O Ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Flávio Dino, concedeu uma liminar que suspende a lei da Moratória da Soja, que revogava incentivos fiscais para empresas que apoiam o acordo. O pedido foi feito por partidos como o PSOL, o Partido Verde e o PCdoB, que alegam que a legislação fere a livre iniciativa e incentiva o desmatamento na Amazônia.
A lei 12.709, sancionada em outubro de 2024, impõe critérios mais rigorosos para a concessão de incentivos fiscais a empresas que participam de acordos internacionais, como a moratória da soja, que visa não comprar soja de fazendas que desmatam ilegalmente.
A decisão do ministro do STF argumenta que a lei viola o princípio da livre concorrência, utilizando a norma tributária de forma punitiva contra empresas que priorizam fornecedores comprometidos com a preservação ambiental.
Flávio Dino afirmou que a medida enfraquece os avanços na proteção ambiental e pode representar um retrocesso nas políticas ambientais do Brasil, prejudicando a Constituição. A controvérsia gerou reações, especialmente do governador de Mato Grosso, Mauro Mendes, que afirmou que a lei estadual estava de acordo com o Código Florestal e que recorrerá da decisão, alegando que não seria justo impor exigências não previstas pela legislação brasileira.
Miguel Daoud, comentarista do Canal Rural, criticou a liminar do STF. Para Daoud, a decisão foi impulsionada por partidos que, segundo ele, se opõem ao agronegócio brasileiro e ainda não compreendem o cenário atual da agricultura no país. Ele destacou que a medida prejudica a livre iniciativa e a concorrência, já que penaliza produtores que cumprem o Código Florestal, mas não aderem à moratória, enquanto empresas internacionais impõem condições que não são exigidas pela legislação nacional.
Daoud também questionou a eficácia do acordo da moratória, apontando que as empresas não aderentes ao pacto acabam vendendo soja a intermediários, criando uma triangulação, sem resolver o problema do desmatamento.
Ele afirmou que a suspensão da lei pode retroceder os avanços ambientais, pois penaliza produtores que estão dentro da legislação, enquanto não resolve as dificuldades de regularização das terras na Amazônia, onde existem mais de um milhão de propriedades fora do sistema legal. Para Daoud, a decisão precisa ser revista, e o governo de Mato Grosso tem o direito de recorrer, defendendo a livre iniciativa e o agronegócio sem impor excessivas restrições.
Os trabalhos de busca dos mergulhadores por desaparecidos na queda da ponte Juscelino Kubitschek de Oliveira, na BR-226, entre Aguiarnópolis, Tocantins, e Estreito, no Maranhão, foram suspensos devido ao risco de desabamento.
O Departamento Nacional de Infraestrutura de Trânsito (Dnit) identificou uma movimentação no que sobrou da estrutura da ponte, por isso recomendou a suspensão dos trabalhos.
De acordo com a Marinha, o corpo de uma das vítimas foi encontrado por pescadores nesta quinta (26) à noite, a aproximadamente 6 km do local do desabamento. Duas outros corpos também foram localizados, mas não foram resgatados devido o risco para o trabalho dos profissionais. Com isso são nove o número de mortos e oito desaparecidos.
Qualidade da água do rio
Na quinta-feira, os mergulhadores localizaram os caminhões que transportavam defensivos agrícolas e ácido sulfúrico a uma profundidade de cerca de 35 metros. Eles também localizaram uma moto e uma caminhonete.
Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) continua monitorando a qualidade da água no Tocantins. Segundo a agência reguladora, até o momento não há risco de contaminação da água por vazamento de produtos químicos.
Novos equipamentos para as buscas
A Marinha informou que novos equipamentos chegaram nesta sexta-feira (27) e devem auxiliar nas buscas. Entre eles, uma câmara hiperbárica e o de mergulho independente, que tem o suprimento de ar feito por mangueiras que chegam na superfície. Com isso vai ser possível realizar o trabalho por um período maior.
Além disso, veículos que ficaram na ponte ainda não foram retirados devido ao risco de desmoronamento. O Dnit informou que uma força-tarefa se encontra na região.
O objetivo, segundo o órgão, é intensificar o apoio à população, com a contratação de balsas para a travessia do Rio Tocantins, além de acelerar o trabalho de apuração das causas pela queda da estrutura.
“Com a decretação de emergência, o DNIT atua com celeridade na contratação da reconstrução da nova ponte. A autarquia reforça, ainda, que há rotas alternativas de deslocamento entre as cidades de Estreito (MA) e Aguiarnópolis (TO), na BR-226/TO”, disse o órgão.
Rotas alternativas à ponte
São duas as rotas alternativas que podem ser utilizadas para fazer a travessia na região.
Rota 1 – Para ter acesso à BR-226/MA: Darcinópolis/TO até Imperatriz/MA (191,0 quilômetros):
TO-134/BR-230 (Darcinópolis/TO – Axixá do Tocantins/TO, 149 quilômetros)
TO-201 (Axixá do Tocantins/TO – Sítio Novo do Tocantins/TO, 15,1 quilômetros)
TO-126 (Sítio Novo do Tocantins/TO – Imperatriz/MA, 26,9 quilômetros) e seguir pela BR-226/MA.
Rota 2 – Para ter acesso à BR-230/TO: Estreito/MA até Imperatriz/MA (125,0 quilômetros):
BR-226/MA: Os usuários devem acessar a rodovia em Estreito/MA até Porto Franco/MA (30,0 quilômetros)
BR-010/MA: De Porto Franco/MA os usuários devem seguir pela BR-010/MA até Imperatriz/MA (100,0 quilômetros) e seguir pela TO- 126.
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Algumas medidas preventivas podem ser tomadas – Foto: Divulgação
A ferrugem do café, causada pelo fungo Hemileia vastatrix, é um dos maiores desafios enfrentados pela cafeicultura brasileira. De acordo com Adriano Pereira Solidário, proprietário da Agência AgroPulse, a doença pode comprometer severamente a produtividade das lavouras, levando a perdas de até 50% na produção e uma drástica redução na qualidade dos grãos. Este é um alerta urgente para os cafeicultores, que precisam estar atentos aos sintomas e às condições que favorecem o desenvolvimento da doença.
Nesse contexto, os sintomas da ferrugem incluem manchas amarelas nas folhas, o aparecimento de pó alaranjado na parte inferior das folhas e a queda precoce das folhas afetadas. Esses sinais indicam a presença do fungo e, se não tratados de maneira eficaz, podem levar ao enfraquecimento das plantas, prejudicando o rendimento da lavoura. As condições climáticas favoráveis à ferrugem são um clima úmido e ameno, com temperaturas entre 15°C e 25°C, e plantações sombreadas, que criam um ambiente ideal para a propagação do fungo.
Para prevenir a doença do café, o especialista recomenda a adoção de medidas práticas, como o uso de variedades resistentes ao fungo, a realização de podas regulares, a aplicação de fungicidas preventivos e o controle da umidade no cultivo. Essas ações podem ajudar a proteger as plantações e minimizar os impactos da ferrugem, assegurando uma produção de café saudável e com qualidade. Sendo assim, ele conclui que o controle eficiente é essencial para manter a competitividade da cafeicultura brasileira no mercado internacional.
A safra 2023/24 no Matopiba foi considerada bastante desafiadora e na Bahia, principal estado produtor do Nordeste, apesar dos obstáculos, houve também estabilidade e conquistas, em um ano que finaliza com status regular, principalmente na produção das principais commodities.
O início não foi fácil para o ciclo que se encerra em 2024, principalmente para a soja, principal commodity do Matopiba. Esse ciclo agrícola foi marcado por uma das maiores secas da história, na Bahia, por exemplo.
Ainda assim, no estado baiano, no ano que exigiu mais expertise do produtor de soja, a produtividade média foi de 63 sacas por hectare.
De acordo com a Associação de Agricultores e Irrigantes da Bahia (Aiba), somente o Oeste da Bahia registrou uma produção total de 7,4 milhões de toneladas da oleaginosa, com uma área superior a 1,9 milhão de hectares plantados, ocupando mais de 67% da área total cultivada no oeste baiano.
A safra 2023/24, foi uma safra considerada regular. Tivemos algumas adversidades climáticas, principalmente por essas questões como pelo evento do El Niño, que de certa maneira acabou impactando boa parte das culturas. Na soja tínhamos aí o potencial de alcançarmos o maior índice de produtividade nível Brasil, mas tivemos uma média reduzida de 67 sacas, passa 63 sacas de soja por hectare, em função justamente dessas dessas adversidades climáticas enfrentadas nos diversos núcleos produtivos”, explica o gerente de agronegócio da Aiba, Aloísio Júnior.
Imagem: Guilherme Soares/ Canal Rural Bahia
Outro estado do Matopiba que se destacou mesmo diante das adversidades foi o Piauí. Segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), o estado produziu 3,8 milhões de toneladas de soja na safra 2023/24, um aumento de 88% em relação à safra anterior.
No ciclo passado a falta de chuva foi um dos principais problemas para os produtores, no entanto, nesta temporada, a presença dela em abundância foi crucial para o inicio do plantio em toda a região do Matopiba, principalmente no Oeste da Bahia.
O produtor, Jaime Cappelesso, lembra das dificuldades e ressalta a tranquilidade no início do plantio para a safra 2024/25.
“Para a região como um todo, o clima tá muito bom esse ano, plantio bom, bem germinado tudo. No ano passado foi mais complicado, nós estávamos nessa época com problemas sérios, agora não, esse ano estamos tranquilo, mas clima é o seguinte, hoje tá assim, amanhã a gente não sabe o que que vem”, comenta o produtor.
Radar fitossanitário
E se a chuva começou ajudando para a safra 2024/25, a atenção para o controle fitossanitário deve continuar no radar dos produtores.
Iolanda Alves, fitopatologista e entomologista da Fundação Bahia, relembra que durante o ano, alguns nematoides e pragas dificultaram o trabalho dos produtores.
“Pensando na parte da fitopatologia, as grandes problemáticas tem sido a mancha alfa, tanto na cultura da soja quanto na cultura do algodão, que é causada pelo fungo Corynespora cassiicola e os nematoides também. A gente teve também bastante problema com a mosca branca e com o bicudo algodoeiro” que já é comum de todo ano ter esse problema com a questão do do bicudo”, explica.
Falando em algodão, que têm na Bahia a segunda maior produção nacional, a produtividade média foi de 325,45 arrobas de algodão em caroço por hectare na safra 2023/24, inferior às 330,8 arrobas por hectare da safra anterior, mas ainda acima das expectativas, numa área total plantada de 345.431 hectares, de acordo com a Aassociação Baiana dos Produtores de Algodão (Abapa).
Já o milho, segundo a Aiba, chegou a enfrentar problemas em aspectos fitossanitários e climáticos, finalizando a safra com o resultado de 150 sacas por hectare de sequeiro e 160 de irrigado, correspondente a uma produção de mais de um milhão de toneladas do cereal.
Fruticultura foi destaque
Apesar dos desafios, 2024 também foi um ano marcado por resultados positivos para a fruticultura baiana, com destaques para a produção de manga, maracujá e mamão.
Além disso, o estado voltou a ser líder na produção de cacau. Segundo a Pesquisa Agrícola Municipal mais recente do IBGE, o segmento gerou para o estado R$ 5,7 bilhões.
Para o secretário de agricultura da Bahia, Wallison Tum, a fruticultura vive um momento positivo, por conta das dificuldades enfretadas em outras regiões do país.
“Nós temos observado o crescimento muito grande do síntese aqui no estado da Bahia, principalmente porque São Paulo não está conseguindo exportar. Então, existe um movimento muito forte aqui, mais concentrado na região de Condeúba, que é próximo à divisa com o Sergipe”, disse.
Pecuária
A pecuária foi outro segmento que bateu recordes. A Pesquisa da Pecuária Municipal mais recente do IBGE, aponta que a Bahia possui o maior rebanho do nordeste, com 13,3 milhões de cabeças.
O Jaime, por exemplo, têm capacidade máxima para 6 mil cabeças na propriedade em Luís Eduardo Magalhães, onde adota o sistema Integração Lavoura-Pecuária (ILP).
“Eu acho que o pecuarista hoje não pode reclamar muito porque começou razoável, daí ficou para baixo e agora tá os preços se manter, os preços que estão aí, tá bom? Nós aqui, por exemplo, nós estamos com um foco mais na engorda, no confinamento. E a gente faz parceria, tem vários, vários sistemas e eu sempre fui fã da Integração Lavoura-Pecuária (ILP) e eu acho que na nossa região do Oeste da Bahia, tá faltando muito isso.”, finaliza o produtor.
Para Humberto Miranda, presidente da Federação de Agricultura e Pecuária da Bahia (Faeb), mesmo com muitas intercorrências, foi um ano com resultados satisfatórios.
“Pensando no ano corrente, como nós estamos chegando ao final do ano, nós podemos dizer que esse ano foi um ano exitoso para agropecuária baiana. Nós saímos do final do ano passado de uma seca histórica, onde o Cemaden é contabilizou que foi uma das piores secas dos últimos 30,40 anos. Isso gerou muito prejuízo à agricultura e principalmente a pecuária. morreram mais de 1 milhão de cabeças de animais no final do do segundo semestre do ano passado”, ressalta.
Imagem: Guilherme Soares/ Canal Rural Bahia
“Do ponto de vista de mercado, nós tivemos uma baixa de preço significativa das commodities no mercado internacional, tanto da soja quanto do milho, quanto do algodão, e isso realmente impactou negativamente na renda do produtor, na questão da pecuária também, nós tivemos um ano muito difícil. Está melhorando agora o final do ano, a questão da arroba do boi, do preço do leite. Mas nós tivemos durante um ano e meio, um dos piores preços históricos da arroba do boi. De 2022 para cá, baixou 33% durante mais de 1 ano. Então o produtor trabalhou com margens muito apertadas. E a gente espera que, do ponto de vista do resultado e da rentabilidade para o produtor, a gente tenha um ano ainda melhor do que o que foi o 23/24.”, finaliza Miranda.
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Os produtores de algodão da Bahia deram início, neste dia 21 de novembro, ao plantio da safra 2024/2025 na região oeste do estado. No sudoeste, o calendário foi antecipado, com os trabalhos começando em 1º de novembro. Após a colheita da safra 2023/2024, que obteve resultados expressivos, foi respeitado o período do vazio sanitário, essencial para eliminar restos de cultura e plantas daninhas, além de permitir a recomposição do solo.
Na safra anterior, a Bahia cultivou uma área total de 345.431 hectares, com uma produção de 691,4 mil toneladas de pluma. Desse total, 247.609 hectares (71,68%) foram destinados à área de sequeiro, enquanto 97.821 hectares (28%) foram irrigados. A produtividade média foi de 325,45 arrobas de algodão em caroço por hectare, resultando em 2.001 kg de pluma por hectare, de acordo com a Associação Baiana dos Produtores de Algodão (Abapa).
Para a nova safra, que deve ser encerrada até 10 de fevereiro de 2025, a expectativa é positiva. “Este ano, as chuvas estão dentro da normalidade, o que é um fator determinante para o sucesso da safra. Considerando os preços baixos do algodão no mercado, alcançar boa produtividade é essencial para que a cultura continue viável. Nesse cenário, o clima favorável é determinante para garantir margem ao produtor”, destaca o presidente da Abapa, Luiz Carlos Bergamaschi.
Segundo ele, o trabalho que os produtores vêm realizando ao longo dos anos também é um fator a ser considerado para uma entrega de qualidade. “Os produtores baianos vêm demonstrando um alto nível de profissionalização, com investimentos consistentes em tecnologia, pesquisa e práticas sustentáveis. Esse comprometimento tem sido fundamental para entregar um algodão de alta qualidade, atendendo às exigências do mercado nacional e internacional. Esse esforço, aliado ao clima favorável, até o momento, nos traz uma expectativa promissora para esta safra”, conclui Bergamaschi.
Quanto à área destinada ao cultivo nesta safra, ainda há expectativa de crescimento, mas os números exatos serão definidos conforme a evolução do plantio.
O saldo de crédito para as empresas do setor agropecuário cresceu 1% em novembro, na comparação com outubro, para R$ 53,374 bilhões, informou o Banco Central nesta sexta-feira (27). No acumulado dos últimos 12 meses, aumentou 6,5%.
O saldo para a indústria avançou 1,3% em novembro ante outubro, para R$ 906,311 bilhões. No acumulado dos últimos 12 meses, cresceu 8,2%.
O montante destinado ao setor de serviços aumentou 1,9%, para R$ 1,485 trilhão. No acumulado dos últimos 12 meses, aumentou 11,5%.
O saldo do crédito para pessoa jurídica com sede no exterior e créditos não classificados (“outros”) elevou-se 7,7%, para R$ 4,732 bilhões, de acordo com o Banco Central.
Foi publicada no Diário Oficial da União de hoje (27) a lei que estende a condição de segurado especial para membros de cooperativas vinculadas a atividades rurais. Conforme a Lei 15.072/24, o trabalho rural pode ser realizado individualmente ou em regime de economia familiar, e a associação à cooperativa não descaracteriza a condição de segurado especial, que é concedida ao trabalhador que exerce sua atividade majoritariamente no campo.
A lei foi sancionada ontem (26) pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e teve origem no PL 1754/24, substitutivo da Câmara ao PL 580/07, do Senado Federal. Lula vetou o trecho da norma que possibilitava a associação ou o exercício de atividade remunerada em quaisquer tipos de cooperativas. Segundo o Poder Executivo, a medida subverteria a figura do segurado especial, “conforme estabelecido pela legislação previdenciária, com potencial aumento da despesa pública de caráter continuado com benefícios previdenciários”.
Conforme a nova legislação, as cooperativas devem ter atuação vinculada às atividades e categorias rurais abrangidas pelo regime de segurado especial. É o caso das cooperativas de produtores rurais, seringueiros, extrativistas vegetal, pescadores artesanais e de seus familiares que desempenham atividades em regime de economia familiar.
Com a lei, integrantes da administração, do conselho fiscal e de outros órgãos de cooperativas, de todos os tipos, também serão considerados segurados especiais.
Membros de grupo familiar que tiverem outra fonte de rendimento não serão incluídos no regime de seguridade especial, assim como associados a cooperativas de trabalho. Essas organizações são compostas por profissionais com interesse em comum, e os cooperados trabalham de maneira autônoma. Um dos objetivos do modelo é melhorar a remuneração e as condições de trabalho de seus associados.
Com condições climáticas favoráveis e um índice de chuvas adequado, a safra de soja 2024/2025 no Brasil apresenta um cenário otimista. As projeções da Agroconsult indicam uma produção superior a 172,2 milhões de toneladas, um aumento significativo em relação à temporada anterior.
Essa previsão representa um crescimento de mais de 16 milhões de toneladas, o que reflete o bom desenvolvimento das lavouras nas principais regiões produtoras do país. Contudo, apesar do panorama favorável, o manejo de doenças e pragas segue como um fator crucial para garantir altos índices de produtividade.
Prevenção de doenças e fungos
Com o aumento da umidade esperado para o final de 2024, o controle de doenças fúngicas se torna essencial para evitar perdas na lavoura. Sérgio Zambon, gerente sênior de desenvolvimento de produtos da BASF, destaca a importância do monitoramento constante da lavoura e das condições climáticas para a aplicação preventiva de fungicidas.
Para ele, “quando há períodos de chuva, é fundamental aproveitar as janelas sem chuva para realizar as aplicações preventivas. Se a doença se instalar, o controle se torna muito mais difícil e o custo para combatê-la é significativamente maior”.
Zambon explica que o ideal é realizar as primeiras aplicações de fungicidas antes do fechamento da soja, quando as entrelinhas ainda são visíveis, permitindo o acesso aos produtos nas folhas mais baixas. À medida que a soja se desenvolve, novas aplicações devem ser feitas para proteger as folhas novas e evitar a instalação de doenças. “Prevenir é sempre mais barato e eficaz do que tentar remediar a situação depois que as doenças já se instalaram”, afirma o especialista.
Monitoramento da soja e cuidados
Além de monitorar a lavoura, é essencial que os produtores acompanhem as condições climáticas e o ambiente ao redor. Zambon ressalta que, com o aumento das chuvas, as doenças tendem a se proliferar mais rapidamente. “Em 2024, já houve detecção de ferrugem asiática no sudoeste de São Paulo, o que indica que os esporos estão no ar e podem se espalhar rapidamente, caso não haja controle preventivo.”
Em relação às pragas, Zambon observa que a umidade e o sistema de cultivo impactam diretamente na biologia das pragas. Em regiões como a Bahia, onde o cultivo é intensivo durante todo o ano, a disponibilidade constante de alimentos permite que as pragas se multipliquem continuamente, tornando o controle mais desafiador. “Na Bahia, o sistema intensivo de cultivo favorece a proliferação de pragas ao longo do ano. Isso torna o monitoramento e controle ainda mais importantes”, explica.
Fases críticas da soja e tecnologia
Zambon também destaca que a soja é mais suscetível a doenças durante sua fase reprodutiva. No entanto, ele alerta que as doenças podem começar a se desenvolver desde o momento do plantio. “O controle deve ser iniciado logo nas primeiras semanas após a semeadura. Quanto mais cedo as doenças forem identificadas, mais fácil será o controle”, afirma o especialista.
Outro ponto importante para o sucesso no manejo das lavouras é a tecnologia de aplicação. Zambon enfatiza a necessidade de cuidados como o volume de calda, o tamanho das gotas e o momento da aplicação. “Esses fatores são essenciais para garantir que o produto atinja as áreas corretas da planta. O uso de adjuvantes também pode ser uma boa estratégia, principalmente durante períodos chuvosos, pois eles ajudam na penetração do produto e na sua permanência nas folhas”, destaca.
O controle de plantas daninhas na cultura da soja é um desafio constante para os agricultores, e a utilização de herbicidas pré-emergentes se mostra uma ferramenta valiosa nesse manejo. Carlos Moreira, engenheiro agrônomo e consultor técnico de vendas da D’PLANTA, compartilhou informações importantes sobre o uso desses produtos.
Para o controle de plantas daninhas de folha larga, ele destacou o Diclosulam, um herbicida com ação residual ideal para as primeiras aplicações do manejo outonal, atuando no controle do banco de sementes e eficaz contra buva e capim-amargoso, com dosagem recomendada de 29,8 a 41,7 g ha-1 e possibilidade de mistura com glifosato e 2,4-D, exigindo solo úmido para aplicação. O Flumioxazin também foi citado como opção com ação residual para controle do banco de sementes, podendo ser usado no manejo outonal ou no sistema aplique-plante, controlando buva e capim-amargoso, com dosagem de 40 a 120 g ha-1 e compatibilidade com glifosato, 2,4-D e imazetapir.
Outra opção é o Sulfentrazone, com ação residual para a primeira aplicação do manejo outonal, controlando folhas largas e algumas gramíneas, com dosagem de 0,5 L ha-1 devido à variação na seletividade entre cultivares, podendo ser misturado com glifosato, 2,4-D, chlorimuron e clomazone, sendo recomendado para áreas com tiririca. No controle de gramíneas, Moreira mencionou o S-metolachlor, com ação residual e utilizado no sistema aplique-plante, eficaz contra capim-amargoso e capim-pé-de-galinha, com dosagem de 1,5 a 2,0 L ha-1 e possibilidade de mistura com glifosato, devendo ser evitado em solos arenosos e exigindo solo úmido com previsão de chuvas.
A Trifluralina também foi citada, com ação residual para a primeira aplicação do manejo outonal, controlando capim-amargoso e capim-pé-de-galinha, com dosagem de 1,2 a 4,0 L ha-1, variando conforme a planta daninha e a cobertura do solo, podendo ser misturada com glifosato e graminicidas, exigindo solo úmido e livre de torrões, com atenção para formulações antigas que podem ter problemas com fotodegradação e eficiência reduzida em solos com muita palha ou seca.
Por fim, o Clomazone foi mencionado como herbicida com ação residual para o sistema plante-aplique, controlando capim-colchão, capim-pé-de-galinha e algumas folhas largas de sementes pequenas, com dosagem de 1,6 a 2,0 L ha-1, variando conforme a planta daninha e a cobertura do solo, podendo ser misturado com glifosato e sulfentrazone.
O Ministério do Comércio da China deu início a uma investigação para fins de aplicação de medidas de salvaguarda sobre as importações de carne bovina. A apuração, que começou hoje (27), abrange todos os exportadores de carne bovina do mundo para o país e deverá analisar o período que compreende o ano de 2019 até o primeiro semestre de 2024. O trabalho terá oito meses de duração.
O governo brasileiro tomou conhecimento do assunto e informou que “não há, em princípio, a adoção de qualquer medida preliminar, permanecendo vigente a tarifa de 12% ‘ad valorem’ que a China aplica sobre as importações de carne bovina.
Os chineses são os maiores consumidores da carne bovina brasileira, consolidando-se nos últimos anos como o maior parceiro comercial do Brasil em proteínas animais. Em 2024, as exportações brasileiras de carne bovina para o país somaram mais de 1 milhão de toneladas, representando aumento de 12,7% em relação ao mesmo período de 2023.
Em nota, o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) disse que durante os próximos meses, o governo, em conjunto com o setor exportador, buscará demonstrar que a carne bovina exportada à China não causa prejuízo à indústria chinesa, sendo importante fator de complementaridade da produção local.
“O governo reafirma seu compromisso em defender os interesses do agronegócio brasileiro, respeitando as decisões soberanas do nosso principal parceiro comercial, sempre buscando o diálogo construtivo em busca de soluções mutuamente benéficas”, encerra a nota.
“Reconhecemos o papel estratégico do mercado chinês, principal destino das exportações brasileiras de carne bovina. Em 2024, mais de 1 milhão de toneladas foram exportadas para a China, um suprimento fundamental para complementar a produção local chinesa, hoje estimada em 12 milhões de toneladas “, diz a nota da associação.
A Abiec afirmou que apoia o diálogo construtivo com a China, contribuindo para soluções que atendam aos interesses de ambas as nações e reafirma que a carne bovina brasileira exportada para o país é de alta qualidade e segue rigorosos padrões de qualidade.
“Estamos comprometidos em cooperar com as autoridades chinesas e brasileiras, colocando-nos à disposição para fornecer quaisquer esclarecimentos e participar ativamente do processo de investigação, sob a liderança do Governo Brasileiro, especialmente do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) e do Ministério das Relações Exteriores (MRE)”, finaliza o documento.