quarta-feira, julho 15, 2026

Agro

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adubos impulsionam produção e qualidade



Utilização adequada desses insumos resulta não só em maior uniformidade


Foto: Divulgação

O uso de adubos especiais tem se mostrado cada vez mais essencial para o cultivo de hortaliças e frutas de alta qualidade. Desenvolvidos com fórmulas balanceadas de macro e micronutrientes, esses fertilizantes atendem às exigências nutricionais específicas de cada cultura, favorecendo o desenvolvimento saudável das plantas e garantindo uma produção mais uniforme.

Produtores de hortifrúti têm observado melhorias nas suas colheitas após a aplicação de adubos especializados. A utilização adequada desses insumos resulta não só em maior uniformidade dos frutos, mas também na redução das perdas durante a produção e no aumento do valor agregado dos produtos. A nutrição correta é fundamental para garantir que os produtos atendam aos elevados padrões de qualidade exigidos pelos mercados nacional e internacional.

Em um cenário de crescente demanda por hortaliças e frutas brasileiras, a eficiência dos adubos especiais tem sido apontada como um fator importante para manter a competitividade e a rentabilidade do setor. Com o aumento das exportações de hortifrutigranjeiros, o investimento em fertilizantes de alto desempenho surge como uma estratégia importante para garantir não apenas a sustentabilidade da produção, mas também a satisfação dos consumidores em diversos mercados.

Além de promover um aumento na produtividade, os fertilizantes especiais ajudam a melhorar a resistência das plantas a doenças e pragas, contribuindo para a sustentabilidade ambiental. A utilização desses insumos reduz a necessidade de tratamentos químicos, promovendo uma produção mais ecológica e segura para os consumidores.





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No pódio do agro: a produtora de soja premiada que ‘abraçou’ a sustentabilidade


“Me apaixonei pelo agronegócio.” Essa é a frase que resume a trajetória de Vanessa Bomm, arquiteta de formação e produtora de soja que, por escolha, decidiu se arriscar no mundo do pai e se apaixonou pelo campo. No início, a agricultora, natural de Palotina, conciliava sua rotina entre obras e lavouras, dois universos distintos, mas ainda predominantemente dominados por homens.

Após 20 anos de profissão como arquiteta, Vanessa decidiu trocar a fita métrica pelas máquinas. “Quando entrei no mundo do plantio, sabia que estava entrando em um grupo muito masculino e estava acostumada a lidar com isso, porque nas obras a maioria eram homens”, diz a produtora.

Aprendizado semeado

Foto: Vanessa Bomm

Há sete anos, Vanessa semeia a soja na propriedade de sua família, no município de Terra Roxa. Neta de italianos vindos do Rio Grande do Sul, ela sempre teve uma conexão com o campo, embora tenha iniciado sua trajetória profissional em outra área. Quando seu pai a convidou para se juntar a ele na lavoura, ela não hesitou. Ouviu o chamado do patriarca e não pensou duas vezes. Mergulhou de cabeça.

Desde então, Vanessa tem vivido e aprendido o ritmo e os desafios do agro e as coisas têm caminhado de forma promissora. Com muito trabalho e dedicação, ela ajudou a consolidar o sucesso da propriedade. “Estamos passando por anos com desafios. Nem sempre conseguimos demonstrar uma grande produção, mas sabemos que não perderemos tudo se adotarmos práticas sustentáveis e outras estratégias.”

Para ela, o segredo está em adaptar-se às dificuldades do clima e do solo, sem deixar de lado uma abordagem responsável e inovadora para garantir a produtividade e a longevidade da lavoura.

Sustentabilidade adotada pela produtora de soja

Vanessa diz que mesmo com muitos desafios, como o clima e as condições do solo, a adoção de práticas mais sustentáveis tem mostrado resultados positivos na lavoura de soja+. “Hoje, técnicas como o plantio de cobertura e a diversificação de raízes têm contribuído para reduzir os impactos no ambiente e criar um sistema produtivo mais resiliente.” Segundo a produtora, as práticas melhoram a qualidade do solo e ajudam a manter a água no solo e a reduzir a erosão, tornando o sistema agrícola mais robusto. Descarbonizacao de carbono, sequestro de carbono.

A produtora faz parte do Programa PRO Carbono, iniciativa da Bayer, voltada à inovação para uma agricultura sustentável. Algumas ferramentas, desenvolvidas em parceria com a Embrapa, se destacam pela criação de técnicas de baixa emissão e sequestro de carbono, além de quantificar os benefícios ambientais.

E o controle de pragas não fica de fora! O plantio de cobertura, com plantas como aveia, nabo, trigo mourisco, sorgo, milheto e capins braquiária e crotalária, além de controlar pragas de maneira ecológica, protege o solo contra a erosão, melhora a retenção de água e cria um ambiente mais saudável para o crescimento das culturas.

Quando Vanessa entrou para o universo do agro, pôde perceber a dimensão do setor e sua importância para o Brasi. A produtora também destacou a transformação tecnológica que a agricultura está vivendo, com o uso crescente de agricultura digital e tecnologias como o feed view para monitoramento das lavouras.

“No ano em que entrei na fazenda, pude visualizar o impacto dessas inovações no campo. Com o auxílio dessas ferramentas, consegui perceber o desempenho de cada talhão, facilitando o manejo e a tomada de decisões mais assertivas”, detalha Vanessa.

No pódio do agro

Em outubro deste ano, a produtora de soja conquistou o primeiro lugar no Prêmio Mulheres do Agro 2024, na categoria Grande Propriedade. Essa é uma premiação que reconhece as contribuições das mulheres no setor agropecuário. O reconhecimento, que celebra o impacto feminino no agro, marca um dos maiores feitos na trajetória de Vanessa que, ao longo dos anos, tem se dedicado a transformar o campo por meio de práticas sustentáveis, inovação tecnológica e um trabalho que integra tradição e modernidade no agronegócio.



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Exportações de soja devem ultrapassar 2 milhões de toneladas



As exportações brasileiras de soja em grão devem somar 2,456 milhões de toneladas em novembro, segundo o levantamento semanal da Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (ANEC). No mesmo mês de 2023, as exportações de soja atingiram um volume expressivo de 4,599 milhões de toneladas. Segundo a Safras & Mercado, em comparação, em outubro de 2024, o Brasil embarcou 4,443 milhões de toneladas, evidenciando uma leve redução, mas ainda mantendo um ritmo forte de exportações.

Na semana encerrada em 23 de novembro, o Brasil exportou cerca de 480 mil toneladas de soja. Para o período de 24 a 30 de novembro, a ANEC estima um aumento nos embarques, com a previsão de exportação de mais de 660 mil toneladas, o que indica uma aceleração no ritmo de embarques até o final do mês.

Quanto ao farelo de soja, as exportações devem registrar um volume semelhante ao do ano passado, com uma leve queda em relação ao mês anterior. Em novembro, a expectativa é de embarques próximos a 1,9 milhão de toneladas, um valor inferior ao exportado em 2023, mas consideravelmente abaixo do total de outubro de 2024. Na última semana, as exportações de farelo de soja somaram pouco mais de 370 mil toneladas, com uma previsão de aumento nos embarques para o final deste mês.



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Produção de cana pode “encolher”



Muitos produtores enfrentam a perda de viveiros de mudas



Muitos produtores enfrentam a perda de viveiros de mudas
Muitos produtores enfrentam a perda de viveiros de mudas – Foto: Arquivo Agrolink

A produção de cana-de-açúcar no Brasil pode encolher até 20% até 2050, segundo estudo do Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM). O aumento das temperaturas e a irregularidade das chuvas já impactam negativamente o setor, como observado na safra 2023/2024, marcada por secas e queimadas na região Centro-Sul. Esses eventos não apenas afetam o desenvolvimento das plantas, mas também agravam o desequilíbrio de pragas e doenças, comprometendo a produtividade dos canaviais.

Além disso, muitos produtores enfrentam a perda de viveiros de mudas, essenciais para a renovação das lavouras. Michel Fernandes, consultor agrícola, alerta que a falta de mudas sadias pode gerar perdas produtivas significativas e elevar os custos no longo prazo. Nesse cenário, o manejo eficiente e o planejamento adequado são imprescindíveis para mitigar os impactos climáticos.

Para auxiliar na recuperação dos canaviais, soluções tecnológicas como o Muneo® Biokit, da BASF, vêm ganhando destaque. Combinando ação inseticida, fungicida e biológica, o produto promove o crescimento das plantas e melhora a absorção de nutrientes e água, mesmo em condições climáticas adversas. Experimentos realizados no Triângulo Mineiro comprovaram sua eficácia em diferentes tipos de solo e condições de manejo.

“Os canaviais estão cada vez mais expostos a condições extremas, e nossa missão é oferecer soluções que ajudem os produtores a enfrentar essas mudanças com mais segurança. Com o manejo adequado, é possível maximizar o uso de recursos hídricos e do solo, com um ciclo de produção mais sustentável e eficiente”, afirma Maria Leticia Guindalini, Desenvolvimento de Mercado da BASF Soluções para Agricultura.

 





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Ministro apoia PL da Reciprocidade, que protege exportações brasileiras de regras desiguais



O ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro, manifestou apoio ao projeto de lei 1406/2024, o chamado PL da Reciprocidade, em declaração realizada nesta terça-feira (26). A proposta, que tramita na Câmara dos Deputados, busca impedir que exportações brasileiras sofram prejuízos devido a regras ambientais consideradas rigorosas e desiguais impostas por outros países.

O projeto prevê a não aceitação de acordos internacionais que possam restringir de forma discriminatória o comércio de produtos brasileiros. Segundo Fávaro, o Brasil já adota normas sanitárias e ambientais rígidas, garantindo uma produção de alimentos sustentável e respeitosa ao meio ambiente.

“É muito cabível que a gente possa cobrar a reciprocidade”, afirmou o ministro. Ele ressaltou que o Brasil está preparado para discutir boas práticas ambientais, rastreabilidade e transparência em seus processos com qualquer país ou bloco comercial. O objetivo é assegurar aos consumidores a qualidade e a sustentabilidade dos produtos brasileiros.

O que diz o PL 1406/2024?

O PL propõe alterações na Lei nº 12.187/2009, que institui a Política Nacional sobre Mudança do Clima (PNMC). Entre as mudanças, está a criação do Programa Nacional de Monitoramento da Isonomia Internacional de Políticas Ambientais.

O programa terá como função acompanhar as políticas ambientais de países que mantêm relações comerciais com o Brasil, garantindo isonomia e cobrando a aplicação de práticas sustentáveis globalmente.



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Câmara aprova crédito a produtores rurais vítimas de enchentes e espécie de ‘Desenrola Rural’



A Câmara dos Deputados aprovou, nesta terça-feira (26), um projeto de lei que autoriza o governo federal a conceder crédito para produtores rurais de municípios gaúchos em situação de emergência ou calamidade decretada até 31 de julho.

A matéria vai ao Senado. De autoria do líder do governo, José Guimarães (PT-CE), e do deputado Bohn Gass (PT-RS), o texto teve a relatoria do deputado Luciano Zucco (PL-RS).

A subvenção econômica é oferecida sob a forma de desconto para liquidação ou renegociação de operações de crédito rural de custeio, investimento e industrialização.

A medida é destinada a mutuários cujos empreendimentos tenham sofrido perdas iguais ou superiores a 30%, em decorrência de eventos climáticos extremos no Rio Grande do Sul.

Está previsto que o Poder Executivo vai instituir uma comissão para analisar os pedidos de desconto das operações contratadas por cooperativas de produção agropecuária ou de mutuários que tenham tido perda igual ou superior a 60%.

O projeto também cria um programa de renegociação de pequenas dívidas de trabalhadores da agricultura familiar, chamado por Bohn Gass de “Desenrola Rural”.

A concessão do desconto para as operações de crédito em situação de inadimplência fica condicionada à liquidação ou à regularização de parcelas vencidas e não pagas relativas ao período anterior a 1º de maio deste ano.



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‘Bola para frente’, diz Fávaro, após retratação do CEO do Carrefour



O ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, afirmou que o episódio envolvendo o CEO global do Carrefour, Alexandre Bompard, está resolvido após a divulgação de carta com pedido de retratação. Ao anunciar na semana passada que o grupo deixaria de abastecer suas lojas na França com carne do Mercosul, Bompard colocou em dúvida as regras de sanidade do produto.

“O CEO global do Carrefour compreendeu que errou e se retratou. Agora, é bola para frente. Caso encerrado”, declarou o ministro, antes de participar de evento em São Paulo.

Fávaro também avaliou que as declarações não deverão atrapalhar o andamento das negociações para a assinatura de um acordo de livre-comércio entre o Mercosul e a União Europeia – que foi o pano de fundo do anúncio feito por Bompard, em meio a protestos de produtores franceses. “Sabemos que a França é contra o acordo, mas precisamos ver se conseguirá, sozinha, impedir algo que a União Europeia e o Mercosul desejam”, respondeu ele.

Sobre o fato de a varejista ter mantido a decisão de não adquirir carne do Mercosul, Fávaro minimizou o efeito. “Não há problema algum. A reação brasileira não foi pelo fato de eles decidirem de quem comprar. Todos têm liberdade de escolher de quem comprar, assim como você escolhe onde compra sua camisa ou seus óculos. Se querem pagar mais caro e, como disseram, preferem comprar dos franceses, é uma decisão deles.”

A Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) também disse que o episódio está “encerrado”. Em reação às declarações anteriores de Bompard, fornecedores do Carrefour no Brasil haviam suspendido novas entregas, movimento que ganhou o apoio público do ministro da Agricultura.

‘Confusão’

Na carta apresentada ao governo brasileiro, Bompard diz que seu anúncio causou “confusão”. “Se a comunicação do Carrefour França gerou confusão e pode ter sido interpretada como questionamento de nossa parceria com a agricultura brasileira e como uma crítica a ela, pedimos desculpas”, escreveu ele.

O executivo destaca que, na França, o Carrefour compra quase toda a carne utilizada nas suas atividades dos produtores franceses. “E assim seguiremos fazendo. A decisão do Carrefour França não teve como objetivo mudar as regras de um mercado amplamente estruturado em suas cadeias de abastecimento locais, que segue as preferências regionais de nossos clientes. Com essa decisão, quisemos assegurar aos agricultores franceses, que atravessam uma grave crise, a perenidade do nosso apoio e das nossas compras locais”, explicou Bompard.

No Brasil, segundo ele, também o grupo Carrefour compra quase toda a carne necessária para as suas atividades de produtores locais. “E seguiremos fazendo assim. São os mesmos valores de criar raízes e parceria que inspiram há 50 anos nossa relação com o setor agropecuário brasileiro, cujo profissionalismo, cuidado à terra e produtores conhecemos.”



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Máquinas de pequeno porte facilitam manejo de hortifrúti



Novos modelos de máquinas oferecem alta precisão nas operações


Foto: Divulgação

A crescente demanda por maior eficiência no cultivo de hortaliças e frutas tem impulsionado o desenvolvimento de máquinas compactas e especializadas, adaptadas especificamente para as necessidades das pequenas e médias propriedades. Equipamentos como plantadeiras, pulverizadores e colhedoras, agora mais acessíveis e adaptáveis a áreas menores, estão transformando a dinâmica do manejo dessas culturas, otimizando o tempo de trabalho e reduzindo custos operacionais.

Esses novos modelos de máquinas oferecem alta precisão nas operações, o que resulta em uma aplicação mais eficiente de insumos, controle de pragas e colheita mais ágil, permitindo que os produtores alcancem ótimos resultados mesmo em espaços reduzidos. As máquinas compactas têm a capacidade de operar em pequenas áreas de forma altamente eficiente, o que representa uma vantagem significativa em termos de produtividade e redução de custos. Elas possibilitam que o produtor maximize os resultados sem comprometer a qualidade.

Em um cenário de aumento nos custos de mão de obra e maior exigência por produtividade e qualidade no campo, a mecanização na hortifruticultura tem se mostrado uma tendência crescente. O uso dessas máquinas é particularmente importante para atender à crescente demanda por alimentos frescos e saudáveis, especialmente para mercados mais exigentes, tanto no Brasil quanto no exterior. A agilidade proporcionada por esses equipamentos permite que o ciclo produtivo seja mais rápido e eficiente, o que é essencial para culturas que demandam cuidados diários e colheitas frequentes.

Especialistas apontam que a adoção de tecnologias de ponta no manejo das hortaliças e frutas também contribui para a sustentabilidade das lavouras. Máquinas mais precisas e eficientes ajudam a reduzir o desperdício de recursos naturais, como água e insumos, além de minimizar o impacto ambiental da produção. Em regiões onde a mecanização estava limitada por conta do tamanho das propriedades, a chegada dessas máquinas compactas tem sido uma verdadeira revolução, permitindo que mais produtores se beneficiem da modernização do campo.

Além disso, o uso dessas tecnologias no manejo de hortifrúti também tem impactos diretos na qualidade do produto final. A colheita realizada por máquinas avançadas reduz danos aos frutos, garantindo que o produto chegue ao mercado com a aparência e as características organolépticas esperadas pelos consumidores. Com isso, os produtores podem aumentar a competitividade no mercado, conquistando mais espaço no mercado interno e nas exportações.

 





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Prévia do inflação sobe e pressiona BC por juros



O aumento dos preços de alimentos e passagens aéreas acelerou a prévia da inflação oficial no país em novembro e vai pressionar o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC), que pode intensificar o ritmo de alta da taxa básica de juros, segundo projeções do mercado.

Conforme o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou nesta terça (26), o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo – 15 (IPCA-15) passou de uma alta de 0,54%, em outubro, para 0,62% neste mês. O resultado ficou próximo das estimativas mais pessimistas dos analistas do mercado financeiro consultados pelo Projeções Broadcast, que previam uma inflação de 0,22% a 0,64%, com mediana de 0,49%.

A taxa acumulada pelo IPCA-15 em 12 meses acelerou pelo segundo mês consecutivo, subindo a 4,77% em novembro, superando a meta de inflação perseguida pelo Banco Central (BC), que é de 3% em 2024, com teto de tolerância até 4,5%.

Os dados de ontem colocam mais pressão sobre o BC na condução da política monetária, avaliou Luis Otávio Leal, economista-chefe da gestora de recursos G5 Partners, que elevou sua projeção tanto para o IPCA de novembro (de alta de 0,20% para 0,35%) quanto para o fechamento de 2024, de 4,6% para 4,7%.

“No Brasil, choques temporários se tornam permanentes e, por isso, acabam tendo de ser combatidos pela política monetária. Por enquanto, mantemos a nossa expectativa de que os juros fechem 2024 em 11,75% ao ano e cheguem a 13% ao ano em maio de 2025, mas ambas projeções têm um claro viés de alta”, disse Leal, em nota.

Com a inflação pressionada, o C6 Bank também prevê que o Copom aumente a taxa básica de juros em 0,5 ponto porcentual na reunião de dezembro, dos atuais 11,25% ao ano para 11,75% ao ano, com mais duas elevações de 0,25 ponto porcentual nos encontros de janeiro e de março de 2025. “Não descartamos, porém, o risco de o ajuste ser ainda mais elevado em função da piora das expectativas de inflação”, ponderou a economista Claudia Moreno, do C6 Bank, em comentário.

A XP Investimentos espera, por enquanto, uma inflação de 4,9% ao fim de 2024, seguida de alta de 4,7% em 2025. “Nossa projeção para a taxa Selic terminal (no fim do atual ciclo de alta) é de 13,25% em meados de 2025, mas a probabilidade de uma aceleração no ritmo do aperto, para 0,75 ponto porcentual, aumentou”, escreveu Alexandre Maluf, em comentário a clientes.

Itens voláteis

Em novembro, itens considerados voláteis, como alimentos e tarifas aéreas, foram os principais “vilões” da prévia da inflação oficial. O custo das famílias com alimentação e bebidas subiu 1,34% neste mês, respondendo por quase metade (0,29 ponto porcentual) da taxa de 0,62% registrada pelo IPCA-15. Os produtos alimentícios aumentaram pelo terceiro mês seguido.

A alimentação no domicílio encareceu em 1,65% em novembro. Houve aumentos no óleo de soja (8,38%), tomate (8,15%) e carnes (7,54%). Por outro lado, as famílias pagaram menos pela cebola (-11,86%), ovo de galinha (-1,64%) e frutas (-0,46%). Já a alimentação fora do domicílio aumentou 0,57%: a refeição fora de casa subiu 0,38%, e o lanche avançou 0,78%.

Em transportes, as passagens aéreas encareceram 22,56% em novembro, maior pressão individual sobre a inflação (0,14 ponto porcentual). O ônibus urbano subiu 1,34%. Nos combustíveis, houve aumentos no gás veicular (1,06%) e na gasolina (0,07%), mas quedas no etanol (-0,33%) e no óleo diesel (-0,17%).



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França chama alimentos do Brasil de ‘lixo’ e rejeita acordo Mercosul-UE



A Assembleia Nacional da França votou nesta terça-feira (26) contra o acordo de livre-comércio entre a União Europeia e o Mercosul, com 484 votos contrários e 70 favoráveis. Apesar de não ter força de lei, a votação sinaliza a forte resistência de alguns países europes ao tratado – também a Polônia votou ontem contra o acordo.

Entre as principais críticas dos franceses, destacaram-se as questões relacionadas à carne brasileira. Parlamentares levantaram dúvidas sobre a qualidade do produto, comparando-o de forma negativa com a produção local. O deputado Vincent Trébuchet afirmou que “nossos agricultores não querem morrer e nossos pratos não são latas de lixo”. Já a deputada Melanie Thomin disse que o acordo seria “tóxico” para os consumidores franceses, uma vez que “hormônios são usados impunemente [na pecuária] no Mercosul.

Em resposta às críticas, o ministro da Agricultura do Brasil, Carlos Fávaro, defendeu a qualidade e sustentabilidade da produção brasileira. Ele destacou o compromisso do país em seguir práticas ambientalmente responsáveis, buscando reforçar a posição do Brasil no mercado internacional.

O tratado, que inclui cotas de importação que representariam uma pequena parcela do consumo europeu, também foi alvo de preocupações sobre possíveis instabilidades no mercado francês. O Senado da França ainda deve discutir o tema, enquanto o governo brasileiro acredita que o acordo seja formalizado na semana que vem, em Montevidéu, no Uruguai, durante a reunião de cúpula do Mercosul.

A votação também trouxe à tona debates mais amplos sobre acordos de livre-comércio. Alguns deputados defenderam a revisão de outros tratados comerciais vigentes. A ministra da Agricultura da França, Annie Genevard, expressou oposição ao acordo, mas destacou os laços históricos entre a França e os países da América Latina como um fator relevante a ser considerado.



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