sábado, março 28, 2026

Agro

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como os Schommer construíram uma suinocultura premiada



Há quase três décadas, a Família Schommer escreve sua história na suinocultura em Salvador do Sul (RS) — e cresce junto com a comunidade. O trabalho começou pequeno, com 200 matrizes, e hoje soma 5.000 entre as unidades do grupo. A casa fica ao lado da lida, a rotina é de família unida e o resultado aparece em desempenho, qualidade e prêmios.

Nascido e criado na região, Marco Schommer passou a infância na pequena propriedade dos pais, entre leite, hortaliças e poucos suínos. A virada veio após um estágio na Alemanha, que mostrou processos, foco e escala. De volta ao Brasil, uma intempérie nas estufas abriu espaço para uma proposta de integração na suinocultura.

Em 1998, Marco iniciou uma unidade de produção de leitões (UPL) com 260 matrizes; a boa resposta levou à expansão contínua.

Hoje o grupo opera três núcleos: uma UPL em São José do Sul (1.200 matrizes), outra em Pouso Novo (2.400) e a base em Salvador do Sul. A família também mantém avicultura de corte. O crescimento veio com gestão e divisão de responsabilidades: “Trabalho perto de casa, escala bem planejada e gente certa no lugar certo”.

Entre 37 e 38 colaboradores integram o time. Em cada granja há um responsável: em Salvador do Sul, a Magali lidera 11 funcionários; em Pouso Novo, a gestão fica com Rosa e Sérgio; nos frangos, dois casais integrados tocam a operação. A rotina começa cedo, com checagem de lotes, treinamento e metas simples, porém constantes: cuidar bem do animal, padronizar processos e não perder o detalhe.
A união familiar é o ponto mais visível — e decisivo — para atravessar crises de preço, mão de obra e ciclos de mercado. “Gostar do que faz, insistir no certo e aprender com cada desafio” virou método. O resultado é tempo otimizado, mais presença com as filhas e constância produtiva.

A granja atravessou a linha do tempo da suinocultura: da monta natural à inseminação intrauterina, de galpões rústicos à climatização completa, com ambiência, automação, alarmes e sensores. O salto técnico elevou bem-estar e desempenho: se antes 10 leitões/fêmea era excepcional, hoje a meta é ≈15 por parto e ≈35 leitões/fêmea/ano.
Os indicadores acompanham a modernização, e a família coleciona premiações: Granja Schommer 1, Schomer 2 e o núcleo de Pouso Novo já foram reconhecidos mais de uma vez — reflexo de processo, manejo e disciplina.

A integração viabiliza escala e suporte técnico diário (técnicos e veterinários à disposição), reduzem riscos e sustentam a expansão. Para os Schomer, a parceria ofereceu previsibilidade para investir, alojar e escoar — e a contrapartida é sanidade, bem-estar e performance.
O plano agora é seguir modernizando estruturas, adequar bem-estar e manter o foco em gente e gestão. Na sucessão, o desejo é que as filhas tenham liberdade para escolher — com a certeza de que há um negócio sólido, profissional e sustentável esperando por elas.

Mensagem aos jovens do campo
“Tem espaço para quem se profissionaliza”, diz Marco. A receita é direta: conhecer a lida de perto, estudar, padronizar rotinas, respeitar o checklist e cuidar do animal todos os dias. O campo devolve em qualidade de vida, renda e propósito — especialmente para quem encara a suinocultura com simplicidade, técnica e coração.

*Sob supervisão de Luis Roberto Toledo


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Frente fria traz dia crítico, com chuva de 100 mm, ventania e risco de danos



O avanço de uma frente fria pelo litoral do Rio Grande do Sul, combinado ao centro de um ciclone extratropical em alto-mar e ao fluxo de ar quente e úmido vindo da Amazônia, deve trazer um domingo (16) de instabilidade intensa para parte do país. Segundo a Climatempo, esses sistemas interagem com um cavado atmosférico no oeste da Região Sul e favorecem a formação de nuvens carregadas, tempestades e rajadas fortes de vento.

Você quer entender como usar o clima a seu favor? Preparamos um e-book exclusivo para ajudar produtores rurais a se antecipar às mudanças do tempo e planejar melhor suas ações. Com base em previsões meteorológicas confiáveis, ele oferece orientações práticas para proteger sua lavoura e otimizar seus resultados.

A meteorologia aponta que há risco de chuva forte ao longo do dia, com acumulados que podem chegar a 100 milímetros, especialmente no Sul. As rajadas de vento também chamam atenção: podem variar entre 70 e 90 km/h, com picos acima desse limite no oeste do Paraná e no sul de Mato Grosso do Sul.

O cenário ainda inclui descargas elétricas frequentes e possibilidade de granizo isolado.

Regiões mais afetadas

De acordo com a Climatempo, os maiores riscos se concentram nos três estados do Sul — Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná —, principalmente em áreas do interior e zonas de transição entre o ar quente e o ar mais frio. No Centro-Oeste, o alerta se estende ao sul de Mato Grosso do Sul.

A Climatempo enfatiza que as condições podem mudar rapidamente, com períodos curtos de tempo firme intercalados por pancadas intensas.

Evento diferente do registrado no dia 7/11

Apesar do alerta para chuva forte e ventania, a Climatempo destaca que o cenário meteorológico não é o mesmo do dia 7 de novembro, quando tornados intensos atingiram o Paraná. O ciclone atual permanece distante da costa, reduzindo a organização de bandas convectivas muito severas sobre o continente.

Assim, o potencial para tornados é menor, embora se mantenha o risco de danos estruturais, enxurradas e quedas de árvores.

Riscos e impactos esperados

Os principais transtornos previstos incluem:

  • Destelhamentos e danos a estruturas frágeis
  • Quedas de árvores e postes
  • Alagamentos, enxurradas e transbordamentos de rios
  • Interrupções no fornecimento de energia

Recomendações de segurança

A Climatempo reforça orientações práticas para minimizar riscos:

  • Antes da chuva: fixe ou guarde objetos soltos e confira calhas e ralos.
  • Durante as tempestades: procure abrigo seguro, evite árvores e estruturas metálicas e desligue aparelhos eletrônicos.
  • No trânsito: não atravesse áreas alagadas.
  • Após o evento: fique atento a rachaduras em muros e encostas e acione a Defesa Civil em caso de risco.

Mesmo com diferenças em relação ao evento severo de 7/11, os impactos podem se prolongar até segunda-feira (17), com potencial para novos alagamentos e transtornos diversos.



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AgroNewsPolítica & Agro

La Niña deve mexer com oferta agrícola, aponta análise


A previsão de um ciclo de La Niña entre outubro de 2025 e fevereiro de 2026 deve alterar padrões climáticos em várias regiões produtoras, com impactos diretos sobre oferta, produtividade e fluxo de exportação de diversas commodities agrícolas. Consultorias avaliam que o fenômeno tende a se manter ativo ao longo do verão no Hemisfério Sul, elevando a atenção do mercado.

Segundo análises da Hedgepoint, o efeito pode ser amplo e variar conforme a intensidade. Para soja e milho, há risco de chuvas abaixo da média no sul da América do Sul, enquanto o centro-norte brasileiro deve registrar condições mais favoráveis. Há relatos de perdas expressivas em ciclos anteriores, apontadas em contexto de declarações técnicas.

“Nossas análises mostram que há riscos e oportunidades importantes para produtores e exportadores. Especialmente para commodities como soja, milho, trigo, óleo de palma, cacau, açúcar e café, há pontos que precisam ser monitorados com mais atenção ao longo dos meses”, alerta Thais Italiani, Gerente de Inteligência de Mercado da Hedgepoint.

No açúcar, a projeção indica possíveis desafios ao desenvolvimento da safra 26/27 no Brasil e interrupções de moagem no Sudeste Asiático, caso o fenômeno ganhe força. No café, o cenário é misto: o Brasil pode ser beneficiado, enquanto Vietnã, Colômbia e países da América Central enfrentam risco de excesso de chuvas.

O cacau tende a responder de forma desigual, com melhora das condições na África Ocidental e possibilidade de perdas no Equador por redução das chuvas. Para o trigo, o alerta recai sobre a combinação de menor umidade e temperaturas mais altas no Hemisfério Norte, que pode afetar o início das lavouras de inverno. Já no óleo de palma, o principal entrave previsto é logístico, com inundações dificultando o transporte em países do Sudeste Asiático.

 





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primeira quinzena de novembro é marcada por forte turbulência no mercado


Os fundamentos presentes no mercado do boi gordo sinalizavam para um último bimestre pautado por elevação dos preços. A oferta apresenta sinais de encolhimento, da mesma maneira que a demanda doméstica entra em seu período de maior aquecimento. Exportações em ritmo acelerado são uma constante em 2025, principalmente no segundo semestre, com a China absorvendo quantidades históricas de carne bovina.

No decorrer do mês, começaram os rumores presença de fluazuron acima do permitido em lotes de carne bovina exportadas para a China, felizmente este boato foi rapidamente descartado pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), em uma brilhante entrevista conduzida pelo Canal Rural. No entanto, esse simples rumor foi o bastante para desequilibrar a B3, que passou a operar abaixo do nível de preço do mercado físico em São Paulo.

Outro ponto de atenção está no resultado das investigações conduzidas pela China em torno do impacto das importações de carne bovina na produção local, com anúncio previsto para o mês de novembro, com data limite no próximo dia 26. Essa decisão será impactante para o mercado do boi gordo, dada a importância da China, que no momento absorve 47% de todo o volume embarcado pelo país.

O apetite de compra da China, que em julho, agosto, setembro e outubro importou volumes muito acima da normalidade é interpretado por algumas empresas chinesas como uma antecipação das compras já visando uma eventual salvaguarda.

Esse ambiente deixou o mercado do boi gordo apreensivo. A simples possibilidade de uma eventual restrição às compras de carne bovina do Brasil por parte da China foi o suficiente para que os contratos futuros do boi gordo na B3 derretessem na primeira semana do mês, ainda operando no território negativo durante a segunda semana do mês. Enquanto não houver um posicionamento oficial por parte do governo chinês o quadro geral será de apreensão.

O mercado futuro do boi gordo no decorrer desta década possui essa característica: os rumores são precificados com grande agressividade, tanto para a alta, quanto para a baixa. O atual ambiente indica claramente a necessidade de adotar no dia a dia ferramentas que sejam condizentes com as boas práticas de gestão de risco. Estabelecer a cultura do hedge (proteção) é essencial para conseguir resultados sólidos e garantir longevidade dentro de uma atividade que é cada vez mais desafiadora.

No último dia 7, o mercado conviveu com mais notícias em relação a China; no entanto, essa é uma informação positiva. Após um longo período, a China reestabeleceu a compra de produtos avícolas brasileiros, a suspensão era consequência do foco de influenza aviária de alta patogenicidade ocorrido no município de Montenegro em meados de maio.

Para finalizar, nos Estados Unidos, o presidente norte- americano Donald Trump anunciou em suas redes sociais que vai iniciar uma investigação sobre as empresas frigoríficas, apontando para a formação de conluio e que os preços da carne bovina têm subido de maneira artificial. Vale destacar que o ambiente delimitado para a bovinocultura de corte nos Estados Unidos é altamente complexo, com o rebanho de bovinos na menor posição desde os anos 1970.

Diante dessas dificuldades, a arroba do boi gordo nos Estados Unidos apresenta altas contundentes ao longo deste ano, com um preço de US$ 120. A título de comparação a arroba do boi gordo no Brasil custa em média US$ 60. Após o tarifaço, o quadro se tornou ainda mais complicado, o Brasil segue como alternativa mais interessante para o fornecimento dessa proteína.

Após acenos entre Brasil e Estados Unidos é possível que um acordo entre os países seja costurado, reestabelecendo a exportação brasileiro com destino ao mercado norte- americano.

O cenário para o mercado da carne bovina é bastante conturbado neste último bimestre. Os pontos principais a serem analisados passam exatamente pela exportação de carne bovina. O fato é que o Brasil ocupa uma posição privilegiada. Mesmo com tamanha instabilidade, o avanço da exportação alterou completamente a estrutura da pecuária de corte nacional, oferecendo um dinamismo inédito para este mercado que historicamente conviveu com menor volatilidade.

Reciclagem animal: preços do sebo bovino encerram semana em leve queda

Os preços do sebo bovino apresentam algum recuo no decorrer da primeira semana de novembro. É importante mencionar que os preços do óleo de soja são uma variável importante para justificar esse comportamento, com maior disponibilidade de produto do que o previsto inicialmente pelo mercado.

A grande variável no final deste ano também está nas exportações, considerando o grande volume de sebo bovino que foi embarcado de janeiro a agosto, com o tarifaço fechando a janela de exportação. Os números evidenciados em setembro são menos representativos.

Caso um acordo entre Brasil e Estados Unidos seja alcançado a expectativa é de um ritmo mais intenso de embarques, o que pode alterar a dinâmica de mercado no restante de 2025. Oferecendo uma mudança de viés para os preços do sebo bovino, desencaixando esse produto de sua tradicional correlação com o óleo de soja.

*Fernando Henrique Iglesias é coordenador do departamento de Análise de Safras & Mercado, com especialidade no setor de carnes (boi, frango e suíno)


Canal Rural não se responsabiliza pelas opiniões e conceitos emitidos nos textos desta sessão, sendo os conteúdos de inteira responsabilidade de seus autores. A empresa se reserva o direito de fazer ajustes no texto para adequação às normas de publicação.



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Conheça a ayam cemani, galinha toda preta que pode valer até R$ 30 mil


Imagine uma galinha inteiramente preta: plumagem, pele, crista, bico, órgãos internos e até os ossos! Essa é a particularidade da ayam cemani, raça originária da Indonésia, que conquista atenção e altos valores no Brasil.

Provenientes das ilhas de Java e Sumatra, os galos adultos dessa raça pesam de 2 a 2,5 kg, enquanto as fêmeas variam de 1,5 a 2 kg.

A ayam cenami apresenta essa coloração única graças a uma mutação genética chamada de fibromelanose. Essa condição causa uma hiperpigmentação, ou seja, produção de melanina em excesso, em praticamente todos os tecidos da ave.

Valor de mercado no Brasil

Os preços dos exemplares dessa raça variam muito conforme linhagem, pureza e genética da ave. Mas há registros de comercialização de uma ayam cenami adulta por até R$ 30 mil.

Dando uma busca em sites da internet que vendem ovos férteis da raça no Brasil, é possível encontrar preços que variam de cerca de R$ 30 a mais de R$ 100 a unidade.

Foto: Pixabay

Além da aparência singular, a ayam cemani carrega uma aura de exclusividade e exotismo que a torna mais que uma simples ave. O valor elevado a transforma em objeto de desejo para colecionadores ou pessoas que buscam algo fora do convencional.

*Com informações do site Interligados.

Foto: Pixabay



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Trump corta tarifas, mas continua prejudicando o Brasil


Quando um país reduz tarifas de importação em meio a uma inflação teimosa, o gesto costuma ser interpretado como pragmatismo econômico. Nos Estados Unidos, porém, a decisão recente do governo Trump de cortar em 10 pontos percentuais as tarifas de uma série de produtos alimentícios e commodities agropecuárias virou um ato político, ainda que disfarçado de alívio ao consumidor.

O objetivo declarado é reduzir a pressão de preços sobre a cesta americana, que ameaça ainda mais a baixa  popularidade do presidente. Só que, na lista de beneficiados, um detalhe salta aos olhos: o Brasil ficou prejudicado. Seguimos com tarifas de 40% mais as adicionais já existentes, exceto em um único produto, suco de laranja, que teve a alíquota zerada. É pouco. E é seletivo.

A mensagem implícita dessa escolha é ruidosa demais para passar despercebida. Se o corte busca diversificar fornecedores, estimular concorrência e baratear alimentos no mercado americano, excluir justamente um dos maiores exportadores agrícolas do mundo não faz nenhum sentido econômico. Faz, sim, sentido ideológico.

O Brasil segue pagando um preço que não está relacionado à qualidade ou à competitividade dos seus produtos. A punição é política, consequência de divergências acumuladas e de uma visão distorcida, em Washington, sobre o papel geopolítico brasileiro. Para nossos concorrentes diretos, a redução das tarifas é um presente imediato: ganham acesso mais barato ao maior mercado consumidor do mundo. Para nós, fica o recado de que afinidade diplomática pesa mais que eficiência comercial.

É preciso nomear o que está acontecendo: trata-se de uma medida que distorce o jogo. Em vez de neutralidade tarifária, vemos favoritismo. Em vez de pragmatismo, ressentimento estratégico. Os EUA continuam usando sua política comercial como extensão de sua política externa, algo que o Brasil conhece bem, mas que não deveria aceitar sem resposta.

Num momento em que cadeias globais buscam segurança e previsibilidade, ver a maior potência do mundo usar tarifas como instrumento ideológico enfraquece todo o sistema. Ao final, o consumidor americano não ganha eficiência real, só troca um fornecedor competitivo por outro menos competitivo, mas politicamente conveniente.

O Brasil precisa reagir, mas de forma inteligente. Não se trata de inflamar discursos, e sim de deixar claro aos americanos e ao mundo que decisões como essa têm custo reputacional e econômico. Nossa competitividade no agro não depende do humor da Casa Branca, mas o acesso ao mercado deles, sim, e essa relação precisa ser tratada com transparência e respeito.

Se a intenção de Washington é conter a inflação, ótimo. Mas se a estratégia é punir o Brasil enquanto beneficia nossos concorrentes, aí estamos diante de algo maior: um jogo de poder mal disfarçado. E cabe a nós expor isso, com clareza, para que o debate internacional deixe de ser guiado por conveniências políticas e volte a ser orientado por fatos, mérito e equidade.

Miguel Daoud

*Miguel Daoud é comentarista de Economia e Política do Canal Rural


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BSCA critica decisão dos EUA e cobra avanço rápido para salvar exportações de café



A Associação Brasileira de Cafés Especiais (BSCA) manifestou preocupação após a nova ordem executiva assinada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na última sexta-feira (14). A medida, que ajusta o “âmbito de aplicação da tarifa recíproca” sobre produtos agrícolas, não eliminou integralmente o tarifaço de 50% aplicado aos cafés brasileiros, especialmente aos cafés especiais exportados para o mercado norte-americano.

A decisão da Casa Branca retirou apenas a taxa recíproca de 10% sobre a importação do café nacional, mas manteve os 40% adicionais incluídos em agosto, que continuam pressionando o comércio entre os dois países. Para a BSCA, a permanência dessa tarifa elevada aumenta distorções, reduz competitividade e aprofunda os prejuízos aos produtores brasileiros.

Os impactos já aparecem nos números. De agosto a outubro, período em que o tarifaço esteve em vigor, as exportações de cafés especiais para os EUA caíram cerca de 55%. Os embarques passaram de 412 mil sacas de 60 kg no ano passado para apenas 190 mil sacas neste ano. Os Estados Unidos são o principal destino desse tipo de café produzido no Brasil, o que acende um alerta para todo o setor.

Diante desse cenário, a BSCA reforça a necessidade de acelerar as negociações bilaterais entre Brasil e EUA para corrigir as distorções comerciais e restabelecer o fluxo normal das exportações “o mais rápido possível”. A entidade ressalta que o tema exige urgência, já que o prolongamento das tarifas tende a comprometer ainda mais a participação do café brasileiro — especialmente o de alta qualidade — no mercado norte-americano.



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retirada de tarifa de 10% amplia urgência para eliminar sobretaxa de 40% ao Brasil



A Confederação Nacional da Indústria (CNI) avalia que a retirada pelos Estados Unidos da tarifa recíproca de 10% para uma ampla lista de produtos agrícolas a todos os países expõe a urgência de o Brasil avançar nas negociações para eliminar a sobretaxa de 40% aplicada exclusivamente aos exportadores brasileiros.

O presidente da CNI, Ricardo Alban, calcula que o ajuste na política de tarifas norte-americanas oficializada em decreto nesta sexta-feira (14) melhora a posição de competidores internacionais, enquanto setores tradicionais do Brasil seguem enfrentando barreiras elevadas.

“Países que não enfrentam essa sobretaxa terão mais vantagens que o Brasil para vender aos americanos. É muito importante negociar o quanto antes um acordo para que o produto brasileiro volte a competir em condições melhores no principal destino das exportações industriais brasileiras”, diz Alban.

Segundo análise preliminar divulgada pela entidade, a decisão do governo dos EUA de zerar a tarifa global de 10% atinge 238 produtos agrícolas e beneficia diretamente 80 itens efetivamente exportados pelo Brasil. Em 2024, esses produtos somaram US$ 4,6 bilhões em vendas aos americanos, cerca de 11% do total exportado. No entanto, apenas três tipos de suco de laranja e a castanha-do-pará ficam completamente isentos de taxação. Os demais continuam sujeitos à cobrança dos 40%.

A CNI destaca que produtos de forte peso na pauta comercial, como café não torrado, carne bovina e cera de carnaúba, tiveram redução parcial da carga total, mas seguem submetidos à alíquota extra. “Os outros 76 produtos permanecem com os 40% específicos ao Brasil”, aponta o levantamento. Isso significa que, apesar do alívio na tarifa recíproca global, a competitividade brasileira em segmentos estratégicos continua limitada.

A decisão americana ocorre em um contexto de forte pressão doméstica sobre o governo Trump para reduzir o custo de vida nos EUA. O decreto publicado pela Casa Branca, com efeito retroativo a 13 de novembro, zera tarifas sobre carne bovina, banana, café, tomate, frutas tropicais e outros itens agrícolas, devido ao caráter global da medida.

O governo brasileiro tem buscado reverter a sobretaxa de 40% por meio de negociações diplomáticas bilaterais. Na quinta-feira, 13, o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, reuniu-se em Washington com o secretário de Estado americano, Marco Rubio, para tratar do tema.

Vieira afirmou que “Marco Rubio e os EUA demonstraram interesse em boa relação com o Brasil”, e que aguarda uma resposta oficial a uma proposta brasileira que prevê uma pausa temporária nas tarifas enquanto se inicia uma discussão setorial.

No entendimento da CNI, a dificuldade de acesso competitivo ao mercado americano cresce na medida em que concorrentes passam a operar sob tarifas reduzidas ou zeradas. O Brasil é o principal fornecedor de café arábica aos Estados Unidos, por exemplo, mas vê seu produto enfrentar restrições maiores que as aplicadas a concorrentes como Vietnã e Colômbia.

Nos cortes de carne bovina, cenário semelhante se repete. “As condições podem melhorar para competidores internacionais enquanto o Brasil continua penalizado”, afirma a entidade em sua nota.



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Viu esta? Melhor trator de 2026 é eleito na Alemanha; conheça o modelo



O auditório estava cheio de alemães, mas pareciam brasileiros comemorando gol do time do coração a cada anúncio dos vencedores das seis categorias do prêmio Tractor of the Year 2026 (Trator do Ano), realizado no domingo passado (9) na maior feira de máquinas agrícolas do mundo, a Agritechnica, em Hannover. Essa foi uma das reportagens mais lidas da última semana.

Além de reconhecer os melhores modelos, a cerimônia de abertura serviu como uma homenagem ao veículo mais versátil do campo. “Excelência é um caminho, não apenas o destino. Tratores representam este ideal”, disse o diretor administrativo da BK Tires, Rajiv Poddar.

Já o diretor administrativo da DLG Markets, Tobias Eichberg, relembrou, bem humorado, um episódio da infância: a primeira vez em que pilotou um trator na vida. Percorreu 50 metros e acidentalmente passou por cima de parte da lavoura de batata da família. “Viraram purê”, disse, aos risos.

Melhor do ano

O trator campeão desta edição representou um significativo salto tecnológico em relação à versão anterior, criticada por conta da falta de conforto na cabine. O Claas Axion 9.450 Terra Trac, à venda por 614 mil euros (R$ 3.789 milhões), ainda sem previsão de chegar ao Brasil, trocou cerca de 60% das peças do seu antecessor, o Axion 900.

A transmissão por engrenagens cônicas, a relação de transmissão e o sistema de lubrificação automática são as novidades no eixo dianteiro. O veículo, top de linha da Class, tem potência máxima de 448 cavalos, torque de até 1.850 Nm e capacidade de tanque de combustível de 860 litros. O intervalo de manutenção passou para 750 horas, significativamente mais longo do que a antiga versão, de 600 horas.

Para este veículo também foi desenvolvido um novo sistema adaptativo de gestão da transmissão que otimiza a rotação do motor com base em algoritmos de autoaprendizagem e mapas de eficiência. A distância entre eixos do Class Axion 9.450 Terra Trac é de 2,95 m e o peso em vazio varia entre 17 e 18 toneladas.

Além disso, o trem de rolamento Terra-Trac conta com roletes com mola para prolongar a vida útil das rodas e esteiras. De acordo com a Class, os roletes centrais passam a ter flanges, permitindo uma remoção mais rápida. O que não mudou é a velocidade máxima do veículo: permanece em 40 km/h.

Apesar de todas as novidades, o produtor rural alemão se mantém pragmático, à imagem do brasileiro. “Se o trator é bom hoje, também será daqui três ou cinco anos. Não tenho pressa de comprar nada”, disse o agricultor Andrea Lange, que cultiva trigo e milho em Frankfurt.

Outras categorias

O Tractor of the Year 2026 também elegeu os melhores tratores em cinco outras diferentes categorias. Veja os vencedores:

  • Trator autônomo: JCB Fartrac 6300
  • Trator especializado: New Holland T4.120 F Auto Command
  • Trator utilitário: Valtra G125 CVT Active
  • Trator médio: Fendt 516 Vario

*O jornalista viajou à Alemanha a convite da organização da Agritechnica 2025



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AgroNewsPolítica & Agro

Setor prevê avanço na produção de uva



“Acredito que o setor irá se organizar para elaborar maior quantidade de vinhos”


"Acredito que o setor irá se organizar para elaborar maior quantidade de vinhos"
“Acredito que o setor irá se organizar para elaborar maior quantidade de vinhos” – Foto: Divulgação

A próxima safra de uva no Rio Grande do Sul avança com expectativa favorável, impulsionada pelo bom desenvolvimento das videiras e pela previsão de alta produtividade para 2025/26. Após as perdas recentes do setor, técnicos e instituições indicam um quadro de recuperação, apoiado por condições climáticas consideradas adequadas ao longo do último inverno.

O Instituto de Gestão, Planejamento e Desenvolvimento da Vitivinicultura do Estado projeta incremento em torno de 50 milhões de quilos na colheita em relação ao ciclo anterior. A estimativa preliminar do setor aponta que 2024/25 tenha alcançado cerca de 750 milhões de quilos, enquanto 2026 pode chegar a aproximadamente 800 milhões de quilos. Há expectativa de maior elaboração de vinhos leves, brancos e jovens, tendência associada ao comportamento de novos consumidores, segundo avaliação repassada pelo instituto.

“Em termos de planejamento, acredito que o setor irá se organizar para elaborar maior quantidade de vinhos, especialmente os mais leves, brancos e jovens, os quais se mostram como uma tendência para os novos consumidores”, destaca o presidente do Instituto de Gestão, Planejamento e Desenvolvimento da Vitivinicultura do Estado do Rio Grande do Sul (Consevitis-RS), Luciano Rebellato.

A Embrapa Uva e Vinho atribui o cenário positivo ao inverno rigoroso, que registrou 395 horas de frio, volume considerado ideal para garantir brotação uniforme e gemas férteis. Com a primavera, as plantas exibem boa fertilidade e formação expressiva de cachos. A previsão de menor volume de chuva entre dezembro e janeiro também favorece o avanço das lavouras, já que a fase exige tempo mais seco. O ponto de atenção é a oscilação térmica provocada pelo La Niña, que pode reduzir o número de bagas por cacho.

 





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