Em missão no Sudeste Asiático, a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex Brasil) já mapeou cerca de 2.700 novas oportunidades de negócios para a indústria e o agronegócio nacional, incluindo o arroz, um produto que o país não tem tradição exportadora.
Ao mesmo tempo, os adidos agrícolas que atuam no estreitamento do país com a Associação de Nações do Sudeste Asiático (Asean) procuram maneiras de transpor barreiras para a comercialização de commodities agropecuárias para determinados países, como:
Gado vivo e gelatina bovina para a Malásia
Carne bovina para o Vietnã
Carne suína para a Indonésia
Bovinos vivos para o Camboja
Amendoim para as Filipinas
Arroz brasileiro para a Ásia
O gerente de Agronegócio da Apex Brasil, Laudemir Müller, conta que as conversas com a Asean identificaram que a China e o Vietnã, maiores compradores de arroz do mundo, precisaram procurar o cereal fora da Índia, nação onde têm o costume de adquiri-lo, porque a produção do país tem sido prejudicada pelos efeitos das mudanças climáticas.
“O Sudeste Asiático é uma região que precisa do Brasil e do agronegócio brasileiro. […] alguns anos atrás, não imaginávamos que poderíamos ser um player importante neste mercado. E o Brasil passa a ser procurado e temos condição de atender, mas, é claro, são variedades diferentes. Temos condição de em dois ou três anos produzir essas variedades e abastecer esse mercado”.
Müller lembra que o consumo interno brasileiro de arroz gira em torno de 10 a 11 milhões de toneladas e, na atual safra, o país tem o potencial de produzir cerca de 13 milhões de toneladas, deixando-o apto a ser um fornecedor internacional.
Inédita no mundo, uma ferramenta genômica de avaliação multirracial envolvendo duas raças bovinas (holandesa e gir) e a raça sintética girolando começa a ser desenvolvida.
O trabalho é conduzido por meio de parceria entre a Associação Brasileira dos Criadores de gir leiteiro (Abcgil), a Associação Brasileira dos Criadores de Girolando (Girolando) e a Associação Brasileira de Criadores de Bovinos da Raça Holandesa (Abcbrh) e a Embrapa Gado de Leite (MG). As instituições acabam de lançar edital público para atrair empresas privadas, que atuem no mercado de genética, visando esse objetivo.
A ideia inicial é avaliar as características de produção de leite em até 305 dias e a idade ao primeiro parto. O grande desafio, segundo o pesquisador da Embrapa, João Cláudio Panetto, tem sido conectar a imensa base de dados dos programas de melhoramento. A raça holandesa por exemplo, a mais difundida no mundo, possui no Brasil acima de dois milhões de bovinos registrados.
Já o programa de melhoramento do gir leiteiro tem cerca de quatro décadas de registros de dados. O cruzamento das duas raças deu origem à raça sintética girolando, cujo programa de melhoramento foi iniciado em 1997 e, da mesma forma, produziu centenas de milhares de dados.
O pesquisador da Embrapa, Claudio Napolis Costa, destaca que, na atual etapa de desenvolvimento, o trabalho buscará identificar a melhor estratégia para incorporar os dados com os programas de melhoramento em curso. Ainda assim, a expectativa é de uma entrega rápida. Estima-se concluir os trabalhos em apenas dois anos, com a ferramenta de análise genômica disponível comercialmente aos produtores em 2026.
A expectativa é que o produtor identifique quais são os melhores touros gir leiteiro para o cruzamento com vacas Holandesas, e vice-versa, visando obter o melhor girolando. Em outras palavras, esse tipo de melhoramento genético multirracial irá oferecer ao produtor informações mais precisas para a composição de um rebanho com alto potencial de ganho econômico.
Melhoramento genético tem aumentado a produção de leite
Os programas de melhoramento genético, distintos para cada raça, existem há quase quatro décadas e têm permitido identificar animais de elevado potencial para diversas características de importância zootécnica e econômica. Os resultados estão cada vez mais incorporados aos sistemas de produção, impactando, por exemplo, no volume de leite.
Na raça girolando, por exemplo, nas últimas duas décadas, somente o fator genético foi responsável por um incremento de 28% na produção. Ou seja, a cada 15 litros de leite, mais de quatro têm relação direta com a elevação do mérito genético das vacas. Já no gir leiteiro, no mesmo período, o incremento de produção devido ao melhoramento genético foi de 31%.
O chefe-geral da Embrapa Gado de Leite, Denis Teixeira da Rocha, comemorou o trabalho conjunto com as associações. “As parcerias entre instituições públicas e privadas, a exemplo de associações de criadores, centrais de inseminação, produtores de leite e Embrapa, têm colaborado muito com os avanços do setor, tornando o Brasil um dos maiores produtores de leite no mundo”, afirma.
Em 2023, o país produziu 35,4 bilhões de litros de leite com um rebanho de 15,7 milhões de vacas ordenhadas, número semelhante ao existente no início da década de 1980, quando o Brasil produzia apenas 11,2 bilhões de litros, menos de um terço do volume atual.
A percepção dos ganhos promovidos pelas parcerias é atestada pelas associações de criadores. Para o presidente da Abcgil, Evandro Guimarães, “o gir leiteiro evoluiu muito nas últimas décadas, em parte graças ao melhoramento genético impulsionado pelo Programa Nacional de Melhoramento do Gir Leiteiro (Pnmgl). A média de produção leiteira da raça mais que dobrou em quase 40 anos de Pnmgl”.
O presidente da Girolando, Domício Arruda, destaca que “somente na última década, as vacas girolando aumentaram a produção de leite em torno de 35%, mostrando na prática o resultado de um programa de melhoramento genético bem executado”. O presidente, presidente da Abcbrh, Armando Rabbers, conta que os bons resultados estão relacionados à aplicação das ferramentas mais modernas para seleção de touros e vacas.
“O emprego de tecnologias e programas avançados, como análise genômica, sistemas de acasalamento e inteligência artificial, tem sido uma prática comum, contribuindo para o aprimoramento contínuo dos processos de produção”, relata Rabbers.
Foto: José Renato Chiari/Embrapa
Desenvolvimento não interfere nos programas de cada raça
Os pesquisadores frisam que esse trabalho não implica qualquer interferência no programa de melhoramento genético de cada raça.
O que se pretende é gerar novas informações a partir de uma análise única de dados dos três programas, contemplando aspectos genômicos (do DNA dos animais), características que são expressas (chamadas de fenótipos), como produção leiteira, e pedigree, para obter a classificação dos touros de acordo com a composição racial das progênies que se quer obter.
“A avaliação genômica multirracial é um avanço possibilitado pelo conhecimento e pela experiência acumulados nos programas de seleção dessas raças leiteiras,” declara Claudio Napolis.
A nova abordagem permitirá a ampliação da base genética dos rebanhos, ajudando a mitigar a endogamia e o risco de defeitos genéticos.
“Ao reunir dados de múltiplas raças, as avaliações genômicas podem melhorar a precisão dos valores genéticos estimados (EBVs, na sigla em inglês) para várias características. Isto é particularmente benéfico para características com baixa herdabilidade ou dados limitados em raças individuais, conforme já demonstrado por resultados preliminares obtidos pela nossa equipe”, explica o pesquisador da Embrapa, Marcos Vinícius da Silva.
De acordo com Panetto, a questão que poderá ser respondida a partir da pesquisa em relação ao cruzamento das raças é se os animais utilizados para se obter um produto de raça pura são também os melhores para se obter um animal cruzado. Ele explica que, entre outras vantagens, as avaliações genômicas multirraciais apoiarão o desenvolvimento e a implementação de programas estratégicos de cruzamento.
“As combinações de raças podem ser adaptadas para otimizar o vigor híbrido, a produção de leite, a fertilidade e outras características economicamente importantes, levando ao melhor desempenho geral do rebanho”, detalha Panetto.
Foco na demanda do produtor
Na visão de Rocha, a avaliação multirracial traz benefícios para as três raças. “Boa parte do mercado de sêmen da raça holandesa e quase a totalidade da raça gir leiteiro são voltadas para a produção do girolando e, com a avaliação multirracial, esse mercado será impactado positivamente com novos produtos”, considera o chefe-geral da Embrapa Gado de Leite.
Espera-se que o mercado de venda de tourinhos com perfil de reprodutor também seria impactado com a oferta de um produto com maior valor agregado. “Muitas fazendas de gado da raça holandesa vendem touros a um preço baixo, porque não têm avaliação do indivíduo para produzir uma progênie cruzada”, expõe Marcos Silva.
Entre os diferentes integrantes dessa cadeia, a expectativa dos presidentes das associações de criadores é que o produtor de leite seja o principal beneficiado. O acesso a informações que identificam linhagens genéticas capazes de proporcionar maior lucratividade nas condições específicas de uma propriedade deverá otimizar o tempo e os recursos financeiros investidos na produção de um girolando de qualidade.
Sintetizando a visão do grupo, o presidente da Abcgil, Evandro Guimarães, relata: “Acreditamos que os produtores terão ferramentas mais robustas e precisas na hora de escolher o reprodutor e a raça que melhor atende as necessidades de seu rebanho”.
Impacto no mercado global
Os ganhos sentidos nos sistemas de produção nacionais também deverão reverberar em outros mercados, já que o sêmen de touros da raça holandesa comercializado pelas centrais no país é praticamente todo importado.
O material genético dos mesmos indivíduos é vendido a outros países de clima tropical para a produção de animais girolando, representando, portanto, uma oportunidade ao Brasil de exportar tecnologia.
“As avaliações multirraciais fornecerão informações valiosas para programas de criação de gado leiteiro em todo o mundo. Isso facilita a colaboração internacional e o intercâmbio de recursos genéticos, promovendo o progresso genético em escala global”, prevê Silva.
“É fundamental estabelecer parcerias com diferentes raças na busca por melhorias na cadeia de produção. Essa colaboração traz ganhos significativos, promovendo aprimoramentos contínuos na qualidade do produto, tanto para a indústria quanto para o consumidor”, afirma o presidente da Abcbrh, Armando Habbers.
Segundo o Informativo Conjuntural da Emater/RS-Ascar divulgado nesta quinta-feira (31), a semeadura do milho no Rio Grande do Sul avançou para 74% da área projetada para a safra 2024/2025. O plantio cobre quase todas as regiões do estado, com exceção da Campanha, onde o milho de safra precoce ainda não foi semeado.
A maior parte das lavouras gaúchas (90%) encontra-se em desenvolvimento vegetativo, com 10% já em fase de florescimento, que deve se intensificar a partir de novembro. O clima favorável, com solo úmido, alta radiação solar e noites amenas, tem beneficiado o desenvolvimento das plantas. No entanto, ventos intensos causaram acamamentos pontuais nas regiões Celeiro, Fronteira Oeste e Vale do Rio Pardo, com prejuízos mais acentuados no Alto Ijuí.
No manejo, produtores estão aplicando nitrogênio e controlando plantas invasoras, especialmente em áreas iniciais. O nível de infestação por pragas permanece baixo, com controle da cigarrinha-do-milho em poucas áreas, especialmente no Alto Uruguai. Para a safra 2024/2025, a área de cultivo de milho está estimada em 748.511 hectares, com produtividade média de 7.810 kg/ha.
Na Fronteira Oeste, em São Gabriel, o excesso de umidade paralisou o plantio em algumas áreas, e as lavouras tardias enfrentam risco de replantio devido a enxurradas e sementes de qualidade inferior. Na Campanha, a primeira janela de plantio do Zoneamento Agrícola de Risco Climático se encerrou sem conclusão, mas uma nova janela começa em 1º de novembro e vai até janeiro de 2025.
Regiões como Santa Rosa e Soledade relatam potencial produtivo elevado, com bom desenvolvimento das plantas e poucas infestações. No entanto, foi detectada a presença de pulgões e vaquinhas, exigindo medidas de controle.
O preço da saca de 60 quilos de milho subiu 2,79% em relação à semana anterior, passando de R$ 63,72 para R$ 65,50, conforme levantamento da Emater/RS-Ascar.
O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) informou ter realizado em outubro quatro operações com o Ibama para fiscalizar defensivos agrícolas proibidos e irregulares no Brasil.
Segundo a pasta, as apreensões das forças-tarefa resultaram na aplicação de multas de R$ 9,405 milhões. As empresas, cujos nomes não foram informados, responderão processos judiciais.
A primeira operação resultou no embargo da fabricação de três produtos e apreensão de 124 toneladas desses agroquímicos que estavam sendo produzidos com matérias-primas de uso proibido no Brasil.
“Neste caso, tratavam de substâncias químicas de alta toxicidade, bioacumulação e persistência no ar, água e solo, e que se acumulam nas células de gordura, sendo toxicologicamente preocupantes para a saúde humana e ao meio ambiente, proibidos pela Convenção de Estocolmo”, disse a pasta em nota.
Outras duas forças-tarefa foram realizadas para controle de qualidade dos defensivos agrícolas importados.
Foram suspensas as atividades de importação e formulação de 36 produtos e a apreensão de 235 toneladas de agroquímicos de duas empresas por não realizarem o controle de qualidade dos importados.
A quarta operação envolveu a Receita Federal de Viracopos e foi deflagrada com a Polícia Federal de Campinas, São Paulo, que resultou na apreensão de 12,2 toneladas contrabandeadas, além de fertilizantes batizados com defensivos.
A empresa produtora de fertilizantes tinha registro dos produtos junto ao Ministério. Ao fiscalizar o estoque, foram encontrados os produtos proibidos.
Os resultados apresentaram a presença de químicos vetados pela legislação em pelo menos dois dos fertilizantes e dois adjuvantes produzidos pela empresa.
Além desse teste, foram coletadas amostras que serão analisadas pelo Laboratório Federal de Defesa Agropecuária (LFDA-SP) de Campinas, para confirmar o uso dos produtos proibidos na fabricação de fertilizantes e adjuvantes.
Pesquisadores da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ) e da Embrapa conduziram um estudo para avaliar a porosidade do solo em diferentes sistemas de manejo agrícola no bioma Cerrado.
O levantamento mostrou que práticas agrícolas sustentáveis podem preservar características do solo, como a porosidade e a agregação, em níveis comparáveis ao de áreas de mata nativa. Segundo o estudo, o manejo adequado do solo favorece a deposição de matéria orgânica, essencial para a saúde do ecossistema e o desenvolvimento de culturas e pastagens.
A pesquisadora da UFRRJ Érika Pinheiro detalha que a densidade do solo é um fator crucial que influencia diretamente a porosidade, a capacidade de infiltração de água, o crescimento radicular e a emergência das plantas.
Segundo ela, esses aspectos são determinantes para a produtividade agrícola, especialmente em solos do Cerrado, que têm características únicas e requerem cuidados específicos. “O estudo avaliou a porosidade do solo sob diferentes sistemas de manejo agrícola em comparação com uma área de mata nativa no bioma Cerrado, no município de João Pinheiro, Minas Gerais”, disse Pinheiro.
Para a realização do estudo, os pesquisadores coletaram amostras de solo em diferentes áreas de cultivo e manejo no Cerrado. As amostras foram utilizadas para determinar a densidade do solo e a qualidade da porosidade em três tipos de manejo: plantio convencional de milho, pastagem produtiva com capim mombaça, e uma área de Cerrado denso preservado, utilizado como referência de comparação e como estratégia para o protocolo de MRV (monitoramento, relato e verificação) para o Projeto PRS Cerrados, afirma o pesquisador da Embrapa Meio Ambiente, Celso Manzatto.
A análise revelou que, no sistema de plantio convencional de milho, a densidade e porosidade do solo eram semelhantes às observadas nas áreas de mata nativa e nas pastagens. De acordo com Manzatto, essa similaridade se deve ao histórico de uso da área com cultivo de Brachiaria, o que ajudou a enriquecer o solo com matéria orgânica via sistema radicular.
Já a pesquisadora da UFRRJ Letícia Pimenta informa que a área destinada ao plantio de milho teve um período de cultivo de abóbora sob plantio direto no ano anterior, o que contribuiu para reduzir a compactação do solo, pois o sistema não envolveu o uso de maquinário pesado para revolvimento. Esse intervalo entre as culturas e a ausência de operações mecanizadas ajudaram a manter a estrutura do solo mais favorável à infiltração de água e ao crescimento das raízes.
Nas áreas de pastagem produtiva, a conservação da porosidade do solo foi explicada por uma série de práticas de manejo voltadas para o controle do impacto da atividade pecuária. Segundo pesquisador da Embrapa Solos David Campos, o uso controlado da taxa de lotação animal e a rotação entre os piquetes permitem que o capim mombaça tenha períodos de recuperação, o que contribui para a preservação da estrutura do solo e, consequentemente, sua porosidade.
Essa prática, segundo os especialistas, diminui o risco de compactação causado pelo pisoteio excessivo do gado, além de promover o desenvolvimento de um sistema radicular mais robusto, capaz de contribuir para a manutenção e aumento da matéria orgânica no solo.
Importância do manejo adequado para o bioma Cerrado
A preservação da estrutura do solo no Cerrado é fundamental para a sustentabilidade do bioma e para a manutenção da produtividade agrícola a longo prazo. O Cerrado, uma das regiões mais ricas em biodiversidade do planeta, é também um dos ecossistemas mais suscetíveis a impactos ambientais. O manejo inadequado do solo pode levar à sua compactação, redução da capacidade de infiltração de água e diminuição do suporte às raízes das plantas.
A pesquisa conduzida pela equipe da UFRRJ e da Embrapa reforça a importância das práticas de manejo que mantêm o solo em condições semelhantes às das áreas nativas, mesmo em cenários de produção agrícola e pecuária.
Essa abordagem, que inclui o uso de pastagens bem manejadas e práticas de plantio direto, revela-se fundamental para a conservação do solo e da vegetação nativa, ajudando a garantir a resiliência dos solos do Cerrado e a segurança alimentar das próximas gerações. A pastagem produtiva com o capim Massai também foi avaliada no estudo sobre a porosidade.
Os resultados deste estudo oferecem subsídios para que produtores e técnicos do setor agrícola adotem práticas sustentáveis no manejo do solo. A pesquisa confirma que é possível conciliar a produção com a conservação ambiental, especialmente em regiões ecologicamente sensíveis, como o Cerrado.
Esse trabalho foi apresentado na XXI Reunião Brasileira de Manejo e Conservação do Solo e da Água e VIII Simpósio Mineiro de Ciência do Solo, 2024 e os autores são Letícia Pimenta, Vanessa Pereira, Amanda Santos, Maria Eduarda Xistuli, Érika Pinheiro, da Universidade Federal do Rio de Janeiro; David de Campos, da Embrapa Solos; e Celso Manzatto, da Embrapa Meio Ambiente.
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Segundo a análise semanal da Central Internacional de Análises Econômicas e de Estudos de Mercado Agropecuário (Ceema), os preços do trigo no Brasil seguem em tendência de alta, principalmente para o produto de qualidade superior. No Rio Grande do Sul, o valor médio do saco de trigo está em R$ 68, enquanto no Paraná, onde a colheita já avança para 91% da área, o preço varia entre R$ 77 e R$ 79 por saco. Um ano atrás, o trigo superior gaúcho tinha uma média de R$ 49,64 por saco, enquanto o valor no Paraná era de R$ 54. Esse salto nos preços representa uma valorização de 37% no Rio Grande do Sul e de até 47% no Paraná.
Em São Paulo, onde a colheita foi praticamente finalizada, a alta dos preços foi ainda mais acentuada devido à consolidação da quebra de safra. No Rio Grande do Sul, a colheita atingiu 29% da área até 24 de outubro, levemente abaixo da média histórica para o período, que é de 31%, conforme apontou a análise.
A expectativa da Ceema é de que a quebra da safra brasileira de trigo fique entre 20% e 25%, com uma produção final ao redor de 7,5 milhões de toneladas, abaixo das 8,1 milhões colhidas em 2023. A qualidade do grão é outro fator preocupante: grande parte da produção não atinge o padrão de PH 78 e o índice de Falling Number ideal, indicadores importantes para o mercado de trigo. Esses fatores devem levar o Brasil a aumentar as importações do cereal em 2025, com uma estimativa de 5 a 6 milhões de toneladas para suprir o mercado interno.
Os próximos dias serão decisivos para a economia mundial. De 4 a 8 de novembro, o Comitê Permanente do Congresso Nacional do Povo da China se reúne para anunciar uma série de estímulos para impulsionar o crescimento da segunda maior economia do planeta.
De acordo com a agência de notícias estatal chinesa Xinhua, os estímulos fiscais deverão ser conhecidos apenas durante o evento, que é muito aguardado pelos investidores, mas informou que diversos projetos de lei e relatórios de agências governamentais serão revisados.
Para o professor de economia da Fundação Armando Alvares Penteado (Faap) Paulo Dutra Constantin, entender a hierarquia política chinesa é essencial para captar a dimensão global dessas decisões.
“O Partido Comunista Chinês é o centro do poder, enquanto o Congresso Nacional do Povo define as políticas econômicas e sociais”, afirma.
Efeitos na economia global: o que muda?
Constantin enfatiza que, sendo a China a segunda maior economia mundial, ficando atrás apenas dos Estados Unidos, cada medida aprovada pelo CNP afeta mercados ao redor do mundo. “A reforma econômica de 1978, por exemplo, alavancou a economia a taxas superiores a 9% ao ano, promovendo um boom de commodities no início dos anos 2000”.
Em setembro, o Banco Central chinês deu início a uma série de estímulos, com uma injeção de liquidez de 1 trilhão de yuans (o equivalente a mais de R$ 800 bilhões) e cortes nas taxas de juros. As medidas de apoio monetário foram as mais agressivas desde a pandemia da Covid-19. Segundo o economista, embora esses estímulos forneçam fôlego temporário, não são suficientes para sustentar um crescimento acelerado no longo prazo.
“A China já opera próxima da sua capacidade máxima de produção e enfrenta limitações naturais de expansão. Medidas adicionais, como emissão de títulos e subsídios, podem aumentar a demanda agregada, mas o efeito será passageiro e pode resultar em inflação. Em médio prazo, a economia pode entrar em um ciclo de estagnação e aumento de preços”, prevê Constantin.
Impactos para o Brasil e o agro
A reunião do Congresso chinês é um evento de impacto global, e as deliberações da próxima semana podem determinar não apenas o ritmo de crescimento econômico na China, mas também o cenário para os principais parceiros comerciais do país asiático, incluindo o Brasil.
Constantin avalia que, no curto prazo, os incentivos fiscais podem elevar a demanda por commodities, beneficiando a economia brasileira. Ele alerta, porém, que “com o aumento da inflação na China, medidas restritivas serão aplicadas, reduzindo o consumo, principalmente de minerais”.
As commodities agrícolas, por sua vez, deverão ser menos afetadas por serem essenciais à alimentação.
Para o professor da Faap, o ritmo de crescimento da China deve desacelerar naturalmente, devido à base de comparação que aumenta ano a ano, além das limitações tecnológicas para ganhos de produtividade.
“Essa desaceleração é inevitável. O Brasil precisa diversificar seus parceiros comerciais e investir em infraestrutura e produtividade para reduzir a dependência chinesa, criando uma base econômica mais equilibrada”, conclui.
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Segundo a análise semanal da Central Internacional de Análises Econômicas e de Estudos de Mercado Agropecuário (Ceema), o plantio da nova safra de soja no Brasil avançou para 36% da área projetada, ligeiramente abaixo do ritmo do ano passado, de acordo com análises da Pátria Agronegócios e AgRural. No Mato Grosso, maior produtor nacional, o Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) indica que 56% da área total foi plantada até 25 de outubro, um pouco abaixo da média histórica de 62,3% para essa época do ano.
De acordo com dados do Ceema, com a colheita de soja norte-americana praticamente concluída, as atenções do mercado voltam-se para a América do Sul, onde a expectativa é de uma safra recorde. A Commstock Investments aponta que, caso o plantio e o desenvolvimento da safra ocorram conforme o esperado, as cotações da soja em Chicago podem recuar para US$ 9,00 por bushel ou até menos.
O banco Rabobank divulgou novas estimativas de plantio para o Brasil, projetando um aumento de 1,5% na área total semeada, que deve alcançar 47 milhões de hectares. Em condições climáticas normais, o banco estima uma colheita de 167 milhões de toneladas. Para comparação, a Conab registrou uma produção de 147,4 milhões de toneladas na safra passada, apesar das quebras regionais, conforme informou o Ceema.
Segundo o Ceema, a ferrugem asiática, principal doença que afeta as lavouras de soja no país, já começa a ser detectada no Noroeste do Rio Grande do Sul. Dados do programa Monitora Ferrugem RS, que utiliza 74 coletores em diversas áreas do estado, mostram os primeiros focos da doença, que pode reduzir a produtividade em até 90% quando encontra condições climáticas favoráveis.
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Foto: Divulgação
De acordo com a análise semanal da Central Internacional de Análises Econômicas e de Estudos de Mercado Agropecuário (Ceema), o mercado de milho encerrou o mês de outubro com tendência de baixa em Chicago. O primeiro contrato futuro fechou o dia 31 em US$ 4,10 por bushel, recuando frente aos US$ 4,21 registrados na semana anterior e aos US$ 4,29 do início do mês. No mesmo período do ano passado, a cotação estava em US$ 4,78 por bushel, evidenciando uma queda ao longo de um ano.
A colheita de milho nos Estados Unidos alcançou 81% da área total até 27 de outubro, superando a média histórica para o período, que é de 64%. A rápida colheita reflete as boas condições climáticas, que contribuíram para o avanço.
No lado das exportações, os embarques de milho dos EUA totalizaram 823.664 toneladas na semana encerrada em 24 de outubro, elevando o volume total exportado no atual ano comercial para 6,6 milhões de toneladas. Esse montante representa um aumento considerável em relação aos 4,98 milhões de toneladas exportadas no mesmo período do ano anterior.
Pancadas de chuva em grande parte do país, mas de forma mais ocasional: veja a previsão do tempo para este feriado de Finados nas cinco regiões:
Sul
A maior parte da Região Sul do país se mantém sem previsão de chuva. Este sábado terá bastante sol, mas com condição de pancadas de chuva mais isoladas no leste e norte de Santa Catarina, leste e litoral do Paraná, bem como no oeste e sul do Rio Grande do Sul. Em todas essas áreas, não são esperados grandes volumes.
Sudeste
O tempo continua mais instável no norte e noroeste de São Paulo, no centro-norte, sul, leste e Triângulo de Minas Gerais, no norte do Rio de Janeiro e no Espírito Santo. A chuva pode acontecer a qualquer momento do dia com forte intensidade e risco de alguns temporais. O sol aparece mais nas capitais fluminense e paulista, com chuva à tarde de maneira mais irregular.
Centro-Oeste
O tempo continua bem instável em todo o Centro-Oeste. O dia ainda pode começar com mais aberturas de sol no leste e nordeste de Mato Grosso do Sul, em áreas do sul de Mato Grosso e do leste e norte de Goiás, incluindo a região do Distrito Federal. Condição de chuva forte e temporais localizados na maior parte da Região. Tempo mais nublado no oeste sul-matogrossense e norte mato-grossense
Nordeste
A chuva aumenta no oeste e sul da Bahia, podendo acontecer com força em Porto Seguro e Ilhéus. Chove em forma de pancadas mais irregulares no sul do Maranhão e do Piauí. Umidade que vem do mar favorecendo um pouco de chuva sobre o litoral de Alagoas, Pernambuco e Paraíba, mas sem alertas. Tempo firme no interior do Ceará, centro-leste do Piauí e no Rio Grande do Norte.
Norte
O tempo continua instável com pancadas fortes de chuva no Acre, em Rondônia e no Amazonas. A precipitação continua se espalhando mais sobre o sul do Pará e o sul de Tocantins, podendo acontecer com força. Risco alto de temporais em Palmas, Rio Branco e Manaus. Pancadas mais isoladas em Belém e Macapá.