sexta-feira, março 27, 2026

Agro

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alerta vermelho do crédito rural acende de vez


O Banco do Brasil anunciou uma queda de 60% no lucro no terceiro trimestre de 2025. É um tombo raro para o maior financiador do agronegócio brasileiro e, mais do que um número, um sinal grave de que algo muito maior está acontecendo no campo.

O banco registrou um lucro líquido ajustado de R$ 3,8 bilhões, bem distante do desempenho de 2024. O motivo principal está claro nos relatórios: a inadimplência disparou, especialmente na carteira de produtores rurais. A taxa de atrasos acima de 90 dias chegou a 4,93%, com algumas linhas do agro ultrapassando 5,3%, níveis inéditos na última década.

Quando o banco que mais financia o agro precisa reforçar provisões bilionárias para cobrir possíveis calotes, o recado é direto: o setor está sob forte pressão.

A combinação que levou a esse cenário é conhecida pelos produtores:

  • Juros altos sufocam o fluxo de caixa.
  • O custo dos insumos continua elevado, mesmo com o dólar mais fraco.
  • Clima extremo gerou perdas significativas em várias regiões.
  • Super safra com preços baixos apertou as margens.
  • Endividamento acumulado em estados como Rio Grande do Sul, Mato Grosso e Goiás chegou ao limite.

E tudo se agrava, porque o Brasil ainda não conseguiu estruturar um sistema de seguros rurais robusto, moderno e acessível. Sem seguro adequado, cada perda climática vira inadimplência; cada quebra de safra vira renegociação; e cada evento extremo volta como prejuízo para bancos, para o governo e para toda a cadeia produtiva.

O resultado aparece agora nas estatísticas: o maior banco agrícola do país está pagando a conta dessa tempestade perfeita.

Quando a inadimplência sobe, o banco reage como qualquer instituição financeira:
aumenta provisões, reduz o apetite por risco e encarece o crédito.

Se o produtor já estava com dificuldade para acessar financiamento, 2026 pode ser ainda mais duro se o processo de recuperação não acontecer no ritmo necessário.

O próprio BB admite que espera um “ponto de inflexão” na inadimplência apenas no início de 2026, e mesmo assim com cautela. Analistas consideram o cenário nebuloso.

Se a melhora não vier, o risco é duplo:

  • Menos crédito para custeio e investimento.
  • Mais concentração em grandes grupos e menos competitividade no campo.

Para um país que depende do agro para a balança comercial, para a geração de empregos e para a sustentação de sua economia, isso é um sinal preocupante.

A queda do lucro do Banco do Brasil não é um acidente isolado. Ela reflete:

  • Falhas na política de crédito rural.
  • Ausência de um seguro rural de amplo alcance que reduza riscos e estabilize a renda do produtor.
  • Falta de proteção estrutural contra eventos climáticos.
  • Juros que travam investimentos.
  • E uma economia que não tem dado fôlego ao produtor.

Enquanto o discurso oficial muitas vezes pinta o campo como “privilegiado”, a realidade dos números mostra o oposto: o agro está carregando um peso que nem mesmo o maior banco público do país conseguiu suportar sem sangrar.

O tombo de 60% no lucro do Banco do Brasil é mais do que uma estatística, é um alerta.
Se o grande financiador do campo está sob pressão, imagine o pequeno produtor que tenta sobreviver numa economia travada, com crédito caro e clima imprevisível.

O agro sempre segurou o Brasil em tempos difíceis.

Agora, é o agro que está pedindo socorro, e o país não pode ignorar.

Miguel DaoudMiguel Daoud

*Miguel Daoud é comentarista de Economia e Política do Canal Rural


Canal Rural não se responsabiliza pelas opiniões e conceitos emitidos nos textos desta sessão, sendo os conteúdos de inteira responsabilidade de seus autores. A empresa se reserva o direito de fazer ajustes no texto para adequação às normas de publicação.



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Redução das tarifas dos EUA pode melhorar ‘clima’ no setor pecuário, diz Cepea



A redução das tarifas impostas pelos Estados Unidos contra os produtos do Brasil, anunciada na última sexta-feira (14), deve “melhorar o clima” do setor pecuário. A avaliação é do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea). De acordo com os pesquisadores, o recuo vem em boa hora, especialmente após as ligeiras quedas registradas no preço do boi gordo durante a semana passada.

Na prática, as alíquotas passam de 50% para 40%, representando uma queda de apenas 10% para as exportações brasileiras de carne bovina. Contudo, a redução não deve alterar o volume embarcado pelo Brasil, que já está em patamar recorde.

“Os exportadores brasileiros conseguiram diversificar as vendas. Com esse recuo dos EUA a tendência é que os embarques ganhem reforço, mas sem esquecer que as tarifas ainda continuam em 40%, o que é bastante. Veremos, a partir de hoje, como o mercado de fato vai reagir”, diz o centro de estudos.

Maior apetite dos EUA e da China

Na análise, os pesquisadores do Cepea ressaltam que a mudança de postura por parte do governo dos Estados Unidos acontece, principalmente, porque a comida na mesa do norte-americano está ficando mais cara. “Em outubro, os Estados Unidos já tinham elevado em 31% o volume de carne bovina comprada do Brasil em relação a setembro. Com isso, voltaram para a posição do segundo maior importador.”

Mesmo assim, esse mercado representou apenas 3,7% da carne brasileira exportada no mês passado. A China, por outro lado, foi responsável por comprar 53% da nossa proteína.

E a arroba do boi gordo?

Sobre os impactos na arroba do boi gordo, o Cepea afirma que a redução das tarifas pode fazer os preços retornarem a trajetória de alta observada anteriormente. Os efeitos, porém, deverão ser acompanhados dia a dia.

Os pesquisadores lembram que no acumulado da primeira quinzena de novembro, o preço médio do boi registrou queda em praças como Rondônia e Mato Grosso do Sul. Já em outras regiões, como o norte de Minas Gerais, Triângulo Mineiro e o noroeste do Paraná, as cotações apresentaram altas de quase 3% na comparação com o final de outubro. Goiás teve o maior aumento, cerca de 4%.



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Pecuária brasileira: redução de emissões pode chegar a 92% até 2050, aponta FGV



A pecuária brasileira foi destacada na COP 30 como um setor com grande potencial de mitigação de emissões no agronegócio.

Um estudo da Fundação Getúlio Vargas (FGV), em parceria com a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), aponta que a descarbonização na pecuária nacional pode chegar a até 92% por quilo de carne produzida até 2050.

Apresentado durante o encontro global sobre mudanças climáticas em Belém, o levantamento mostra que o setor tem um potencial de redução das emissões de até 87%. Quando analisadas as emissões em relação à carne gerada, o resultado é um potencial máximo de redução de 92% de dióxido de carbono equivalente por quilo de carne.

Confira:

Pecuária intensiva e eficiente

O estudo da FGV indica que a pecuária intensiva e eficiente é a chave para a sustentabilidade. A modernização do setor já demonstra uma tendência de queda nas emissões. Atingir a meta de descarbonização de 92% exige a migração da teoria para a prática, intensificando o sistema e adotando boas práticas agropecuárias.

O grande desafio da pecuária brasileira é mudar a narrativa no cenário global, mostrando que os avanços na COP são uma oportunidade de desmistificar a imagem do boi como vilão e posicionar a atividade como parte da solução climática e da segurança alimentar mundial.

Com informações de: girodoboi.canalrural.com.br.

Publicado com auxílio de inteligência artificial e revisão da Redação Canal Rural.



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Fenagro 2025 espera receber mais de 200 mil visitantes



Com expectativa de receber mais de 200 mil visitantes entre os dias 29 de novembro e 7 de dezembro, a organização da Fenagro 2025 – Feira Internacional da Agropecuária da Bahia, também espera movimentar cerca de R$ 120 milhões em negócios, entre vendas de máquinas, animais, insumos e contratos de parceria.

O evento será realizado no Parque de Exposições de Salvador, que se transformará em um grande ponto de encontro do agronegócio, com objetivo de unir tradição, inovação e tecnologia para aproximar o campo da cidade e celebrar a força da agropecuária baiana.

De acordo com o secretário da Seagri, Pablo Barrozo, o evento tem como propósito valorizar o trabalho de quem vive da terra, fomentar negócios e difundir conhecimento.

“Ao trazer para a capital um pouco das riquezas do campo e da agricultura, a feira aproxima o público urbano do mundo rural e reforça o papel do agro na economia e na cultura baiana. A Fenagro mostra o que a Bahia tem de mais forte no campo: um setor produtivo em crescimento, com inovação e sustentabilidade caminhando juntas”, destaca Barrozo.

“Teremos nove dias de intensa programação, oportunidades e troca de experiências, reafirmando o papel da feira como uma das mais importantes vitrines do agronegócio brasileiro”, complementa o secretário.

Este ano, a feira contará com 600 expositores de 12 estados, reforçando seu caráter nacional, e mais de 3 mil animais em exposição, entre bovinos, equinos, caprinos e ovinos.

Atrações

O Pavilhão do Governo reunirá mais de 40 órgãos estaduais e federais, oferecendo serviços, capacitação e atendimento ao público.

A programação técnica incluirá ainda cursos, palestras e painéis voltados para os setores da agricultura, pesca e pecuária.

Além disso, o evento conta com atrações musicais e espaços para visitação como o Museu de Anatomia Animal e o Cozinha Show, onde chefs e cozinheiros convidados transformam ingredientes da agricultura familiar em pratos típicos e inovadores, preparados ao vivo diante do público.


Você também pode participar deixando uma sugestão de pauta. Siga o Canal Rural Bahia no Instagram e nos envie uma mensagem.





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AgroNewsPolítica & Agro

Avanço científico reduz dependência de ureia



Bactérias auxiliam as culturas


Bactérias auxiliam as culturas
Bactérias auxiliam as culturas – Foto: Canva

O uso de microrganismos para transformar o Nitrogênio do ar em alimento para as plantas tornou-se peça central no avanço da agricultura tropical, segundo Alan Bueno, especialista em desenvolvimento de mercado. Embora o nutriente seja abundante na atmosfera, sua forma gasosa não é assimilada diretamente, o que exige conversão em compostos disponíveis às raízes. Algumas culturas desenvolveram, ao longo do tempo, relações específicas com bactérias capazes de realizar essa tarefa com alta eficiência.

Consultorias e centros de pesquisa destacam que, no caso das leguminosas, cepas selecionadas de bradyrhizobium passaram a ser multiplicadas e aplicadas anualmente, juntamente com práticas de manejo e nutrição que incluem o uso de cobalto. A relação é tão precisa que elimina a necessidade de fertilizante nitrogenado na soja, cuja demanda natural alcançaria cerca de 400 quilos de nitrogênio por hectare, equivalente a uma tonelada de ureia.

Em área plantada, isso representaria algo próximo de 48 milhões de toneladas de ureia e valores estimados em R$ 120 bilhões por ano, além de evitar a emissão de 230 milhões de toneladas de CO2 equivalente. A adoção de inoculantes supera 90% da área cultivada, enquanto o uso de azospirillum já ultrapassa 30%.

Pesquisas da Embrapa têm sido decisivas para essa evolução, com destaque para estudos iniciados na década de 1980 e que abriram caminho para tecnologias aplicadas hoje em soja, feijão, milho, trigo e braquiárias. Trabalhos recentes também resultaram em patentes voltadas à identificação de bactérias do gênero Bradyrhizobium, ampliando o entendimento dos mecanismos de fixação biológica e permitindo intervenções que tornaram possível um ganho antes improvável.

 





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Na casa da COP30, produção de açaí impulsiona a economia e fortalece a agricultura sustentável



Símbolo da sociobiodiversidade amazônica, o açaí representa não apenas identidade cultural, mas também uma das mais importantes fontes de renda para famílias rurais no estado do Pará, que até 21 de novembro é a casa da COP30.

A região de Tomé-Açu, no nordeste do Pará, tornou-se um dos principais laboratórios vivos de agricultura regenerativa da Amazônia. É ali que a Earthworm Foundation, organização global sem fins lucrativos com sede na Suíça e atuação em mais de 20 países, desenvolve há 16 anos uma rede de projetos voltada à transformação produtiva, social e ambiental do território.

A fundação atua em Tomé-Açu desde 2008 e tem fortalecido parcerias entre agricultores familiares, comunidades tradicionais, empresas e instituições locais. O objetivo é único: construir sistemas produtivos mais sustentáveis, inclusivos e economicamente resilientes, capazes de gerar renda ao mesmo tempo em que recuperam a floresta e os solos.

Fruticultura amazônica no centro da transformação

A diversificação das lavouras é um dos pilares da atuação da Earthworm na região. Entre as cadeias produtivas apoiadas, a do açaí ocupa posição estratégica.

Hoje, cerca de 187 famílias agricultoras apoiadas pelos projetos da fundação combinam o açaí com outras espécies em sistemas agroflorestais (SAFs), modelo que integra frutas tropicais, madeira nativa e culturas alimentares. Só esse público produz aproximadamente 200 toneladas de açaí por ano, reforçando o papel da fruta como motor econômico regional.

Outro exemplo é a Comunidade Quilombola Castelo, formada por cerca de 90 famílias. Destas, 95% vivem do extrativismo do açaí nativo, cultivado em áreas próprias de até dois hectares por família. A produção anual chega a mais de 1.300 toneladas. Além de fortalecer a economia local, o trabalho com a Earthworm envolve apoio à regularização fundiária e à elaboração do Protocolo de Consulta Livre, Prévia e Informada (CLPI), garantindo autonomia e participação da comunidade nas decisões sobre o território.

Diversificação para reduzir riscos e ampliar renda

Os sistemas agroflorestais impulsionados pela Earthworm vão além do açaí. Em várias propriedades, culturas como cacau, cupuaçu e outras frutas amazônicas criam fluxos econômicos mais estáveis, reduzindo riscos associados às oscilações de preço e aos impactos das mudanças climáticas.

A diversificação também ajuda a regenerar a fertilidade do solo, proteger nascentes e aumentar a segurança alimentar das famílias rurais. Essa combinação reforça o protagonismo da agricultura familiar e demonstra o potencial da fruticultura amazônica como vetor real de transição para uma economia regenerativa, baseada em práticas que respeitam os ciclos naturais e valorizam os saberes locais.

Agricultura regenerativa

Entre os principais aprendizados da Earthworm em Tomé-Açu está o reconhecimento de que os sistemas agroflorestais são o coração da agricultura regenerativa na Amazônia. Eles restauram áreas degradadas, aumentam a biodiversidade, sequestram carbono e, simultaneamente, elevam a renda das famílias.

Combinando técnicas ancestrais com conhecimento técnico moderno, os projetos tornam o território um ambiente de experimentação contínua, um modelo que pode ser replicado em outras regiões da Amazônia e do Brasil.

*Com informações de Eric Batista, engenheiro agrônomo e gerente de Projetos da Earthworm Foundation



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Porto Nacional (TO) receberá evento que dá início à colheita de soja no Brasil; saiba mais



O estado de Tocantins será o anfitrião da Abertura Nacional da Colheita da Soja 25/26, promovida pela Aprosoja Brasil e pela Aprosoja Tocantins. O evento será realizado no dia 30 de janeiro, na Fazenda Alto da Serra, do Grupo Wink, em Porto Nacional (TO). Com início às 8h e transmissão ao vivo a partir das 9h, você pode acompanhar tudo pela tela do Canal Rural e Youtube!
Fique por dentro das novidades e notícias recentes sobre a soja! Participe da nossa comunidade através do link! 🌱

Com o tema “Onde a soja cresce, a transformação acontece”, a cerimônia marca o início oficial da colheita da principal cultura agrícola do país e reforça o papel estratégico do Tocantins como uma das regiões mais promissoras para o crescimento da produção nacional de grãos.

Para a presidente da Aprosoja Tocantins, Caroline Barcellos, o evento representa um marco para o estado e para o setor produtivo. ”O estado Tocantins é hoje um exemplo de produtividade, sustentabilidade e integração entre campo e cidade”, comenta.

Para a presidente, receber a abertura nacional da colheita é reconhecer o trabalho de cada produtor que impulsiona o desenvolvimento do país e reafirmar o potencial do nosso estado como protagonista do agro brasileiro.

O presidente da Aprosoja Brasil, Maurício Buffon, afirma que a escolha do Tocantins reflete a força da nova fronteira agrícola nacional. ”A cada safra, o Tocantins consolida sua importância na produção de soja e milho, com tecnologia, gestão e sustentabilidade. Este evento é uma celebração ao esforço do produtor brasileiro e uma oportunidade de mostrar ao Brasil e ao mundo a força do nosso agro”, afirmou.

A Abertura Nacional da Colheita da Soja 2026 conta com o patrocínio de Intacta 2 Xtend, Ihara e ProFarm; consultoria da Climatempo e Safras & Mercado; e coordenação técnica da Embrapa. A realização local é da Aprosoja Tocantins, com apoio do Grupo Wink, anfitrião do evento.



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IBC-Br: Prévia do PIB recua 0,2% em setembro



A atividade econômica brasileira recuou em setembro, segundo o Banco Central. O Índice de Atividade Econômica (IBC-Br) registrou queda de 0,2% frente ao mês anterior, já considerando os ajustes sazonais. No terceiro trimestre, o indicador acumulou baixa de 0,9%.

Apesar do resultado negativo no mês, o desempenho segue positivo na comparação anual. Em relação a setembro do ano passado, o índice avançou 4,9%, sem ajuste, por comparar períodos equivalentes. No acumulado de 2025, o crescimento chega a 14,2%, e, em doze meses, a alta é de 13,5%.

Papel do indicador e impacto da Selic

O IBC-Br é utilizado pelo BC como referência para analisar o ritmo da economia. O índice considera informações da indústria, comércio, serviços e agropecuária, além do volume de impostos. O resultado também auxilia o Comitê de Política Monetária (Copom) nas decisões sobre a taxa básica de juros.

A Selic está fixada em 15%, mesmo patamar mantido nas últimas três reuniões. A taxa é o principal instrumento para controlar a inflação. Juros mais altos tendem a restringir o crédito e moderar o consumo, reduzindo pressões de preços, mas também limitam a expansão das atividades produtivas. Quando a Selic cai, o crédito costuma ficar mais acessível, estimulando consumo e investimento.

O BC informou que ainda vê incertezas no cenário internacional, especialmente por causa da política econômica dos Estados Unidos. No diagnóstico da autarquia, a inflação brasileira permanece acima da meta, mesmo com a desaceleração da atividade. O quadro indica que os juros devem permanecer elevados por mais tempo e, se necessário, podem voltar a subir.

Inflação desacelera, mas segue acima da meta

A inflação medida pelo IPCA encerrou outubro em 0,09%, influenciada pela queda no custo da energia elétrica. É o menor resultado para o mês desde 1998. Em doze meses, o índice acumula 4,68%, abaixo de cinco por cento após oito meses, mas ainda acima do teto da meta, de 4,5%.

A combinação entre inflação mais baixa e ritmo econômico menor contribuiu para a manutenção da Selic neste início de mês. Segundo o Copom, novos ajustes podem ocorrer caso a dinâmica dos preços volte a pressionar.

IBC-Br e PIB: indicadores distintos

O IBC-Br tem metodologia diferente do Produto Interno Bruto (PIB), medido pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O BC ressalta que o índice não funciona como prévia do PIB, embora ajude na formulação da política monetária.

No segundo trimestre, o PIB cresceu 0,4%, impulsionado pelos setores de serviços e indústria. Em 2024, a economia brasileira acumulou avanço de 3,4%, o quarto ano consecutivo de crescimento.



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Plantio de soja em MT chega a 96,36% da área, aponta Imea



O plantio da safra 2025/26 de soja em Mato Grosso alcançou 96,36% da área até a última sexta-feira (14), conforme dados do Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea). O número representa um avanço de 10,68 pontos percentuais na semana.

Segundo o instituto, o ritmo está 2,62 pontos abaixo do registrado no mesmo período da temporada passada (98,98%) e ligeiramente inferior à média dos últimos cinco anos para a data, de 97,01%.

O médio-norte do estado concluiu 100% da semeadura, seguido pelo centro-sul, com 98,42%. No norte, o índice é de 99,62%, enquanto o noroeste soma 99,90% e o oeste, 95,35%. Os menores avanços são observados no sudeste, com 91,96%, e no nordeste, com 92,41%.



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Comitiva do setor do tabaco está na Suíça para acompanhar a COP11



Representantes da cadeia produtiva do tabaco estão na Suíça para acompanhar a 11ª Conferência das Partes (COP 11) da Convenção-Quadro para o Controle do Tabaco. O encontro ocorre entre 17 e 22 de novembro, em Genebra.

O grupo inclui parlamentares, autoridades municipais da região Sul e entidades ligadas ao setor. Mesmo sem acesso às sessões oficiais, os participantes afirmam que estarão presentes para monitorar as posições da delegação brasileira e defender a continuidade da produção de tabaco no país.

Motivos da viagem e críticas à falta de acesso

Segundo os representantes do setor, o objetivo é assegurar que a delegação oficial cumpra a declaração interpretativa firmada pelo Brasil ao aderir à Convenção-Quadro. O compromisso prevê que medidas de controle não inviabilizem a atividade produtiva já estabelecida.

Valmor Thesing, presidente do Sindicato da Indústria do Tabaco (SindiTabaco), afirma que o grupo representa trabalhadores rurais e empregados da indústria ligados à cadeia do tabaco. Ele destaca o impacto econômico da atividade e diz que a participação da comitiva ocorre nos “bastidores”, já que, assim como em outras edições, entidades e imprensa não terão acesso aos debates.

Thesing também critica a ausência de diálogo nas reuniões da CQCT e afirma que decisões tomadas sem participação do setor podem repercutir na renda e no emprego relacionados ao tabaco no Brasil.

Indicadores da produção no país

A produção de tabaco no Brasil tem concentração na região Sul, que reúne a maior parte dos municípios e produtores ligados ao segmento. Na safra 2024/25, segundo a Associação dos Fumicultores do Brasil (Afubra), mais de 138 mil famílias participaram da atividade nos três estados da região. A colheita atingiu cerca de 720 mil toneladas, movimentando recursos nos 525 municípios produtores.

O setor reúne milhares de empregos diretos e indiretos, além de gerar receita e exportações. Os dados apresentados pelas entidades do segmento apontam participação relevante na economia regional e no apoio às comunidades rurais envolvidas no cultivo.



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