sexta-feira, julho 17, 2026

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Pesquisadores criam pão feito com farinha de jabuticaba que pode ser consumido por diabéticos


Pesquisadores da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) desenvolveram um pão com farinha de casca de jabuticaba que pode se tornar uma alternativa para quem precisa controlar os níveis de açúcar no sangue (glicemia), como é o caso de pessoas com diabetes. Os resultados dos testes foram publicados na revista Foods.

Embora o pão seja um alimento largamente consumido, sua composição rica em carboidratos gera picos glicêmicos acentuados, o que pode ser indesejado.

Nesse sentido, apontam os autores, a panificação tem buscado diversificar os produtos com formulações para agregar valor nutricional, além de apostar em métodos de fermentação que favoreçam uma resposta glicêmica menos intensa.

Segundo dados do artigo, a adição da farinha da casca de jabuticaba gerou aumento significativo de mais de 50% nas fibras. Além disso, a capacidade antioxidante também aumentou de 1,35 a 3,53 vezes, dependendo do teor de farinha de jabuticaba adicionada à formulação. Houve aporte de nutrientes e, com isso, melhora na composição nutricional do produto final.

Pão de jabuticabaPão de jabuticaba
Foto: Miriam Regina Canesin Takemura et al./Foods

Para avaliar o pico de glicemia, os autores realizaram um estudo crossover em que os participantes ingeriram um pão feito pelo método de fermentação natural longa (que por si só já gera menor pico glicêmico) e, na semana seguinte, o pão com a inclusão da farinha da casca da fruta.

O pico de glicemia do pão sem a adição da farinha de jabuticaba foi observado 30 minutos após sua ingestão e permaneceu alto até 45 minutos, quando começou a baixar. Já no caso do alimento contendo o ingrediente à base de jabuticaba houve um pico mais tardio (após 45 minutos) e menos proeminente, decaindo suavemente ao longo de três horas.

Ação no metabolismo humano

O aumento da glicemia ocorre ao consumir alimentos especialmente ricos em carboidratos, como pães, por exemplo. O processo de digestão libera glicose, que sinaliza ao pâncreas a necessidade de secretar insulina – e esta age de forma a retornar aos níveis anteriores de açúcar no sangue.

Falhas nesse processo levam a problemas de saúde, por isso é tão importante observar a magnitude dos aumentos de glicemia conforme a alimentação.

“Se tivermos menores aumentos na glicose e na insulina após as refeições, teremos menos chance de desenvolver diabetes e síndrome metabólica. Além disso, em quem já tem alterações na glicemia, controlar os aumentos da glicose após as refeições pode reduzir o risco de doenças cardíacas. Por fim, podemos aumentar a vida útil das células produtoras de insulina”, destaca um dos autores do artigo, Bruno Geloneze, professor da Faculdade de Ciências Médicas (FCM) da Unicamp e pesquisador principal do Centro de Pesquisa em Obesidade e Comorbidades (OCRC).

Segundo a professora da Faculdade de Engenharia de Alimentos (FEA) da Unicamp e orientadora da tese que gerou a publicação, Cinthia Cazarin, o maior desafio da produção dos pães para os testes foi unir o fator tecnológico com a manutenção do valor nutricional e funcional do pão.

“A farinha da casca da jabuticaba apresenta características sensoriais bastante próprias, e sua inclusão teve de ser avaliada tanto em relação às características tecnológicas da panificação quanto relacionadas ao processamento e preservação dos compostos bioativos presentes”, conta.

Essa preservação era essencial porque as diferenças observadas na melhor curva glicêmica e na resposta à insulina estão associadas principalmente à quantidade de compostos fenólicos presentes na casca da fruta, como antocianinas – responsáveis por sua coloração arroxeada –, que não poderiam se “perder” durante o processo.

Sensação de saciedade

Outro ponto importante notado na pesquisa foi em relação à sensação de fome. Após uma hora, os relatos dos participantes quando consumiram o pão com a farinha de jabuticaba foram de maior sensação de saciedade do que quando ingeriram o pão-controle. Isso geralmente é observado, dizem os autores, quando o retorno da glicemia aos níveis basais é mais lento (gerado por alimentos com menor índice glicêmico).

Entre os resultados, destaca-se também a capacidade antioxidante, que foi monitorada por três horas após o consumo do alimento. Houve aumento considerável e por maior período na capacidade de neutralização de radicais livres de oxigênio após a ingestão do pão com a farinha especial.

“Essa melhoria na capacidade antioxidante é importante porque os processos de aparecimento de doenças metabólicas, cardiovasculares e oncológicas, além do envelhecimento em si, envolvem mecanismos de oxidação de proteínas em nosso corpo. A capacidade antioxidante de um alimento pode ser benéfica em todos esses mecanismos”, ressalta Geloneze.

Além disso, a vida útil do pão foi garantida por sete dias. Essa extensão do prazo de validade, dizem os autores, aponta que bactérias presentes na farinha da casca de jabuticaba e os metabólitos formados durante o processo de fermentação podem atuar como conservantes naturais em produtos de longa fermentação – que é um inibidor para o crescimento de microrganismos não desejados nesse produto.

Benefícios da jabuticaba

Nos últimos anos, muitos estudos estão focados na inclusão de ingredientes com alto valor biológico, especialmente subprodutos da agroindústria devido ao grande volume produzido, potencial nutracêutico e impacto ambiental associado ao descarte.

Nesse sentido, o professor da FEA-Unicamp e um dos autores do artigo apoiado pela Fapesp, Mário Maróstica, vem desenvolvendo há anos trabalhos sobre a caracterização de compostos bioativos em frutas nativas brasileiras.

O potencial do consumo de frutas roxas como a jabuticaba mostrou já alguns resultados promissores no sentido de prevenir ou retardar o aparecimento de doenças crônicas não transmissíveis. “A casca da jabuticaba possui compostos fenólicos e fibras, que possuem efeitos demonstrados no controle da glicemia e de colesterol em diversos estudos”, destaca o professor.

Num desses estudos já havia sido caracterizada a eficiência do suco de jabuticaba para a redução da resistência à insulina e aumento da produção de um importante hormônio regulador da fome, saciedade e do controle glicêmico, o GLP-1 (cuja ação é emulada por medicamentos como semaglutida e liraglutida).

Com os resultados promissores avançando, as pesquisas do grupo que une departamentos das áreas de ciências médicas e engenharia de alimentos da Unicamp continuam investigando os bioativos da fruta e envolvem agora modelos animais para estudo de sua relação com a depressão e na prevenção do câncer colorretal. 



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AgroNewsPolítica & AgroSafra

Ações da China recuam com investidores à espera de mais estímulos


Logotipo Reuters

XANGAI/CINGAPURA (Reuters) – Os mercados acionários da China e de Hong Kong caíram nesta quarta-feira já que os investidores buscaram lucrar com a forte alta anterior, que foi atenuada pela falta de medidas de estímulo vigorosas para reanimar a economia.

Os índices de referência na China registraram suas maiores perdas diárias desde o início da pandemia da Covid-19, apesar do anúncio de uma coletiva de imprensa do Ministério das Finanças no sábado para detalhar os planos de estímulo fiscal.

No fechamento, o índice de Xangai teve queda de 6,62%, enquanto o índice CSI300, que reúne as maiores companhias listadas em Xangai e Shenzhen, recuou 7,05%. Ambos os índices registraram suas maiores perdas em um dia desde fevereiro de 2020 e também interromperam uma sequência de 10 dias de ganhos.

O volume de negócios no mercado de ações A, que inclui ações listadas em Xangai, Shenzhen e Pequim, foi de 2,96 trilhões de iuanes (419,04 bilhões de dólares) nesta quarta-feira, abaixo do recorde de 3,485 trilhões de iuanes registrado no dia anterior.

O índice Hang Seng, de Hong Kong, caiu 1,38%, , embora continue sendo um dos mercados de melhor desempenho da região este ano.

Analistas de mercado disseram que as autoridades não conseguiram fornecer mais detalhes sobre as medidas de estímulo de Pequim na tão esperada coletiva de imprensa da Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma na terça-feira, deixando os investidores desapontados.

“Eu diria que os recentes anúncios da comissão foram um pouco decepcionantes, principalmente porque não houve muito em termos de novos estímulos ou orientações claras para o futuro”, disse Nori Chiou, diretor de investimentos da White Oak Capital.

“O mercado está esperando um anúncio de estímulo fiscal em algum momento deste mês, algo em torno de 2 trilhões a 3 trilhões de iuanes é a faixa sobre a qual se fala”, disse Alvin Tan, chefe de estratégia de câmbio da Ásia na RBC Capital Markets.

. Em TÓQUIO, o índice Nikkei avançou 0,87%, a 39.277 pontos.

. Em HONG KONG, o índice HANG SENG caiu 1,38%, a 20.637 pontos.

. Em XANGAI, o índice SSEC perdeu 6,62%, a 3.258 pontos.

. O índice CSI300, que reúne as maiores companhias listadas em XANGAI e SHENZHEN, retrocedeu 7,05%, a 3.955 pontos.

. Em SEUL, o índice KOSPI permaneceu fechado.

. Em TAIWAN, o índice TAIEX registrou alta de 0,21%, a 22.659 pontos.

. Em CINGAPURA, o índice STRAITS TIMES valorizou-se 0,56%, a 3.595 pontos.

. Em SYDNEY o índice S&P/ASX 200 avançou 0,13%, a 8.187 pontos.





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Goiás fomenta agricultura com R$ 19,3 milhões do FCO Rural



Os recursos serão destinados a 18 projetos rurais




Foto: Pixabay

A 410ª reunião da Câmara Deliberativa do Conselho de Desenvolvimento do Estado (CDE), realizada na última quarta-feira (13), autorizou a captação de R$ 19,3 milhões pelo Fundo Constitucional de Financiamento do Centro-Oeste (FCO Rural). Os recursos serão destinados a 18 projetos rurais em 16 municípios goianos, com expectativa de gerar 22 novos empregos no setor, conforme informado pela Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa) do Governo de Goiás.

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De acordo com a secretaria da agricultura, a maior parte dos recursos foi destinada a pequenos produtores rurais, que tiveram 11 propostas aprovadas. Outros cinco projetos foram direcionados a produtores de pequeno-médio porte. Também foram contemplados um produtor de porte médio e outro classificado como mini porte.

Segundo a Seapa. criado pela Constituição Federal de 1988 e regulamentado pela Lei nº 7.827/1989, o FCO tem como objetivo fomentar o desenvolvimento econômico e social nos estados de Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e no Distrito Federal. O fundo opera em duas modalidades: FCO Empresarial e FCO Rural. Os recursos são provenientes de 0,6% do Imposto de Renda (IR) e do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), além dos retornos dos financiamentos. Podem acessar o programa produtores rurais, empresas, pessoas físicas e jurídicas, além de cooperativas de produção.





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Primeira-dama Janja xinga empresário Elon Musk, que responde à ofensa


O painel Cria G20, que busca conectar pautas da sociedade civil aos debates propostos no encontro do G20 (grupo que reúne as 20 maiores economias do mundo), foi palco de um momento inusitado neste sábado (16) quando a primeira-dama, Rosângela da Silva, a Janja, foi convidada a falar e ofendeu o empresário norte-americano Elon Musk, que posteriormente respondeu em comentário no “X”, antigo Twitter, rede social da qual é o proprietário.

Entenda como foi

No discurso de improviso, ela falou dos desafios do governo federal em socorrer as vítimas das enchentes de maio deste ano no Rio Grande do Sul e, também, em combater a desinformação que surgiu à época. “Pessoas arriscaram a vida de pessoas”, considerou.

Ao ter a fala interrompida por um barulho agudo, aparentemente de microfonia, disse em tom de brincadeira que se tratava de Elon Musk tentando silenciá-la. “Não tenho medo de você! Inclusive, fuck you, Elon Musk”. A expressão em inglês é semelhante ao “vá se f…” do português.

Resposta de Musk

Elon Musk, Amazonia, Brasil, TwitterElon Musk, Amazonia, Brasil, Twitter
Elon Musk. Foto: Divulgação/SpaceX

Em comentário sobre o vídeo que retrata o ocorrido, Musk respondeu com emojis de gargalhadas e disse que o atual governo perderá a próxima eleição.

Como pano de fundo do xingamento de Janja está o fato da rede social “X” ser frequentemente acusada de disseminar notícias falsas indiscrimidamante.

“A gente falou da regulamentação das redes sociais, das plataformas. Sempre tenho falado que não é uma questão local, se a gente não fizer essa discussão de uma forma global, a gente não vai conseguir vencer. Não adianta ter leis no Brasil – e sabemos que está difícil de acontecer, a gente sabe todos os empecilhos – se a gente não discutir essa questão de forma global”, disse a primeira-dama.

No final de 2023, Janja teve sua conta do X kackeada por alguém que passou a publicar ofensas machistas contra ela, bem como menções ao escândalo do mensalão e aos ministros do Superior Tribunal Federal (STF). A primeira-dama possui cerca de 1,2 milhões de seguidores na rede social.

Elon Musk foi recentemente anunciado como chefe do novo Departamento de Eficiência Governamental do governo de Donald Trump, que se inicia em janeiro de 2025.

O empresário foi no período de campanha um dos maiores apoiadores e financiadores do presidente recém-eleito.



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AgroNewsPolítica & Agro

Criptoativos ganham espaço no agronegócio brasileiro



Parceria quer investir no setor



A relação entre o agronegócio e as tecnologias financeiras tem avançado rapidamente
A relação entre o agronegócio e as tecnologias financeiras tem avançado rapidamente – Foto: Pixabay

A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) firmou, na quarta-feira (13), um acordo de cooperação técnica com a Sociedade Nacional de Agricultura (SNA), fortalecendo a integração do agronegócio brasileiro ao mercado financeiro. A parceria inclui a realização de ações educacionais, estudos conjuntos e seminários sobre temas como Fiagro, crowdfunding, certificados e criptoativos, como bitcoin, criptomoedas e tokens digitais. A iniciativa também busca capacitar os servidores da CVM em questões relacionadas ao setor agropecuário, ampliando o diálogo entre as áreas.

A relação entre o agronegócio e as tecnologias financeiras tem avançado rapidamente, especialmente com o uso de blockchain e tokens digitais. Essa tecnologia oferece aos produtores rurais uma alternativa para acessar crédito, muitas vezes difícil em instituições tradicionais. Por meio de tokens lastreados em commodities agrícolas, investidores podem financiar a produção e, em troca, receber ativos digitais vinculados à colheita futura, garantindo transparência e eficiência. O acordo com a SNA reforça o potencial de inovação no setor, sob a regulação da CVM, que garante segurança jurídica a essas operações.

O movimento acompanha tendências do Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA), que desde 2020 explora o uso do blockchain. Em 2022, o MAPA chegou a buscar consultores especializados em criptomoedas para apoiar projetos futuros, sinalizando o interesse crescente do setor público em novas tecnologias financeiras.

“A aprovação dessa parceria com a SNA representa um passo importante para fortalecer a conexão entre o agronegócio e o mercado de capitais. Com o crescente interesse do setor em acessar novas fontes de financiamento, é essencial que avancemos em estudos e pesquisas que possibilitem políticas e normas mais adequadas às necessidades específicas do agronegócio“, disse em nota da CVM o Superintendente de Securitização e Agronegócio da CVM, Bruno Gomes.

 





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Preços do boi gordo ainda terão alta nesta semana? Analista responde


O mercado físico do boi gordo manteve a trajetória de preços aquecidos para a arroba ao longo da semana.

De acordo com o analista de Safras & Mercado Fernando Iglesias, o fator cambial, com a desvalorização do dólar frente ao real, contribuiu para que os frigoríficos permanecessem agressivos no mercado, cenário que reflete o instenso ritmo de embarques registrado nas últimas semanas.

Conforme ele, o ambiente de negócios ainda sugere pela alta das cotações no curto prazo, considerando a atual posição das escalas de abate, bastante apertadas neste momento, posicionadas entre quatro e cinco dias úteis na média nacional.

Preços médios da arroba do boi

Os preços médios da arroba do boi gordo na modalidade a prazo nas principais praças de comercialização do país estavam assim no dia 14 de novembro (véspera do feriado):
  • São Paulo (Capital): R$ 339,42, alta de 2,8% frente aos R$ 330 registrados na semana passada
  • Goiás (Goiânia): R$ 331,43, avanço de 3,5% perante os R$ 320 praticados na última semana
  • Minas Gerais (Uberaba): R$ 329,41, aumento de 2,9% em relação aos R$ 320 da semana passada
  • Mato Grosso do Sul (Dourados): R$ 325,68 a arroba, alta de 1,7% contra os R$ 320 da semana anterior
  • Mato Grosso (Cuiabá): R$ R$ 314,59, estável frente à última semana
  • Rondônia (Vilhena): R$ 305, inalterado frente à semana passada

Mercado atacadista

carne bovina - exportaçõescarne bovina - exportações
Foto: Wenderson Araujo/CNA

O mercado atacadista, por sua vez, apresentou preços acomodados no decorrer da semana. Contudo, o ambiente de negócios ainda sugere pela elevação no curto prazo, em linha com a boa demanda ao longo da primeira quinzena do mês.

Iglesias ressalta que a carne de frango tende a ganhar competitividade no restante da temporada, consequência do baixo poder de compra da população brasileira para a aquisição de cortes bovinos.

O quarto traseiro foi precificado a R$ 24,00 por quilo, estável frente à semana passada. O quarto do dianteiro foi cotado a R$ 19,50 por quilo, também inalterado frente à última semana.

Exportações de carne

As exportações de carne bovina fresca, congelada ou refrigerada do Brasil renderam US$ 354,554 milhões em novembro (6 dias úteis), com média diária de US$ 59,092 milhões, de acordo com a Secretaria de Comércio Exterior (Secex).

A quantidade total exportada pelo país chegou a 73,522 mil toneladas, com média diária de 12,253 mil toneladas. O preço médio da tonelada ficou em US$ 4.822,40.

Em relação a novembro de 2023, houve alta de 36,9% no valor médio diário da exportação, ganho de 30,4% na quantidade média diária exportada e avanço de 5,0% no preço médio.



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AgroNewsPolítica & Agro

Custo de alimentação para pecuária cresce


O Índice de Custo Alimentar Ponta (ICAP) apontou R$ 14,90 no Centro-Oeste em outubro de 2024, marcando uma alta expressiva de 10,13% em relação a setembro. No Sudeste, o índice ficou em R$ 11,89, com leve alta de 0,25%. O aumento reflete o aquecimento da pecuária de corte, impulsionado pela demanda internacional por proteína animal e a valorização do preço da arroba. A elevação nos custos de nutrição está diretamente relacionada à intensificação do confinamento e à alta nos preços de insumos como milho, Ureia e soja.  

No Centro-Oeste, o custo médio da tonelada de matéria seca para a dieta de terminação subiu 9,62%, atingindo R$ 1.114,78. Já no Sudeste, a mesma dieta custou R$ 1.120,82, com alta de 6,38%. Apesar da estabilidade no ICAP geral no Sudeste, as maiores pressões vieram de insumos como núcleos minerais (+31,30%) e caroço de algodão (+8,46%). Em contrapartida, as dietas de adaptação e crescimento tiveram leves quedas, segurando o índice na região.  

A longo prazo, o aumento no custo da engorda tem pressionado margens, especialmente no Centro-Oeste, que registrou uma alta de 5,67% nos custos comparado a outubro de 2023. No Sudeste, houve redução de 2,67%, favorecendo a lucratividade. Estimativas indicam custos de R$ 218,66 e R$ 188,74 por arroba produzida, respectivamente, para as duas regiões, permitindo lucros de até R$ 980 por cabeça no Sudeste.  

Com a alta demanda e os custos em elevação, o pecuarista precisa manter eficiência na produção e buscar bonificações junto aos frigoríficos, como o diferencial do Boi China, que oferece até R$ 7,50 a mais por arroba. A gestão rigorosa dos custos será essencial para manter a lucratividade em um cenário de desafios e oportunidades.  

 





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Navio à vela transportará 600 toneladas de café verde e sementes de cacau para a França


O Porto de São Sebastião, no litoral de São Paulo, inicia nesta semana o carregamento de cerca de 600 toneladas de café a serem transportadas até a França por um navio sustentável, movido a vela e energia eólica.

O produto saiu de uma fazenda em Mococa, no interior paulista, e levará três semanas para chegar ao porto de Le Havre.

O carregamento prevê a exportação de 700 pallets com 14 sacas de café em cada um deles, totalizando 9,8 mil sacas. Além disso, também serão embarcadas algumas sacas contendo semente de cacau brasileiro para a indústria europeia de chocolates.

Primeira viagem

É a primeira viagem do veleiro-cargueiro Artemis, que saiu diretamente do estaleiro onde foi fabricado, no Vietnã, para São Sebastião. A proposta é realizar a operação da forma mais sustentável possível, desde a produção até o transporte.

Por isso a escolha do Porto de São Sebastião para o transporte do café. O local é administrado pela Companhia Docas de São Sebastião, vinculado à Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística do Estado de São Paulo (Semil), e possui o selo verde.

A decisão também levou em conta as condições facilitadas de operação, como a profundidade do canal de navegação, e até as características da região, com a beleza natural das praias da cidade e da vizinha Ilhabela.

Características do navio

Porto de São SebastiãoPorto de São Sebastião
Foto: Governo de São Paulo/Divulgação

O veleiro possui um conjunto de velas que ocupam um total de 3.000 metros quadrados de área. O mastro principal tem 65 metros de altura. Além disso, joysticks operam o veleiro direto da cabine de comando.

O vento também gera energia eólica com o movimento das velas. Essa energia limpa é armazenada em baterias e alimenta toda a operação do navio, como painéis, equipamentos e iluminação.

Apenas em casos extremos, quando não há vento suficiente, a embarcação utiliza motor a combustão. Já a carga de café é rastreada, o que permite aos compradores saber como foi o processo de plantio e colheita da carga.

“Essa é uma operação extremamente significativa e que reforça o crescimento do Porto de São Sebastião, que vem batendo recordes de movimentação de cargas. É relevante também realizar o transporte de um produto tão simbólico para o estado de São Paulo e para o Brasil, ainda mais em um formato sustentável”, disse o diretor-presidente da Docas de São Sebastião, Ernesto Sampaio.

Porto não movimentava café há décadas

Em setembro de 2024, o Porto de São Sebastião realizou a primeira operação de café para exportação depois de mais de 60 anos sem movimentações deste tipo.

Mais de 8 mil toneladas de café verde produzidos em Minas Gerais e São Paulo foram embarcadas com destino à Alemanha. A última operação do setor cafeeiro feita no Porto de São Sebastião havia ocorrido na década de 1960.

Rafael Moura, diretor de Logística da FTS Par, que controla a Seaforte (empresa operadora da carga de café), considerou essa operação histórica.

“Falamos de uma carga especial, que é o café brasileiro, e também o nosso cacau 100% rastreável, tudo dentro de uma cadeia sustentável, desde o plantio, cultivo e a colheita, até este momento em que a carga seguirá seu destino à Europa, em um transporte marítimo que reduz a emissão de gases poluentes.”

*Sob supervisão de Victor Faverin


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Café raro extraído das fezes do jacu ultrapassa os R$ 30 mil por saca



Com uma plumagem preta e porte médio, a ave jacuaçu, popularmente conhecida como jacu, nem sempre foi bem-vinda nas lavouras de café.

Isso porque ela se alimenta dos grãos maduros, atrapalhando o rendimento da colheita. No entanto, de ameaça, a ave tem se tornado uma aliada e responsável pela produção de um dos cafés mais caros do Brasil, o café do jacu.

No sítio Pico do Boné, no município de Araponga, em Minas Gerais, a presença do pássaro é constante e motivo de satisfação para a cafeicultora Kátia Belo Martins, pois sinaliza que já está na hora da colheita e também haverá uma boa quantidade de grãos do suave e exótico café do jacu.

Ela conta que a ave não era bem-vinda na propriedade, mas mudou de ideia após conhecer a importância do pássaro como dispersor de sementes, contribuindo para a regeneração florestal, e também sobre o alto valor dos grãos que são retirados das fezes dele.

“Aqui tem muito jacu e a gente viu que, ao invés de espantar e vê-lo como inimigo, decidimos transformá-lo em aliado”, relata.

Café do jacu

A colheita dos grãos do café do jacu é feita manualmente e de forma cuidadosa, afinal é preciso procurar no chão onde estão as fezes da ave. É dessas fezes, parecidas com o tradicional doce “pé de moleque”, que se retiram os valiosos grãos de café.

Assim, todas as tardes, Kátia conta com a ajuda da mãe, da irmã ou do namorado para recolher os excrementos da ave.

Após recolhidas, as fezes passam por um processo de secagem para a retirada dos grãos de café, que em seguida são higienizados, secados, torrados, moídos e embalados.

Exótico e caro

Além de ser retirado das fezes de um pássaro, há outras características que fazem com que esse café seja considerado exótico e tenha alto valor agregado. O extensionista da Emater-MG Regivaldo Moreira Dias, explica que entre os fatores estão a qualidade dos grãos que o pássaro se alimenta, o processo de fermentação, a dificuldade de colheita e a baixa produção.

Dias informa que o pássaro se alimenta dos melhores grãos de café, garantindo uma boa qualidade final. Além disso, o processo de fermentação já ocorre no animal.

“O sistema digestivo do jacu só vai processar a casca e a polpa do café, que é a mucilagem. Então o grão fica praticamente intacto, mas ele já passou por uma fermentação natural que confere a esse grão características sensoriais muito superiores ao café comum”, explica.

Segundo Kátia Martins, a colheita exige um olhar atento e a produção é pequena, mas todo esforço vale a pena, pois a lista de espera para a compra do Penélope Majestosa (uma homenagem ao nome científico do jacu) é grande.

A comercialização, por enquanto, é feita apenas no país. O valor da saca (60kg) pode chegar a incríveis R$ 34 mil e o pacote de 150 gramas custa R$ 125.

O extensionista da Emater-MG ressalta a importância do pássaro para o setor cafeeiro. “O jacu não é um vilão. Na verdade, ele é um aliado, pois não está comendo o café, mas sim processando e produzindo um produto de melhor qualidade”, afirma.


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Desmatamento cai 55% na Mata Atlântica no primeiro semestre


Dados do Sistema de Alertas de Desmatamento (SAD) Mata Atlântica indicam redução de 55% no desmatamento do bioma no primeiro semestre de 2024 em comparação com o mesmo período do ano anterior.

De janeiro a junho, foram desmatados 21.401 hectares, ante 47.896 em 2023, segundo levantamento divulgado pela Fundação SOS Mata Atlântica, em parceria com o MapBiomas.

Apesar da redução, a SOS Mata Atlântica avalia que o impacto do desmatamento permanece alarmante e inaceitável, especialmente neste bioma que é tão devastado e ameaçado.

Segundo a fundação, embora viável, a meta de zerar o desmatamento no bioma ainda é um desafio.

Ações de combate

A queda no desmatamento decorre, em grande parte, do fortalecimento da fiscalização, do corte de crédito para desmatadores ilegais e do uso de embargos remotos, que são restrições aplicadas a áreas desmatadas detectadas por monitoramento a distância, impedindo seu uso comercial.

“A redução do desmatamento é resultado do fortalecimento e da aplicação das políticas públicas ambientais brasileiras, principalmente a volta da fiscalização ambiental e o fortalecimento do Ministério do Meio Ambiente e do Ibama”, diz o diretor executivo da SOS Mata Atlântica, Luís Fernando Guedes Pinto.

O engenheiro agrônomo afirmou que os dados atuais representam um alívio temporário, mas ressaltou a necessidade contínua de vigilância e ação.

Nas áreas de encraves – fragmentos de vegetação nativa da Mata Atlântica localizados em limites com outros biomas como Cerrado, Caatinga e Pantanal, onde o desmatamento chamou a atenção ao longo do ano passado –, a redução chegou a 58%. Para Guedes Pinto, esta é uma ótima notícia.

“No ano passado, houve uma queda na região contínua de Mata Atlântica e aumento nos encraves, e este ano teve diminuição nessas duas regiões. Isso se deve também ao plano de combate ao desmatamento no Cerrado, a ações na Caatinga, a toda uma estratégia nacional de combate ao desmatamento”, acrescenta.

Desmatamento zero

O MapBiomas informa que restam 24% da cobertura florestal original da Mata Atlântica. A proporção está abaixo do limite mínimo aceitável para conservação da cobertura, que é, segundo estudo publicado na revista Science, de 30%.

Além disso, as florestas naturais estão restritas a espaços extremamente fragmentados – a maior parte não chega a 50 hectares – e, em 80% dos casos, estão em propriedades privadas.

Guedes Pinto lembra que, para o Brasil cumprir os compromissos firmados no Acordo de Paris, deve alcançar o desmatamento zero em todos os biomas até 2030.

Para o engenheiro agrônomo, a Mata Atlântica tem o potencial de ser o primeiro bioma brasileiro a alcançar essa meta. “Isso porque é onde o desmatamento é relativamente menor e é uma região com bastante governança”, disse.

Impunidade ao desmatamento

Ele observa que a impunidade diante dos crimes ambientais ainda é um enorme obstáculo para que tais metas sejam atingidas.

“O caminho possível é continuar a fiscalização e a aplicação dos mecanismos de comando e controle, que são as punições para a ilegalidade.”

Guedes Pinto destaca que é preciso afirmar a lei da Mata Atlântica politicamente, para órgãos federais, estaduais e municipais. “A última coisa são os incentivos econômicos para manter a floresta de pé e para a restauração”, afirma o engenheiro, que cita políticas públicas, como pagamento por serviços ambientais, além de instrumentos de mercado, como o mercado de carbono.

Queimadas criminosas

Brasil tem 22,38 milhões de hectares atingidos pelo fogo em nove mesesBrasil tem 22,38 milhões de hectares atingidos pelo fogo em nove meses
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

“As respostas das autoridades têm sido insuficientes, como vimos com relação às queimadas criminosas que este ano atingiram níveis assustadores”, ressalta a diretora de Políticas Públicas da SOS Mata Atlântica, Malu Ribeiro.

Para ela, a falta de justiça quase uma década depois do dano ambiental decorrente do rompimento da barragem de minério em Mariana, Minas Gerais, é exemplo dessa negligência institucional.

Já Guedes Pinto aponta, ainda, o enorme impacto dos incêndios na Mata Atlântica. Segundo ele, a área de florestas queimadas foi maior do que o espaço desmatado no ano passado.

“A queimada não resulta no desmatamento, mas leva à degradação da floresta. Queimadas sucessivas podem acabar levando os pequenos fragmentos a desaparecer”, enfatiza.

As queimadas têm grande impacto sobre a biodiversidade, na emissão de gás de efeito estufa, além de degradar a floresta.

“Ela pode entrar em uma rota inclusive de morte. Por isso, é preciso proteger as áreas que foram impactadas pelas queimadas, observar como vão reagir para se recuperar. O impacto [imediato] é menor que o do desmatamento, mas, no médio e longo prazos, pode ser até parecido.”



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