quarta-feira, março 25, 2026

Agro

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plantio da safra de soja 25/26 atinge 81% de área



O plantio da safra brasileira de soja 2025/26 atingiu 81% da área estimada até quinta-feira passada (20), conforme dados da AgRural divulgados nesta segunda-feira (24). Segundo o levantamento, o número representa avanço em relação à semana anterior, quando 71% da área havia sido semeada, mas ainda está abaixo dos 86% registrados no mesmo período de 2024.

O principal foco de atenção permanece em Mato Grosso e Goiás, regiões que enfrentam irregularidade das chuvas. As condições climáticas adversas têm causado atraso no plantio, abortamento de flores e vagens, além de uma janela de plantio mais apertada para a safrinha de milho.

Milho 

No milho verão 2025/26, o plantio também se aproxima da conclusão no Centro-Sul do Brasil. Conforme o levantamento da AgRural, 93% da área estimada já havia sido semeada até quinta-feira, ante 85% na semana anterior e 95% no mesmo período do ano passado.

O monitoramento climático e o ritmo das chuvas nas próximas semanas serão determinantes para o desenvolvimento da safra, especialmente nas regiões mais afetadas pelo déficit hídrico.



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especialista explica o momento certo para o controle de daninhas



O controle de plantas daninhas é um desafio contínuo e decisivo na pecuária. A dúvida sobre o momento ideal para a aplicação do herbicida no pasto novo é crucial para evitar infestações futuras e garantir a saúde da forrageira.

O engenheiro agrônomo Wagner Pires, especialista em pastagens pela Esalq-USP, oferece uma “dica de ouro”: o produtor não deve esperar o capim crescer para abafar a planta daninha, pois essa estratégia é ineficaz e altamente arriscada.

O risco dessa negligência é que, ao ser pastejado, o pasto “desabafa”, permitindo que a planta daninha volte com força e sementeie. O sementeamento é um problema grave e de longo prazo: de uma única planta podem sair centenas de sementes que germinarão nos anos seguintes, perpetuando o problema na fazenda.

Confira:

Pasto novo: a hora certa do herbicida para máxima eficácia

Para o manejo de pastagem em formação (pasto novo), a aplicação de herbicida é considerada obrigatória se houver histórico de plantas daninhas na área. A estratégia correta é agir nos primeiros estágios de desenvolvimento da invasora para garantir a máxima eficácia e o menor custo:

  • Momento ideal: o produtor deve esperar a planta daninha crescer um pouco, por cerca de 30 a 40 dias após a formação do pasto.
  • Aplicação: aplique o herbicida misturado com um foliar para potencializar o desenvolvimento do capim.

Ao realizar esse controle precoce, o produtor “limpa o pasto”, permitindo que o capim estabelecido saia na frente, garantindo a eficiência produtiva da nova área.

Manejo em pastagem estabelecida (plantas velhas)

No caso de pastagem estabelecida com plantas daninhas velhas e lenhosas, o manejo é diferente e exige um trabalho de longo prazo, com planejamento de pelo menos três anos para limpar definitivamente a área:

  • Roçada estratégica: se a planta estiver grande e lenhosa, o produtor deve primeiramente roçar a área para reduzir o volume.
  • Aplicação no pico: a aplicação do herbicida deve ser feita no pico da estação das águas, idealmente lá para janeiro ou fevereiro, para matar a planta velha e eliminar o banco de sementes.

Wagner Pires reforça que a chave é não perder o momento certo para o controle. A disciplina em agir com técnica e dosagem corretas é o que garante a eliminação das daninhas e a longevidade da pastagem.



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Como começou a semana no mercado de soja? Saiba as cotações e variações de preços



O mercado brasileiro de soja iniciou a semana sem grandes novidades nesta segunda-feira (24). De acordo com o analista da consultoria Safras & Mercado, Rafael Silveira, o início de semana foi lento no mercado. Ele comenta que, no Rio Grande do Sul, parece que saíram alguns negócios mais firmes no porto, mas, no geral, a comercialização segue lenta.

Na safra nova, os reportes continuam escassos, com o produtor mantendo o foco em avançar os trabalhos no campo, especialmente agora, com o retorno das chuvas no Matopiba, que deve favorecer bons avanços percentuais.

Silveira acrescenta que a CBOT, o dólar e os prêmios oscilaram pouco, o que resultou em “um dia de poucos ajustes”. Algumas praças recuaram levemente, enquanto outras mantiveram estabilidade nas indicações.

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Preços de soja no Brasil

  • Passo Fundo (RS): manteve em R$ 136,00
  • Santa Rosa (RS): manteve em R$ 137,00
  • Cascavel (PR): manteve em R$ 135,00
  • Rondonópolis (MT): manteve em R$ 126,00
  • Dourados (MS): caiu de R$ 126,50 para R$ 126,00
  • Rio Verde (GO): manteve em R$ 126,00
  • Paranaguá (PR): caiu de R$ 142,00 para R$ 141,50
  • Rio Grande (RS): caiu de R$ 142,00 para R$ 141,00

Chicago

Os contratos futuros da soja negociados na Bolsa de Mercadorias de Chicago (CBOT) fecharam a sessão com cotações mistas. Em sessão volátil, o mercado alternou entre territórios positivo e negativo durante o dia. As posições mais próximas foram pressionadas pela cautela dos operadores diante da promessa de aquisição de 12 milhões de toneladas até o fim do ano. A ausência de volumes mais robustos e consecutivos ainda limitou uma reação mais consistente na sessão.

Contudo, as demais posições foram sustentadas por um movimento de reação após o anúncio de uma nova venda de soja norte-americana para a China. Porém, seguiu o ceticismo de que os chineses vão conseguir adquirir as 12 milhões de toneladas de oleaginosa norte-americana até o final do ano, até porque o produto sul-americano segue mais competitivo.

Exportadores privados norte-americanos reportaram ao Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) a venda de 123.000 toneladas de soja à China, a serem entregues na temporada 2025/26. Toda operação envolvendo a venda de volume igual ou superior a 100.000 toneladas do grão, feita para o mesmo destino e no mesmo dia, tem que ser reportada ao USDA.

Contratos futuros de soja

Os contratos da soja em grão com entrega em janeiro de 2026 fecharam com baixa de 1,75 centavo, ou 0,15%, a US$ 11,23 1/4 por bushel. A posição março de 2026 teve cotação de US$ 11,32 por bushel, recuo de 2,25 centavos ou 0,19%.

Nos subprodutos, a posição dezembro do farelo fechou com perda de US$ 0,9 ou 0,28%, a US$ 314,20 por tonelada. No óleo, os contratos com vencimento em dezembro fecharam a 50,18 centavos de dólar, com baixa de 0,08 centavo ou 0,15%.

Câmbio

O dólar comercial encerrou a sessão em queda de 0,12%, sendo negociado a R$ 5,3945 para venda e a R$ 5,3925 para compra. Durante o dia, a moeda norte-americana oscilou entre a mínima de R$ 5,3793 e a máxima de R$ 5,4073.



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AgroNewsPolítica & Agro

Feira agrícola abre inscrições e inicia preparação global



Na edição anterior, a feira recebeu cerca de 350 mil visitantes vindos de 150 países


Na edição anterior, a feira recebeu cerca de 350 mil visitantes vindos de 150 países
Na edição anterior, a feira recebeu cerca de 350 mil visitantes vindos de 150 países – Foto: Eima

A principal feira internacional de tecnologias para o campo avança nos preparativos para a edição que será realizada em novembro de 2026 e inicia uma nova fase de organização voltada a expositores e ao público profissional. A partir desta semana, a EIMA International abriu seu sistema online para que as indústrias interessadas confirmem presença, informem o espaço desejado e detalhem a linha de produtos que pretendem apresentar.

De acordo com a FederUnacoma, entidade italiana que promove o encontro, o registro antecipado busca ordenar a elevada demanda observada nas últimas edições, que reuniram mais de 1.800 fabricantes de 50 países. Concluída a etapa de inscrições, começa o desenho dos estandes e a distribuição das áreas internas, processo que envolve planejamento técnico e definição das estruturas que irão acolher mais de 50 mil modelos de máquinas, equipamentos e componentes destinados à agricultura e ao paisagismo. Na edição anterior, a feira recebeu cerca de 350 mil visitantes vindos de 150 países, número que reforça a necessidade de organização prévia.

A preparação inclui também uma campanha de divulgação internacional voltada à imprensa e a operadores econômicos, programada para começar em janeiro. O circuito prevê encontros e conferências em diversos continentes, reunindo representantes de cadeias agrícolas e setores industriais interessados em tecnologias capazes de elevar a produtividade sem comprometer os recursos naturais. A iniciativa busca fortalecer o diálogo global sobre inovação, promover intercâmbio entre mercados e ampliar o alcance da feira antes da abertura oficial em Bolonha.

 





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Pacto de Belém reúne 29 acordos e reforça protagonismo do agro na COP


A COP realizada em Belém, no Pará, chegou ao fim com a aprovação de 29 acordos que compõem o chamado Pacote de Belém. O jornalista João Nogueira, que acompanhou a conferência detalhou os principais avanços e os pontos que ficaram de fora do documento final, especialmente aqueles com impacto direto para o agronegócio brasileiro.

Segundo Nogueira, a conferência reuniu representantes de 195 países, além de sociedade civil e setor privado, e foi marcada por negociações intensas. Entre as propostas que não avançaram está o acordo para estabelecer um “mapa do caminho” rumo ao fim dos combustíveis fósseis.

A iniciativa, lançada pelo presidente Lula e inicialmente apoiada por cerca de 80 países, foi barrada por nações do Oriente Médio, cuja economia depende fortemente do petróleo. “Nas primeiras semanas as negociações caminhavam, a partir da segunda semana elas travaram”, explicou.

Pacote de BelémPacote de Belém
Foto: reprodução/Planeta Campo

Financiamento climático avança

Se o tema dos combustíveis fósseis não avançou, o financiamento climático ganhou protagonismo. Os países ricos concordaram em triplicar, até 2035, os recursos destinados à adaptação de nações em desenvolvimento, elevando o montante para US$ 120 bilhões. Segundo Nogueira, esse foi “o grande destaque”.

Outro avanço relevante foi o lançamento do Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF), uma iniciativa brasileira que se diferencia por oferecer retorno financeiro aos investidores, além de proteger biomas. Até agora, US$ 6,7 bilhões já foram captados, com foco prioritário na conservação da Amazônia.

Outras iniciativas aprovadas

Também foi aprovado o Acelerador Global de Implementação, uma ação voluntária que reúne países interessados em acelerar a execução de acordos firmados em COPs anteriores.

No eixo agrícola, ganhou força a iniciativa Raiz, voltada ao uso e recuperação de pastagens degradadas. O Brasil, que tem vasta extensão dessas áreas, recebeu apoio da ONU. Segundo o ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, a Organização das Nações Unidas (ONU) “está muito feliz” com o projeto e deve ajudar a promovê-lo internacionalmente.

Agro ganha protagonismo na COP

Esta edição da conferência marcou a primeira vez em que o agronegócio teve um espaço dedicado, a Agrizone, criada pela Embrapa. Além disso, a Blue Zone, área oficial de negociações, dedicou dois dias inteiros para discussões sobre agricultura e produção rural.

A diretora de políticas públicas e relações governamentais da The Nature Conservancy (TNC), Karen Oliveira, destacou que o início da presidência brasileira da COP, que seguirá até 2031, trouxe foco em soluções efetivas já desenvolvidas por diferentes setores.

“O setor da agricultura deu um show. O eixo de agricultura e o de florestas mostraram resultados muito efetivos”, afirmou.

Na Blue Zone, foram anunciadas medidas com impacto direto ao produtor, como o Eco Invest, o programa de rastreabilidade do Pará e novas linhas de investimento do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para fortalecer o Plano Safra.

“A agricultura tem papel fundamental na redução das emissões e na manutenção deste equilíbrio climática”, reforçou Karen.

Próximos passos

Com o fechamento das negociações e a consolidação do Pacto de Belém, o próximo passo será acompanhar a implementação das ações ao longo do ano de presidência brasileira.



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Acordo com a China deve aliviar perdas de sojicultores americanos



A secretária de Agricultura dos EUA, Brooke Rollins, informou que o governo Trump deve anunciar, em até duas semanas, um pacote de ajuda aos produtores e um acordo para novas compras de soja pela China.

Os agricultores americanos enfrentaram perdas bilionárias neste ano devido à queda das vendas para a China, que aumentou suas compras no Brasil e na Argentina. Segundo dados de Washington, em outubro, os chineses prometeram adquirir 12 milhões de toneladas até janeiro e, na semana passada, compraram 1,6 milhão de toneladas em apenas três dias.

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Rollins afirmou que as negociações estão avançadas e que espera que a China cumpra os compromissos assumidos. Apesar disso, mesmo que os pedidos sejam formalizados agora, os embarques só devem ocorrer no início de 2026.

O presidente Trump anunciou em rede social que teria fechado um “acordo importante” com o presidente Xi Jinping sobre soja e outros produtos agrícolas.

As informações são da consultoria Safras & Mercado.



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Brasil deve perder US$ 3 bilhões em 12 meses por conta do tarifaço dos EUA



O Brasil conseguiu reverter na última quinta-feira (20) o tarifaço de 40% cobrado pelos Estados Unidos à grande parte dos produtos que exporta, como café não torrado, carnes bovinas, frutas, minério de ferro e petróleo bruto.

Contudo, por conta dos três meses e 20 dias em que a cobrança vigorou, o país tende a reduzir seus embarques ao mercado norte-ameircano nos próximos 12 meses em US$ 3 bilhões, algo que aumentaria o déficit comercial com a nação da América do Norte. É o que aponta um estudo encomendado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) à BMJ Consultoria.

De acordo com o sócio-fundador da BMJ, Welber Barral, o impacto financeiro ao Brasil não diz respeito apenas aos efeitos diretos, mas também aos indiretos, como as tarifas menores cobradas de exportadores concorrentes, como no caso da carne bovina argentina.

“Além disso, você tem mais um impacto negativo: uma boa parte do comércio bilateral entre Brasil e Estados Unidos é o comércio intrafirma, ou seja, são subsidiárias de empresas americanas que expotam para elas mesmas ou subsidiárias de empresas brasileiras que expotam para elas mesmas nos Estados Unidos”, detalha.

Segundo Barral, no setor agrícola, um dos setores mais afetados é o do café solúvel. “O café solúvel brasileiro é um dos mais competitivos do mundo, mas os Estados Unidos só retiraram a alíquota de 40% do café verde e do torrado. O café solúvel tem alto valor agregado. Ele paga mais no Brasil ao produtor brasileiro porque ele agrega muito valor e 30% do que é exportado vai para os Estados Unidos”, contextualiza.



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Dezembro chega com chuva? Previsão do tempo indica alívio para parte do país; saiba onde



A previsão do tempo para as principais regiões produtoras de soja do país aponta um cenário de melhora na umidade do solo, especialmente no Matopiba. Os mapas meteorológicos mostram boas condições hídricas na Bahia, Tocantins, centro-sul do Maranhão e avançando também para o Piauí.

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Apesar de algumas irregularidades na faixa de divisa entre Mato Grosso, Goiás e Mato Grosso do Sul, o Centro-Sul do país mantém níveis satisfatórios de umidade para o avanço da safra.

Próximos cinco dias

Nos próximos cinco dias, o centro-sul deve registrar tempo mais firme, condição que favorece o trabalho em campo, principalmente no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina, onde produtores aceleram as operações após semanas de instabilidade. Enquanto isso, a chuva deve se concentrar no Tocantins, Bahia, norte de Minas, norte de Mato Grosso e Goiás, com acumulados superiores a 50 milímetros no período.

Como fica o começo de dezembro?

Com a virada do mês e os primeiros dias de dezembro, a instabilidade volta a se espalhar pelo país. A previsão indica o retorno das chuvas para o Paraná, Mato Grosso do Sul e áreas do sul de Mato Grosso, novamente com acumulados acima de 50 milímetros. Esse avanço é importante para regularizar a safra e reduzir áreas de preocupação hídrica.

Entre 5 e 9 de dezembro, o Centro-Sul deve passar por nova janela de tempo mais seco. Mesmo assim, a umidade do solo deve permanecer adequada no Sul, em São Paulo e em Mato Grosso do Sul, com exceção do extremo norte deste último.

Matopiba

Para o Matopiba, a notícia é ainda mais positiva, com previsão de acumulados que podem superar os 100 milímetros no período. Isso aponta alívio especialmente para produtores do centro-norte do Piauí e centro-leste do Maranhão, regiões que enfrentaram irregularidades de chuva nas últimas semanas.

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Enmcoop promete experiências inéditas para as mulheres do agro em dezembro


A diversidade da mulher brasileira e a riqueza do agro mostradas de variadas formas. Brasilidade, regionalidade e multiculturalismo estarão no centro do 6ª Encontro Nacional das Mulheres Cooperativistas (Enmcoop), que acontece nos dias 2 e 3 de dezembro, no White Pavilion, que é o Centro de Convenções do parque aquático Wet’n Wild, em Itupeva (SP).

Além de todo conteúdo técnico que o evento sempre traz, a programação deste ano será uma vitrine da pluralidade do agronegócio, com um espaço diferenciado dedicado à mostrar as produções do agro, as culturas e as tradições de todas as regiões brasileiras, em parceria com a Faesp, a Federação de Agricultura e Pecuária de São Paulo. O evento reunirá mulheres de diferentes regiões do país que, além de produzirem e tomarem decisões dentro da porteira, carregam tradições que traduzem a cultura brasileira, desde manifestações artísticas presentes nas músicas até saberes transmitidos pelo campo de geração em geração, como na literatura.

O 6º Encoop também abrirá as portas para as culturas e tradições que os colonizadores europeus trouxeram para o Brasil quando chegaram em nossas terras, como os holandeses, alemães e italianos, cujas raízes permanecem muito fortes em vários estados brasileiros, em especial Rio Grande do Sul, São Paulo, Santa Catarina e Paraná. O evento terá apresentações culturais e várias surpresas para as mais de mil mulheres que devem participar desta edição.

Para Graziela Gonçalves, diretora-executiva do Grupo Conecta e responsável pela abertura oficial, o evento é uma oportunidade de traduzir a grandeza do papel feminino no agro. “Valorizar a mulher é olhar para todos os aspectos que ela representa: desde a produção dentro do campo e a tomada de decisão até a cultura que ela carrega e traduz no dia a dia. O Enmcoop é também um espaço para que essas histórias sejam compartilhadas entre elas, criando um abraço coletivo que mostra a diversidade cultural e a dimensão do nosso Brasil.”

Com o tema “A força das mulheres nas cooperativas: conectando realidades e potencializando resultados”, o encontro vai ampliar os debates sobre liderança, finanças sustentáveis, inovação tecnológica, saúde mental, sucessão familiar e desenvolvimento pessoal. Entre as palestrantes confirmadas estão Leandra Miglioranza (comitê Elas pelo Coop), Juliana Farah (Semeadoras do Agro – Faesp), a jornalista Mônica Salgado, a consultora Mariely Biff, e a empresária Daniella Marques, CEO da Legend e ex-presidente da Caixa Econômica Federal.

O encontro também receberá a neurocientista e psicanalista Andrea Vermont, com o tema “Quem cuida de quem cuida?”, e contará com palestras da psicóloga e especialista em desenvolvimento humano Alessandra Mattar e da jornalista especializada em comportamento feminino Mara Ferraz.

Para a palestrante Luciana Martins, diretora-executiva do Grupo Conecta, o evento é transformador. “Nesses seis anos de execução do Encontro Nacional de Mulheres Cooperativistas pude ver de perto as transformações profundas na vida de tantas mulheres do agro. Mulheres que criaram novos empreendimentos, que inovaram dentro de suas propriedades, que industrializaram e deram novos rumos à sua trajetória. O encontro é esse espaço de despertar: ele mostra a cada mulher o quanto ela pode, o quanto é capaz. Nosso propósito é cuidar desse tripé essencial: espiritualidade, autoconhecimento e profissionalização que conecta, fortalece e prepara para novos níveis. E por onde passo no Brasil, ouço sempre: ‘O Enmcoop transformou a minha vida’. Essa é a nossa missão: revelar dons, gerar abundância e mostrar que a mulher do campo tem um poder único de transformar realidades”, diz.

De acordo com o Anuário do Cooperativismo Brasileiro 2025 (Sistema OCB), as cooperativas agropecuárias movimentaram R$ 438,3 bilhões em 2024, alta de 3,6% sobre o ano anterior. A distribuição de sobras aos cooperados somou R$ 30,2 bilhões, crescimento de 47%.

Atualmente, as mulheres representam 41% dos mais de 23 milhões de cooperados no país, o equivalente a cerca de 9,43 milhões de pessoas. Após edições realizadas em um navio, em 2023, e em Florianópolis, em 2024, a expectativa é de que o Enmcoop 2025 supere novamente as experiências anteriores, consolidando uma rede nacional de colaboração feminina no agro.



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Falta de coordenação interna faz Brasil perder espaço no cenário global


O Brasil atravessa uma fase em que política e economia parecem falar idiomas diferentes. De um lado, o governo acelera medidas de forte apelo social e eleitoral, do outro, o Congresso, dividido e fragmentado, transforma quase qualquer pauta em disputa ideológica. O resultado é um país sem planos, sem prioridade e sem rumo.

Esse comportamento já seria preocupante em tempos normais. Mas estamos longe de viver tempos normais.

O mundo vive uma das maiores instabilidades geopolíticas desde o fim da Guerra Fria. E o Brasil, que depende de comércio exterior, fluxo de capitais e confiança internacional, não tem o direito de brincar com essa conjuntura.

Os Estados Unidos adotam uma estratégia cada vez mais imprevisível: tarifas que sobem e descem ao sabor da política interna, ameaça de abandonar organismos multilaterais e pressão sobre parceiros para alinhamento estratégico. O Brasil, que exporta para o mercado americano e depende do cenário cambial, sente imediatamente o impacto desse comportamento errático.

Ao mesmo tempo, a China acelera seu projeto de poder: avança militarmente no entorno de Taiwan, reorganiza cadeias produtivas e amplia sua influência sobre países emergentes. Qualquer escalada no estreito de Taiwan pode provocar choques nos mercados globais, de insumos agrícolas a semicondutores.

E há ainda a guerra entre Rússia e Ucrânia, que continua a gerar volatilidade nos preços de energia, fertilizantes e alimentos, componentes que atingem diretamente o agronegócio, a inflação e a competitividade brasileira.

Em um mundo assim, um país que não garante previsibilidade política paga duas vezes: perde confiança e perde oportunidades.

Quando governo e Congresso demonstram incapacidade de coordenação, os agentes internacionais imediatamente recalculam suas apostas. Investidores recuam. Fundos precisam corrigir riscos. Crédito fica mais caro. E o câmbio se torna mais sensível, não apenas aos fatores externos, mas ao ruído político doméstico.

É assim que a política interna amplifica os riscos externos. Um país que deveria ser porto seguro acaba parecendo terreno instável.

Em um ambiente global volátil, o Brasil deveria estar fazendo sua lição de casa, disciplina fiscal, reformas, simplificação tributária, segurança jurídica. Mas o jogo político entre Executivo e Legislativo atrasa tudo.

E quando isso acontece, os setores que mais dependem de previsibilidade sofrem:

  • o agronegócio enfrenta crédito caro e margens pressionadas;
  • a indústria posterga investimentos;
  • o comércio reduz apostas;
  • e o trabalhador sente no bolso.

O mundo pede estabilidade. A política brasileira entrega turbulência.

O Brasil não precisa escolher um lado entre Estados Unidos e China, nem entrar na disputa geopolítica global. Mas precisa ter clareza sobre si mesmo. Precisa de um pacto básico de responsabilidade interna para enfrentar um ambiente externo que não dá trégua.

Esse pacto deve incluir:

  • metas fiscais realistas e cumpridas;
  • diálogo entre governo e Congresso que substitua confronto por coordenação;
  • políticas de longo prazo para competitividade;
  • previsibilidade jurídica e regulatória.

Sem isso, ficamos vulneráveis, e a vulnerabilidade é o pior ativo em um mundo de tensões e rupturas.

A geopolítica está mostrando que o mundo ficou mais perigoso, mais caro e mais imprevisível. Em tempos assim, países que têm rumo prosperam. Países que improvisam pagam caro.

O Brasil tem potencial gigantesco: energia limpa, água, alimentos, mercado interno robusto e posição estratégica. Mas tudo isso pode ser corroído por uma política que insiste em transformar disputa em método de governo, e improviso em plano.

Não se trata de defender A ou B. Trata-se de defender o óbvio: num mundo instável, um país sem disciplina política não tem futuro econômico.

Se o Brasil não reencontrar seu centro agora, pode descobrir tarde demais que a verdadeira ameaça ao crescimento não vem de fora, nasce de dentro.

Miguel DaoudMiguel Daoud

*Miguel Daoud é comentarista de Economia e Política do Canal Rural


Canal Rural não se responsabiliza pelas opiniões e conceitos emitidos nos textos desta sessão, sendo os conteúdos de inteira responsabilidade de seus autores. A empresa se reserva o direito de fazer ajustes no texto para adequação às normas de publicação.



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