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O CRA Verde proporciona crédito adaptado às necessidades das cooperativas – Foto: Canva
O Certificado de Recebíveis do Agronegócio (CRA) Verde tem se destacado como uma solução inovadora para o financiamento da sociobioeconomia no Brasil. Liderado pelo Instituto Conexsus, em parceria com o Grupo Gaia e o Santander, o modelo combina capital privado e suporte técnico para promover o desenvolvimento sustentável em cadeias produtivas estratégicas.
Nos dois primeiros anos, a iniciativa mobilizou R$ 7,5 milhões, firmando 22 contratos de crédito que beneficiaram cooperativas e associações ligadas à sociobiodiversidade e agricultura familiar, especialmente em cadeias de cacau, castanha, açaí, borracha e grãos como arroz e feijão.
Adotando a estratégia de blended finance, que mescla capital filantrópico e comercial, o CRA Verde proporciona crédito adaptado às necessidades das cooperativas. Com ticket médio de R$ 350 mil, o programa ampliou a produção, aumentou a renda dos produtores e fortaleceu a preservação dos biomas brasileiros, como Amazônia e Cerrado. Além dos números, os contratos impulsionaram boas práticas de gestão e maior capacidade produtiva nas organizações beneficiadas.
A Conexsus desempenha um papel essencial no sucesso do CRA Verde. Por meio de assessoria técnica contínua, auxilia as cooperativas na gestão financeira e na implementação de práticas sustentáveis. Segundo Adriano Santos, coordenador do Programa de Assessoria da Conexsus, esse acompanhamento garante altos índices de adimplência e cria um legado de eficiência organizacional que transcende o financiamento inicial.
A experiência do CRA Verde evidencia o potencial de parcerias estratégicas entre mercado privado e organizações socioambientais para construir uma economia inclusiva e sustentável, valorizando a biodiversidade brasileira. Essa iniciativa reforça o papel do mercado de capitais como aliado no fortalecimento da sociobioeconomia nacional.
A Universidade Federal de Viçosa (UFV), em Minas Gerais, obteve do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), o registro de sua segunda cultivar de trigo na última sexta-feira (27).
A variedade, chamada de UFVT N2401, foi selecionada a partir de dados de 14 ambientes do território mineiro.
De acordo com o professor Maicon Nardino, do Departamento de Agronomia da instituição, ela é recomendada para o cultivo em regiões tropicais para o sistema de produção irrigado e se destaca pela precocidade, elevado rendimento de grãos e qualidade de farinha para a indústria de panificação.
Segundo ele, a semeadura recomendada é entre os meses de abril e maio. A demanda é para cultivares de ciclo curto, uma vez que há um intensivo sistema de produção em área de irrigação sob pivô central.
Desenvolvimento após duas décadas
O desenvolvimento da cultivar foi realizado no Programa Trigo UFV e, conforme Nardino, essa segunda variedade foi desenvolvida praticamente 20 anos depois da primeira, em 2005 e, agora, já há outras linhagens em fase final de avaliação.
“O Programa tem avançado bastante com aplicação de estratégias tradicionais e modernas de melhoramento para o desenvolvimento de novas cultivares de trigo para a região tropical. Muito em breve, novas cultivares competitivas estarão no mercado para atender às demandas do setor no Brasil”, diz o professor.
O professor destaca que o programa da UFV tem como objetivo o treinamento de estudantes de graduação e dos programas de pós-graduação em Fitotecnia e em Genética e Melhoramento de Plantas.
“Procuramos alinhar as pesquisas com desenvolvimento de inovações demandadas pelo mercado do setor tritícola das regiões tropicais, sobretudo, quanto aos estresses abióticos e ao aumento de resistência genética a brusone – doença extremamente agressiva e frequente nessas regiões”, afirma.
Autossuficiência de trigo
O Brasil é um país importador de trigo, mas, em trabalhos realizados em parceria com as universidades da Flórida, nos Estados Unidos, e de Munique, na Alemanha, os pesquisadores da UFV identificaram uma área potencial para o cultivo de trigo próximo a 2,5 milhões de hectares, o que levaria o país à autossuficiência.
“A obtenção de área potencial é o primeiro passo para o aumento de produção em busca da autossuficiência, mas ainda há necessidade de tornar o trigo nacional um cereal competitivo frente aos argentinos. Nesse sentido, os trigos produzidos em regiões tropicais têm demonstrado maior competitividade pela elevada qualidade industrial, rendimento de grãos e pela época antecipada de entrada no mercado”, destaca o professor.
As pesquisas que levaram ao desenvolvimento da nova variedade foram financiadas pelo CNPq e Fapemig.
O mercado físico do boi gordo esteve lento no decorrer do dia e com preços estáveis, esvaziado por conta do período de final de ano.
Segundo informações da consultoria Safras & Mercado, a liquidez do físico deve melhorar gradualmente no decorrer da primeira quinzena de janeiro.
De acordo com Allan Maia, analista da empresa, em várias localidades do país, como em São Paulo, há sinalização de escalas de abate confortáveis.
“Contudo, há também frigoríficos com escalas um pouco mais curtas, os de menor porte, e devido a dificuldade de bons lotes no fechamento do ano, podem avançar nas compras em breve, o que pode sustentar preços”.
Segundo ele, por outro lado, o consumo de carne tende a recuar após a virada do ano. “Isso é normal, visto que a população evita grandes dispêndios financeiros, principalmente pelos cortes mais nobres. No decorrer das próximas semanas, os agentes do mercado devem prestar atenção nas escalas de abate, na evolução da carne no atacado e no fluxo de exportação”, considera.
Preços médios da arroba do boi (a prazo)
São Paulo: a arroba do boi gordo comum foi sinalizada em R$ 310 e o China posicionada entre R$ 315 e R$ 320
Minas Gerais: entre R$ 300 e R$ 310
Goiás: entre R$ 295 e R$ 305
Mato Grosso do Sul: em até R$ 315
Mato Grosso: em Barra dos Graças, a arroba foi cotada entre R$ 310 e R$ 315. Na região de Mirassol d’Oeste, ficou em R$ 300
Mercado atacadista
Foto: Wenderson Araujo/CNA
O mercado atacadista foi marcado por preços acomodados no decorrer do dia. Em meio ao período de festas, os agentes do mercado devem passar agora as expectativas para a reposição entre atacado e varejo na primeira quinzena de janeiro.
O perfil de consumo tende a mudar após o Ano Novo e os cortes mais nobres devem encontrar maior dificuldade para sustentação. “Vale frisar que concorrentes/substitutos, principalmente a carne de frango, estão com preços competitivos”, lembra Maia.
O quarto dianteiro foi cotado a R$ 20,20, por quilo. Quarto traseiro ficou posicionado em R$ 26,70, por quilo. Ponta de agulha foi precificada em R$ 19,40, por quilo.
Câmbio
O dólar comercial encerrou a sessão em queda de 0,17%, sendo negociado a R$ 6,1797 para venda e a R$ 6,1777 para compra. Durante o dia, a moeda norte-americana oscilou entre a mínima de R$ 6,1535 e a máxima de R$ 6,2430. No mês, trimestre, semestre e ano, a moeda teve valorização de 2,96%, 13,43%, 10,54% e 27,36%, respectivamente.
Pecuaristas do estado de São Paulo têm até amanhã (31), para declarar a vacinação de seus rebanhos contra brucelose – no caso, de bezerras de 3 a 8 meses de idade.
Termina também amanhã o prazo para que os criadores cadastrem seus rebanhos de bovinos, búfalos, equinos, asininos, muares, suínos, ovinos, caprinos, aves, peixes e outros animais aquáticos, colmeias de abelhas e bicho da seda.
Conforme nota da Coordenadoria de Defesa Agropecuária da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, a declaração dos rebanhos é obrigatória.
O produtor que não a fizer não poderá emitir Guia de Trânsito Animal (GTA) para transporte de animais vivos.
O último Informativo Meteorológico de 2024 do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) traz a previsão de volume de chuva para as cinco regiões brasileiras entre esta segunda-feira (30) e a próxima (6 de janeiro de 2025). Confira:
Sul
Foto: Inmet
A semana começa com instabilidades no Sul do país, mas o volume de chuva não deve ultrapassar os 20 mm em quase toda a região. As precipitações serão mais expressivas no leste de Santa Catarina e Paraná, com acumulados acima de 40 mm, enquanto que no sudoeste do Rio Grande do Sul e noroeste paranaense, os valores estarão abaixo de 10 mm.
Sudeste
A Zona de Convergência do Atlântico Sul (ZCAS) perde força nesta segunda (30). Entretanto, a persistência de cavados mantém a instabilidade e o canal de umidade sobre grande parte do Sudeste.
Ao longo da semana, estão previstos acumulados acima de 70 mm em quase toda região, com exceção de grande parte de São Paulo, norte de Minas Gerais e sul do Rio de Janeiro, onde os valores ficarão abaixo de 50 mm. Pontualmente, os acumulados podem ultrapassar 100 mm (tons vermelhos do mapa acima) em Minas Gerais, Rio de Janeiro e Espírito Santo.
Centro-Oeste
As instabilidades persistirão com a atuação de um canal de umidade, favorecendo a persistência das chuvas ao longo da semana em Goiás e Mato Grosso do Sul. Estão previstos acumulados acima de 80 mm em áreas de Mato Grosso e Goiás, podendo atingir 150 mm em algumas localidades (tons de rosa).
Em Mato Grosso do Sul o tempo inicia firme no começo da semana, com áreas de instabilidades se formando a partir de 1 de janeiro e persistindo ao longo da semana, favorecendo acumulados acima de 50 mm no norte do estado.
Nordeste
A previsão indica que na faixa leste e norte da região, há possibilidade de chuvas fracas ao longo da semana, enquanto na maior parte do interior o tempo permanecerá quente e com baixa probabilidade de chuva.
No oeste da Bahia, do Piauí e em grande parte do Maranhão, espera-se acumulados acima de 40 mm, chegando a 80 mm em áreas maranhenses e baianas.
Norte
Áreas de instabilidade associadas ao calor e à alta umidade provocarão pancadas de chuva ao longo da semana, com acumulados acima de 30 mm (tons de verde) em grande parte da região. As chuvas podem superar 80 mm em alguns locais (tons de vermelho a rosa) em áreas pontuais do Amazonas, do Pará e sul do Tocantins.
No Amapá, a atuação da Zona de Convergência Intertropical (ZCIT) poderá provocar acumulados superiores a 100 mm. Já no norte do Pará e em grande parte de Roraima, os acumulados de chuva deverão ficar abaixo de 20 mm.
O mercado brasileiro da soja teve volatilidade nos preços nesta segunda-feira (30), acompanhando os movimentos de Chicago e do dólar. As cotações no físico apresentaram altistas nos melhores momentos, mas com pagamentos a partir de fevereiro. O dia teve poucos agentes ativos e o mercado ficou sem negócios durante a segunda-feira.
Preços da soja no país
Passo Fundo (RS): preço caiu de R$ 133,00 para R$ 132,00
Missões (RS): preço caiu de R$ 134,00 para R$ 133,00
Porto de Rio Grande (RS): preço caiu de R$ 139,00 para R$ 138,00
Cascavel (PR): preço aumentou de R$ 130,00 para R$ 131,00
Porto de Paranaguá (PR): preço manteve-se em R$ 137,00
Rondonópolis (MT): preço aumentou de R$ 117,00 para R$ 119,00
Dourados (MS): preço aumentou de R$ 129,00 para R$ 130,00
Rio Verde (GO): preço caiu de R$ 126,00 para R$ 129,00
Chicago
Além disso, os contratos futuros da soja negociados na Bolsa de Mercadorias de Chicago (CBOT) fecharam a segunda-feira com preços mais altos. Em uma sessão volátil, o grão, que mais cedo subia mais de 1%, perdeu força e chegou a flertar com o território negativo. Pesou a previsão de clima úmido nas regiões produtoras do Brasil. Na Argentina, a expectativa é que o tempo não seja tão favorável às lavouras, com déficit hídrico em algumas regiões do país.
Contratos futuros da soja
Os contratos da soja em grão com entrega em janeiro fecharam com alta de 2,00 centavos de dólar ou 0,2%, a US$ 9,82 por bushel. A posição de março teve cotação de US$ 9,91 3/4 por bushel, com ganho de 2,00 centavos, ou 0,2%.
Nos subprodutos, a posição de janeiro do farelo fechou com alta de US$ 1,70 ou 0,56%, a US$ 302,60 por tonelada. No óleo, os contratos com vencimento em janeiro fecharam a 39,72 centavos de dólar, com alta de 0,20 centavo ou 0,5%.
Câmbio
Em relação ao câmbio, o dólar comercial encerrou a sessão em queda de 0,17%, negociado a R$ 6,1797 para venda e a R$ 6,1777 para compra. Durante o dia, a moeda norte-americana oscilou entre a mínima de R$ 6,1535 e a máxima de R$ 6,2430. No mês, trimestre, semestre e ano, a moeda teve valorização de 2,96%, 13,43%, 10,54% e 27,36%, respectivamente.
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Em nota, a ABIEC reiterou a qualidade da carne bovina brasileira – Foto: Pixabay
A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (ABIEC) declarou nesta quarta-feira, 27 de dezembro de 2024, que acompanha atentamente a investigação anunciada pelo Ministério do Comércio da China sobre as importações de carne bovina. O procedimento envolve todos os países exportadores para o mercado chinês, incluindo o Brasil, maior fornecedor externo do produto para o país asiático.
Reconhecendo a importância estratégica da China, que é o principal destino das exportações brasileiras de carne bovina, a ABIEC destacou que, em 2024, o Brasil exportou mais de 1 milhão de toneladas do produto para o país asiático. Essas exportações representam um suprimento fundamental para complementar a produção local chinesa, estimada em 12 milhões de toneladas, e reforçam a relevância do comércio bilateral no setor de proteínas.
Em nota, a ABIEC reiterou a qualidade da carne bovina brasileira, que segue rigorosos padrões de sanidade e segurança alimentar. Além disso, afirmou seu compromisso em cooperar com as autoridades chinesas e brasileiras durante o processo de investigação. A entidade se colocou à disposição para fornecer esclarecimentos e colaborar ativamente, sob a coordenação de órgãos como o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), o Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA) e o Ministério das Relações Exteriores (MRE).
A associação também reforçou seu empenho em manter um diálogo construtivo e fortalecer a confiança mútua entre Brasil e China, visando soluções que contemplem os interesses de ambas as nações. A postura proativa da ABIEC reflete a importância de preservar o bom relacionamento comercial entre os dois países, especialmente em um momento de crescente interdependência no setor de alimentos.
Associações que reúnem produtores e comerciantes de grãos no Brasil estão se mobilizando para recorrer à Justiça contra a Lei 12.428/2024, que recriou uma alíquota de tributação que incide sobre produção, transporte e armazenamento de soja, milho, milheto e sorgo pelo estado do Maranhão.
Chamando de Contribuição Especial de Grãos (CEG), o estado pretende taxar em 1,8% o valor da tonelada. O questionamento no Judiciário trará como um dos argumentos os impactos do tributo nos custos operacionais dos produtores rurais. Também mostrará como a nova legislação burla a Reforma Tributária.
Polêmica há 11 anos
O tema é polêmico desde 2013, quando o estado do Maranhão criou a Taxa de Fiscalização de Transporte de Grãos (TFTG), que tributou em 1% qualquer transporte de soja, milho, milheto e sorgo.
À época, produtores rurais entraram com ações na Justiça e conseguiram suspender em primeira instância a cobrança com o entendimento de que o fato de a taxa e o ICMS terem o mesmo fato gerador e incidirem sobre a mesma base de cálculo configura bis in idem tributário (cobrança de tributo sobre objeto já tributado), uma vez que o estado estaria tributando duas vezes o mesmo fato, o que viola a Constituição Federal.
Para não perder com a arrecadação, o Maranhão implementou a nova cobrança, com base no texto da Reforma Tributária, que permite aos estados instituírem contribuições para a manutenção dos fundos estaduais.
Produtores têm chances de reverter cobrança
O advogado tributarista do CSA Advogados Felipe Peralta acredita que “são significativas as chances de sucesso das associações ante a flagrante inconstitucionalidade da cobrança sobre a produção, o transporte e armazenamento de grãos”.
Segundo ele, a preocupação está no fato de que a instituição da CEG pelo Maranhão poderá abrir um precedente para outros estados.
“Se projeta uma tendência de outros entes federativos lançarem mão do mesmo expediente para aumentar a arrecadação em paralelo àquilo que constou efetivamente da reforma tributária”, comenta.
O advogado alerta que o objetivo original da reforma tributária poderá ser afetado se o cenário se confirmar. “O que mais chama a atenção é que, mesmo com todo o esforço para a aprovação de uma tributação sobre o consumo minimamente mais racional do que a atual, os operadores do sistema continuam a buscar atalhos para aumentar a arrecadação e manter a sua autonomia orçamentária”.
A nova cobrança passará a valer no final de fevereiro de 2025, revogando a TFTG a partir desta data, e incidindo sobre saídas com destino a exportação (incluindo em operações interestaduais).
Com a CEG em jogo, Peralta alerta que além da alíquota maior do que a prevista na taxa anterior (de 1% para 1,8%), estão previstas penalidades de até 50% em caso de atraso ou erros no pagamento, custos adicionais em operações destinadas à exportação e exigências fiscais que podem gerar insegurança jurídica.
Cobrança de 2013 também está em discussão
Foto: Daniel Popov/Canal Rural
O sócio da área tributária do Santos Neto Advogados, Henrique Erbolato, destaca que a cobrança da taxa sobre as operações com grãos criada em 2013 também está em discussão no Tribunal de Justiça do Maranhão e no Supremo Tribunal Federal, por meio da Ação Direta de Inconstitucionalidade (Adin) 7.407.
Na segunda instância e no STF, além do argumento da bitributação, discute-se que a TFTG não tem natureza jurídica de “taxa”, pois está desvinculada de qualquer atuação estatal e que viola o artigo 155, parágrafo 2, inciso X, “a”, da Constituição que proíbe a cobrança de ICMS sobre as operações que destinem mercadorias para o exterior.
Erbolato ensina que a CEG é uma contribuição distinta daquelas autorizadas pela Reforma Tributária, pois possui natureza tributária. De acordo com ele, a Reforma Tributária acrescentou o artigo 136 ao Ato das Disposições Constitucionais Transitórias (ADCT), trazendo requisitos para que os estados possam cobrar contribuições vinculadas a fundos estaduais.
Essas condições estão definidas assim:
1) até 30 de abril de 2023, os fundos destinados a investimentos em obras de infraestrutura e habitação devem ser financiados por contribuições;
2) o pagamento dessa contribuição deve estar vinculado a alguma espécie de algum benefício fiscal ou, nos termos do próprio dispositivo “[…] como condição à aplicação de diferimento, regime especial ou outro tratamento diferenciado […]”;
3) e a nova contribuição não poderá ter base de cálculo ou alíquota superior à contribuição instituída em 30 de abril de 2023.
No caso do Maranhão, em 30 de abril de 2023, marco de tempo imposto pela ADCT, o tributo vigente era a TFTG que visava financiar o Fundo Estadual para Rodovias do Estado do Maranhão (Fepro), tendo natureza jurídica de taxa, como espécie tributária, e não “contribuição” não tributária, como previsto no artigo 136 do ADCT.
Além disso, “o pagamento da TFTG não estava atrelado a nenhum benefício fiscal, pelo contrário, o não pagamento implica na aplicação de multas a penalidades previstas na legislação tributária. E, por fim, a CEG tem percentual de alíquota de 1,8%, superior, portanto, à alíquota da TFTG”, discorre o tributarista.
Para Erbolato, a CEG violou o artigo 136 do ADCT que somente permitiu a manutenção das contribuições não tributárias exigidas pelos estados dentro dos requisitos previstos no referido artigo.
“Portanto, ao que parece, ao menos em relação ao tema dos fundos estatais e supostos adicionais de ICMS, o estado do Maranhão já tem usado da criatividade para burlar o compromisso assumido com a reforma tributária, inclusive trazendo à tona a dúvida se efetivamente haverá diminuição do contencioso tributário nos próximos anos”, finaliza Henrique Erbolato.
A previsão do tempo para as áreas produtoras de soja no Brasil nos próximos dias traz tanto boas notícias quanto desafios. De acordo com o mapa de umidade do solo, as regiões produtoras de soja de Goiás, Mato Grosso, e o interior do Matopiba apresenta uma boa umidade no solo, o que favorece o desenvolvimento das lavouras. A mesma tendência é observada em Minas Gerais, que, por enquanto, se mantém bem abastecida com chuvas.
Por outro lado, é necessário um reforço nas precipitações em algumas regiões produtoras de soja no Brasil, especialmente no centro-sul do Pará, Rio Grande do Sul e Oeste de Santa Catarina, onde a umidade no solo ainda precisa melhorar. Embora haja possibilidade de chuvas nos próximos dias nessas áreas, a tendência é que a falta de chuva persistente continue a afetar essas regiões. No Rio Grande do Sul, a previsão é de 15 dias de tempo quente e seco, o que pode acarretar um déficit hídrico nas lavouras em desenvolvimento, afetando a produtividade da soja.
A boa notícia para os produtores do Centro-Oeste e Matopiba é que as chuvas devem continuar com bons volumes, ajudando a manter uma boa umidade no solo. Já para o Norte do Brasil, as chuvas devem se concentrar em áreas como o Pará, com destaque para Santarém, Paragominas, e Rondônia, que devem receber bons acumulados nos próximos dias.
Nordeste: o tempo nas lavouras de soja
No Nordeste, especialmente em boa parte do Matopiba, a previsão é de chuvas, com acumulados de mais de 50 mm em uma semana. Essa precipitação ajudará a reverter o déficit hídrico em várias áreas, oferecendo um alívio para os produtores que enfrentam dificuldades para manter as lavouras irrigadas.
No entanto, o cenário não é tão favorável para os produtores de Mato Grosso, que enfrentam problemas relacionados à falta de luminosidade devido à chuva constante. Esse fenômeno pode afetar o desenvolvimento das plantas e prejudicar a produtividade final da soja, além de dificultar a realização de tratamentos fitossanitários necessários para o bom crescimento da lavoura.
No próximo ano que bate na porta, na Bahia, a expectativa é que a soja e algodão, por exemplo, tenham uma área maior plantada na safra 2024/25. É o que projetam as instituições do setor. Com o início do ciclo bem diferente do passado, com boa incidência de chuvas, a perspectiva para esse futuro não tão distante é positiva.
Além disso, a região do Matopiba deve ter novos empreendimentos, como a implantação de uma biorrefinaria e um novo frigorífico.
Como exemplo desse crescimento de área, a Fazenda Morro Branco, de 1857, com mais de 20 mil hectares, está mudando o foco pela primeira vez e e iniciou o cultivo de soja.
A recuperação do solo após décadas criando gado foi essencial para a nova lavoura germinar.
De acordo com Pedro Tourato, consultor técnico de vendas de insumos agrícolas de uma empresa da região, explica que para viabilizar o plantio em uma área degradada, técnicas específicas como manejo químico e a palhada foram implementados.
Imagem: Guilherme Soares/ Canal Rural Bahia
“Fizemos a dessecação dessa área com um manejo químico para que a gente consiga degradar a pastagem e deixar a palhada como ela está no momento, para que a gente pudesse entrar com o plantio de soja e pensando no grande ponto de conservação de palhada, pois nós estamos num solo muito leve.”, disse Tourato.
Ele também ressalta a importância da palhada para o sucesso do plantio: “Se a gente não tiver palhada, vamos sofrer com o veranico que a gente já estamos prevendo com os meteorologistas, recebendo aí que a partir de 15 de janeiro a fevereiro a gente tenha esse veranico”, explica.
A primeira estimativa da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), foi de um crescimento de área no Brasil de 8,3% na safra de grãos na temporada 2024/2025.
O método atodado na fazenda localizada no munícipio de Novo Jardim, no Tocantins, na divisa com a Bahia, é o sistema Integração Lavoura-Pecuária (ILP).
Marcelo Morita, consultor de solo e nutrição de plantas, também acompanha o experimento da primeira safra de soja da fazenda.
“Nesse sistema, por exemplo, além dos grãos, nós cultivamos a braquiária como se fosse uma cultura também, porque logo em seguida entra o gado, aonde ele é manejado pra pastejar até uma certa altura desse capim, porque a gente precisa dessa palha também. Posteriormente ele é tirado e a gente maneja essa palha com dessecação pra novamente voltar o grão”, conta.
De acordo com o administrador da fazenda, Marcelo Prado, o objetivo é implementar um sistema de irrigação com pivô: “Vamos fazer 3 anos de lavoura e um ano pecuária para fazer a rotação de culturas com o gado”, ressalta Prado.
Perspectivas
De acordo com o último levantamento Sistemático da Produção Agrícola do IBGE, a soja deve ocupar na safra 2024/25 no Matopiba uma área de 5.943.834 hectares.
Arte: Reprodução/ Canal Rural
Na área total ocupada pelos grãos, que correspondem a cereais, leguminosas e oleaginosas, os dados do IBGE projetam uma área que pode chegar no Matopiba a 9.551.343 hectares e uma produção de 32.202.131 t.
Arte: Reprodução/ Canal Rural
Especificamente para o algodão, a expectativa para a safra 2024/25 é de um aumento de 10% em área plantada na Bahia, com 379.974 ha e 729.095 toneladas em pluma.
Destaque também para o Piauí com crescimento de 47,1% com 35.100 hectares, de acordo com último levantamento da Associação Brasileira dos Produtores de Algodão.
Fatores externos
Além do clima, fatores externos poderão influenciar as commodities brasileiras em 2025, como por exemplo, as possíveis reações com a volta do presidente eleito dos Estados Unidos, Donald Trump.
A espcialista de inteligência de mercado, Ana Luiza Lodi, afirma que alguns sinais de Trump têm trazido preocupações no mercado decommodities agrícolas.
“Ele está muito focado em falar em tarifas, em taxar produtos importados, o que pode resultar em retaliação por outros países, então, a preocupação, principalmente no caso da soja, é a possibilidade de se repetir o que aconteceu no primeiro mandato dele, em que a China taxou a soja norte amerciana em 25%, então a procura pela soja dos Estados Unidos caiu. o preço da soja dos estados dos estados unidos caiu, mas por outro lado é a busca por soja brasileira foi reforçada”, explica.
Para a analista, o Brasil e os países sul-americanos estão num momento confortável, mas que também exigirá cautela.
No ano que vem falando é de mercado de soja atual, a gente está realmente numa situação de um balanço de oferta e demanda muito confortável e é isso que tem aí impedido altas mais consistentes do preço da soja, porque a gente teve uma safra boa nos Estados Unidos, aqui no Brasil caminhando tudo bem, na Argentina também, por isso, a gente não tem nenhuma ameaça de faltar soja, mas com certeza, dependendo do que das medidas que Trump tomar, pode mudar um pouco o cenário, principalmente pra soja.”, ressalta Lodi.
Reflexos na pecuária
E se os grãos vão bem nas lavouras e no mercado, o reflexo disso também é sentido na pecuária.
Como consequência, o preço dos insumos para alimentação dos animais fica mais atrativo. Raineire Ortiz, pecuarista de Luís Eduardo Magalhães (BA), espera que em 2025, os insumos estejammais baratos.
“Nesse ano (2024) já tivemos aí um período de chuva maior comparando com o ano passado, então isso aí ajuda muito a gente a aumentar a produtividade da região, para asism também a a gente conseguir ter um acesso a um insumo mais barato para o confinamento. Em termo de volumes vai ser maior do que consequentemente, no ano passado, então isso aí ajuda muito a gente”, disse.
Sócio do Raineire na criação do gado, o produtor de grãos, Jaime Cappelesso, está otimista com 2025.
Projetos como um novo frigorífico para exportação de carne bovina e uma biorrefinaria em Luís Eduardo Magalhães devem favorecer os produtores e o crescimento da região nos próximos anos.
Segundo ele, a Captar Agrobusiness, a maior empresa de confinamento do Nordeste, está convidando pecuaristas para atenderem a demanda do frigorífico.
“Eles têm um frigorífico liberado para 50 mil bois/ano. Será a primeira planta de exportação da Bahia. Quando você exporta, o preço é diferente, o preço é melhor, então isso vai animar e de derepente a gente até agrega um maior maior volume de animais. Eles vão produzir a metade da necessidade e estão em busca de gente para produzir ou ou complementar. Documentação está rolando. Parece deve ser inaugurado em 3 anos. Então nós vamos ter duas coisas boas aqui, o frigorífico e a biorrefinaria que vai produzir álcool com sorgo e milho, e o subproduto do do disso aí serve para alimentação animal. Isso vai ser ótimo também para pecuária”, conta Cappelesso.
Imagem aérea da Captar Agrobusiness em Luís Eduardo Magalhães (BA) | Foto: Marca Comunicação
De acordo com Almir Moraes, gestor da Captar, a empresa está em negociação com o Governo da Bahia para a implantação de um frigorífico exportador de 1.500 gados por dia na região Oeste da Bahia.
“Em 300 dias úteis nós vamos abater 450 mil bois. A Captar pretende fazer 260 mil bois no ano, dobrando a capacidade estática hoje, que é de 65 mil para 120.000 e com isso, a gente vai precisar ter animais de qualidade para exportação”, detalha Moraes que também ressaltou que é preciso integrar a agropecuária e buscar melhoramentos genéticos de animais.
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