Pecuaristas familiares de Caçapava do Sul, no Rio Grande do Sul, estão recebendo doses de sêmen de touros de alta genética como parte de uma parceria entre a Embrapa Pecuária Sul, a Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul (Fetag) e sindicatos locais. A iniciativa visa fomentar o uso de tecnologias como a inseminação artificial em tempo fixo (IATF) para melhorar a produtividade e a sustentabilidade econômica dos pequenos produtores da região.
A pesquisadora da Embrapa Pecuária Sul, Vivian Dagnesi Timpani, explica que o projeto tem como objetivo levar genética de excelência aos pecuaristas familiares. “A ideia da Embrapa com o projeto é disponibilizar sêmen de touros que passaram por provas de desempenho, eficiência alimentar e emissão de gases. Esses são touros melhoradores, testados, com o intuito de elevar o rebanho desses produtores a um patamar genético superior ao que eles têm atualmente”, afirmou Vivian.
A técnica de inseminação artificial em tempo fixo (IATF) é uma das ferramentas essenciais no projeto. Vivian detalhou como a parceria com as associações locais, como a de Caçapava, tem sido fundamental para viabilizar o acesso dos pequenos produtores à tecnologia: “As associações estão permitindo que essa tecnologia chegue aos produtores. A Embrapa está disponibilizando o sêmen, e as associações fornecem a assistência técnica necessária. Isso facilita o acesso à IATF, tanto com protocolos mais simples quanto com os mais complexos, garantindo que os produtores possam implementar a técnica de forma viável”, destacou a pesquisadora.
Para integrar a genética superior aos rebanhos, Vivian aponta que os pecuaristas familiares devem considerar alguns fatores essenciais, como a adaptação ao clima local e o manejo adequado das propriedades. “Primeiro, é necessário fazer a identificação dos animais. Depois, a alimentação é essencial, pois sem ela não conseguiremos ter vacas prenhas e, consequentemente, ter os terneiros. Outro ponto importante é o manejo sanitário, seguindo protocolos de vacinação e vermifugação, além de investir na melhoria das instalações e na logística das propriedades”, explicou Vivian.
A pesquisa e as ações da Embrapa Pecuária Sul buscam não apenas aumentar a produtividade, mas também contribuir para a sustentabilidade da atividade, oferecendo aos pequenos produtores as condições necessárias para competir no mercado com produtos de alta qualidade e genética superior.
O governo do presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, anunciou a injeção de mais de US$ 50 milhões ao Fundo Amazônia, com o intuito de conservar a floresta amazônica.
“Os Estados Unidos estão anunciando US$ 50 milhões para o Fundo Amazônia, o que elevará as contribuições totais dos EUA para o Fundo Amazônia para US$ 100 milhões, sujeito à notificação do Congresso”, afirmou a Casa Branca, em comunicado.
No comunicado à imprensa é reforçado ainda que o governo Biden, juntamente com o BTG Pactual e mais 12 parceiros, está anunciando o lançamento da Coalizão Financeira de Restauração e Bioeconomia do Brasil. A coalizão pretende mobilizar pelo menos US$ 10 bilhões em investimentos públicos e privados para projetos de restauração de terras e relacionados à bioeconomia até 2030.
A Casa Branca também destacou o apoio da administração Biden à Iniciativa Tropical Forest Forever Facility (TFFF) – um novo fundo de US$ 125 bilhões para conservar as principais florestas do mundo -, proposta pelo governo Lula.
“A TFFF atrairá capital privado substancial e fará uma contribuição significativa para a conservação das florestas tropicais. Os Estados Unidos estão anunciando apoio para ajudar a finalizar o trabalho técnico e analítico necessário para projetar e configurar a Facility”, ressaltou.
Neste domingo (17), Biden realiza visita a Manaus e deve se reunir com lideranças indígenas, antes de seguir para o Rio de Janeiro, para a cúpula do G20. Ele é o primeiro presidente americano em exercício a visitar a Amazônia.
Sem citar o xingamento da primeira-dama Rosângela da Silva, a Janja, contra o bilionário norte-americano Elon Musk, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou na noite deste sábado (16), que não é preciso ofender ninguém. A declaração foi dada por Lula enquanto ele defendia o combate à fome em um festival organizado por Janja no G20, no Rio de Janeiro.
“Eu queria dizer para vocês que essa é uma campanha em que a gente não tem que ofender ninguém, não temos que xingar ninguém. Precisamos apenas indignar a sociedade”, disse Lula ao comentar conversa que teve com o papa Francisco sobre campanha contra a fome.
Lula estava no palco do festival ao lado de Janja, da ministra da Cultura, Margareth Menezes, e do cantor Gilberto Gil. Ele prometeu que em 2026 nenhum brasileiro passará fome e disse esperar que o foco do G-20 em questões sociais seja uma lição para o futuro.
Durante um painel de debates neste sábado no G-20, Janja xingou o empresário que é dono da rede social X. “Eu não tenho medo de você. Inclusive, fuck you, Elon Musk”, afirmou a primeira-dama.
Musk reagiu o xingamento, compartilhou uma publicação do deputado bolsonarista Nikolas Ferreira (PL-MG) no X e escreveu “LOL”, sigla da expressão “Laughing Out Loud”, que significa em português “rindo alto” ou “gargalhando”.
“Eles vão perder a próxima eleição”, afirmou o bilionário, também dono da Tesla e da Space X, ao comentar outra publicação que reproduzia o vídeo com a fala de Janja.
O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) entrou na polêmica. “Já temos mais um problema diplomático”, escreveu, em referência ao fato de Musk ter sido indicado para um cargo no governo americano pelo presidente eleito dos Estados Unidos, Donald Trump.
Musk travou recentemente um embate com o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). O X chegou a ficar suspenso no Brasil por cerca de 40 dias após o empresário recusar-se a cumprir decisões da Corte sobre remoção de conteúdo da rede social.
Fome
Em outro momento de seu discurso no festival na noite deste sábado, Lula disse que é preciso transformar a fome em uma questão política que o problema possa ser resolvido.
“Quando decidimos colocar a questão da fome para ser discutida no G-20, era porque queríamos transformar a fome numa questão política. Enquanto a fome é tratada como se fosse uma questão social, são apenas números estatísticos que as pessoas utilizam em época de eleição e depois esquecem”, afirmou o presidente.
Lula ainda criticou a atuação do governo Bolsonaro na área da Cultura. “É tanta falta de vergonha que até com o Ministério da Cultura eles tinham acabado, porque eles não gostam da arte, eles não gostam de artista porque eles acham que artista é tudo comunista, é tudo revolucionário. E é bom que seja revolucionário para que a gente mude a vida deste país”, afirmou.
A nova plataforma digital do Centro de Inteligência da Carne Bovina (CiCarne), da Embrapa Gado de Corte (MS), já está disponível aos pecuaristas.
O espaço reúne, de forma gratuita, o conhecimento disponível sobre a cadeia produtiva da commodity.
Com visual moderno, intuitivo e conectado, o usuário encontrará cenários e estudos, nacionais e internacionais, categorizados, o que facilita a busca por informações.
Segundo o coordenador do CiCarne, Guilherme Malafaia, a plataforma busca resolver uma das principais lacunas da cadeia produtiva da carne bovina, que é a dispersão dos dados, o que dificulta o desenvolvimento de ações relevantes para o setor.
“A ferramenta coloca na palma da mão de pecuaristas e tomadores de decisão, públicos e privados, informações para auxiliá-los na definição de planejamentos estratégicos”, complementa.
Painéis temáticos
Por meio de parcerias com o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e o governo do estado de Mato Grosso do Sul foi possível desenvolver painéis temáticos que refletem a evolução da pecuária de corte brasileira.
Com design alinhado às novas tendências, há dados sobre as megatendências para 2040, estabelecimentos, rebanhos, abates, oferta e demanda.
Em breve, o CiCarne disponibilizará informações em painéis sobre as emissões de gases de efeito estufa (GEE) pela bovinocultura de corte e o uso da mudança da terra no Mato Grosso do Sul, fruto de um projeto de pesquisa da Embrapa, financiado pela Fundação de Apoio ao Desenvolvimento do Ensino, Ciência e Tecnologia do Estado de Mato Grosso do Sul (Fundect).
As parcerias institucionais são fundamentais para a manutenção da ferramenta. Por um lado, a Embrapa precisa dos dados gerados e coletados pelas entidades para, assim, analisar e elaborar os painéis. Pelo outro, a estatal dispõe de auxílio técnico-científico e resultados atuais dos estudos.
Além de Malafaia, que desenvolve seus estudos na Embrapa Gado de Corte, a equipe opera em rede composta por pesquisadores da Embrapa Pecuária Sudeste (SP), Embrapa Pecuária Sul (RS) e Embrapa Pantanal (MS).
Monitoramento da cadeia pecuária
Foto: Freepik
O Centro de Inteligência da Carne Bovina (CiCarne) nasceu a partir de uma demanda para monitorar a cadeia produtiva da carne bovina, a fim de identificar sinais, tendências e desdobramentos no mercado de inovações que possam contribuir para a tomada de decisão de agentes públicos e privados.
O Centro opera, fundamentalmente, via projetos de pesquisa com parceiros públicos e privados.
Nessa primeira década de existência, trouxe para o setor estudos estratégicos, como o relatório “O Futuro da Cadeia Produtiva da Carne Bovina Brasileira: Uma visão para 2040”, produzido em parceria como o Mapa; e comunicados técnicos, que buscam ampliar o conhecimento sobre temas que impactam o setor de produção de carne bovina no Brasil e no mundo.
Em sua equipe, cientistas das áreas de socioeconomia, sistemas de produção pecuários, comunicação e tecnologia da informação.
Para ampliar a conexão com o setor, o CiCarne chegou às mídias sociais com perfis nas principais plataformas: PodCarne e cicarne_embrapa.
Possibilidades de conhecimento
Para o usuário que for acessar a plataforma pela primeira vez, Malafaia sugere que comece pelos painéis indicados na figura, muitos dos quais foram desenvolvidos em conjunto com o Observatório da Agropecuária Brasileira.
Especialista em cadeias produtivas, o pesquisador destaca que “essas ferramentas possibilitam o acesso a dados e informações atuais, além de séries anuais, que permitem o monitoramento de diversos aspectos da cadeia produtiva, de maneira ágil e sem custo”.
Também é possível encontrar estudos técnico-científicos elaborados pelos especialistas, como a 67ª edição do Boletim CiCarne, que traduz o conhecimento científico em temas estratégicos para a competitividade da cadeia; e os documentos técnicos, que são artigos científicos robustos que aprofundam determinadas temáticas.
As bases de dados, por sua vez, são divididas em nacionais e internacionais. Entre as brasileiras, o usuário pode acessar as de portais como do Instituto de Economia Agrícola (IEA), BM&FBovespa, Serviço de Inspeção Federal (SIF), Abras Brasil, IpeaData, Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), Master IAG USP, além de outras.
Entre as estrangeiras, destacam-se as do USDA National Agricultural Statistics Service (USDA NASS), Beef + Lamb New Zealand, Rapid Alert System for Food and Feed (RASFF), UNdata, e International Labour Organization (ILO).
Anuário CiCarne
Entre os destaques presentes na plataforma está o Anuário CiCarne da cadeia produtiva da carne bovina, que brevemente estará atualizado com os dados de 2024. Nele, Malafaia e Paulo Biscola contextualizam a cadeia produtiva e focam em números, demonstrando características econômicas, de produção, consumo e comercialização.
Em sua construção, os especialistas consideram não somente a relevância dessa cadeia produtiva, tendo o Brasil como país-referência em produção, mas também no mundo pós-pandemia, no qual o tema sanidade animal tornou-se imperativo e trouxe sistemas de vigilância e controle de doenças à tona.
A fim de qualificar debates entres gestores públicos e privados, Malafaia e Biscola trazem atualizações, como a transformação digital e seus impactos, principalmente, no processo de distribuição, seja de insumos, gado ou da carne. Além disso, fazem reflexões em relação à conectividade no território brasileiro, especialmente no campo.
Por fim, os pesquisadores reforçam a importância da criação e do fortalecimento dos diálogos entre stakeholders em rede que, além de necessários, são estratégicos. “É preciso romper a cultura demarcada pela falta de relacionamentos sistêmicos e avançar em modelos colaborativos, já realizados com êxito por países como Austrália, Canadá, China, Estados Unidos, Reino Unido e Uruguai”, arrematam.
A semana de 18 a 23 de novembro será marcada por temporais e chuvas significativas em diversas regiões do Brasil. A formação de ciclone deve impactar o trabalho no campo e causar atenção em áreas suscetíveis a alagamentos e deslizamentos. Confira a seguir previsão do tempo em todas as regiões do país.
Sul
A semana começa com uma frente fria avançando sobre o Rio Grande do Sul, trazendo temporais com rajadas de vento acima de 60 km/h e queda de granizo.
A partir de quinta-feira (21), um ciclone extratropical próximo à costa deve intensificar os acumulados de chuva no estado e em Santa Catarina. Os volumes podem ultrapassar 200 mm na faixa leste do Rio Grande do Sul e sudeste catarinense, gerando risco de alagamentos e deslizamentos.
Outras áreas do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina devem registrar acumulados de 40 a 70 mm, beneficiando produtores do oeste.
No Paraná, a chuva mais moderada, entre 20 e 40 mm, ajudará a manter a umidade do solo sem prejudicar o campo.
Sudeste
Os quatro estados da região terão chuva ao longo da semana, com acumulados moderados. No sudeste de Minas Gerais, o volume pode atingir 50 mm em 24 horas, elevando o risco de alagamentos e deslizamentos.
Entre sexta-feira (22) e sábado (23), o avanço de um ciclone extratropical deve levar tempo severo ao leste de São Paulo, Rio de Janeiro, leste de Minas Gerais e Espírito Santo.
Rajadas de vento acima de 70 km/h e granizo podem danificar lavouras em desenvolvimento, incluindo cafezais em fase de florada.
Centro-Oeste
Os estados da região terão chuvas regulares ao longo da semana, com acumulados entre 40 e 80 mm. A umidade do solo será mantida, favorecendo as operações no campo.
Há, no entanto, previsão de temporais com rajadas de vento entre 40 e 60 km/h, o que pode causar danos às lavouras e alta atividade elétrica, com muitos raios.
Nordeste
Os acumulados mais significativos, de até 100 mm em cinco dias, devem ocorrer no oeste e centro-sul da Bahia, centro-sul do Maranhão e do Piauí. Essas chuvas ajudarão na reposição da umidade do solo e na implementação da safra 2024/2025.
Nas áreas do nordeste baiano, interior de Pernambuco e na faixa litorânea leste, os volumes devem ser mais baixos, com acumulados de apenas 10 mm.
A semana será quente e seca nessas regiões, com máximas de até 35 °C, elevando o risco de incêndios.
Norte
A região terá chuvas em todas as áreas, com temporais no Amazonas, Acre, Rondônia, sul do Pará e Tocantins. Os acumulados podem variar entre 80 e 100 mm nesses estados, ajudando a recuperar pastagens e manter a umidade do solo.
Nas áreas do extremo norte do Pará e Amapá, a semana será mais úmida, com volumes próximos a 15 mm.
Os rios seguem em recuperação, mas ainda estão abaixo do nível normal. A previsão é de regularização até o fim de dezembro ou início de janeiro de 2025.
A Cúpula do Oceans 20 (O20) divulgou neste sábado (16), no Museu do Amanhã, no Rio de Janeiro, um documento com sete recomendações aos líderes do G20.
O texto final resume os principais pontos discutidos ao longo do ano, com foco na gestão sustentável dos oceanos e no desenvolvimento da chamada economia azul.
melhorar a governança marítima para um transporte marítimo sustentável;
incentivar as finanças oceânicas;
melhorar a segurança marítima; e
fortalecer a coordenação global sobre os oceanos.
“As transformações todas que estamos mirando neste G20 passam necessariamente pelo combate às desigualdades. E, nessa abordagem, precisamos considerar como as comunidades que vivem do oceano tiram seus meios de renda. E lutar para que tenham uma vida mais feliz, saudável e com mais qualidade”, disse Cristina Reis, representante do Ministério da Fazenda.
Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil
O O20 teve a participação de representantes dos países do G20, entidades da sociedade civil, pesquisadores, corporações globais e outros grupos interessados no futuro dos oceanos. O grupo foi criado pela presidência brasileira do G20 como um desdobramento dos esforços liderados pelos ciclos anteriores na Indonésia e na Índia.
O evento no Brasil foi coordenado pela Cátedra Unesco para a Sustentabilidade do Oceano da Universidade de São Paulo, em colaboração com o Fórum Econômico Mundial, o Pacto Global da ONU – Rede Brasil e Ocean Stewardship Coalition –, o Fundo Brasileiro para a Biodiversidade e o Instituto Nacional de Pesquisas Oceânicas.
Pesquisadores da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) desenvolveram um pão com farinha de casca de jabuticaba que pode se tornar uma alternativa para quem precisa controlar os níveis de açúcar no sangue (glicemia), como é o caso de pessoas com diabetes. Os resultados dos testes foram publicados na revista Foods.
Embora o pão seja um alimento largamente consumido, sua composição rica em carboidratos gera picos glicêmicos acentuados, o que pode ser indesejado.
Nesse sentido, apontam os autores, a panificação tem buscado diversificar os produtos com formulações para agregar valor nutricional, além de apostar em métodos de fermentação que favoreçam uma resposta glicêmica menos intensa.
Segundo dados do artigo, a adição da farinha da casca de jabuticaba gerou aumento significativo de mais de 50% nas fibras. Além disso, a capacidade antioxidante também aumentou de 1,35 a 3,53 vezes, dependendo do teor de farinha de jabuticaba adicionada à formulação. Houve aporte de nutrientes e, com isso, melhora na composição nutricional do produto final.
Foto: Miriam Regina Canesin Takemura et al./Foods
Para avaliar o pico de glicemia, os autores realizaram um estudo crossover em que os participantes ingeriram um pão feito pelo método de fermentação natural longa (que por si só já gera menor pico glicêmico) e, na semana seguinte, o pão com a inclusão da farinha da casca da fruta.
O pico de glicemia do pão sem a adição da farinha de jabuticaba foi observado 30 minutos após sua ingestão e permaneceu alto até 45 minutos, quando começou a baixar. Já no caso do alimento contendo o ingrediente à base de jabuticaba houve um pico mais tardio (após 45 minutos) e menos proeminente, decaindo suavemente ao longo de três horas.
Ação no metabolismo humano
O aumento da glicemia ocorre ao consumir alimentos especialmente ricos em carboidratos, como pães, por exemplo. O processo de digestão libera glicose, que sinaliza ao pâncreas a necessidade de secretar insulina – e esta age de forma a retornar aos níveis anteriores de açúcar no sangue.
Falhas nesse processo levam a problemas de saúde, por isso é tão importante observar a magnitude dos aumentos de glicemia conforme a alimentação.
“Se tivermos menores aumentos na glicose e na insulina após as refeições, teremos menos chance de desenvolver diabetes e síndrome metabólica. Além disso, em quem já tem alterações na glicemia, controlar os aumentos da glicose após as refeições pode reduzir o risco de doenças cardíacas. Por fim, podemos aumentar a vida útil das células produtoras de insulina”, destaca um dos autores do artigo, Bruno Geloneze, professor da Faculdade de Ciências Médicas (FCM) da Unicamp e pesquisador principal do Centro de Pesquisa em Obesidade e Comorbidades (OCRC).
Segundo a professora da Faculdade de Engenharia de Alimentos (FEA) da Unicamp e orientadora da tese que gerou a publicação, Cinthia Cazarin, o maior desafio da produção dos pães para os testes foi unir o fator tecnológico com a manutenção do valor nutricional e funcional do pão.
“A farinha da casca da jabuticaba apresenta características sensoriais bastante próprias, e sua inclusão teve de ser avaliada tanto em relação às características tecnológicas da panificação quanto relacionadas ao processamento e preservação dos compostos bioativos presentes”, conta.
Essa preservação era essencial porque as diferenças observadas na melhor curva glicêmica e na resposta à insulina estão associadas principalmente à quantidade de compostos fenólicos presentes na casca da fruta, como antocianinas – responsáveis por sua coloração arroxeada –, que não poderiam se “perder” durante o processo.
Sensação de saciedade
Outro ponto importante notado na pesquisa foi em relação à sensação de fome. Após uma hora, os relatos dos participantes quando consumiram o pão com a farinha de jabuticaba foram de maior sensação de saciedade do que quando ingeriram o pão-controle. Isso geralmente é observado, dizem os autores, quando o retorno da glicemia aos níveis basais é mais lento (gerado por alimentos com menor índice glicêmico).
Entre os resultados, destaca-se também a capacidade antioxidante, que foi monitorada por três horas após o consumo do alimento. Houve aumento considerável e por maior período na capacidade de neutralização de radicais livres de oxigênio após a ingestão do pão com a farinha especial.
“Essa melhoria na capacidade antioxidante é importante porque os processos de aparecimento de doenças metabólicas, cardiovasculares e oncológicas, além do envelhecimento em si, envolvem mecanismos de oxidação de proteínas em nosso corpo. A capacidade antioxidante de um alimento pode ser benéfica em todos esses mecanismos”, ressalta Geloneze.
Além disso, a vida útil do pão foi garantida por sete dias. Essa extensão do prazo de validade, dizem os autores, aponta que bactérias presentes na farinha da casca de jabuticaba e os metabólitos formados durante o processo de fermentação podem atuar como conservantes naturais em produtos de longa fermentação – que é um inibidor para o crescimento de microrganismos não desejados nesse produto.
Benefícios da jabuticaba
Nos últimos anos, muitos estudos estão focados na inclusão de ingredientes com alto valor biológico, especialmente subprodutos da agroindústria devido ao grande volume produzido, potencial nutracêutico e impacto ambiental associado ao descarte.
Nesse sentido, o professor da FEA-Unicamp e um dos autores do artigo apoiado pela Fapesp, Mário Maróstica, vem desenvolvendo há anos trabalhos sobre a caracterização de compostos bioativos em frutas nativas brasileiras.
O potencial do consumo de frutas roxas como a jabuticaba mostrou já alguns resultados promissores no sentido de prevenir ou retardar o aparecimento de doenças crônicas não transmissíveis. “A casca da jabuticaba possui compostos fenólicos e fibras, que possuem efeitos demonstrados no controle da glicemia e de colesterol em diversos estudos”, destaca o professor.
Num desses estudos já havia sido caracterizada a eficiência do suco de jabuticaba para a redução da resistência à insulina e aumento da produção de um importante hormônio regulador da fome, saciedade e do controle glicêmico, o GLP-1 (cuja ação é emulada por medicamentos como semaglutida e liraglutida).
Com os resultados promissores avançando, as pesquisas do grupo que une departamentos das áreas de ciências médicas e engenharia de alimentos da Unicamp continuam investigando os bioativos da fruta e envolvem agora modelos animais para estudo de sua relação com a depressão e na prevenção do câncer colorretal.
XANGAI/CINGAPURA (Reuters) – Os mercados acionários da China e de Hong Kong caíram nesta quarta-feira já que os investidores buscaram lucrar com a forte alta anterior, que foi atenuada pela falta de medidas de estímulo vigorosas para reanimar a economia.
Os índices de referência na China registraram suas maiores perdas diárias desde o início da pandemia da Covid-19, apesar do anúncio de uma coletiva de imprensa do Ministério das Finanças no sábado para detalhar os planos de estímulo fiscal.
No fechamento, o índice de Xangai teve queda de 6,62%, enquanto o índice CSI300, que reúne as maiores companhias listadas em Xangai e Shenzhen, recuou 7,05%. Ambos os índices registraram suas maiores perdas em um dia desde fevereiro de 2020 e também interromperam uma sequência de 10 dias de ganhos.
O volume de negócios no mercado de ações A, que inclui ações listadas em Xangai, Shenzhen e Pequim, foi de 2,96 trilhões de iuanes (419,04 bilhões de dólares) nesta quarta-feira, abaixo do recorde de 3,485 trilhões de iuanes registrado no dia anterior.
O índice Hang Seng, de Hong Kong, caiu 1,38%, , embora continue sendo um dos mercados de melhor desempenho da região este ano.
Analistas de mercado disseram que as autoridades não conseguiram fornecer mais detalhes sobre as medidas de estímulo de Pequim na tão esperada coletiva de imprensa da Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma na terça-feira, deixando os investidores desapontados.
“Eu diria que os recentes anúncios da comissão foram um pouco decepcionantes, principalmente porque não houve muito em termos de novos estímulos ou orientações claras para o futuro”, disse Nori Chiou, diretor de investimentos da White Oak Capital.
“O mercado está esperando um anúncio de estímulo fiscal em algum momento deste mês, algo em torno de 2 trilhões a 3 trilhões de iuanes é a faixa sobre a qual se fala”, disse Alvin Tan, chefe de estratégia de câmbio da Ásia na RBC Capital Markets.
. Em TÓQUIO, o índice Nikkei avançou 0,87%, a 39.277 pontos.
. Em HONG KONG, o índice HANG SENG caiu 1,38%, a 20.637 pontos.
. Em XANGAI, o índice SSEC perdeu 6,62%, a 3.258 pontos.
. O índice CSI300, que reúne as maiores companhias listadas em XANGAI e SHENZHEN, retrocedeu 7,05%, a 3.955 pontos.
. Em SEUL, o índice KOSPI permaneceu fechado.
. Em TAIWAN, o índice TAIEX registrou alta de 0,21%, a 22.659 pontos.
. Em CINGAPURA, o índice STRAITS TIMES valorizou-se 0,56%, a 3.595 pontos.
. Em SYDNEY o índice S&P/ASX 200 avançou 0,13%, a 8.187 pontos.
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Foto: Pixabay
A 410ª reunião da Câmara Deliberativa do Conselho de Desenvolvimento do Estado (CDE), realizada na última quarta-feira (13), autorizou a captação de R$ 19,3 milhões pelo Fundo Constitucional de Financiamento do Centro-Oeste (FCO Rural). Os recursos serão destinados a 18 projetos rurais em 16 municípios goianos, com expectativa de gerar 22 novos empregos no setor, conforme informado pela Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa) do Governo de Goiás.
De acordo com a secretaria da agricultura, a maior parte dos recursos foi destinada a pequenos produtores rurais, que tiveram 11 propostas aprovadas. Outros cinco projetos foram direcionados a produtores de pequeno-médio porte. Também foram contemplados um produtor de porte médio e outro classificado como mini porte.
Segundo a Seapa. criado pela Constituição Federal de 1988 e regulamentado pela Lei nº 7.827/1989, o FCO tem como objetivo fomentar o desenvolvimento econômico e social nos estados de Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e no Distrito Federal. O fundo opera em duas modalidades: FCO Empresarial e FCO Rural. Os recursos são provenientes de 0,6% do Imposto de Renda (IR) e do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), além dos retornos dos financiamentos. Podem acessar o programa produtores rurais, empresas, pessoas físicas e jurídicas, além de cooperativas de produção.
O painel Cria G20, que busca conectar pautas da sociedade civil aos debates propostos no encontro do G20 (grupo que reúne as 20 maiores economias do mundo), foi palco de um momento inusitado neste sábado (16) quando a primeira-dama, Rosângela da Silva, a Janja, foi convidada a falar e ofendeu o empresário norte-americano Elon Musk, que posteriormente respondeu em comentário no “X”, antigo Twitter, rede social da qual é o proprietário.
Entenda como foi
No discurso de improviso, ela falou dos desafios do governo federal em socorrer as vítimas das enchentes de maio deste ano no Rio Grande do Sul e, também, em combater a desinformação que surgiu à época. “Pessoas arriscaram a vida de pessoas”, considerou.
Ao ter a fala interrompida por um barulho agudo, aparentemente de microfonia, disse em tom de brincadeira que se tratava de Elon Musk tentando silenciá-la. “Não tenho medo de você! Inclusive, fuck you, Elon Musk”. A expressão em inglês é semelhante ao “vá se f…” do português.
Resposta de Musk
Elon Musk. Foto: Divulgação/SpaceX
Em comentário sobre o vídeo que retrata o ocorrido, Musk respondeu com emojis de gargalhadas e disse que o atual governo perderá a próxima eleição.
Como pano de fundo do xingamento de Janja está o fato da rede social “X” ser frequentemente acusada de disseminar notícias falsas indiscrimidamante.
“A gente falou da regulamentação das redes sociais, das plataformas. Sempre tenho falado que não é uma questão local, se a gente não fizer essa discussão de uma forma global, a gente não vai conseguir vencer. Não adianta ter leis no Brasil – e sabemos que está difícil de acontecer, a gente sabe todos os empecilhos – se a gente não discutir essa questão de forma global”, disse a primeira-dama.
No final de 2023, Janja teve sua conta do X kackeada por alguém que passou a publicar ofensas machistas contra ela, bem como menções ao escândalo do mensalão e aos ministros do Superior Tribunal Federal (STF). A primeira-dama possui cerca de 1,2 milhões de seguidores na rede social.
Elon Musk foi recentemente anunciado como chefe do novo Departamento de Eficiência Governamental do governo de Donald Trump, que se inicia em janeiro de 2025.
O empresário foi no período de campanha um dos maiores apoiadores e financiadores do presidente recém-eleito.