quinta-feira, julho 2, 2026

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tendência ou oscilação normal? Entenda



O mercado pecuário enfrenta uma queda nos preços da arroba do boi gordo, reflexo do aumento da oferta e do consumo interno abaixo do esperado. Em São Paulo, a arroba caiu para R$ 315, enquanto o “boi China” segue sendo negociado a valores mais altos. Segundo o diretor da Scot Consultoria, Alcides Torres, esse movimento já era esperado para fevereiro, após um mês de janeiro com preços em alta devido à menor oferta durante o período de férias.

Torres afirma que o mercado interno está mais desaquecido, mas as exportações seguem em bom ritmo. Apesar das recentes tensões comerciais com a China, que abriu uma investigação alegando possível prática de dumping pelo Brasil, as compras do país asiático permanecem firmes. Com o fim das festividades do Ano Novo Chinês, a demanda tende a crescer, impulsionando os embarques e trazendo maior liquidez para o setor.

O especialista também destaca que a maior parte da oferta atual é composta por fêmeas descartadas. Um reflexo do atraso na estação de monta causado pela seca severa do ano passado.

Essa maior disponibilidade de boiadas tem pressionado os preços no mercado interno. No entanto, a tendência para o setor é a consolidação de um novo padrão de abate, com animais mais jovens, de até 30 meses, como preferido pelo mercado exportador.

Para os pecuaristas que adotam esse padrão, há oportunidades de maior rentabilidade, segundo Torres, pois o gado abatido mais cedo permite maior giro na fazenda e melhor aproveitamento das áreas de pastagem. Essa estratégia já é amplamente adotada em setores como a soja e o milho, e a pecuária de corte caminha para essa mesma direção.

Em relação ao confinamento, Torres avalia que o momento é favorável para quem administra bem os custos. Com a queda nos preços dos insumos, principalmente na reposição de bovinos, a margem de lucro dos confinadores está positiva.

O sistema intensivo de criação também auxilia na produção de animais precoces, alinhados ao padrão exigido pelo mercado internacional.

Diante desse cenário, pecuaristas devem monitorar as oscilações do mercado e buscar estratégias para se adaptar às novas demandas. Com exportações em alta e o mercado interno ainda instável, a busca por maior eficiência produtiva será essencial para manter a rentabilidade no setor.



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Agroecologia pode retardar efeitos da crise climática nas lavouras


O excesso de calor dos últimos dias está afetando lavouras de soja, milho e arroz na Região Sul do Brasil e também plantações de café e de frutas na Região Sudeste. A cada ano aumentam os impactos causados pelas mudanças climáticas sobre a produção de alimentos.

De acordo com a climatologista Francis Lacerda, pesquisadora do Instituto Agronômico de Pernambuco, estratégias de agroecologia podem retardar esses efeitos e diminuir a ameaça de insegurança alimentar. Pelo menos por enquanto.

“Existem práticas que podem ainda reduzir esses efeitos. Eu digo ainda porque daqui a pouco não vai poder mais”, alerta a especialista.

A primeira missão é reflorestar. “Uma prática que se faz muito na agroecologia é o consórcio. Você planta uma árvore frutífera e, do lado, você planta uma leguminosa, feijão, milho, faz esse plantio todo junto… E essas plantas vão interagir de uma forma que vão beneficiar umas às outras. Tem uma que vai buscar água lá no fundo, porque a raiz dela é pivotante, mas outra que não consegue. Aquelas plantas que não aguentam muita incidência de radiação ficam melhores [quando] associadas a árvores grandes, que fazem sombra para elas. A gente precisa fazer um reflorestamento e implementar esse modelo do sistema agroflorestal,” diz a especialista.

Ela acrescenta que a diversificação de culturas pelo sistema da Agroecologia favorece a fertilidade e proteção dos solos, além de reduzir os riscos de pragas e doenças, “contribuindo para a não utilização de agrotóxicos e garantindo ao agricultor vantagens ambientais e financeiras, tais como investimentos mais baixos e colheita de produtos diversificados, evitando riscos econômicos provenientes de condições climáticas extremas”.

Mudanças surpreendem e agroecologia pode ajudar

A climatologista lembra que a grande maioria dos alimentos consumidos pelas famílias brasileiras é produzida por agricultores familiares, que se veem cada vez mais surpreendidos com as mudanças no clima.

“Porque eles não conseguem mais ter as práticas que tinham de plantar em tal período, de colher em outro. E geralmente quando a gente tem essas ondas de calor, [o total] de alguns organismos no ecossistema que são mais resilientes – insetos, fungos e bactérias – aumenta muito e eles arrasam com a produção”, acentua.

Por isso, Francis defende também políticas públicas de implementação de tecnologias para que as comunidades consigam captar e armazenar a própria água e gerar a energia consumida, ficando menos vulneráveis aos efeitos climáticos.

Deve-se “dar autonomia a essas comunidades para produzir o próprio alimento dentro dessas condições, e ainda fazer o reflorestamento da sua propriedade, é possível, é barato e os agricultores querem”, salienta.

Enquanto isso não é feito em larga escala, a incidência de algumas espécies vegetais endêmicas dos biomas brasileiros está diminuindo, de acordo com a climatologista, “inclusive espécies adaptadas para se desenvolver em áreas secas e quentes”.

Água nas raízes

“O umbuzeiro, por exemplo, uma planta que é uma referência para o semiárido. Ela é muito resiliente e guarda água nas suas raízes porque está acostumada a lidar com as secas. Os umbuzeiros estão sumindo da paisagem porque eles não conseguem mais se adaptar a essas variáveis climáticas atuais”, avalia.

Árvore do umbu, umbuzeiro, presente no semiárido brasileiro e na CaatingaÁrvore do umbu, umbuzeiro, presente no semiárido brasileiro e na Caatinga
Umbuzeiro impressiona pela grandiosidade e quantidade de frutos | Foto: Reprodução/ Secretaria de Desenvolvimento Rural da Bahia (SDR)

A climatologista do Instituto Agronômico de Pernambuco diz também que essas lições podem ser aplicadas ao meio urbano, “reservando espaços na cidade que possam servir para o cultivo de alimento, como quintais produtivos e farmácias vivas. Mas é preciso ter uma política pública que oriente e que financie. Porque quem tem dinheiro manda buscar a comida, mas sem justiça social não se combate as mudanças climáticas. É preciso pensar em formas inovadoras de produzir e garantir a segurança hídrica, energética e alimentar para as populações do campo e da cidade”, finaliza.

Confira alguns objetivos da agroecologia

  • Respeito aos processos naturais;
  • Preservação da biodiversidade;
  • Uso responsável dos recursos naturais;
  • Valorização das comunidades rurais, garantindo sua autonomia e segurança alimentar.

A conversão de uma agricultura convencional para o modelo agroecologia não é apenas uma mudança técnica, mas uma mudança total na concepção de agricultura e de mundo.



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Menos recurso e juros altos: o que esperar do próximo Plano Safra



A pesquisa da Febraban divulgada nesta semana confirma um cenário de desaceleração do crédito em 2025. Segundo o levantamento, os bancos reduziram suas projeções de crescimento das carteiras, refletindo a piora do cenário econômico e a expectativa de juros mais altos. 

Para o agronegócio, a situação ganha um novo agravante com a decisão do Tesouro Nacional de suspender, a partir de 21 de fevereiro, novas contratações de financiamentos com juros subsidiados pelo Plano Safra 2024/2025. A única exceção são as operações de custeio do Pronaf, voltadas para a agricultura familiar, que seguem liberadas. 

Apesar da projeção de crescimento menor no crédito feito pela Febraban, consultor em finanças do agro Ademiro Vian avalia que os pequenos e médios produtores não devem ser diretamente afetados em termos de volume de recursos, já que grande parte do financiamento vem da exigibilidade bancária, ou seja, uma obrigação regulatória dos bancos. No entanto, para ele a definição da taxa de juros pelo governo será um fator determinante.

Crédito mais caro e restrito

O especialista alerta que a retração na concessão de crédito pelos bancos será um reflexo não apenas da expectativa de juros mais altos, mas também do endividamento crescente do setor. Segundo Vian, a combinação de fatores como perdas climáticas, preços abaixo do esperado, alta do dólar e o aumento das taxas de juros têm levado a um crescimento nos pedidos de prorrogação de dívidas e até recuperações judiciais.

Além disso, no Plano Safra 24/25, o governo anunciou um volume recorde de recursos, mas mais da metade veio de linhas com taxas livres, ou seja, com juros de mercado. “Os bancos aceleraram a concessão de crédito rural com taxas livres, fazendo um mix com taxas controladas. O problema é que os produtores já estavam no limite da sua capacidade de pagamento”, explica.

Diante desse cenário, os bancos tendem a ser mais rigorosos na análise de crédito. “O freio de mão está puxado. Só vai ter crédito quem estiver com as contas em dia e ficha limpa”.

Alternativas para os produtores

Com o crédito bancário mais restrito, os produtores tendem a recorrer a financiamentos com tradings e ao mercado de capitais, por meio de instrumentos como CPR, CRA e FIAGRO. No entanto, essas alternativas costumam embutir custos financeiros ainda mais elevados.

Vian defende que a solução para reduzir o impacto da crise financeira no campo passa por um seguro rural robusto. “Se tivéssemos um seguro eficiente, os produtores não estariam tão endividados. Agora, essa conta vai cair no colo do governo e, mais uma vez, a sociedade vai pagar”, afirma.

Sobre a suspensão de linhas de crédito anunciada pelo Tesouro Nacional, o Ministério da Fazenda justifica a medida como uma necessidade legal, devido à não aprovação da Lei Orçamentária Anual de 2025. No Congresso, a LOA ficou em segundo plano no ano passado, já que deputados e senadores priorizaram a votação da reforma tributária e do pacote fiscal para ajuste das contas públicas.

Plano Safra 25/26: mais crédito é suficiente?

Para conter a inflação, o governo já sinalizou que pode ampliar os investimentos no próximo Plano Safra. No entanto, segundo o consultor, a solução não está apenas na oferta de crédito. Ele destaca que grande parte dos pequenos e médios produtores sequer acessa financiamento e que os principais desafios do setor estão relacionados aos custos de produção, logística e carga tributária.

“O governo abandonou os estoques reguladores, e o diesel tem uma carga tributária de 34%. Não adianta só oferecer crédito se não houver uma política agrícola bem estruturada”, argumenta.

Ele também critica a divisão do setor entre dois ministérios e dois planos safras distintos, o que, na sua visão, gera falta de foco. “O Brasil precisa urgentemente de uma política agrícola eficiente. O crédito é importante, mas o governo deveria olhar para produção, armazenagem, logística e impostos. Sem isso, o produtor continuará exposto a crises recorrentes”, conclui.



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Brasil e Portugal ampliam cooperação agrícola e florestal



Setor de vinho também terá cooperação



Setor de vinho também terá cooperação
Setor de vinho também terá cooperação – Foto: Pixabay

Brasil e Portugal reforçaram sua parceria na pesquisa e inovação agropecuária com a assinatura de um Memorando de Entendimento entre o Instituto Nacional de Investigação Agrária e Veterinária (INIAV) e a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (EMBRAPA). O acordo, firmado na XIV Cimeira Portugal-Brasil, fortalece a cooperação em melhoramento genético, proteção fitossanitária das florestas, gestão sustentável e adaptação às mudanças climáticas. Essas ações fazem parte do compromisso de cooperação fitossanitária florestal estabelecido na XIII Cimeira, ampliando a troca de conhecimento técnico entre os países.  

Além desse avanço, Brasil e Portugal assinaram um Memorando de Entendimento para a cooperação no setor do vinho e produtos vitivinícolas. O acordo visa facilitar o comércio bilateral, harmonizar regulamentações e promover o intercâmbio de tecnologias. A parceria inclui a organização de missões técnicas e ações de formação para fortalecer a integração entre os setores público e privado. Outros memorandos abordam a segurança alimentar e fitossanitária, além da ampliação da exportação de produtos frutícolas e de origem animal e vegetal.  

A cimeira também tratou do aprofundamento da cooperação no setor do azeite, destacando o intercâmbio técnico entre especialistas brasileiros e portugueses. Além disso, os países manifestaram interesse em expandir a exportação de produtos lácteos portugueses para o Brasil. No total, foram assinados 19 acordos bilaterais, abrangendo temas como economia, inovação, sustentabilidade, segurança alimentar e modernização dos serviços públicos.  

 





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Gosta de café? Tem curso aberto de classificação e degustação da bebida


Imagine aliar conhecimento, podendo degustar os melhores tipos de café num local histórico? Para quem deseja se aprofundar no universo do café — seja para aprimorar seus conhecimentos profissionais ou simplesmente por amor a essa bebida tão rica e especial — a Associação Comercial de Santos (ACS) está com inscrições abertas para a 83ª Turma do tradicional Curso de Classificação e Degustação de Café.

O curso de classificação teve início em 1989 e formou mais de 1500 alunos ao longo de 36 anos.

O curso oferece uma formação completa, abordando desde a história e os aspectos agronômicos do café até as técnicas de classificação, torrefação e degustação. São 40 horas de aprendizado, divididas entre 20 horas de aulas teóricas online e 20 horas de atividades práticas presenciais, que acontecem de 10 a 21 de março, na sede da Associação.

Curso de Café da Associação Comercial de Santos Curso de Café da Associação Comercial de Santos
Curso de classificação teve início em 1989 e formou mais de 1500 alunos Foto: divulgação ASC

1ª do estado de São Paulo e a 5ª do Brasil

A história da ASC se confunde com a trajetória da cidade de Santos. Em dezembro de 1870, um grupo de empreendedores decidiu organizar uma entidade para representar e advogar os interesses do comércio e da indústria da região, começava então as primeiras ações da Associação Comercial de Santos, a primeira do estado de São Paulo e a quinta mais antiga do Brasil.

O museu

Instalado no palácio da antiga Bolsa Oficial de Café, construído em 1922, o Museu do Café é um dos principais pontos turísticos da cidade de Santos e tem como objetivo a preservação e divulgação da história do café no Brasil e no mundo.

O local possui objetos, documentos e recursos audiovisuais, mostrando ao público como a evolução da cafeicultura e o desenvolvimento político, econômico e cultural do país estão ligados, desde meados do século XVIII até os dias de hoje.

Museu do Café de SantosMuseu do Café de Santos
Imagem interna do Museu do Café em Santos Foto: Daniel Guimarães/A2IMG

Conhecendo a história do Café

Os participantes também terão a oportunidade de realizar visitas exclusivas ao Centro de Preparação de Café (CPC), no Museu do Café, e à torrefação do Rei do Café, vivenciando de perto o processo produtivo e descobrindo as diversas nuances que fazem do café uma das bebidas mais apreciadas do mundo.

Ao concluir o curso, todos receberão um certificado e a carteira de classificador de café, um importante reconhecimento para quem deseja atuar na área ou aprofundar seus conhecimentos.

As inscrições podem ser feitas através do link https://acs.org.br/academy/. Mais informações podem ser obtidas pelo telefone (13) 3212-8200, ramal 249, ou pelo e-mail [email protected].



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AgroNewsPolítica & Agro

Colheita concentrada sobrecarrega portos e fretes



A disputa entre rodovias e ferrovias se intensifica



A disputa entre rodovias e ferrovias se intensifica
A disputa entre rodovias e ferrovias se intensifica – Foto: Arquivo Agrolink

A safra recorde de 2025 ocorre em meio a um colapso logístico agravado, destaca Felipe Jordy, gerente de inteligência e assessoria comercial da Biond Agro. O Brasil enfrenta gargalos estruturais históricos, com transporte ineficiente, baixa capacidade de armazenagem e uma colheita excessivamente concentrada. Esse cenário gera um efeito cascata em toda a cadeia, sobrecarregando portos e elevando custos de demurrage, que chegam a US$ 35.000 por dia de espera, especialmente em Santos e Barcarena.

“O ritmo de colheita é o mais lento e o mais concentrado dos últimos anos. Essa concentração gera um acúmulo de volumes na ponta de transbordo, armazenagem e exportação”, comenta.

A disputa entre rodovias e ferrovias se intensifica, com o problema do “take or pay” reduzindo a flexibilidade do escoamento ferroviário. O incêndio no terminal de Rondonópolis (TRO) agravou a situação, aumentando a dependência do transporte rodoviário e impulsionando os fretes. Segundo bases do IMEA, esses custos crescentes já impactam os preços da soja, pressionados também pela cotação do dólar abaixo de R$ 6,00, reduzindo margens para exportadores e produtores.

Jordy ressalta que 2025 será um teste de resiliência para o agro brasileiro. Na Biond Agro, medidas de gestão de risco foram tomadas para mitigar os impactos desse cenário desafiador. “2025 será um teste de resiliência para toda a cadeia agro. Aqui na Biond Agro, alertamos nossos clientes de todo esses caos logístico sendo agravado, com fundamentos de mercado e gestão de risco tomamos posições de segurança, efetivando uma comercialização de grãos justamente no olho do furação”, conclui.

 





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AgroNewsPolítica & Agro

Chuvas aliviam, mas não salvam safra argentina



Parte desse impacto já foi incorporada nas estimativas



Parte desse impacto já foi incorporada nas estimativas
Parte desse impacto já foi incorporada nas estimativas – Foto: Divulgação

O clima seco e quente já causou grandes danos às lavouras de soja e milho na Argentina, mas as chuvas da semana passada trouxeram um alívio parcial, segundo informações da Veeries. No entanto, o volume de precipitação não foi suficiente para reverter todas as perdas na parte da safra que ainda está em desenvolvimento. Agora, a grande dúvida do mercado é sobre a real extensão do prejuízo e se ainda há risco de agravamento nos próximos dias.  

Parte desse impacto já foi incorporada nas estimativas do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), conforme os números divulgados no último relatório global de oferta e demanda (WASDE). Ainda assim, há incerteza sobre o tamanho exato da quebra da safra e suas consequências para o mercado internacional. Uma safra menor pode reduzir a oferta global de grãos, impactando preços e exportações, especialmente em um momento de incerteza climática também no Brasil e nos Estados Unidos.  

Para entender melhor a situação, Fabio Meneghin, fundador da Veeries, está participando nesta semana de um crop tour nas regiões produtoras da Argentina. As primeiras impressões do campo indicam que o potencial produtivo da safra já foi bastante prejudicado, mas a quebra, até o momento, não parece tão severa quanto a registrada na safra 2022/23. No entanto, ainda há áreas vulneráveis, e o clima nas próximas semanas será determinante para definir a produtividade final.  

O mercado segue atento às atualizações do crop tour e às previsões climáticas. Caso o cenário adverso persista, é possível que os preços da soja e do milho reajam, refletindo preocupações com a oferta sul-americana. Além disso, investidores e tradings monitoram os impactos sobre a competitividade argentina no mercado global, o que pode influenciar as decisões comerciais e os fluxos de exportação nos próximos meses.

 





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AgroNewsPolítica & Agro

Negociações EUA-Rússia e os impactos  Ucrânia



Outro desafio será a normalização das rotas de exportação pelo Mar Negro



Outro desafio será a normalização das rotas de exportação pelo Mar Negro
Outro desafio será a normalização das rotas de exportação pelo Mar Negro – Foto: Divulgação

Representantes dos governos da Rússia e dos Estados Unidos concordaram, nesta terça-feira (18/02), em restabelecer a normalidade das missões diplomáticas em Moscou e Washington, segundo informações da Veeries. Esse movimento pode ser o primeiro passo para negociações mais amplas visando o fim da guerra na Ucrânia, que se aproxima de três anos de duração. No entanto, o processo ainda enfrenta desafios significativos, incluindo a ausência de líderes europeus e ucranianos nas conversas até o momento.  

Os Estados Unidos, atualmente o maior fornecedor de apoio financeiro e militar à Ucrânia, têm interesse em uma solução para o conflito. O presidente americano, Donald Trump, já defendia essa postura desde sua campanha eleitoral. Caso essas tratativas avancem e resultem em um acordo, será essencial analisar os impactos na agricultura, setor crucial para a economia ucraniana.  

Um dos pontos principais será a definição sobre quais áreas agrícolas, que antes pertenciam à Ucrânia, permanecerão sob controle russo. Além disso, será necessário avaliar quanto tempo levará para que essas terras retomem níveis normais de produção, considerando fatores como acesso a crédito, insumos agrícolas e disponibilidade de mão de obra. A Ucrânia é um dos maiores exportadores globais de milho, trigo e girassol, e qualquer demora na recuperação pode afetar o mercado internacional.  

Outro desafio será a normalização das rotas de exportação pelo Mar Negro. A garantia de segurança para embarcações e a redução dos custos de seguro serão fatores determinantes para a retomada do fluxo comercial. Caso um cessar-fogo seja alcançado, a reestruturação do setor agrícola ucraniano e a recuperação logística serão acompanhadas de perto pelo mercado global de commodities.

 





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Safra 2025/26 terá menos etanol de cana e mais de milho



Essa restrição de oferta resultará em preços mais altos



Essa restrição de oferta resultará em preços mais altos
Essa restrição de oferta resultará em preços mais altos – Foto: Pixabay

De acordo com o Itaú BBA, o preço do etanol hidratado subiu 6,4% em janeiro, encerrando o mês a R$ 2,94/L em Paulínia-SP. A alta reflete o fim da safra canavieira e a expectativa é de preços ainda mais elevados no primeiro trimestre de 2025, devido a um mercado mais apertado no período de entressafra. Além disso, a produção total de etanol no Centro-Sul deve cair 3,2% na safra 2025/26, com um aumento de 19% na produção de etanol de milho, que chegará a 9,6 bilhões de litros, enquanto a produção de etanol de cana deve recuar 10%, para 23,8 bilhões de litros.  

Do lado da demanda, o consumo do Ciclo Otto deve crescer 2,3% na próxima safra, mas a restrição na oferta do biocombustível levará a uma queda de 5,6% no consumo total de etanol. O consumo de etanol hidratado deve recuar 13%, enquanto o anidro deve subir 7%, mesmo com a mistura em 27% na gasolina. Os estoques reduzidos também influenciam a menor disponibilidade do biocombustível no mercado.  

Essa restrição de oferta resultará em preços mais altos. A expectativa é que o preço relativo do etanol frente à gasolina nas bombas do estado de São Paulo suba dos atuais 67% para 72% na safra 2025/26. Esse aumento pode impactar a competitividade do biocombustível frente ao combustível fóssil, reduzindo ainda mais sua participação na matriz de transportes.   O cenário reflete mudanças estruturais no setor, com o avanço do etanol de milho e um menor mix de etanol na produção das usinas de cana. A evolução desses fatores será determinante para o comportamento do mercado nos próximos ciclos.

 





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Boi gordo inicia ano com preços firmes


O mercado do boi gordo iniciou 2025 com preços firmes, sem grandes quedas nas carcaças no atacado e mantendo bons spreads da indústria no mercado interno, conforme análise do Itaú BBA. Além disso, as exportações registraram volumes expressivos, com preços de embarque em alta. Em janeiro, o indicador Cepea para o boi gordo teve valorização de 1,4% em relação a dezembro de 2024, refletindo uma oferta controlada de gado terminado e condições favoráveis das pastagens, que permitiram aos produtores espaçarem as entregas. No setor de carne, a carcaça casada apresentou recuo de 1,1%, reduzindo o spread da indústria de 11% para 8,4%, ainda assim um dos melhores níveis para o período nos últimos anos.  

No entanto, fevereiro começou com um novo recuo no spread, já que os preços do boi se estabilizaram no fim de janeiro, enquanto a carne apresentou maior enfraquecimento. As exportações de carne bovina in natura totalizaram 180,5 mil toneladas no primeiro mês do ano, uma queda de 0,6% em relação a janeiro de 2024 e de 10,9% sobre dezembro. Entretanto, o preço médio dos embarques subiu 1,7% frente ao mês anterior, o que moderou a alta do custo do boi gordo em dólares (2,5%). Assim, o spread cedeu 1 ponto percentual, para 8%, ligeiramente abaixo da média histórica de 10%.  

No segmento de reposição, o preço do bezerro no Mato Grosso do Sul, medido pelo Cepea, desvalorizou 6,1% em janeiro. Contudo, a partir da segunda quinzena do mês, a tendência de queda foi interrompida. Apesar disso, a relação de troca entre boi gordo em São Paulo e bezerro no MS melhorou para a recria e engorda. O ágio do bezerro sobre o boi gordo caiu de 24% em dezembro de 2024 para 15% em janeiro de 2025, tornando a reposição mais favorável aos pecuaristas.

“Nos próximos meses pode haver uma elevação da oferta para abate um pouco acima do normal de fêmeas não emprenhadas, em função da longa seca do ano passado, que deve ter interferido negativamente nas taxas de prenhez. Por outro lado, isto seria, mais adiante, ainda mais altista para o bezerro, com menos nascimentos previstos para 2026. Para os recriadores, vale reforçar a atenção com as oportunidades de realizarem uma boa reposição, após esta recente acomodação da cria”, comenta.

 





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