quarta-feira, julho 22, 2026

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Indústria química e a discussão sobre o gás natural



As empresas produtoras de gás solicitaram maior flexibilidade



As empresas produtoras de gás solicitaram maior flexibilidade
As empresas produtoras de gás solicitaram maior flexibilidade – Foto: Pixabay

A Agência Nacional do Petróleo (ANP) encerra nesta sexta-feira (8) a consulta pública sobre a revisão da Resolução ANP nº 16, de 2008, que regula as especificações e o controle de qualidade do gás natural. A Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim) destaca que a composição estável do gás é crucial para a indústria, que consome cerca de 25 a 27% do gás natural no Brasil. A modificação proposta nas especificações pode trazer danos significativos aos processos industriais, ao meio ambiente e à segurança dos equipamentos, além de comprometer novos investimentos no setor.

Desde 2016, é possível dizer que as empresas produtoras de gás solicitaram maior flexibilidade nas especificações, especialmente em relação ao gás do pré-sal, mais rico em frações líquidas pesadas. No entanto, a Abiquim defende que é possível manter a especificação atual e preservar o valor de matérias-primas como o etano, crucial para a petroquímica. Alterações nas normas poderiam causar uma entrega de gás com composição instável, prejudicando a separação dos insumos e aumentando a emissão de CO2.

Além disso, a oscilação no poder calorífico do gás tem gerado aumento de custos. Em abril de 2024, o preço do gás natural no Brasil atingiu US$ 11,9/MMBTU, um aumento de 87% em relação a 2021. A Abiquim propõe alternativas para aumentar a oferta de gás e reduzir os preços, como a exploração de gás não convencional e novas rotas de escoamento. A associação também defende maior concorrência no mercado de gás para garantir preços mais competitivos e sustentáveis.

 





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Rússia fornecerá grãos para a Malásia


Como parte de um esforço nacional para fortalecer a segurança alimentar na Malásia, o Melewar Industrial Group firmou um memorando de entendimento com a União Russa de Exportadores de Grãos, com o objetivo de garantir um fornecimento contínuo de grãos para o país, conforme informado pela Bernama, Agência Nacional de Notícias da Malásia.

A assinatura do acordo, realizada em 8 de novembro, contou com a presença de Datuk Seri Mohamad Sabu, ministro da Agricultura e Segurança Alimentar; Naiyl Latypov, embaixador russo na Malásia; Eduard Zernin, presidente da União Russa de Grãos; e Tunku Datuk Yaacob Khyra, presidente do Melewar Industrial.

Zernin destacou que este memorando representa o primeiro grande contrato de fornecimento da União Russa de Grãos com a Malásia, e a expectativa é de que o país forneça entre 600.000 e 700.000 toneladas de trigo anualmente ao mercado malaio.

A Rússia é o maior fornecedor mundial de trigo, com a SovEcon, empresa de pesquisa do Mar Negro, prevendo exportações de 45,9 milhões de toneladas na temporada de 2024-25. Além do trigo, a Rússia também exporta cevada e milho.

A Malásia, que não produz trigo, depende de importações para suprir a demanda interna. O Serviço Agrícola Estrangeiro do Departamento de Agricultura dos EUA estima que o país importará 1,78 milhão de toneladas de trigo em 2023-24, com a Austrália como principal fornecedor, detendo cerca de 50% do mercado.

Tunku Yaacob ressaltou que o Melewar Industrial possui uma longa trajetória na indústria alimentícia, com investimentos em diversos setores, como uma fazenda de gado no Cazaquistão, uma granja avícola e unidade de processamento no Camboja, além de uma fazenda de camarões em Malaca. 

 





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Preços do trigo e óleo de palma sobem em outubro



Os preços globais dos óleos de girassol e colza também seguiram em alta



O preço do trigo subiu devido a condições climáticas
O preço do trigo subiu devido a condições climáticas – Foto: Divulgação

Os preços mais altos de várias commodities impulsionaram o Índice de Preços de Alimentos da FAO a atingir sua maior marca em 18 meses, chegando a 127,4 pontos em outubro, o que representa um aumento de 2% em relação a setembro. Este valor é o maior desde abril de 2023 e 5,5% superior ao do ano passado, embora ainda esteja 20,5% abaixo do pico de março de 2022 (160,2 pontos). 

O Índice de Preços de Óleo Vegetal subiu 7,3%, atingindo 152,7 pontos, o maior nível em dois anos, impulsionado pelo aumento nos preços do óleo de palma, soja, girassol e colza. A alta do óleo de palma foi alimentada por preocupações com a produção abaixo do esperado e pela redução sazonal na produção nos principais países produtores do Sudeste Asiático.

Os preços globais dos óleos de girassol e colza também seguiram em alta, enquanto o óleo de soja se valorizou devido à forte demanda global e à oferta limitada de alternativas. Já o Índice de Preços dos Cereais teve um aumento de 0,8% em outubro, chegando a 114,4 pontos, mas ainda ficou 8,3% abaixo do valor do ano passado. O preço do trigo subiu devido a condições climáticas adversas nos grandes produtores do Hemisfério Norte, e a reintrodução de um piso de preço não oficial na Rússia, além das tensões no Mar Negro, pressionaram os preços.

No milho, os preços aumentaram, influenciados pela forte demanda no Brasil e desafios logísticos devido aos baixos níveis dos rios. Por outro lado, o Índice de Preços do Arroz caiu 5,6%, reflexo das expectativas de maior concorrência entre exportadores após a Índia retirar as restrições de exportação de arroz não quebrado.

 





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Exportações da suinocultura foram históricas



A China perdeu o posto de maior comprador para as FIlipinas



Japão, Chile e Hong Kong também mostraram aumentos expressivos
Japão, Chile e Hong Kong também mostraram aumentos expressivos – Foto: Embrapa – BIESUS, Luiza Letícia

Em outubro, o setor de carnes finas brasileiro obteve um desempenho histórico nas exportações, com 130 mil toneladas de carne suína enviadas ao exterior, representando um crescimento de 40% em relação ao mesmo mês do ano passado. O acumulado de janeiro a outubro também foi positivo, com 1,12 milhão de toneladas exportadas, o que significa um aumento de 10,7% em comparação com 2023. A previsão inicial da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) indicava um crescimento entre 7% e 8%, mas os resultados superaram as expectativas, com uma tendência de continuidade positiva nos meses de novembro e dezembro. 

Ricardo Santin, presidente da ABPA, destacou que esse desempenho é reflexo de uma diversificação de mercados e da crescente capilaridade das exportações brasileiras. A China, que tradicionalmente foi o maior comprador, apresentou uma queda de 24% nas importações, enquanto as Filipinas registraram um impressionante crescimento de 260%, importando 38 mil toneladas em outubro. Esse salto é um dos principais fatores que marcam um novo cenário para as exportações brasileiras: pela primeira vez em anos, as Filipinas superaram a China como maior importador de carne suína do Brasil, com 206 mil toneladas importadas de janeiro a outubro, representando um crescimento de 103,3% em relação ao ano anterior.

Além disso, países como Japão, Chile e Hong Kong também mostraram aumentos expressivos nas compras de carne suína brasileira. O Japão, por exemplo, registrou quase 200% de crescimento, enquanto mercados como o Chile e Singapura também se destacaram positivamente. A diversificação de mercados tem sido fundamental para manter a estabilidade do setor, mesmo com a queda nas exportações para a China, e tem garantido a segurança alimentar em diversas regiões do mundo. Santin reforçou a importância de um mercado global mais equilibrado e a relevância da suinocultura brasileira para o Brasil e para os países importadores.

 





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Manejo nutricional na transição de seca para chuva



Com a chegada das chuvas, os pastos começam a rebrotar



Com a chegada das chuvas, os pastos começam a rebrotar
Com a chegada das chuvas, os pastos começam a rebrotar – Foto: Canva

A transição entre a seca e as águas é um período crítico na pecuária, especialmente no manejo nutricional de bovinos. Durante essa fase, a escolha do suplemento correto é essencial para evitar quedas no consumo e prevenir intoxicações alimentares. De acordo com Murilo Meschiatti, consultor técnico da Trouw Nutrition, a inclusão de Ureia nos suplementos proteicos deve ser ajustada conforme as mudanças climáticas e a alteração na composição das forrageiras.

No período de seca, as pastagens apresentam baixo teor de proteína e menor digestibilidade das fibras. Isso exige uma suplementação proteica mais robusta, sendo a ureia um componente crucial para fornecer Nitrogênio Não-Proteico (NNP), que melhora a digestibilidade das fibras, aumenta o consumo de matéria seca e favorece o ganho de peso.

Com a chegada das chuvas, os pastos começam a rebrotar e a qualidade nutricional das forragens melhora, elevando a digestibilidade. Nesse cenário, é necessário ajustar a suplementação proteica, reduzindo ou até removendo a ureia, para evitar excesso de proteína bruta. Essa adaptação visa garantir o consumo adequado do suplemento e otimizar os custos, já que a ureia, juntamente com outros aditivos, controla a ingestão dos animais.

A Trouw Nutrition oferece soluções adequadas para esse período de transição, como o Lambisk SA, um proteinado ideal para substituir a ureia e atender às necessidades nutricionais do rebanho nas fases de seca e chuva. “Isso porque, durante a seca, as pastagens apresentam baixo teor de proteína e menor digestibilidade das fibras, exigindo uma suplementação proteica mais intensa. A ureia, nesse cenário, se torna essencial para os produtores que buscam fornecer Nitrogênio Não-Proteico (NNP), composto que melhora a digestibilidade das fibras, aumenta o consumo de matéria seca e, consequentemente, promove o ganho de peso dos animais”, explica Murilo.

 





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Batatas podem ser menos dependentes de fertilizantes



Os resultados indicam que o bloqueio do StCDF1 melhora o desempenho



Os resultados indicam que o bloqueio do StCDF1 melhora o desempenho
Os resultados indicam que o bloqueio do StCDF1 melhora o desempenho – Foto: Agrolink

Uma pesquisa recente, publicada na New Phytologist, revelou um avanço promissor na busca por culturas agrícolas mais sustentáveis. Cientistas descobriram que a modificação genética das batatas pode reduzir a dependência de fertilizantes nitrogenados, contribuindo para a diminuição das emissões de gases de efeito estufa.

O estudo, realizado por pesquisadores do Centro de Pesquisa em Genômica Agrícola da Espanha, foca na proteína Solanum tuberosum CYCLING DOF FACTOR 1 (StCDF1), que regula a tuberização das batatas e a resposta da planta ao nitrogênio. Essa proteína se liga ao DNA e controla a expressão do gene NITRATE REDUCTASE, fundamental para a redução de nitrato e sua assimilação pela planta.

Os resultados indicam que o bloqueio do StCDF1 melhora o desempenho das batatas em ambientes com baixo teor de nitrogênio. Isso ocorre porque a modulação da expressão do gene NITRATE REDUCTASE reduz a necessidade de fertilizantes nitrogenados, tornando a planta mais eficiente no uso do nitrogênio disponível no solo.

Salomé Prat, coautora do estudo, destaca que a variação natural na ligação de StCDF1 ao gene NITRATE REDUCTASE pode ser uma estratégia eficaz para reduzir as necessidades de fertilizantes azotados nas batatas. “Essa abordagem oferece uma oportunidade significativa para a agricultura mais sustentável e para a redução do impacto ambiental”, afirma Prat.

Essa descoberta abre novas perspectivas para a redução da dependência de fertilizantes nitrogenados, oferecendo uma alternativa promissora para melhorar a sustentabilidade da produção agrícola, com impactos positivos tanto ambientais quanto econômicos.





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Hábitos pouco saudáveis elevam custos alimentares



O estudo analisa como esses custos ocultos estão distribuídos



O estudo analisa como esses custos ocultos estão distribuídos
O estudo analisa como esses custos ocultos estão distribuídos – Foto: Pixabay

Um estudo recente da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) revela que os custos ocultos nos sistemas agroalimentares globais somam aproximadamente 12 trilhões de dólares por ano. Desse total, cerca de 70% (8,1 trilhões de dólares) são resultantes de hábitos alimentares pouco saudáveis, associados a doenças não transmissíveis, como doenças cardíacas, derrames e diabetes. A pesquisa, publicada no relatório Estado Mundial da Agricultura e da Alimentação (SOFA) 2024, destaca a necessidade de abordar não apenas os custos ambientais, mas também os riscos sanitários e sociais relacionados à produção e consumo de alimentos.

O estudo analisa como esses custos ocultos estão distribuídos entre diferentes tipos de sistemas agroalimentares, como os industriais, tradicionais e em crise. Nos países de renda alta e média, os custos sanitários ocultos são os mais significativos, devido a dietas desequilibradas. Já nos sistemas agroalimentares em crise prolongada e tradicionais, os principais desafios estão relacionados à falta de acesso a frutas e hortaliças frescas, enquanto nos sistemas mais industrializados, o consumo excessivo de carnes vermelhas e sódio é o principal problema.

Além disso, o relatório revela que práticas agrícolas insustentáveis, como emissões de gases de efeito estufa e poluição da água, aumentam os custos ambientais, especialmente nos sistemas em processo de diversificação. Esses custos são particularmente elevados nos países afetados por crises prolongadas, onde os impactos ambientais podem representar até 20% do Produto Interno Bruto (PIB).

A FAO faz um apelo para a transformação dos sistemas agroalimentares, visando torná-los mais sustentáveis, resilientes e inclusivos. Destaca-se a importância de integrar políticas agrícolas, sanitárias e ambientais para tratar de forma integral os custos e benefícios, garantindo a segurança alimentar e um futuro mais próspero e saudável para todos.

 





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eleição de Trump reacende guerra comercial com a China; incertezas no mercado



A vitória de Donald Trump nas eleições presidenciais dos Estados Unidos deve impactar o mercado de commodities agrícolas, especialmente devido à sua abordagem protecionista, à política “America First” e à preferência por acordos bilaterais. A soja é um dos produtos que mais deve sofrer com a mudança no comando da maior economia do mundo. “Se seu segundo mandato repetir as diretrizes anteriores, algumas dinâmicas específicas podem ser previstas”, avalia o analista e consultor da Safras & Mercado, Élcio Bento.

A “guerra comercial” com a China, durante sua gestão anterior, é um exemplo de conflito comercial que pode ressurgir. Trump favoreceu renegociações de acordos multilaterais, como o NAFTA, e promoveu políticas que impactaram diretamente os mercados agrícolas, como a retirada dos EUA do TPP (Trans-Pacific Partnership).

“Durante a guerra comercial, por exemplo, a China reduziu suas compras de soja dos EUA e aumentou as importações do Brasil”, lembra o consultor. “Se tensões semelhantes voltarem a ocorrer, o Brasil e outros grandes exportadores de soja podem novamente beneficiar-se ao atender à demanda chinesa”, frisa.

Trump utilizou tarifas sobre produtos agrícolas para pressionar a China e defender a produção nacional, o que gerou oscilações nos preços globais. “Ao elevar tarifas e impor sanções, produtos como a soja e o milho americanos sofreram quedas de preços”, pondera Bento.

“Além disso, os subsídios concedidos por Trump para mitigar as perdas dos agricultores ajudaram a sustentar a competitividade dos produtos americanos, embora tenham gerado distorções temporárias nos mercados globais”, destaca. “O Brasil poderá se beneficiar, sendo a principal alternativa de abastecimento para a potência asiática”, prevê.

Historicamente, governos republicanos tendem a favorecer um dólar mais fraco, o que aumenta a competitividade dos produtos americanos. “Isso favorece as exportações de commodities agrícolas dos EUA ao reduzir o preço em comparação a outras moedas, o que pode pressionar concorrentes como o Brasil e a Argentina”, justifica o analista.

Tensões geopolíticas e comerciais

A abordagem mais dura de Trump em relação ao Irã na última gestão, incluindo sanções e um posicionamento estratégico com Israel, pode indicar uma intensificação das tensões caso ele retorne ao poder. “Caso sanções ao Irã aumentem, o mercado de petróleo e derivados poderia ser afetado, impactando custos logísticos para o setor agrícola”, explica o consultor. Trump também sugeriu disposição para resolver rapidamente o conflito Rússia-Ucrânia, possivelmente por meio de concessões que poderiam afetar a estabilidade geopolítica e o mercado global de grãos.

A postura combativa de Trump nas negociações comerciais e as tensões com economias como a China e o Irã podem criar um clima de incertezas, influenciando o planejamento e a confiança dos investidores no setor de commodities. “Essa instabilidade pode resultar em volatilidade nos preços das commodities agrícolas, principalmente nas mais expostas ao comércio global, como soja e milho”, prevê Bento.

“Em suma, a nova gestão de Trump, com características similares às de seu primeiro mandato, pode trazer volatilidade e reorganizações comerciais, impactando tanto os produtores americanos quanto os mercados internacionais”, finaliza.



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CNA destaca sustentabilidade do agro brasileiro em evento



A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) participou, na última sexta-feira (8), do 2º Encontro de Mulheres do Agro Baiano, realizado durante o e-Agro 2024, em Salvador. O evento reuniu mais de 450 mulheres do setor agropecuário e teve como tema central a sustentabilidade e a inovação na produção agrícola.

A assessora de Sustentabilidade da CNA, Jordana Girardello, destacou o papel da agropecuária brasileira na segurança alimentar e mitigação das mudanças climáticas. Ela ressaltou como o Brasil aumentou a produção agrícola utilizando tecnologias de baixo carbono, sem expandir a área de cultivo, citando a Integração Lavoura-Pecuária-Floresta e a recuperação de áreas degradadas como soluções sustentáveis.

Jordana também trouxe dados sobre o uso do solo no Brasil, informando que o país utiliza apenas 30,2% de sua área para a agropecuária, mantendo 66,3% de vegetação nativa preservada. Em comparação com outros países, o Brasil ocupa apenas 7,8% de seu território com lavouras, o que reflete um aumento na produtividade sem a necessidade de abrir novas áreas para plantio — o que é chamado de “efeito poupa-terra”.

Outro ponto abordado pela especialista no evento foi o compromisso do Brasil com o Código Florestal e o Cadastro Ambiental Rural (CAR). Embora existam mais de 7,2 milhões de produtores cadastrados no CAR, Jordana destacou que a regularização ambiental ainda enfrenta desafios significativos, como a falta de estrutura nos órgãos estaduais de meio ambiente e a escassez de profissionais qualificados. Ela alertou que a falta de regularização prejudica o acesso de muitos produtores ao crédito rural e aos mercados.

Jordana também mencionou iniciativas da CNA, como os programas RetifiCAR e Pravaler, que buscam apoiar os produtores na regularização ambiental de suas propriedades.

Por fim, a assessora ressaltou a participação da CNA na próxima Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP29), que acontecerá em Baku, Azerbaijão, na próxima semana. Ela destacou a importância de representar o setor agropecuário nas negociações internacionais, especialmente no que se refere à adaptação às mudanças climáticas, ao mercado de carbono e à redução de emissões de metano.



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uso de microrganismos benéficos reduz tempo de produção



Uma nova pesquisa revela que microrganismos benéficos associados ao gênero Ananas têm grande potencial para atuar como promotores de crescimento na cultura do abacaxizeiro. Estudo realizado pela Embrapa em colaboração com a Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB) demonstrou que a microbiolização, um processo que envolve a inoculação de bactérias benéficas, pode acelerar em até 34% o tempo de aclimatização das mudas de abacaxi micropropagadas da variedade BRS Imperial.

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A pesquisa, publicada na revista Scientia Horticulturae, destaca que os isolados dessas bactérias promissoras serão testados em condições de campo, uma notícia animadora para viveiristas e abacaxicultores, pois o período de produção de mudas é um dos principais desafios da cultura, podendo levar até um ano para ser concluído, dependendo da variedade e das condições de plantio.

“O uso de microrganismos como promotores de crescimento não é novidade, mas essa abordagem, que utiliza bactérias do próprio microbioma do abacaxi, é nova. Nosso estudo investigou o potencial de crescimento dos isolados e o microbioma do solo associado ao abacaxi, visando minimizar perdas, promover o crescimento e reduzir o tempo de aclimatização das mudas, oferecendo aos produtores um material propagativo de melhor qualidade”, afirma Fernanda Vidigal, pesquisadora da Embrapa Mandioca e Fruticultura e líder do projeto “Uso de insumos biológicos na produção de mudas e melhoria do cultivo do abacaxizeiro”.

Vidigal também aponta que a variedade BRS Imperial é resistente à fusariose, a mais severa doença que afeta o abacaxizeiro, e possui alto teor de açúcar, sendo bem aceita pelos consumidores. No entanto, a produção em larga escala de mudas sadias ainda enfrenta dificuldades. “O protocolo para a multiplicação de mudas de abacaxi via micropropagação não tem mistério, mas o problema é o tempo que as mudas levam na etapa de aclimatização, que pode durar meses, encarecendo o processo”, destaca.

A pesquisa sugere que, com a inoculação de microrganismos, o tempo de aclimatização pode ser reduzido de 180 dias para entre 120 e 135 dias. Esse ganho de eficiência, que varia de 25% a 34%, não apenas diminui os custos para as biofábricas, mas também torna o processo mais economicamente viável, permitindo a produção de mudas mais desenvolvidas e saudáveis.

O fitopatologista Saulo Oliveira, coautor do artigo e coordenador dos trabalhos, ressalta que essa redução no tempo de aclimatização é um resultado significativo. “Com essa eficiência aumentada, conseguimos realizar três ciclos produtivos em vez de dois em um mesmo período de um ano, impactando positivamente a produtividade das empresas”, explica.

A identificação de microrganismos benéficos foi parte de um estudo anterior que buscou mapear a diversidade de microrganismos cultiváveis associados ao abacaxizeiro em diferentes ambientes. O trabalho envolveu comparação entre plantas de cultivo comercial e ambientes naturais, permitindo a seleção de isolados que potencializam o crescimento.

Oliveira enfatiza que esses microrganismos não apenas promovem crescimento, mas também podem atuar no controle biológico de patógenos, proporcionando resistência a doenças. “Esperamos que, ao aumentar o vigor da planta, a produtividade não seja tão afetada por patógenos, permitindo compensações em casos de mortalidade de plantas”, comenta.

Além disso, a pesquisa visa reduzir a dependência de insumos químicos na produção agrícola, buscando uma abordagem mais sustentável. A proposta é transformar esses microrganismos em bioinsumos, que serão disponibilizados para os produtores em parceria com outras instituições.

Com esse avanço, a Embrapa espera contribuir para um sistema de produção de abacaxi mais eficiente e sustentável, beneficiando tanto os produtores quanto o mercado consumidor. A validação dos processos de microbiolização em campo está em andamento, e os resultados preliminares são promissores, reforçando a importância da pesquisa na agricultura moderna.



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