Pesquisa do Cepea mostra que o preço do leite captado em dezembro de 2024 fechou a R$ 2,5805/litro (“Média Brasil”), queda de 2,7% em relação ao mês anterior, mas elevação de 21% frente a dezembro de 2023, em termos reais (os valores foram deflacionados pelo IPCA de dezembro).
Desse modo, a média de 2024 foi de R$ 2,6362/litro, 1,9% acima da verificada em 2023, também em termos reais. Levantamentos do Cepea ainda em andamento mostram, porém, que os preços do leite captado em janeiro devem apresentar alta, devido ao recuo da oferta e ao aumento na competitividade entre laticínios pela compra de matéria-prima.
Preços dos lácteos em recuperação
Outra pesquisa realizada pelo Cepea em parceria com a OCB (Organização das Cooperativas Brasileiras) aponta que os preços dos lácteos negociados no atacado paulista iniciaram 2025 em movimento de recuperação.
Dentre os itens analisados, o queijo muçarela foi o que mais se valorizou de dezembro de 2024 a janeiro de 2025, em 1,82%, cotado à média de R$ 33,09/kg. Para o leite em pó (400g), a variação foi positiva em 0,97%, para média de R$ 31,58/kg. A cotação do leite UHT, por sua vez, ficou praticamente estável (+0,02%), a R$ 4,27/litro.
Importações têm ligeiro aumento; exportações recuam
Em janeiro, as importações brasileiras de lácteos cresceram ligeiros 3,93% em relação a dezembro de 2024, porém caíram 2,18% frente ao mesmo período do ano passado (janeiro/24). Já as exportações recuaram 13,91% no comparativo mensal e expressivos 41,19% no anual.
Insumos em alta para dieta dos animais
Os custos de produção da pecuária leiteira subiram em janeiro pelo quinto mês consecutivo. Cálculos do Cepea mostram que o Custo Operacional Efetivo (COE) teve avanço de 0,81% de dezembro/24 para janeiro/25, considerando-se a “média Brasil” (BA, GO, MG, SC, SP, PR e RS). Os desembolsos com a dieta do rebanho continuam sendo o principal fator que influencia o movimento altista.
Os países do Brics tem uma grande parcela de contribuição para a produção agrícola e o comércio agropecuário mundial. Segundo Luís Rua, secretário de comércio e relações internacionais do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), dos 550 milhões de produtores do mundo, cerca da metade está em países do Brics.
O grupo corresponde a 30% da pesca de cultivo, 70% da aquicultura e tanto a produção nesses países de matérias-primas utilizadas na agropecuária, como os fertilizantes, quanto a alta produtividade em cereais e carnes demonstram a importância do debate em torno da agricultura e da cooperação entre os membros do grupo.
O secretário Luís Rua participou de uma coletiva de imprensa na última sexta-feira (21), em Brasília, após a reunião do Grupo de Trabalho de Agricultura do Brics.
“Os países do Brics são muito relevantes para nós, o Brasil exportou no ano passado cerca de US$ 165 bilhões em produtos agropecuários, mais de 60 milhões, ou seja 41% de tudo que nós exportamos, foram para os países do Brics”, afirmou.
Luís Rua acrescentou também que em termos de comércio justo e inclusivo, um dos pilares da discussão é a segurança alimentar. Pois, em um mundo onde 733 milhões de pessoas passam fome, ele acredita que países grandes produtores de alimentos devem ter uma postura ativa para erradicar o problema.
Agricultura e COP 30
O secretário destacou ainda que o Brasil vive um momento marcante porque além da reunião do Brics, vai sediar a COP 30, e há uma conexão entre o que está sendo discutido no GT de Agricultura e os temas debatidos na Conferência das Nações Unidas.
Como exemplo, ele citou o Programa Nacional de Conversão de Pastagens Degradadas que busca converter uma pastagem degradada em lavoura eficiente e dessa forma melhorar a produtividade dentro de um sistema de integração entre lavoura, pecuária e florestas.
“No ano passado foram mais de 1 milhão de hectares recuperados e nós queremos fazer essa agricultura sustentável, sem precisar derrubar árvores ou mexer nos nossos biomas e melhorar as condições das nossas pastagens. Assim, a gente vai poder garantir um objetivo maior – a segurança alimentar, que inclusive vai ao encontro ao Objetivo de Desenvolvimento Sustentável (ODS) nº 2, da Organização das Nações Unidas (ONU), para 2030, que é o Fome Zero”.
Certificação eletrônica
Em termos de comércio, de acordo com o secretário, o grupo tem debatido sobre a certificação eletrônica com o objetivo de diminuir a burocracia e levar mais oportunidades para produtores e exportadores em todos os países do Brics.
A expectativa é poder comerciar bens e serviços sem travas, por exemplo, como no caso de uma mercadoria parada em um porto por falta de um certificado. Além de demonstrar para o mundo como o Sul Global pode contribuir com práticas inovadoras para o comércio internacional.
“Então, eu acho que estamos em um momento de concertação para justamente trazer essas boas práticas e juntos mostrar que podemos avançar com o peso de boa parte da produção agropecuária mundial”, concluiu.
O que são os Brics?
Em 2001, o economista britânico Jim O’Neill cunhou o acrônimo “BRIC” para descrever as chamadas economias emergentes do Brasil, Rússia, Índia e China e recomendá-las aos investidores em um artigo para os assinantes da Goldman Sachs Assets Management, um serviço especializado de gestão de ativos. Jim O’Neill recomendou o investimento nos quatro países descrevendo-os como o futuro da economia mundial.
O termo se popularizou e os países formaram um grupo de fato com a primeira reunião a nível de Ministros das Relações Exteriores em 2006, à margem da Assembleia-Geral das Nações Unidas, em Nova Iorque, nos Estados Unidos. A partir da crise financeira de 2008, os quatro países buscaram atuar de forma concertada, no âmbito do G20, do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Banco Mundial, com propostas para a reforma da governança econômica e financeira internacional, de modo a refletir o aumento do peso relativo dos países emergentes na economia mundial. Dentro desse espírito de renovação aconteceu a primeira Cúpula de Chefes de Estado em 2009, na cidade de Ecaterimburgo, na Rússia.
Com a incorporação da África do Sul em 2011, o “S” foi acrescentado ao acrônimo original, consolidando a primeira expansão do agrupamento.
O Sudeste foi a região recordista em prejuízos envolvendo roubo de carga, avançando de 82,9% em 2023 para 83,6% em 2024.
No ranking dos estados com mais sinistro, São Paulo totalizou 45,8%, seguido por Rio de Janeiro (25%) e Minas Gerais (12,1%).
A respeito das demais regiões, o Nordeste somou 11,7% das ocorrências, à frente do Sul (2%), Centro-oeste (1,8%) e Norte (0,9%). Assim, a divisão dos prejuízos se assemelha à de 2023, exceto pelo Sul, que apresentou redução de 6,5% para 2%.
Esses dados foram divulgados no relatório “Análise de Roubo de Cargas” de 2024 da empresa Nstech. Os números, obtidos pelas três gerenciadoras de risco do grupo – BRK, Buonny e Opentech –, reforçam a escalada de casos em território fluminense.
“Ainda que o Rio de Janeiro apareça em segundo lugar no ranking anual, o estado chama atenção, uma vez que o percentual de prejuízo subiu de 18,9% para 25% na comparação entre 2023 e 2024. O movimento passa a preocupar o setor, revelando uma possível tendência para 2025”, diz o relatório da companhia.
O documento aponta situação inédita no terceiro trimestre de 2024: as incidências no estado do Rio (45,8%) ultrapassaram São Paulo (36,6%), que era o principal polo de sinistros do país até então.
Cargas mais roubadas
As operações com cargas fracionadas (mercadorias de diversos segmentos em um mesmo veículo) e produtos alimentícios foram as mais visadas pelas quadrilhas de roubo de cargas em 2024, mostra o relatório da Nstech.
Juntos, estes tipos de carga representaram 72,5% dos prejuízos, percentual superior ao de 2023, quando somaram 66,7% do total sinistrado. Os eletrônicos ficaram com a terceira posição do ranking que, em 2023, era ocupada pelos cigarros (hoje, representam apenas 2,5% do prejuízo total).
Seguindo a tendência dos anos anteriores, as cargas fracionadas sofreram ataques principalmente nas regiões urbanas. Nesses trechos, o valor sinistrado correspondeu a 33,1% do total. O estado mais crítico foi São Paulo, onde a ação dos criminosos concentrou 51,5% dos prejuízos.
Períodos do dia
A nível nacional, o roubo de cargas continua concentrado à noite e ao longo das madrugadas (57,4%), com maior número de ocorrências às segundas-feiras (40%).
No Rio de Janeiro, as tardes (38%) foram os horários mais vulneráveis para roubos, enquanto quintas-feiras (21,8%) e quartas-feiras (18,5%) foram os dias mais perigosos.
Em São Paulo, o período mais crítico foi à noite (41,5%). Segunda-feira foi o dia da semana com maior incidência (26,8%). Em 2023, o dia correspondia a menos de 15% do total, um aumento de 11 pontos percentuais.
Já em Minas Gerais, o intervalo mais sensível do dia foi a madrugada, com 51% dos sinistros. No estado, 27,4% dos prejuízos se concentraram nas quintas-feiras.
Trechos mais vulneráveis
As áreas urbanas se mantiveram como os locais com maior concentração de abordagens das quadrilhas de roubo de cargas, representando 34,1% dos prejuízos. Durante 2024, se consideradas apenas áreas urbanas, os maiores prejuízos foram nas rotas RJ X RJ (29,9%) e SP X SP (26,6%).
Entre as rodovias, a BR-116 dobrou sua participação no percentual de prejuízo, passando de 6,1% em 2023 para 12% em 2024. O trecho mais vulnerável foi o SC x SP, com 14,8% dos prejuízos nessa rodovia.
A participação da BR-101 também aumentou de 5,6% em 2023 para 7% em 2024. Nessa rodovia, o trecho RJ X RJ somou 32,9% dos prejuízos.
O ministro-chefe da Casa Civil, Rui Costa, disse que não existe uma nova crise relacionada à suspensão das linhas subsidiadas do Plano Safra 2024/2025, anunciada pelo Tesouro na última quinta-feira (20), e parcialmente equacionada pelo anúncio de um crédito extraordinário.
Costa reconheceu, no entanto, que há “dificuldades” relacionadas à não aprovação do orçamento, mas que será encontrada uma solução para dar continuidade às liberações.
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A entidade manifesta preocupação com a proposta de regulamentação – Foto: Divulgação
O Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais Federais Agropecuários (Anffa Sindical) participará do grupo de trabalho que discutirá o credenciamento de empresas e profissionais para a inspeção ante mortem e post mortem de animais em frigoríficos. A medida, determinada por portaria do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), será debatida em um prazo de apenas 30 dias.
A entidade manifesta preocupação com a proposta de regulamentação da Lei do Autocontrole (14.515/2022), publicada pelo Mapa na última quarta-feira (19). O Anffa Sindical defende que a habilitação de terceiros se limite a funções técnicas e que a auditoria e o poder de polícia administrativa continuem sob responsabilidade exclusiva dos auditores fiscais agropecuários. Segundo o presidente do sindicato, Janus Pablo Macedo, apenas esses profissionais podem garantir a segurança alimentar e a qualidade dos produtos consumidos no Brasil e exportados para diversos países.
O sindicato também critica a composição do grupo de trabalho, que não inclui representantes de sindicatos de agentes agropecuários, trabalhadores dos frigoríficos, ONGs de proteção animal, instituições de defesa do consumidor e do Ministério Público. Para a entidade, a falta desses setores compromete a transparência e o debate democrático sobre um tema essencial para a segurança alimentar.
“A auditoria e as atividades de polícia administrativa têm que estar nas mãos dos auditores fiscais federais agropecuários. O servidor é a autoridade que deve ser acionada em caso de qualquer anormalidade detectada nos estabelecimentos frigoríficos. Ocorrem problemas com animais, nas linhas de produção, possíveis contaminações ou demais alterações no processo, que podem culminar, inclusive, na interdição desse estabelecimento. Esta atuação isenta e segura, respaldada pelo Estado, é fundamental para a garantia da qualidade dos alimentos e, consequentemente, para toda a sociedade brasileira,” destaca Macedo.
De um total de 600 espécies de abelhas sem ferrão conhecidas, o Brasil abriga mais de 250. Esses insetos, além de essenciais para a produção de alimentos em ecossistemas tropicais e subtropicais, podem representar uma alternativa de renda para comunidades rurais.
Com estratégias defensivas não agressivas, as abelhas sem ferrão têm manejo facilitado, promovendo a produção sustentável de mel e a polinização de cultivos sem riscos para os agricultores. A fim de explorar esse potencial, a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) tem desenvolvido capacitações sobre a meliponicultora.
A primeira atividade presencial do projeto foi realizada em fevereiro, com agricultoras de Paragominas (PA), na Amazônia Oriental. “O objetivo desta capacitação foi empoderar as mulheres, proporcionando conhecimentos práticos e ferramentas para desenvolver atividades relacionadas à meliponicultura, contribuindo assim para a sustentabilidade dos ecossistemas e para a segurança alimentar da região”, explicou Andrés González, Oficial de Pecuária Sustentável, Sanidade e Biodiversidade Animal da FAO.
“A FAO reafirma seu compromisso com a preservação dos polinizadores, reconhecendo seu valor ecológico, ambiental e cultural, ao mesmo tempo que promove a igualdade de gênero nas comunidades rurais”, destacou Andrés González.
Esse trabalho está alinhado com a Iniciativa Internacional para os Polinizadores, que promove medidas abrangentes e sustentáveis para manter os polinizadores, dos quais dependem 90% das plantas silvestres e 75% das culturas agrícolas que alimentam o mundo.
Além das abelhas, outros insetos também desempenham o papel de polinizadores, como as vespas, borboletas, moscas, mamangavas, formigas, besouros e mariposas, além de espécies de maior porte, como o beija-flor e o morcego.
As capacitações em Paragominas foram realizadas em parceria com o Ministério da Agricultura e Pecuária do Brasil, a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e a Associação Brasileira de Estudos das Abelhas (ABELHA).
Produtores de banana nos estados do Amazonas, Acre e Rondônia comemoram o aumento da produtividade de seus plantios. Desenvolvida pela Embrapa Amazônia Ocidental (AM), uma técnica simples e acessível de aplicação de fungicida permitiu o controle eficiente da Sigatoka-negra, principal doença da bananeira na Amazônia.
Além de elevar a produtividade, a solução promoveu o retorno de variedades tradicionais ao mercado, viabilizou a bananicultura na região e trouxe maior segurança para os agricultores.
Os dados fazem parte do Relatório de Avaliação de Impactos das Tecnologias feitos pela Embrapa nos últimos 15 anos nos três estados. O documento foi elaborado por três Unidades da Embrapa (Acre, Amazônia Ocidental e Rondônia) sob a responsabilidade dos pesquisadores Francisco de Assis Correa Silva, Lindomar de Jesus de Sousa Silva e Márcio Muniz Albano Bayma.
O texto “Recomendação de aplicação de fungicidas para o controle químico da Sigatoka-negra na produção de banana na Amazônia Ocidental” aponta os ganhos econômicos, social e ambiental da tecnologia. Ele conclui ainda que a sua adoção foi um instrumento essencial para a continuidade do cultivo de banana tradicionalmente apreciada pelas comunidades amazônicas.
“Os impactos foram positivos, em sua maioria, evidenciando melhorias significativas na geração de renda, possibilitando o desenvolvimento da propriedade de forma sustentável, viabilizando uma produção capaz de contribuir para o desenvolvimento das unidades familiares de produção e garantir que a população tenha acesso a um importante fruto: a banana”, explica Lindomar Silva.
Mercado da banana
Há uma perspectiva do aumento da área cultivada com a superação de problemas estruturais como a implantação de casa de embalagens e a adesão ao sistema de mitigação de risco da Sigatoka-negra. Com isso, os produtores rurais e suas entidades de classe poderão acessar novos mercados, atualmente restrito aos estados da Amazônia.
Técnica simples e acessível de aplicação de fungicida permitiu o controle da doença na Amazônia Foto: divulgação/ Embrapa
A tecnologia foi desenvolvida pela Unidade da Embrapa no Amazonas e validada nos estados do Acre e Rondônia pelos centros de pesquisa da Empresa nesses estados. Posteriormente, foram implantadas Unidades Demonstrativas para a capacitação para multiplicadores, distribuição de materiais informativos e palestras com o intuito de transferir a tecnologia. O aplicador foi gerado em 2001, disponibilizado aos agricultores em 2008 e a sua adoção começou em 2009.
Como funciona a tecnologia
A solução se baseia no uso de um equipamento e técnica para aplicação de fungicida na axila da segunda folha da bananeira. Para uso dessa técnica, foi elaborado um equipamento adaptado a partir de uma seringa veterinária, mangueira de silicone ou látex e um cano com uma das pontas curvadas. O equipamento permite colocar gotas do fungicida no local específico, com uma dose recomendada, dependendo do fungicida utilizado de um a dois mililitros por planta. Isso evita a dispersão do produto no ambiente e torna possível controlar a doença com apenas três aplicações por ciclo produtivo da banana, que seria em torno de dez a 12 meses.
Perdas de bananais
Com o surgimento da Sigatoka-negra houve uma redução substancial de bananais cultivados com variedades tradicionais na Amazônia brasileira. Variedades das bananas Prata Comum, Maçã e o plátano Pacovan, cultivadas há décadas pelos agricultores, deixaram de ser encontradas nos mercados e feiras locais.
“Com a disponibilização da tecnologia de controle da Sigatoka-negra tem possibilitado o retorno das bananas tradicionais à mesa dos amazonenses, acreanos e rondonienses”, comenta o pesquisador.
Os métodos oficiais de levantamento da produção primária não consideram os grupos de banana (prata, maçã, D’Angola), sendo apresentados de forma agregada como produto único nas estatísticas. Assim, observa-se que os indicadores de desempenho produtivo da última década apontam uma retomada na oferta do produto nos três estados.
Tecnica desenvolvida pela Embrapa para controlar Sigatoka-negra Foto: Lea Cunha/ Embrapa
Produtividade da banana cresceu nos três estados
De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE 2023), no período de 2013 a 2022, observou-se um incremento de produção e ganhos de produtividade no cultivo de banana nos estados do Acre, Amazonas e Rondônia. Quanto à produção, no estado do Acre esta saltou de 77,7 mil para 82,8 mil toneladas no referido período. Também foi registrado um incremento de produtividade da banana atingindo 12,4 toneladas por hectare (t/ha) (2022) ante 10,6 t/ha (2013).
No Amazonas, nos últimos dez anos, registrou-se crescimento moderado na produção da banana passando de 84,7 mil, em 2013, para 88,7 mil toneladas, em 2022. Nesse período, o pico da produção foi em 2018 com 113,3 mil toneladas. A produtividade aumentou de 12,7 t/ha para 14,4 t/ha, no referido período.
Já no estado de Rondônia a produção passou por um crescimento gradativo na última década, passando de 70,6 mil para 81,9 mil toneladas. Os crescimentos de produtividade foram expressivos atingindo 11,6 t/ha em 2022, bem superior ao volume registrado em 2013 (8,5 t/ha).
Logística
Entre os estados estudados, o principal mercado consumidor é a cidade de Manaus (AM), cuja produção não é suficiente para atender a demanda local pelo produto. Por isso, foi construído ao longo dos anos um eficiente arranjo de logística envolvendo transporte rodoviário (Rio Branco / Porto Velho) e hidroviário (Porto Velho / Manaus) como forma de escoar uma parte da produção do Acre e de Rondônia para a capital amazonense. Esse arranjo, associado à adoção da tecnologia, tornou competitivos os bananicultores dos municípios de Buritis e Porto Velho (RO) e Acrelândia (AC), no fornecimento ao estado vizinho.
Para a agricultora Cristiana Gomes, do município de Presidente Figueiredo (AM), a tecnologia permitiu que ela continuasse plantando a banana Pacovan.
“Com a técnica da Embrapa mudou todo o meu jeito de plantar. Antes, eu precisava plantar todo ano, por causa da doença, mas agora eu já estou a Pacovan [plantada] desde 2018 que continua dando cacho satisfatório, cacho bonito”, relata a produtora.
Como a banana Pacovan é uma variedade muito procurada pela população, a produção destina–se principalmente aos mercados tradicionais como feiras livres, supermercados, mercearias e sacolões das capitais dos estados (Manaus, Porto Velho e Rio Branco). Uma pequena quantia é destinada ao mercado institucional como o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) e o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE), comumente abastecidos por bananas oriundas de cultivares resistente a doença, principalmente a Thap Maeo.
A renda obtida com a comercialização da banana auxilia no desenvolvimento das propriedades. Os recursos são investidos no aumento dos plantios, com a recuperação de novas áreas, ou na diversificação produtiva. Há propriedades que iniciaram cultivos de maracujá, melancia, açaí, mandioca, hortaliças, criação de peixes e em lavouras de outras variedades de banana como: Thap Maeo, a FHIA 18 e a Caipira.
O Centro-Oeste deverá caminhar na contramão do resto do País e ser a única região a apresentar uma aceleração econômica em 2025. O desempenho econômico regional deve ser impulsionado, sobretudo, pelo resultado agrícola. A safra de grãos 2024/2025 será recorde e pode alcançar 322,25 milhões de toneladas, o que significa um aumento de 8,1% na comparação com a de 2023/2024, prevê a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).
A região, que já liderou o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) no país em anos anteriores, vê uma retomada após um período de desaceleração devido a fatores climáticos adversos. Em segundo lugar a região Norte, com evolução de 2,7%. Nordeste (2% de avanço), Sul (1,8%) e Sudeste (1,6%) completam o ranking.
O avanço da riqueza na região é confirmado por dados da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima), que mostram um crescimento expressivo no segmento private, o mais acelerado do Brasil.
Na região, a média de crescimento do volume financeiro nos últimos três anos foi de 20,9%, segundo a Anbima. É o ritmo de alta mais acelerado do Brasil. No país, nesse período, o avanço foi de 9,3%.
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A presidente da Comissão, Ursula von der Leyen, enfatizou a importância dos agricultores – Foto: Pixabay
A Comissão Europeia revelou recentemente sua Visão para a Agricultura e a Alimentação, um roteiro ambicioso para fortalecer a competitividade, resiliência e sustentabilidade do setor agroalimentar. O plano busca garantir um sistema justo para agricultores e operadores, preparando o setor para o futuro. Entre as prioridades, destaca-se a simplificação das políticas e o incentivo à inovação digital. Em 2025, a Comissão proporá um pacote de simplificação legislativa e uma estratégia digital para a agricultura.
A presidente da Comissão, Ursula von der Leyen, enfatizou a importância dos agricultores na segurança alimentar da UE, destacando desafios como a concorrência global e as mudanças climáticas. Para fortalecer o setor, a Visão foca em quatro pilares: tornar a agricultura mais atrativa, garantindo renda justa e apoio público bem direcionado; reforçar a competitividade e resiliência, alinhando normas de produção dos produtos importados e promovendo o bem-estar animal; preparar o setor para o futuro com incentivos à sustentabilidade, adoção de biopesticidas e melhor gestão da água; e assegurar condições de vida e trabalho dignas no meio rural, com políticas voltadas à inovação e redução do desperdício alimentar.
A futura Política Agrícola Comum (PAC) deverá ser mais simplificada e eficiente, com incentivos diretos para os agricultores que realmente produzem alimentos, priorizando jovens produtores e aqueles em regiões com desafios naturais. A Comissão reforça que a estratégia busca equilibrar segurança alimentar, sustentabilidade e inovação, garantindo um setor agroalimentar forte e competitivo na Europa. As informações são de vozdocampo.pt.
A última semana de fevereiro será marcada por temperaturas elevadas e chuvas intensas em diferentes regiões do Brasil. Uma nova onda de calor persiste no Sul até quarta-feira (26), enquanto o Sudeste e o Centro-Oeste enfrentam o retorno da chuva, o que pode beneficiar algumas lavouras e prejudicar outras.
O meteorologista do Canal Rural, Arthur Müller, alerta para a possibilidade de temporais e impactos na produção agrícola em diversas localidades. Confira os detalhes da previsão do tempo em cada região no período de 24 a 28 de fevereiro.
Sul
O Rio Grande do Sul segue sob forte calor, com máximas próximas de 40 °C no oeste do estado. O tempo seco predomina até quarta-feira, quando um cavado meteorológico trará temporais para todo o território gaúcho.
Há risco de queda de granizo e rajadas de vento superiores a 70 km/h, o que pode causar danos às lavouras de verão.
A precipitação acumulada deve ficar entre 30 e 50 mm no estado e no nordeste do Paraná. Já em Santa Catarina e no oeste do Paraná, o tempo será quente e seco, com chuvas isoladas de 10 a 15 mm ao longo da semana.
Sudeste
As instabilidades retornam. Chuvas fortes são esperadas no leste e nordeste de Minas Gerais, Espírito Santo, centro-norte e interior do Rio de Janeiro e em São Paulo, com acumulados de até 50 mm.
Essa umidade será benéfica para lavouras de café e cana-de-açúcar, que estavam sob estresse hídrico. Apesar da melhora na umidade do solo, temporais isolados podem ocorrer, exigindo atenção dos produtores na realização dos trabalhos em campo.
Centro-Oeste
A semana será chuvosa, principalmente no sul e oeste de Goiás e em Mato Grosso, onde os temporais podem ser intensos. Em Cuiabá, há previsão de fortes chuvas logo no início da semana.
Em Mato Grosso do Sul, o tempo será mais seco, com pancadas de verão à tarde em Campo Grande e Corumbá.
No geral, as operações de colheita da soja e plantio do milho segunda safra serão impactadas pela alta umidade, já que os acumulados podem ultrapassar 100 mm. No centro-sul de Mato Grosso do Sul, o calor predomina, com máximas de 38 °C a 39 °C, prejudicando o gado confinado e o desenvolvimento inicial do milho.
Nordeste
A chuva se espalha por mais estados e pode ser intensa entre Maranhão e Piauí. Há risco de pancadas fortes no litoral do Ceará e chuvas moderadas no litoral do Rio Grande do Norte e no leste de Pernambuco.
O acumulado deve ultrapassar 100 mm no Maranhão, Piauí, Ceará e Rio Grande do Norte, o que pode afetar os trabalhos no campo, mas contribuir para a reposição da umidade no solo.
Na Paraíba, Pernambuco, Alagoas, Sergipe e Bahia, a chuva começa a retornar, com volumes entre 20 e 30 mm, trazendo alívio às lavouras que estavam sob seca.
Norte
Temporais seguem afetando Amazonas, Roraima, Pará e Tocantins. Em Manaus e Belém, há risco de chuvas volumosas ao longo da semana. O Tocantins e o Pará podem registrar acumulados superiores a 150 mm, o que pode resultar em alagamentos e impactos nas lavouras.
Nos demais estados da região, como Roraima, Amapá, Acre e Rondônia, os acumulados devem variar entre 50 e 70 mm, mantendo boas condições para as pastagens e temperaturas dentro da normalidade.
A umidade elevada favorece o desenvolvimento agrícola, mas também aumenta o risco de pragas.