que o Brasil ainda importa produtos que poderia produzir internamente?


O Brasil alcançou números recordes de exportação de commodities em 2023, consolidando-se como um dos maiores fornecedores globais de produtos como soja, açúcar e milho. No entanto, essa estratégia de exportação massiva levanta questionamentos sobre o desenvolvimento da indústria alimentícia local. Luiz Alberto Gonzatti, CEO da Alibra Ingredientes, alerta para o fenômeno que ele define como “turismo de ingredientes”, criticando a dependência do país de importar ingredientes que poderiam ser produzidos internamente.

Gonzatti destaca que, embora o Brasil possua vantagens competitivas como clima favorável e abundância de recursos naturais, a maior parte do valor agregado das commodities exportadas acaba sendo explorada por outros países. Um exemplo é o processamento da soja: “Exportamos grãos para a Ásia, onde extraem óleo e farelo, além de produtos de alto valor, como a vitamina E, que depois são vendidos de volta para nós”, explica.

O CEO sugere que a falta de transformação local limita a capacidade do Brasil de desenvolver tecnologias e cadeias produtivas mais sofisticadas. “Precisamos desenvolver essa indústria aqui para gerar mais arrecadação e criar empregos qualificados”, defende Gonzatti, ressaltando que esse movimento permitiria ao Brasil ser menos vulnerável às oscilações do comércio exterior.

Para Gonzatti, uma das chaves para superar o “turismo de ingredientes” está na aproximação entre a indústria e as universidades, fomentando o setor de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (P&DI). Ele acredita que a adoção do conceito ESG (Ambiental, Social e Governança) pode ser um diferencial competitivo. “Cuidar do meio ambiente e reduzir a pegada de carbono, utilizando tecnologias limpas, é fundamental para tornar nossa indústria mais sustentável e eficiente”, afirma.

O CEO da Alibra também alerta para a necessidade de investir em cadeias como a láctea, onde o Brasil, mesmo sendo um dos maiores produtores de leite do mundo, ainda depende de importações de proteínas lácteas da Europa, Oceania e Estados Unidos. “Poderíamos produzir esses ingredientes localmente e agregar mais valor aos produtos consumidos aqui”, sugere Gonzatti, ressaltando que a Alibra já trabalha com tecnologias para transformar componentes do leite em insumos de alto valor agregado.

Segundo Gonzatti, criar um “clúster produtivo” que integre universidades, setor privado e órgãos públicos é essencial para desenvolver um ambiente favorável à inovação e à produção local. Ele defende que essa estratégia pode garantir maior autossuficiência e estabilidade econômica. “É um processo que já ocorre em algumas cadeias, mas há muito espaço para expandir e reduzir nossa dependência de importações”, conclui.





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Operação identifica 23 frigoríficos comprando gado de áreas embargadas na Amazônia



O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) realizou neste mês de outubro a Operação Carne Fria 2, com o objetivo de combater o desmatamento ilegal na Amazônia por meio da fiscalização da cadeia produtiva de gado. A ação focou em municípios dos estados do Amazonas e do Pará, onde foram identificadas infrações ambientais relacionadas à criação e comercialização de gado em áreas desmatadas de forma irregular.

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Durante a operação, o Ibama constatou que 69 propriedades rurais criavam e comercializavam cerca de 18 mil cabeças de gado em 26 mil hectares de áreas embargadas por desmatamento ilegal. Além das propriedades, 23 frigoríficos foram autuados por adquirir gado proveniente dessas áreas, configurando infração ambiental.

Como parte das ações de fiscalização, o Ibama aplicou 154 autos de infração, resultando em R$ 364,5 milhões em multas. Foram apreendidas 8.854 cabeças de gado criadas nas áreas embargadas, e três frigoríficos foram interditados por funcionarem sem a licença ambiental adequada ou por descumprirem os requisitos da licença concedida.

Os responsáveis pelas propriedades foram autuados por descumprimento de embargo, impedimento da regeneração natural e venda de produtos de áreas embargadas, sendo notificados a retirar os rebanhos bovinos dos locais interditados. O embargo, que impede a continuidade de atividades em áreas com infrações ambientais, é uma medida administrativa do Ibama que visa coibir o avanço de irregularidades.

Municípios afetados pela operação

A operação ocorreu em várias localidades do Pará, incluindo Novo Progresso, Santarém, Altamira, São Félix do Xingu, Igarapé-Açú, Portel, Anapú, Pacajá, Novo Repartimento, Ipixuna, Tomé-Açu e Bom Jesus do Tocantins. No Amazonas, as ações se concentraram nos municípios de Boca do Acre e Lábrea.

Impactos e desdobramentos jurídicos

As irregularidades identificadas durante a operação serão encaminhadas ao Ministério Público Federal (MPF), que deverá adotar medidas cíveis e criminais contra os envolvidos. O Ibama destacou a importância de que compradores e financiadores da produção rural consultem a lista pública de embargos do Instituto para evitar a aquisição ou apoio a produtos de origem ilegal.

Apoio e ações para controle do desmatamento

A Operação Carne Fria 2 integra o Plano de Ação para Prevenção e Controle do Desmatamento na Amazônia (PPCDAm), conduzido pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima. A ação contou com o apoio da Força Nacional e da Polícia Rodoviária Federal, fortalecendo a estratégia de responsabilizar administrativamente tanto a cadeia produtiva que adquire produtos de áreas desmatadas ilegalmente quanto os responsáveis pela supressão da vegetação.



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Ibama intercepta mais de 1 t de peixes comercializados ilegalmente em Guarulhos



O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) realizou, neste mês de outubro, a Operação Hermes, que resultou na interceptação de mais de uma tonelada de pescado ilegal no Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos. A carga, que tinha como destino final a capital paulista, foi apreendida pelas autoridades ambientais devido a irregularidades na documentação de origem.

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As notas fiscais que acompanhavam a carga apresentavam inconsistências e estavam em desacordo com a Lei Federal nº 11.959/2009, que regulamenta a pesca sustentável, com o Decreto Federal nº 6.514/2008, referente a infrações ambientais, e com o Decreto Federal nº 8.425/2015, que trata do Registro Geral da Atividade Pesqueira (RGP). Em razão das infrações, as empresas responsáveis pela comercialização foram multadas em R$ 47.540,00.

A investigação apontou que os peixes, incluindo 1.232 kg de robalo (Centropomus undecimalis) e 20 kg de camarão-tigre-gigante (Penaeus monodon), foram comprados de vendedores no Maranhão e enviados para São Paulo sem a documentação adequada que comprove a origem legal.

Após a apreensão, os pescados passaram por avaliação e foram doados ao Programa Mesa Brasil, uma iniciativa que combate a fome e distribui alimentos para instituições sociais e comunidades em situação de vulnerabilidade.

A Operação Hermes reforça o compromisso do Ibama com a fiscalização e controle das atividades pesqueiras, buscando garantir o desenvolvimento sustentável da pesca e coibindo a prática de atividades ilegais que prejudicam o meio ambiente e a biodiversidade aquática.



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Projeção do Focus de alta do PIB de 2024 passa de 3,05% para 3,08%



A mediana do relatório Focus para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro em 2024 aumentou pela terceira semana seguida, de 3,05% para 3,08% – aproximando-se estimativas do Banco Central e do Ministério da Fazenda, de 3,20%. Considerando apenas as 35 projeções atualizadas nos últimos cinco dias úteis, a mediana passou de 3,04% para 3,07%.

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A estimativa intermediária para 2025 se manteve em 1,93%, estável há três semanas, apesar da expectativa de um ciclo maior de aumento de juros – que, tudo mais constante, deveria ter impacto na atividade. Um mês antes, a projeção era de 1,92%. Considerando apenas as 33 expectativas atualizadas nos últimos cinco dias úteis, a mediana passou de 1,93% para 1,90%.

Os economistas do mercado não alteraram as projeções de crescimento da economia em 2026 e 2027. Ambas permaneceram em 2,0%, como já estão há 64 e 66 semanas, respectivamente.



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TSE dará resposta rápida a notícia-crime de Boulos, diz Cármen Lúcia


A Justiça Eleitoral dará uma resposta rápida à notícia-crime do candidato derrotado à Prefeitura de São Paulo Guilherme Boulos (PSOL) contra o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, disse nesta noite a presidenta do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministra Cármen Lúcia. De acordo com ela, o incidente foi isolado e não compromete a credibilidade das eleições.

“Sobre um caso que acontece quando 33 milhões de eleitores estão nas urnas, com 102 candidatos e que já foi judicializado, a Justiça Eleitoral tem prazo curtíssimo e sim, será dada a resposta. Fosse um país onde ficam meses ou semanas para dar a notícia até seria razoável a ilação [de que a Justiça Eleitoral está demorando a agir]”, declarou a presidenta do TSE em entrevista coletiva para apresentar o balanço do segundo turno das eleições municipais em 2024.

“Acho que um caso em 51 municípios [com disputas de segundo turno] com mais de 33 milhões de eleitores significa o êxito da Justiça Eleitoral, uma Justiça que funciona muito bem”, declarou a ministra.

Sem poder opinar sobre o caso, a ministra explicou a tramitação de processos de fake news na Justiça Eleitoral. “O que temos hoje é um sistema de alerta, o assessoramento específico de enfrentamento à desinformação que faz o encaminhamento de todas as notícias que chegam. O tratamento dado pelas instituições competentes, porque se trata em parte de uma investigação, em parte de uma necessidade de o Ministério Público verificar se é caso de denúncia. Se for, há o processo que segue a tramitação regular do processo penal eleitoral”, disse.

Cármen Lúcia ressaltou que a Justiça Eleitoral está criando um procedimento para uniformizar tipos de fake news que já tiveram decisões no TSE. O objetivo é dar mais rapidez às sentenças e reduzir o volume de processos em instâncias superiores. “O repositório tem o objetivo de incluir matérias que já foram objeto de tratamento e, portanto, o juiz fazer isso automaticamente sem precisar chegar aqui [ao TSE] em outros tempos”, comentou.

Neste domingo, o governador paulista afirmou, ao lado do prefeito reeleito Ricardo Nunes (PMDB), sem apresentar provas, que integrantes da facção Primeiro Comando da Capital (PCC) orientaram parentes e apoiadores a votarem em Boulos. A declaração de Tarcísio de que “teve o salve” do PCC pedindo voto em Boulos foi dada em entrevista coletiva no colégio Miguel Cervantes, na zona sul de São Paulo, onde vota o governador.

Boulos entrou com uma Ação de Investigação Judicial Eleitoral (Aije) na 1ª Zona Eleitoral de São Paulo por abuso de poder político e abuso no uso indevido dos meios de comunicação, contra Tarcísio.  A campanha do candidato derrotado também entrou com notícia-crime no TSE contra o governador. Esse processo será relatado pelo ministro Nunes Marques, que também integra o Supremo Tribunal Federal (STF).

Em consulta da Radioagência Nacional (EBC), o Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo informou desconhecer suposta orientação do PCC de voto no candidato a prefeito de São Paulo Guilherme Boulos (PSol). “Não chegou ao conhecimento do Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo nenhum relatório de inteligência nem nenhuma informação oficial”, respondeu a assessoria de imprensa do TRE-SP .

Estatísticas

Durante a entrevista, a presidenta do TSE apresentou estatísticas sobre as denúncias de fake news na campanha de 2024. De 4 de junho até este domingo (27), o TSE registrou 5.234 alertas no Sistema de Alertas de Desinformação (Siade) e 3.463 ligações na linha telefônica SOS Voto. Por causa da possibilidade de denúncias repetidas nos dois canais, os números não podem ser somados.

Em relação às irregularidades eleitorais denunciadas ao aplicativo Pardal, o TSE informou ter recebido 339 queixas. A ocorrência com maior número de denúncias foi a de boca de urna, com 202 registros.

Cármen Lúcia considerou baixo o número de ocorrências e repetiu que as eleições transcorreram em clima de tranquilidade. “As pouquíssimas ocorrências aconteceram num universo de mais de 30 milhões de eleitores. Essa eleição dá a demonstração de que o clima de violência e de intolerância, as desinformações como foram tentando recriar, inventar, fraudar dados para compelir eleitores é algo fora da normalidade democrática”, destacou a ministra.

Elogiando a independência do Poder Judiciário, a ministra agradeceu aos servidores da Justiça Eleitoral por garantir uma votação que chamou de “monótona”. “Cheguei lá [em Belo Horizonte, para votar]. Não tinha fila, não tinha confusão, não tinha nada. Votei e fui para casa. Que monotonia! Queremos a monotonia democrática para depois todo mundo ir para casa, poder ter sua casa com seus entes queridos almoçando”, comentou Cármen Lúcia.



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Segundo turno teve registro de 102 crimes eleitorais e 42 prisões


As forças de segurança registraram pelo menos 102 crimes eleitorais em todo o país neste segundo turno das eleições municipais. A maior incidência foi o de boca de urna, com 34 ocorrências, sendo seis em São Paulo e cinco em Fortaleza. As ações de propaganda eleitoral irregular somaram 19 casos, sendo três na cidade de Paulista (PE), seguidos de 14 tentativas de compra de votos, com cinco ocorrências em Manaus. Ao todo, os crimes resultaram em 42 prisões de eleitores, sendo que oito foram a partir de auto de prisão em flagrante. 

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Os dados foram divulgados em relatório do Centro Integrado de Comando e Controle Nacional (CICCN), do Ministério da Justiça e Segurança Pública.

Dinheiro e armas

O ministério divulgou ainda que, como provas dos crimes, foram apreendidos R$ 12.059 em dinheiro, além de 4.464 materiais de campanha usados irregularmente. Também foram recolhidas duas armas nos locais de votação e os eleitores foram autuados por porte ilegal. Os dois casos ocorreram na cidade de São Paulo. 

Não houve prisão de candidatos às prefeituras neste domingo.

O Ministério da Justiça informou no relatório que foram empregados, nos 51 municípios em que houve segundo turno, um total de 45.967 profissionais de segurança, com uso de 6.507 viaturas, além de 26 embarcações e 13 aeronaves.



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