quarta-feira, julho 15, 2026

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clima desafia, mas produção do RS mantém qualidade e busca expansão


Pensar em azeite de oliva no Brasil era uma realidade inimaginável há poucos anos. A cultura tem grande destaque e tradição em países como Espanha, Grécia e Itália, e encontrou no clima tropical bons resultados. Os primeiros cultivos de olivais no Rio Grande do Sul – hoje o maior estado produtor, responsável por cerca de 70% do total – datam da década de 1950.

O embaixador Batista Luzardo plantou em Uruguaiana, na Fronteira Oeste, 72 mil plantas, sendo este por um período o maior olival do Brasil. Na época, a Secretaria da Agricultura gaúcha examinou em laboratório a azeitona e o azeite produzidos, verificando que não eram inferiores aos italianos. A partir de então, a pasta passou a incentivar o plantio de olivas no estado.

Foto: Motion Array

Mas foi só em 2005 que o espaço de pesquisa foi ampliado. A Embrapa Clima Temperado implantou 25 unidades experimentais de observação; cada uma era composta por três árvores de 30 cultivares, totalizando 90 plantas. No projeto, também foi realizado o zoneamento climático para a cultura no Rio Grande do Sul, assim como a implantação de um banco de germoplasma com 56 cultivares definidas e dez acessos não definidos, além de identificar e monitorar as principais pragas e doenças que atacam a cultura.

Os olivais começaram a dar resultados. Nesses quase vinte anos de cultivo, novas áreas e regiões ganharam pomares. De acordo com a Radiografia da Agropecuária Gaúcha, atualmente são 6,2 mil hectares plantados, sendo metade já em produção. Na safra 23/24 foram produzidos 193,1 mil litros de azeite. A extração do azeite é feita em 25 lagares espalhados pelas regiões produtivas.

As maiores plantações estão nos municípios de Encruzilhada do Sul, Pinheiro Machado, Canguçu, Caçapava do Sul, São Sepé, Cachoeira do Sul, Santana do Livramento, Bagé, São Gabriel, Viamão e Sentinela do Sul. Desde 2019 uma lei estadual criou a “Rota das Oliveiras”, englobando 40 municípios, e busca fomentar e promover o cultivo dos olivais. Como entraves ainda estão o alto custo inicial do investimento e o tempo para começar a produzir, em média a partir do quinto ano.

Clima desafia safra

O recorde de produção de azeites gaúchos ocorreu no ciclo 2022/23, quando foram extraídos 580 mil litros. No ciclo passado, o estado teve redução de 67% na produção. A causa foi um ciclone que ocorreu em setembro, com elevadíssimos volumes de chuvas, afetando a floração.

Para 2024/25 há nova expectativa de baixa, em função das enchentes de maio e do clima chuvoso de setembro.

A produtora Rosane Coradini Abdala, de Caçapava do Sul (RS), destaca que é necessário mais investimento em pesquisa para buscar variedades mais adaptadas aos problemas climáticos do estado.

“No ano que vem já observamos que teremos safra baixa, aquém do que foram as anteriores. Já buscamos junto às entidades recursos para pesquisa para termos variedades mais adaptadas ao nosso clima. Em Portugal, por exemplo, são plantadas variedades de solo ácido, que é o nosso caso aqui. Também tem variedades que convivem melhor com umidade, o que é um problema nosso também”, ressalta.

Festa celebra o azeite

Neste fim de semana, a cidade de Caçapava do Sul, na Campanha, uma das maiores produtoras de azeite do estado, recebe a 3ª Festa do Azeite de Oliva. O evento começou na sexta-feira (29) e vai até o domingo (1°), no Largo Farroupilha.

No local, há exposição de azeites locais, artesanato e produtos da agricultura familiar típicos do município, um dos mais antigos do Rio Grande do Sul e considerado um Geoparque Mundial pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco).

Segundo o Instituto Brasileiro de Olivicultura (Ibraoliva), a cidade é uma das que mais investe no oliviturismo, outro aspecto importante da cultura. Turistas podem conhecer olivais, vivenciar a colheita e se hospedar em pousadas que ficam nas propriedades. Neste ano o evento acontece mais tarde em função da calamidade que o estado viveu.

“Não poderíamos deixar de realizar para não perder a identidade, esse fortalecimento dessa atividade. Mantemos firme nosso propósito de qualidade e Caçapava do Sul é um centro de divulgação e premiação. Com o turismo agregamos valor e já há interesse de expansão e criação de novas marcas”, aponta o presidente da entidade, Renato Fernandes.

Qualidade e excelência

Foto: Abrazeite

São mais de 100 marcas de azeite de oliva existentes no território gaúcho. Dessas, pelo menos 11 se destacaram com premiações em concursos pelo mundo, por conta da qualidade dos produtos.

Agora, entidades representativas do setor buscam esclarecer ao consumidor a diferença entre os azeites importados e os nacionais. O Ibraoliva trabalha para a retirada da palavra “extravirgem” dos rótulos dos azeites importados.

“Acho que tivemos um ganho institucional. O governo reconheceu essa questão. São azeites virgens e não extravirgens, e temos muitas falsificações (cerca de 80% do que entra). Nisso, este ano foi positivo. Mas vai entrar mais azeite importado no Brasil porque nós produzimos cerca de 1,5% da demanda do nosso consumo interno e ainda teremos safra menor. Temos uma preocupação com a qualidade do que vai chegar aqui”, detalha a produtora Rosane.

Desde 2021m a análise sensorial de azeites de oliva auxilia na constatação de fraudes. O painel funciona no Laboratório Federal de Defesa Agropecuária no Rio Grande do Sul (LFDA-RS) e tem o reconhecimento do Conselho Oleícola Internacional (COI).

O painel sensorial é formado por um grupo de pessoas treinadas regularmente para provar um azeite de oliva e identificar nele aromas e sabores. A ação é complementar a análises laboratoriais físico-químicas e é fundamental para determinar se um azeite de fato é extravirgem ou não.



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Fenasoja celebra marco histórico da agricultura


Em 2024, o Brasil celebra o centenário do plantio comercial de soja, um marco na história da agricultura e da economia nacional. A jornada dessa cultura, que começou em Santa Rosa, no Rio Grande do Sul, transformou-se em um dos pilares do agronegócio brasileiro, impulsionando avanços em tecnologia, sustentabilidade e desenvolvimento social. Como parte das comemorações, a cidade sedia a 24ª Feira Nacional da soja (Fenasoja), entre os dias 29 de novembro e 8 de dezembro, no Parque de Exposições Alfredo Leandro Carlson.

Reconhecida como a maior feira multissetorial do Brasil, a Fenasoja desempenha um papel estratégico no fomento de negócios, pesquisa e inovação, além de consolidar a região noroeste do estado como referência no agronegócio. Nesta edição especial, o evento destaca os 100 anos da soja no país, celebrando o impacto dessa cultura na geração de riqueza e no desenvolvimento humano, social e geográfico do Brasil.

Uma história que começou em Santa Rosa

A trajetória da soja no Brasil remonta a 1924, quando o pastor Albert Lehenbauer trouxe sementes dos Estados Unidos e iniciou o cultivo em Santa Rosa. Inicialmente, a ideia era utilizar a planta para rotação de culturas, adubação verde e alimentação animal, contribuindo para a fertilidade do solo e a sustentabilidade das pequenas propriedades da região. O plantio, que começou de forma modesta, prosperou ao longo dos anos, beneficiado pela adaptação da planta ao clima e solo locais.

Com o tempo, o cultivo da soja em Santa Rosa atraiu o interesse de agrônomos, pesquisadores e cooperativas agrícolas, tornando-se um exemplo para outras regiões do Brasil. O sucesso da cultura foi um divisor de águas para a agricultura nacional, consolidando o Rio Grande do Sul como pioneiro nesse segmento.

Legado e perspectivas futuras

Hoje, a soja representa cerca de um terço do setor agropecuário brasileiro e é essencial para o desenvolvimento econômico do país. “A Fenasoja não é apenas uma celebração do passado; é uma oportunidade de projetar o futuro dessa cultura que revolucionou o Brasil,” destacou o governador Eduardo Leite durante o lançamento do evento. Ele também ressaltou a expectativa de que 2024 marque a maior safra de soja da história do Rio Grande do Sul.

Ao longo de cem anos, a soja deixou de ser apenas uma cultura agrícola para se tornar um símbolo de progresso, inovação e resiliência. A Fenasoja 2024 promete não apenas celebrar esse legado, mas também inspirar novos caminhos para o agronegócio e para as comunidades que têm na soja a base de seu desenvolvimento.





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Dólar fecha em R$ 6 nesta sexta-feira (29.11)



Dia foi de volatilidade intensta




Foto: Pixabay

O dólar encerrou o último pregão de novembro, nesta sexta-feira (29), cotado a R$ 6, após um dia de volatilidade intensa em que chegou ao recorde histórico de R$ 6,11 durante a manhã. Essa marca reflete o nervosismo dos mercados em meio às incertezas fiscais no Brasil, influenciadas pelas novas medidas anunciadas pelo governo.

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, apresentou na quinta-feira (28) um pacote fiscal que promete cortes significativos no orçamento, totalizando R$ 70 bilhões em 2025 e 2026, com uma projeção de R$ 327 bilhões até 2030. O anúncio intensificou as preocupações dos investidores, que questionam a viabilidade de alcançar equilíbrio nas contas públicas sem prejudicar o crescimento econômico.

Logo na abertura dos negócios desta sexta, o dólar superou os R$ 6, mostrando a pressão acumulada desde a divulgação das medidas. A instabilidade também foi sentida no mercado de ações, com o índice Bovespa recuando ao longo do dia, à medida que investidores buscaram proteção em ativos mais seguros.

Além das questões internas, o cenário externo contribuiu para o movimento de alta. Nos Estados Unidos, dados robustos da economia reforçaram a possibilidade de manutenção de juros elevados pelo Federal Reserve, tornando os ativos em dólar ainda mais atrativos e desvalorizando moedas emergentes como o real.





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leve alta nas cotações de Chicago


A análise semanal da Central Internacional de Análises Econômicas e de Estudos de Mercado Agropecuário (Ceema), divulgada nesta quinta-feira (28), apontou leve alta nas cotações da soja durante a semana em Chicago, marcada pelo feriado de Ação de Graças nos Estados Unidos. O bushel da oleaginosa encerrou a quarta-feira (27) cotado a US$ 9,88, acima dos US$ 9,77 registrados na semana anterior, indicando estabilidade no mercado do grão.

Em contrapartida, o cenário para os subprodutos apresenta maior volatilidade. O óleo de soja, que havia alcançado 46,30 centavos de dólar por libra-peso no início de novembro, recuou para 40,75 centavos, registrando a menor cotação desde setembro. Já o farelo de soja, em queda há dois meses, oscilou entre US$ 280,00 e US$ 290,00 por tonelada curta, mantendo abaixo da marca de US$ 300,00 desde o final de outubro, conforme a análise.

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Segundo os dados do Ceema, os mercados estão atentos ao plantio da nova safra sul-americana e às condições climáticas que influenciam o cultivo. Outro fator de impacto é a política monetária dos Estados Unidos, especialmente em relação aos juros futuros, contexto potencializado pela posse do presidente eleito Donald Trump, prevista para janeiro.

No cenário internacional, a União Europeia destacou com um aumento de 7% nas importações de soja no ano comercial 2024/25, iniciado em julho. Até 24 de novembro, foram adquiridas 4,95 milhões de toneladas, sendo o Brasil responsável por 2,46 milhões de toneladas, representando um crescimento de 37,6% em relação ao mesmo período do ano anterior.

As importações europeias de farelo de soja também subiram 25%, alcançando 7,64 milhões de toneladas, das quais o Brasil contribuiu com quase 50%, seguido pela Argentina (38,9%). Por outro lado, as compras de óleo de palma caíram 18%, totalizando 1,26 milhão de toneladas. Outro destaque foi a canola, com importações europeias de 2,4 milhões de toneladas, marcando um aumento de 8% em relação ao ano anterior.





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Exportações brasileiras de milho recuaram em novembro


A análise semanal da Central Internacional de Análises Econômicas e de Estudos de Mercado Agropecuário (Ceema), divulgada na última quinta-feira (28), aponta estabilização nos preços do milho no Brasil. Após semanas de alta, os valores interromperam sua ascensão devido à redução da demanda local e à entrada do triguilho (trigo para ração) no mercado. Os preços oscilaram entre R$ 55,00 e R$ 71,00 por saca, com média de R$ 68,17 no Rio Grande do Sul.

Apesar da estabilidade, os valores seguem significativamente superiores aos de 2023. Em algumas regiões, como o Mato Grosso, o milho disponível alcançou R$ 57,17 por saca, representando uma elevação de 62% em relação ao mesmo período do ano anterior, segundo o Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea).

O plantio da safra de verão atingiu 59% da área prevista no Brasil, de acordo com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Entre os estados mais adiantados estão Paraná (99%), Santa Catarina (98%), São Paulo (90%) e Rio Grande do Sul (85%). Entretanto, o Rio Grande do Sul enfrenta dificuldades devido à falta de chuvas em várias regiões, conforme a análise.

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Divergências entre estatísticas oficiais e privadas marcam o acompanhamento do plantio. Dados da consultoria AgRural, por exemplo, indicam que o plantio no Centro-Sul já atingiu 93%. A discrepância ocorre porque a Conab considera também o Norte e Nordeste, enquanto a iniciativa privada foca exclusivamente no Centro-Sul. Segundo a Conab, das áreas já semeadas, 12,3% estão em fase de emergência, 66,1% em desenvolvimento vegetativo, 18,2% em floração e 3,4% em enchimento de grãos., conforme apontou o Ceema..

As exportações brasileiras de milho recuaram em novembro. Nos primeiros 14 dias úteis do mês, o país exportou 3,46 milhões de toneladas, uma média diária 33,2% inferior à registrada em novembro de 2023. A projeção é de que o Brasil encerre o ano com 38 milhões de toneladas exportadas, uma queda expressiva em relação aos mais de 50 milhões do ano anterior.

O preço médio da tonelada do milho brasileiro no mercado internacional foi de US$ 210,30, apresentando recuo de 7,2% em relação a novembro de 2023.





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Mudanças no sistema agroalimentar brasileiro podem poupar US$ 427 bilhões anuais



Um relatório da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), aponta que o custo oculto dos sistemas agroalimentares globais é de US$ 12 trilhões por ano.

Esse valor diz respeito às despesas e benefícios relacionados à produção, distribuição e consumo de alimentos.

Na economia, os custos ocultos, também chamados de invisíveis, não se refletem nos preços de mercado. Por isso, o estudo da agência da ONU especifica os gastos gerados pelos sistemas agroalimentares em três níveis: ambiental, social e saúde.

Redução no Brasil

No caso brasileiro, a transformação dos processos de produção agrícola poderia evitar custos de até US$ 427 bilhões anualmente. O representante da FAO no Brasil, Jorge Meza, relata como essas despesas estão relacionadas aos sistemas agroalimentares.

“Os custos ocultos estão associados à poluição do ar, da água e do solo, aos problemas para a saúde individual ou pública, gerados pela qualidade da alimentação ou, também, pela diminuição da capacidade de geração de renda de pessoas que estão em situação de subalimentação”, afirma.

Despesas nos sistemas agroalimentares

Grande parte das despesas brasileiras geradas nos sistemas de produção agroalimentar é oriunda da dimensão ambiental, somando aproximadamente US$ 294 bilhões anuais, resultado da emissão e escoamento de nitrogênio, de gases poluentes e das mudanças no manejo da terra.

Já as dietas desequilibradas, relacionadas às doenças cardíacas e diabetes, provocam custos de US$ 130 bilhões, enquanto aspectos sociais, como subalimentação e pobreza dos produtores rurais, causam gastos de US$ 3 bilhões.

A alimentação insuficiente não chega a ser considerada um problema crítico entre os produtores rurais, pois atinge uma pequena parcela de trabalhadores no campo. Mesmo assim, o quadro exige seriedade e estratégias por parte dos gestores governamentais.

“Uma das políticas públicas é apoiar o agricultor familiar com insumos produtivos, com conhecimento e crédito para que ele possa desenvolver sua atividade e alcançar os níveis de entendimento que satisfaçam sua alimentação básica”, avalia Meza.

Análise em 156 países

O estudo da FAO analisou 156 países e mapeou as políticas públicas que, ao serem elaboradas, consideraram os custos invisíveis dos sistemas agroalimentares.

No Brasil, o Código Florestal e o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) foram citados como iniciativas-modelo para um futuro global mais sustentável. O PAA resultou em um aumento de 13% no valor da produção dos agricultores familiares participantes da iniciativa, contribuindo também para a vida de milhões de estudantes brasileiros.

“Este programa também teve um impacto na redução dos custos ocultos de saúde, pois se constituiu em uma importante fonte de alimento saudável para crianças com insegurança alimentar e mostrou que o programa aumenta a frequência da assistência escolar”, afirma o representante da FAO no Brasil.



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Dólar encerra acima de R$ 6,00 pela primeira vez na história


O dólar emendou nesta sexta-feira (29), o quarto pregão consecutivo de alta no mercado local e fechou acima de R$ 6,00 pela primeira vez na história.

Além do desconforto com as medidas fiscais do governo, que se traduziram em aumento do prêmio de risco, houve impacto de fatores técnicos, como a rolagem de contratos futuros e disputa pela formação da última taxa ptax do mês.

A escalada do dólar começou já na abertura do mercado, na contramão do enfraquecimento da moeda norte-americana no exterior. A divisa superou o nível dos R$ 6,00 ainda nos primeiros minutos de negociação e, em pouco mais de uma hora de pregão, furou o teto de R$ 6,10, registrando máxima a R$ 6,1155.

Controle de contas públicas

Lira quer votar arcabouço, Carf e reforma tributária a partir de julho
Brasília (DF), 23/05/2023 – O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, e os presidentes da Câmara, Arthur Lira, e do Senado, Rodrigo Pacheco, durante entrevista após reunião na residência oficial da presidência do Senado. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

A febre compradora amainou no início da tarde com sinais vindos de Brasília de compromisso com o controle das contas públicas.

O presidente da Câmara, Arthur Lira, disse que toda medida de corte de gastos contará com “todo esforço, celeridade e boa vontade da Casa”, mas ponderou que iniciativas do governo que representem renúncia de receita serão apreciadas apenas em 2025 – uma referência à proposta de isenção de Imposto de Renda para quem recebe até R$ 5 mil por mês.

Em seguida, foi a vez de o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, pôr o time em campo. Em nota, Pacheco afirmou que a isenção de IR “não é pauta para agora e só poderá acontecer se (e somente se) tivermos condições para isso”. Se essas condições não estiveram presentes, “não vai acontecer”, alertou Pacheco.

“O mercado interpretou essas mensagens como um movimento em direção à responsabilidade fiscal, ajudando a amenizar a tensão provocada pelos anúncios de ontem”, afirma o head de câmbio da B&T Câmbio, Diego Costa.

No embalo das palavras de Pacheco, o real ensaiou uma recuperação. O dólar trocou de sinal e operou por período reduzido em terreno negativo, com mínima a R$ 5,9579. A moeda americana voltou a subir em seguida e, embora com fôlego bem menor do que o observado pela manhã e nos pregões anteriores, fechou em alta de 0,20%, cotada a R$ 6,0012. A divisa acumulou valorização de 3,21% na semana e de 3,81% em novembro, após ter subido 6,31% em outubro.

‘Estresse no mercado poderia ser evitado’

O economista-chefe do Banco Master, Paulo Gala, afirma que o estresse no mercado financeiro nos últimos dias, com disparada dos juros futuros e do dólar, poderia ter sido evitado se o governo não tivesse adiado sucessivamente o anúncio do pacote, que foi prometido inicialmente para logo após as eleições municipais.

“Além de o pacote ter sido mais tímido, ainda veio o anúncio da isenção do IR, que provavelmente nem vai acontecer. Tem toda uma discussão no Congresso para 2025, eventualmente entraria em vigor em 2026, mas acho que não tem chance de passar”, afirma Gala, em comentário. “Mas o fato é que passou uma sinalização para o mercado que o governo não está tão preocupado em controlar gastos.”

Em almoço de fim de ano na Febraban, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, tentou também aplacar os ânimos ao dizer que o projeto do IR será votado apenas se for neutro do ponto de vista fiscal e que o pacote anunciado não “é o gran finale” nem “bala de prata”. À plateia de banqueiros, o ministro disse que pode voltar a discutir a evolução do Benefício de Prestação Continuada (BPC) e da Previdência.

‘Reação desproporcional’

Para o economista André Galhardo, consultor da Remessa Online, a reação do mercado ao pacote de gastos “foi desproporcional”. Ele acredita que a volatilidade pode diminuir conforme as medidas anunciadas pelo governo sejam assimiladas.

“Em algum momento devemos observar um ajuste. A cotação deve ceder ou pelo menos voltar a ser menos volátil. Contudo, imaginar uma recuperação sólida da moeda brasileira ao longo dos próximos meses é um desafio”, afirma Galhardo, lembrando que há fatores externos, como o retorno de Donald Trump à Casa Branca, que devem limitar o fôlego do real.

Ao avaliar a possibilidade de o Banco Central intervir no mercado de câmbio, o economista-chefe do Banco Pine, Cristiano Oliveira, afirma que o retorno da cotação do dólar para níveis “desejados” entre R$ 5,70 e R$ 5,80, que prevaleciam antes da novela do anúncio do pacote de corte de gastos, virá apenas com a adoção de medidas mais amplas.

“A intervenção no câmbio isoladamente não teria o impacto desejado. Teria mais efeito um combo, com venda de dólares, aumento significativo da taxa Selic e um complemento do ajuste fiscal com medidas mais robustas”, afirma Oliveira.



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Veja as cotações do boi gordo no último dia útil de novembro



O mercado físico do boi gordo teve um dia travado de negócios depois de dois dias muito agitados na B3. De acordo com a consultoria Safras & Mercado, muitas indústrias passaram a se ausentar da compra de gado.

“Alguns frigoríficos já começam a testar preço em patamares mais baixos, da mesma maneira que algum avanço da oferta já é evidenciado, mesmo que de maneira pontual. O fator psicológico tem sido variável determinante para justificar esse comportamento, com dois dias atípicos dentro do mercado”, diz o analista da empresa Fernando Henrique Iglesias.

Segundo ele, é necessária atenção à entrada de confinados prevista para a primeira quinzena de dezembro, o que pode influenciar no comportamento dos preços.

Preços médios do boi gordo

  • Mato Grosso do Sul: R$ 341,70

Mercado atacadista

O mercado atacadista apresenta preços acomodados. Segundo Iglesias, há dificuldade em novas altas mesmo em um período de demanda altamente aquecida.

“A carne bovina perdeu muita competitividade em relação às proteínas concorrentes, em especial se comparado com a carne de frango, que segue como principal alternativa neste momento”.

O quarto dianteiro permanece precificado a R$ 20,50 por quilo. O quarto traseiro ainda é precificado a R$ 26,50 por quilo. A ponta de agulha permanece no patamar de R$ 19,50 por quilo.

Câmbio

O dólar comercial encerrou a sessão em alta de 0,19%, sendo negociado a R$ 6,0019 para venda e a R$ 5,9999 para compra. Durante o dia, a moeda norte-americana oscilou entre a mínima de R$ 5,9557 e a máxima de R$ 6,1153. Na semana e no mês, a moeda teve valorização de 3,26% e 3,82%, respectivamente.



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Cotações do trigo caem em Chicago


A análise semanal da Central Internacional de Análises Econômicas e de Estudos de Mercado Agropecuário (Ceema), divulgada na última quinta-feira (28), aponta queda nas cotações do trigo em Chicago. Na quarta-feira (27), véspera do feriado de Ação de Graças nos Estados Unidos, o bushel foi negociado a US$ 5,37, contra US$ 5,48 na semana anterior, refletindo a pressão por oferta e demanda no mercado internacional.

Nos Estados Unidos, o plantio do trigo de inverno alcançou 97% da área projetada até o dia 24 de novembro, número próximo à média histórica de 98%. Das áreas semeadas, 89% estão germinadas. Contudo, as condições das lavouras mostram desafios: 55% estão classificadas como boas a excelentes, 33% como regulares, e 12% em condições ruins ou muito ruins.

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Na Rússia, a estimativa de exportação de trigo foi reduzida de 45,9 milhões para 44,1 milhões de toneladas, segundo dados da consultoria Sovecon. Apesar da redução, o país segue como um dos maiores exportadores globais do cereal.

No Canadá, o cenário é promissor, com a projeção de uma safra recorde de 34,3 milhões de toneladas de trigo de alta qualidade. As exportações canadenses também devem atingir um marco histórico, chegando a 25,4 milhões de toneladas, de acordo com a Comissão Canadense de Grãos.

Enquanto isso, na Ucrânia, em meio ao contexto de guerra com a Rússia, a colheita de trigo para 2025 é estimada em 25 milhões de toneladas, superando as 22 milhões esperadas para 2024. O trigo de inverno, que representa cerca de 95% da produção nacional, ocupa uma área projetada de 5 milhões de hectares, segundo informações da agência Reuters.





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Preços da carne bovina, do óleo e frango sobem no país, enquanto legumes e farinha caem


O consumidor brasileiro precisou desembolsar mais para adquirir ovos e carne bovina e suína em outubro, conforme aponta o novo levantamento Variações de Preços: Brasil & Regiões, da Neogrid.

No período, o preço médio do ovo registrou alta de 7,7%, saltando de R$ 0,77 em setembro para R$ 0,83. Já a carne bovina teve incremento de 5,6% (de R$ 33,38 para R$ 35,24), enquanto a proteína suína subiu 5,3% (R$ 16,61 para R$ 17,49).

Alta na carne bovina

O preço da carne bovina tem registrado uma elevação significativa nos últimos três meses. Em agosto, quando o valor médio por quilo era de R$ 31,51, o ciclo pecuário atravessava um período de baixa, com um grande volume de bovinos disponíveis para abate.

Já durante o terceiro trimestre de 2024, por exemplo, foram abatidas 10,33 milhões de cabeças de gado, segundo a Pesquisa Trimestral da Pecuária do IBGE. Contudo, o cenário se inverteu: com o envio de fêmeas para o abate, o número de nascimentos de bezerros diminuiu, o que tem levado à redução da oferta de carne bovina.

“Esse aumento também pode ser explicado pela seca histórica severa que atingiu o Brasil, combinada com as queimadas. Os produtores viram uma redução na produção de pasto, o principal alimento do gado, o que levou muitos pecuaristas a recorrerem ao confinamento, uma prática mais cara”, considera a head de Customer Success e Insights da Neogrid, Anna Fercher.

Segundo ela, outro fator que contribui para o aumento do preço da carne bovina é a forte demanda externa. “O aquecimento das exportações reduz a quantidade de carne disponível no mercado interno, pressionando os preços para cima.”

O levantamento da Neogrid também aponta que produtos como o óleo e o frango também registraram elevações no preço de 4,7% e 3,3%, respectivamente.

Em contrapartida, as categorias que apresentaram as maiores quedas no valor médio entre setembro e outubro foram:

  • Farinha de mandioca (-3,7%);
pó de cafépó de café
Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil

No acumulado do ano até outubro, o café, tanto em pó quanto em grãos, foi o líder em aumento de preços em todo o país.

O produto teve alta de 36,3%, passando de R$ 36,89 em dezembro de 2023 para R$ 50,30 no último monitoramento. Em segundo lugar, aparece o leite UHT (25,0%), seguido por ovos (19,7%), refrigerantes (17,5%) e queijos (17,0%).

Variações de preços em outubro no Sudeste

Na região sudeste, as maiores variações de alta ocorreram nas seguintes categorias:

Já as principais quedas se concentraram nestas categorias: legumes (-7,9%); creme dental (-2,8%); leite em pó (-2,4%); farinha de mandioca (-2,2%) e leite UHT (-1,8%).



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