As ações dos frigoríficos fecharam em queda no pregão desta sexta-feira (27) após a China anunciar que iniciou uma investigação de salvaguarda sobre as importações de carne bovina, que aumentaram 106,28% desde 2019, alegando possíveis impactos negativos no setor pecuário local.
Assim, perto do fechamento, as ações de BRF (BRFS3), JBS (JBSS3), Marfrig (MRFG3) e Minerva (BEEF3) caíam 2,70%, 2,52%, 2,07% e 1,14%, respectivamente.
A corretora Ativa destaca que o processo, solicitado por entidades chinesas, abrange todos os países exportadores, incluindo o Brasil, principal fornecedor do mercado chinês.
A investigação, com prazo de até oito meses, pode resultar em cotas ou tarifas se comprovado prejuízo à produção doméstica.
O governo brasileiro e exportadores buscam demonstrar que a carne brasileira complementa, sem prejudicar, a indústria local chinesa.
Para a Ativa, a notícia preocupa, pois a investigação anunciada, sem justificativas claras, sugere um viés protecionista da China, que pode pressionar as exportações brasileiras de carne bovina.
Neste ano, mais de 50% da carne exportada pelo Brasil teve como destino o mercado chinês. Nas empresas, esse share representa 23% das exportações da JBS e 15% da Minerva.
“Assim, num pior cenário, a medida pode impor tarifas e barreiras comerciais, prejudicando a pecuária brasileira. Diante disso, a Abrafrigo destacou a importância da parceria comercial entre os países e se dispôs a colaborar para mitigar os possíveis impactos”, ressalta a corretora.
A Ativa tem recomendação de comora para JBS (JBSS3), com preço-alvo de R$ 38,70 e neutra para Minerva (BEEF3), com preço-alvo de R$ 7,00.
Três dias depois da edição de um crédito extraordinário para áreas afetadas pelas enchentes no Rio Grande do Sul, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva oficializou a criação de um fundo de R$ 6,5 bilhões para recuperar a infraestrutura do estado.
O anúncio foi feito nesta sexta-feira (27) na Residência Oficial da Granja do Torto, onde o presidente se recupera das cirurgias na cabeça.
Lula estava acompanhado dos ministros das Cidades, Jader Filho; da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República, Paulo Pimenta; e da Secretaria de Relações Institucionais, Alexandre Padilha.
Com o nome oficial de Fundo de Apoio à Requalificação e Recuperação de Infraestruturas devido a Eventos Climáticos Extremos, o fundo recebeu recursos do Ministério das Cidades, abertos por meio de crédito extraordinário da Medida Provisória (MP) 1.282, publicada na última terça-feira (24).
Aplicação dos recursos
A maior parte dos recursos, R$ 2,5 bilhões, será aplicada nas intervenções dos diques, além de bacias de amortecimento e na recuperação ou no reforço de casas de bombas nos municípios de Porto Alegre e Alvorada (Arroio Feijó).
O fundo também prevê o investimento de R$ 1,9 bilhão nas obras em diques na região da Bacia do Rio dos Sinos, que beneficiarão as cidades de Canoas, Esteio, Sapucaia do Sul, Nova Santa Rita, Rolante, Novo Hamburgo, Campo Bom, São Leopoldo, Igrejinha e Três Coroas.
O fundo também destina as seguintes verbas em intervenções:
R$ 450 milhões na Bacia do Gravataí;
R$ 531 milhões em Eldorado do Sul;
R$ 502 milhões na Região Metropolitana de Porto Alegre;
R$ 69,3 milhões em São Leopoldo; e
R$ 14,5 milhões para os municípios da Bacia do Caí: Montenegro, São Sebastião do Caí, Harmonia e Pareci Novo, entre outros.
Também estão previstos R$ 533,2 milhões para atividades acessórias e complementares aos projetos citados acima e outros custos.
Histórico dos recursos
Na primeira semana de dezembro, a MP 1.278 autorizou a criação do fundo, destinando os recursos reembolsáveis ou não-reembolsáveis para recuperação de estruturas atingidas pelas chuvas no Rio Grande do Sul.
No último dia 13, a Casa Civil aprovou uma resolução com o Plano de Aplicação de Recursos, com os projetos a serem apoiados pelo fundo.
Segundo o Palácio do Planalto, muitos desses projetos estão finalizados ou em estágio final de licitação dos executores das obras. Com prazo de execução até 15 de dezembro de 2031, o plano pode ser prorrogado.
Na véspera do Natal, a MP 1.282 destinou os R$ 6,5 bilhões para o Ministério das Cidades fazer o aporte ao fundo. Por se tratar de crédito extraordinário, o dinheiro que está fora do limite de gastos do arcabouço fiscal e não é considerado na apuração da meta de resultado primário do governo.
O documento refere-se à abertura de procedimento de investigação sobre medidas de salvaguarda sobre as importações de carne bovina daquele país.
A nota da Abrafrigo lembra que o procedimento de abertura de investigação foi deferido pelo Ministério do Comércio, a partir de uma análise preliminar de informações atendendo solicitação de associações de pecuária chinesas, sob argumentos que remetem a um possível aumento drástico de importações de carne bovina no país asiático no período compreendido entre 2019 e o primeiro semestre de 2024.
O processo de investigação terá prazo de 8 meses para ser concluído, podendo ser prorrogado.
A investigação do Ministério do Comércio envolve importações de carne bovina de todos os países que fornecem para o mercado chinês. A entidade esclarece que não foram adotadas medidas preliminares de salvaguarda ao comércio durante o período de investigação. Assim, o comércio de carne bovina com a China prossegue normalmente.
“A Abrafrigo reconhece a grande importância da China como parceiro comercial do Brasil e se orgulha do comércio de carne bovina com o país asiático, o qual contribui para complementar o abastecimento do mercado chinês com eficiência, competitividade e qualidade”.
Assim, a Associação se coloca à disposição de autoridades do Brasil e da China, bem como dos parceiros comerciais da indústria da carne bovina brasileira, para colaborar com o procedimento de investigação, com confiança em uma solução equilibrada e que atenda aos interesses de ambos os mercados.
Os preços no mercado físico da soja operaram de forma mista no Brasil nesta sexta-feira (27), com oscilações discretas. Muitas praças ainda estão se ajustando aos valores da safra nova.
A Bolsa de Chicago caiu no dia, enquanto o dólar apresentou leve alta. Os prêmios permanecem positivos para pagamentos no curto prazo, porém, a partir de março, a curva segue negativa, ainda que de forma moderada. De maneira geral, o cenário da semana foi marcado por poucas ofertas disponíveis.
Cotações da soja no país
Passo Fundo (RS): preço caiu de R$ 133,50 para R$ 133,00
Missões (RS): preço caiu de R$ 135,00 para R$ 134,00
Porto de Rio Grande (RS): preço caiu de R$ 141,00 para R$ 139,00
Cascavel (PR): preço caiu de R$ 132,00 para R$ 130,00
Porto de Paranaguá (PR): preço caiu de R$ 139,00 para R$ 137,00
Rondonópolis (MT): preço subiu de R$ 117,00 para R$ 119,00
Dourados (MS): preço caiu de R$ 132,00 para R$ 129,00
Rio Verde (GO): preço se manteve em R$ 126,00
Chicago
Os contratos futuros da soja negociados na Bolsa de Mercadorias de Chicago (CBOT) fecharam a sexta-feira com preços mais baixos para o grão e o farelo; o óleo teve alta. O mercado foi pressionado pelo clima benéfico às lavouras no Brasil e pelas exportações semanais norte-americanas abaixo do esperado.
Câmbio
O dólar comercial encerrou a sessão em alta de 0,21%, negociado a R$ 6,1903 para venda e a R$ 6,1883 para compra. Durante o dia, a moeda norte-americana oscilou entre a mínima de R$ 6,1688 e a máxima de R$ 6,2138. Na semana, a moeda teve valorização de 1,93%.
Os desastres climáticos no Brasil aumentaram 250% nos últimos quatro anos (2020–2023), em comparação com os registros da década de 1990.
A constatação foi revelada por estudo da Aliança Brasileira pela Cultura Oceânica – coordenada pelo Programa Maré de Ciência da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) e pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), em parceria com a Fundação Grupo Boticário.
O trabalho, que usou dados públicos extraídos do Sistema Integrado de Informações sobre Desastres (S2ID) do Ministério da Integração e Desenvolvimento Regional, considerando o período de 1991 a 2023, também analisou dados de temperatura média do ar e da superfície oceânica dos últimos 32 anos, com base em informações da agência europeia Copernicus, obtidos por meio da plataforma Climate Reanalyzer.
Segundo os pesquisadores, para cada aumento de 0,1°C na temperatura média global do ar, ocorreram mais 360 desastres climáticos no Brasil. No oceano, para cada aumento de 0,1°C na temperatura média global da superfície oceânica, foram registrados mais 584 eventos extremos no país.
“Quando os dados de 2024 forem consolidados, haverá a confirmação da escalada de desastres climáticos nos anos mais recentes. O levantamento aponta que foram registrados 6.523 desastres climáticos em municípios brasileiros na década de 1990, enquanto, no período de 2020–2023, foram registrados 16.306 eventos”, dizem os pesquisadores.
Aumento de registros de desastres
O levantamento informa que o Brasil teve 64.280 desastres climáticos desde 1990, e há aumento, em média, de 100 registros por ano:
Nos primeiros dez anos monitorados, foram 725 registros por ano;
De 2000 a 2009: 1.892 registros anuais;
De 2010 a 2019: 2.254 registros anuais
Nos últimos quatro anos (2020 a 2023): 4.077 registros por ano.
O professor Ronaldo Christofoletti, do Instituto do Mar da Unifesp, membro da Rede de Especialistas em Conservação da Natureza e um dos coordenadores do estudo, disse que o objetivo do levantamento é contribuir para que a sociedade conheça, debata e pense em soluções, incentivando a tomada de decisão e as mudanças de comportamento necessárias, tanto em nível individual quanto institucional, para reduzir os impactos climáticos e garantir um futuro sustentável para o Brasil.
O estudo mostrou, ainda, que 5.117 municípios brasileiros reportaram danos causados por desastres climáticos entre 1991 e 2023, representando 92% dos municípios do país. As principais ocorrências foram:
Secas (50% dos registros);
Inundações, enxurradas e enchentes (27%);
Aumento de temperatura no oceano
Foto: Pixabay
Desde março de 2023, o oceano teve aumento de temperaturas de cerca de 0,3°C a 0,5°C, fenômeno que tem agravado eventos extremos, como furacões e inundações, afetando milhões de pessoas e impactando profundamente os ecossistemas.
Entre os exemplos, estão as inundações no Rio Grande do Sul e as secas no Centro-Oeste, em 2024. Christofoletti destacou que o oceano é fundamental para a regulação climática global e que seu aquecimento contínuo evidencia os impactos crescentes da crise climática no sistema terrestre.
“Isso é muito preocupante, considerando que, ao longo dos últimos 40 anos, o oceano aqueceu cerca de 0,6°C. Esse aquecimento abrupto e prolongado ameaça o equilíbrio de um sistema que cobre 70% do planeta. O oceano, nesse nível de aquecimento, intensifica os eventos climáticos extremos que impactam diretamente milhões de pessoas”, disse.
Prejuízos econômicos
Quando analisadas as consequências econômicas e sociais, o cenário indicou que, entre 1995 e 2023, os prejuízos econômicos no Brasil atingiram R$ 547,2 bilhões.
Nos primeiros quatro anos da década de 2020, as perdas somaram R$ 188,7 bilhões, 80% do total registrado em toda a década anterior (2010–2019), o correspondente a 0,5% do PIB nacional acumulado de 2020 a 2024.
As projeções baseadas no Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) e na taxa atual de registros de desastres, mostram que os números podem aumentar nas próximas décadas.
No cenário mais otimista, até o final do século, no qual as metas do Acordo de Paris para limitar o aumento da temperatura a 1,5°C sejam cumpridas, o Brasil poderá registrar até 128.604 desastres climáticos entre 2024 e 2050, o dobro do total observado nas últimas três décadas.
Já no cenário mais pessimista, no qual o aquecimento do planeta ultrapassa 4°C, o número de desastres pode chegar a quase 600 mil ocorrências até 2100, nove vezes o registrado entre 1991 e 2023.
Impactos mesmo no melhor cenário
Conforme o estudo, mesmo no melhor cenário, o Brasil pode sofrer um impacto de R$ 1,61 trilhão até 2050. Se o cenário pessimista se concretizar, os custos poderão ultrapassar R$ 8,2 trilhões até o final do século, 15 vezes o total observado nas últimas décadas.
Para a pesquisadora envolvida no estudo e gerente de projetos da Fundação Grupo Boticário, Janaína Bumbeer, apesar das projeções negativas, ainda há tempo para agir. Segundo ela, além de reduzir as emissões de gases de efeito estufa, é essencial buscar a resiliência das comunidades e a adaptação às novas condições climáticas.
“Nesse sentido, as soluções baseadas na natureza são ferramentas eficazes para fortalecer a resiliência de cidades costeiras, enfrentando desafios ambientais, sociais e econômicos de forma integrada. A recuperação de manguezais e dunas, por exemplo, está entre as soluções verde-azuis, que promovem a adaptação ao ambiente urbano e costeiro, aumentando a resiliência contra eventos climáticos extremos e construindo cidades mais saudáveis e sustentáveis”, afirmou.
A pesquisadora ressaltou que o aumento da temperatura global, além de ampliar os eventos extremos, provoca o aumento nos custos de energia e alimentos, a escassez hídrica e o aumento de doenças relacionadas ao calor, como a dengue.
“A hora de agir é agora. Com esforços globais coordenados e eficientes, podemos fortalecer a resiliência da natureza e da humanidade, construindo um futuro mais sustentável e seguro para todos.”
A previsão do tempo para as áreas produtoras de soja no Brasil aponta para um cenário climático misto, com boas condições em algumas regiões e desafios em outras. O impacto das chuvas e da umidade do solo nas lavouras de soja deve variar conforme as regiões nos próximos dias.
Umidade no solo
A umidade no solo está favorável em boa parte do Estado de Mato Grosso, com destaque para a recuperação no centro-sul de Mato Grosso do Sul. A faixa oeste também apresenta boas condições, mas ainda há necessidade de mais precipitação, especialmente no Oeste do Rio Grande do Sul e Oeste de Santa Catarina.
A chuva também avançou para o norte de Minas Gerais, beneficiando as lavouras. As áreas produtoras do Matopiba (Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia) mantêm boa umidade, favorecendo o desenvolvimento da soja na região.
Previsão para os próximos cinco dias
Nos próximos cinco dias, o tempo tende a ficar mais firme no Rio Grande do Sul e Mato Grosso do Sul. No entanto, a previsão de chuvas fortes no centro-sul de Minas Gerais merece atenção, já que os volumes podem ultrapassar 80 mm em 5 dias. Isso pode prejudicar os trabalhos no campo, com a umidade excessiva dificultando as atividades de manejo das lavouras.
Chuva nas lavouras de soja em MT e GO
Em Mato Grosso e Goiás, as chuvas continuarão nos próximos dias. Contudo, algumas áreas, especialmente na região noroeste de Mato Grosso, enfrentam problemas devido à falta de luminosidade, o que pode comprometer o desenvolvimento das lavouras. A presença da Zona de Convergência do Atlântico Sul (ZCAS) garante que a chuva persista nessas regiões, mantendo a umidade do solo em níveis adequados para o cultivo.
Matopiba e Pará
No Matopiba, a chuva deve dar uma aliviada nos próximos dias, o que pode ser positivo para o andamento dos trabalhos no campo. Já no Pará, a previsão é de que as chuvas continuem, garantindo boas condições para o desenvolvimento das lavouras de soja no estado.
E a próxima semana?
A próxima semana traz boas perspectivas para o Rio Grande do Sul, com o retorno das chuvas na região. Embora o volume de precipitação não seja muito elevado, a chuva será suficiente para manter as boas condições nas lavouras. No entanto, um volume maior será necessário para garantir uma boa produtividade, especialmente durante a fase de desenvolvimento da soja.
Impacto na lavoura de soja
Nos próximos dias, o acumulado de chuva pode ultrapassar 100 mm em várias regiões, como o interior de São Paulo, Paraná, Oeste de Santa Catarina e Mato Grosso do Sul. Isso representa uma excelente notícia para os produtores dessas áreas, já que o aumento da umidade do solo favorecerá o crescimento das lavouras, especialmente durante a fase de desenvolvimento da soja.
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Sem alternativas, o produtor recorreu à Justiça – Foto: Divulgação
Uma decisão judicial recente beneficiou um produtor de café de Minas Gerais, representado pelo escritório Lutero Pereira & Bornelli Advogados, ao garantir o pagamento de indenização securitária negada pela BB Seguros. As informações foram divulgadas por Tobias Marini de Salles Luz, advogado especialista em agronegócio e sócio da banca Lutero Pereira & Bornelli Advogados.
Após uma geada severa em junho de 2021 destruir 74,8 hectares de lavoura, a seguradora reconheceu os danos e determinou a poda das plantas, mas pagou apenas a cobertura referente à vida da planta. Quando o produtor acionou o seguro para a cobertura de produtividade, prevista no contrato, a seguradora negou o pedido, alegando que a colheita de 2022 estaria fora da vigência da apólice.
Sem alternativas, o produtor recorreu à Justiça. O juízo da comarca de Machado/MG reconheceu que a apólice previa coberturas cumulativas e concluiu que o fato gerador do sinistro, a geada, ocorreu dentro do período de vigência. Foi estabelecido o nexo de causalidade entre o evento climático, a poda obrigatória e a perda de produção no ano seguinte, condenando a BB Seguros a pagar também a indenização pela produtividade perdida.
O caso revelou uma falha comum nas apólices de seguro agrícola para cafeicultura. Como destacado no livro Seguro Rural, de Tobias Luz, essas apólices geralmente possuem vigência anual, enquanto o ciclo produtivo do café é bianual, permitindo interpretações que prejudicam os produtores. No caso, a determinação de poda reduziu a indenização em 50%, embora fosse uma exigência da seguradora. Essa decisão, segundo ele, reforça o dever das seguradoras de cumprirem os contratos e serve como alerta para ajustes no setor, promovendo maior equilíbrio e proteção aos produtores rurais.
O Ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Flávio Dino, concedeu uma liminar que suspende a lei da Moratória da Soja, que revogava incentivos fiscais para empresas que apoiam o acordo. O pedido foi feito por partidos como o PSOL, o Partido Verde e o PCdoB, que alegam que a legislação fere a livre iniciativa e incentiva o desmatamento na Amazônia.
A lei 12.709, sancionada em outubro de 2024, impõe critérios mais rigorosos para a concessão de incentivos fiscais a empresas que participam de acordos internacionais, como a moratória da soja, que visa não comprar soja de fazendas que desmatam ilegalmente.
A decisão do ministro do STF argumenta que a lei viola o princípio da livre concorrência, utilizando a norma tributária de forma punitiva contra empresas que priorizam fornecedores comprometidos com a preservação ambiental.
Flávio Dino afirmou que a medida enfraquece os avanços na proteção ambiental e pode representar um retrocesso nas políticas ambientais do Brasil, prejudicando a Constituição. A controvérsia gerou reações, especialmente do governador de Mato Grosso, Mauro Mendes, que afirmou que a lei estadual estava de acordo com o Código Florestal e que recorrerá da decisão, alegando que não seria justo impor exigências não previstas pela legislação brasileira.
Miguel Daoud, comentarista do Canal Rural, criticou a liminar do STF. Para Daoud, a decisão foi impulsionada por partidos que, segundo ele, se opõem ao agronegócio brasileiro e ainda não compreendem o cenário atual da agricultura no país. Ele destacou que a medida prejudica a livre iniciativa e a concorrência, já que penaliza produtores que cumprem o Código Florestal, mas não aderem à moratória, enquanto empresas internacionais impõem condições que não são exigidas pela legislação nacional.
Daoud também questionou a eficácia do acordo da moratória, apontando que as empresas não aderentes ao pacto acabam vendendo soja a intermediários, criando uma triangulação, sem resolver o problema do desmatamento.
Ele afirmou que a suspensão da lei pode retroceder os avanços ambientais, pois penaliza produtores que estão dentro da legislação, enquanto não resolve as dificuldades de regularização das terras na Amazônia, onde existem mais de um milhão de propriedades fora do sistema legal. Para Daoud, a decisão precisa ser revista, e o governo de Mato Grosso tem o direito de recorrer, defendendo a livre iniciativa e o agronegócio sem impor excessivas restrições.
Os trabalhos de busca dos mergulhadores por desaparecidos na queda da ponte Juscelino Kubitschek de Oliveira, na BR-226, entre Aguiarnópolis, Tocantins, e Estreito, no Maranhão, foram suspensos devido ao risco de desabamento.
O Departamento Nacional de Infraestrutura de Trânsito (Dnit) identificou uma movimentação no que sobrou da estrutura da ponte, por isso recomendou a suspensão dos trabalhos.
De acordo com a Marinha, o corpo de uma das vítimas foi encontrado por pescadores nesta quinta (26) à noite, a aproximadamente 6 km do local do desabamento. Duas outros corpos também foram localizados, mas não foram resgatados devido o risco para o trabalho dos profissionais. Com isso são nove o número de mortos e oito desaparecidos.
Qualidade da água do rio
Na quinta-feira, os mergulhadores localizaram os caminhões que transportavam defensivos agrícolas e ácido sulfúrico a uma profundidade de cerca de 35 metros. Eles também localizaram uma moto e uma caminhonete.
Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) continua monitorando a qualidade da água no Tocantins. Segundo a agência reguladora, até o momento não há risco de contaminação da água por vazamento de produtos químicos.
Novos equipamentos para as buscas
A Marinha informou que novos equipamentos chegaram nesta sexta-feira (27) e devem auxiliar nas buscas. Entre eles, uma câmara hiperbárica e o de mergulho independente, que tem o suprimento de ar feito por mangueiras que chegam na superfície. Com isso vai ser possível realizar o trabalho por um período maior.
Além disso, veículos que ficaram na ponte ainda não foram retirados devido ao risco de desmoronamento. O Dnit informou que uma força-tarefa se encontra na região.
O objetivo, segundo o órgão, é intensificar o apoio à população, com a contratação de balsas para a travessia do Rio Tocantins, além de acelerar o trabalho de apuração das causas pela queda da estrutura.
“Com a decretação de emergência, o DNIT atua com celeridade na contratação da reconstrução da nova ponte. A autarquia reforça, ainda, que há rotas alternativas de deslocamento entre as cidades de Estreito (MA) e Aguiarnópolis (TO), na BR-226/TO”, disse o órgão.
Rotas alternativas à ponte
São duas as rotas alternativas que podem ser utilizadas para fazer a travessia na região.
Rota 1 – Para ter acesso à BR-226/MA: Darcinópolis/TO até Imperatriz/MA (191,0 quilômetros):
TO-134/BR-230 (Darcinópolis/TO – Axixá do Tocantins/TO, 149 quilômetros)
TO-201 (Axixá do Tocantins/TO – Sítio Novo do Tocantins/TO, 15,1 quilômetros)
TO-126 (Sítio Novo do Tocantins/TO – Imperatriz/MA, 26,9 quilômetros) e seguir pela BR-226/MA.
Rota 2 – Para ter acesso à BR-230/TO: Estreito/MA até Imperatriz/MA (125,0 quilômetros):
BR-226/MA: Os usuários devem acessar a rodovia em Estreito/MA até Porto Franco/MA (30,0 quilômetros)
BR-010/MA: De Porto Franco/MA os usuários devem seguir pela BR-010/MA até Imperatriz/MA (100,0 quilômetros) e seguir pela TO- 126.
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Algumas medidas preventivas podem ser tomadas – Foto: Divulgação
A ferrugem do café, causada pelo fungo Hemileia vastatrix, é um dos maiores desafios enfrentados pela cafeicultura brasileira. De acordo com Adriano Pereira Solidário, proprietário da Agência AgroPulse, a doença pode comprometer severamente a produtividade das lavouras, levando a perdas de até 50% na produção e uma drástica redução na qualidade dos grãos. Este é um alerta urgente para os cafeicultores, que precisam estar atentos aos sintomas e às condições que favorecem o desenvolvimento da doença.
Nesse contexto, os sintomas da ferrugem incluem manchas amarelas nas folhas, o aparecimento de pó alaranjado na parte inferior das folhas e a queda precoce das folhas afetadas. Esses sinais indicam a presença do fungo e, se não tratados de maneira eficaz, podem levar ao enfraquecimento das plantas, prejudicando o rendimento da lavoura. As condições climáticas favoráveis à ferrugem são um clima úmido e ameno, com temperaturas entre 15°C e 25°C, e plantações sombreadas, que criam um ambiente ideal para a propagação do fungo.
Para prevenir a doença do café, o especialista recomenda a adoção de medidas práticas, como o uso de variedades resistentes ao fungo, a realização de podas regulares, a aplicação de fungicidas preventivos e o controle da umidade no cultivo. Essas ações podem ajudar a proteger as plantações e minimizar os impactos da ferrugem, assegurando uma produção de café saudável e com qualidade. Sendo assim, ele conclui que o controle eficiente é essencial para manter a competitividade da cafeicultura brasileira no mercado internacional.