quarta-feira, julho 15, 2026

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Projeção de crescimento em 2025



Os produtores estão otimistas



Mato Grosso, um dos maiores polos produtores de milho do Brasil, teve uma safra recorde
Mato Grosso, um dos maiores polos produtores de milho do Brasil, teve uma safra recorde – Foto: Pixabay

A produção brasileira de milho voltada para a produção de etanol deve alcançar cerca de 30 milhões de toneladas em 2025, representando aproximadamente 25% da produção total do país. A projeção otimista foi apresentada por Jeferson Souza, consultor financeiro, durante o V Encontro Técnico do milho, realizado em Cuiabá, nos dias 28 e 29 de novembro de 2024. Souza destacou que o cenário para a safra de milho é promissor, com preços mais altos e uma lucratividade favorável aos produtores de Mato Grosso. No entanto, o aumento na área de plantio depende das condições climáticas, especialmente na janela de plantio da segunda safra.

Mato Grosso, um dos maiores polos produtores de milho do Brasil, teve uma safra recorde em 2023/24, com 43,8 milhões de toneladas, representando 38% da produção nacional. A moagem de milho para etanol cresceu 37,86% em relação ao ano anterior, impulsionada por grandes investimentos. Empresas como a ALD Bioenergia Deciolândia anunciaram investimentos de R$ 1 bilhão para expandir sua capacidade produtiva até 2026. Marco Orozimbo, diretor executivo da empresa, destacou a demanda crescente por biocombustíveis e subprodutos como o DDG, que impulsionam o setor.

Os produtores estão otimistas, com o IMEA estimando um aumento de 10,03% na produção de etanol em 2024/2025, sendo o milho a principal matéria-prima. No entanto, a adoção de um planejamento estratégico é essencial para garantir a rentabilidade, conforme afirmou o produtor Marcelo Vankevicius. Durante o evento, especialistas da Fundação MT abordaram temas técnicos cruciais para aumentar a produtividade, como controle de pragas, cuidados com o clima e a irrigação, além do investimento em fertilidade do solo.

 





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Semana da soja tem preços estáveis; veja como o mercado do grão se comportou



O mercado brasileiro da soja registrou um novembro de preços pouco alterados e uma comercialização lenta. Com o dólar e os contratos futuros de Chicago caminhando em direções opostas, muitos produtores optaram por se afastar do mercado e focaram nos trabalhos de campo.

Cotações da soja no país

  • Passo Fundo (RS): preço subiu de R$ 134,00 para R$ 135,00
  • Cascavel (PR): preço avançou de R$ 139,00 para R$ 140,00
  • Rondonópolis (MT): preço caiu de R$ 149,00 para R$ 143,00
  • Paranaguá (PR): preço se manteve em R$ 144,00

Chicago

Na Bolsa de Mercadorias de Chicago (CBOT), os contratos da soja com vencimento em janeiro tiveram uma desvalorização de 0,58%, sendo cotados ao final do mês a R$ 9,88 3/4. A colheita recorde nos Estados Unidos, superior a 120 milhões de toneladas, e o bom desenvolvimento das lavouras no Brasil e na Argentina criaram um cenário de pressão sobre os preços internacionais.

EUA

Além disso, o mercado da soja está atento às políticas comerciais que o futuro governo Trump adotará. O republicano já sinalizou uma possível sobretaxa de 10% sobre os produtos chineses, o que poderia desencadear uma nova guerra comercial com a China, maior compradora de soja do mundo. Com essa perspectiva, acredita-se que a China possa aumentar as compras de soja do Brasil, deixando o mercado americano em segundo plano.

Perspectivas para a safra da soja

Com o plantio da soja no Brasil chegando ao fim, a produção brasileira da safra 2024/25 é estimada em 171,78 milhões de toneladas, um aumento de 12,8% em relação à safra anterior, que foi de 152,3 milhões de toneladas. A previsão divulgada em julho, na época da intenção de plantio, era de 171,54 milhões de toneladas.



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Livro detalha 70 opções de plantas de cobertura para a agricultura brasileira



O grupo de pesquisa Soil Health & Management Research Group (Sohma), da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz da Universidade de São Paulo (Esalq-USP), lançou uma nova edição do livro Guia Prático de Plantas de Cobertura: Espécies, manejo e impacto na saúde do solo.

A obra está vinculada ao Centro de Estudos de Carbono em Agricultura Tropical (Ccarbon) e aborda a temática de plantas de cobertura, trazendo uma síntese de informações práticas de mais de 70 opções de cultivos de cobertura, incluindo 63 espécies e oito opções de misturas e consórcios.

O Ccarbon é um Centro de Pesquisa, Inovação e Difusão (Cepid) da Fapesp sediado na Esalq-USP. Sua missão é desenvolver soluções inovadoras para o fortalecimento de uma agricultura tropical de baixo carbono.

“Este livro é um guia para que produtores, técnicos, consultores, estudantes e até pesquisadores conheçam melhor as características de cada planta de cobertura. Esperamos que sirva de suporte para a tomada de decisão sobre a adoção dessas plantas no campo. O uso de plantas de cobertura é uma das maiores oportunidades que a agricultura brasileira tem para se tornar mais produtiva, sustentável e resiliente às mudanças climáticas”, considera o professor da Esalq e organizador da publicação, Maurício Roberto Cherubin.

Segunda edição mais completa

A segunda edição revisada amplia também o conteúdo, incluindo novos capítulos sobre os benefícios, desafios e manejo das plantas de cobertura nos sistemas agrícolas e sobre a escolha e o posicionamento de mixes de plantas. Além disso, foram incluídas cerca de 20 novas espécies para uso como plantas de cobertura.

“Certamente a obra ficou mais completa, mais didática e ainda mais útil para que agricultores, técnicos, consultores e pesquisadores possam conhecer mais sobre o uso das plantas de cobertura na agricultura brasileira”, comenta Cherubin.

O livro pode ser acessado gratuitamente em formato digital aqui.
 



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Curso capacita agricultores para manejo eficiente de plantas daninhas



O Sistema Faep oferece, a partir de 2025, um novo curso para agricultores do Paraná, focado no Manejo Integrado de Plantas Daninhas (Mipd). A capacitação visa orientar os produtores na identificação e combate de vegetações indesejadas, contribuindo para a redução do uso de herbicidas e evitando perdas na produção.

De acordo com informações da CNA, a proposta do curso é adotar práticas eficientes e sustentáveis, promovendo uma gestão mais racional das lavouras e economia para os agricultores.

O curso abrange grandes culturas como soja, milho, trigo e feijão, trabalhando com o conceito de manejo integrado. A partir do monitoramento contínuo da lavoura, o produtor define a melhor estratégia de combate às plantas daninhas, escolhendo as técnicas mais adequadas para cada situação. Isso permite um manejo mais técnico e específico para os problemas encontrados.

Como funciona o curso?

Com uma carga horária de 44 horas, o curso será dividido em três fases. Inicialmente, os produtores aprenderão sobre os fundamentos do MIPD, incluindo a identificação das plantas daninhas e as formas de controle. Na sequência, os participantes realizarão monitoramentos no campo, em propriedades dos próprios agricultores. Por fim, após a colheita, os resultados serão analisados em grupo.

O curso também apresenta diversas técnicas de controle, como a solarização, o uso de choques elétricos e a queima controlada das plantas. A enxada e a capina manual, embora simples, são recomendadas quando a infestação ainda é inicial. Além disso, os produtores serão orientados a recorrer ao controle químico apenas quando necessário, priorizando métodos mais sustentáveis antes da aplicação de herbicidas.

Nos últimos anos, o Paraná registrou um aumento no uso de herbicidas, elevando os custos de produção. A presença de plantas daninhas resistentes aos agroquímicos tem gerado prejuízos para os produtores, com perdas de produtividade que podem atingir até 80% em algumas espécies. O curso visa conscientizar os agricultores sobre as perdas causadas pelas plantas daninhas e promover um manejo mais eficaz, evitando prejuízos econômicos e ambientais.



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Setor agroindustrial avança no mapeamento da pegada de carbono do algodão



O setor agroindustrial brasileiro deu um passo importante para a sustentabilidade ao firmar uma parceria técnica entre a Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove), a Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa), a Bayer e a Embrapa Meio Ambiente. A colaboração tem o o propósito de mensurar a pegada de carbono do algodão, um movimento que visa consolidar práticas mais eficientes e sustentáveis na cadeia produtiva do setor.

O projeto será conduzido pelas pesquisadoras Marília Folegatti e Nilza Patricia Ramos, da Embrapa Meio Ambiente, e buscará analisar as emissões de carbono associadas a diversos produtos derivados do algodão, como a pluma, o caroço, o farelo e o óleo. Trata-se de um estudo pioneiro no Brasil, que pretende criar uma referência confiável sobre o impacto ambiental da cultura, destacando tanto a eficiência produtiva quanto os atributos sustentáveis dos seus subprodutos.

Histórico da Iniciativa

A pesquisa foi iniciada há cerca de um ano e, desde então, a Embrapa vem desenvolvendo um módulo para calcular a pegada de carbono do algodão no sistema de produção. A terceira versão dessa calculadora foi aplicada pela Bayer em uma área de 77 mil hectares no Centro-Oeste do país. No entanto, para representar adequadamente a diversidade de métodos de produção de algodão no Brasil, a parceria foi expandida com a inclusão da Abrapa e da Abiove, que são essenciais para a construção de uma análise completa.

A Abrapa representa cerca de 18 mil produtores, responsáveis por 95% da produção nacional de algodão. Já a Abiove, parceira de longa data da Embrapa, tem participado de discussões relevantes sobre programas como o RenovaBio e agora contribuirá para a análise de extração de óleo e produção de biodiesel a partir do caroço do algodão.

Histórico da parceria da cadeia do algodão

A colaboração abrange toda a cadeia produtiva do algodão, desde a caracterização dos processos agrícolas até as fases industriais. O projeto permitirá mapear a pegada de carbono de produtos como pluma, óleo, farelo e biodiesel, considerando as diferentes tecnologias praticadas no Brasil. A diversidade de métodos de produção no país será levada em conta, com a Abrapa trazendo sua expertise sobre os sistemas agrícolas e a Abiove sobre as fases posteriores da cadeia.

Além disso, a parceria fortalece o compromisso da Abiove com a sustentabilidade, alinhando-se a iniciativas como o RenovaBio, que visa a descarbonização da agroindústria. O projeto contribuirá para a redução das emissões de gases de efeito estufa, ao mesmo tempo em que valoriza práticas que tornam o algodão brasileiro mais competitivo no mercado global.

Sustentabilidade como prioridade

Com o Brasil sendo um dos maiores exportadores de algodão do mundo, essa iniciativa reforça o papel do país como líder em práticas agrícolas sustentáveis. A parceria entre Embrapa, Abiove, Abrapa e Bayer é um exemplo concreto do esforço coletivo para tornar a agroindústria brasileira mais eficiente, sustentável e alinhada às crescentes demandas de consumidores e mercados internacionais por produtos com menor impacto ambiental.

O estudo também servirá como um modelo para outras cadeias produtivas, ajudando a fortalecer o compromisso com a sustentabilidade no agronegócio e a impulsionar práticas mais responsáveis em toda a agroindústria nacional.



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Senar lança cartilha digital sobre manejo



O Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar) lançou a cartilha digital “Meliponicultura: manejo de colônias”, disponível gratuitamente na plataforma Senar Play.

O material pode ser acessado pelo site ou pelo aplicativo Senar Play, disponível para dispositivos com sistemas iOS e Android.

A cartilha aborda temas como saúde e segurança na atividade agropecuária, revisão de colônias, preparo de cera mista, alimentação das abelhas, multiplicação de colônias e fortalecimento de colônias fracas.

Segundo Cristiano Menezes, pesquisador da Embrapa Meio Ambiente, o material é fruto da parceria entre o Senar, a Embrapa Meio Ambiente e a Associação Brasileira de Estudos das Abelhas (A.B.E.L.H.A.).

“O objetivo é orientar jovens criadores de abelhas sem ferrão nos primeiros contatos com a atividade e nas principais técnicas de manejo. Essa iniciativa complementa um conjunto de materiais já disponibilizados, como minicursos, cartilhas e vídeos, buscando atingir diferentes públicos. O Senar, em especial, alcança extensionistas, que têm papel estratégico na disseminação do conhecimento”, afirmou Menezes.

Desde 2022, a parceria entre as instituições disponibilizou cursos online sobre captura de abelhas sem ferrão e manejo produtivo na apicultura.

Também estão acessíveis uma cartilha sobre instalação de meliponários e vídeos educativos sobre apicultura e meliponicultura.



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Leu essa? Frigoríficos suspendem carne ao Carrefour



Uma das matérias mais acessadas nos últimos dias foi sobre a suspensão do fornecimento de carne bovina para as lojas Carrefour no Brasil, tomada pelos principais frigoríficos brasileiros. A decisão foi uma resposta a uma declaração do CEO global do grupo, que afirmou que a rede de supermercados não venderia mais carne proveniente do Mercosul em determinados mercados, como forma de apoiar os produtores rurais de outros países.

Embora a rede Carrefour já não oferecesse carne de origem Mercosul no Brasil, a declaração gerou uma reação imediata do setor agropecuário. A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) confirmou a paralisação no abastecimento de carne nas lojas Carrefour, Sam’s Club e Atacadão, que pertencem ao grupo. A medida afeta cerca de 1.180 lojas no país.

O Grupo Carrefour Brasil, no entanto, informou que não há desabastecimento do produto em suas lojas. Seis entidades do agronegócio divulgaram uma nota repudiando a postura do Carrefour, afirmando que, se a carne do Mercosul não é adequada para o mercado francês, não deveria ser oferecida em nenhum outro país onde o grupo tem presença.

Em resposta à declaração do CEO, as indústrias de carne bovina começaram a suspender as entregas ao Carrefour no Brasil, e o processo deverá se expandir nos próximos dias. O setor aguarda uma retratação do executivo francês para retomar as entregas às lojas do grupo. A disputa pode afetar a relação comercial entre as partes e repercutir no comércio de carne bovina entre o Brasil e outros mercados internacionais.



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Viu esta? Nelore “cobre” Friboi de Mozarlândia (GO) com mais de 5 mil animais avaliados


O programa Giro do Boi, que vai ao ar todos os dias na tela do Canal Rural, trouxe um tema que chamou muito a atenção na semana passada: a unidade da Friboi em Mozarlândia (GO) recebeu o Circuito Nelore de Qualidade e avaliou mais de 5.100 bovinos em dois dias, quebrando o recorde anual da iniciativa. Assista ao vídeo abaixo e confira:

Com 34 lotes, sendo 29 de bois e 5 de novilhas, a avaliação contou com 2.600 animais no dia 20 e mais 2.500 no dia 21. Este é o terceiro recorde do Circuito em 2023, que já passou por Diamantino (MT), com 3.500 bovinos, e Barra do Garças (MT), com 3.800. 

Circuito Nelore de Qualidade

Circuito Nelore de QualidadeCircuito Nelore de Qualidade
Foto: Giro do Boi

Promovido pela Associação dos Criadores de Nelore do Brasil (ACNB) desde 1999, o Circuito Nelore de Qualidade é a maior competição de avaliação de carcaças do mundo.

A iniciativa busca promover a genética da raça, que responde por 80% do rebanho de corte brasileiro, fortalecendo a seleção de animais produtivos e a sustentabilidade na pecuária.  

Com apoio da Friboi, o Circuito avalia carcaças e premia os melhores resultados em diferentes sistemas de produção, contribuindo para a evolução da raça Nelore como referência em carne bovina de qualidade.  

Sustentabilidade e capacitação na Fazenda Caruru

Outra informação importante na região foi o da Fazenda Caruru, de Nova Monte Verde (MT), que destacou-se não apenas pelos resultados, mas também por suas ações de sustentabilidade e capacitação.

A propriedade, comandada por Miguel e Traute Rech, lançou recentemente o projeto Adote uma Nascente em parceria com o Colégio Estadual Neide Inara e a Secretaria do Meio Ambiente.  

Além disso, a fazenda promoveu um treinamento de vacinação contra a brucelose, em parceria com o Sindicato Rural e o Senar, demonstrando compromisso com o bem-estar animal e a qualificação de sua equipe.



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Finalistas do prêmio ‘CNA Brasil Artesanal de Mel’ participam de congresso



A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), em parceria com o Sebrae por meio do programa Juntos Pelo Agro, marca presença no XXIV Congresso Brasileiro de Apicultura e Meliponicultura (Conbrapi).Realizado de 27 a 30 de novembro, em Aparecida (SP), a confederação contou com a participação de seis produtores rurais finalistas do Prêmio CNA Brasil Artesanal 2024.

Os finalistas do Prêmio CNA Brasil Artesanal 2024 têm a oportunidade de expor e comercializar seus produtos na Feira de Negócios do XXIV Congresso Brasileiro de Apicultura e Meliponicultura (Conbrapi), que reúne especialistas, apicultores, meliponicultores e empresas do setor, além de oferecer workshops, palestras e exposições.

Para Kalinka Koza, assessora técnica da CNA, o evento é uma plataforma única para troca de conhecimentos e fortalecimento da cadeia produtiva do mel no Brasil. Ela destaca que a participação dos produtores vai além da comercialização, proporcionando contato com inovações do setor.

Na categoria mel claro, os finalistas são Nivaldo Alves da Silva (Apiário Sul de Minas), Verno Luis Luneburger (Apiário Três Coqueiros) e Joaquim Ribeiro de Oliveira (ApisBC). Iara da Silva Marinho, do ApisBC, enfatiza a importância da visibilidade adquirida por pequenos produtores no evento.

Nivaldo Alves da Silva, do Apiário Sul de Minas, observa que o prêmio aumentou a visibilidade de seus produtos e ajudou a fortalecer sua marca. Ele destaca que o Congresso oferece uma oportunidade valiosa para estreitar relações com apicultores de todo o Brasil e impulsionar o negócio.

Na categoria mel escuro, os finalistas incluem Validinei da Conceição (Associação dos Apicultores da Agricultura Familiar de Corumbá Florada Pantaneira), Thiago Tineli (Apicultura Tineli) e Jaime Venturin (Apicultura Venturin). Caroline Maciel da Costa, representante da Apicultura Venturin, afirma que eventos como o Conbrapi são essenciais para divulgar o mel de Melato de Bracatinga e ampliar os negócios. “As palestras científicas e as oportunidades de networking são essenciais para nosso desenvolvimento”, destaca.

A participação dos produtores no Conbrapi é viabilizada pelo programa Juntos Pelo Agro, que apoia o desenvolvimento do setor rural e fortalece o ambiente de negócios do agronegócio brasileiro. A iniciativa tem sido fundamental para conectar os produtores a novos mercados e divulgar seus produtos em todo o Brasil e no exterior.

O Prêmio CNA Brasil Artesanal visa valorizar os pequenos e médios produtores rurais e reconhecer a qualidade e tradição em suas produções. Desde 2019, o concurso tem promovido diversas categorias de alimentos artesanais, como chocolates, queijos, cachaças, salames, mel e outros produtos, com o objetivo de impulsionar a profissionalização e agregar valor à produção rural.



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Pescadores artesanais pedem apoio para enfrentar crises climáticas e desigualdades


Foi a avó que ensinou Rita de Cássia da Silva a pescar, aos 7 anos de idade. No cenário paradisíaco da Praia de Macau, no Rio Grande do Norte, aprender o ofício dos mais velhos significa a transmissão de um saber ancestral, mas também uma “necessidade”. “A gente era muito pobre. Ela não tinha como me deixar sozinha”, lembra. 

Embora o mar a encante e seja um saber passado pelas gerações, não há motivo para romantizar a atividade. Tanto que também foi a fome que fez o marido de Rita ir para o mar em uma noite de lua cheia, no ano de 1993, para tentar o sustento da família. Ele não sabia que era uma área de empresários que mantinham viveiros de camarões.

“Meu marido tomou um tiro do vigia da empresa e depois faleceu”. Ele não queria roubar nada de ninguém. Mas o sangue e a dor nas águas mostraram para a família que o mar não era deles, como sonharam. 

Grito da pesca artesanal

Quem trabalha com a pesca artesanal sabe que são necessárias mais condições, garantias de direitos e políticas públicas para que o mar não seja tão revolto. Inclusive, nesta semana, em Brasília, pelo menos 800 trabalhadores da pesca de 18 estados fizeram uma série de discussões para pedir mais atenção para a categoria, no evento “Grito da pesca artesanal”. 

A proposta foi discutir com órgãos governamentais e outras entidades as violações de direitos, regularização das comunidades tradicionais e os impactos das mudanças climáticas nas comunidades pesqueiras.

No caso de Rita, hoje aos 45 anos de idade, a vida dela passa por uma canoa com rabeta a motor de 6 metros de comprimento, onde percebe que outros desafios se colocaram sobre as ondas. “A mudança do clima é nítida. Hoje é muito mais quente e existem, por exemplo, muito menos anchovas, tainhas e xaréus [peixes que eram mais comuns naquela região]”. 

Se os períodos de estiagem prejudicam a pesca no litoral potiguar, foram as enchentes que impactaram os pescadores da Ilha dos Marinheiros, em Rio Grande, no Rio Grande do Sul. Viviane Machado Alves, de 44 anos de idade, atua na região do Estuário da Lagoa dos Patos, uma região de lago onde trabalham mais de 4,8 mil pescadores, desde os 20 anos de idade.

Ela lamenta que da ilha para o estuário não há mais ponte, destruída pelas enchentes do primeiro semestre. Ela denuncia que a comunidade está com dificuldades de acesso a benefícios, reconstrução de casas e também autorização para que possam pescar em uma área maior. 

Para quem pesca no Rio São Francisco, como o mineiro João Batista da Silva, de 50 anos de idade, nascido e criado na comunidade quilombola Caraíbas, de Pedras de Maria da Cruz, as mudanças climáticas e a poluição do Velho Chico desanimam as 40 famílias que vivem das águas. “Temos sentido muito a falta do surubim, do pacamão e do curimatã. Antes era muito diferente”, disse. 

“O rio nunca mais voltou a ser o mesmo”, garante o trabalhador que criou nove filhos com a atividade no rio. A pesca é para sustento das famílias e também para comercialização no centro da cidade, que fica a 12 quilômetros de distância da comunidade quilombola. Ele enfatiza que as atividades deles são de proteção ambiental, e que, por isso, recebe ameaças de violência. Tanto que atualmente está em programa de proteção governamental. 

Essa é uma preocupação da Pastoral dos Pescadores e Pescadoras, que busca apoiar as comunidades na preservação e proteção das áreas. De acordo o secretário de Economia Solidária da entidade, Marcelo Apel, as ações da pastoral têm a intenção de prestar suporte aos trabalhadores para minimizar as desigualdades e a histórica escassez de políticas públicas. 

Programa de apoio aos pescadores

O secretário Nacional de Pesca Artesanal do Ministério da Pesca e Aquicultura, Cristiano Ramalho, reconhece que existe um déficit histórico de políticas públicas voltadas ao atendimento a essas comunidades pesqueiras. 

Segundo ele, o governo federal tem apoiado que os trabalhadores façam denúncias por mais direitos. “O pedido das comunidades pesqueiras artesanais, quando envolve temas de conflitos, é um tema muito caro às comunidades. Da mesma forma, em relação às questões de poluição e mudanças climáticas. A gente aciona órgãos estaduais quando compete dentro do pacto federativo”.

Ele lembrou que, no ano passado, o governo lançou o programa Povos da Pesca Artesanal, que busca uma articulação de diferentes ministérios e parcerias com diferentes âmbitos de governo, incluindo saúde.

“É uma ação direta com apoio à juventude da pesca artesanal, com bolsas de estudo, fortalecimento da cadeia produtiva da pesca artesanal e combate ao racismo ambiental. A gente tem feito isso com orçamentos diretos com a construção do primeiro Plano Nacional da Pesca Artesanal”. 

Ele defende a necessidade de reforçar a política de estado para uma categoria que necessita de apoio e está em vulnerabilidade. 

Atualmente, segundo o secretário, são cerca de 1,2 milhão de pessoas que trabalham na atividade, sendo que 80% delas concentradas no Nordeste e no Norte do Brasil. É uma população em sua maioria de homens negros e negras. 

O programa do governo vai ao encontro de enfrentar uma das expressões da desigualdade histórica do Brasil, afirmou Cristiano Ramalho.



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